Frambu e seu coquetel da vida XXIV

Obrigada a todos que acompanharam a história. Desculpem a demora pra postar, mas tive problemas por causa da saúde delicada do meu pai. Obrigada a todos pelos comentários e avaliações.

Eu: O que você tá fazendo aqui?
Blas: Feliz aniversário, linda da Fran...
Eu: Bom, obrigada... mas você não pode estar aqui...
Blas: Por que não? Vim com o Lucas, o namorado da sua amiga...
Eu: Você não pode estar aqui... o que você quer?
Blas: Só te ver... só estar no seu aniversário com meu amigo, te olhando...
Eu: Juro que se você fizer alguma coisa fora do lugar, vai se arrepender...
Blas: Seu namorado tá aqui?
Eu: Claro que sim... meu namorado e toda a família dele...
Blas: Ah, é... então se comporte, hein... que você anda com outros escondida do seu uruguaio
– deu meia-volta e foi pra mesa onde tinha comida

Eu fiquei petrificada, muito assustada e pensei "Talvez o Blas tenha me visto com meu colega Rodrigo... Ai, meu Deus... Tomara que ele não abra a boca.."

Eu: Não se atreva a chegar perto do meu namorado...
Blas: Então é verdade o que todo mundo sabe... que você é uma puta e deitou com seu amigo
Eu: Não permito que você diga isso...
Blas: Você me deixou por aquele rebelde e agora tá botando uns belos chifres nele
Eu: Já chega...
Blas: Tomara que ele sofra como eu sofri, aquele idiota...
– eu dei um tapa nele e parece que foi ouvido em todo lugar, já que vários olharam pra gente
– você é uma raposa... uma raposa igual à puta da sua mãe... eu sei muito bem do passado dela. Acha que porque bateram no meu tio, ela vai se dar bem, mas a mancha já tá feita...
Eu: Como??? Que tio?
Blas: Meu tio Gaston ou Bartolomeu... não finja que não entende...
Eu: Pelo que minha mãe me contou, pensei que o Gaston não tinha irmãos...
Blas: Sua mãe é tão desmiolada quanto você... meu tio Gaston é louco de amor por ela e quando eu contei pra ele quem você era, ele pediu pra eu não te machucar, mas você me machucou demais e eu não aguento mais... então Surpresa, raposa! Feliz aniversário...

Eu estava num momento de desespero e angústia. tremendo. Ele se afastou rindo e eu temia por tudo que sabia sobre mim e sobre o passado da minha mãe. Estava furiosa com Gastón e eu que ia responder educadamente. Meu pai se aproximou ao me ver ali sozinha.

Papai: Coelhinha minha... o que aconteceu com aquele rapaz?

Eu: Nada... nada... em outro momento te conto...

Papai: Que ninguém te machuque, meu amor... porque você é tão importante pra mim que não me importaria de arrancar cabeças nem de ficar marcado como um sicário se alguém te fizer sofrer...

Eu: Em casa te conto... já, calma...

Papai: Minha menina linda - ele me beijou na testa e me levou pelo braço até onde estavam meus avós.

Ao me ver, meu vô pega minha mão e faz um movimento suave pra dançar e eu seguia o passo.

O DJ mudou a música e colocou uma do Elvis Presley, um tema meio antigo que meu avô seguia os passos e eu tentava acompanhar o ritmo.

Eu: Ai vô... não te conhecia como dançarino.

Vô: Ai minha filha... essas músicas a gente dançava com sua avó e deixava as solas na pista - ambos rimos.

Eu: Que lindo... Como eu teria adorado ver vocês dançando...

Vô: Sente a música e vai ser como se sua avó vivesse em você... te amo, minha filha.

Eu: E eu te amo, vô...

Seguimos um tempinho dançando, e ele arrumava meu cabelo depois das voltas que me fazia girar.

Meu vô, ao me ver, também se aproxima.

Vô: Me permite a próxima música com a mocinha?

Vô: Claro...

Eu: Obrigada Vô... oi Vô... - o abracei e ele me devolveu um abraço forte.

Vô: Minha menina linda... percebi que aconteceu algo com você, meu amor... conte pro seu avô o que foi... o que aquele garoto fez com você...

E enquanto dançávamos eu fui contando e minhas lágrimas começaram a cair e ele me apertou contra o peito e me acalmou - sabe de uma coisa, você é uma garota maravilhosa. Não vou permitir que ninguém fale mal de você...

Eu: Mas vô, eu fui uma namorada ruim pro meu namorado, fui infiel mas não achei que ele tivesse algo a ver com o Gastón, o ex da mamãe.

Vô: Calma... já vamos ver o que dá pra fazer. Hoje curte e não quero te ver triste. Seja feliz, sabe? Ele me acariciou, viu que o Ezequiel estava vindo e me soltou suavemente, me fez girar e o Eze me pegou, seguindo o ritmo suave.

Eze: — Oi, amor... finalmente te encontro...
— Eu o abracei e ele acariciava minha cabeça.
— Ai, amor... o que aconteceu?

Eu: — Agora só preciso que você me abrace...

Eze: — Não sou bobo, amor... me diz, por favor, o que foi...
Fui contando e paramos de dançar.
— Quem é esse infeliz? O infeliz do seu ex está aqui... me diz qual é, por favor...

Eu: — Não, não...

Eze: — Se não me disser, eu vou descobrir...

Eu: — Não quero que tenha problemas agora...

Eze: — Não vai ter agora, mas vai ter na hora certa... deixa eu falar com seu pai...

Eu: — Não, não... porque se meu pai descobre que é sobrinho do Bartolomeu...

Eze: — É sobrinho do ex da sua mãe??? Já volto... não, amor, espera...
Ezequiel me soltou e foi até onde meu pai estava.

Eu fiquei parada e alguém me tocou por trás. Era o Rodrigo.

Rodri: — Oi, gata... Feliz aniversário!

Eu: — Ai, não... só faltava isso.

Rodri: — O quê? Por que diz isso?? Não fica feliz em me ver...??

Eu: — Estou com um problema enorme, e aí meu namorado me vê justo com você...

Rodri: — O que aconteceu, gata?

Eu: — Esbarrei no meu ex, ele veio no meu aniversário e disse que é sobrinho do ex da minha mãe e que sabe tudo o que aconteceu entre nós...

Rodri: — Mas... ele contou pro seu rebelde?

Eu: — Não, não... mas aí eu contei e ele vai falar com meu pai pra fazer alguma coisa, e tenho medo que levem eles detidos por me defenderem... eu temia que isso um dia ia acontecer... e tudo foi por não ter me controlado e nunca ter parado no começo, quando estive com você.

Rodri: — Imaginei... então você se arrepende de ter estado comigo?

Eu: — Me arrependo de não ter te visto antes, me arrependo de não ter visto os mil sinais do seu carinho e amor... mas me arrependo mais ainda de você ter se apaixonado por mim.

Rodri: — Não fala assim... não se martiriza... fui eu que me apaixonei por você assim que te conheci, eu tinha... 9 anos e eu tinha me apaixonado, e assim continuei até hoje, já se passaram 9 anos desde que nos conhecemos...
Eu: Deus... não consigo acreditar...
Rodri: Lembra do alfajor que te dei no recreio quando você caiu? Para você não chorar, te dei aquilo e fazia gracinhas e caretas e você parou de chorar e começou a rir. Desde aquele dia acho que te amei ainda mais...
Eu: Obrigada... obrigada mesmo... sim, sim, eu lembro. Minhas amigas diziam que você era um palhaço e que com certeza iam te contratar em algum circo.
Rodri: Ai, que maldade... - nós rimos - Ainda acha que me contratariam?
Eu: E talvez você seja um bom palhaço! - nós rimos de novo
Rodri: Assim que eu gosto, você feliz... vou indo e obrigado por me dar os melhores sorrisos, linda...
Eu: Obrigada pelas suas gracinhas de doido, meu palhacito.
Rodri: Te amo, linda... sabe que te amo muito - ele beijou minha mão e foi embora.

Fiquei dançando com algumas amigas da faculdade. Vi minha irmã bem agarradinha com uma garota da idade dela e imaginei que fosse Ámbar, a irmã mais nova do Ezequiel.

Depois de um tempo, a Emma passa com a Ingrid e a Rosario.
Emma: Ai, menina... você parece um fantasma... onde você se meteu?
Eu: Uff... história longa, mas vou resumir pra vocês: veio o idiota do Blas, me disse que é sobrinho do Barti, ex da minha mãe, sabe tudo sobre ela e o tio dele, também me viu com o Rodrigo, tem muita informação pra fazer voar tudo: minha vida, a da minha mãe e meu relacionamento com o Eze... quero morrer...
Rosario: É um filho da pu...
Emma: Aiii não... que desgraçado...
Ingrid: Não consigo acreditar que ele seja capaz disso...
Eu: Estou com medo... com medo pelo Eze, como ele vai reagir a uma notícia dessas...
Emma: Calma... você calma, relaxa... Escuta... como ele teve coragem de vir?
Eu: Veio com o Lucas, o namorado da Nati... esse Blas é um sem-vergonha...
Ingrid: Um sem-vergonha terrível... fala pro Lucas tirar ele daqui ou os dois vão se arrepender.
Eu: Mas a Nati não vai ficar brava?
Rosario: Mas não... deixa comigo se não...
Ingrid: Você não disse que ele veio te cumprimentar o... Rodri?
Eu: - Sim...
Ingrid: - Fala pra ele... além do mais ele conhece o Blas e naquela vez na balada ele ia te defender!
Emma: - É verdade...
Eu: - Não, mas não...
Rosario: - Deixa comigo, eu vou atrás dele e falo... ninguém mexe com sua escolta - eu sorri
Eu: - Obrigada, Ro...
Ela foi procurar o Rodrigo, enquanto eu ficava com a Ingrid e a Emma. Tocavam uns hits brasileiros bem animados no fundo e eu soltei meus passos de dança junto com minhas duas amigas, fechei os olhos e balançava meu corpo.
Sinto um toque na minha cintura e, ao me virar, vejo o Ezequiel com seu olhar doce, sorrindo pra mim.
Eze: - Oi, linda...
Eu: - Oi, amor... você tá bem?
Eze: - Sim, sim, claro... tudo mais que bem...
Eu: - Por que você diz isso?
Eze: - Porque eu tô aqui... com você... - enquanto seguia o ritmo - gosto de te ver curtindo... - murmurou algo baixinho
Eu: - Não entendi... o que você disse?
Eze: - Gosto de te ver curtindo, amor...
Eu: - Isso sim... o outro que você falou mais baixo
Eze: - Ah... nada, meu amor. Tá tudo bem! Tudo sob controle...
Eu: - Tá bom...
Continuamos dançando e vi a Rosario passar, ela fez um sinal de que estava tudo certo.
Prepararam a mesa com o bolo principal e outras coisas doces.
Me aproximei junto com o Ezequiel, vieram meus pais, meus avós, minhas tias, os pais e a irmã do Eze, meus amigos, minhas colegas de hockey e meus colegas de inglês, perto de onde eu deveria ficar para posar na foto.
Meus pais repetiram uma foto que sempre pediam para tirar comigo, me dando um beijo, um de cada lado do meu rosto, e depois as fotos com a família e os amigos.
Foram passando meus pais, minhas tias, minha irmã e meus avós.
O Eze, junto com os pais dele, estavam de lado, e meu pai fez sinal.
Papai: - Venham... vem, Eze, querido... você junto com sua família e a Fran.
O Eze foi se aproximando de mim, junto com a família dele.
Ele me pegou pela cintura, me abraçando sutilmente com as duas mãos, e os pais dele, um de cada lado, a irmã dele do lado esquerdo, onde estava o pai.
O fotógrafo sinalizou que era a vez deles. das minhas amigas gritavam juntas: "Beijo... beijo... beijo..." Eu fiquei completamente corada e Eze sorria o máximo possível, ele sussurrou no meu ouvido:

Eze: "Eu satisfaço o pedido ou deixo pra outra hora?"

Eu: "Eu não teria problema..." - ele me virou de lado para o fotógrafo, acariciou meu rosto suavemente e se aproximou mais. Fechei os olhos e nos beijamos. Ouvi ao fundo todo mundo vibrando, batendo palmas, assobiando e com muita euforia.

Ao olhar em volta, vi meus pais junto com os pais do Eze, emocionados e comovidos. Meus avós e tias batiam palmas e riam empolgados. Minhas amigas gritavam como loucas. Continuei olhando e vi Rodrigo no meio da multidão, batendo palmas e sorrindo pra mim.

Continuei olhando e vi Blas parado perto do Lucas, namorado da Nati. Ele tinha um olhar e um sorriso perversos, batendo palmas ironicamente. Tentei ignorar, mas sempre que olhava em volta, via que ele continuava me encarando.

Depois das fotos, acenderam as 18 velas e começaram a cantar "Parabéns pra você" em coro. E ao meu lado vi meu pai com seu inevitável boné escrito "Papai Legal" e tiraram algumas fotos. Minha mãe colocou uma máscara de Cleópatra, pôs uma coroa parecida na minha cabeça, e meu pai tirou o boné e colocou um adorno de Faraó. Posamos de novo, todos cantando "Parabéns" em uníssono. Pedi meus três desejos em silêncio e depois todos aplaudiram felizes.

Foi muito divertido ver meus pais assim, com aquilo na cabeça. Minha mãe, com seu cabelo liso e comprido, parecia mesmo Cleópatra. Já meu pai, custei a reconhecê-lo, acostumada que estava a vê-lo sempre com aquele boné peculiar.

Quando acabou, foram cortando os pedaços e eu fui com a coroa na cabeça até onde estava o Blas, com cara séria:

Eu: "Você poderia se retirar, por favor?"

Blas: "Do que você tem medo? De toda a informação que eu tenho? De tudo que você e a **vadia** da sua mãe fizeram comigo e com meu tio??"

Eu: "Vaza, Blas... eu sei por que tô te dizendo..."

Blas: "Eu não tenho medo ninguém... ou seu pai acha que o Barti tá feliz com o que ele fez? Sua família não sabe com quem tá se metendo...
Eu: Se você tem algo a dizer sobre mim, fala. Mas dos meus pais, não permito que fale mal deles...
Blas: Você vai se arrepender de tudo o que me fez... vai lamentar ter cortado nossa relação assim...
Eu: Mas por favor, vai embora de uma vez... - vi meu pai vindo junto com o Ezequiel na nossa direção. Segurei o Ezequiel, porque parecia que ele ia partir pra cima dele.
Pai: Fran, filha... então esse é o sobrinho do bastardo...?
Blas: E você deve ser o marido da puta e o suposto pai da puta?? Linda família de mulheres fáceis.
Pai: Não permito que fale assim da minha filha... eu sei do passado da minha mulher, mas da minha filha não acredito nisso que você diz...
Blas: Ai, meu Deus, bom homem... você acha que sua filha é sua filha?
Pai: Do que você tá falando? Claro que ela e a irmã são minhas filhas!
- Blas deu uma risada escabrosa e macabra.
Blas: Que sorte ter essa certeza de acreditar nisso, senhor... mas faça um teste e veremos se é verdade - deu meia-volta e o Ezequiel se soltou de mim e foi pro lado dele, e Blas tirou uma pistola de dentro da roupa - me toca e eu juro que vou voar a cabeça de você, da gostosa e do idiota do seu suposto sogro. Nem você nem ele vão me fazer o que fizeram com meu tio... tchau, puta... aproveita seu mísero aniversário - guardou a arma e meu pai fez um movimento, e não sei se entre os convidados que estavam perto tinha um policial amigo dele, que o segurou antes de ir embora e apreendeu das coisas dele a arma, algumas balas, e ele estava usando um colete à prova de balas. Levaram ele detido num carro particular.

Eu estava muito chocada e assustada com tudo que aconteceu. Muito pouca gente percebeu o que rolou, seja por causa da música, das luzes, ou porque estavam todos comendo em outro lugar.
Ezequiel me abraçou forte.
Eze: Ai, meu amor... o que você tava fazendo com aquele cara?
Eu: Pedi pra ele ir embora, não queria ver ele aqui... ele tinha medo de que algo fuera a suceder y casi sucede una tragedia...
Eze: — Calma... se ele tentasse puxar o gatilho, eu poderia me defender, mas preferi deixá-lo agir até ver onde ele queria chegar, porque conheço esse tipo que ameaça e não faz nada... se ele quisesse me matar, teria feito.
Eu: — Nããão... não queria que chegasse a isso... me perdoa.
Eze: — Calma... já passou. — me abraçou muito forte enquanto me acariciava.

Nisso, meu pai se aproxima.
Pai: — Fran, meu amor... você está bem?
Eu: — Sim, pai... tranquilo, estou bem...
Pai: — Minha menina... meu grande amor...
Eu: — Você acha que é verdade o que ele disse?
Pai: — Eu não tenho nenhuma dúvida de ser seu pai, meu amor... fui eu quem esteve sempre ao lado da sua mãe e de vocês em todos os momentos, e mesmo que fosse verdade o que ele diz, também não mudaria nada, porque fui eu quem sempre fez tudo por você e sua irmã... — nisso, minha mãe se aproxima.

Mãe: — O que aconteceu que estão aqui?
Pai: — Você e eu precisamos conversar sobre um probleminha que aconteceu aqui.
Mãe: — Não te entendo, amor... o que aconteceu? — meu pai foi em direção à porta de saída — O que foi que aconteceu, Fran? — Eze acariciou minhas costas e fez sinal para eu contar.

Eu: — É que o Blas, parece que é sobrinho do Barti, do Gastón... e me ameaçou que ia contar toda a verdade e ainda disse que possivelmente eu não era filha do meu pai... isso é verdade?
Mãe: — Gastón é um tremendo mentiroso... não, não é verdade nada do que aquele cara te disse...
Eu: — Eu sou filha do meu pai?
Mãe: — Claro que sim...
Eu: — Tem certeza, mãe? O pai ficou muito preocupado quando o Blas disse isso; como se sentisse que podia ser verdade o que ele falou...
Mãe: — Não, não. Tenha certeza de que você é tão filha do seu pai quanto a Guille, eu terminei com o Gastón muito tempo antes de me casar com seu pai: depois da lua de mel, engravidei de você, jurei não pensar mais no meu ex, porque eu o amei, mas te digo a verdade que com seu pai aprendi o que era o amor verdadeiro. Ele me cuidou, me respeitou, me amou, cuidou da nossa economia sem nos deixar faltar nada e deixando que eu passasse tempo com vocês, fazendo muitos sacrifícios, passando muitas horas do dia trabalhando fora de casa e chegando cansado, mas quando via vocês, você e sua irmã, o cansaço dele desaparecia. Ele nunca reclamava...
Eu: É verdade... o papai é único! Só o vi triste ou mal quando aconteceu aquilo no Uruguai, mas senão ele está sempre com um sorriso, e olha que eu já viajei com ele e ele nunca me dizia aquela frase famosa de "estou cansado"; se eu queria sair para algum lugar, ele logo dizia sim para tudo.
Mamãe: E onde está metido agora seu pai?
Eu: Não sei... não sei para onde ele foi...
Minha mãe saiu apressada para procurá-lo. Não encontrava nem ele nem o Rick, pai do Ezequiel. Tanto minha mãe quanto a mãe do Eze estavam preocupadas. Ela se ofereceu para levar a Silvia e a Ámbar, junto com os pais delas, meus avós, para o lugar onde estavam hospedados para que descansassem. Eu levei minhas tias e meu Nonno para casa e depois passaria no Ezequiel.
Ao voltar para onde tinha sido minha festa de aniversário, só restavam os responsáveis, os garçons e outros juntando e organizando tudo. Eu, preocupada, não encontrava o Ezequiel; ligava para ele e ele não respondia nem às ligações nem às mensagens.
Decidi ir embora devagar. Ao pegar o caminho da estrada que vai para a cidade, ao lado de um caminho muito esquecido, vejo um carro muito parecido com o do meu pai, de onde desciam três homens juntos e tiravam um do porta-malas, e esse estava amarrado e esses três começaram a espancá-lo. Parei mais adiante e esperei para ver se era meu pai com o Rick e o Eze.
Depois de um tempo, vejo que eles voltam para o carro, dando a volta para retornar à estrada, e ao se aproximarem, eu me inclino levemente e vejo os três indo como se estivessem comemorando algo. Eu quis saber quem eles tinham batido e olhei do meu carro e pude reconhecer pela roupa que era o Blas. Todo muito machucado, de bruços e com manchas de sangue. Eu me contive como pude ao vê-lo, mas por dentro tinha uma sensação de culpa, mas também de alívio, porque não queria que meu pai ficou marcado por algo que ele tinha dito, mas por outro lado, Blas já tinha feito muito mal. Decidi ir embora devagar, lentamente para casa, pensando se seria verdade ou não aquilo sobre Blas ser sobrinho do Barti. Escrevi pra ele: "Oi Bartolomé ou Gastón. Não consigo acreditar que você nunca me contou a verdade sobre ter parentesco com quem eu saí, e que essa pessoa quis revelar tudo no meu aniversário, querendo arruinar tanto a minha vida quanto a da minha mãe. Se um dia eu te quis e te respeitei, hoje te digo que amaldiçoo o dia em que te mandei mensagem pela minha rede social. Tomara que a gente nunca mais se cruze." Chegando em casa, vejo que meu pai estava com Ezequiel e Ricardo brindando.

Pai: — Minha coelhinha... estamos comemorando porque...

Eu: — É... eu sei. Porque o trabalho ficou bem feito, né?

Pai: — Mas você, como é que sabe...

Eu: — Eu vi, eu vi vocês três tirando um cara do porta-malas do carro e largando ele na beira da estrada... ninguém me contou porque eu mesma vi...

Pai: — Olha, love... eu não vou permitir que um desgraciado faça você passar por tudo que passou, eu sei por comentários de pessoas muito próximas que esse infeliz te fez sofrer... e bom... Dei uma boa lição nele, love...

Eu: — Não consigo comemorar uma coisa dessas, mas... estou um pouco mais tranquila.

Meu celular tocou com a notificação de uma mensagem e eu me afastei pra ler. Era do Barti: "Perdoa, preciosa, isso não tem nada a ver com você. Mas meu sobrinho ouviu a conversa que eu tive com meu outro irmão, ou seja, o tio dele, e o Blas pirou. Eu pedi, implorei pra ele não fazer nada de errado, mas já era tarde demais. Me perdoa, bonita."

Fui pro meu quarto e bloqueei ele. Com um gosto amargo, porque de novo tinha aqueles sentimentos confusos pelo amor que um dia senti pelo Barti, mas pela mentira que ele contou pra minha mãe, foi como se eu estivesse feliz pelo que aconteceu com ele e pelo que aconteceu agora com o Blas. Dessa história já se passaram uns quatro anos, viajo sempre pra Argentina, visito minha família e minhas amigas, porque tenho no Uruguai um "rebelde" que me cuida como ninguém e estamos curtindo muito ficar juntos, junto com nosso mascote, Raymundo, realizando o desejo que eu tinha desde criança. FIM!

0 comentários - Frambu e seu coquetel da vida XXIV