Bom, tenho inveja da esposa dele e ao mesmo tempo não, porque sei que, mesmo estando a alguns quilômetros de distância, o que ele talvez ache que vai ficar só na fantasia não vai ser nada disso. O que ele não sabe é que eu não sou mais um. Não pertenço ao círculo LGBT, sou totalmente reservado, privado. Com certeza ninguém imagina, nem por mim mesmo devem saber também, meus assuntos privados e minhas preferências sexuais. Mas vou dizer uma coisa: há muitos anos não me acontece uma coisa assim, há muitos anos não sentia algo assim. E qual é a sensação, qual é o sentimento? Primeiro de tudo, ao longo da minha vida tive dois relacionamentos fixos com homens e algumas relações ocasionais, mas não muitas, porque o pessoal é bem indiscreto. O que quero dizer e deixar claro é que estou absolutamente disposto a viajar por esse homem, ele me faz sentir algo muito especial. Muitas vezes aturo conversas longas porque adoro como ele escreve, muitas vezes eu alongava a conversa, não por ser enrolado, mas porque realmente não queria parar de conversar com ele. Alongava porque não queria cortar a comunicação que existia entre nós. Na verdade, algumas vezes ele me disse para não escrever e eu mesmo assim escrevi, porque é realmente desesperador quando alguém te acerta em cheio. É algo que, repito, não me aconteceu muito. E tenho certeza de que muita gente também passa por isso: noites e noites de frustração, horas e horas em chats onde só tem gente que se importa com o próprio prazer, o próprio bem-estar imediato e nada mais. O fato de ser homossexual não te transforma automaticamente numa coisa, não te transforma automaticamente numa pessoa promíscua, não te condiciona. Mas muita gente entende assim: mostrar, terminar rápido e pronto, acabou o assunto. Não é assim, não se trata disso. Ninguém para pra pensar no que a outra pessoa vai gostar, como ela realmente vai se excitar, quase ninguém se importa. E essa pessoa justamente toca em fibras mais sensíveis, mais humanas. Ela tem algo De cavalheiro, ele tem cortesia. E repito: se alguém parasse dois segundos pra pensar em como o outro fica excitado, o resultado seria completamente diferente, muito mais significativo e muito mais prazeroso. Sem fugir do assunto, não quero me alongar demais, mas achei importante deixar essa pequena reflexão. O mais importante que posso dizer é que hoje mandei uma mensagem pra ele, perguntei se podia enviar alguns áudios, se podia dizer algumas coisas que tava com vontade de expressar. Quando ele deu o ok, comecei a falar. Ele disse que tava no carro dirigindo, e então descrevi uma cena imaginária. Falei que adoraria poder estar sentado do lado dele, olhar com cumplicidade, molhar os lábios devagar enquanto o observo com intenção provocante. Disse que colocaria minha mão suavemente na perna dele e começaria a acariciar com cuidado, sempre olhando nos olhos. Perguntaria com respeito se posso chegar mais perto, se posso desabotoar a calça dele, porque o macho sempre tem que ser perguntado. E quando ele me der permissão, começaria a tocar com suavidade, buscando na respiração dele o momento exato em que o corpo começa a reagir, em que a voz muda, em que o silêncio fica cheio de tensão. Porque quando você encontra esse ponto, sabe que tá no caminho certo. Continua na parte 3.
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