Uma mudança inesperada (capítulo 2)

2 - algo inesperado
Daniel dirigia pela avenida principal com o GPS indicando cada curva. O banco do motorista parecia estranho sob seu novo corpo. A saia lápis apertava suas coxas, o sutiã deixava ele desconfortável e os saltos... Deus, os saltos eram uma tortura. Ele parou num semáforo vermelho, respirando fundo enquanto tamborilava os dedos no volante. Não aguentava mais. Com um gesto rápido, se inclinou e tirou um dos saltos, depois o outro. O alívio foi imediato, como se tivesse largado um peso morto de cada pé. Apoiou o calcanhar descalço no carpete do carro e se recostou levemente. Suas pernas relaxaram e, sem pensar muito, deslizou uma mão pela coxa, por cima da meia-calça preta. Ele estremeceu. A textura era macia, lisa, e a curva sob seus dedos era muito mais pronunciada do que ele estava preparado para sentir.
— Puta merda... — murmurou, baixando o olhar.
Acariciou a coxa por puro impulso, surpreso com o quanto era grossa e firme. Era o corpo da mãe dele, ele sabia, mas sentir aquilo por dentro tornava tudo mais real do que nunca. Mais íntimo. Mais confuso.
A buzina de um carro o tirou do transe. O semáforo tinha ficado verde. Ele se assustou, soltou a coxa rapidamente e calçou os saltos de volta com toda a dificuldade. Apertou o volante e acelerou, com o rosto vermelho de vergonha e o coração batendo forte.
Quando finalmente chegou ao prédio do escritório, não restava nenhum traço da calma com que tinha saído de casa. Ao descer do carro, os saltos voltaram a parecer navalhas. Ele cambaleou levemente e caminhou até a entrada, tentando imitar a confiança que tinha visto na mãe. Mas não era fácil.
Mal atravessou o saguão, os olhares começaram a grudar nele. Homens e mulheres se viravam, alguns com sorrisos, outros com comentários em voz baixa:
— Já viram como ela veio hoje?
— Não sei como ela faz, mas a cada dia tá mais...
— Eu não conseguiria me concentrar se trabalhasse do lado dela. disso... Daniel engoliu em seco. Se esforçou pra ignorar, mas sentia a pele queimar por baixo da roupa, principalmente no decote. Cada passo nos saltos altos parecia um desfile, e ele não fazia ideia de como disfarçar o balanço da cintura. Finalmente, chegou na mesa. Se jogou na cadeira giratória com um suspiro, puxando a saia que tinha subido um pouco. Ligou o computador e, sem olhar pra ninguém, murmurou pra si mesmo: — E ainda é só o começo do dia... Mal teve tempo de ligar o computador quando o celular que a mãe dele tinha entregado vibrou em cima da mesa. A tela acendeu com várias notificações. 3 mensagens novas — Mamãe (Daniel) Ele pegou o telefone com as mãos trêmulas. Ver o próprio nome na tela causava um desconforto estranho. Abriu as mensagens. > "Lembra de ligar o computador e ver teu e-mail do trabalho." "Não fala com ninguém a menos que falem contigo primeiro. Sorri e acena." "Teu almoço tá na gaveta de baixo da mesa. Não vai comer em outro lugar." Daniel suspirou. A mãe dele tava sendo extremamente precisa, como se soubesse que qualquer descuido podia foder tudo. Deixou o telefone na mesa, mas pegou de novo, hesitando. Era o celular pessoal da mãe dele, afinal. A curiosidade coçava por dentro. Não conseguia evitar de se perguntar o que mais tinha ali. Fotos? Anotações? Segredos? Abriu a galeria de imagens. A primeira coisa que encontrou foram fotos normais: selfies discretas, alguns almoços no escritório, prints de conversas. Mas quando deslizou mais pra baixo, o polegar parou de repente. Uma pasta oculta. O nome: "Privado". — Sério...? — sussurrou. Quando apertou a pasta, pedia a digital pra abrir. Colocou o dedo meio nervoso, e a pasta se abriu. O coração dele deu um pulo. Lá estavam: várias fotos claramente sensuais. Algumas tiradas no espelho do banheiro, de calcinha e sutiã apertados; outras em poses provocantes com lingerie que mal deixava algo à imaginação. Em uma, ela até levantava levemente a saia, mostrando a liga de uma meia e um olhar provocante direto pra lente. Daniel engoliu seco. Se sentiu completamente desconfortável e, ao mesmo tempo, surpreso com a ousadia da mãe. A primeira coisa que pensou foi: "Com certeza mandou essas pro pai..." Saiu da galeria e abriu o WhatsApp. Procurou a conversa com o pai. Mas não tinha nada. Nenhuma foto. Nenhum coração. Só mensagens normais, do dia a dia: > "Comprou pão?" "Hoje chego tarde, tem reunião." "O Daniel não levantou, acorda ele por favor." Nada sugestivo. Nem uma palavra com tom íntimo. Daniel franziu a testa. Então pra quem eram aquelas fotos? Pro chefe dela? Pra outro homem? Pra ninguém? O celular vibrou de novo. > "Não esquece de ir ao banheiro antes do almoço. Só usa o das mulheres do 4º andar. Evita o do 3º." A notificação deu um arrepio nele. Como se a mãe soubesse que, no corpo dele, ele podia cometer qualquer erro. Mas já não conseguia mais se concentrar. A galeria ainda tava aberta na mente dele. O corpo que agora habitava... tinha sido fotografado assim. Mostrado assim. O que aquilo significava? Ficou olhando o próprio reflexo na tela do celular, com o decote mal aparecendo da perspectiva dele, as meias bem ajustadas nas coxas e os lábios ainda brilhando. E pela primeira vez no dia, não soube se queria continuar descobrindo mais... ou fechar tudo na hora. Daniel fechou a galeria de fotos e deixou o celular virado na mesa. Passou a mão na testa, tentando clarear a mente. -Tô pensando demais nisso... -murmurou-. Talvez essas fotos fossem só pra ela mesma. Quem nunca tira umas fotos sexy de vez em quando? Tentou se convencer de que não tinha nada de estranho. Talvez a mãe só tivesse uma pasta particular como qualquer outra mulher. E mesmo que o pai não recebesse aquelas imagens... isso não queria dizer nada. Ou ele queria acreditar nisso. Balançou a cabeça e respirou Fundo. —Foca. Vamos falar do e-mail. Ela abriu a caixa de entrada do trabalho. Por sorte, as mensagens eram simples: alguns relatórios pra revisar, responder uns e-mails com confirmação de recebimento e encaminhar um anexo pra outra secretária. Nada complicado. Tudo o que ela precisava fazer era seguir os passos que a mãe dela tinha enviado. Ela tava escrevendo uma resposta automática quando ouviu uns passos se aproximando. Saltos masculinos. Sapatos bem engraxados. E uma voz. —Bom dia, Lucía. Como sempre, impecável. Daniel ergueu o olhar devagar. Um cara de uns trinta e poucos, alto, de terno cinza claro e sorriso falso, tava apoiado na mesa dela com uma xícara de café na mão. Era o Yair, o melhor amigo do chefe, segundo as informações que a Lucía tinha passado nas mensagens.Uma mudança inesperada (capítulo 2)Cuidado com o Yair", ela tinha avisado. "Ele não é burro, mas adora flertar." — Ah... bom dia, Yair — respondeu Daniel, tentando imitar o tom suave da mãe. O homem o olhou de cima a baixo, parando apenas um segundo a mais no decote. — Você está radiante hoje. Batom novo? Daniel sentiu o estômago embrulhar, mas sorriu forçadamente. — Algo discreto. Só pra ficar apresentável — disse, desviando o olhar pro monitor. Yair riu baixinho. — Sempre tão modesta. Mas você sabe muito bem o efeito que causa por aqui... — deu um gole no café, sem desviar o olhar. Daniel sentiu a pele arrepiar. Ele estava fingindo, sim, mas algo naquele sorriso, naquele olhar, fez ele tremer. O corpo que agora habitava... era desejado. Era observado. Era cobiçado. — Tem... algo em que eu possa ajudar? — perguntou, tentando soar natural. — Não, não... Só vim dar um oi. Mas, se você tiver um tempo livre, a gente podia tomar um café mais tarde. Como nos velhos tempos. "Velhos tempos...?" pensou Daniel. A mãe não tinha falado nada sobre isso. — Claro, se eu ficar livre, te aviso — respondeu, com um sorriso diplomático, buscando a saída mais educada possível. Yair se inclinou levemente, como se estivesse se despedindo em segredo. — Vou esperar. Não demora. E se afastou, deixando pra trás uma nuvem de perfume caro e tensão invisível. Daniel soltou o ar que nem sabia que estava segurando. As pernas tremiam um pouco. O coração ainda batia acelerado. — Não sei como a mamãe lida com isso todo dia... — sussurrou, e voltou os olhos pro monitor, tentando se concentrar nos e-mails de novo. Mas algo tinha mudado. O escritório já não era só um lugar de trabalho. Era um palco onde o corpo que ele agora usava, o da mãe, atraía olhares, desequilíbrios e perigos sutis. As horas passaram devagar, mas pra Daniel foram como uma pequena vitória atrás da outra. Enquanto completava tarefas simples, revisava e-mails e respondia com Respostas breves —como a mãe tinha instruído—, ele começava a sentir que o pior já tinha passado. Tinha sobrevivido. A tensão inicial foi diminuindo, e embora ainda se sentisse estranho com o sutiã fincando nos ombros ou a saia apertada cada vez que se mexia, pelo menos não tinha feito merda. Ninguém tinha descoberto. Ninguém tinha questionado. Ele olhou o relógio no canto inferior direito do monitor: 18h41. —Já já... —murmurou com um sorriso, se ajeitando na cadeira. Faltavam menos de vinte minutos para ele fugir daquele escritório, daqueles saltos, daquele decote. Talvez, se tivesse sorte, quando voltasse pra casa tudo voltasse ao normal. Quem sabe aquilo era só uma brincadeira cósmica de um dia só. Mas naquele exato instante, o celular vibrou. Ao ver a tela, o sorriso sumiu do rosto dele. Mensagem nova — Sr. Méndez (Chefe) > Lucía, preciso te ver no meu escritório. É urgente. O coração de Daniel deu um pulo. Os olhos dele se arregalaram e um arrepio percorreu suas costas. —Não... não pode ser —sussurrou. Ele lembrou claramente do aviso da mãe naquela manhã: "Por nada neste mundo vá ao escritório do meu chefe, mesmo que ele te chame." Mas a curiosidade corroía ele por dentro. O que podia ser tão urgente? O que a mãe dele tinha com aquele homem? E por que ela pediu pra ele evitar? Ele hesitou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior. Finalmente, com o pulso acelerado e a garganta seca, se levantou. Andou pelo corredor com passos controlados, tentando não cambalear nos saltos. O escritório do chefe ficava no fundo, uma porta grande de madeira com uma placa dourada: "Sr. Esteban Méndez — Direção Geral" Ele bateu de leve. —Pode entrar —respondeu a voz grave de dentro. Daniel empurrou a porta. O chefe o esperava sentado atrás da mesa, com uma expressão séria. Quando levantou o olhar, o rosto dele pareceu suavizar.oficina—Lucía... entra. Fecha a porta. E tranca, por favor. Daniel engoliu seco. Sem dizer uma palavra, obedeceu. O clique da tranca ecoou como um sino na cabeça dele. O clima parecia mais pesado que o normal, carregado de uma tensão que ele não sabia como lidar. —Chega mais perto— disse o chefe, dessa vez erguendo o olhar. Escuro. Intenso. Um passo. Outro. Até que ficou ao lado dele. Antes que pudesse perguntar, umas mãos grandes se fecharam nos seus quadris, girando ele de costas contra o peito do chefe. O hálito quente queimou sua nuca. —Senti sua falta— rosnou, enquanto uma palma subia pelo seu lado, devagar, provocante, até se fechar sobre um peito. *Que porra é essa?!* O coração dele explodia. *Era isso a tal da "urgência"?* Mas antes que pudesse reagir, os lábios do chefe cravaram no seu pescoço, mordendo, chupando, marcando. —Não... espera— tentou protestar, mas a voz saiu trêmula, *feminina demais*, e o chefe só riu baixinho. —Caladinha sempre me agrada mais— sussurrou, enquanto a outra mão deslizava o decote do terno, deixando um seio de fora. Os dedos rudes apertaram, e um gemido escapou dos seus lábios. *Involuntário. Humilhante. Excitante.* O chefe sorriu contra a pele dele. —Mmm... sabia que você vinha correndo. E então, sem aviso, enfiou a mão entre as pernas dele, descobrindo o quanto já estava molhado aquele corpo *que não era dele... mas que agora respondia como se fosse.* **—Ah!... Espera, não posso—** A voz saiu entrecortada, mas o chefe só apertou mais os dedos ali, fazendo as palavras virarem um gemido. **—Cala a boca—** ordenou com um rosnado, enfiando o rosto no pescoço dele enquanto massageava o clitóris com movimentos experientes. **—Só relaxa e aproveita, como sempre.** Antes que pudesse protestar, o chefe o empurrou bruscamente contra a mesa, a saia já levantada, as nádegas de fora. Uma mão segurou sua cintura com força enquanto a outra afastava a tanga para o lado, deixando a buceta completamente exposto. **—Porra... já tá escorrendo—** murmurou o homem, passando um dedo do clitóris até a entrada, provocando um arrepio violento. **—Sentiu tanto a minha falta?** O filho, preso num corpo que não era o dele, não entendia nada. *Por que isso estava acontecendo com ele? Por que a pele dele ardia? Por que cada toque o fazia tremer?* Mas antes que pudesse pensar mais, sentiu algo pior — ou melhor —: **a língua quente do chefe percorrendo tudo, lambendo com uma lentidão torturante.** **—Meu Deus!—** gritou, os dedos se agarrando na borda da mesa. Nunca tinha sentido algo assim. **Era demais.** Molhado demais, intenso demais, rápido demais. O chefe não parou. Pelo contrário, enfiou a língua mais fundo enquanto os dedos continuavam brincando com o clitóris dele, num ritmo que o levava direto ao limite. **—Não... não vou aguentar... Ah!—** Tentou avisar, mas o corpo já não era mais dele. Os quadris respondiam sozinhos, empurrando contra aquela boca como se pedissem mais. **E então, sem aviso, o orgasmo o atingiu como um raio.** **—AAAHHH!!—** Os músculos travaram, as pernas tremeram sem controle, e uma onda de prazer o varreu por completo, deixando ele ofegante e desfeito em cima da mesa. O chefe se afastou com um sorriso satisfeito, limpando a boca com as costas da mão. **—Hoje cê tava mais sensível que o normal—** comentou, como se tivessem acabado de falar do tempo e não de fazer ele gozar em menos de cinco minutos. **—Limpa isso. Tenho uma reunião.** E assim, sem mais, saiu do escritório, deixando ele ali **tremendo, de pernas abertas e terno desarrumado, a mesa suja e a mente em branco.** *Que porra tinha acabado de acontecer?* Mas o pior — ou o melhor — era que **o corpo dele ainda pulsava, lembrando que, mesmo que ele não tivesse querido... *nunca tinha sentido algo assim na vida*.**

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