Chegando na festa de fim de ano no bairro, já tinha gente lá fora, a maioria era os caras que eu conhecia desde moleque, embora a gente não se frequentasse, também não guardava rancor nenhum, um salve amigável do jeito que o povo da quebrada faz, nos receberam com maior empolgação, e de quebra aproveitavam pra dar uma olhada na minha esposa, porque era óbvio que do jeito que ela tava vestida, ia roubar olhares a noite toda. Mas não era só os caras que olhavam pra ela, os mais velhos também, usavam o cumprimento pra ficar perto dela, cada um deu seu jeito de aproveitar, e ela curtia esse jogo, fora a inveja das mulheres que tavam com eles, até que chegamos no anfitrião, Seu José, que com a mesma cara de pau nos cumprimentou e passou o olho na Yes, só que ele passou a mão na cintura dela, rodeou e deu um beijo na bochecha, e a Yes ficou paralisada sem poder fazer nada pra evitar.
Ele nos levou pro fundo do quintal onde tavam as mesas, lá nos deu o lugar que seria nosso a noite inteira. Sentamos na mesa junto com minha tia e uns vizinhos com quem eu me dava melhor, a noite tava normal, conversa fiada e um pouco de dança, coisa que eu sou péssimo, então tive que aceitar que vários caras tirassem ela pra dançar, os minutos passavam e ela ia de mão em mão. Lá pelas 10, Seu José chegou com a desculpa de ver se não tava faltando nada, como tava tudo certo, convidou a Yes pra dançar, ela aceitou e foi com ele pra pista, na hora tava tocando uma salsa daquelas românticas. Como era de se esperar, Seu José era um cara do bairro e dançava pra caralho, levava a Yes no ritmo dele e não soltava, outros chegavam perto tentando roubar ela pra dançar um pedaço, mas Seu José já tinha monopolizado ela.
Como eu tinha que buscar uma sobremesa que a gente tinha preparado pra noite, me ausentei uns minutos e quando voltei não consegui ver ela, e pra piorar, ela tinha deixado o celular na mesa, como ela tinha comentado. Um cortiço, um pátio grande com vários cômodos ao redor, corredores estreitos e alguns quartos ainda inacabados. Os corredores estavam lotados de gente bebendo e sei lá mais o quê. Eu não sabia por onde começar a procurar ela, mas, mesmo assim, imaginei. Quando criança, já tinha entrado no quarto da família do seu José, então, embora não lembrasse exatamente onde ficava, sabia por qual corredor ir. Fui me abrindo caminho entre o povo, que diminuía conforme eu me aproximava. Reconheci o lugar no segundo andar, subi as escadas e passei por um corredor onde ficavam as janelas dos cômodos do seu José. Ouvi vozes e me perceberam. Fui em direção à porta, mas quem saiu não foi minha esposa, e sim a esposa do seu José, Margarida.
M: Boa noite, moço, o que faz por aqui?
K: Boa noite, acho que me perdi um pouco.
M: A festa é no pátio.
K: Tava procurando um banheiro e, pra ser sincero, esses corredores são os que eu meio que lembro.
M: Fica tranquilo, eu te levo.
Ela me mostrou o banheiro que usavam, que ficava fora do quarto. Entrei e esperei um pouco antes de sair. Assim que saí, me desculpei e voltei pra festa. Poucos minutos depois, a Yes voltou. Me disse que tinha saído pra comprar uns cigarros, mas que tinha muita gente na venda e ela teve que esperar. Me senti aliviado, não só pelo que ela disse, mas porque tinha visto a esposa do seu José saindo de lá. Isso tinha tirado as dúvidas que me atormentavam. Continuamos na mesa e, sinceramente, o clima era muito bom. A música agradava todo mundo, tinha comida e bebida à vontade, o pessoal era amigável, então o tempo passou voando. A gente foi conversando sobre como a noite tava indo. Não pude evitar perguntar como tinha sido dançar com o seu José. Ela respondeu que tinha curtido muito, que ele sabia se mexer na pista, embora tivesse dançado muito colado nela, o que foi... Incomodo na vista de todo mundo, mas ao mesmo tempo, muito excitante.
Tinha sido a coisa mais próxima que ela tinha chegado do Dom José, ele estava muito ocupado atendendo os convidados pra se aproximar da Yes, a dança tinha sido o mais interessante, mesmo assim, tinha sido suficiente pra manter ela ligada. Ficou mais um tempão sentada na mesa, mexendo no celular, de repente me falou que minha tia de novo pedia ajuda com umas coisas, deixei ela ir, já um pouco menos paranoico. Passaram uns 30 minutos e ela não voltava, já passava das 11 quando minha tia chegou e pediu pra eu ir na casa dela pegar umas garrafas de sidra, porque não achava o Dom José pra fazer isso. Não perguntei nada sobre a Yes, supus que ela tava pedindo porque não conseguiria carregar as garrafas, e além disso, indo pra lá eu tiraria minhas dúvidas.
Entrei no condomínio, tava meio silencioso, a maioria dos apartamentos vazios porque os vizinhos estavam cada um nos seus compromissos. Cheguei no da minha tia, tava fechado e com a luz apagada, senti um vazio no estômago, então abri com a chave que ela tinha me dado, com a mão quase tremendo. Quando finalmente entrei, não tinha ninguém, de novo o coração voltou ao lugar. Peguei as garrafas que ela tinha pedido e notei um barulho de gente andando, achei que algum vizinho tivesse em casa. Peguei o que ela pediu e saí, ao passar debaixo da minha janela, me pareceu ouvir barulhos lá em cima. Fiquei parado, em silêncio, e de novo ouvi umas vozes, tipo uma discussão intensa mas baixinha, como se não quisessem que ninguém ouvisse.
Deixei o que tava carregando no chão e subi devagar, sem fazer barulho. Colei o ouvido na porta do nosso apartamento pra ter certeza de que não era ali, mas me enganei, tinha gente lá dentro. Procurei minha chave pra abrir, mas não achei, também não tinha o celular, não tinha como entrar nem ter certeza, então pensei um pouco no que fazer. Finalmente, decidi subir pela beirada da marquise até a janelona. Esse por onde a Yes se debruçava pra escutar os barulhos lá de baixo, dava pro corredor e dali dava pra ver direitinho o nosso quarto e, quando a porta tá aberta, a nossa cama de casal.
Com o maior cuidado possível, me aproximei da janela. As vozes tavam cada vez mais nítidas, falavam pouca coisa, mas de um jeito muito intenso, mesmo assim, mal dava pra entender. Cheguei na janela e, com cuidado, enfiei a cabeça pra escutar melhor. Agora não tinha mais dúvida: era uma mistura de respiração e gemidos. Uma dessas vozes era claramente a da Yes, e a outra, já tava desconfiado.
Lá de dentro do quarto, ouvi um "chupa essa buceta, vagabunda", vindo de uma voz grossa de homem. A Yes respondeu com um gemido, mas dava pra ouvir como se ela tivesse engasgada. "Isso, que gostoso, chupa". Só saía um "Ah!" da boca da minha esposa. Me arrisquei a espiar um pouco mais, com medo de ser visto, mas daquela posição só dava pra ver umas silhuetas na beira da cama. De novo, ouvi vozes se aproximando. Eram uns vizinhos subindo pro andar de cima. Pra evitar que me vissem naquela situação constrangedora, me deitei na marquise, mal cabendo meu corpo naquele espaço apertado. Eles subiam devagar e conversavam sobre a noitada. Passou um tempinho até que finalmente sumiram de vista. Tentei me levantar, mas já tinha parado de ouvir os barulhos de antes. Melhor esperar eles se distraírem, senão podiam me ver. Fiquei assim uns minutos, só escutando as vozes que mal dava pra distinguir da minha posição, até que veio um silêncio momentâneo, seguido daquela batida de pelvis inconfundível.
Aí sim, me levantei. De novo, espiei um pouco a cabeça e consegui ver a meia-luz acesa. Como casal recém-casado, a gente tinha preparado o quarto pra intimidade e eles tavam aproveitando. Enfiei mais a cabeça, evitando a todo custo ser visto. Finalmente tive a visão completa. Embora não desse pra ver eles em toda a Total, consegui ver minha esposa ainda com o vestido pela metade e as meias calçadas, empinando a bunda enquanto o Seu José batia a pélvis nela, metendo o pau nela enquanto minha esposa tava de quatro feito uma puta, com gemidos e gritos já fora de controle. A cena já me dominava, nunca tinha sentido tanta tontura no estômago, tava com uma raiva e quase ódio daquele senhor, desprezava ele porque tinha convencido minha esposa a ir com todas as malditas intenções possíveis, mas também passava pela minha cabeça que ela tinha aceitado sabendo muito bem que ia acabar assim, e ainda por cima tinha se arrumado espetacularmente só pra Seu José acabar comendo ela.
Passou pela minha mente pular pela janela e parar tudo, mas sabia que as coisas não iam dar certo, ia rolar um escândalo enorme, provavelmente ia ter briga e, por mais que doesse admitir, nesse quesito eu não ia ter muita chance contra um homem de bairro que nem o Seu José, além disso, com certeza a Yes ia ficar puta comigo, primeiro porque a gente já tinha conversado um pouco antes de sair, sabia que ia rolar um jogo e quando você brinca com fogo, o mais certo é acabar se queimando; e segundo, dava pra ver que ela tava se divertindo pra caralho, se eu interrompesse ia cortar o orgasmo dela e ela ia me jogar na cara, como ela mesma tinha dito, ela sempre esteve disposta a realizar minhas fantasias, por mais que eu não aguentasse, eu tinha que apoiar ela e deixar eles terminarem.
Sabendo que não ia aguentar mais e convencido de que era o certo deixar eles em paz, resolvi vazar, do mesmo jeito que cheguei na janela voltei pra escada, peguei de novo o que tinha saído pra buscar e, em silêncio, saí do condomínio já quase meia-noite. Voltei pro cortiço andando devagar, porque tava com um pau duro do caralho pelo que tinha visto, a festa tava tão animada que quando cheguei nem ligaram pra nossa ausência, entreguei as garrafas de sidra pra prepararam o brinde, voltei pra nossa mesa e lá ainda estava meu celular, peguei ele e vi que tinha duas chamadas perdidas e várias mensagens.
10:38 Y: sai pra fora
10:42 Y: preciso falar com você
10:53 Y: tô no apartamento da sua tia
10:58 Y: acabou de entrar
11:04 Y: me responde
11:05 Y: preciso da sua opinião
11:09 Y: vem, vamos subir
11:09 Y: me diz se você aprova
11:12 Y: vai rolar
11:15 Y: é você que entrou?
11:15 Y: acho que ela não vai aceitar você aqui
11:24 Y: não sobe pro apartamento, melhor nos cobrir
Sim, ela tinha me procurado pelo telefone, mas eu não tinha tido chance de olhar, tinha perdido a oportunidade de negociar com ela, embora duvidasse que qualquer coisa que eu dissesse fosse convencê-la a fazer algo diferente, tipo, meus chifres já estavam garantidos e não tinha como escapar deles.
Bateu meia-noite e com isso, gritos e barulho, rolou o brinde e tive que me integrar, mesmo sendo óbvio que minha cabeça estava em outro lugar. No meio da galera, ninguém ainda perguntava pelos ausentes, nem a esposa do Dom José, e eu também não falei nada sobre o paradeiro da Yes, quando minha tia me perguntou por ela, justifiquei dizendo que tinha ficado pra dormir um pouco porque tinha passado mal com o álcool, mas que assim que pudesse voltaria pro lugar.
Passou uma hora, finalmente a Yes estava de volta no meio do povo, o Dom José tinha voltado pro quarto lá pra uma hora, então não voltaram juntos, quem tava por perto entreteve ela com aquele abraço e os parabéns, então demorou pra chegar até mim, quando ficou de frente só me disse:
Y: parabéns, amor!
Y: ah, e também feliz ano novo!
Minha mistura de ciúme e raiva foi zuada pela sacanagem dela, ela falou num tom de brincadeira, mas também de satisfação, com isso perdi a vontade de reclamar e preferi retribuir o desejo e o abraço. A gente ficou mais um tempinho, convivendo com o pessoal pra não destoar. Quando o Dom José se aproximou pra dar o abraço, percebi aquele olhar de cumplicidade entre eles, ele abraçou ela, parabenizou, depois veio na minha direção, estendeu a mão e apertou, me levantou da cadeira com muita força e me deu um abraço igual. Quem tava vendo achou que era um abraço de amigo muito próximo ou algo assim, mas eu, que sabia o que tinha rolado antes, encarei como se ele estivesse tirando uma onda com a minha cara, ainda mais quando ele finalizou com as mesmas palavras que a Yes.
DJ: Parabéns, garoto!
DJ: ah, e também feliz ano novo!
Aquela pontada cravou no meu peito, foi uma coincidência grande demais, ou eles estavam tramando juntos. Mesmo assim, me limitei a retribuir e não dar o gosto de mostrar minha raiva, aquilo foi o último da noite. A Yes disse que já era hora de ir, nos despedimos e saímos da vila, entramos no condomínio e ela me pegou pela mão, me levou escada acima com pressa, abriu a porta do apartamento e entramos, me beijou e foi me levando quase me arrastando. Quando passamos pela janela grande, virei pra olhar lá fora, bem onde eu tinha estado uns minutos antes. Ao abrir a porta do quarto, ela parou e virou pra me olhar.
Y: espera, não entra
K: e agora, por quê?
Y: me dá um minuto, preciso arrumar o quarto
No momento em que ela ia fechar a porta pra me deixar do lado de fora, segurei com as mãos e empurrei com um pouco de força pra abrir. No chão ainda tinha uma meia de homem, a cama tava uma zona, os lençóis pendurados, molhados e com um cheiro forte. Me aproximei e tirei eles pra desocupar a cama, enrolado neles tava a cueca do Dom José, nem tinham tido tempo de catar as coisas e se vestir direito. Pedi pra Yes chegar perto, ela tava de cabeça baixa, dava pra ver a vergonha que ela sentia, não sei se pela bagunça que tinha feito ou pelo que causou aquilo. Ela parou na minha frente e eu segurei ela pela cintura pra puxar pra perto, abri as pernas dela e sentei ela no meu colo, assim de frente. Frente a ela, peguei com as duas mãos as nádegas dela e perguntei.
K: Agora vai me contar o que aconteceu aqui?
Y: Tem certeza que quer que eu conte, ou prefere fazer outra coisa?
Ela segurou minha cabeça e me beijou com muita intensidade, mordia meus lábios como uma fera. Levantei ela e deitei no colchão sem lençol, não tinha muito espaço pra acomodar porque ainda estava molhado por baixo, então ali mesmo, abri as pernas dela e a gente transou. Foi um sexo pouco ortodoxo, era mais sobre aliviar a vontade do que prazer. Eu tava há muito tempo excitado e de pau duro, a penetração foi muito fácil, ela tava bem lubrificada. Na minha mente passavam as imagens do que eu tinha visto e ouvido, e ainda somava o que o bagaço do quarto podia me dizer. Imaginei tudo que eles podiam ter feito, deviam ter se despido completamente. A umidade da cama e a lubrificação dela seriam dos fluidos da Yes? Ou talvez eu tava penetrando minha esposa com uma mistura dos fluidos dela e o esperma do Dom José. Com o olhar, procurei no quarto: cadê os caralhos dos preservativos usados? Minha imaginação tava muito ativa e me traiu, então gozei bem mais rápido que o normal. Ela não ligou, tinha gemido o tempo todo e o orgasmo dela também foi intenso. Ficamos um momento abraçados, agora em cima dos líquidos de três pessoas. Nos olhamos fixamente e nos abraçamos com ternura. Depois de uns minutos, ela me olhou de novo.
Y: Quer que eu conte o que aconteceu essa noite?
Ele nos levou pro fundo do quintal onde tavam as mesas, lá nos deu o lugar que seria nosso a noite inteira. Sentamos na mesa junto com minha tia e uns vizinhos com quem eu me dava melhor, a noite tava normal, conversa fiada e um pouco de dança, coisa que eu sou péssimo, então tive que aceitar que vários caras tirassem ela pra dançar, os minutos passavam e ela ia de mão em mão. Lá pelas 10, Seu José chegou com a desculpa de ver se não tava faltando nada, como tava tudo certo, convidou a Yes pra dançar, ela aceitou e foi com ele pra pista, na hora tava tocando uma salsa daquelas românticas. Como era de se esperar, Seu José era um cara do bairro e dançava pra caralho, levava a Yes no ritmo dele e não soltava, outros chegavam perto tentando roubar ela pra dançar um pedaço, mas Seu José já tinha monopolizado ela.
Como eu tinha que buscar uma sobremesa que a gente tinha preparado pra noite, me ausentei uns minutos e quando voltei não consegui ver ela, e pra piorar, ela tinha deixado o celular na mesa, como ela tinha comentado. Um cortiço, um pátio grande com vários cômodos ao redor, corredores estreitos e alguns quartos ainda inacabados. Os corredores estavam lotados de gente bebendo e sei lá mais o quê. Eu não sabia por onde começar a procurar ela, mas, mesmo assim, imaginei. Quando criança, já tinha entrado no quarto da família do seu José, então, embora não lembrasse exatamente onde ficava, sabia por qual corredor ir. Fui me abrindo caminho entre o povo, que diminuía conforme eu me aproximava. Reconheci o lugar no segundo andar, subi as escadas e passei por um corredor onde ficavam as janelas dos cômodos do seu José. Ouvi vozes e me perceberam. Fui em direção à porta, mas quem saiu não foi minha esposa, e sim a esposa do seu José, Margarida.
M: Boa noite, moço, o que faz por aqui?
K: Boa noite, acho que me perdi um pouco.
M: A festa é no pátio.
K: Tava procurando um banheiro e, pra ser sincero, esses corredores são os que eu meio que lembro.
M: Fica tranquilo, eu te levo.
Ela me mostrou o banheiro que usavam, que ficava fora do quarto. Entrei e esperei um pouco antes de sair. Assim que saí, me desculpei e voltei pra festa. Poucos minutos depois, a Yes voltou. Me disse que tinha saído pra comprar uns cigarros, mas que tinha muita gente na venda e ela teve que esperar. Me senti aliviado, não só pelo que ela disse, mas porque tinha visto a esposa do seu José saindo de lá. Isso tinha tirado as dúvidas que me atormentavam. Continuamos na mesa e, sinceramente, o clima era muito bom. A música agradava todo mundo, tinha comida e bebida à vontade, o pessoal era amigável, então o tempo passou voando. A gente foi conversando sobre como a noite tava indo. Não pude evitar perguntar como tinha sido dançar com o seu José. Ela respondeu que tinha curtido muito, que ele sabia se mexer na pista, embora tivesse dançado muito colado nela, o que foi... Incomodo na vista de todo mundo, mas ao mesmo tempo, muito excitante.
Tinha sido a coisa mais próxima que ela tinha chegado do Dom José, ele estava muito ocupado atendendo os convidados pra se aproximar da Yes, a dança tinha sido o mais interessante, mesmo assim, tinha sido suficiente pra manter ela ligada. Ficou mais um tempão sentada na mesa, mexendo no celular, de repente me falou que minha tia de novo pedia ajuda com umas coisas, deixei ela ir, já um pouco menos paranoico. Passaram uns 30 minutos e ela não voltava, já passava das 11 quando minha tia chegou e pediu pra eu ir na casa dela pegar umas garrafas de sidra, porque não achava o Dom José pra fazer isso. Não perguntei nada sobre a Yes, supus que ela tava pedindo porque não conseguiria carregar as garrafas, e além disso, indo pra lá eu tiraria minhas dúvidas.
Entrei no condomínio, tava meio silencioso, a maioria dos apartamentos vazios porque os vizinhos estavam cada um nos seus compromissos. Cheguei no da minha tia, tava fechado e com a luz apagada, senti um vazio no estômago, então abri com a chave que ela tinha me dado, com a mão quase tremendo. Quando finalmente entrei, não tinha ninguém, de novo o coração voltou ao lugar. Peguei as garrafas que ela tinha pedido e notei um barulho de gente andando, achei que algum vizinho tivesse em casa. Peguei o que ela pediu e saí, ao passar debaixo da minha janela, me pareceu ouvir barulhos lá em cima. Fiquei parado, em silêncio, e de novo ouvi umas vozes, tipo uma discussão intensa mas baixinha, como se não quisessem que ninguém ouvisse.
Deixei o que tava carregando no chão e subi devagar, sem fazer barulho. Colei o ouvido na porta do nosso apartamento pra ter certeza de que não era ali, mas me enganei, tinha gente lá dentro. Procurei minha chave pra abrir, mas não achei, também não tinha o celular, não tinha como entrar nem ter certeza, então pensei um pouco no que fazer. Finalmente, decidi subir pela beirada da marquise até a janelona. Esse por onde a Yes se debruçava pra escutar os barulhos lá de baixo, dava pro corredor e dali dava pra ver direitinho o nosso quarto e, quando a porta tá aberta, a nossa cama de casal.
Com o maior cuidado possível, me aproximei da janela. As vozes tavam cada vez mais nítidas, falavam pouca coisa, mas de um jeito muito intenso, mesmo assim, mal dava pra entender. Cheguei na janela e, com cuidado, enfiei a cabeça pra escutar melhor. Agora não tinha mais dúvida: era uma mistura de respiração e gemidos. Uma dessas vozes era claramente a da Yes, e a outra, já tava desconfiado.
Lá de dentro do quarto, ouvi um "chupa essa buceta, vagabunda", vindo de uma voz grossa de homem. A Yes respondeu com um gemido, mas dava pra ouvir como se ela tivesse engasgada. "Isso, que gostoso, chupa". Só saía um "Ah!" da boca da minha esposa. Me arrisquei a espiar um pouco mais, com medo de ser visto, mas daquela posição só dava pra ver umas silhuetas na beira da cama. De novo, ouvi vozes se aproximando. Eram uns vizinhos subindo pro andar de cima. Pra evitar que me vissem naquela situação constrangedora, me deitei na marquise, mal cabendo meu corpo naquele espaço apertado. Eles subiam devagar e conversavam sobre a noitada. Passou um tempinho até que finalmente sumiram de vista. Tentei me levantar, mas já tinha parado de ouvir os barulhos de antes. Melhor esperar eles se distraírem, senão podiam me ver. Fiquei assim uns minutos, só escutando as vozes que mal dava pra distinguir da minha posição, até que veio um silêncio momentâneo, seguido daquela batida de pelvis inconfundível.
Aí sim, me levantei. De novo, espiei um pouco a cabeça e consegui ver a meia-luz acesa. Como casal recém-casado, a gente tinha preparado o quarto pra intimidade e eles tavam aproveitando. Enfiei mais a cabeça, evitando a todo custo ser visto. Finalmente tive a visão completa. Embora não desse pra ver eles em toda a Total, consegui ver minha esposa ainda com o vestido pela metade e as meias calçadas, empinando a bunda enquanto o Seu José batia a pélvis nela, metendo o pau nela enquanto minha esposa tava de quatro feito uma puta, com gemidos e gritos já fora de controle. A cena já me dominava, nunca tinha sentido tanta tontura no estômago, tava com uma raiva e quase ódio daquele senhor, desprezava ele porque tinha convencido minha esposa a ir com todas as malditas intenções possíveis, mas também passava pela minha cabeça que ela tinha aceitado sabendo muito bem que ia acabar assim, e ainda por cima tinha se arrumado espetacularmente só pra Seu José acabar comendo ela.
Passou pela minha mente pular pela janela e parar tudo, mas sabia que as coisas não iam dar certo, ia rolar um escândalo enorme, provavelmente ia ter briga e, por mais que doesse admitir, nesse quesito eu não ia ter muita chance contra um homem de bairro que nem o Seu José, além disso, com certeza a Yes ia ficar puta comigo, primeiro porque a gente já tinha conversado um pouco antes de sair, sabia que ia rolar um jogo e quando você brinca com fogo, o mais certo é acabar se queimando; e segundo, dava pra ver que ela tava se divertindo pra caralho, se eu interrompesse ia cortar o orgasmo dela e ela ia me jogar na cara, como ela mesma tinha dito, ela sempre esteve disposta a realizar minhas fantasias, por mais que eu não aguentasse, eu tinha que apoiar ela e deixar eles terminarem.
Sabendo que não ia aguentar mais e convencido de que era o certo deixar eles em paz, resolvi vazar, do mesmo jeito que cheguei na janela voltei pra escada, peguei de novo o que tinha saído pra buscar e, em silêncio, saí do condomínio já quase meia-noite. Voltei pro cortiço andando devagar, porque tava com um pau duro do caralho pelo que tinha visto, a festa tava tão animada que quando cheguei nem ligaram pra nossa ausência, entreguei as garrafas de sidra pra prepararam o brinde, voltei pra nossa mesa e lá ainda estava meu celular, peguei ele e vi que tinha duas chamadas perdidas e várias mensagens.
10:38 Y: sai pra fora
10:42 Y: preciso falar com você
10:53 Y: tô no apartamento da sua tia
10:58 Y: acabou de entrar
11:04 Y: me responde
11:05 Y: preciso da sua opinião
11:09 Y: vem, vamos subir
11:09 Y: me diz se você aprova
11:12 Y: vai rolar
11:15 Y: é você que entrou?
11:15 Y: acho que ela não vai aceitar você aqui
11:24 Y: não sobe pro apartamento, melhor nos cobrir
Sim, ela tinha me procurado pelo telefone, mas eu não tinha tido chance de olhar, tinha perdido a oportunidade de negociar com ela, embora duvidasse que qualquer coisa que eu dissesse fosse convencê-la a fazer algo diferente, tipo, meus chifres já estavam garantidos e não tinha como escapar deles.
Bateu meia-noite e com isso, gritos e barulho, rolou o brinde e tive que me integrar, mesmo sendo óbvio que minha cabeça estava em outro lugar. No meio da galera, ninguém ainda perguntava pelos ausentes, nem a esposa do Dom José, e eu também não falei nada sobre o paradeiro da Yes, quando minha tia me perguntou por ela, justifiquei dizendo que tinha ficado pra dormir um pouco porque tinha passado mal com o álcool, mas que assim que pudesse voltaria pro lugar.
Passou uma hora, finalmente a Yes estava de volta no meio do povo, o Dom José tinha voltado pro quarto lá pra uma hora, então não voltaram juntos, quem tava por perto entreteve ela com aquele abraço e os parabéns, então demorou pra chegar até mim, quando ficou de frente só me disse:
Y: parabéns, amor!
Y: ah, e também feliz ano novo!
Minha mistura de ciúme e raiva foi zuada pela sacanagem dela, ela falou num tom de brincadeira, mas também de satisfação, com isso perdi a vontade de reclamar e preferi retribuir o desejo e o abraço. A gente ficou mais um tempinho, convivendo com o pessoal pra não destoar. Quando o Dom José se aproximou pra dar o abraço, percebi aquele olhar de cumplicidade entre eles, ele abraçou ela, parabenizou, depois veio na minha direção, estendeu a mão e apertou, me levantou da cadeira com muita força e me deu um abraço igual. Quem tava vendo achou que era um abraço de amigo muito próximo ou algo assim, mas eu, que sabia o que tinha rolado antes, encarei como se ele estivesse tirando uma onda com a minha cara, ainda mais quando ele finalizou com as mesmas palavras que a Yes.
DJ: Parabéns, garoto!
DJ: ah, e também feliz ano novo!
Aquela pontada cravou no meu peito, foi uma coincidência grande demais, ou eles estavam tramando juntos. Mesmo assim, me limitei a retribuir e não dar o gosto de mostrar minha raiva, aquilo foi o último da noite. A Yes disse que já era hora de ir, nos despedimos e saímos da vila, entramos no condomínio e ela me pegou pela mão, me levou escada acima com pressa, abriu a porta do apartamento e entramos, me beijou e foi me levando quase me arrastando. Quando passamos pela janela grande, virei pra olhar lá fora, bem onde eu tinha estado uns minutos antes. Ao abrir a porta do quarto, ela parou e virou pra me olhar.
Y: espera, não entra
K: e agora, por quê?
Y: me dá um minuto, preciso arrumar o quarto
No momento em que ela ia fechar a porta pra me deixar do lado de fora, segurei com as mãos e empurrei com um pouco de força pra abrir. No chão ainda tinha uma meia de homem, a cama tava uma zona, os lençóis pendurados, molhados e com um cheiro forte. Me aproximei e tirei eles pra desocupar a cama, enrolado neles tava a cueca do Dom José, nem tinham tido tempo de catar as coisas e se vestir direito. Pedi pra Yes chegar perto, ela tava de cabeça baixa, dava pra ver a vergonha que ela sentia, não sei se pela bagunça que tinha feito ou pelo que causou aquilo. Ela parou na minha frente e eu segurei ela pela cintura pra puxar pra perto, abri as pernas dela e sentei ela no meu colo, assim de frente. Frente a ela, peguei com as duas mãos as nádegas dela e perguntei.
K: Agora vai me contar o que aconteceu aqui?
Y: Tem certeza que quer que eu conte, ou prefere fazer outra coisa?
Ela segurou minha cabeça e me beijou com muita intensidade, mordia meus lábios como uma fera. Levantei ela e deitei no colchão sem lençol, não tinha muito espaço pra acomodar porque ainda estava molhado por baixo, então ali mesmo, abri as pernas dela e a gente transou. Foi um sexo pouco ortodoxo, era mais sobre aliviar a vontade do que prazer. Eu tava há muito tempo excitado e de pau duro, a penetração foi muito fácil, ela tava bem lubrificada. Na minha mente passavam as imagens do que eu tinha visto e ouvido, e ainda somava o que o bagaço do quarto podia me dizer. Imaginei tudo que eles podiam ter feito, deviam ter se despido completamente. A umidade da cama e a lubrificação dela seriam dos fluidos da Yes? Ou talvez eu tava penetrando minha esposa com uma mistura dos fluidos dela e o esperma do Dom José. Com o olhar, procurei no quarto: cadê os caralhos dos preservativos usados? Minha imaginação tava muito ativa e me traiu, então gozei bem mais rápido que o normal. Ela não ligou, tinha gemido o tempo todo e o orgasmo dela também foi intenso. Ficamos um momento abraçados, agora em cima dos líquidos de três pessoas. Nos olhamos fixamente e nos abraçamos com ternura. Depois de uns minutos, ela me olhou de novo.
Y: Quer que eu conte o que aconteceu essa noite?

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