Sempre me senti diferente desde pequena, mesmo que quisesse esconder ou ser igual a todo mundo.
Meus pais, como faziam com todas as meninas, me davam brinquedos de mocinha, mas nunca me interessaram.
Minha irmã mais velha, um ano mais nova que eu, passava o dia inteiro brincando de ser mãe, com sua cozinha, suas panelinhas fazendo comidinhas de mentira, a gente tomava ar fingindo que era chá quentinho, ela tinha o 'Peluco', um bebê barrigudo que chorava se tirasse a chupeta e que ela não largava por nada, no mundinho dela de criança imaginava que ele tava com dor de barriga, que não conseguia dormir, que levava no médico, e isso e aquilo num mundo de fantasia.
Nos fins de semana, a gente se juntava com outras meninas da vizinhança e fazia tardes inteiras de brincadeiras de menina, muitas vezes a gente roubava os sapatos da mamãe e brincava de ser adulta.
Mas eu não me divertia naquele mundo, ficava entediada, sentia uma atração especial pelo meu irmão mais novo, Lucas, e pelo universo masculino, suspirava atrás da bola de futebol e, quando podia, escapava até o campinho onde eles se juntavam pra bater uma bola, era feliz com eles, mesmo que raramente me deixassem jogar por ser mulher, só se a sorte fizesse eles ficarem com número ímpar e precisassem de mim pra completar o time, como eu me sentia bem! E não ligava de voltar toda arranhada ou ralada, me sentia parte daquele mundo.
Mais de uma vez mamãe vinha me buscar e me arrastava pelos cabelos pra casa me chamando de 'machona' e me colocava de castigo no canto pra eu tirar essas ideias da cabeça.
Fui crescendo e meu lado masculino foi se acentuando cada vez mais, costumava espiar papai ou Lucas quando tomavam banho, era bem discreta e ficava olhando encantada aquilo que eles tinham entre as pernas e que me faltava, muitas vezes, na solidão do meu quarto, pegava várias meias e fazia uma bolinha, enfiava por baixo da minha calcinha, bem na frente, dando o formato certo.
Depois me olhava no espelho e gostava de me ver assim, mesmo sabendo que nunca teria 'aquilo' que queria ter. Me descobrir como mulher foi muito angustiante, chorei muito na minha primeira menstruação e o nascimento dos meus peitos foi algo que não pude evitar, no começo tentava escondê-los me curvando, mas para minha desgraça eles cresceram demais, na minha família somos mulheres de peitões…
E tive que ser mulher à força, porque os caras e as mulheres da minha idade desconfiavam, pelas minhas atitudes, pelo meu jeito de andar, pelas minhas amizades, pelo meu jeito de falar, notei que começava a ficar sozinha e cochichavam pelas minhas costas, então quis ser o que a sociedade me impunha que eu fosse, MULHER!
Mas os caras não me atraíam e sempre tinha uma desculpa para evitá-los…
Claire seria a mulher de quem eu roubaria meu primeiro beijo, aquele beijo que nunca se esquece…
Era uma vizinha nova que tinha chegado no bairro, tinha dezessete anos, um a mais que eu, e não sabia nada sobre mim, gostei dela assim que a conheci e abri meu coração para ela, viramos colegas primeiro, amigas depois, e éramos muito confidentes.
Claire tinha um complexo com o corpo dela, uma obsessão com a gordura abdominal, uma jovem que seria obesa em pouco tempo, então se cuidava demais para não passar do limite.
Assim começamos rotinas de treino, todas as tardes, quando o sol se punha íamos correr numa praça perto, ela sempre usava um conjunto de leggings pretas que deliciavam meus olhos, as curvas dos quadris largos dela me excitavam, embora eu mantivesse isso em segredo. Por mim, me sentia meio incomodada porque meus peitões pulavam muito com a corrida, mas com ela eu iria até o fim do mundo.
Sempre corríamos cerca de uma hora e depois nos jogávamos na grama para fazer abdominais, quantos ela quisesse, muitas vezes eu não conseguia acompanhar o ritmo e só ficava observando ela.
Claire tinha começado a namorar um cara mais velho, do colégio, e me contava em segredo todas as coisinhas que precisava contar, eu escutava com atenção, Mas, no fundo, eu lamentava o quanto eu me divertia com ela. Percebia que ela sentia por ele o que eu sentia por ela, falava dele do mesmo jeito que eu falaria dela, só pensava nele como eu só pensava nela.
Quando olhava nos olhos dela, dava pra ver como ela olhava pra ele. Notei que era do mesmo jeito que eu olhava pra ela, e percebi que ela nunca me olharia daquele jeito.
Era como se ela enfiasse punhais no meu peito. Me angustiava demais, chorava no escuro e trancava aquele love no cofre do meu coração, amarrava bem forte com correntes, escondia tudo e, no dia seguinte, voltava a ser a mulher que todo mundo queria que eu fosse.
Uma tarde de outono, a gente corria como de costume. Ela tava muito quieta naquele dia, como se estivesse presa nos próprios pensamentos. Quando começamos a rotina de abdominais, ela desabou em lágrimas. O namorado tinha terminado com ela por outra mina. Ela tava destruída. Tentei consolar, acariciava o cabelo dela enquanto minhas lágrimas escorriam pelo rosto. Não aguentava ver ela com o coração partido, não tinha consolo e minhas palavras não eram suficientes.
Foi aí que mudei de tática. Comecei a fazer cócegas na barriga dela, e ela começou a se contorcer. Continuei, ela começou a rir, e eu avancei por cima dela, como se fosse uma briga de quem era mais forte. Subi nela e segurei as mãos dela. Contemplei aquele rostinho lindo ainda molhado pelas lágrimas derramadas, o vento rodopiava as folhas secas ao nosso redor…
Sem mais, me inclinei sobre ela e encostei meus lábios nos dela. Senti a umidade, a pele delicada. Ela se esquivou, surpresa, e reclamou:
— Para, gata! O que cê tá fazendo?
Mas eu voltei com tudo, decidida, com força. Dessa vez, meti a língua na boca dela pra encontrar a dela. Senti o gosto lindo dela. Foram os segundos mais lindos que eu lembro…
Claire reagiu, me jogando pro lado e, enquanto cuspia com nojo, reclamou:
— Mas o que cê tá fazendo? Cê é louca?
Eu soube que tinha dado um passo em falso. Voltamos pra casa em silêncio, cada uma pro seu lado. Encerrada nos próprios pensamentos…
Mas naquela noite ela seria minha. Depois do jantar, fomos deitar. Eu ainda dividia o quarto com minha irmã, então esperei pacientemente no escuro até ouvi-la roncar — ela sempre roncava. Meus olhos estavam bem abertos, encarando o breu do quarto. Então comecei a beijar minha própria mão, imaginando que estava beijando ela, e que ela correspondia, devolvia meus beijos e mordiscava meus lábios. Dizia que me amava, que finalmente tinha criado coragem pra declarar seus sentimentos. A gente se revirava na praça, na grama, as folhas frágeis estalando sob nosso peso. As pontas dos meus dedos acariciavam seu rosto e secavam as últimas lágrimas por aquele amor perdido. Minhas mãos traziam paz à alma dela, deslizando pelos longos cachos do seu cabelo.
Meus mamilos estavam duros por baixo da minha camiseta curta. Salivei meus dedos e os levei até eles, acariciando meus peitos enormes como se fosse ela me tocando. Imaginei seus mamilos rosados e macios roçando nos meus. Dava pequenos beliscões nos meus botõezinhos, como se fossem os lábios dela brincando com eles. Sentia minha buceta molhada e meu clitóris inchado — tudo era muito real na minha mente. Agora eu a tinha de costas contra a grama, os peitinhos dela afundando no peito, respirando ofegante de tesão. O frio da noite eriçava os mamilos dela. Passei minha língua neles, tinham um gosto gostoso. Claire implorava pra eu não parar, queria que eu a fizesse minha. Perguntava se ela me amava, pedia pra ela repetir sem parar, e meus ouvidos se enchiam com suas palavras doces.
-Te amo, te amo, minha doce amiga, te amo como nunca amei ninguém…
Passo uma mão pela minha barriga, como se fosse a mão dela, beijo a outra de novo, como se fossem os lábios dela, imagino a fragrância do perfume dela no meu nariz, viro no colchão, fico de bruços, a mão que está na minha barriga agora desce pelo elástico da minha calcinha, vou descendo devagar, chego nos pelinhos da minha buceta, acaricio eles de leve, fico toda arrepiada, fecho os olhos com força, Claire e eu nos despimos no parque, não tem ninguém, só a luz de um poste cortando nossas silhuetas, toco os lábios da minha amada, a buceta dela é carnuda, molhada de fluídos, ela encosta a dela na minha, a gente se esfrega quente, meu clitóris inchado sente o roçar gostoso do dela, é uma delícia.
Enquanto essas imagens passam na minha cabeça, meus dedos foram ainda mais pra baixo, apertando o clitóris e acariciando ele firme, não aguentei mais, meu corpo se contraiu uma vez e outra, apertei forte meus lábios, uma onda de orgasmo invadiu meu ser, foi maravilhoso…
Não tinha noção completa do que tava rolando, tava na dúvida se alguns gemidos escaparam ou era só minha imaginação, seja como for, a tosse da minha irmã me deixou alerta, talvez eu tivesse acordado ela, talvez fosse só coincidência, senti ela murmurar umas palavras sem sentido e ranger os dentes, depois se ajeitar na cama pra voltar o silêncio de novo.
Ainda não tava satisfeita, Claire continuava na minha mente, a gente ainda tava na grama, nossos corações ainda batiam forte, tirei minha calcinha e virei de lado na cama, de novo levei a mão na minha buceta, só que agora enfiei dois dedos nela, até o fundo como se tivesse enfiado na dela, como se ela tivesse enfiado na minha.
Brincava na minha xereca, acariciando meu interior, me rasgando com ternura, imaginava lambendo a buceta dela, beijando os lábios dela, provando o gosto dela, tirava os dedos do meu buraco e enfiava na a boca, até a garganta, brincava que meu fluxo era o fluxo dela, tinha um gosto delicioso.
Pouco depois, cachoeiras de pequenos orgasmos invadiam meu corpo, eu não conseguia parar…
Enquanto não parava de brincar no fundo do meu ser, abri um pouco minhas pernas e levei meus dedos molhados para trás, cheguei ao meu esfíncter, brinquei com ele, acariciei dando voltas ao redor, como se passasse meu dedo na borda de um copo, uma e outra vez, uma e outra vez, dizia para mim mesma
-Vai, meu amor! Minha buceta é sua, não me faça esperar!
Porque agora era a Claire que avançava e me devorava, finalmente enfiei só a primeira falange no meu buraquinho traseiro, como se fosse a língua dela, entrando e saindo, entrando e saindo, até ficar exausta.
Quando a calma voltou, meu corpo ainda tremia, arrumei minha calcinha e baixei a camiseta escondendo meus peitões, rapidamente peguei no sono.
No dia seguinte, as coisas não seriam como nos meus sonhos, a Claire costumava passar na minha casa já que ficava no caminho para o parque, mas estranhamente ela tinha se atrasado, e ela era bem pontual, então meia hora depois entrei em contato pelo whatsapp e ela disse que estava passando mal, que me perdoasse mas que não iria correr, perguntei se podia ir fazer companhia, mas ela disse para não me preocupar, que logo estaria bem.
Esse mal-estar durou uma semana e, com minha insistência, voltamos a nos encontrar no parque, notei o gelo dela comigo, a distância, percebi que ela estava ali por obrigação, que algo tinha se quebrado entre nós, que eu tinha ultrapassado os limites, então quando fazíamos abdominais, quebrei o silêncio
-Claire, sobre aquela outra noite…
-Tá tudo bem, já esqueci…
-Não… é que eu preciso que você saiba…
-Meu bem, escuta aqui, eu te quero, mas como amiga, eu não posso te dar amor, não te julgo, mas entende que sou mulher e não gosto de mulheres…
A realidade mostraria que, na verdade, a Claire não me aceitaria nem como amiga, e pouco depois com o tempo, a gente parou de correr junto. Ela inventou um problema num dos joelhos, que o médico teria proibido ela de correr. Não falei nada, aos poucos fomos nos afastando. Dois meses depois, eu cortaria todo contato com ela. Por acaso, tava passando com minha irmã andando pela praça, e a Claire tava correndo com uma nova parceira, uma gordinha de cabelo curto.
A gente cruzou os olhares, ela ficou surpresa. Sorri, desviei o olhar dela. Era meu passado...
Se bem que da Claire eu só roubei um beijo, e o resto foi só fruto da minha imaginação, foi o suficiente pra me aceitar como sou e saber de que lado da calçada eu ia andar pelo resto dos meus dias...
Se você tem comentários, sugestões sobre isso, pode me escrever com o título 'SÓ UM BEIJO' para dulces.placeres@live.com
Meus pais, como faziam com todas as meninas, me davam brinquedos de mocinha, mas nunca me interessaram.
Minha irmã mais velha, um ano mais nova que eu, passava o dia inteiro brincando de ser mãe, com sua cozinha, suas panelinhas fazendo comidinhas de mentira, a gente tomava ar fingindo que era chá quentinho, ela tinha o 'Peluco', um bebê barrigudo que chorava se tirasse a chupeta e que ela não largava por nada, no mundinho dela de criança imaginava que ele tava com dor de barriga, que não conseguia dormir, que levava no médico, e isso e aquilo num mundo de fantasia.
Nos fins de semana, a gente se juntava com outras meninas da vizinhança e fazia tardes inteiras de brincadeiras de menina, muitas vezes a gente roubava os sapatos da mamãe e brincava de ser adulta.
Mas eu não me divertia naquele mundo, ficava entediada, sentia uma atração especial pelo meu irmão mais novo, Lucas, e pelo universo masculino, suspirava atrás da bola de futebol e, quando podia, escapava até o campinho onde eles se juntavam pra bater uma bola, era feliz com eles, mesmo que raramente me deixassem jogar por ser mulher, só se a sorte fizesse eles ficarem com número ímpar e precisassem de mim pra completar o time, como eu me sentia bem! E não ligava de voltar toda arranhada ou ralada, me sentia parte daquele mundo.
Mais de uma vez mamãe vinha me buscar e me arrastava pelos cabelos pra casa me chamando de 'machona' e me colocava de castigo no canto pra eu tirar essas ideias da cabeça.
Fui crescendo e meu lado masculino foi se acentuando cada vez mais, costumava espiar papai ou Lucas quando tomavam banho, era bem discreta e ficava olhando encantada aquilo que eles tinham entre as pernas e que me faltava, muitas vezes, na solidão do meu quarto, pegava várias meias e fazia uma bolinha, enfiava por baixo da minha calcinha, bem na frente, dando o formato certo.
Depois me olhava no espelho e gostava de me ver assim, mesmo sabendo que nunca teria 'aquilo' que queria ter. Me descobrir como mulher foi muito angustiante, chorei muito na minha primeira menstruação e o nascimento dos meus peitos foi algo que não pude evitar, no começo tentava escondê-los me curvando, mas para minha desgraça eles cresceram demais, na minha família somos mulheres de peitões…
E tive que ser mulher à força, porque os caras e as mulheres da minha idade desconfiavam, pelas minhas atitudes, pelo meu jeito de andar, pelas minhas amizades, pelo meu jeito de falar, notei que começava a ficar sozinha e cochichavam pelas minhas costas, então quis ser o que a sociedade me impunha que eu fosse, MULHER!
Mas os caras não me atraíam e sempre tinha uma desculpa para evitá-los…
Claire seria a mulher de quem eu roubaria meu primeiro beijo, aquele beijo que nunca se esquece…
Era uma vizinha nova que tinha chegado no bairro, tinha dezessete anos, um a mais que eu, e não sabia nada sobre mim, gostei dela assim que a conheci e abri meu coração para ela, viramos colegas primeiro, amigas depois, e éramos muito confidentes.
Claire tinha um complexo com o corpo dela, uma obsessão com a gordura abdominal, uma jovem que seria obesa em pouco tempo, então se cuidava demais para não passar do limite.
Assim começamos rotinas de treino, todas as tardes, quando o sol se punha íamos correr numa praça perto, ela sempre usava um conjunto de leggings pretas que deliciavam meus olhos, as curvas dos quadris largos dela me excitavam, embora eu mantivesse isso em segredo. Por mim, me sentia meio incomodada porque meus peitões pulavam muito com a corrida, mas com ela eu iria até o fim do mundo.
Sempre corríamos cerca de uma hora e depois nos jogávamos na grama para fazer abdominais, quantos ela quisesse, muitas vezes eu não conseguia acompanhar o ritmo e só ficava observando ela.
Claire tinha começado a namorar um cara mais velho, do colégio, e me contava em segredo todas as coisinhas que precisava contar, eu escutava com atenção, Mas, no fundo, eu lamentava o quanto eu me divertia com ela. Percebia que ela sentia por ele o que eu sentia por ela, falava dele do mesmo jeito que eu falaria dela, só pensava nele como eu só pensava nela.
Quando olhava nos olhos dela, dava pra ver como ela olhava pra ele. Notei que era do mesmo jeito que eu olhava pra ela, e percebi que ela nunca me olharia daquele jeito.
Era como se ela enfiasse punhais no meu peito. Me angustiava demais, chorava no escuro e trancava aquele love no cofre do meu coração, amarrava bem forte com correntes, escondia tudo e, no dia seguinte, voltava a ser a mulher que todo mundo queria que eu fosse.
Uma tarde de outono, a gente corria como de costume. Ela tava muito quieta naquele dia, como se estivesse presa nos próprios pensamentos. Quando começamos a rotina de abdominais, ela desabou em lágrimas. O namorado tinha terminado com ela por outra mina. Ela tava destruída. Tentei consolar, acariciava o cabelo dela enquanto minhas lágrimas escorriam pelo rosto. Não aguentava ver ela com o coração partido, não tinha consolo e minhas palavras não eram suficientes.
Foi aí que mudei de tática. Comecei a fazer cócegas na barriga dela, e ela começou a se contorcer. Continuei, ela começou a rir, e eu avancei por cima dela, como se fosse uma briga de quem era mais forte. Subi nela e segurei as mãos dela. Contemplei aquele rostinho lindo ainda molhado pelas lágrimas derramadas, o vento rodopiava as folhas secas ao nosso redor…
Sem mais, me inclinei sobre ela e encostei meus lábios nos dela. Senti a umidade, a pele delicada. Ela se esquivou, surpresa, e reclamou:
— Para, gata! O que cê tá fazendo?
Mas eu voltei com tudo, decidida, com força. Dessa vez, meti a língua na boca dela pra encontrar a dela. Senti o gosto lindo dela. Foram os segundos mais lindos que eu lembro…
Claire reagiu, me jogando pro lado e, enquanto cuspia com nojo, reclamou:
— Mas o que cê tá fazendo? Cê é louca?
Eu soube que tinha dado um passo em falso. Voltamos pra casa em silêncio, cada uma pro seu lado. Encerrada nos próprios pensamentos…
Mas naquela noite ela seria minha. Depois do jantar, fomos deitar. Eu ainda dividia o quarto com minha irmã, então esperei pacientemente no escuro até ouvi-la roncar — ela sempre roncava. Meus olhos estavam bem abertos, encarando o breu do quarto. Então comecei a beijar minha própria mão, imaginando que estava beijando ela, e que ela correspondia, devolvia meus beijos e mordiscava meus lábios. Dizia que me amava, que finalmente tinha criado coragem pra declarar seus sentimentos. A gente se revirava na praça, na grama, as folhas frágeis estalando sob nosso peso. As pontas dos meus dedos acariciavam seu rosto e secavam as últimas lágrimas por aquele amor perdido. Minhas mãos traziam paz à alma dela, deslizando pelos longos cachos do seu cabelo.
Meus mamilos estavam duros por baixo da minha camiseta curta. Salivei meus dedos e os levei até eles, acariciando meus peitos enormes como se fosse ela me tocando. Imaginei seus mamilos rosados e macios roçando nos meus. Dava pequenos beliscões nos meus botõezinhos, como se fossem os lábios dela brincando com eles. Sentia minha buceta molhada e meu clitóris inchado — tudo era muito real na minha mente. Agora eu a tinha de costas contra a grama, os peitinhos dela afundando no peito, respirando ofegante de tesão. O frio da noite eriçava os mamilos dela. Passei minha língua neles, tinham um gosto gostoso. Claire implorava pra eu não parar, queria que eu a fizesse minha. Perguntava se ela me amava, pedia pra ela repetir sem parar, e meus ouvidos se enchiam com suas palavras doces.
-Te amo, te amo, minha doce amiga, te amo como nunca amei ninguém…Passo uma mão pela minha barriga, como se fosse a mão dela, beijo a outra de novo, como se fossem os lábios dela, imagino a fragrância do perfume dela no meu nariz, viro no colchão, fico de bruços, a mão que está na minha barriga agora desce pelo elástico da minha calcinha, vou descendo devagar, chego nos pelinhos da minha buceta, acaricio eles de leve, fico toda arrepiada, fecho os olhos com força, Claire e eu nos despimos no parque, não tem ninguém, só a luz de um poste cortando nossas silhuetas, toco os lábios da minha amada, a buceta dela é carnuda, molhada de fluídos, ela encosta a dela na minha, a gente se esfrega quente, meu clitóris inchado sente o roçar gostoso do dela, é uma delícia.
Enquanto essas imagens passam na minha cabeça, meus dedos foram ainda mais pra baixo, apertando o clitóris e acariciando ele firme, não aguentei mais, meu corpo se contraiu uma vez e outra, apertei forte meus lábios, uma onda de orgasmo invadiu meu ser, foi maravilhoso…
Não tinha noção completa do que tava rolando, tava na dúvida se alguns gemidos escaparam ou era só minha imaginação, seja como for, a tosse da minha irmã me deixou alerta, talvez eu tivesse acordado ela, talvez fosse só coincidência, senti ela murmurar umas palavras sem sentido e ranger os dentes, depois se ajeitar na cama pra voltar o silêncio de novo.
Ainda não tava satisfeita, Claire continuava na minha mente, a gente ainda tava na grama, nossos corações ainda batiam forte, tirei minha calcinha e virei de lado na cama, de novo levei a mão na minha buceta, só que agora enfiei dois dedos nela, até o fundo como se tivesse enfiado na dela, como se ela tivesse enfiado na minha.
Brincava na minha xereca, acariciando meu interior, me rasgando com ternura, imaginava lambendo a buceta dela, beijando os lábios dela, provando o gosto dela, tirava os dedos do meu buraco e enfiava na a boca, até a garganta, brincava que meu fluxo era o fluxo dela, tinha um gosto delicioso.
Pouco depois, cachoeiras de pequenos orgasmos invadiam meu corpo, eu não conseguia parar…
Enquanto não parava de brincar no fundo do meu ser, abri um pouco minhas pernas e levei meus dedos molhados para trás, cheguei ao meu esfíncter, brinquei com ele, acariciei dando voltas ao redor, como se passasse meu dedo na borda de um copo, uma e outra vez, uma e outra vez, dizia para mim mesma
-Vai, meu amor! Minha buceta é sua, não me faça esperar!
Porque agora era a Claire que avançava e me devorava, finalmente enfiei só a primeira falange no meu buraquinho traseiro, como se fosse a língua dela, entrando e saindo, entrando e saindo, até ficar exausta.
Quando a calma voltou, meu corpo ainda tremia, arrumei minha calcinha e baixei a camiseta escondendo meus peitões, rapidamente peguei no sono.
No dia seguinte, as coisas não seriam como nos meus sonhos, a Claire costumava passar na minha casa já que ficava no caminho para o parque, mas estranhamente ela tinha se atrasado, e ela era bem pontual, então meia hora depois entrei em contato pelo whatsapp e ela disse que estava passando mal, que me perdoasse mas que não iria correr, perguntei se podia ir fazer companhia, mas ela disse para não me preocupar, que logo estaria bem.
Esse mal-estar durou uma semana e, com minha insistência, voltamos a nos encontrar no parque, notei o gelo dela comigo, a distância, percebi que ela estava ali por obrigação, que algo tinha se quebrado entre nós, que eu tinha ultrapassado os limites, então quando fazíamos abdominais, quebrei o silêncio
-Claire, sobre aquela outra noite…
-Tá tudo bem, já esqueci…
-Não… é que eu preciso que você saiba…
-Meu bem, escuta aqui, eu te quero, mas como amiga, eu não posso te dar amor, não te julgo, mas entende que sou mulher e não gosto de mulheres…
A realidade mostraria que, na verdade, a Claire não me aceitaria nem como amiga, e pouco depois com o tempo, a gente parou de correr junto. Ela inventou um problema num dos joelhos, que o médico teria proibido ela de correr. Não falei nada, aos poucos fomos nos afastando. Dois meses depois, eu cortaria todo contato com ela. Por acaso, tava passando com minha irmã andando pela praça, e a Claire tava correndo com uma nova parceira, uma gordinha de cabelo curto.
A gente cruzou os olhares, ela ficou surpresa. Sorri, desviei o olhar dela. Era meu passado...
Se bem que da Claire eu só roubei um beijo, e o resto foi só fruto da minha imaginação, foi o suficiente pra me aceitar como sou e saber de que lado da calçada eu ia andar pelo resto dos meus dias...
Se você tem comentários, sugestões sobre isso, pode me escrever com o título 'SÓ UM BEIJO' para dulces.placeres@live.com
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