Lendo as conversas entre os dois, nem percebi quanto tempo tinha passado. Foi quando minha mãe me chamou pra jantar que vi que lá fora já era noite. Me apressei o máximo que pude, mas sem exagerar pra não levantar suspeitas dos meus pais, e depois corri pra terminar minhas tarefas. O problema é que eu não conseguia ficar 5 minutos sem pensar no telefone da Pamela. Infelizmente, terminei na hora de ir dormir, mas obviamente o sono não vinha. Minha curiosidade era grande demais e, depois de uma hora me revirando na cama tentando achar a posição certa, decidi terminar de ler as mensagens. No dia seguinte ao suposto "só temos que conversar", começaram as mensagens logo de manhã cedo, algo incomum pra eles.
- Bom dia, meu rei
- Bom dia, gata
- Essa noite sonhei com vocês.
- Vocês?
- Já sabe, você e seu amigo de baixo.
- Kkk. Gata, você é uma foxy mesmo.
- Hihi. Sim, sou sua foxy.
- Assim que gosto de ouvir, gata.
Era evidente que no dia anterior as coisas tinham sido diferentes do que a Pamela queria, mas isso não parecia incomodar ela.
— Assim que você chegar, vou chupar essas tetas até você implorar por misericórdia.
— É o que eu espero, haha.
— Quero que se apresse, porque já estou com a pica bem dura.
— Você sabe que tenho que levar o menino pro jardim de infância, e o viadinho não larga do meu pé até eu dar tchau pra ele ir pro trabalho.
Agora Pamela chama o marido de viadinho, o mesmo que no dia anterior ela dizia amar. O que o velho fez no primeiro dia a mudou completamente. No fim, a verdadeira cara dela veio à tona.
— Esse pinto curto precisa de mais atenção que seu filho.
— Eu sei, se a gente tivesse se conhecido antes.
— A gente se conhece agora, gostosa. Nos vemos.
Depois disso, as conversas mantiveram esse tom, com os dois falando feito namorados no cio, xingando o coitado do Sergio, planejando os encontros extras e trocando fotos.
- Haha, sabe o que ele tá fazendo, o pepino?
- O que ele faz?
- De novo eu falei que tava com dor de cabeça e depois de um tempo ele se trancou no banheiro.
- Kkkk. Que idiota! Desde quando ele tá aí?
- Acabou de entrar.
- No lugar dele, eu teria te jogado na cama e aberto todos os seus buracos.
- Kkk, eu sei. Mas ele sabe bem que não é capaz.
- Pobre corno, kkk.
- Kkk, agora ele já tá saindo.
- Já saiu? Não passou nem um minuto.
- Kkk, sim, eu sei. Ele é sempre assim.
- Tem certeza que ele tava se masturbando?
- Sim. Eu ouvi a respiração ofegante dele atrás da porta.
- Kkkk, meu Deus, que ser mais patético.
- Queria estar com você agora.
- Então vou te buscar de carro.
- Pode? São oito da noite.
- Se eu falo que posso, posso. Tô aí em uns 20 minutos.
- Ok, agora ele tá na cozinha. Vou falar que a Sofia precisa de uma ajuda e me arrumar.
—Vou te partir esse rabão no meio.
—É o que eu espero, hehe.
Eu sentia pena do Sergio. Aquele homem não fazia ideia de que a esposa querida dele tava dando chifre nele com um velho, gordo, nojento, e que os dois ainda riam da cara dele enquanto faziam aquilo. Se o marido dela tivesse dado uma olhada numa única mensagem da Sofia, o coração dele teria ficado em pedaços, mas isso nunca aconteceu. Sergio era o tipo de homem que confiava na mulher, mesmo com os comportamentos evidentes de traição que a Pamela mostrava. Às vezes, parecia inacreditável que ele não percebia nada, então eu também dei uma olhada nas mensagens dele com a Pamela.
—Pamela, cadê você? Por que não atende o celular?
(Minutos depois)
—Me desculpa, Sergio, mas tava ocupada.
—Ocupada com o quê? Esqueceu que tem que buscar o Felipe?
—Não, não. Não esqueci.
—Então? A escola me ligou e disse que você ainda não buscou ele.
(Dois minutos depois)
—Pamela!!!
—Não, não esqueci. É que o ônibus não passou e tô correndo pro jardim de infância. Por isso não atendo.
—Não consegue atender, mas consegue escrever no celular?
—É que tô cansada e sem fôlego. Agora dei uma pausa pra te escrever. Já já vou ter que começar a correr de novo.
(10 minutos depois)
—Pamela, cadê você? Atende o celular!
(5 minutos depois)
—Sergio, tô te falando que tô correndo.
—Mas cadê você? Tão me ligando da escola, dizendo que o Felipe tá chorando e pedindo por você.
—Tô quase chegando... agoramesmowwdddsw
—Que???
—Digo que tô quase chegando.
—Chegando*
—Se apressa, que não gosto de ver o Felipe chorando. Assim que pegar ele, me liga.
—Não.
—Como assim, não?
—É que não consigwjdjdjw
—Que que você tá dizendo?
(4 minutos depois)
—Digo que não consigo. O teclado do celular não funciona direito e quando tava chupando a Sofia ela falou que não tava entendendo o que eu dizia.
—Falando*
—Ok, ok, mas se apressa. A gente fala à tarde.
Eu sabia perfeitamente o motivo pelo qual a Pamela não tinha conseguido ser pontual pra buscar o filho, mas o... Pobre Sérgio, não. Tenho que admitir que é foda pra um cara apaixonado igual ele desconfiar que a mina dele tá traindo, ainda mais com uma amiga chamada Sofia. Tinha mais mensagens assim entre eles, todas mencionando a Sofia.
— Amor, como cê tá? (Sem resposta por duas horas)
— O que você quer, Sérgio?
— Só queria saber como você estava.
— Tô cansada, felizão?
— Por que cansada?
— Encontrei a Sofia pra correr juntas.
— Ah, ok. Um dia desses você tem que me apresentar a Sofia, amor. Parece que ela virou sua nova melhor amiga.
— Acho que não, Sérgio.
— Por quê?
— Acho que você não caiu muito bem pra ela.
— Como assim? Mas ela nem me conhece.
— Falei de você pra ela e contei das suas crises de ciúme, de hoje e de domingo com o professor do Felipe.
— Pamela, mas já te falei que aquele cara tava olhando pro seu decote.
— Eu não vi nada, Sérgio, você é o único que viaja.
— Tô te falando que é verdade, amor. Me perdoa, ok? Vou tentar me controlar mais.
— Não é a primeira vez que você fala isso.
— Mas você também tenta não se vestir tão provocante.
— AGORA A CULPA É MINHA? É MELHOR VOCÊ NÃO FALAR COMIGO HOJE, SÉRGIO!
— Não quis dizer isso.
— Pamela? Essas últimas mensagens eram da semana passada. Dava pra ver claramente a manipulação da Pamela e a influência que a "Sofia" tinha sobre ela.
- Nossa. O que é isso, Pame?
- Desculpa, não queria te mandar, só queria perguntar pra Sofia como ficou em mim.
- Bom, eu adorei. Você tá magnífica, tesouro.
- Não importa, não vou comprar.
- O quê? Por quê?
- Você não merece.
- Já chega, Pamela. Até quando você vai ficar brava comigo? Eu já pedi desculpas.
- A gente se vê mais tarde, Sergio. Fui ver as conversas com a Sofia.

— O que você acha, papai?
— Uff, você está uma delícia, gatinha.
— Haha, obrigada.
— Qual você acha melhor?
— Gostei muito dos três.
— Mas qual eu compro?
— Compra todos. Amanhã a gente vai se divertir.
— Mmm, sim. Além disso, preciso de mais calcinha, porque você vive rasgando as minhas.
— E daí, te incomoda?
— Não, não me incomoda. Mas talvez o pepino vá perceber. Primeiro eu mandei as fotos pra ele por engano.
— Você vai saber o que dizer pra ele. E me diz, já perdoou ele?
— Ainda não. Mas hoje à noite vou dar uma trégua, porque senão o menino começa a fazer manha.
— O menino o quê?
— É que meu filho fica chateado quando a gente briga e vive pedindo pra gente parar de discutir.
— Haha. Esse pirralho precisa de alguém que ensine ele a não fazer manha.
— Ele é um bom menino, seu.
— O menino precisa que um homem de verdade ensine disciplina pra ele, não o corno do seu marido.
— Eu também preciso de disciplina, papai?
- Uff, gostosa. Se continuar me mandando essas fotos, te garanto que vou te disciplinar tanto que você não vai conseguir andar por dias. Já era tarde demais pra continuar e, embora faltasse pouco pra terminar de ler as conversas, decidi parar. Precisava dormir, mas primeiro tive a ideia de garantir meu acesso ao perfil do Facebook da Pamela pra ver o que rolava no meu tempo, já que tinha que devolver o celular. No dia seguinte, assim que saí no ônibus, sentei no lugar onde a "família feliz" se sentava e, com discrição, deixei o celular no banco e troquei de lugar. Esperei até os três subirem e observei. Foi o Sergio quem primeiro viu o celular da esposa e chamou a atenção dela. Não dava pra ouvir o que diziam, mas a Pamela parecia muito feliz por ter encontrado, feliz e aliviada. Rápido, porém, como é normal, as suspeitas a pegaram. Obviamente, aquele ônibus não era o mesmo em que subiram no dia anterior e onde ela esqueceu o celular, por isso Pamela olhou em volta preocupada, procurando o responsável por aquilo. Eu rapidamente fiz que não era nada e comecei a usar meu celular. Por sorte, ela não tinha me notado e voltou a fingir com a família. Ela sabia que qualquer um que tivesse encontrado poderia ter descoberto o segredo dela, coisa que não era conveniente pra ela. Depois da escola, em casa, me tranquei de novo no quarto pra continuar lendo as mensagens. Cheguei até o dia anterior, o dia em que a Pamela tinha deixado o celular nas minhas mãos. Não tinha mensagens do velho Hari porque com certeza ela tinha contado pra ele quando se viram naquele mesmo dia. Ao chegar em casa, comecei a fazer minhas tarefas, mas era difícil por causa da falta de concentração. Queria continuar vendo as mensagens entre Pamela e Sofia. Quando finalmente terminei, liguei meu computador e fui no Facebook da Pamela pra continuar a leitura. A linda da Pamela tinha começado a falar de novo com o velho como se nada tivesse acontecido, e dessa vez ele mandou um vídeo, o mesmo vídeo que ela fez quando eu vi vocês pela primeira vez no negócio dela.
— Dom, o senhor não tinha percebido que tinha me filmado.
— Sim, fiz isso, gatinha. Queria mostrar pros meus amigos que tipo de puta eu tô comendo. Haha. O que achou?
— O vídeo até que é legal, mas não sei, Dom. E se alguém vazar?
— Relaxa, gatinha. Vão ver só na minha câmera.
— Então tá bom.
— Perfeito. O cara precisa ver como um macho de verdade fode.
— Ele? Não era pros seus amigos?
— É pra eles sim, me enganei na hora de escrever.
Pamela não pareceu dar muita importância pra esse “erro” de digitação, mas eu acho que o velho tinha outros planos na cabeça, além do que tava falando. Era difícil pra mim continuar lendo aquela tragédia, mas ao mesmo tempo, dentro de mim, tinha uma curiosidade que eu não conseguia explicar de saber tudo que aqueles dois filhos da puta faziam pelas costas das famílias deles. Era igual quando eu via um filme de terror: saber que vou me assustar, saber que vou querer desligar a TV no meio do filme ou tampar os olhos com as mãos, mas ao mesmo tempo desejar aquela experiência, que por lógica eu não deveria desejar. Nem hoje isso faz muito sentido pra mim, mas no dia seguinte eu fiz a mesma coisa. Pamela e a família dela pareciam felizes como sempre, a escola entediante como sempre, e na volta pra casa eu tava ansioso pra ver o que os dois amantes falavam. Depois dos meus deveres, li as conversas daquele mesmo dia. Pra Pamela, levar o filho na escola e ir foder com o velho já era rotina, assim como as conversas depois.
— Acho que vou ter que trocar de calça quando chegar em casa. Tô cheia de porra.
— É sempre melhor ter a barriga cheia do que vazia, gatinha.
— Haha. O senhor é demais.
— Eu sei.
— Preciso lavar minha roupa antes do meu corno voltar.
— Ele não ia perceber nada, é burro demais.
— É, às vezes acho que talvez ele saiba da gente, mas não fala nada.
— E você gostaria?
— Do quê?
— Que ele soubesse que eu tô comendo a esposa gostosa dele.
— Sei lá. Não quero que ele sofra, mas ao mesmo tempo seria tudo mais fácil. — Se quiser, vou aí na sua casa de noite e te como na frente dele.
— Haha. Não faz essas brincadeiras.
— Por que não? Sabe que se eu quisesse, eu conseguia.
— Para de falar assim, já tô toda molhada lá embaixo.
— Então você ia gostar que eu fizesse!
— Não, sei lá. O que eu quero é continuar te comendo sem ter que me preocupar com mais nada.
— Bom, esse fim de semana a gente vai ter sua casa toda só pra gente, né?
— É, isso mesmo.
— Então se prepara que vou te dar um fim de semana que nem você nem seu corpo vão esquecer.
Os dois amantes estavam planejando ficar juntos o fim de semana inteiro? Provavelmente o Sergio ia estar fora de casa por causa do trabalho, não tinha outra explicação. Pobre Felipe. Odiava a ideia de que os dois fizessem o que fizessem com o filho dela em casa, na mesma casa que o pobre Sergio pagava, porque pelo que eu via ela não tinha emprego, só era mãe. Algo em que ela estava falhando feio. Queria contar tudo, mas não sabia quando, nem pra quem, nem por quê. Não podia negar que ser o espectador dessa novela perversa me dava mais prazer do que eu queria admitir, mas ao mesmo tempo me sentia culpado por participar daquele segredo. Não podia contar pro meu pai ou pra minha mãe ou pra outras pessoas porque teria que explicar como fiquei sabendo desse escândalo e não fazia ideia de quando faria o que não tinha certeza se ia fazer: no dia seguinte, na semana seguinte, no ano seguinte, antes de morrer. O conflito dentro de mim era inegável, mas no final me perguntei: eu queria estar no lugar do Sergio, o marido ingênuo, ou pior, no lugar do Felipe, o pobre menino que ia passar pelo menos dois dias numa casa onde a puta da mãe dele traía o pai com o sujeito mais horrível possível. Tava decidido. Tinha que salvar o Sergio, ou pelo menos o Felipe, antes que ele entendesse o que a mãe dele estava fazendo de verdade. O mais importante era fazer isso antes desse fim de semana, antes que ele ficasse traumatizado pra vida. Preciso falar com alguém que me... vai evitar ter que encarar o problema de frente. Meu pai me parecia uma boa ideia. Ele me parecia a pessoa certa pra essa função, e sendo homem também, com certeza entenderia meu instinto de fazer justiça pelo Sergio. Por isso, fui até a sala onde ele estava vendo TV enquanto minha mãe cozinhava o jantar. — Pai… — Fala, filho. — Posso te fazer uma pergunta? — Já fez, haha. Piada típica de pai, mas o humor não tava me ajudando naquele momento. — É sério, pai. — Beleza… fala. — Você… o que você faria se soubesse que duas pessoas tão fazendo uma coisa que não deviam? — Tem que ser mais específico, filho. — É… hum… se você soubesse que duas pessoas tão fazendo algo errado, algo imoral, algo que machucaria outra pessoa ou outras duas… você teria a obrigação moral de contar pra essa pessoa, né? Meu pai me olhou sem dizer nada. — Cê acha que é justo fazer isso? Contar o que você sabe, mesmo que possa causar muita dor pra alguém? — Filho, mas do que cê tá falando? — Hum… não sei como dizer. Se duas pessoas juram amor eterno e depois uma delas se envolve com outra pessoa e fazem algo que não deviam, muitas vezes, sem se importar com quem vão machucar… elas deviam saber? Tipo, as pessoas que podem ser prejudicadas por isso, deviam saber? Meu pai começou a me olhar estranho, meio nervoso ou com medo. Não sabia qual dos dois. Ele começou a suar na testa, engoliu saliva e começou a respirar mais forte. — Fi… filho… cê tá falando… cê tá falando da sua mãe? Cê quer me dizer algo sobre sua mãe? — Que? Não, não, não. Por que eu falaria da mãe? Não é ela. — AAAAH… Meu Deus, filho. Quase tive um infarto. Mas de quem caralhos cê tá falando? Meu pai pensou que eu tava falando dele e da minha mãe. Coitado. Ela nunca faria uma coisa dessas. Fiz ele se preocupar à toa. — Hum… Bom… Não importa, não importa, cê não conhece eles. — Melhor, melhor. Então me diz quem são? — Hum… são… são… são meus colegas de escola. — Seus colegas? — É… é que eu vi uma garota da minha turma que se beijava com outro da minha turma… e é isso. Os dois já têm namorados, estão de rolo com outras pessoas. —Ah, tá. E aquela história de jurar amor eterno? —Ah, sim, nada… é que… é que. Dois deles estavam muito apaixonados e juraram amor eterno na frente de todo mundo. Tipo um casamento, haha. Que besteira, né? —Hahahaha, filho, fica tranquilo. Nisso aí você não se mete. Vocês são jovens, coisas assim não têm tanta importância. Você vai entender quando crescer, mas o mais importante é que você não se meta no meio por motivo nenhum. Não é sua namorada que tá te traindo, né? —Hahaha… não, pai… não tava falando de mim. As palavras do meu pai conseguiram me acalmar naquele momento, e por um instante o peso daquela decisão já não me incomodava tanto. —Hahaha, bom, bom, filho. Eu pensei que você tava falando de alguém casado. —Hmm… e se forem casados, aí? —Se são casados, é outra história, ainda mais se tiver filho no meio. Sabe como sua mãe fala, né? Casamento é sagrado. Voltei pra situação do começo. Meu dilema moral continuava me pesando, e falar de novo com meu pai já não fazia sentido depois daquele mal-entendido todo. Não queria tentar explicar o que eu realmente queria dizer. Continua com o capítulo final.
- Bom dia, meu rei
- Bom dia, gata
- Essa noite sonhei com vocês.
- Vocês?
- Já sabe, você e seu amigo de baixo.
- Kkk. Gata, você é uma foxy mesmo.
- Hihi. Sim, sou sua foxy.
- Assim que gosto de ouvir, gata.
Era evidente que no dia anterior as coisas tinham sido diferentes do que a Pamela queria, mas isso não parecia incomodar ela.
— Assim que você chegar, vou chupar essas tetas até você implorar por misericórdia. — É o que eu espero, haha.
— Quero que se apresse, porque já estou com a pica bem dura.
— Você sabe que tenho que levar o menino pro jardim de infância, e o viadinho não larga do meu pé até eu dar tchau pra ele ir pro trabalho.
Agora Pamela chama o marido de viadinho, o mesmo que no dia anterior ela dizia amar. O que o velho fez no primeiro dia a mudou completamente. No fim, a verdadeira cara dela veio à tona.
— Esse pinto curto precisa de mais atenção que seu filho.
— Eu sei, se a gente tivesse se conhecido antes.
— A gente se conhece agora, gostosa. Nos vemos.
Depois disso, as conversas mantiveram esse tom, com os dois falando feito namorados no cio, xingando o coitado do Sergio, planejando os encontros extras e trocando fotos.
- Haha, sabe o que ele tá fazendo, o pepino? - O que ele faz?
- De novo eu falei que tava com dor de cabeça e depois de um tempo ele se trancou no banheiro.
- Kkkk. Que idiota! Desde quando ele tá aí?
- Acabou de entrar.
- No lugar dele, eu teria te jogado na cama e aberto todos os seus buracos.
- Kkk, eu sei. Mas ele sabe bem que não é capaz.
- Pobre corno, kkk.
- Kkk, agora ele já tá saindo.
- Já saiu? Não passou nem um minuto.
- Kkk, sim, eu sei. Ele é sempre assim.
- Tem certeza que ele tava se masturbando?
- Sim. Eu ouvi a respiração ofegante dele atrás da porta.
- Kkkk, meu Deus, que ser mais patético.
- Queria estar com você agora.
- Então vou te buscar de carro.
- Pode? São oito da noite.
- Se eu falo que posso, posso. Tô aí em uns 20 minutos.
- Ok, agora ele tá na cozinha. Vou falar que a Sofia precisa de uma ajuda e me arrumar.
—Vou te partir esse rabão no meio. —É o que eu espero, hehe.
Eu sentia pena do Sergio. Aquele homem não fazia ideia de que a esposa querida dele tava dando chifre nele com um velho, gordo, nojento, e que os dois ainda riam da cara dele enquanto faziam aquilo. Se o marido dela tivesse dado uma olhada numa única mensagem da Sofia, o coração dele teria ficado em pedaços, mas isso nunca aconteceu. Sergio era o tipo de homem que confiava na mulher, mesmo com os comportamentos evidentes de traição que a Pamela mostrava. Às vezes, parecia inacreditável que ele não percebia nada, então eu também dei uma olhada nas mensagens dele com a Pamela.
—Pamela, cadê você? Por que não atende o celular?
(Minutos depois)
—Me desculpa, Sergio, mas tava ocupada.
—Ocupada com o quê? Esqueceu que tem que buscar o Felipe?
—Não, não. Não esqueci.
—Então? A escola me ligou e disse que você ainda não buscou ele.
(Dois minutos depois)
—Pamela!!!
—Não, não esqueci. É que o ônibus não passou e tô correndo pro jardim de infância. Por isso não atendo.
—Não consegue atender, mas consegue escrever no celular?
—É que tô cansada e sem fôlego. Agora dei uma pausa pra te escrever. Já já vou ter que começar a correr de novo.
(10 minutos depois)
—Pamela, cadê você? Atende o celular!
(5 minutos depois)
—Sergio, tô te falando que tô correndo.
—Mas cadê você? Tão me ligando da escola, dizendo que o Felipe tá chorando e pedindo por você.
—Tô quase chegando... agoramesmowwdddsw
—Que???
—Digo que tô quase chegando.
—Chegando*
—Se apressa, que não gosto de ver o Felipe chorando. Assim que pegar ele, me liga.
—Não.
—Como assim, não?
—É que não consigwjdjdjw
—Que que você tá dizendo?
(4 minutos depois)
—Digo que não consigo. O teclado do celular não funciona direito e quando tava chupando a Sofia ela falou que não tava entendendo o que eu dizia.
—Falando*
—Ok, ok, mas se apressa. A gente fala à tarde.
Eu sabia perfeitamente o motivo pelo qual a Pamela não tinha conseguido ser pontual pra buscar o filho, mas o... Pobre Sérgio, não. Tenho que admitir que é foda pra um cara apaixonado igual ele desconfiar que a mina dele tá traindo, ainda mais com uma amiga chamada Sofia. Tinha mais mensagens assim entre eles, todas mencionando a Sofia.
— Amor, como cê tá? (Sem resposta por duas horas)
— O que você quer, Sérgio?
— Só queria saber como você estava.
— Tô cansada, felizão?
— Por que cansada?
— Encontrei a Sofia pra correr juntas.
— Ah, ok. Um dia desses você tem que me apresentar a Sofia, amor. Parece que ela virou sua nova melhor amiga.
— Acho que não, Sérgio.
— Por quê?
— Acho que você não caiu muito bem pra ela.
— Como assim? Mas ela nem me conhece.
— Falei de você pra ela e contei das suas crises de ciúme, de hoje e de domingo com o professor do Felipe.
— Pamela, mas já te falei que aquele cara tava olhando pro seu decote.
— Eu não vi nada, Sérgio, você é o único que viaja.
— Tô te falando que é verdade, amor. Me perdoa, ok? Vou tentar me controlar mais.
— Não é a primeira vez que você fala isso.
— Mas você também tenta não se vestir tão provocante.
— AGORA A CULPA É MINHA? É MELHOR VOCÊ NÃO FALAR COMIGO HOJE, SÉRGIO!
— Não quis dizer isso.
— Pamela? Essas últimas mensagens eram da semana passada. Dava pra ver claramente a manipulação da Pamela e a influência que a "Sofia" tinha sobre ela.
- Nossa. O que é isso, Pame? - Desculpa, não queria te mandar, só queria perguntar pra Sofia como ficou em mim.
- Bom, eu adorei. Você tá magnífica, tesouro.
- Não importa, não vou comprar.
- O quê? Por quê?
- Você não merece.
- Já chega, Pamela. Até quando você vai ficar brava comigo? Eu já pedi desculpas.
- A gente se vê mais tarde, Sergio. Fui ver as conversas com a Sofia.


— O que você acha, papai?— Uff, você está uma delícia, gatinha.
— Haha, obrigada.
— Qual você acha melhor?
— Gostei muito dos três.
— Mas qual eu compro?
— Compra todos. Amanhã a gente vai se divertir.
— Mmm, sim. Além disso, preciso de mais calcinha, porque você vive rasgando as minhas.
— E daí, te incomoda?
— Não, não me incomoda. Mas talvez o pepino vá perceber. Primeiro eu mandei as fotos pra ele por engano.
— Você vai saber o que dizer pra ele. E me diz, já perdoou ele?
— Ainda não. Mas hoje à noite vou dar uma trégua, porque senão o menino começa a fazer manha.
— O menino o quê?
— É que meu filho fica chateado quando a gente briga e vive pedindo pra gente parar de discutir.
— Haha. Esse pirralho precisa de alguém que ensine ele a não fazer manha.
— Ele é um bom menino, seu.
— O menino precisa que um homem de verdade ensine disciplina pra ele, não o corno do seu marido.
— Eu também preciso de disciplina, papai?
- Uff, gostosa. Se continuar me mandando essas fotos, te garanto que vou te disciplinar tanto que você não vai conseguir andar por dias. Já era tarde demais pra continuar e, embora faltasse pouco pra terminar de ler as conversas, decidi parar. Precisava dormir, mas primeiro tive a ideia de garantir meu acesso ao perfil do Facebook da Pamela pra ver o que rolava no meu tempo, já que tinha que devolver o celular. No dia seguinte, assim que saí no ônibus, sentei no lugar onde a "família feliz" se sentava e, com discrição, deixei o celular no banco e troquei de lugar. Esperei até os três subirem e observei. Foi o Sergio quem primeiro viu o celular da esposa e chamou a atenção dela. Não dava pra ouvir o que diziam, mas a Pamela parecia muito feliz por ter encontrado, feliz e aliviada. Rápido, porém, como é normal, as suspeitas a pegaram. Obviamente, aquele ônibus não era o mesmo em que subiram no dia anterior e onde ela esqueceu o celular, por isso Pamela olhou em volta preocupada, procurando o responsável por aquilo. Eu rapidamente fiz que não era nada e comecei a usar meu celular. Por sorte, ela não tinha me notado e voltou a fingir com a família. Ela sabia que qualquer um que tivesse encontrado poderia ter descoberto o segredo dela, coisa que não era conveniente pra ela. Depois da escola, em casa, me tranquei de novo no quarto pra continuar lendo as mensagens. Cheguei até o dia anterior, o dia em que a Pamela tinha deixado o celular nas minhas mãos. Não tinha mensagens do velho Hari porque com certeza ela tinha contado pra ele quando se viram naquele mesmo dia. Ao chegar em casa, comecei a fazer minhas tarefas, mas era difícil por causa da falta de concentração. Queria continuar vendo as mensagens entre Pamela e Sofia. Quando finalmente terminei, liguei meu computador e fui no Facebook da Pamela pra continuar a leitura. A linda da Pamela tinha começado a falar de novo com o velho como se nada tivesse acontecido, e dessa vez ele mandou um vídeo, o mesmo vídeo que ela fez quando eu vi vocês pela primeira vez no negócio dela.
— Dom, o senhor não tinha percebido que tinha me filmado. — Sim, fiz isso, gatinha. Queria mostrar pros meus amigos que tipo de puta eu tô comendo. Haha. O que achou?
— O vídeo até que é legal, mas não sei, Dom. E se alguém vazar?
— Relaxa, gatinha. Vão ver só na minha câmera.
— Então tá bom.
— Perfeito. O cara precisa ver como um macho de verdade fode.
— Ele? Não era pros seus amigos?
— É pra eles sim, me enganei na hora de escrever.
Pamela não pareceu dar muita importância pra esse “erro” de digitação, mas eu acho que o velho tinha outros planos na cabeça, além do que tava falando. Era difícil pra mim continuar lendo aquela tragédia, mas ao mesmo tempo, dentro de mim, tinha uma curiosidade que eu não conseguia explicar de saber tudo que aqueles dois filhos da puta faziam pelas costas das famílias deles. Era igual quando eu via um filme de terror: saber que vou me assustar, saber que vou querer desligar a TV no meio do filme ou tampar os olhos com as mãos, mas ao mesmo tempo desejar aquela experiência, que por lógica eu não deveria desejar. Nem hoje isso faz muito sentido pra mim, mas no dia seguinte eu fiz a mesma coisa. Pamela e a família dela pareciam felizes como sempre, a escola entediante como sempre, e na volta pra casa eu tava ansioso pra ver o que os dois amantes falavam. Depois dos meus deveres, li as conversas daquele mesmo dia. Pra Pamela, levar o filho na escola e ir foder com o velho já era rotina, assim como as conversas depois.
— Acho que vou ter que trocar de calça quando chegar em casa. Tô cheia de porra.
— É sempre melhor ter a barriga cheia do que vazia, gatinha.
— Haha. O senhor é demais.
— Eu sei.
— Preciso lavar minha roupa antes do meu corno voltar.
— Ele não ia perceber nada, é burro demais.
— É, às vezes acho que talvez ele saiba da gente, mas não fala nada.
— E você gostaria?
— Do quê?
— Que ele soubesse que eu tô comendo a esposa gostosa dele.
— Sei lá. Não quero que ele sofra, mas ao mesmo tempo seria tudo mais fácil. — Se quiser, vou aí na sua casa de noite e te como na frente dele.
— Haha. Não faz essas brincadeiras.
— Por que não? Sabe que se eu quisesse, eu conseguia.
— Para de falar assim, já tô toda molhada lá embaixo.
— Então você ia gostar que eu fizesse!
— Não, sei lá. O que eu quero é continuar te comendo sem ter que me preocupar com mais nada.
— Bom, esse fim de semana a gente vai ter sua casa toda só pra gente, né?
— É, isso mesmo.
— Então se prepara que vou te dar um fim de semana que nem você nem seu corpo vão esquecer.
Os dois amantes estavam planejando ficar juntos o fim de semana inteiro? Provavelmente o Sergio ia estar fora de casa por causa do trabalho, não tinha outra explicação. Pobre Felipe. Odiava a ideia de que os dois fizessem o que fizessem com o filho dela em casa, na mesma casa que o pobre Sergio pagava, porque pelo que eu via ela não tinha emprego, só era mãe. Algo em que ela estava falhando feio. Queria contar tudo, mas não sabia quando, nem pra quem, nem por quê. Não podia negar que ser o espectador dessa novela perversa me dava mais prazer do que eu queria admitir, mas ao mesmo tempo me sentia culpado por participar daquele segredo. Não podia contar pro meu pai ou pra minha mãe ou pra outras pessoas porque teria que explicar como fiquei sabendo desse escândalo e não fazia ideia de quando faria o que não tinha certeza se ia fazer: no dia seguinte, na semana seguinte, no ano seguinte, antes de morrer. O conflito dentro de mim era inegável, mas no final me perguntei: eu queria estar no lugar do Sergio, o marido ingênuo, ou pior, no lugar do Felipe, o pobre menino que ia passar pelo menos dois dias numa casa onde a puta da mãe dele traía o pai com o sujeito mais horrível possível. Tava decidido. Tinha que salvar o Sergio, ou pelo menos o Felipe, antes que ele entendesse o que a mãe dele estava fazendo de verdade. O mais importante era fazer isso antes desse fim de semana, antes que ele ficasse traumatizado pra vida. Preciso falar com alguém que me... vai evitar ter que encarar o problema de frente. Meu pai me parecia uma boa ideia. Ele me parecia a pessoa certa pra essa função, e sendo homem também, com certeza entenderia meu instinto de fazer justiça pelo Sergio. Por isso, fui até a sala onde ele estava vendo TV enquanto minha mãe cozinhava o jantar. — Pai… — Fala, filho. — Posso te fazer uma pergunta? — Já fez, haha. Piada típica de pai, mas o humor não tava me ajudando naquele momento. — É sério, pai. — Beleza… fala. — Você… o que você faria se soubesse que duas pessoas tão fazendo uma coisa que não deviam? — Tem que ser mais específico, filho. — É… hum… se você soubesse que duas pessoas tão fazendo algo errado, algo imoral, algo que machucaria outra pessoa ou outras duas… você teria a obrigação moral de contar pra essa pessoa, né? Meu pai me olhou sem dizer nada. — Cê acha que é justo fazer isso? Contar o que você sabe, mesmo que possa causar muita dor pra alguém? — Filho, mas do que cê tá falando? — Hum… não sei como dizer. Se duas pessoas juram amor eterno e depois uma delas se envolve com outra pessoa e fazem algo que não deviam, muitas vezes, sem se importar com quem vão machucar… elas deviam saber? Tipo, as pessoas que podem ser prejudicadas por isso, deviam saber? Meu pai começou a me olhar estranho, meio nervoso ou com medo. Não sabia qual dos dois. Ele começou a suar na testa, engoliu saliva e começou a respirar mais forte. — Fi… filho… cê tá falando… cê tá falando da sua mãe? Cê quer me dizer algo sobre sua mãe? — Que? Não, não, não. Por que eu falaria da mãe? Não é ela. — AAAAH… Meu Deus, filho. Quase tive um infarto. Mas de quem caralhos cê tá falando? Meu pai pensou que eu tava falando dele e da minha mãe. Coitado. Ela nunca faria uma coisa dessas. Fiz ele se preocupar à toa. — Hum… Bom… Não importa, não importa, cê não conhece eles. — Melhor, melhor. Então me diz quem são? — Hum… são… são… são meus colegas de escola. — Seus colegas? — É… é que eu vi uma garota da minha turma que se beijava com outro da minha turma… e é isso. Os dois já têm namorados, estão de rolo com outras pessoas. —Ah, tá. E aquela história de jurar amor eterno? —Ah, sim, nada… é que… é que. Dois deles estavam muito apaixonados e juraram amor eterno na frente de todo mundo. Tipo um casamento, haha. Que besteira, né? —Hahahaha, filho, fica tranquilo. Nisso aí você não se mete. Vocês são jovens, coisas assim não têm tanta importância. Você vai entender quando crescer, mas o mais importante é que você não se meta no meio por motivo nenhum. Não é sua namorada que tá te traindo, né? —Hahaha… não, pai… não tava falando de mim. As palavras do meu pai conseguiram me acalmar naquele momento, e por um instante o peso daquela decisão já não me incomodava tanto. —Hahaha, bom, bom, filho. Eu pensei que você tava falando de alguém casado. —Hmm… e se forem casados, aí? —Se são casados, é outra história, ainda mais se tiver filho no meio. Sabe como sua mãe fala, né? Casamento é sagrado. Voltei pra situação do começo. Meu dilema moral continuava me pesando, e falar de novo com meu pai já não fazia sentido depois daquele mal-entendido todo. Não queria tentar explicar o que eu realmente queria dizer. Continua com o capítulo final.
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