Mas enquanto o abraçava, Deni sentiu que a humilhação já não era só dela. Agora respingava no filho dela. E mesmo assim, no dia seguinte, ela voltaria ao fórum de cabeça erguida, camisa abotoada, saia justa, peitos estufados e raba balançando, pronta pro próximo caso. Porque a vida de Deni López, a advogada de sucesso, a mãe superprotetora, a mulher cujo corpo a traía a cada passo, estava longe de acabar. As invejas continuavam crescendo. Os paparazzi já tramavam o próximo golpe. E Mateo, no quarto dele, não conseguia tirar da cabeça as fotos editadas da mãe. Deni López seguiu andando pelos corredores do fórum como se nada tivesse acontecido. As fotos editadas, as manchetes humilhantes, as risadinhas das advogadas rivais… tudo isso começou a se dissipar com o passar das semanas. O pessoal viu que não conseguiam derrubá-la tão fácil. Deni não quebrou, não chorou em público, não baixou a cabeça. Pelo contrário: ganhou o caso dos Mendoza com uma maestria que deixou todo mundo de boca aberta, e a popularidade dela, em vez de cair, se manteve firme. As invejas foram se apagando aos poucos, como brasa sem oxigênio. Os sites de fofoca pararam de publicar montagens com ela porque sabiam que a próxima ação judicial ia sair cara. Deni voltou a ser a mesma de sempre: a advogada rígida, respeitada, com a camisa branca abotoada até o pescoço que mal continha as tetonas naturais e durinhas, a saia lápis que marcava sem dó a bunda grande e redonda, e aquele sorriso profissional que escondia o fogo interno de quem sabe que o corpo dela sempre vai ser o primeiro comentário. Trabalhava como sempre. De segunda a sexta no escritório, fins de semana revisando processos em casa enquanto Mateo estudava do lado dela. A vida seguia saudável, amorosa, quase sufocante de tão perfeita. Cafés da manhã juntos, abraços fortes onde os peitos pesados se apertavam contra o peito do filho, beijos na testa e promessas de que ninguém ia separá-los. Mas o O mundo exterior não descansava. Vários políticos corruptos começaram a procurar ela. Um era um ex-secretário de estado acusado de desviar centenas de milhões em contratos fantasmas; outro, um deputado pego com propriedades milionárias que não conseguia justificar. Os assessores deles ligavam pro escritório oferecendo fortunas: "Doutora López, meu cliente confia só na senhora". Deni recusava com a mesma voz suave, mas gelada de sempre: "Desculpa, minha ética profissional não me permite defender casos de corrupção evidente. Procure outro". Também chegavam parentes de mafiosos, de chefões do tráfico que estavam na prisão preventiva. Uma mulher elegante, com joias caras e olhar desesperado, apareceu numa terça à tarde: "Meu marido é inocente, doutora. Pagamos o que a senhora quiser pra tirar ele". Deni nem deixou ela terminar a frase. "Jamais vou defender traficante. Nem bandido. Nem gente como seu marido. Boa tarde". A porta fechou com um clique firme. Deni ficou um segundo olhando pro chão, lembrando do juramento que fez anos atrás. Sabia perfeitamente quem eram aqueles homens: corruptos até o osso, traficantes da morte. E ela não ia sujar o nome dela por dinheiro. Não. Ela era a leoa do tribunal, a humanista que defendia causas justas… mesmo que o corpo dela continuasse sendo alvo de olhares tarados toda vez que caminhava até o estrado. O tempo passou. Dois meses, talvez três. Os escândalos sobre o corpo dela já eram só uma lembrança ruim. Deni continuava ganhando casos importantes, a agenda dela lotada, e Mateo, na faculdade, parecia mais tranquilo. Ou era o que ela pensava. Mas na faculdade de direito tudo mudou quando entraram dois novos. Eles se chamavam Raúl e Diego, primos filhos de um chefão do cartel do Pacífico que ninguém na escola sabia ainda. Eram morenos, de pele escura e traços duros, mais altos que a maioria dos estudantes — Raúl media quase 1,90 e Diego 1,85 —, e tinham 22 e 21 anos respectivamente, repetindo semestre por "problemas familiares". Entraram com aquela atitude de quem já viu o mundo e não tem medo de nada. Em menos de uma semana, já tinham conquistado respeito… ou melhor, medo. Primeiro, começaram com os mais fracos: empurrões nos corredores, "me empresta seu dinheiro do almoço" que nunca era devolvido, piadas cruéis que terminavam em porradas discretas nos banheiros. Alguns garotos reclamaram com os pais. Os pais foram à direção, exigiram expulsões. Mas nada aconteceu. Raúl e Diego eram filhos de gente rica, muito rica. Seus "tios" — homens de terno caro e olhar gelado — visitaram os professores um por um. Subornos discretos, ameaças veladas, depósitos em contas bancárias que ninguém conseguia rastrear. Os professores calaram a boca. As reclamações sumiram. Os dois morenos circulavam pelo campus como reis: altos, musculosos, com tatuagens aparecendo por baixo das mangas das camisetas, falando baixo sobre coisas que ninguém ousava perguntar. Mateo, o garoto inteligente mas otário, que sempre tentava se dar bem com todo mundo, não os viu chegando. Naquela tarde de quinta, Mateo saiu tarde da biblioteca. Estava andando pelo pátio dos fundos, aquele que quase ninguém usava, com a mochila no ombro e a cabeça cheia de anotações de direito penal. Ouviu vozes. Vozes baixas, ameaçadoras. Espiou sem querer. Raúl e Diego tinham encurralado três caras do primeiro semestre contra a parede. Um deles já estava com o rosto vermelho e a carteira na mão de Raúl. — Passa tudo, seu frango filho da puta — rosnou Raúl, a voz grave e debochada —. Ou eu arrebento sua cara aqui mesmo. Os garotos entregavam as notas tremendo. Mateo, sem querer, pisou em falso. Uma pedrinha rolou debaixo do tênis dele. Os dois morenos viraram a cabeça ao mesmo tempo. — Que porra você tá olhando, boy? — disse Diego, sorrindo com dentes brancos que contrastavam com a pele morena dele. Mateo sentiu o estômago embrulhar. Eram mais altos, mais largos, e olhavam pra ele como se fosse um inseto. Lembrou da mãe. Ela sempre o protegeu. Sempre. As vezes que que já tinham tentado dar o golpe antes, Deni tinha feito eles serem expulsos em horas. Ela era a advogada poderosa. A que ganhava tudo. Ele podia ser corajoso por uma vez. —Deixem eles em paz —disse Mateo, tentando que a voz não tremesse—. Minha mãe é advogada. Se não deixarem, ela vai fazer vocês serem expulsos da faculdade. Ela vai processar. Ela… ela consegue. Raúl e Diego se olharam e soltaram uma gargalhada que ecoou no pátio vazio. —Sua mãe? —repetiu Raúl, se aproximando. Era uma cabeça mais alto que Mateo—. Aquela advogada peituda que aparece na internet com a bunda de fora? Hahaha, mano, cê acha mesmo que sua mãe vai te salvar? Diego riu mais alto e deu um empurrão forte no peito de Mateo, que o fez recuar contra a parede. —Olha o filhinho da mamãe. “Minha mãe é advogada”. Que ridículo do caralho. Sabe o quê? Sua mãe devia vir aqui nos defender. Com essas tetonas que ela tem, com certeza nos tira de qualquer enrascada… ou nos distrai um pouco. Mateo tentou responder, mas Raúl já tinha arrancado a mochila dele de uma puxada. Diego deu um soco seco no estômago dele. O ar escapou dos pulmões. Ele caiu de joelhos. Os dois morenos chutaram ele mais algumas vezes, sem força suficiente pra quebrar nada, mas sim pra humilhar. Pegaram a carteira dele, levaram todo o dinheiro que ele tinha —quase mil pesos— e cuspiram na cara dele. —Fala pra sua mãe que, se ela quiser nos expulsar, que venha ela mesma —zombou Raúl enquanto se afastavam rindo—. E que traga aquela bunda grande pra nos convencer melhor. Mateo ficou caído por uns minutos, respirando com dificuldade. Tinha um hematoma grande e escuro nas costelas, outro no braço, e o rosto ardia de humilhação. Mas o pior era o nó na garganta. Ele se levantou como pôde, limpou a roupa, colocou a mochila e caminhou pra casa de cabeça baixa. Quando chegou, Deni estava na cozinha preparando o jantar, com uma camisa leve de botões que mal segurava os peitões enormes dela. naturais, o decote profundo aparecendo sem querer. —Meu amor, como foi seu dia hoje? —perguntou ela com aquele sorriso amoroso de sempre, se aproximando pra abraçá-lo. Mateo se afastou um pouco, disfarçando a dor. —Bem, mãe… normal —mentiu, forçando um sorriso bobo como sempre fazia—. Tudo certo. Foi pro quarto rápido, tirou a camisa e olhou o hematoma roxo no espelho. Cobriu com uma camiseta largada. Não ia falar nada. Não queria preocupar ela. Não queria que ela soubesse que agora, pela primeira vez, a proteção dela não tinha adiantado nada. Que os filhos daqueles mafiosos que ela tanto rejeitava estavam ali, zoando ele… e ela. Deni, da cozinha, sentiu que algo não tava certo. Mas sorriu e continuou cozinhando, as tetonas balançando suave por baixo do pano enquanto cortava verduras. A noite caía lá fora, e a casa ainda era aquele refúgio perfeito. Mas as sombras já estavam dentro.
Os dias foram passando um atrás do outro, lentos e pesados como o ar úmido da cidade. Mateo, o garoto esperto mas otário que sempre tentava agradar, começou a afundar aos poucos nas garras do Raúl e do Diego. No começo era só grana: toda manhã, no corredor dos fundos da faculdade, os dois morenos altos e bombados esperavam por ele. —Passa o que tu trouxe, filhinho da mamãe —rosnava Raúl com aquele sorriso frio, enquanto Diego revistava os bolsos dele. Cem, duzentos, quinhentos conto. Qualquer merda. Mateo entregava tudo com as mãos tremendo, lembrando do primeiro soco nas costelas que ainda doía quando respirava fundo. Mas logo não foi suficiente. Os valentões descobriram rápido que Mateo era um dos mais inteligentes da turma: tirava dez em quase tudo, fazia trabalhos impecáveis e até ajudava os outros com anotações. Uma tarde, depois de tomar o dinheiro do almoço, Raúl jogou uma pilha de folhas amassadas no peito dele. —Faz meus trabalhos de direito penal, mano. E os do meu irmão também. Amanhã quero tudo perfeito ou vou deixar tua cara parecendo uma mapa. Mateo resistiu na primeira vez. "Não sou escravo de ninguém", murmurou, tentando soar corajoso como quando defendia a mãe na cabeça dele. Mas Raúl só riu e deu um soco seco no estômago dele, que o dobrou no meio. Diego chutou as costas dele enquanto ele caía. Voltou pra casa naquela noite com um hematoma enorme nas costelas, escondido debaixo de um moletom folgado. Deni estava na cozinha, com a camisa branca de botões abotoada até o pescoço — embora os peitões naturais e firmes dela ainda pressionassem o tecido, marcando dois volumes impossíveis de ignorar — e perguntou com aquela voz amorosa de sempre: — Tudo bem na facul, meu amor? — Tudo perfeito, mãe — respondeu Mateo com um sorriso besta, o mesmo que usava pra não preocupar ela. Foi pro quarto dele e tratou o golpe em silêncio, mordendo o lábio pra não chorar. Deni continuava trabalhando como sempre. Casos pequenos agora: um empresário meia-boca acusado de sonegação fiscal, uma empresa familiar num litígio de herança. Nada que enchesse os jornais, mas o suficiente pra manter o escritório funcionando. No fórum, mesmo com os escândalos das fotos editadas tendo diminuído, ela sentia os olhares. Os colegas advogados — homens de meia-idade, alguns juízes — não conseguiam disfarçar direito. Quando ela andava pelos corredores com o terno decente, saia justa cinza que marcava a bunda grande e redonda balançando a cada passo, ou quando se inclinava sobre a mesa pra anotar e os peitos pesados apertavam contra a camisa abotoada, os olhos desviavam um segundo a mais. Deni fingia que não percebia. Vestia o mais recatado possível: nada de decotes, botões até em cima, blazers que tentavam disfarçar. Mas o corpo dela sempre traía. "São só olhares", dizia pra si mesma, rangendo os dentes. "Eu ganho casos com a cabeça, não com isso". Enquanto isso, Mateo afundava cada vez mais. Os valentões já não só roubavam o dinheiro dele e obrigavam ele a fazer tarefas. Agora eram coisas humilhantes. "Limpa nossos sapatos com a sua camisa, filho da advogada peituda", ordenava Diego no banheiro, e Mateo obedecia de joelhos, com o rosto vermelho de vergonha. Raúl sempre enfiava a Deni na conversa, como se adorasse cravar a faca: — Sua mãe é uma hipócrita, cara. Rejeita os narcotraficantes como a gente, mas aposto que na praia mostra aquela bunda grande pra todo mundo olhar. Aposto que ela gosta de ser vista como uma puta. Não é verdade? Diz pra ela vir nos defender... ou melhor, vir nos entreter com aquelas tetas operadas que ela tem. Mateo mordia a língua até sangrar. Às vezes tentava enfrentá-los de novo: "Minha mãe vai destruir vocês se descobrir". Mas acabava apanhando: um soco no braço, um chute na perna. Hematomas que escondia com camisetas compridas e desculpas idiotas. "Bati na porta do armário", dizia pra Deni quando ela notava que ele andava estranho. Ela franzia a testa, preocupada — o instinto de mãe superprotetora gritava que algo estava errado —, mas Mateo sorria com aquela cara de menino bonzinho e dizia: — Tá tudo bem, mãe. Sério. Só tô cansado da faculdade. Uma tarde, a humilhação chegou a um novo nível. Raúl e Diego o encurralaram atrás do ginásio da faculdade. Já tinham levado o dinheiro do mês e obrigado ele a copiar três trabalhos completos pra eles. Então Raúl tirou o celular e mostrou uma foto antiga da Deni de biquíni — uma daquelas editadas que ainda circulavam em grupos privados. — Olha o corpo que a sua velha tem, seu viadinho. Essas tetas são enormes. Qual será o tamanho? A gente quer saber exatamente. Traz um sutiã dela amanhã. Aquele que ela usa pra gente ver a etiqueta. Se não, a gente vai contar pra escola inteira que sua mãe é a advogada que usa a bunda pra ganhar os casos. Mateo sentiu o mundo desabar. "Não... não posso fazer isso", murmurou, com a voz falhando. Mas Diego deu um tapa na nuca dele que o fez cambalear. — Ou você traz, ou amanhã a gente te deixa largado no o chão e mandamos as fotos pra sua mãe. Quer que ela saiba que o filhinho dela é um viadinho que não sabe se defender? Rouba o sutiã, cara. Só pra zoar o tamanhão da puta da sua mãe. Mateo aceitou com lágrimas nos olhos. Naquela noite, enquanto Deni dormia no quarto dela depois de um dia longo no tribunal, ele se esgueirou como um ladrão na casa que sempre foi seu refúgio. Abriu a gaveta de roupas íntimas da mãe com as mãos tremendo. Lá estavam: sutiãs pretos, brancos, de renda… todos de tamanhos impossíveis, 38DDD, etiquetas que confirmavam o que todo mundo cochichava. Pegou um preto, o maior, e escondeu na mochila. No dia seguinte, entregou pros valentões com a cara queimando de vergonha. Raúl e Diego abriram ali mesmo, se mijando de rir. —Hahaha, olha isso! 38DDD… que tetas de vaca que sua mãe tem! Aposto que nem fecha os botões das camisas. Como é que ela anda com essas duas bolas naturais? Aposto que usa pra distrair os juízes. Você é filho de uma advogada que mostra a raba na praia e agora traz o sutiã dela pra gente zuar. Que patético do caralho. Obrigaram ele a olhar enquanto cheiravam e jogavam no chão como um pano sujo. Mateo ficou calado, com o estômago embrulhado. Naquela noite, voltou pra casa com um novo roxo no ombro que escondeu debaixo da jaqueta. Deni recebeu ele com um abraço forte — os peitões naturais dela apertando contra ele como sempre — e perguntou de novo: —Filho, tô te achando estranho ultimamente. Tem certeza que tá tudo bem na faculdade? Mateo engoliu seco, forçou aquele sorriso besta de sempre e respondeu: —Claro, mãe. Tudo perfeito. Só… muito estudo. Não se preocupa comigo. Deni olhou pra ele por mais um segundo, com aquele instinto materno que nunca falhava. Percebia as mudanças: o jeito que ele evitava olhar nos olhos dela, como trocava de roupa rápido no quarto, como parecia mais quieto durante o jantar. Mas ele disfarçava tão bem, com aquele mistura de inteligência e atrapalhação, que ela acabava se convencendo de que eram coisas da cabeça dela. "Meu menino está crescendo", pensava, enquanto abotoava a camisa pro dia seguinte no tribunal, sem saber que o sutiã que sumiu da gaveta dela tava sendo usado pra zuar ela nos corredores da faculdade. E Mateo, sozinho no quarto dele, com o hematoma ardendo e a humilhação queimando na garganta, jurava que não ia contar nada pra ela. Não queria um novo escândalo. Não queria que a mãe dele, a advogada rígida e respeitada, acabasse se enrolando em outra onda de merda por culpa dele. Mas as garras do Raúl e do Diego apertavam cada dia mais forte.
Os dias foram passando um atrás do outro, lentos e pesados como o ar úmido da cidade. Mateo, o garoto esperto mas otário que sempre tentava agradar, começou a afundar aos poucos nas garras do Raúl e do Diego. No começo era só grana: toda manhã, no corredor dos fundos da faculdade, os dois morenos altos e bombados esperavam por ele. —Passa o que tu trouxe, filhinho da mamãe —rosnava Raúl com aquele sorriso frio, enquanto Diego revistava os bolsos dele. Cem, duzentos, quinhentos conto. Qualquer merda. Mateo entregava tudo com as mãos tremendo, lembrando do primeiro soco nas costelas que ainda doía quando respirava fundo. Mas logo não foi suficiente. Os valentões descobriram rápido que Mateo era um dos mais inteligentes da turma: tirava dez em quase tudo, fazia trabalhos impecáveis e até ajudava os outros com anotações. Uma tarde, depois de tomar o dinheiro do almoço, Raúl jogou uma pilha de folhas amassadas no peito dele. —Faz meus trabalhos de direito penal, mano. E os do meu irmão também. Amanhã quero tudo perfeito ou vou deixar tua cara parecendo uma mapa. Mateo resistiu na primeira vez. "Não sou escravo de ninguém", murmurou, tentando soar corajoso como quando defendia a mãe na cabeça dele. Mas Raúl só riu e deu um soco seco no estômago dele, que o dobrou no meio. Diego chutou as costas dele enquanto ele caía. Voltou pra casa naquela noite com um hematoma enorme nas costelas, escondido debaixo de um moletom folgado. Deni estava na cozinha, com a camisa branca de botões abotoada até o pescoço — embora os peitões naturais e firmes dela ainda pressionassem o tecido, marcando dois volumes impossíveis de ignorar — e perguntou com aquela voz amorosa de sempre: — Tudo bem na facul, meu amor? — Tudo perfeito, mãe — respondeu Mateo com um sorriso besta, o mesmo que usava pra não preocupar ela. Foi pro quarto dele e tratou o golpe em silêncio, mordendo o lábio pra não chorar. Deni continuava trabalhando como sempre. Casos pequenos agora: um empresário meia-boca acusado de sonegação fiscal, uma empresa familiar num litígio de herança. Nada que enchesse os jornais, mas o suficiente pra manter o escritório funcionando. No fórum, mesmo com os escândalos das fotos editadas tendo diminuído, ela sentia os olhares. Os colegas advogados — homens de meia-idade, alguns juízes — não conseguiam disfarçar direito. Quando ela andava pelos corredores com o terno decente, saia justa cinza que marcava a bunda grande e redonda balançando a cada passo, ou quando se inclinava sobre a mesa pra anotar e os peitos pesados apertavam contra a camisa abotoada, os olhos desviavam um segundo a mais. Deni fingia que não percebia. Vestia o mais recatado possível: nada de decotes, botões até em cima, blazers que tentavam disfarçar. Mas o corpo dela sempre traía. "São só olhares", dizia pra si mesma, rangendo os dentes. "Eu ganho casos com a cabeça, não com isso". Enquanto isso, Mateo afundava cada vez mais. Os valentões já não só roubavam o dinheiro dele e obrigavam ele a fazer tarefas. Agora eram coisas humilhantes. "Limpa nossos sapatos com a sua camisa, filho da advogada peituda", ordenava Diego no banheiro, e Mateo obedecia de joelhos, com o rosto vermelho de vergonha. Raúl sempre enfiava a Deni na conversa, como se adorasse cravar a faca: — Sua mãe é uma hipócrita, cara. Rejeita os narcotraficantes como a gente, mas aposto que na praia mostra aquela bunda grande pra todo mundo olhar. Aposto que ela gosta de ser vista como uma puta. Não é verdade? Diz pra ela vir nos defender... ou melhor, vir nos entreter com aquelas tetas operadas que ela tem. Mateo mordia a língua até sangrar. Às vezes tentava enfrentá-los de novo: "Minha mãe vai destruir vocês se descobrir". Mas acabava apanhando: um soco no braço, um chute na perna. Hematomas que escondia com camisetas compridas e desculpas idiotas. "Bati na porta do armário", dizia pra Deni quando ela notava que ele andava estranho. Ela franzia a testa, preocupada — o instinto de mãe superprotetora gritava que algo estava errado —, mas Mateo sorria com aquela cara de menino bonzinho e dizia: — Tá tudo bem, mãe. Sério. Só tô cansado da faculdade. Uma tarde, a humilhação chegou a um novo nível. Raúl e Diego o encurralaram atrás do ginásio da faculdade. Já tinham levado o dinheiro do mês e obrigado ele a copiar três trabalhos completos pra eles. Então Raúl tirou o celular e mostrou uma foto antiga da Deni de biquíni — uma daquelas editadas que ainda circulavam em grupos privados. — Olha o corpo que a sua velha tem, seu viadinho. Essas tetas são enormes. Qual será o tamanho? A gente quer saber exatamente. Traz um sutiã dela amanhã. Aquele que ela usa pra gente ver a etiqueta. Se não, a gente vai contar pra escola inteira que sua mãe é a advogada que usa a bunda pra ganhar os casos. Mateo sentiu o mundo desabar. "Não... não posso fazer isso", murmurou, com a voz falhando. Mas Diego deu um tapa na nuca dele que o fez cambalear. — Ou você traz, ou amanhã a gente te deixa largado no o chão e mandamos as fotos pra sua mãe. Quer que ela saiba que o filhinho dela é um viadinho que não sabe se defender? Rouba o sutiã, cara. Só pra zoar o tamanhão da puta da sua mãe. Mateo aceitou com lágrimas nos olhos. Naquela noite, enquanto Deni dormia no quarto dela depois de um dia longo no tribunal, ele se esgueirou como um ladrão na casa que sempre foi seu refúgio. Abriu a gaveta de roupas íntimas da mãe com as mãos tremendo. Lá estavam: sutiãs pretos, brancos, de renda… todos de tamanhos impossíveis, 38DDD, etiquetas que confirmavam o que todo mundo cochichava. Pegou um preto, o maior, e escondeu na mochila. No dia seguinte, entregou pros valentões com a cara queimando de vergonha. Raúl e Diego abriram ali mesmo, se mijando de rir. —Hahaha, olha isso! 38DDD… que tetas de vaca que sua mãe tem! Aposto que nem fecha os botões das camisas. Como é que ela anda com essas duas bolas naturais? Aposto que usa pra distrair os juízes. Você é filho de uma advogada que mostra a raba na praia e agora traz o sutiã dela pra gente zuar. Que patético do caralho. Obrigaram ele a olhar enquanto cheiravam e jogavam no chão como um pano sujo. Mateo ficou calado, com o estômago embrulhado. Naquela noite, voltou pra casa com um novo roxo no ombro que escondeu debaixo da jaqueta. Deni recebeu ele com um abraço forte — os peitões naturais dela apertando contra ele como sempre — e perguntou de novo: —Filho, tô te achando estranho ultimamente. Tem certeza que tá tudo bem na faculdade? Mateo engoliu seco, forçou aquele sorriso besta de sempre e respondeu: —Claro, mãe. Tudo perfeito. Só… muito estudo. Não se preocupa comigo. Deni olhou pra ele por mais um segundo, com aquele instinto materno que nunca falhava. Percebia as mudanças: o jeito que ele evitava olhar nos olhos dela, como trocava de roupa rápido no quarto, como parecia mais quieto durante o jantar. Mas ele disfarçava tão bem, com aquele mistura de inteligência e atrapalhação, que ela acabava se convencendo de que eram coisas da cabeça dela. "Meu menino está crescendo", pensava, enquanto abotoava a camisa pro dia seguinte no tribunal, sem saber que o sutiã que sumiu da gaveta dela tava sendo usado pra zuar ela nos corredores da faculdade. E Mateo, sozinho no quarto dele, com o hematoma ardendo e a humilhação queimando na garganta, jurava que não ia contar nada pra ela. Não queria um novo escândalo. Não queria que a mãe dele, a advogada rígida e respeitada, acabasse se enrolando em outra onda de merda por culpa dele. Mas as garras do Raúl e do Diego apertavam cada dia mais forte.
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