parte 1http://m.poringa.net/posts/relatos/5949086/Yoga-con-la-mami-del-jardin.htmlparte 2http://m.poringa.net/posts/relatos/5949734/Yoga-con-la-mami-del-jardin-2.htmlparte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/5951102/Yoga-con-la-mami-del-jardin-3.htmlFabián foi o primeiro a agitar o grupo de WhatsApp que eles compartilhavam há anos, apelidado —como uma piada interna— de A Irmandade. Naquela manhã, com um entusiasmo mal contido, ele escreveu: “Gente, deu match. O chefe me empresta a casa dele no Tigre para o feriadão. Tem piscina, churrasqueira, píer… tudo. Quem topa?” As respostas chegaram rápido. Carolina, prática como sempre, perguntou: “É com dudes ou sem dudes?” Fabián esclareceu que era como quisessem, mas que avisassem para organizar os quartos. A casa era confortável, mas não infinita. O clima já parecia de verão. Clara respondeu na hora, como se a proposta estivesse esperando na porta: “Nós vamos. Sem crianças. Elas vão com os escoteiros justo nesse feriado.” Marco confirmou: “Confirmado. Fim de semana sem filhos. Finalmente.” Mas as baixas começaram a cair uma atrás da outra. Verónica, apertada por compromissos familiares, lamentou: “Aniversário do meu cunhado. Não dá pra escapar. Na próxima, sem falta.” Marcela, seca, quase sem culpa: “Passo. Trabalho no sábado. Impossível.” Fabián, exagerando uma decepção, escreveu: “Uff… tantas baixas. Posso perguntar pro meu chefe pra ir outro fim de semana, mas não garanto.” E aí Clara interveio. Não de forma direta, mas com uma clareza que deixou tudo dito para Fabián: “Não faz isso comigo, Fabi. Eu já tinha me iludido. Tem planos que não se suspendem.” Agustina apareceu no chat como quem já estava fazendo as malas: “Com Fabián nós vamos. Obviamente. Sem filhos, sem culpas e com muita vontade. Todos convidados, quem puder a gente espera com gosto.” Fabián respondeu só pra ela, com cumplicidade: “vamos com tudo então 😏” Marco, fechando a conversa, escreveu: “Vai ser incrível.” E ninguém mais falou nada. A estrada serpenteava entre árvores e casas baixas, margeando o rio como uma promessa. O sol da tarde caía oblíquo sobre o para-brisa, tingindo tudo de um dourado lento e calmo. Clara se acomodou no banco do carona do carro de Agustina. Atrás, entre os nos assentos, iam as mochilas, a caixinha térmica e algumas garrafas de vinho enroladas numa toalha. O rádio tocava baixinho, uma música instrumental que se perdia entre o barulho do motor e o murmúrio do vento. No outro carro, alguns metros atrás, iam Marco e Fabián, conversando relaxados, sem pressa.
—Tem certeza que tá de boa a gente ir assim, separadas? —perguntou Agustina sem virar totalmente, com um sorriso tranquilo.
—Mais que de boa —respondeu Clara, sorrindo também—. Gosto de conversar com você sem tanto barulho. Além disso… tô curiosa.
Agustina lançou um olhar de lado para ela, entre cúmplice e provocadora.
—Curiosa do quê?
Clara demorou um segundo para responder. Olhou pela janela, como se estivesse se preparando.
—Do que você disse no bar. Aquilo da… troca.
Agustina soltou uma risada curta, contagiante, quase zombeteira mas sem maldade.
—Não pensei que você ia perguntar tão direto!
—Foi sério? —insistiu Clara, baixando um pouco a voz.
—Mais sério do que parece —disse Agustina—. Foi com um casal amigo. Vários anos atrás. A gente estava viajando. Praia, rum, pouca roupa… você sabe como é.
Clara assentiu, com os lábios entreabertos.
—E como foi?
Agustina sorriu de um jeito diferente. Mais profundo. Como se voltasse, por um instante, para aquela viagem.
—Explosivo. Mas não só pela parte física. Foi algo… libertador. Como tirar um peso das costas. Com o Fabián a gente sempre teve uma cumplicidade estranha, sabe? Não de ciúmes, mas de brincadeira.
Clara a olhava fascinada, como se estivesse ouvindo uma história impossível.
—E depois? Não deu ciúmes? Vergonha?
—Claro que teve umas coisas. Mas o que ficou foi mais forte: confiança, tesão compartilhado… A gente se olhava diferente depois. Melhor. Mais… desejados.
Clara engoliu em seco. Umedeceu os lábios sem perceber.
—Não sei se eu conseguiria… mas… me atrai. Pensar nisso. Ver o Marco com outra. Sentir que eu também…
—Que você também o quê?
—Que eu também valho a pena. Que posso… esquentar alguém mais.
Agustina apoiou a mão na perna dela, firme, com a segurança de quem não duvida. Não era um gesto desajeitado, nem uma tentativa de consolo. Era uma afirmação. —Acredite em mim, Clara —disse com voz baixa, segura—. Vale a pena. E além disso… você tem de sobra. Clara sentiu uma corrente subir do ventre. Uma parte dela queria desviar o olhar. Outra, a mais nova, a mais viva, queria ficar ali. Um silêncio denso, carregado de eletricidade, ocupou o interior do carro enquanto seguiam em frente. Lá fora, uma placa verde anunciava: “Bem-vindos ao Delta”. Lá dentro, outra recepção se gestava. Uma entrada lenta, mas inevitável, para um desejo novo. Mais selvagem. Mais perigoso. Mais real. O calor era espesso, como um lençol úmido grudado na pele e no ar. As cigarras não pararam de cantar o dia todo, e o sol, baixo e alaranjado, continuava batendo forte, como se não pensasse em se render. O rio, parado e marrom, mal se movia, também rendido ao clima denso do Delta. Os dois casais já estavam de maiô, o corpo entregue ao calor e à brincadeira. A piscina, um retângulo azul perfeito incrustado na grama recém-cortada, oferecia um breve oásis. Sobre a mesa de plástico, os copos com gelo suavam. Riam, jogavam água um no outro, brincavam. Mas o riso era só isso: uma superfície. Por baixo, fervia outra coisa.
Marco tinha se jogado na água com um salto desajeitado, fazendo um respingo exagerado. Clara o seguiu logo atrás, entrando com uma braçada lenta, acariciando a água mais do que nadando. Agustina, por sua vez, desceu pela escadinha de metal com uma lentidão calculada, felina, como se cada degrau marcasse um compasso. Fabián já estava dentro, submerso até o peito, com uma cerveja na mão, observando a cena como se fosse um filme que já conhecia.
— Não aguento mais esse calor — disse Clara, sacudindo o cabelo para trás, respingando em todos sem culpa.
— Eu também não — respondeu Agustina, e se deixou afundar por completo.
Ao emergir, a água escorreu entre seus seios, descendo pelo ventre até a calcinha do biquíni. Marco a olhou. Baixou o olhar imediatamente. Mas já era tarde. Fabián se aproximou por trás e a abraçou pela cintura, com a naturalidade de quem não pede permissão. Ela não se afastou. Apoiou-se nele, relaxada. Fabián mordeu suavemente seu lóbulo da orelha. Um segundo. Dois. Clara viu tudo. Marco também.
— Ei, ei! Isso aqui é uma piscina pública! — brincou Clara, com um tom que tentava ser leve, mas soou mais alto do que o necessário.
— Desculpa! — disse Agustina, soltando uma risada cristalina enquanto se desgrudava de Fabián —. É que o calor deixa a gente bobo…
— Bobo e com tesão — completou Fabián, com aquele sorriso dele que sempre deixava algo mais no ar.
Clara riu, embora sua risada soasse diferente. Não olhou para Fabián, mas para Marco. E o encontrou ainda olhando para Agustina, meio segundo a mais do que o prudente.
Então, como se nada tivesse acontecido, Agustina nadou tranquilamente até a borda.
— Trouxemos limas? Poderíamos fazer umas caipirinhas — perguntou ao chegar nas escadas.
— Acho que sim — respondeu Clara, remexendo entre suas lembranças, como se algo mais estivesse escondido ali.
O ambiente mudou de repente. A tensão se escondeu atrás do banal, como costuma fazer quando o desconforto começa a aparecer. Marco ficou boiando de costas, com os olhos fechados e o sol batendo bem na cara. Parecia tranquilo. Mas não estava. Agustina o observou de soslaio enquanto secava o cabelo com uma toalha branca. Não disse nada. Não precisava. Ela sabia. Todos sabiam. E aquilo era apenas o começo. O jantar transcorrera numa mesa longa, sob o alpendre de madeira que dava para o bosque. Faróis tênues pendiam do teto como vagalumes imóveis. As velas altas derramavam cera lenta, e os grilos compunham seu canto persistente ao fundo. Fabián tinha se esmerado na churrasqueira: carnes suculentas, legumes assados, pães quentes que ainda fumegavam. O vinho branco circulava gelado em taças altas, e os corpos, bronzeados, descalços e brilhantes pelo calor, foram se soltando. Clara ria com a cabeça jogada para trás, um pouco mais alto que o normal. Vestia um vestido solto, daqueles que grudam no corpo com a umidade. Já tinha tomado três taças e se servia de uma quarta sem esperar. Marco estava ao lado dela, com o cotovelo apoiado na sua direção, mas o olhar dele se desviava — uma e outra vez — para Agustina, que o observava com a quietude de quem decifra algo complexo e excitante. Agustina vestia uma túnica branca, quase transparente contra a luz. Por baixo, o biquíni preto, ainda úmido, colava na sua pele morena. Abanava-se com o guardanapo como quem se distrai, mas tudo nela era intencional. Fabián acariciava sua nuca sem olhar para ela, enquanto conversava com Clara sobre vinhos orgânicos. — É impressionante esta casa — comentou Clara, com o tom levemente arrastado pelo álcool —. Seu chefe vem muito? — Quase nunca — respondeu Fabián —. Por isso empresta sem problemas. Sabe que a gente cuida… embora nem sempre com prudência. A risada foi geral, mas Clara sentiu que havia um duplo sentido sobre o qual não queria perguntar demais. Cruzou as pernas devagar, notando — sem querer — como os olhos de Fabián deslizavam pela borda de sua coxa. Marco lhe serviu mais vinho. Agustina deixou, sem tirar os olhos dele, nem por um segundo. — E aí? — perguntou Agustina, com aquela voz que sempre parecia esconder algo. — Vocês sentem que isso é tipo… umas férias clandestinas?
— Clandestinas? — disse Marco, divertido. — Só falta o crime.
— E se já estivermos cometendo? — sussurrou Agustina, quase inaudível.
O silêncio caiu como um pano úmido sobre a mesa. Clara mordeu um pedaço de pão lentamente, como se aquilo pudesse preencher o vazio. Fabián tomou um gole do seu copo sem pressa. Ninguém respondeu. A música do alto-falante mudou sem que ninguém percebesse. Uma canção suave, em francês, começou a tocar. Tudo ficou mais lento. Mais denso.
Agustina se levantou. O vestido se movia com ela, como uma extensão do seu corpo. Caminhou até o píer e desceu as escadas até ficar sentada na beirada, com os pés na água. Marco a seguiu com o olhar, fixo, sem disfarçar. Clara também olhou, mas com uma mistura de admiração e angústia. O vinho queimava sua boca do estômago. Ela tinha perdido a conta de quantos copos já tinha tomado. Se sentia flutuando, mas ao mesmo tempo, excessivamente consciente.
— Vou pegar gelo — disse Fabián, levantando-se com uma calma estranha.
Clara e Marco ficaram sozinhos por alguns segundos. O murmúrio das folhas, a música suave, o barulhinho do rio. Clara engoliu em seco. Uma das suas mãos tremia levemente. Ela procurou a mão de Marco debaixo da mesa e apertou com força.
— Isso vai explodir — sussurrou para ele, sem olhar.
Marco não respondeu. Apenas apertou seus dedos de volta. E isso bastou.
Agustina apareceu pouco depois, trocada e banhada, com um tapete de yoga em cada braço, descalça, o cabelo solto, ainda úmido do banho. Ela vestia um short branco e uma camiseta larga sem sutiã. Na penumbra, parecia flutuar.
— E se fizermos algo diferente? — propôs com suavidade, mas com algo na voz que fincou como uma unha na pele. — Algo lento… uma sessão de yoga restaurativo. E um pouco de tantra. Para relaxar. Para conectar.
Marco a olhou sem dizer nada. Clara assentiu antes mesmo de pensar. Fabián, já agachado, apoiava seu copo ao lado do tapete. A música… O som que vinha do alto-falante era mínimo: tigelas, respirações, tambores distantes. Eles estavam em semicírculo, cercados pela noite morna do Delta. Lá fora, o rio parado. Dentro, um silêncio tenso. Agustina sentou-se no centro, com as costas retas, o olhar lento. Dava para ver que estava no controle. Dava para ver que era perigosa. —Feche os olhos —disse—. Deixe que o corpo diga o que a mente não ousa… Sua voz era uma carícia afiada. Ninguém falava. Ninguém ousava. —Sinta sua base… ali onde você guarda tudo o que não diz… tudo o que cala por medo… por costume… Clara respirou fundo. O vinho ainda queimava em sua garganta. Ela estava com calor. O tecido do vestido leve havia grudado entre suas pernas. —Sinta essa energia presa. Esse desejo que se esconde quando alguém entra no quarto. Essa parte sua que quer tocar sem pedir permissão. Marco engoliu em seco. Tinha as palmas abertas sobre os joelhos, mas os dedos crispados. —Deixe que suba… esse fogo… devagar… como uma mão que conhece o caminho… que não pergunta… só encontra. Clara gemeu. Apenas. Um fio de voz. Seu corpo arqueou-se o suficiente. Marco não olhou para ela. Fabián, sim. —Sobe pelo seu ventre, pelo seu peito… até o pescoço… até a boca… essa boca que beija menos do que imagina… Fabián tinha os olhos semicerrados, o peito agitado. Agustina viu, soube. E continuou. —Sinta como vibra aquilo que você quer e não tem coragem de dizer. Sinta o desejo desse outro corpo… perto… dentro… Clara estremeceu. Seus músculos tremiam em silêncio. Foi um orgasmo interno, sem escândalo. Uma descarga quente, privada, que afrouxou sua mandíbula e deixou seus olhos úmidos. —E agora… —disse Agustina, baixando a voz até torná-la um suspiro—… solte tudo. Deite-se no tatame. Deixe que o corpo se entregue. Nada a fazer. Nada a pensar. Os três obedeceram. Marco com os punhos cerrados. Fabián com o peito ainda agitado. Clara deixou-se cair para trás, como quem se abandona a algo inevitável. A música continuava. Agustina percorreu-os com o olhar como se estivesse despindo cada um deles, um por um. Depois, apagou as luzes baixas, deixou apenas uma vela acesa e afastou-se na ponta dos pés. Clara, afundada no seu tatame, exalou mais uma vez. As pálpebras pesavam. O álcool, o calor, o tremor recente... tudo a venceu. Adormeceu ali mesmo. Com um sorriso vago. Como quem acaba de viver um sonho que não ousa contar. Clara acordou desorientada. O corpo pesado, a boca seca, uma sensação morna e pegajosa na pele, como se o ar tivesse grudado nela por horas. A brisa noturna mal se filtrava pelas janelas. O tecido do vestido roçava os mamilos, endurecidos. Estava sozinha sobre o tatame, na sala. A casa em penumbra, envolta num silêncio artificial, quase teatral. Mas não era completo. Um som leve, rítmico, quase imperceptível, quebrava aquela calma. Como uma batida úmida, compassada. Depois, um gemido abafado, alongado, feminino. Agustina. Clara sentou-se devagar. O coração começou a bater forte sem que ela entendesse por quê. Caminhou sem fazer barulho, descalça, com os pés ainda desajeitados pelo vinho. O corredor parecia mais longo do que era. A porta do quarto principal estava entreaberta. Do vão saía uma luz tênue, quente, que projetava sombras móveis. Clara apoiou uma mão na parede. E olhou. A cena a atingiu como uma onda quente, direto no peito. Marco estava em pé à beira da cama, completamente nu, o corpo tenso, o pau ereto e brilhante, segurando Agustina pelo cabelo, que estava ajoelhada entre suas pernas. A boca aberta, profunda, tomada por ele com uma entrega crua. A mão dela se apoiava na coxa, a outra roçava os testículos. Ela o devorava. O possuía com a boca. Com uma voracidade perfeita. Clara nunca tinha visto algo assim, talvez em algum vídeo pornô. Mas isso era real. Marco soltou um grunhido, a puxou para trás com uma delicadeza brutal e a fez girar. Agustina se deixou levar. Subiu na cama de quatro, como se já... ela sabia o que estava por vir. Ele se posicionou atrás e a montou num movimento só. O som do corpo penetrando nela foi úmido e preciso. Agustina soltou um grito curto. E começou a se empurrar para trás, com os joelhos abertos, o cabelo cobrindo seu rosto. Clara sentiu um formigamento intenso na parte baixa do ventre. Não conseguia se mover. Marco agarrou seus quadris, apertando-os com ambas as mãos. Cada investida era mais forte que a anterior. As nádegas de Agustina batiam contra ele num ritmo frenético. A lâmpada da mesa de cabeceira projetava na parede um espetáculo de sombras orgásmicas: curvas que se abriam, que se uniam, que se agitavam. O quarto era um santuário do desejo. —Assim… me come com força —sussurrou Agustina, rouca. Marco a pegou pelo pescoço e a puxou para si. Do seu ângulo, Clara podia ver como ele mordia suas costas, como a língua percorria sua pele molhada de suor. Agustina gemia de boca aberta, com o rosto contorcido em êxtase, sem nenhuma vergonha. Clara não conseguia parar de olhar. A excitação pulsava entre suas pernas, em ondas quentes, úmidas, elétricas. Marco a empurrou contra o colchão, de costas, e se enterrou novamente entre suas pernas abertas. Agustina o abraçou com os calcanhares cravados em suas costas. Ele a fodia com força. Ela não gritava: rugia. Como se algo ancestral estivesse sendo arrancado dela. Como se cada movimento esvaziasse sua alma. —Você gosta assim, filha da puta —ele disse. —Eu adoro —ela ofegou—. Adoro que você me coma assim… com força… deixa dentro… Clara apertou as pernas, tremendo. Agarrou-se ao batente da porta. Seu corpo inteiro vibrava. Estava encharcada. O coração, descontrolado. O desejo, uma tempestade dentro dela. O clímax de Agustina chegou como um relâmpago: gritos entrecortados, espasmos, lágrimas nos olhos. Marco não parou. Terminou segundos depois, enterrado até o fundo, gemendo sua descarga entre ofegos. Silêncio. Os corpos ficaram abraçados, colados, brilhantes. Clara não soube quanto tempo ficou ali, congelada. então, um leve toque em seu ombro. Sucção no estômago. O susto. Ela se virou. Fabián. Olhava para ela com uma expressão serena, sombria. Sem surpresa. Sem julgamento. Apenas desejo. Em seu olhar havia fogo. E algo mais perigoso: permissão. —Vem —disse, quase num sussurro—. Vamos para o outro quarto. Ela não disse nada. Mas o seguiu. VOCÊS JÁ SABEM, SE COMENTAREM E DEIXAREM PONTOS ME MOTIVAM A CONTINUAR ESCREVENDO. Parte 5http://m.poringa.net/posts/relatos/5952679/Yoga-con-la-mami-del-jardin-5.html
—Tem certeza que tá de boa a gente ir assim, separadas? —perguntou Agustina sem virar totalmente, com um sorriso tranquilo.
—Mais que de boa —respondeu Clara, sorrindo também—. Gosto de conversar com você sem tanto barulho. Além disso… tô curiosa.
Agustina lançou um olhar de lado para ela, entre cúmplice e provocadora.
—Curiosa do quê?
Clara demorou um segundo para responder. Olhou pela janela, como se estivesse se preparando.
—Do que você disse no bar. Aquilo da… troca.
Agustina soltou uma risada curta, contagiante, quase zombeteira mas sem maldade.
—Não pensei que você ia perguntar tão direto!
—Foi sério? —insistiu Clara, baixando um pouco a voz.
—Mais sério do que parece —disse Agustina—. Foi com um casal amigo. Vários anos atrás. A gente estava viajando. Praia, rum, pouca roupa… você sabe como é.
Clara assentiu, com os lábios entreabertos.
—E como foi?
Agustina sorriu de um jeito diferente. Mais profundo. Como se voltasse, por um instante, para aquela viagem.
—Explosivo. Mas não só pela parte física. Foi algo… libertador. Como tirar um peso das costas. Com o Fabián a gente sempre teve uma cumplicidade estranha, sabe? Não de ciúmes, mas de brincadeira.
Clara a olhava fascinada, como se estivesse ouvindo uma história impossível.
—E depois? Não deu ciúmes? Vergonha?
—Claro que teve umas coisas. Mas o que ficou foi mais forte: confiança, tesão compartilhado… A gente se olhava diferente depois. Melhor. Mais… desejados.
Clara engoliu em seco. Umedeceu os lábios sem perceber.
—Não sei se eu conseguiria… mas… me atrai. Pensar nisso. Ver o Marco com outra. Sentir que eu também…
—Que você também o quê?
—Que eu também valho a pena. Que posso… esquentar alguém mais.
Agustina apoiou a mão na perna dela, firme, com a segurança de quem não duvida. Não era um gesto desajeitado, nem uma tentativa de consolo. Era uma afirmação. —Acredite em mim, Clara —disse com voz baixa, segura—. Vale a pena. E além disso… você tem de sobra. Clara sentiu uma corrente subir do ventre. Uma parte dela queria desviar o olhar. Outra, a mais nova, a mais viva, queria ficar ali. Um silêncio denso, carregado de eletricidade, ocupou o interior do carro enquanto seguiam em frente. Lá fora, uma placa verde anunciava: “Bem-vindos ao Delta”. Lá dentro, outra recepção se gestava. Uma entrada lenta, mas inevitável, para um desejo novo. Mais selvagem. Mais perigoso. Mais real. O calor era espesso, como um lençol úmido grudado na pele e no ar. As cigarras não pararam de cantar o dia todo, e o sol, baixo e alaranjado, continuava batendo forte, como se não pensasse em se render. O rio, parado e marrom, mal se movia, também rendido ao clima denso do Delta. Os dois casais já estavam de maiô, o corpo entregue ao calor e à brincadeira. A piscina, um retângulo azul perfeito incrustado na grama recém-cortada, oferecia um breve oásis. Sobre a mesa de plástico, os copos com gelo suavam. Riam, jogavam água um no outro, brincavam. Mas o riso era só isso: uma superfície. Por baixo, fervia outra coisa.
Marco tinha se jogado na água com um salto desajeitado, fazendo um respingo exagerado. Clara o seguiu logo atrás, entrando com uma braçada lenta, acariciando a água mais do que nadando. Agustina, por sua vez, desceu pela escadinha de metal com uma lentidão calculada, felina, como se cada degrau marcasse um compasso. Fabián já estava dentro, submerso até o peito, com uma cerveja na mão, observando a cena como se fosse um filme que já conhecia.— Não aguento mais esse calor — disse Clara, sacudindo o cabelo para trás, respingando em todos sem culpa.
— Eu também não — respondeu Agustina, e se deixou afundar por completo.
Ao emergir, a água escorreu entre seus seios, descendo pelo ventre até a calcinha do biquíni. Marco a olhou. Baixou o olhar imediatamente. Mas já era tarde. Fabián se aproximou por trás e a abraçou pela cintura, com a naturalidade de quem não pede permissão. Ela não se afastou. Apoiou-se nele, relaxada. Fabián mordeu suavemente seu lóbulo da orelha. Um segundo. Dois. Clara viu tudo. Marco também.
— Ei, ei! Isso aqui é uma piscina pública! — brincou Clara, com um tom que tentava ser leve, mas soou mais alto do que o necessário.
— Desculpa! — disse Agustina, soltando uma risada cristalina enquanto se desgrudava de Fabián —. É que o calor deixa a gente bobo…
— Bobo e com tesão — completou Fabián, com aquele sorriso dele que sempre deixava algo mais no ar.
Clara riu, embora sua risada soasse diferente. Não olhou para Fabián, mas para Marco. E o encontrou ainda olhando para Agustina, meio segundo a mais do que o prudente.
Então, como se nada tivesse acontecido, Agustina nadou tranquilamente até a borda.
— Trouxemos limas? Poderíamos fazer umas caipirinhas — perguntou ao chegar nas escadas.
— Acho que sim — respondeu Clara, remexendo entre suas lembranças, como se algo mais estivesse escondido ali.
O ambiente mudou de repente. A tensão se escondeu atrás do banal, como costuma fazer quando o desconforto começa a aparecer. Marco ficou boiando de costas, com os olhos fechados e o sol batendo bem na cara. Parecia tranquilo. Mas não estava. Agustina o observou de soslaio enquanto secava o cabelo com uma toalha branca. Não disse nada. Não precisava. Ela sabia. Todos sabiam. E aquilo era apenas o começo. O jantar transcorrera numa mesa longa, sob o alpendre de madeira que dava para o bosque. Faróis tênues pendiam do teto como vagalumes imóveis. As velas altas derramavam cera lenta, e os grilos compunham seu canto persistente ao fundo. Fabián tinha se esmerado na churrasqueira: carnes suculentas, legumes assados, pães quentes que ainda fumegavam. O vinho branco circulava gelado em taças altas, e os corpos, bronzeados, descalços e brilhantes pelo calor, foram se soltando. Clara ria com a cabeça jogada para trás, um pouco mais alto que o normal. Vestia um vestido solto, daqueles que grudam no corpo com a umidade. Já tinha tomado três taças e se servia de uma quarta sem esperar. Marco estava ao lado dela, com o cotovelo apoiado na sua direção, mas o olhar dele se desviava — uma e outra vez — para Agustina, que o observava com a quietude de quem decifra algo complexo e excitante. Agustina vestia uma túnica branca, quase transparente contra a luz. Por baixo, o biquíni preto, ainda úmido, colava na sua pele morena. Abanava-se com o guardanapo como quem se distrai, mas tudo nela era intencional. Fabián acariciava sua nuca sem olhar para ela, enquanto conversava com Clara sobre vinhos orgânicos. — É impressionante esta casa — comentou Clara, com o tom levemente arrastado pelo álcool —. Seu chefe vem muito? — Quase nunca — respondeu Fabián —. Por isso empresta sem problemas. Sabe que a gente cuida… embora nem sempre com prudência. A risada foi geral, mas Clara sentiu que havia um duplo sentido sobre o qual não queria perguntar demais. Cruzou as pernas devagar, notando — sem querer — como os olhos de Fabián deslizavam pela borda de sua coxa. Marco lhe serviu mais vinho. Agustina deixou, sem tirar os olhos dele, nem por um segundo. — E aí? — perguntou Agustina, com aquela voz que sempre parecia esconder algo. — Vocês sentem que isso é tipo… umas férias clandestinas?
— Clandestinas? — disse Marco, divertido. — Só falta o crime.
— E se já estivermos cometendo? — sussurrou Agustina, quase inaudível.
O silêncio caiu como um pano úmido sobre a mesa. Clara mordeu um pedaço de pão lentamente, como se aquilo pudesse preencher o vazio. Fabián tomou um gole do seu copo sem pressa. Ninguém respondeu. A música do alto-falante mudou sem que ninguém percebesse. Uma canção suave, em francês, começou a tocar. Tudo ficou mais lento. Mais denso.
Agustina se levantou. O vestido se movia com ela, como uma extensão do seu corpo. Caminhou até o píer e desceu as escadas até ficar sentada na beirada, com os pés na água. Marco a seguiu com o olhar, fixo, sem disfarçar. Clara também olhou, mas com uma mistura de admiração e angústia. O vinho queimava sua boca do estômago. Ela tinha perdido a conta de quantos copos já tinha tomado. Se sentia flutuando, mas ao mesmo tempo, excessivamente consciente.
— Vou pegar gelo — disse Fabián, levantando-se com uma calma estranha.
Clara e Marco ficaram sozinhos por alguns segundos. O murmúrio das folhas, a música suave, o barulhinho do rio. Clara engoliu em seco. Uma das suas mãos tremia levemente. Ela procurou a mão de Marco debaixo da mesa e apertou com força.
— Isso vai explodir — sussurrou para ele, sem olhar.
Marco não respondeu. Apenas apertou seus dedos de volta. E isso bastou.
Agustina apareceu pouco depois, trocada e banhada, com um tapete de yoga em cada braço, descalça, o cabelo solto, ainda úmido do banho. Ela vestia um short branco e uma camiseta larga sem sutiã. Na penumbra, parecia flutuar.
— E se fizermos algo diferente? — propôs com suavidade, mas com algo na voz que fincou como uma unha na pele. — Algo lento… uma sessão de yoga restaurativo. E um pouco de tantra. Para relaxar. Para conectar.
Marco a olhou sem dizer nada. Clara assentiu antes mesmo de pensar. Fabián, já agachado, apoiava seu copo ao lado do tapete. A música… O som que vinha do alto-falante era mínimo: tigelas, respirações, tambores distantes. Eles estavam em semicírculo, cercados pela noite morna do Delta. Lá fora, o rio parado. Dentro, um silêncio tenso. Agustina sentou-se no centro, com as costas retas, o olhar lento. Dava para ver que estava no controle. Dava para ver que era perigosa. —Feche os olhos —disse—. Deixe que o corpo diga o que a mente não ousa… Sua voz era uma carícia afiada. Ninguém falava. Ninguém ousava. —Sinta sua base… ali onde você guarda tudo o que não diz… tudo o que cala por medo… por costume… Clara respirou fundo. O vinho ainda queimava em sua garganta. Ela estava com calor. O tecido do vestido leve havia grudado entre suas pernas. —Sinta essa energia presa. Esse desejo que se esconde quando alguém entra no quarto. Essa parte sua que quer tocar sem pedir permissão. Marco engoliu em seco. Tinha as palmas abertas sobre os joelhos, mas os dedos crispados. —Deixe que suba… esse fogo… devagar… como uma mão que conhece o caminho… que não pergunta… só encontra. Clara gemeu. Apenas. Um fio de voz. Seu corpo arqueou-se o suficiente. Marco não olhou para ela. Fabián, sim. —Sobe pelo seu ventre, pelo seu peito… até o pescoço… até a boca… essa boca que beija menos do que imagina… Fabián tinha os olhos semicerrados, o peito agitado. Agustina viu, soube. E continuou. —Sinta como vibra aquilo que você quer e não tem coragem de dizer. Sinta o desejo desse outro corpo… perto… dentro… Clara estremeceu. Seus músculos tremiam em silêncio. Foi um orgasmo interno, sem escândalo. Uma descarga quente, privada, que afrouxou sua mandíbula e deixou seus olhos úmidos. —E agora… —disse Agustina, baixando a voz até torná-la um suspiro—… solte tudo. Deite-se no tatame. Deixe que o corpo se entregue. Nada a fazer. Nada a pensar. Os três obedeceram. Marco com os punhos cerrados. Fabián com o peito ainda agitado. Clara deixou-se cair para trás, como quem se abandona a algo inevitável. A música continuava. Agustina percorreu-os com o olhar como se estivesse despindo cada um deles, um por um. Depois, apagou as luzes baixas, deixou apenas uma vela acesa e afastou-se na ponta dos pés. Clara, afundada no seu tatame, exalou mais uma vez. As pálpebras pesavam. O álcool, o calor, o tremor recente... tudo a venceu. Adormeceu ali mesmo. Com um sorriso vago. Como quem acaba de viver um sonho que não ousa contar. Clara acordou desorientada. O corpo pesado, a boca seca, uma sensação morna e pegajosa na pele, como se o ar tivesse grudado nela por horas. A brisa noturna mal se filtrava pelas janelas. O tecido do vestido roçava os mamilos, endurecidos. Estava sozinha sobre o tatame, na sala. A casa em penumbra, envolta num silêncio artificial, quase teatral. Mas não era completo. Um som leve, rítmico, quase imperceptível, quebrava aquela calma. Como uma batida úmida, compassada. Depois, um gemido abafado, alongado, feminino. Agustina. Clara sentou-se devagar. O coração começou a bater forte sem que ela entendesse por quê. Caminhou sem fazer barulho, descalça, com os pés ainda desajeitados pelo vinho. O corredor parecia mais longo do que era. A porta do quarto principal estava entreaberta. Do vão saía uma luz tênue, quente, que projetava sombras móveis. Clara apoiou uma mão na parede. E olhou. A cena a atingiu como uma onda quente, direto no peito. Marco estava em pé à beira da cama, completamente nu, o corpo tenso, o pau ereto e brilhante, segurando Agustina pelo cabelo, que estava ajoelhada entre suas pernas. A boca aberta, profunda, tomada por ele com uma entrega crua. A mão dela se apoiava na coxa, a outra roçava os testículos. Ela o devorava. O possuía com a boca. Com uma voracidade perfeita. Clara nunca tinha visto algo assim, talvez em algum vídeo pornô. Mas isso era real. Marco soltou um grunhido, a puxou para trás com uma delicadeza brutal e a fez girar. Agustina se deixou levar. Subiu na cama de quatro, como se já... ela sabia o que estava por vir. Ele se posicionou atrás e a montou num movimento só. O som do corpo penetrando nela foi úmido e preciso. Agustina soltou um grito curto. E começou a se empurrar para trás, com os joelhos abertos, o cabelo cobrindo seu rosto. Clara sentiu um formigamento intenso na parte baixa do ventre. Não conseguia se mover. Marco agarrou seus quadris, apertando-os com ambas as mãos. Cada investida era mais forte que a anterior. As nádegas de Agustina batiam contra ele num ritmo frenético. A lâmpada da mesa de cabeceira projetava na parede um espetáculo de sombras orgásmicas: curvas que se abriam, que se uniam, que se agitavam. O quarto era um santuário do desejo. —Assim… me come com força —sussurrou Agustina, rouca. Marco a pegou pelo pescoço e a puxou para si. Do seu ângulo, Clara podia ver como ele mordia suas costas, como a língua percorria sua pele molhada de suor. Agustina gemia de boca aberta, com o rosto contorcido em êxtase, sem nenhuma vergonha. Clara não conseguia parar de olhar. A excitação pulsava entre suas pernas, em ondas quentes, úmidas, elétricas. Marco a empurrou contra o colchão, de costas, e se enterrou novamente entre suas pernas abertas. Agustina o abraçou com os calcanhares cravados em suas costas. Ele a fodia com força. Ela não gritava: rugia. Como se algo ancestral estivesse sendo arrancado dela. Como se cada movimento esvaziasse sua alma. —Você gosta assim, filha da puta —ele disse. —Eu adoro —ela ofegou—. Adoro que você me coma assim… com força… deixa dentro… Clara apertou as pernas, tremendo. Agarrou-se ao batente da porta. Seu corpo inteiro vibrava. Estava encharcada. O coração, descontrolado. O desejo, uma tempestade dentro dela. O clímax de Agustina chegou como um relâmpago: gritos entrecortados, espasmos, lágrimas nos olhos. Marco não parou. Terminou segundos depois, enterrado até o fundo, gemendo sua descarga entre ofegos. Silêncio. Os corpos ficaram abraçados, colados, brilhantes. Clara não soube quanto tempo ficou ali, congelada. então, um leve toque em seu ombro. Sucção no estômago. O susto. Ela se virou. Fabián. Olhava para ela com uma expressão serena, sombria. Sem surpresa. Sem julgamento. Apenas desejo. Em seu olhar havia fogo. E algo mais perigoso: permissão. —Vem —disse, quase num sussurro—. Vamos para o outro quarto. Ela não disse nada. Mas o seguiu. VOCÊS JÁ SABEM, SE COMENTAREM E DEIXAREM PONTOS ME MOTIVAM A CONTINUAR ESCREVENDO. Parte 5http://m.poringa.net/posts/relatos/5952679/Yoga-con-la-mami-del-jardin-5.html
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