Alfredo acordou com o sol da tarde batendo na cara pelas persianas mal fechadas. O calor era denso, quase sólido, e uma martelada constante latejava nas têmporas. Uma puta ressaca. Sentou-se devagar, com a boca parecendo que tinha lambido areia, e olhou em volta: o quarto estava virado de cabeça pra baixo, roupa pra todo lado, copos com resto de bebida na mesinha, um cinzeiro virado no tapete. Lá embaixo, a sala devia estar um verdadeiro campo de batalha. — Que porra aconteceu ontem à noite? — murmurou, esfregando os olhos. Pegou o celular: 15:42. Quinze pras quatro. As lembranças começaram a voltar aos trancos: o jantar improvisado no quintal com os vizinhos novos, as garrafas que não paravam de abrir, as risadas cada vez mais altas, a conversa que foi descambando com o Antônio… e aquela frase que escapou, bêbado pra caralho: «Vai, se você gosta tanto dela, come ela. Te empresto ela essa noite». Tinha soltado isso na frente de todo mundo, apontando pra Ana com a garrafa na mão. Antônio riu com aquela risada grave dele, deu um tapinha no ombro dele e subiu as escadas dizendo: «Vou ver como é que tá sua mulher, Alfredo. Você fica aí de boa no sofá». Alfredo lembrava de ter se levantado como pôde, cambaleando, subindo os degraus de dois em dois, o coração na garganta. Abriu a porta do quarto principal esperando… qualquer coisa. Gemidos, roupa jogada, Antônio em cima da Ana. Mas nada. O quarto estava impecável: cama arrumada, luzes apagadas, silêncio total. Nem sinal de ninguém. Desceu correndo, quase rolando escada abaixo, e encontrou ela na cozinha, fazendo um café com cara de poucos amigos. — Cadê a porra da buceta que você tava? — soltou sem filtro. Ana nem levantou os olhos direito. — Olha que horas são, Alfredo. A sala parece zona de guerra. Tem vômito grudado no tapete, copos quebrados… Não vou limpar sua merda não. Isso é contigo. — Tá bom, desculpa… mas me fala o que rolou ontem. Cadê você quando eu subi? Ela largou a xícara com um baque seco. —Fui na garagem pegar gelo. Depois sentei um pouco na varanda dos fundos porque precisava de ar. Satisfeito? —Não me enche o saco, Ana. E o Antonio? O que aconteceu com ele? Ana cruzou os braços, o tom gelado. —Quer o resumo cronológico? Tá falando de quando ele passou a mão na minha bunda no bar da esquina na sua frente e você continuou pedindo mais uma rodada? Ou quando você começou a falar que adoraria nos ver na piscina pelados? Ou talvez quando você literalmente disse que queria que nós dois fôssemos comidos? Porque não sei a qual das suas ideias brilhantes de ontem à noite você tá se referindo. Alfredo sentiu o chão sumir. —Eu tava morto de bêbado… perdi o controle. Desculpa. —Você disse pra ele me comer, Alfredo. Na frente dos vizinhos. Deixou nós dois no fogo. Ele engoliu seco. —Quer saber se rolou? —ela perguntou, encarando ele. —Sim. Quero saber. Silêncio longo. Aí Ana se aproximou devagar, parou na frente dele e agarrou o pau dele por cima da cueca. Firme. Olhando nos olhos dele. —O que você acha que rolou? Alfredo endureceu na hora. —Que você deu pra ele —disse com a voz rouca. Assim que falou, a ereção disparou debaixo da mão dela. —Ontem à noite você me deixou tão molhada… —sussurrou Ana, enfiando a mão dentro e começando a bater uma pra ele devagar—. Você não faz ideia de como eu cheguei depois daquela conversa no bar. —Você gostou? —Ele tinha mão boa… mas o que realmente me excitou foi você ter dado sinal verde na frente de todo mundo. —Sou um idiota… Ana acelerou. —Vai dar pra ele de novo? Ele tava no limite. —Você quer que eu dê? —ela perguntou, controlando o ritmo pra torturar ele. —Mais rápido… porra… —Fala primeiro se quer que eu dê pra ele de novo. —Sim… sim, quero que você dê pra ele de novo… Bem quando ele ia gozar, Ana soltou. Ficou lá, duro, pulsando no ar. —Castigo pelo que você fez ontem —disse com um sorriso frio. —Ana, pelo amor de Deus! —Ontem eu tive que mandar o Antonio embora pra casa dele. Eu tava encharcada, Alfredo. Custou a vida eu mandar ele Que nada. Mas eu fiz. Por nós. Então agora você fica na vontade, limpa toda a bagunça, guarda as compras e faz a comida. E aí a gente vê se depois eu deixo você gozar… ou não. Hoje com certeza que não. Vou pro jardim me refrescar. Subiu sem olhar pra trás. Alfredo ficou frustrado, com o pau ainda duro. Desceu, colocou uma música e começou a arrumar. Quando Ana voltou, com o cabelo molhado e uma camiseta larga, a comida já estava quase pronta. — O Antônio tava por aí? — perguntou, tentando soar casual. — Não — respondeu seca —. Se é isso que tá te perturbando. Não insistiu. Mas as dúvidas o corroíam: por que ela não tinha contado mais? Será que realmente tinha quase rolado com o Antônio? Ou era só pra castigá-lo? Os dias seguintes foram tranquilos. Estavam estreando casa no novo bairro, então se dedicaram a se instalar: passeios pela vizinhança, churrascos só os dois no quintal, tardes na piscina comunitária. Sexo regular, mas sem aquele fogo de antes. Alfredo ficava excitado vendo como os novos vizinhos olhavam pra ela quando saía de biquíni, ou quando vestia o vestido curto pra ir ao supermercado. Ana também parecia sentir falta de algo mais intenso, embora nenhum dos dois dissesse em voz alta. Uma noite, enquanto ela montava nele na cama, ele não aguentou. — Você reparou no vizinho do chalé ao lado hoje? O do cachorro. Não tirava os olhos de você na piscina. Ana acelerou os movimentos, gemendo. — Siiim… ele ficou me encarando o tempo todo que eu tava tomando sol. Te excita que me olhem? — Sabe que sim. Você tem uns peitos incríveis. Adoro que vejam. — Todos? — Todos. Deitou ela de barriga pra cima sem sair de dentro, metendo forte. — Tá… menos o Antônio. Mas o resto sim. — Amanhã é sexta… capaz que organizem algo na piscina comunitária — disse ela segurando os próprios peitos a cada estocada. Aquela imagem — ela aberta, apertando as tetas, imaginando ela se exibindo na frente dos vizinhos — fez ele explodir. Tirou e gozou na barriga dela. Não foi memorável, mas serviu pra aliviar um pouco. tensão. Na sexta à tarde chegou uma mensagem do Antonio no grupo do bairro: «Rolagem de dados hoje à noite na minha casa. Apostas baixas, cerveja à vontade. Última antes do feriado. Topa, Alfredo?». Ele mostrou pra Ana. —Vai —ela disse—. São os vizinhos. Tem que fazer boa figura agora que acabamos de mudar. Foram legais convidando a gente pra tudo. Alfredo não era craque em dados, mas topou. Era um jeito bom de se enturmar. Passaram a tarde arrumando coisas na garagem, tomando umas cervejas no quintal, falando de como o bairro parecia legal. Quando chegou a hora, Alfredo tomou banho. Ana entrou no banheiro. —O que você vai fazer? —Vou ligar pra minha irmã um pouco e abrir um vinho pra te esperar. Ele saiu do chuveiro, toalha na cintura. Ana chegou por trás, meteu a mão e começou a bater uma pra ele. —Não demora… quero fechar bem a semana. Alfredo virou, puxou a calcinha dela e encontrou ela toda molhada. Encostou ela no espelho e meteu de uma vez. Comeu ela se olhando no reflexo. —Para… você tem que ir —ela sussurrou. Se separaram com dificuldade. Alfredo vestiu um jeans curto e camiseta, desceu, deu um beijo na Ana que tava na varanda com o celular e uma taça de vinho, e foi. Chegou na casa do Antonio. Já estavam o Marcos, o Luis e o Pablo. Zoaram ele por chegar por último, deram uma cerveja gelada e explicaram as regras do jogo de dados caseiro deles. Cada um botou 150 € em fichas. Quem levasse tudo ficava com 750 €. A coisa começou bem. Alfredo ganhou várias rodadas, riam, contavam histórias do bairro, bebiam sem parar. Às 23:45 chegou uma mensagem da Ana: «Falta muito? Tô entediada aqui sozinha». Ele respondeu que já tava terminando. Mas a sorte tinha virado e ele tava com poucas fichas. Os outros zoaram quando viram o celular. —Já tão te chamando? Antonio aproveitou: —Fala pra Ana descer. Vai ver se dá sorte pro seu marido. Alfredo disse que melhor não, mas Antonio já tinha mandado mensagem. Ana não respondeu. Oito minutos depois, a porta A porta de correr do pátio se abriu. Alfredo se virou. Ana entrou: shorts jeans curtíssimos e só o top do biquíni branco — aquele que ficava transparente quando molhava. Tava com uns copos a mais, dava pra ver nos olhos brilhando e no jeito meio solto de andar. — Desculpa invadir… tava entediada em casa. Todo mundo incentivou: «Entra, entra! Quem sabe dá sorte pra ele, que a gente tá limpando ele». Deram uma cerveja pra ela. Sentou do lado do Alfredo, com a mão no joelho dele. Ganhou duas rodadas seguidas. A sorte parecia ter voltado. Mas à 1:10 chegou a mão decisiva. Antonio jogava. Alfredo tinha um trio de noves na mão. Apostou pesado. O pau subiu rápido. Ficou sem fichas suficientes. — Desiste — falaram. Ana entrou: — Não. A gente continua. Se ele perder, eu pago o que faltar. Se olharam. Antonio sorriu. — Fechado. Se perder, a Ana cobre. Dados pra cima. Alfredo mostrou o full. Achou que tinha ganhado. Antonio jogou: pôquer de cincos. Explosão de risada e tapinhas. Alfredo cobriu o rosto. Ana passou a mão na nuca dele. — É só grana, amor. — E agora, Ana? Como é que paga? — perguntou Antonio com um tom brincalhão. — Subo em casa e trago o dinheiro. — Não queremos teu dinheiro — disse Antonio —. A gente tava falando agora como você fica gostosa na piscina do condomínio com esse biquíni… Pra quitar a dívida, é só você entrar debaixo do chuveiro lá fora e molhar um pouco o biquíni. O que acha? Alfredo protestou: — Não, eu subo e pago. — Fica tranquilo — disse Ana —. Melhor um mergulho de fim de semana pra todo mundo. Levantaram em direção à piscina do pátio. Ninguém tava de sunga ou biquíni. Alfredo ficou pra trás. Ana tentou ganhar tempo: — Que tal mais uma cerveja antes? — Boa ideia. Alfredo, traz uma rodada. Ele desceu com as cervejas. Enquanto bebiam, começaram a encher o saco pra Ana cumprir. — Não quero molhar o cabelo agora… Antonio levantou a mão: — A dívida é comigo. Se você molhar só o peito debaixo do chuveiro, dívida quitada. Fechado? Ana olhou pro Alfredo por um instante. Concordou. — Fechado. Antonio abriu o registro devagar. Ana se aproximou, deixou o jato cair primeiro num peito, depois no outro. Ficou uns segundos, encharcando o biquíni de propósito. —Cumpriu —disse Antônio fechando. Ana se virou devagar. O biquíni branco molhado tinha ficado quase invisível. Os mamilos marcados, o formato perfeito dos peitos à vista de todos. Os outros tentaram disfarçar, mas falharam feio. —Você é um filho da puta —disse Ana pro Antônio rindo. —Aposta é aposta. —Então olha como eu fico bem, né? —disse ela girando em si mesma, se exibindo sem vergonha. Os comentários saíram sozinhos: «Porra, que espetáculo…», «Não acredito…». Ana olhou pro Alfredo com um sorriso desafiador. —Vamos entrar pra tomar a última lá dentro? Não vá aparecer alguma vizinha fofoqueira. Entraram todos atrás. Antônio distribuiu cervejas. Ana ainda pingando. —Ô, Antônio, tem uma camiseta pra tirar essa roupa molhada de mim? —Claro. Voltou com uma camiseta cinza. Ana pegou, mas em vez de vestir, prendeu o cabelo e deu as costas pro Alfredo. —Me ajuda, amor? Alfredo hesitou um segundo. O coração tava a mil. Mas eram vizinhos novos, tinha que se enturmar… e amanhã ninguém ia falar disso. Desatou os nós. O biquíni caiu. Os peitos da Ana ficaram de fora: firmes, morenos do sol das tardes na piscina, mamilos duros. Os quatro congelaram, olhando sem disfarçar. Ana riu, mexeu os ombros pra eles balançarem um pouco. —A camiseta? —Que camiseta? —disse Antônio escondendo ela, morrendo de rir. —Ah, tanto faz —disse Ana dando de ombros—. Até porque no bairro já me viram quase tudo esse verão. Levantou a cerveja. —Aos novos vizinhos e às boas noites que nos esperam. Saúde. Brindaram todos, sem tirar os olhos dela. Bateram um papo. Era impossível não olhar. Luís soltou: —Desculpa, mas é que… porra, não consigo evitar. Ana ria, curtindo o poder. No fim, despedidas. Abraços, beijos na bochecha. Ana de topless, apertando peito contra peito com cada um. Alfredo Ficava duro só de olhar pra ele. Quando todo mundo foi embora, Antonio falou pro Alfredo vazar, que ele arrumava. Entrou em casa. Ana esperava ele na sala, ainda sem o top, vermelha, respirando ofegante, claramente com tesão. Se olharam. Alfredo avançou. Ela agarrou a pica dele por cima da calça. Dura que nem pedra. — Satisfeito? Todo mundo viu meus peitos e olha como você tá. — Porra, Ana… você me deixou estourando. — Já te vi te tocando disfarçado. — Você também adorou… não tirava o olho de mim. — Tem certeza que não era você que não tirava o olho de mim? — perguntou com um sorriso safado. — Como assim? — Toda vez que vocês olhavam pro lado… Antonio roçava meus peitos “sem querer” com o braço. Não fica puto… eu gostei. Alfredo beijou ela com fome. Passou a mão na bunda dela, apertou contra o corpo. — Você gostou que ele te tocou? — Alfredo… não continua… — Me responde. — Sim… eu gostei. Você sabe. Enfiou a mão no short dela. Ensopada. — Quer que eu toque neles de novo? — Alfredo… pelo amor… — É só mandar uma mensagem pra ele. Tá a duas casas daqui. Ana soltou a pica dele, enfiou a mão no bolso de trás da calça dele, tirou o celular e estendeu pra ele. Enquanto isso, o dedo de Alfredo continuava dentro, preso pelo tecido apertado. — Toma. Manda se quiser. Os olhos dela brilhavam. Desafio, desejo e algo mais. A bola tava no campo dele.
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