2.A Familiaridade Gera DesprezoMe encontrei com a Cristina uns dias depois, na quinta-feira, na saída dos nossos trabalhos. Ela me chamou pra ir num cafezinho perto da casa dela, na área de Villa Crespo. Lugar bonito, numa rua tranquila. Disse que às vezes ia com alguma amiga.
Quando sentamos, passamos os primeiros quinze minutos batendo papo sobre tudo. Fazendo um rir o outro, como sempre. Trocando comentários bestas. Como sempre. No começo, quando chegamos, notei que ela tava um pouco nervosa, mas passou rápido. Ficar relaxada, num lugar neutro, com um café gostoso e com alguém com quem podia falar sem se segurar, parecia estar fazendo muito bem pra ela. Ela tinha voltado a ser um pouco a Cristina de antes, a de sempre, não a que eu tinha visto e notado no churrasco de sábado.
Finalmente, tomei um gole de café e olhei pra ela: "Beleza, então vai você. Começa logo porque quero voltar pra casa no horário."
Ela riu e olhou em volta. Não sei pra quem. Tinha outras duas mesas ocupadas bem distantes e um cara e uma mina que trabalhavam lá, atrás do balcão conversando. Ninguém ia ouvir ela se falasse baixinho. E ela falou baixinho, quase acima da música ambiente do lugar.
"Bom, vamos ver… ufff…", começou.
"Começa pelo começo. A ideia mais ou menos você já me contou no sábado. Já sei do que se trata.", ajudei.
"Como começou tudo isso?", ela perguntou.
"É, tipo isso. É o melhor lugar pra começar.", falei.
Ela tomou um gole do cortado no copinho e pensou um pouco, como se finalmente se animasse a contar pra alguém. Aí entendi na hora, quase instintivamente, que meu trabalho não era só escutar ela. Era ser compreensivo também.
"Vamos ver, começou tudo há dois anos. Já sei, sim… quase dois anos certinhos, porque foi quando o consultório alagou, lembra?"
Concordei: "Sim, você tinha me falado. Aquela história do cano do vizinho de cima."
"Isso. Bom, questão que foderam, entre outras coisas, uns tomadas de uma parte do consultório, a da Lilita. Com a água e tal. Então o Emiliano chamou um cara que ele conhecia, um tal de Martín, que é eletricista e já tinha vindo algumas vezes aqui em casa fazer uns reparos. Sabe como é o Emi com gente que tem que entrar em casa por algum motivo, se não for de confiança…”
“Pois é, deve estar se divertindo pra caralho agora seu marido, imagino”, fiz a piada.
“Ah, mas você é um idiota…”, ela disse, mas riu. Era o que eu queria.
“Continua, vai. Tinha que falar”, falei.
“Questão que o Emi falou pra esse eletricista ir no consultório dar uma olhada e trocar as tomadas”, continuou Cristina.
“Você deu pra um cara no consultório?”, perguntei surpreso. Cris riu.
“Não, burro… esse Martín foi, revisou tudo, disse o que precisava trocar, quanto ia custar mais ou menos e aí já falei que sim, que voltasse o quanto antes porque a Lilita quase não tinha luz na parte dela.”
Eu sorri, “E aí você já deu em cima desse Martín?”
Vi que ela deu um sorrisinho, “Bom, sim. Meu olho até desviou um pouco, não vou mentir. Mas não fiz nada. Deixei ele revisar, trabalhar. Não ficou muito tempo, deve ter ficado uns quinze minutos, no máximo.”
“Calma, aí você já tava pensando em comer ele?”, perguntei.
Cris demorou um pouquinho pra me responder, “Siiim e não? Sei lá. Naquele momento eu tava cheia de tesão, Murcie. Por tudo. Pela pouca bola que o Emi me dava, porque já fazia mais de dois meses que não me tocava, que não fazíamos nada, sabe. Sim, meu olho desviou um pouco. Um pouco bastante, mas o Martín não percebeu.”
“Como é o cara?”, perguntei.
“Eletricista, sei lá. Normal. Nada de outro mundo. Cabelo bonito, um pouco comprido. Tem 32 anos, tinha 30 na época. Cara normal, bonitinho.”
“Ok, pensei que você ia dizer que o George Clooney tinha aparecido pra trocar suas tomadas”, falei.
Ela riu, “Não, nada a ver. Quem dera! Não, normal. Simpático até certo ponto, educado.”
“Ele deu em cima de você? Fez alguma coisa que te deu abertura?”, perguntei.
“Não, nada a ver. Correto o cara.” Cara. Pra mim, ele nem reparou em mim. Do jeito que eu tava, com o jaleco e tal. Pra mim, ele nem reparou em mim."
"Beleza, e aí?"
"Aí ele voltou dois dias depois, antes do meio-dia, e começou a trampar, arrumando e trocando as tomadas", me disse Cristina, "Já ali, com mais tempo, eu me fiz de sonsa, fingindo que tava fazendo umas coisas do consultório, mas a verdade é que eu tava olhando pro cara", ela soltou uma risadinha.
Eu tomei um gole do meu café, "Já tava pensando em dar pra ele naquela hora?"
Ela suspirou, "Olha... se eu disser que não, tô mentindo. Passou um monte de coisa na minha cabeça, mas como o cara não vi que tava me olhando ou falando algo, meio que me segurei sozinha. Talvez se eu percebesse que ele tava dando mole, sei lá... teria feito alguma coisa ali mesmo. Mas te juro, Murcie, tava passando tanta coisa na minha cabeça naquele momento. Que o cara tava ali, que a gente tava sozinho até a Lilita chegar, que ele era gostoso... e por outro lado, pensava no Emi, que não podia fazer o que tava pensando, que era uma vergonha..."
"... imagino", concordei, "Então pelo menos naquela hora você não fez nada."
"Não", ela disse, "Mas ali decidi que queria fazer alguma coisa. Em algum momento. Sei lá, é difícil de explicar. Como se o tesão tivesse tomado conta. Nunca tinha me sentido assim. Sabe, ficar na beira de fazer uma parada dessas. Nunca tinha estado nessa situação."
"E o que você fez?"
Ela me sorriu de um jeito safado, "Me joguei, Murcie. Naquela hora não ia fazer nada, mas a verdade é que o cara me deixava com vontade. Falei pra ele me passar o número dele pra eu avisar ele, porque tinha umas coisas de elétrica pra fazer em casa também."
Eu sorri também, "Ah, você levou ele pra casinha."
Ela sorriu ainda mais, "Sim. Coitado. Ele achou que era sério. Ainda mais que eu inventei essa, que tinha umas paradas pra arrumar, mas depois que o cara foi embora, me toquei... que merda, não tem nada pra arrumar em casa! Comecei a pesquisar no Google que nem uma idiota as coisas mais comuns de elétrica que podem acontecer num apartamento. Assim Pelo menos eu tinha algo pra mentir um pouco pra ele quando fosse!”
“Sé… e foi?”
“Sim, escrevi pra ele no WhatsApp uns dias depois, pra ver quando ele podia vir aqui em casa dar uma olhada na geladeira, que às vezes fazia um barulho estranho no motor e baixava a tensão… qualquer merda, mas eu ia dar um jeito quando ele tivesse aqui. Combinamos que ele viria em alguns dias pra dar uma olhada. Coitado, até me dava conselhos enquanto não podia vir. Um amor. Você não sabe como eu tava, Murcie. Mal. Muito mal. Contando os dias, hahaha!”
“Cê tava passada de ansiedade, né?”, eu ri.
“Ansiedade. Tesão. Medo. Tudo junto.”, ela riu, “Tava um caco de nervos. Achava que quando o cara chegasse, eu ia cagar de medo de ter ele ali e não dar em cima, não rolar nada. E se ele também não fizesse nada, não ia acontecer nada, ia ser tudo em vão e eu ia continuar na mesma. Foi uma merda esses dias.”
“Mas aconteceu, imagino”, fiz uma careta.
“Sim, aconteceu”, Cristina sorriu.
“E?”
“E o quê? Idiota”, ela franziu a testa.
“Fala, sua burra, me conta”, eu ri.
“Quer o play by play? Babaca”, ela deu um sorrisinho.
Eu dei de ombros, tomei um gole de café, “Sabe que eu gosto de escrever, Cris. Escritores vivem e morrem pelo detalhe. Então fala.”
“Não sei, Murcie…” ela começou, mas eu cortei.
“Escuta, não vou me chocar, não vou me ofender e não vou contar pra ninguém.”, falei meio seco, “Cê acha que nessa altura da minha vida, com tudo que já fiz e vi, alguma coisa disso vai me abalar? Não”, falei, sabendo que precisava dar um sacode nela e animar.
“Tô com muita vergonha, Murcie…”, ela suspirou.
“Sua idiota”, eu ri, “Eu vi você aquelas vezes que a gente ia pro sítio dos avós do Germão e com aquelas putinhas das suas amiguinhas…”, ela começou a rir sozinha porque já sabia onde eu ia chegar, eu também ri, “... sim, com as vadias das suas amiguinhas, a Flor, a Andy, toda aquela cambada de putas, que agora trinta anos depois se fazem de santinhas, eu via elas…” que iam pra piscina e colocavam aquelas tangas que sumiam no meio da bunda. Então não me enche o saco!”
Cristina riu alto e tomou o café, mais relaxada, “Ah, você é um idiota…”
“E você uma filha da puta que tem vergonha de falar comigo”, eu sorri.
Ela deu um gole bom no café com leite e começou a contar, já mais tranquila.
“Bom, o Martín tocou a campainha no começo da tarde naquele dia. Eu não me vesti nada provocante. Jeans, camiseta, só isso. Não queria dar a entender nada.”
“Que burra”, falei.
“Sei lá… Que não fosse tão na cara, pensei na hora. Bom, o cara subiu, fiz ele entrar. Coitado, ficou fuçando atrás da geladeira totalmente à toa. Me deu pena fazer ele trabalhar assim, mas fazer o quê… ele falou no final que não via nada estranho, que a geladeira era bem nova. Mas que se às vezes dava uma queda de tensão quando ligava, se eu quisesse, ele colocava um disjuntor maior ou algo assim. Eu falei que sim.”
“Tudo inútil”, eu ri.
“Tudo completamente inútil, mas tinha que fingir”, Cris sorriu, “Enquanto ele trabalhava lá na cozinha onde tem o quadro elétrico, perguntei se ele não queria um café, que eu ia fazer um pra mim. Ele falou que sim, obrigado.”
Eu ri, imaginando a cena, “E você lá já queria dar pra ele na hora, imagino…”
Cris riu, “Cara, eu tava morrendo de nervoso. De tesão. Tudo. Sabe o que era saber que tava no limite naqueles minutos… que se eu não fizesse nada, não rolava nada, mas se eu fizesse… talvez sim? Uma excitação danada por dentro. Quase tremia as mãos.”
“E aí?”
“Bom, ele terminou de colocar o disjuntor novo, falou que eu não ia ter problemas com aquele. Eu não entendo nada, só falava sim, obrigado. Aí sentamos um pouco na mesinha da cozinha, ele na cadeira dele, eu na minha, tomando café, conversando. Mais sobre eletricidade, coisas que não entendo. Mas eu falava sim pra tudo, que interessante. E ficava olhando pra ele pra ver se ele sacava.”
Eu ri, “Nena, o cara tava trampando. Não ia sacar nada disso. É muito sutil. Só com olhares e miradinhas você não ia conseguir nada.”
“É, já sei. Percebi. Mas… bom… foi aí que não aguentei mais e fui pra cima.”, ela riu.
“Foi pra cima assim, na cara dura?”, me surpreendi.
“Não, sabe o que pensei naquele momento? Juro, nos meus pacientes. Os de reabilitação. Sabe o que pensei? Que via eles depois daquelas reabilitações longas, de lesões fodidas, que às vezes ficavam meses sem conseguir apoiar o pé e você tá lá ajudando e dizendo que já tá tudo bem, que pode pisar de boa, que não vai sentir dor nem nada… mas é mais forte que eles, o medo de pisar e doer, ou de cair.”
“Ah… é, imagino”, falei.
“Então pensei nisso. Que era só questão de se jogar, pisar e tentar andar. E se cair, cai. Levanta e tenta de novo. Mas se não tentar…”
“Não acontece nada”, concordei.
“Exato. Então beleza, comecei a puxar papo. Perguntei se ele tinha namorada, ele disse que sim. Falamos um pouco sobre ela. Ele disse que morava em San Fernando, vizinha dele. Que tinha 26 anos… bom, tudo sobre a mina.”
Eu ri, “E aí bateu a culpa, né?”
Cristina riu, “Não, sabe que nada a ver? Não sei se fala muito bem de mim, mas a real é que tava pouco me fodendo se ele tinha namorada, ou se a mina ajudava órfão na igreja ou qualquer merda que ele dissesse. O cara tava ali comigo. Se ele não quisesse, bom, não queria, também não ia forçar ou abusar. Mas se quisesse, bom, que se dane a namoradinha!”
“Ah, beleza. Quer que eu peça mais um copinho de moral?”, provoquei.
Cristina riu, “Fala sério, idiota. Você nessa situação não age, mesmo que a outra pessoa esteja num relacionamento?”
“… não tô falando de mim”, sorri, “Não vim falar de mim.”
“Babaca.”
“Então, e aí?”
Cristina suspirou um pouco, mas sorriu, “Falamos um pouco sobre isso. Eu queria levar pro lado de que me sentia sozinha, o que era verdade. Que ele me desse abertura.” pra falar alguma coisa. No final, parece que ele já tinha ficado mais à vontade e me perguntou se eu tava bem. Acho que foi mais pra não ficar mal, saca? Como eu tinha perguntado sobre o relacionamento dele, ele perguntou sobre o meu. Mesmo sendo diferente namoro de casamento.”
“Sep.”
“Mas sim, ele perguntou e eu falei a real. Que às vezes sentia que era muito complicado, que não é fácil conviver, que às vezes os casais se distanciam. Não queria passar do ponto porque sabia que o cara conhecia o Emiliano. Por isso, mais que nada.”, ela disse.
“E ele falou o quê?”
“Nada. Só balançava a cabeça. Tomava o café dele. Me olhava um pouco. Não sei se não tinha coragem ou se não me achava gostosa o bastante pra comer…”, ela riu.
“Hmm. Que situação, né?”, comentei, “Você jogou a isca e nenhum peixe mordeu. Que momento.”
Cristina concordou com a cabeça, “Bom, continuamos conversando. Perguntei se ele tinha que ir, e se não, se queria tomar outro café comigo, que a companhia caía bem. Aí meio que ele percebeu. Notei que mudou um pouco a cara, o humor, sei lá. Como se tivesse sacado que eu tava tentando. Tentando alguma coisa.”
“Aham.”
“Mas bom, como ficou por isso mesmo, enquanto ele tava fazendo o outro café, minha cabeça tava a mil, não sabia o que falar pra conseguir alguma coisa. Sei lá, qualquer coisa. Parecia clarinho que o cara não ia se arriscar a fazer nada, nem dizer nada. Nem sabia se ele queria.”
“Claro que queria, gata. Qualquer homem ia querer nessa situação”, cortei, “Acontece que talvez ele tivesse medo de se jogar assim de uma vez.”
Cristina concordou, “É, algo assim com certeza. Então, enquanto eu tava preparando o café, de costas pra ele, pensei… juro… pensei, foda-se. Dane-se. Não aguento mais. Vou soltar uma bomba e o cara que faça o que quiser. Já não aguentava mais a incerteza”, ela riu.
“Uffff… que merda você deve ter dito…”
Cris me olhou e sorriu, “A gente tava falando de como eu levava meu casamento, os problemas e tal. Eu tava esperando a água ferver, meio que virei um pouco só e soltei Sabe qual é o meu maior problema, Martín? Que eu adoro chupar pica, e meu marido não curte muito. Sempre me disse que eu não faço direito."
Eu comecei a me acabar de rir. Não porque não acreditava na Cristina. Pelo contrário, acreditei. Mas imaginava a cena, naquela cozinha que eu conhecia bem, e essa filha da puta toda excitada soltando essa direto pro cara.
"Não... tu é doida. O que o cara fez?", eu continuava rindo com ela.
"Ele ficou meio duro, não sabia o que responder. Me disse algo meio gaguejando, tipo, 'é... nossa... bom... todo casamento tem problema, né?' Algo assim. Que amor.", respondeu a Cristina, "Foi aí que senti um peso saindo das minhas costas, Murcie. Juro. Como se internamente eu soubesse, percebi, que se eu conseguia jogar essa pra um cara que praticamente nem conhecia, já era. Os únicos limites que eu tinha eram os que eu mesma colocava, não outros."
Eu concordei devagar, entendendo a situação na cabeça da Cristina naquele momento, "Nós somos os melhores em nos sabotar."
"Claro, exato", ela disse, "Então sentei de boa de novo na mesa, aproximei o cafezinho dele, como se não tivesse falado aquela barbaridade trinta segundos antes. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. O cara já me olhava de outro jeito, sabe? E eu pra ele. Já tinha faísca", ela riu.
"Faísca... que filha da puta, tu tem quinze anos por dentro."
Cris sorriu, "Tomei um gole de café e perguntei se ele gostava de chupar pica. Ele disse que sim, claro. Todo mundo gosta. Falei, 'hahaha, bom, meu marido acho que não'."
"Pobre Emi...", falei.
"Pobre porra nenhuma. Nem tava pensando nele", disse a Cristina, "O cara tomava o café dele, me olhando, acho que recalculando tudo na cabeça, coitado."
"E aí, o que aconteceu?"
"Aí mesmo perguntei se ele tava satisfeito com a namorada naquela área específica", ela riu.
"Espero que não nesses termos acadêmicos...", sorri.
"Não, idiota. Falei Outra coisa"
"Como você perguntou pra ele?"
"Ah... naturalmente, de novo, como quem não quer nada. Falei, 'E aí, tua namorada te chupa bem?'. Ele riu um pouco, já sacando qual era a jogada. Disse que sim, felizmente sim, não podia reclamar.", disse Cristina.
Eu ri baixinho, "Ayyy... deixou ele no vácuo... que jogadora..."
Cristina riu e se inclinou um pouco sobre a mesa, pra falar mais baixo. De novo, não precisava, mas fez mesmo assim, e disse, "Aí olhei bem nos olhos dele e falei que eu com certeza chupava melhor. Que se ele quisesse, eu mostrava."
"Caralho, Cris...", me surpreendi, "E aí...?"
Cristina olhou pra mesa entre nós, mas vi ela sorrir disfarçado, "E aí... levantei, fui até onde ele tava sentado, me ajoelhei e dei uma chupada de pau que ele nunca ia esquecer na vida.", terminou com um sorrisinho.
"Nossa... inacreditável...", só consegui comentar, já imaginando a cena, "Pelo menos curtiu? Matou a vontade?"
"Sim. Muito. Ali, enquanto tava chupando, parece que derreteu tudo. Bom, não tudo, mas um monte de coisa."
"Como assim derreteu?", perguntei.
"É, Murcie... Toda a merda que eu carregava dentro, na cabeça. As dúvidas, a angústia, tudo isso. Sabe o quanto é importante pra qualquer mulher se sentir desejada?"
"Claro..."
"Não tô falando amada. Amada é ótimo, é maravilhoso, é lindo. Mas desejada também", ela disse, "Quando isso se perde, é muito triste, e quando se recupera, é lindo. E eu naquele momento com o pau do cara na boca, me senti desejada de novo. Quando ouvia ele gemer baixinho por cima de mim, quando sentia ele endurecer dentro da minha boca, quando senti a mão dele acariciando meu cabelo... ai, Deus...", ela riu.
"Bom... nossa... curtiu, hein.", sorri pra ela.
"Pra caralho. E ele também.", disse sorrindo, "Então é isso, fiquei ali um tempão, bem gostoso, os dois aproveitamos. Mas eu queria mais, então olhei pra ele e perguntei se não queria transar, que eu tava com muita vontade. Ele disse que sim. Claro."
"Assim, na lata..."
"Pois é, Murcie... as barreiras já tinham caído...", comentou e tomou um gole do seu cortado.
"Hmm. Sim. Se um boquete não quebra barreiras, o que mais vai quebrar?"
"Quebra o gelo, com certeza", ela riu.
Eu também tomei um gole do meu café, tentando não pensar muito na imagem da Cristina ajoelhada na cozinha dela chupando a pica do eletricista. "E... você comeu ele ali na cozinha?"
"Não... fomos pro quarto. Tiramos mais ou menos a roupa, deitamos... e pronto..."
"'E pronto' nada, amiga... me conta, você gostou?", perguntei.
Ela sorriu docemente, "Sim, amei. Ele deitou e eu não aguentei, comecei a chupar ele de novo ali. Amei a pica que ele tinha. Dura e gostosa. Nada a ver com a do Emi. Não pela dureza, digo, sei lá. Digo pelo gosto, pela forma. Por saber que era de outro cara, que eu tava satisfazendo outro cara, dando prazer pra ele, recebendo prazer de outro cara... tudo isso tava na minha cabeça.
Cristina continuou: “Depois de um tempo, ele disse que não aguentava mais, que queria me comer. Juro que senti um arrepio de prazer quando ouvi ele falar isso… tipo, ouvir outro cara te desejar daquele jeito. Ainda mais um cara mais novo, sei lá. Mas me fez vibrar. Claro que eu disse sim.”
“E aí vocês foram… que delícia…”, eu sorri.
“Sim, tiramos toda a roupa e transamos gostoso. Muito gostoso. Percebi que ele também ficava excitado por estar com uma gostosa que não era a namorada dele. Dava pra notar. Ou pelo menos eu notei. Ele me comeu bonito e sem pressa.”
“Desculpa a pergunta invasiva, né? Mas… você gozou?”, eu sorri.
Cristina devolveu o sorriso: “Sim, ele me arrancou um orgasmo enorme. Muito gostoso. Sabe quanto tempo fazia que eu não curtia assim? Anos.”
“Que bom…”, suspirei, “Bom, fico feliz por você.”
“Sim, bom, aí meio que complicou tudo. Ou pelo menos eu senti assim na hora…”, ela disse e deixou a frase no ar.
“Por que complicou? O que aconteceu?”, perguntei, “Ele ficou chato ou algo assim?”
Ela sorriu: “Não! Não, nada a ver, ele é um cara muito doce, mas… bom, a parada é que ele me virou de barriga pra cima e começou a meter. Ele também precisava gozar, e eu estava tão gostoso também… que… bom, uma coisa levou à outra… sabe, na adrenalina do momento… eu já nem sabia o que falava entre os gemidos… mas lembro que… bom, sei lá, Murcie, me dá vergonha, mas… falei pra ele gozar dentro, sabe.”, ela deu de ombros, mas ainda com aquele sorriso no rosto.
“Uff, Cris… meio foda isso. Assim sem camisinha nem nada… imagina se…”
Ela me interrompeu: “Sim, eu sei tudo isso, mas na hora não queria outra coisa. A verdade é que não. Queria sentir ele gozar dentro de mim. Só isso. Como se nada mais importasse. E se engravidasse, paciência, e se não, também.”, ela encolheu os ombros ainda mais.
“Entendo, mas… é complicado, sim.”, completei.
“Claro que é complicado, mas na hora você não pensa. Quando senti ele gozar, acho que quase tive outro orgasmo. Foi incrível. Dentro da minha cabeça era tudo…” Incrível", ele sorriu.
Cris ficou um tempinho brincando com a colher no cortado, olhando pro nada, e me disse: “Naquele momento, minha cabeça tava voando de prazer, o coração saindo pela boca… e a buceta cheia, Murcie. Cheia de pau e porra de outro cara. O que você queria que eu pensasse?”
“Nada, sei lá… cê tem razão…”, falei e concordei.
“Não era hora de pensar. Era hora de sentir”, ela falou meio orgulhosa.
“E o cara?”, perguntei.
Cris continuava sorrindo: “Nada. Gozou gostoso também, deitou em cima de mim e a gente se beijou um pouco. Ele pediu desculpa pela gozada, eu caí na risada, falei que tava tudo bem, pra ele não se preocupar. A gente conversou um pouquinho assim, se beijou e se tocou mais um pouco, e no final a gente se vestiu, ele me cumprimentou numa boa e foi embora.”
“Antes, claro, o típico ‘por favor, não conta pra ninguém’…”, falei, mas ela me interrompeu.
“Não, nada a ver. Nenhum de nós falou nada disso. Tava subentendido.”, respondeu ela.
“Mas isso foi há dois anos”, falei, “Foi aquela vez e você nunca mais viu ele?”
Cristina riu: “Não… sim, vi ele várias vezes depois. Sempre em casa, quando o Emi não tava. Eu mandava mensagem pra ele, a gente combinava dele vir um pouco à tarde… E é isso…”
“E é isso, querendo dizer, a gente trepava…”, eu ri.
“Feito coelhos”, ela riu.
“Quantas vezes mais você viu ele? Ou vocês se viram?”, perguntei.
“Sei lá, deve ter sido uns meses. O Martín não vinha toda semana, nada disso. Trabalhava muito, eu também, e tinha que ser quando o Emiliano não tivesse em casa, sabe. Mas a gente se virava. A gente deve ter se visto… sei lá, nos quatro ou cinco meses seguintes. Acho que ele veio em casa umas oito ou nove vezes no total. Não foi muito.”
“Não foi muito…”, suspirei, “Sabe o que muitos de nós dariam pra trepar ‘umas oito ou nove vezes’, gata…”
Ela me olhou de um jeito safado: “Não sei do que você reclama, se você teve a sua…”
Interrompi: “Não me lembra disso, e de novo te falo que não vim falar de mim”, eu ri.
“Que bobo que você é. Mas é verdade!”
“Ser verdade não quer dizer que se…” tenho que falar sobre o assunto", sorri pra ela, "como você lidou com o Emiliano naquela época em que tava saindo com esse cara?"
Cristina deu de ombros, "No começo, pra ser sincera, foi uma merda. Ele nunca descobriu, nunca contei, mas a paranoia era toda minha. Vivia no 41, vendo se ele notava algo diferente em mim, se tinha ficado alguma marca, ou se escapava alguma palavra, essas coisas. Depois, com o tempo, percebi... que otária... se o motivo de tudo isso ter acontecido era justamente que o Emi não tava nem aí pra mim. Quem ia reparar? Quem ia notar?"
"Hmm. É."
"Foi aí que eu falei, foda-se. Já era. Pra que vou me preocupar tanto se algum detalhe vai aparecer, se esse otário não liga pra nada?", disse meio com tristeza, "Foi aí que, por dentro, me soltei."
"Se soltou como?", perguntei.
"Ué, me soltar no sentido de que parei de me preocupar se o Emiliano ia descobrir. Parei de me perseguir, de ficar paranóica sozinha. Se acontecesse em algum momento, acontecia e eu lidava com isso na hora. Mas até não acontecer... eu tava aproveitando outro cara que me queria, ou pelo menos me desejava, que era o que eu precisava. Que o Emiliano se foda, pra ser sincera."
"Meio pesado, amiga", comentei.
"É, pode ser, mas eu já tava mentalmente fora desse casamento, Murcie", ela me disse, "Pra que se preocupar com algo que eu sabia que tinha data de validade? Pra que sofrer? Melhor aproveitar. E se o preço do meu prazer e da minha felicidade era fazer de Emiliano um corno, bom, eu pagava com gosto. Na verdade, ainda pago, mais do que com gosto."
"Nossa, caralho...", falei.
"O quê?"
"Tem mais...", olhei pra ela.
Cristina me olhou como quem olha pra um idiota. Ela disse na lata, "Vários outros, Murcie. Se isso com Martín aconteceu há dois anos. Cê acha que fiquei jogando baralho esse tempo todo?"
"Claro, é... você descobriu que se divertia... e continuou...", falei. Não pra ela. Pra ninguém.
"Exato. Se tem uma coisa que descobri nesse tempo, é que fazer isso me dá tesão. Me dá Muito, Múrcia. Sei lá… comer uns caras assim… sempre que rola, me faz bem. Me faz feliz. Foi isso que descobri sobre mim."
"Descobriu isso? Que te faz feliz dar chifre no teu marido?", perguntei, com toda a intimidade que a gente tinha.
"Não, que me faz feliz me sentir a puta de uns caras aleatórios assim, Múrcia.", ela respondeu, também com toda a intimidade.
Eu olhei pra ela, a gente se olhou. Chamei a garçonete pra trazer mais dois cafés. Ia ser uma conversa longa, imaginei. Não ia voltar pra casa na hora certa.
Quando sentamos, passamos os primeiros quinze minutos batendo papo sobre tudo. Fazendo um rir o outro, como sempre. Trocando comentários bestas. Como sempre. No começo, quando chegamos, notei que ela tava um pouco nervosa, mas passou rápido. Ficar relaxada, num lugar neutro, com um café gostoso e com alguém com quem podia falar sem se segurar, parecia estar fazendo muito bem pra ela. Ela tinha voltado a ser um pouco a Cristina de antes, a de sempre, não a que eu tinha visto e notado no churrasco de sábado.
Finalmente, tomei um gole de café e olhei pra ela: "Beleza, então vai você. Começa logo porque quero voltar pra casa no horário."
Ela riu e olhou em volta. Não sei pra quem. Tinha outras duas mesas ocupadas bem distantes e um cara e uma mina que trabalhavam lá, atrás do balcão conversando. Ninguém ia ouvir ela se falasse baixinho. E ela falou baixinho, quase acima da música ambiente do lugar.
"Bom, vamos ver… ufff…", começou.
"Começa pelo começo. A ideia mais ou menos você já me contou no sábado. Já sei do que se trata.", ajudei.
"Como começou tudo isso?", ela perguntou.
"É, tipo isso. É o melhor lugar pra começar.", falei.
Ela tomou um gole do cortado no copinho e pensou um pouco, como se finalmente se animasse a contar pra alguém. Aí entendi na hora, quase instintivamente, que meu trabalho não era só escutar ela. Era ser compreensivo também.
"Vamos ver, começou tudo há dois anos. Já sei, sim… quase dois anos certinhos, porque foi quando o consultório alagou, lembra?"
Concordei: "Sim, você tinha me falado. Aquela história do cano do vizinho de cima."
"Isso. Bom, questão que foderam, entre outras coisas, uns tomadas de uma parte do consultório, a da Lilita. Com a água e tal. Então o Emiliano chamou um cara que ele conhecia, um tal de Martín, que é eletricista e já tinha vindo algumas vezes aqui em casa fazer uns reparos. Sabe como é o Emi com gente que tem que entrar em casa por algum motivo, se não for de confiança…”
“Pois é, deve estar se divertindo pra caralho agora seu marido, imagino”, fiz a piada.
“Ah, mas você é um idiota…”, ela disse, mas riu. Era o que eu queria.
“Continua, vai. Tinha que falar”, falei.
“Questão que o Emi falou pra esse eletricista ir no consultório dar uma olhada e trocar as tomadas”, continuou Cristina.
“Você deu pra um cara no consultório?”, perguntei surpreso. Cris riu.
“Não, burro… esse Martín foi, revisou tudo, disse o que precisava trocar, quanto ia custar mais ou menos e aí já falei que sim, que voltasse o quanto antes porque a Lilita quase não tinha luz na parte dela.”
Eu sorri, “E aí você já deu em cima desse Martín?”
Vi que ela deu um sorrisinho, “Bom, sim. Meu olho até desviou um pouco, não vou mentir. Mas não fiz nada. Deixei ele revisar, trabalhar. Não ficou muito tempo, deve ter ficado uns quinze minutos, no máximo.”
“Calma, aí você já tava pensando em comer ele?”, perguntei.
Cris demorou um pouquinho pra me responder, “Siiim e não? Sei lá. Naquele momento eu tava cheia de tesão, Murcie. Por tudo. Pela pouca bola que o Emi me dava, porque já fazia mais de dois meses que não me tocava, que não fazíamos nada, sabe. Sim, meu olho desviou um pouco. Um pouco bastante, mas o Martín não percebeu.”
“Como é o cara?”, perguntei.
“Eletricista, sei lá. Normal. Nada de outro mundo. Cabelo bonito, um pouco comprido. Tem 32 anos, tinha 30 na época. Cara normal, bonitinho.”
“Ok, pensei que você ia dizer que o George Clooney tinha aparecido pra trocar suas tomadas”, falei.
Ela riu, “Não, nada a ver. Quem dera! Não, normal. Simpático até certo ponto, educado.”
“Ele deu em cima de você? Fez alguma coisa que te deu abertura?”, perguntei.
“Não, nada a ver. Correto o cara.” Cara. Pra mim, ele nem reparou em mim. Do jeito que eu tava, com o jaleco e tal. Pra mim, ele nem reparou em mim."
"Beleza, e aí?"
"Aí ele voltou dois dias depois, antes do meio-dia, e começou a trampar, arrumando e trocando as tomadas", me disse Cristina, "Já ali, com mais tempo, eu me fiz de sonsa, fingindo que tava fazendo umas coisas do consultório, mas a verdade é que eu tava olhando pro cara", ela soltou uma risadinha.
Eu tomei um gole do meu café, "Já tava pensando em dar pra ele naquela hora?"
Ela suspirou, "Olha... se eu disser que não, tô mentindo. Passou um monte de coisa na minha cabeça, mas como o cara não vi que tava me olhando ou falando algo, meio que me segurei sozinha. Talvez se eu percebesse que ele tava dando mole, sei lá... teria feito alguma coisa ali mesmo. Mas te juro, Murcie, tava passando tanta coisa na minha cabeça naquele momento. Que o cara tava ali, que a gente tava sozinho até a Lilita chegar, que ele era gostoso... e por outro lado, pensava no Emi, que não podia fazer o que tava pensando, que era uma vergonha..."
"... imagino", concordei, "Então pelo menos naquela hora você não fez nada."
"Não", ela disse, "Mas ali decidi que queria fazer alguma coisa. Em algum momento. Sei lá, é difícil de explicar. Como se o tesão tivesse tomado conta. Nunca tinha me sentido assim. Sabe, ficar na beira de fazer uma parada dessas. Nunca tinha estado nessa situação."
"E o que você fez?"
Ela me sorriu de um jeito safado, "Me joguei, Murcie. Naquela hora não ia fazer nada, mas a verdade é que o cara me deixava com vontade. Falei pra ele me passar o número dele pra eu avisar ele, porque tinha umas coisas de elétrica pra fazer em casa também."
Eu sorri também, "Ah, você levou ele pra casinha."
Ela sorriu ainda mais, "Sim. Coitado. Ele achou que era sério. Ainda mais que eu inventei essa, que tinha umas paradas pra arrumar, mas depois que o cara foi embora, me toquei... que merda, não tem nada pra arrumar em casa! Comecei a pesquisar no Google que nem uma idiota as coisas mais comuns de elétrica que podem acontecer num apartamento. Assim Pelo menos eu tinha algo pra mentir um pouco pra ele quando fosse!”
“Sé… e foi?”
“Sim, escrevi pra ele no WhatsApp uns dias depois, pra ver quando ele podia vir aqui em casa dar uma olhada na geladeira, que às vezes fazia um barulho estranho no motor e baixava a tensão… qualquer merda, mas eu ia dar um jeito quando ele tivesse aqui. Combinamos que ele viria em alguns dias pra dar uma olhada. Coitado, até me dava conselhos enquanto não podia vir. Um amor. Você não sabe como eu tava, Murcie. Mal. Muito mal. Contando os dias, hahaha!”
“Cê tava passada de ansiedade, né?”, eu ri.
“Ansiedade. Tesão. Medo. Tudo junto.”, ela riu, “Tava um caco de nervos. Achava que quando o cara chegasse, eu ia cagar de medo de ter ele ali e não dar em cima, não rolar nada. E se ele também não fizesse nada, não ia acontecer nada, ia ser tudo em vão e eu ia continuar na mesma. Foi uma merda esses dias.”
“Mas aconteceu, imagino”, fiz uma careta.
“Sim, aconteceu”, Cristina sorriu.
“E?”
“E o quê? Idiota”, ela franziu a testa.
“Fala, sua burra, me conta”, eu ri.
“Quer o play by play? Babaca”, ela deu um sorrisinho.
Eu dei de ombros, tomei um gole de café, “Sabe que eu gosto de escrever, Cris. Escritores vivem e morrem pelo detalhe. Então fala.”
“Não sei, Murcie…” ela começou, mas eu cortei.
“Escuta, não vou me chocar, não vou me ofender e não vou contar pra ninguém.”, falei meio seco, “Cê acha que nessa altura da minha vida, com tudo que já fiz e vi, alguma coisa disso vai me abalar? Não”, falei, sabendo que precisava dar um sacode nela e animar.
“Tô com muita vergonha, Murcie…”, ela suspirou.
“Sua idiota”, eu ri, “Eu vi você aquelas vezes que a gente ia pro sítio dos avós do Germão e com aquelas putinhas das suas amiguinhas…”, ela começou a rir sozinha porque já sabia onde eu ia chegar, eu também ri, “... sim, com as vadias das suas amiguinhas, a Flor, a Andy, toda aquela cambada de putas, que agora trinta anos depois se fazem de santinhas, eu via elas…” que iam pra piscina e colocavam aquelas tangas que sumiam no meio da bunda. Então não me enche o saco!”
Cristina riu alto e tomou o café, mais relaxada, “Ah, você é um idiota…”
“E você uma filha da puta que tem vergonha de falar comigo”, eu sorri.
Ela deu um gole bom no café com leite e começou a contar, já mais tranquila.
“Bom, o Martín tocou a campainha no começo da tarde naquele dia. Eu não me vesti nada provocante. Jeans, camiseta, só isso. Não queria dar a entender nada.”
“Que burra”, falei.
“Sei lá… Que não fosse tão na cara, pensei na hora. Bom, o cara subiu, fiz ele entrar. Coitado, ficou fuçando atrás da geladeira totalmente à toa. Me deu pena fazer ele trabalhar assim, mas fazer o quê… ele falou no final que não via nada estranho, que a geladeira era bem nova. Mas que se às vezes dava uma queda de tensão quando ligava, se eu quisesse, ele colocava um disjuntor maior ou algo assim. Eu falei que sim.”
“Tudo inútil”, eu ri.
“Tudo completamente inútil, mas tinha que fingir”, Cris sorriu, “Enquanto ele trabalhava lá na cozinha onde tem o quadro elétrico, perguntei se ele não queria um café, que eu ia fazer um pra mim. Ele falou que sim, obrigado.”
Eu ri, imaginando a cena, “E você lá já queria dar pra ele na hora, imagino…”
Cris riu, “Cara, eu tava morrendo de nervoso. De tesão. Tudo. Sabe o que era saber que tava no limite naqueles minutos… que se eu não fizesse nada, não rolava nada, mas se eu fizesse… talvez sim? Uma excitação danada por dentro. Quase tremia as mãos.”
“E aí?”
“Bom, ele terminou de colocar o disjuntor novo, falou que eu não ia ter problemas com aquele. Eu não entendo nada, só falava sim, obrigado. Aí sentamos um pouco na mesinha da cozinha, ele na cadeira dele, eu na minha, tomando café, conversando. Mais sobre eletricidade, coisas que não entendo. Mas eu falava sim pra tudo, que interessante. E ficava olhando pra ele pra ver se ele sacava.”
Eu ri, “Nena, o cara tava trampando. Não ia sacar nada disso. É muito sutil. Só com olhares e miradinhas você não ia conseguir nada.”
“É, já sei. Percebi. Mas… bom… foi aí que não aguentei mais e fui pra cima.”, ela riu.
“Foi pra cima assim, na cara dura?”, me surpreendi.
“Não, sabe o que pensei naquele momento? Juro, nos meus pacientes. Os de reabilitação. Sabe o que pensei? Que via eles depois daquelas reabilitações longas, de lesões fodidas, que às vezes ficavam meses sem conseguir apoiar o pé e você tá lá ajudando e dizendo que já tá tudo bem, que pode pisar de boa, que não vai sentir dor nem nada… mas é mais forte que eles, o medo de pisar e doer, ou de cair.”
“Ah… é, imagino”, falei.
“Então pensei nisso. Que era só questão de se jogar, pisar e tentar andar. E se cair, cai. Levanta e tenta de novo. Mas se não tentar…”
“Não acontece nada”, concordei.
“Exato. Então beleza, comecei a puxar papo. Perguntei se ele tinha namorada, ele disse que sim. Falamos um pouco sobre ela. Ele disse que morava em San Fernando, vizinha dele. Que tinha 26 anos… bom, tudo sobre a mina.”
Eu ri, “E aí bateu a culpa, né?”
Cristina riu, “Não, sabe que nada a ver? Não sei se fala muito bem de mim, mas a real é que tava pouco me fodendo se ele tinha namorada, ou se a mina ajudava órfão na igreja ou qualquer merda que ele dissesse. O cara tava ali comigo. Se ele não quisesse, bom, não queria, também não ia forçar ou abusar. Mas se quisesse, bom, que se dane a namoradinha!”
“Ah, beleza. Quer que eu peça mais um copinho de moral?”, provoquei.
Cristina riu, “Fala sério, idiota. Você nessa situação não age, mesmo que a outra pessoa esteja num relacionamento?”
“… não tô falando de mim”, sorri, “Não vim falar de mim.”
“Babaca.”
“Então, e aí?”
Cristina suspirou um pouco, mas sorriu, “Falamos um pouco sobre isso. Eu queria levar pro lado de que me sentia sozinha, o que era verdade. Que ele me desse abertura.” pra falar alguma coisa. No final, parece que ele já tinha ficado mais à vontade e me perguntou se eu tava bem. Acho que foi mais pra não ficar mal, saca? Como eu tinha perguntado sobre o relacionamento dele, ele perguntou sobre o meu. Mesmo sendo diferente namoro de casamento.”
“Sep.”
“Mas sim, ele perguntou e eu falei a real. Que às vezes sentia que era muito complicado, que não é fácil conviver, que às vezes os casais se distanciam. Não queria passar do ponto porque sabia que o cara conhecia o Emiliano. Por isso, mais que nada.”, ela disse.
“E ele falou o quê?”
“Nada. Só balançava a cabeça. Tomava o café dele. Me olhava um pouco. Não sei se não tinha coragem ou se não me achava gostosa o bastante pra comer…”, ela riu.
“Hmm. Que situação, né?”, comentei, “Você jogou a isca e nenhum peixe mordeu. Que momento.”
Cristina concordou com a cabeça, “Bom, continuamos conversando. Perguntei se ele tinha que ir, e se não, se queria tomar outro café comigo, que a companhia caía bem. Aí meio que ele percebeu. Notei que mudou um pouco a cara, o humor, sei lá. Como se tivesse sacado que eu tava tentando. Tentando alguma coisa.”
“Aham.”
“Mas bom, como ficou por isso mesmo, enquanto ele tava fazendo o outro café, minha cabeça tava a mil, não sabia o que falar pra conseguir alguma coisa. Sei lá, qualquer coisa. Parecia clarinho que o cara não ia se arriscar a fazer nada, nem dizer nada. Nem sabia se ele queria.”
“Claro que queria, gata. Qualquer homem ia querer nessa situação”, cortei, “Acontece que talvez ele tivesse medo de se jogar assim de uma vez.”
Cristina concordou, “É, algo assim com certeza. Então, enquanto eu tava preparando o café, de costas pra ele, pensei… juro… pensei, foda-se. Dane-se. Não aguento mais. Vou soltar uma bomba e o cara que faça o que quiser. Já não aguentava mais a incerteza”, ela riu.
“Uffff… que merda você deve ter dito…”
Cris me olhou e sorriu, “A gente tava falando de como eu levava meu casamento, os problemas e tal. Eu tava esperando a água ferver, meio que virei um pouco só e soltei Sabe qual é o meu maior problema, Martín? Que eu adoro chupar pica, e meu marido não curte muito. Sempre me disse que eu não faço direito."
Eu comecei a me acabar de rir. Não porque não acreditava na Cristina. Pelo contrário, acreditei. Mas imaginava a cena, naquela cozinha que eu conhecia bem, e essa filha da puta toda excitada soltando essa direto pro cara.
"Não... tu é doida. O que o cara fez?", eu continuava rindo com ela.
"Ele ficou meio duro, não sabia o que responder. Me disse algo meio gaguejando, tipo, 'é... nossa... bom... todo casamento tem problema, né?' Algo assim. Que amor.", respondeu a Cristina, "Foi aí que senti um peso saindo das minhas costas, Murcie. Juro. Como se internamente eu soubesse, percebi, que se eu conseguia jogar essa pra um cara que praticamente nem conhecia, já era. Os únicos limites que eu tinha eram os que eu mesma colocava, não outros."
Eu concordei devagar, entendendo a situação na cabeça da Cristina naquele momento, "Nós somos os melhores em nos sabotar."
"Claro, exato", ela disse, "Então sentei de boa de novo na mesa, aproximei o cafezinho dele, como se não tivesse falado aquela barbaridade trinta segundos antes. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. O cara já me olhava de outro jeito, sabe? E eu pra ele. Já tinha faísca", ela riu.
"Faísca... que filha da puta, tu tem quinze anos por dentro."
Cris sorriu, "Tomei um gole de café e perguntei se ele gostava de chupar pica. Ele disse que sim, claro. Todo mundo gosta. Falei, 'hahaha, bom, meu marido acho que não'."
"Pobre Emi...", falei.
"Pobre porra nenhuma. Nem tava pensando nele", disse a Cristina, "O cara tomava o café dele, me olhando, acho que recalculando tudo na cabeça, coitado."
"E aí, o que aconteceu?"
"Aí mesmo perguntei se ele tava satisfeito com a namorada naquela área específica", ela riu.
"Espero que não nesses termos acadêmicos...", sorri.
"Não, idiota. Falei Outra coisa"
"Como você perguntou pra ele?"
"Ah... naturalmente, de novo, como quem não quer nada. Falei, 'E aí, tua namorada te chupa bem?'. Ele riu um pouco, já sacando qual era a jogada. Disse que sim, felizmente sim, não podia reclamar.", disse Cristina.
Eu ri baixinho, "Ayyy... deixou ele no vácuo... que jogadora..."
Cristina riu e se inclinou um pouco sobre a mesa, pra falar mais baixo. De novo, não precisava, mas fez mesmo assim, e disse, "Aí olhei bem nos olhos dele e falei que eu com certeza chupava melhor. Que se ele quisesse, eu mostrava."
"Caralho, Cris...", me surpreendi, "E aí...?"
Cristina olhou pra mesa entre nós, mas vi ela sorrir disfarçado, "E aí... levantei, fui até onde ele tava sentado, me ajoelhei e dei uma chupada de pau que ele nunca ia esquecer na vida.", terminou com um sorrisinho.
"Nossa... inacreditável...", só consegui comentar, já imaginando a cena, "Pelo menos curtiu? Matou a vontade?"
"Sim. Muito. Ali, enquanto tava chupando, parece que derreteu tudo. Bom, não tudo, mas um monte de coisa."
"Como assim derreteu?", perguntei.
"É, Murcie... Toda a merda que eu carregava dentro, na cabeça. As dúvidas, a angústia, tudo isso. Sabe o quanto é importante pra qualquer mulher se sentir desejada?"
"Claro..."
"Não tô falando amada. Amada é ótimo, é maravilhoso, é lindo. Mas desejada também", ela disse, "Quando isso se perde, é muito triste, e quando se recupera, é lindo. E eu naquele momento com o pau do cara na boca, me senti desejada de novo. Quando ouvia ele gemer baixinho por cima de mim, quando sentia ele endurecer dentro da minha boca, quando senti a mão dele acariciando meu cabelo... ai, Deus...", ela riu.
"Bom... nossa... curtiu, hein.", sorri pra ela.
"Pra caralho. E ele também.", disse sorrindo, "Então é isso, fiquei ali um tempão, bem gostoso, os dois aproveitamos. Mas eu queria mais, então olhei pra ele e perguntei se não queria transar, que eu tava com muita vontade. Ele disse que sim. Claro."
"Assim, na lata..."
"Pois é, Murcie... as barreiras já tinham caído...", comentou e tomou um gole do seu cortado.
"Hmm. Sim. Se um boquete não quebra barreiras, o que mais vai quebrar?"
"Quebra o gelo, com certeza", ela riu.
Eu também tomei um gole do meu café, tentando não pensar muito na imagem da Cristina ajoelhada na cozinha dela chupando a pica do eletricista. "E... você comeu ele ali na cozinha?"
"Não... fomos pro quarto. Tiramos mais ou menos a roupa, deitamos... e pronto..."
"'E pronto' nada, amiga... me conta, você gostou?", perguntei.
Ela sorriu docemente, "Sim, amei. Ele deitou e eu não aguentei, comecei a chupar ele de novo ali. Amei a pica que ele tinha. Dura e gostosa. Nada a ver com a do Emi. Não pela dureza, digo, sei lá. Digo pelo gosto, pela forma. Por saber que era de outro cara, que eu tava satisfazendo outro cara, dando prazer pra ele, recebendo prazer de outro cara... tudo isso tava na minha cabeça.
Cristina continuou: “Depois de um tempo, ele disse que não aguentava mais, que queria me comer. Juro que senti um arrepio de prazer quando ouvi ele falar isso… tipo, ouvir outro cara te desejar daquele jeito. Ainda mais um cara mais novo, sei lá. Mas me fez vibrar. Claro que eu disse sim.” “E aí vocês foram… que delícia…”, eu sorri.
“Sim, tiramos toda a roupa e transamos gostoso. Muito gostoso. Percebi que ele também ficava excitado por estar com uma gostosa que não era a namorada dele. Dava pra notar. Ou pelo menos eu notei. Ele me comeu bonito e sem pressa.”
“Desculpa a pergunta invasiva, né? Mas… você gozou?”, eu sorri.
Cristina devolveu o sorriso: “Sim, ele me arrancou um orgasmo enorme. Muito gostoso. Sabe quanto tempo fazia que eu não curtia assim? Anos.”
“Que bom…”, suspirei, “Bom, fico feliz por você.”
“Sim, bom, aí meio que complicou tudo. Ou pelo menos eu senti assim na hora…”, ela disse e deixou a frase no ar.
“Por que complicou? O que aconteceu?”, perguntei, “Ele ficou chato ou algo assim?”
Ela sorriu: “Não! Não, nada a ver, ele é um cara muito doce, mas… bom, a parada é que ele me virou de barriga pra cima e começou a meter. Ele também precisava gozar, e eu estava tão gostoso também… que… bom, uma coisa levou à outra… sabe, na adrenalina do momento… eu já nem sabia o que falava entre os gemidos… mas lembro que… bom, sei lá, Murcie, me dá vergonha, mas… falei pra ele gozar dentro, sabe.”, ela deu de ombros, mas ainda com aquele sorriso no rosto.
“Uff, Cris… meio foda isso. Assim sem camisinha nem nada… imagina se…”
Ela me interrompeu: “Sim, eu sei tudo isso, mas na hora não queria outra coisa. A verdade é que não. Queria sentir ele gozar dentro de mim. Só isso. Como se nada mais importasse. E se engravidasse, paciência, e se não, também.”, ela encolheu os ombros ainda mais.
“Entendo, mas… é complicado, sim.”, completei.
“Claro que é complicado, mas na hora você não pensa. Quando senti ele gozar, acho que quase tive outro orgasmo. Foi incrível. Dentro da minha cabeça era tudo…” Incrível", ele sorriu.
Cris ficou um tempinho brincando com a colher no cortado, olhando pro nada, e me disse: “Naquele momento, minha cabeça tava voando de prazer, o coração saindo pela boca… e a buceta cheia, Murcie. Cheia de pau e porra de outro cara. O que você queria que eu pensasse?”“Nada, sei lá… cê tem razão…”, falei e concordei.
“Não era hora de pensar. Era hora de sentir”, ela falou meio orgulhosa.
“E o cara?”, perguntei.
Cris continuava sorrindo: “Nada. Gozou gostoso também, deitou em cima de mim e a gente se beijou um pouco. Ele pediu desculpa pela gozada, eu caí na risada, falei que tava tudo bem, pra ele não se preocupar. A gente conversou um pouquinho assim, se beijou e se tocou mais um pouco, e no final a gente se vestiu, ele me cumprimentou numa boa e foi embora.”
“Antes, claro, o típico ‘por favor, não conta pra ninguém’…”, falei, mas ela me interrompeu.
“Não, nada a ver. Nenhum de nós falou nada disso. Tava subentendido.”, respondeu ela.
“Mas isso foi há dois anos”, falei, “Foi aquela vez e você nunca mais viu ele?”
Cristina riu: “Não… sim, vi ele várias vezes depois. Sempre em casa, quando o Emi não tava. Eu mandava mensagem pra ele, a gente combinava dele vir um pouco à tarde… E é isso…”
“E é isso, querendo dizer, a gente trepava…”, eu ri.
“Feito coelhos”, ela riu.
“Quantas vezes mais você viu ele? Ou vocês se viram?”, perguntei.
“Sei lá, deve ter sido uns meses. O Martín não vinha toda semana, nada disso. Trabalhava muito, eu também, e tinha que ser quando o Emiliano não tivesse em casa, sabe. Mas a gente se virava. A gente deve ter se visto… sei lá, nos quatro ou cinco meses seguintes. Acho que ele veio em casa umas oito ou nove vezes no total. Não foi muito.”
“Não foi muito…”, suspirei, “Sabe o que muitos de nós dariam pra trepar ‘umas oito ou nove vezes’, gata…”
Ela me olhou de um jeito safado: “Não sei do que você reclama, se você teve a sua…”
Interrompi: “Não me lembra disso, e de novo te falo que não vim falar de mim”, eu ri.
“Que bobo que você é. Mas é verdade!”
“Ser verdade não quer dizer que se…” tenho que falar sobre o assunto", sorri pra ela, "como você lidou com o Emiliano naquela época em que tava saindo com esse cara?"
Cristina deu de ombros, "No começo, pra ser sincera, foi uma merda. Ele nunca descobriu, nunca contei, mas a paranoia era toda minha. Vivia no 41, vendo se ele notava algo diferente em mim, se tinha ficado alguma marca, ou se escapava alguma palavra, essas coisas. Depois, com o tempo, percebi... que otária... se o motivo de tudo isso ter acontecido era justamente que o Emi não tava nem aí pra mim. Quem ia reparar? Quem ia notar?"
"Hmm. É."
"Foi aí que eu falei, foda-se. Já era. Pra que vou me preocupar tanto se algum detalhe vai aparecer, se esse otário não liga pra nada?", disse meio com tristeza, "Foi aí que, por dentro, me soltei."
"Se soltou como?", perguntei.
"Ué, me soltar no sentido de que parei de me preocupar se o Emiliano ia descobrir. Parei de me perseguir, de ficar paranóica sozinha. Se acontecesse em algum momento, acontecia e eu lidava com isso na hora. Mas até não acontecer... eu tava aproveitando outro cara que me queria, ou pelo menos me desejava, que era o que eu precisava. Que o Emiliano se foda, pra ser sincera."
"Meio pesado, amiga", comentei.
"É, pode ser, mas eu já tava mentalmente fora desse casamento, Murcie", ela me disse, "Pra que se preocupar com algo que eu sabia que tinha data de validade? Pra que sofrer? Melhor aproveitar. E se o preço do meu prazer e da minha felicidade era fazer de Emiliano um corno, bom, eu pagava com gosto. Na verdade, ainda pago, mais do que com gosto."
"Nossa, caralho...", falei.
"O quê?"
"Tem mais...", olhei pra ela.
Cristina me olhou como quem olha pra um idiota. Ela disse na lata, "Vários outros, Murcie. Se isso com Martín aconteceu há dois anos. Cê acha que fiquei jogando baralho esse tempo todo?"
"Claro, é... você descobriu que se divertia... e continuou...", falei. Não pra ela. Pra ninguém.
"Exato. Se tem uma coisa que descobri nesse tempo, é que fazer isso me dá tesão. Me dá Muito, Múrcia. Sei lá… comer uns caras assim… sempre que rola, me faz bem. Me faz feliz. Foi isso que descobri sobre mim."
"Descobriu isso? Que te faz feliz dar chifre no teu marido?", perguntei, com toda a intimidade que a gente tinha.
"Não, que me faz feliz me sentir a puta de uns caras aleatórios assim, Múrcia.", ela respondeu, também com toda a intimidade.
Eu olhei pra ela, a gente se olhou. Chamei a garçonete pra trazer mais dois cafés. Ia ser uma conversa longa, imaginei. Não ia voltar pra casa na hora certa.
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