Desejos de Serra VIII

Os meses depois do casamento do José passaram numa calma aparente que era pura ilusão. Ramiro trabalhava turnos completos de novo, orgulhoso da perna "como nova". José e Ana viviam a lua de mel prolongada em Monterrey, mandando fotos de vez em quando. A casinha de San Luis voltou a ser só de três: Ramiro, Karina e Javier. Mas o segredo entre mãe e filho não tinha esfriado; pelo contrário, tinha ficado mais voraz, mais frequente, aproveitando cada brecha que a rotina deixava.

As noites eram deles. Quando Ramiro dormia exausto do trabalho, Karina se levantava em silêncio, atravessava o corredor e entrava no sofá com Javier. Se escondiam debaixo de um lençol sem dizer nada, só procurando o corpo um do outro com mãos ansiosas. Javier a recebia sempre pronto: pau duro na hora, mãos nas cadeiras largas dela, levantando ela pra montar em cima. Faziam devagar no começo — pra não fazer barulho —, mas terminavam num ritmo desesperado: Karina cavalgando com força, peitos balançando soltos, mordendo o lábio pra não gritar enquanto ele metia até o fundo, enchendo ela uma vez e outra. Gozavam juntos quase sempre: ela se contraindo em volta do pau dele, jatos quentes molhando o lençol; ele derramando dentro dela com gemidos abafados no pescoço dela.

Não usavam proteção. Nunca tinham usado, nunca receberam educação sexual e pré-natal pra ter consciência. O risco era parte do prazer proibido.

Karina notou as mudanças primeiro. Um atraso de duas semanas. Depois náuseas de manhã, que disfarçava como "mal-estar do estômago". Peitos mais sensíveis, inchados, bicos escuros e duros que doíam ao roçar da blusa. Cansaço que obrigava ela a sentar mais tempo na cozinha. E um cheiro no corpo dela que Javier reconhecia na hora: mais doce, mais intenso.Desejos de Serra VIIIUma tarde, enquanto o Ramiro tava no turno da tarde, a Karina comprou um teste na farmácia mais longe, igual viu num vídeo. Se trancou no banheiro, mijou no palitinho e ficou esperando, tremendo.

Duas listras rosadas apareceram quase na hora.

Ela ficou sentada no chão frio, encarando o teste como se fosse uma sentença. Lágrimas escorreram silenciosas pelo rosto dela. Não foi uma surpresa total; uma parte dela já desconfiava há semanas, do mesmo jeito que sentiu antes de ter os dois filhos anteriores. Mas ver aquilo confirmado foi como um soco no estômago.Claro aqui esta a traducao pJavier chegou do trabalho e a encontrou assim: sentada no banheiro, com o teste na mão. Ele trancou a porta e se ajoelhou na frente dela.

— O que foi, mãe?

Ela levantou o teste sem dizer nada. Javier olhou, entendeu na hora e ficou sem fôlego.

— É… meu — ele sussurrou, não como pergunta, mas como afirmação.

Karina assentiu, soluçando baixinho, só pode ser seu, você sabe que com seu pai foram poucas vezes, quase dois meses desde a última, não tenho dúvida, é seu.

— Nosso. É nosso, Javier.maduraEle abraçou ela forte, sentindo o corpo dela tremer contra o dele. Não tinha alegria imediata, só um terror cru misturado com algo mais profundo, mais complicado: posse, amor torto, medo absoluto.

— O que a gente vai fazer? — perguntou ela, com a voz quebrada —. Seu pai… José… o povo da cidade se descobrir…

Javier não tinha respostas. Só beijou ela na testa, nas bochechas molhadas, nos lábios trêmulos.

— Não sei. Mas você não tá sozinha. Não vou te largar.

Naquela noite, quando Ramiro chegou cansado e dormiu cedo, Karina e Javier ficaram conversando baixinho na cozinha, com a luz apagada.

— Ainda não podemos falar nada — disse ela —. Pelo menos até passar o primeiro trimestre. Se acontecer alguma coisa… se eu perder… melhor ninguém saber.

Javier concordou, mas as mãos dele já estavam na barriga dela, planas, protetoras, sentindo a curva quase imperceptível que ainda não existia.

— E se a gente tiver? — perguntou ele —. E se… criarmos como se fosse do pai?

Karina fechou os olhos, lágrimas frescas caindo.

— Não sei se consigo mentir pro Ramiro a vida inteira. Mas também não sei se consigo… me livrar disso. Do nosso.

Ficaram em silêncio por um bom tempo. Depois, sem palavras, Javier levou ela pro sofá. Tirou a roupa dela devagar, beijando cada centímetro do corpo dela: os peitos inchados e sensíveis, a barriga lisa que logo ia crescer, as coxas que tremiam. Meteu nela com uma ternura que nunca tinham tido: devagar, fundo, olhando nos olhos dela o tempo todo. Não era só sexo; era afirmação, promessa, medo compartilhado.

Karina chorou enquanto gozava, abraçando ele forte, sentindo ele se derramar dentro dela de novo, como se selassem algo irreversível.

No dia seguinte, a vida continuou igual por fora: tortilhas no fogão, Ramiro beijando Karina antes de sair pro trabalho, Javier indo pra fábrica. Mas por dentro, tudo tinha mudado.

Karina começou a esconder os sintomas: náuseas que atribuía a “algo que comi”, cansaço que dizia que era "a idade". Ramiro não desconfiava de nada; tava feliz por ter a família unida, por José estar casado, por a vida parecer normal.

Mas Javier e Karina sabiam a verdade. O segredo já não era só desejo. Agora era uma vida crescendo dentro dela. Uma vida que era dos dois. E que ameaçava destruir tudo que tinham construído com mentiras.

Karina decidiu não contar toda a verdade pro Ramiro. O medo foi mais forte que a culpa naquela manhã. Acordou cedo, com o estômago embrulhado pelas náuseas da gravidez e pela decisão que tinha tomado durante a noite em claro. Javier já tinha ido pro trabalho — ou foi o que disse —, mas na real tinha saído pra não estar presente quando tudo explodisse ou se acalmasse.Incesto FamiliarRamiro tava na cozinha, servindo café, com o rádio baixinho numa estação de música sertaneja. Tava contente, como sempre desde que recuperou a perna: assobiando, andando sem mancar, falando em juntar dinheiro pra visitar a cidade.

Karina entrou devagar, com o xale cruzado no peito pra esconder a leve barriguinha que já começava a aparecer por baixo das blusas largas. Parou perto do fogão, fingindo preparar tortilhas, mas as mãos tremiam.

— Ramiro… preciso falar com você.

Ele levantou os olhos, sorrindo.

— O que foi, véia? Já bateu uma vontade? Manga com pimenta? Ou já quer ir no médico por causa dos seus enjoo?

Karina engoliu seco. Fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e sentou na frente dele.

— Tô grávida.

Ramiro ficou parado. A xícara de café parou no meio do caminho até a boca. Depois, um sorriso enorme se espalhou no rosto dele, daqueles que iluminavam os olhos e enrugavam os cantos.

— Sério? Mais um filho? Ah, Karina! — Ele levantou de repente, deu a volta na mesa e abraçou ela forte por trás, beijando o cabelo dela —. Graças a Deus! Depois de tanto tempo… achei que não íamos ter mais. Um irmãozinho pro José e pro Javier!

Karina deixou ser abraçada, mas o corpo dela tava duro. As lágrimas ardiam nos olhos, mas ela segurou. Ramiro não percebeu; tava feliz demais.

— Quanto tempo? Já foi no médico? É menino ou menina? — perguntou, rindo igual criança —. Vamos ter que arrumar o quarto! E contar pro José… ele vai ficar doido de alegria!

Ela concordou devagar, forçando um sorriso.

— Dois meses já. Fui no médico semana passada… sozinha. Queria ter certeza antes de te contar.

Ramiro se ajoelhou na frente dela, pegou as mãos dela e beijou.

— E por que sozinha, mulher? Devia ter me falado. Tinha ido com você. — Ele colocou a mão na barriga dela com carinho —. Já mexe? Sente uns chutinhos?

Karina sentiu um nó na garganta. O bebê sim Ela se mexia, mas cada chutinho era um lembrete do Javier, não do Ramiro. Mesmo assim, ela colocou a mão sobre a dele.

— Às vezes… sim. É forte.

Ramiro riu, emocionado.

— Vai sair como o pai dele ou como você. Não importa. Vai ser nosso.

Karina fechou os olhos pra ele não ver as lágrimas escapando. “Nosso”, repetiu na mente, mas a palavra soava falsa, quebrada. Ramiro abraçou ela de novo, beijou a testa, as bochechas, os lábios — um beijo casto, cheio de carinho e esperança.

— Vamos ficar bem, véia. Melhor que bem. Com um moleque novo em casa… tudo vai mudar pra melhor.

Karina concordou, sem voz. Quando Ramiro saiu pra comprar umas coisas “pra comemorar” — cerveja pra ele, suco pra ela, e um docinho da padaria —, ela ficou sozinha na cozinha. Passou a mão na barriga, sentindo um chutinho suave.

— Me perdoa — sussurrou pro bebê —. Me perdoa por mentir pro seu pai… e por mentir pro outro também.

Quando Javier voltou naquela tarde, Karina esperava ele no quintal, estendendo roupa como se nada fosse.

— Contou pra ele? — perguntou ele baixinho, olhando em volta pra garantir que o Ramiro não tava perto.

Karina assentiu.

— Falei que é dele.

Javier ficou parado. Primeiro alívio, depois uma pontada de algo que ele não soube nomear: dor, culpa, posse.

— E ele acreditou?

— Tá feliz. Muito feliz. Acha que é um milagre depois de tantos anos.

Javier deu um passo pra perto, mas não tocou nela.

— E nós? O que a gente é agora?

Karina olhou pra ele com olhos cansados, cheios de lágrimas presas.

— A gente continua a mesma coisa. Mas agora tem um moleque que vai nascer achando que o Ramiro é o pai. E nós… nós vamos ter que viver com isso. Todo santo dia.

Javier engoliu seco.

— E se um dia ele descobrir?

Karina passou a mão na barriga.

— Aí acaba tudo. Mas por enquanto… por enquanto, deixa ele acreditar. Deixa ele ser feliz mais um tempo.

Ramiro voltou minutos depois, com um saco de pão doce e um sorriso enorme. Abraçou a Karina segurou ele pela cintura, beijou a barriga dele e depois abraçou Javier como se nada tivesse acontecido.

— Você vai ser irmão de novo! Não é incrível?

Javier forçou um sorriso, dando um tapinha nas costas dela.

— É, pai. Incrível.

Naquela noite, quando Ramiro dormiu abraçado em Karina com a mão protetora sobre a barriga dela, ela ficou olhando pro teto no escuro. Javier, no quarto dele, fez o mesmo.

O segredo não tinha sumido. Só tinha mudado de forma: agora era um bebê crescendo em silêncio, um nome que ainda não existia, e uma mentira que os três — sem saber — iam carregar pra sempre.

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