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![Mi Vecino Superdotado [05]. Mi Vecino Superdotado [05].](https://img-19.poringa.net/poringa/img/D/1/8/6/B/5/Nokomi/16F.jpg)
Capítulo 05.
As Reposteiras.
A confeitaria se chamava Vesúvio, e apesar de ser um lugar pequeno, tinha sido decorada com muito amor e bom gosto. Foi isso que atraiu a Silvana na primeira vez que entrou. Passou pra ela a sensação de que as donas tinham se dedicado de verdade nesse empreendimento. E o melhor foi descobrir que o Vesúvio não era só uma fachada bonita, realmente tinha umas paradas muito gostosas pra provar. A Silvana não gostava de abusar de doces ou de coisas com muita caloria, mas tava com vontade de experimentar o Chajá, uma sobremesa típica do Uruguai que tava fazendo sucesso na Argentina, e que a vizinha Sonia tinha recomendado pra ela.
Ao entrar no local, ela se surpreendeu por estar completamente vazio, e não… não era só a falta de clientes. Nem as donas estavam lá. Ela esperou uns dois minutos, admirando todos os doces e bolos nas vitrines, pensando que queria provar cada um deles. Como ninguém veio atendê-la, bateu palmas; mas não houve resposta. Intrigada, ela se aproximou da porta que ficava atrás do balcão. Estava entreaberta e, ao espiar, entendeu por que as donas não a atenderam.
A mais alta das duas, loira de olhos claros e cabelo liso, com a pele bem bronzeada, estava sentada numa poltrona, nua da cintura pra baixo e com as pernas abertas. Lembrava que essa era a que tinha se apresentado como Karina no dia em que as conheceu. A outra ele conhecia como Rocío, de cabelo preto e rebelde, uns olhos cinzas lindos e carinha de anjo. Essa mesma estava de joelhos no chão, dando uma chupada intensa na buceta da esposa dele.
O acaso fez com que Silvana entrasse bem na hora em que a buceta da Karina explodiu. Uma série de jatos de líquido transparente espirrou na cara da Rocío, que ficou toda animada com esse presente e começou a chupar com mais força e vontade, sem nem se afastar. A cara dela ficou toda coberta com esse líquido vaginal.
Karina gemia e o corpo dela tremia com força. Silvana imaginou que ela estava tendo um orgasmo intenso. Foi no meio desse processo que a loira virou a cabeça e a viu.
—Ai! —Ela gritou e se levantou na hora—. Ai… ai… desculpa, ah… uhmmm já te atendemos. Peço mil perdões.
Rocío também pareceu se assustar, mas ficou calada, olhando para a recém-chegada de olhos bem abertos.
Não, não… quem tem que pedir desculpas sou eu —disse Silvana—. Não devia ter me intrometido daquele jeito. É que… como ninguém me atendia… achei que tinha acontecido algo ruim com vocês. Fiquei assustada.
—Agradeço sua preocupação — disse Karina, com um sorrisão, nem se deu ao trabalho de cobrir a nudez. Silvana percebeu que ela tinha uma buceta muito bem definida, completamente depilada… e sem marcas de bronzeado —. Dá um minuto pra gente e a gente te atende. Não vai embora, por favor…
—Okis. Espero vocês no local.
Silvana continuou olhando as vitrines sem conseguir tirar da cabeça a imagem erótica impactante que tinha visto. Se sentia mal por ter se intrometido na intimidade daquelas duas mulheres e, embora preferisse voltar pra casa e fingir que nada tinha acontecido, sabia que fugir naquele momento só faria Karina e Rocío se sentirem muito mal. Não queria que isso acontecesse.
O casal de sapatonas saiu do quarto dos fundos, a Rocío ainda tava secando o rosto com uma toalha e a Karina tava com a calça desabotoada, dava pra ver a calcinha dela.
—Peço desculpas de novo pelo que aconteceu —disse Karina, definitivamente era a mais faladeira das duas—. A gente aproveitou um tempinho que não entrou ninguém e… bom, perdemos a noção do tempo.
—Tá bom, sem problema… acho muito bonito que vocês curtam assim o casamento de vocês. Tem gente que quando casa perde a química, mas dá pra ver que isso não acontece com vocês.
—Ah, não… de jeito nenhum. A gente transa pra caralho — disse Karina, ao mesmo tempo que soltava uma risadinha. Rocío também riu, mas ela cobriu o rosto com a toalha.
—Em que podemos te ajudar? —Perguntou Rocío, quando recuperou a compostura—. Tá procurando outro pedaço de cheesecake?
—Adoraria provar de novo —disse Silvana, fazendo um esforço pra deixar a situação o mais casual possível—. Mas dessa vez vim pelo chajá, me recomendaram muito e adoraria experimentar.
Serviram tudo o que ela pediu, e ela ainda adicionou umas porções extras porque queria que o Renzo também experimentasse. Se despediu do casal lésbico dizendo mais uma vez pra não ficarem mal pelo que aconteceu, que tinham que ficar felizes por poderem curtir o sexo daquele jeito com alguém que amam de verdade.
—--------
O chajá tinha sido espetacular, e apesar do tamanho das porções, ela comeu duas, só por ser gulosa. Depois de comer tanto doce, com certeza não podia pular a rotina diária de exercícios. Por isso, algumas horas depois, ela se preparou pra ir pra praça.
Pronta pra sair pra correr, a Silvana foi na direção do elevador, bem na hora que a porta ia fechar, ela viu a Sônia saindo do apartamento dela. A Silvana segurou a porta e deixou a vizinha entrar.
—Ai, obrigada… como odeio esperar o elevador.
—Sim, eu também —disse Silvana, enquanto começavam a descer—. Como é que tá a Sonia hoje? Ah, aliás… já experimentei o Chajá que você me falou.
—E aí, o que você achou?
—Delicioso. Comi duas porções, de tão bom que tava. Claro, é meio enjoativo, mas é de se esperar que uma sobremesa com tanta nata e doce de porra seja assim. Combina muito bem com café. Se quiser, um dia te chamo lá em casa pra tomar um café e comer chajá.
—Tá bom, aceito seu convite, mas a sobremesa eu pago, você bota o café e a casa. Eu, Silvi… —não lembrava de outra pessoa além da Sonia chamar ela de “Silvi”—. Cê tem certeza que quer sair na rua assim? Não te dá medo não?
A Silvana tava usando uma legging branca bem justinha que marcava demais a bunda dela, e também um top da mesma cor que segurava os peitos dela, deixando um decaíão bem gostoso no meio. O cabelo dela tava preso num rabo de cavalo bem apertado, o que deixava o pescoço dela à mostra, aumentando a sensação de nudez na parte de cima do corpo.
—Sim, sem problema nenhum, Sônia. Vou correr no parque Rivadavia, é aqui na esquina. Fica tranquila. O único problema que tenho é com o porteiro.
—Qual é a do Osvaldo? E aliás, ele não é porteiro, tecnicamente é o zelador do prédio.
—Porteiro, zelador… é a mesma merda. O cara fica me encarando toda vez que passo na frente dele, é um saco. E o pior é que, uns dias atrás, ele até se atreveu a passar a mão…
—Ah… ele encostou na sua bunda? Vou te contar uma parada, Silvana, pra te poupar de encrenca no futuro. Faz uns dois anos e pouco que eu tive um rolo parecido com o Osvaldo. Eu tava usando uma calça bem apertada…
—Sério?
Silvana reparou na roupa que a Sonia estava usando. Ela vestia uma calça preta elastan, mas a bunda dela estava bem escondida pela blusa, que era comprida e amarrada na altura da cintura. A blusa era vermelha e florida. Era um visual bem discreto. Silvana não conseguia imaginar a Sonia usando calças tão justas quanto as que ela mesma usava, no entanto… se ela usasse… Silvana percebeu que a vizinha na verdade estava escondendo o corpaço. Sabia que ela tinha uns cinquenta e cinco anos, era baixinha e gordinha, de pernas grossas, cintura larga… uma bunda enorme (talvez por isso a escondesse). Os peitos dela eram maiores que os da Silvana, embora não mostrassem nenhum decote. Mas, apesar de ter uns quilinhos a mais, debaixo daquela roupa de "senhora", se escondia um corpo cheio de curvas. Ela era loira tingida e o cabelo batia nos ombros, o que tirava uns anos dela. Mesmo assim, Silvana não conseguia imaginar aquela mulher saindo na rua de calça justa.
—É, não uso mais esse tipo de calça, não acho apropriadas… —deu uma olhada de canto na Silvana e ficou nervosa—. Hum… quero dizer, não são apropriadas pra uma mulher da minha idade.
—Não vejo por que não, mas tudo bem… é o corpo dela. E o que aconteceu com o Osvaldo?
—Parece que ele viu um fiozinho solto na minha calça, bem ali… na área sensível. Cê me entende. E em vez de só me avisar, tentou tirar com as mãos. Claro, eu senti aqueles dedos se mexendo por lá e me assustei. Além disso, fiquei puta da vida com ele, tanto que dei um tapa na cara dele.
—Acho que você fez bem, eu devia ter feito o mesmo quando ele me tocou daquele jeito.
—Aí é que tá o problema, Silvana… foi um erro grave bater nele. Até hoje me arrependo de ter feito isso. Depois fiquei sabendo que o senhor Osvaldo é autista…
—O quê? Osvaldo? Autista? Isso eu não… — ela ficou em silêncio no meio da frase, de repente começou a lembrar de todas as atitudes estranhas do porteiro, especialmente como ele olhava pra ela sem nenhum disfarce.
—É que a condição dela progrediu bastante, já não se nota tanto… embora ela ainda seja autista. E às vezes tem uns episódios meio sem graça.
—Como tocar em mulheres sem a permissão delas?
—Não, não… tô falando de como ele reagiu depois do tapa que eu dei. Começou a gritar que nem um maluco, saiu correndo até um canto, se jogou no chão, se encolheu todo e começou a chorar.
—Ai, meu deus…
—Foi uma das situações mais constrangedoras da minha vida. O hall começou a encher de gente tentando acalmá-lo, e eu não sabia onde me enfiar. Pra piorar, a senhora do oitavo andar começou a me xingar. Ela disse: "Como é que você tem coragem de dar um tapa numa pessoa autista?" E eu jurei que não fazia a menor ideia.
O elevador chegou ao destino, as duas mulheres saíram e caminharam pelo hall de entrada.
—Agora você vai ver como ela me olha — disse Silvana.
—Não acredito, depois do que aconteceu, o Osvaldo evita a todo custo me olhar.
Nesse caso, a Sonia tava certa, o porteiro, que sempre acompanhava a Silvana com o olhar, deu meia-volta e começou a limpar uma janela com um paninho. Não tinha nada pra limpar, era óbvio que ele tava tentando evitar elas.
—Uai… dá pra ver que o que aconteceu afetou ela pra caralho.
—Vamos andando até a praça que eu conto o resto. O episódio que o Osvaldo teve foi horrível e até hoje não consigo tirar da cabeça um homem adulto chorando num canto, desolado, como se fosse um menino assustado.
—Mas... olha só, ele tocou ela de um jeito indecente.
—Claro, foi o que eu pensei. Depois conheci o psicólogo que cuida dele quando tem essas recaídas e ele me explicou que o Osvaldo não entende muito bem indiretas, às vezes sim... outras vezes ele se confunde. Vive enfiado no mundinho dele. Por exemplo, toda manhã eu falava pra ele: "As plantas da entrada estão com as folhas amarelas". Era porque faltava água, mas ele não entendeu que eu tava pedindo pra ele regar as plantas. Achei que ele tava me tirando, até o psicólogo explicar que aquela frase, na cabeça do Osvaldo, era só uma observação. Que eu via as folhas amarelas, mas ele não sacava o subtexto por trás. Por isso, desde aquele dia, quando preciso de alguma coisa, tento falar com ele do jeito mais direto possível. Tem que falar as coisas sem rodeios.
—Ah… entendi…
—E sobre aquele negócio de tocar nas mulheres… ele nunca faz isso, a não ser que seja uma situação especial. Se ele ficasse apalpando todas as mulheres do prédio, já teria levado uma denúncia faz tempo. Me diz aí: como foi exatamente que ele te tocou?
—Hmm… O Osvaldo tava tentando me explicar que uma calça jeans ficava apertada demais em mim e que isso fazia a minha raba ficar muito marcada. Aí ele passou a mão numa das minhas nádegas… e depois me mostrou que… desculpa falar assim, Sônia, ele mostrou que a minha buceta ficava muito marcada na calça e que dava até pra ver a fenda que dividia ela no meio… e pá, passou os dedos na minha fenda.
—Ai… devia ter sido um momento muito constrangedor.
—Foi sim.
—Mas saiba que o Osvaldo não fez por ser um tarado. Aliás, o psicólogo dele me explicou que ele até tem dificuldade pra entender os conceitos do sexo. Se ele te olha, ou te toca… na mente dele, isso não tem intenção sexual.
—É difícil de entender isso.
—Sim, pra mim foi bem difícil. Mas o psicólogo dele foi muito gentil e me explicou tudo direitinho. O Osvaldo não transa com ninguém, os conceitos e as intenções sexuais passam batido na cabeça dele na maioria das vezes. Claro, é um homem adulto e alguma noção deve ter. Mas te garanto: se ele te tocou, foi sem nenhuma intenção sexual. Se o Osvaldo passou os dedos na sua buceta, na cabeça dele era só pra mostrar o problema. Igual quem pega uma porca pra mostrar que tá solta. Tô me explicando?
—Sim, agora entendo melhor. E se ela realmente não faz por maldade nem com intenções sexuais, então não seria justo dar um tapa na cara dela por isso. Principalmente considerando a condição dela.
—Exato. Se ela fizer de novo, tenta lidar com a situação melhor do que eu. Não grita com ela… e por nada nesse mundo te passa pela cabeça bater nela. O melhor é ter paciência, aguentar e pedir pra ela de forma direta, mas educada, que pare com isso.
—Já entendi. Muito obrigado por me contar isso, Sônia. Juro que eu teria virado a cara dela com um tapa se ela me tocasse daquele jeito de novo. Agora vou tentar ser mais cuidadoso.
—Muito bem, embora uma situação dessas provavelmente não se repita. Já te falei, ele não fica por aí querendo apalpar as mulheres, isso nem interessa pra ele. Se fez isso, foi por um motivo muito específico.
—Isso me deixa mais tranquila.
As duas mulheres se despediram, Sonia seguiu seu caminho e Silvana começou a trotar num passo acelerado pra aquecer os músculos, depois ia aumentar o ritmo.
Uma hora depois, ela voltou pro prédio. Vinha pensando que talvez não teria outro encontro desconfortável com o Osvaldo tão cedo, mas enquanto caminhava pro elevador, ouviu a voz do porteiro dizendo:
—Silvana, posso falar com você um instante?
Ela girou nos calcanhares e descobriu que o cara estava mais perto dela do que imaginava. Não sabia em que momento ele tinha chegado tão perto.
—Sim, claro… o que foi, Osvaldo? —De repente, se sentiu mal pelas vezes que falou com ele de forma grosseira.
—Gostaria de comentar uma coisinha com você; mas é melhor não fazer aqui, no saguão. Pode me acompanhar?
—Ah… tá…
Andaram por um dos corredores que davam no escritório da administração e em outras salas que Silvana nunca tinha visto. Chegaram até o fundo do corredor e lá o Osvaldo abriu a porta.
—Pode entrar…
Era um quartinho pequeno com uns trecos, uma escrivaninha velha, e em cima dela tinha uma chaleira e um mate. Na frente da escrivaninha, tinha uma TV de tela plana pendurada na parede, e do lado dela dava pra ver um espelhozão que ia do teto até o chão.
A Silvana não achou muito legal a ideia de entrar naquele quartinho com o Osvaldo; mas aí lembrou que ele é inofensivo e se sentiu uma idiota. Além disso, o quartinho tava bem limpo e iluminado, não era nada macabro, só simples e pequeno.
Ela entrou porque não queria deixá-lo mal. Ainda estava ofegante depois de correr por uma hora, os peitos subindo e descendo com a respiração, cobertos de pequenas gotas de suor. Osvaldo ficou olhando fixamente para aquilo, em silêncio.
—Pode me dizer por que me trouxe até aqui?
—Ah, sim… é que… queria falar sobre a sua calça.
—De novo com isso? —Antes essa pergunta teria sido feita num tom mais agressivo e desafiador. Agora soava quase condescendente—. Isso não podia ter me dito no hall? E é uma legging, não é uma calça qualquer.
—Desculpa insistir nisso. Se não fosse pelo jeito peculiar dessa legging, te garanto que não teria trazido ela até aqui.
—E aí, o que é que tem de tão especial? É uma legging… não é muito diferente das outras que já usei antes. Você só reclama toda vez que eu visto uma calça meio justa.
—É que essa legging não é "meio apertada". Ela é apertada pra caralho…
—E qual é o problema nisso? Se eu quero usar assim, uso assim… —A Silvana ficava meio nervosa com o jeito que o cara encarava as tetas dela; mas preferiu não falar nada sobre isso.
—Sim, sim… eu sei. De qualquer forma, eu não recomendaria você usar essa legging em particular de novo. Não passa uma boa imagem sua. É vulgar demais.
As bochechas da Silvana ficaram bem vermelhas. Será que aquele cara que varria a calçada do prédio estava chamando ela de vulgar?
—Pode-se saber o que é que tem de vulgar? —Dessa vez ela soou meio agressiva, o que fez Osvaldo recuar.
—Bom, é… tipo… o que acontece é que…
Ela lembrou da condição do porteiro e percebeu que tinha sido dura demais com ele. Também lembrou do conselho que a Sonia tinha dado, de ser mais direta ao falar com o Osvaldo… e mais tolerante com o jeito dele se comunicar. Respirou fundo e se preparou mentalmente pra entender que aquele homem não tinha culpa de agir de um jeito tão estranho.
—Desculpa, não quis ser grosseira —disse Silvana, já mais calma—. Olha, vamos fazer uma coisa… me explica exatamente tudo o que você considera vulgar nessa legging, tô ouvindo com atenção e prometo não me irritar.
—Tá bom —o homem também pareceu relaxar com a proposta—. Pra começar, tem que dizer que a legging marca muito a bunda dela —Osvaldo se aproximou e passou a mão na rabeta de Silvana, ela ficou tensa e teve que fazer um puta esforço pra não se irritar—. Pra piorar, você tem um rabão. Parece até que a calça foi pintada direto na pele. E essas… proporções anatômicas suas não ajudam nada.
—O que você quer dizer com isso? — perguntou Silvana, irritada.
—Ah, desculpa… falei sem pensar… não era minha intenção te ofender.
—Me ofende que você pense que eu vou me ofender se você falar a verdade. Se o que você diz é sincero, então eu aceito e pronto.
Nem ela mesma tinha certeza do que tava falando. No fundo, sabia que aquela atitude desafiadora era tipo levantar uma armadura blindada que deixava o orgulho intacto (mais ou menos).
—Tá bom, tá bom… não fica brava comigo, só tô tentando ajudar. Sobre as proporções anatômicas, é que toda essa parte aqui —deslizou dois dedos sobre a buceta da Silvana, delimitando um dos lábios vaginais— é bem inchada. Talvez mais do que o normal.
Dois dos dedos de Osvaldo percorreram um dos lábios da buceta da Silvana. Se não tivesse medo do cara ficar num canto, chorando que nem um bebê, ela teria dado uma cotovelada nele… por abusado. Era realmente difícil se convencer de que não tinha nenhuma intenção sexual naquela ação, o cara só tava se comunicando do jeito peculiar dele.
Sim, eu sei… tenho os lábios da buceta grandes… inchados, como meu namorado diria. Já aceitei isso" —falar da própria buceta com esse cara fazia o estômago dela revirar—. "Como o senhor mesmo disse, essa é a minha anatomia. Não posso mudar isso.
—Entendo, mas tem também a questão da imagem. Como a legging é tão justa, marca muito a divisão dos lábios — um dedo deslizou por toda a fenda da buceta, de baixo pra cima, Silvana tremeu. O corpo inteiro dela levou um choque elétrico potente—. Isso faz formar um… como é que chamam? Ah, sim… um “cameltoe”. Chamam assim porque…
—Sim, Osvaldo, eu sei muito bem o que é um “cameltoe”. É quando a buceta marca na calça. —Ela não gostava de ter que usar termos tão explícitos. Se o cara não tivesse tanta dificuldade pra entender indiretas, ela teria sido mais sutil. A única coisa que lhe trazia um pouco de paz e tornava essa sensação desconfortável mais tolerável, era saber que Osvaldo tinha uma certa incapacidade com conceitos sexuais, eram praticamente estranhos pra ele. Mais uma vez, Silvana teve que fazer um grande esforço pra separar a ação da intenção—. Te garanto que isso acontece só porque eu corri muito e nem percebi. Normalmente não marca tanto assim. Depois eu ajusto bem a legging e o problema tá resolvido. Não é motivo pra fazer tanto auê.
Foi quase como se ela dissesse: "Deixa minha buceta em paz". O cara estava quase encostado de lado nela, inclinado pra frente, como se quisesse chegar mais perto pra ver melhor, a cabeça dele tinha ficado na altura da barriga da Silvana, e os dedos continuavam deslizando por diferentes áreas da buceta. Do nada, ele acariciou direto a região do…
—Mmm… o clitóris.
—Como é que é, Osvaldo?
Silvana era um vulcão prestes a explodir, um pouco pela raiva contida e outro pela vergonha. Por mais que aquele cara estivesse tocando ela sem nenhuma intenção sexual, era humilhante se submeter a um exame tão direto.
—Nada… é que… me surpreende como o tecido dessa legging é fino… tanto que dá pra sentir o clitóris dela com muita facilidade, coisa que não deveria acontecer.
—Por que não? —Ela disse, tomada pela raiva e com a missão de defender seu orgulho feminino—. Não posso arrancar minha buceta antes de vestir a legging. É parte do meu corpo, vem comigo pra onde quer que eu vá.
Era realmente difícil falar enquanto tinha que aguentar as carícias daquele cara bem naquela área tão sensível. Dava pra sentir um dos dedos grossos do Osvaldo se movendo em círculos bem em cima do seu botãozinho do prazer.
Fica tranquila, Silvana —pensou ela—. Lembra que o Osvaldo não é uma pessoa normal. Ele só tá tentando te mostrar algo que pra ele é óbvio. Talvez ele nem saiba o que as mulheres sentem quando tocam o clitóris delas. Pode ser que pra ele seja a mesma coisa que tocar um cotovelo ou um joelho".
Com isso em mente, se convenceu de que o melhor era falar com ela de forma direta, sem dar tanta importância pra parada.
— Sabe, Osvaldo? Teve uma época em que eu me sentia mal pela minha bucetinha…
—Por quê?
—Pelo jeito que fica pra fora da minha buceta. Eu me sentia desconfortável se alguém visse.
—Ah, entendi. Bom, talvez não devesse marcar assim numa legging; mas não acho que seu clitóris tenha nada de errado, Silvana. Até parece bonitinho…
Simpático", ele não usou um termo como "erótico" ou "morboso". Disse simpático igual quem descreve um personagem de desenho animado. Silvana sorriu, sacando como aquele homem pensa, dava até pra levar como um elogio inocente.
—Muito obrigada, Osvaldo. —Ela achava difícil falar com naturalidade porque sentia um dos dedos deslizando por toda a extensão da sua buceta, parando especialmente no clitóris. Se perguntou se tocar uma buceta daquele jeito era uma experiência nova pra ele, talvez isso explicasse por que ele estava tão curioso—. Mas essa fase de me sentir mal pelo meu clitóris já passou. Agora tenho orgulho dele. Aceito ele como ele é.
—Acho muito bom. A gente tem que se aceitar como é.
—Muito verdade. Bom, valeu por me contar tudo isso, Osvaldo. Vou levar em conta. Agora vou nessa, porque quero tomar um banho.
—Antes de você ir, deixa eu te mostrar mais uma coisa. Vem, fica de costas pro espelho.
Silvana não entendia por que aquele quartinho tinha um espelho tão grande, mas não era hora de perguntar. Ela ficou onde Osvaldo mandou e o cara se ajoelhou ao lado dela. De repente, sentiu aqueles dedos grossos apertarem um dos lábios da buceta dela.
—Trouxe ela até aqui pra te mostrar que rasgou a calça dela. Olha, dá pra ver quase metade da buceta.
Silvana quase morreu de susto. É verdade, tinha um buraco enorme na legging que deixava bem visível um dos lábios dela, inteirinho.
—Ai, não… quero morrer. Nem percebi que tinha quebrado. E se alguém me viu na praça?
—Por isso recomendo que não use esse tipo de legging, são muito frágeis.
—Sim, sim… embora essa aqui seja um pouquinho velha. Talvez eu deva comprar umas novas.
Os dedos de Osvaldo continuavam apertando a parte da buceta dela que aparecia por fora do pano. Isso a fez tremer, mesmo que o cara não tivesse nenhuma intenção sexual, a apalpação contra a buceta era real, e ela não era imune a tanta mãozada.
—Tá bem macio, cê depila?
Um dedo acariciou a parte mais carnuda do lábio vaginal, o que deixou Silvana ainda mais tensa.
—Hã… é… sim, Osvaldo. Eu depilo…
Calma, calma… ele não faz por mal, é só porque é meio esquisitinho e não entende dessas coisas". Silvana teve que se esforçar pra manter a calma, senão já tinha mandado o porteiro pra puta que pariu. Respirou fundo de novo, se acalmou e levou tudo na esportiva, sem dar muita importância.
—Sou muito caprichosa e prefiro deixar ela sempre bem depilada. Gosto que fique assim, toda macia.
Ela virou a cabeça pra ver pelo espelho como aquele cara tava passando a mão na buceta dela pelo buraco da legging e se sentiu tão ridícula quanto envergonhada. Com certeza alguém na praça tinha notado esse pequeno acidente e levado pra casa uma imagem bem interessante, e uma anedota divertida pra contar. Várias pessoas olharam pra bunda dela enquanto ela corria; mas a Silvana já tava acostumada com isso. Agora ela temia que a maioria desses olhares fosse por causa daquele maldito buraco.
—Bem, Osvaldo… mais uma vez, muito obrigado pela sua ajuda. Vou subir pra tomar um banho e jogar essa calça no lixo.
Ela se afastou do cara e finalmente sentiu um pouco de paz. Mesmo que o Osvaldo não tivesse más intenções, ela não gostava de receber uns amassos de ninguém que não fosse o namorado dela.
—Tá bom, e tenta não usar tanto esse tipo de legging. Além disso, assim você evitaria um monte das reclamações que os outros inquilinos fazem. Isso ia facilitar muito o meu trampo, porque quem tem que dar a cara a tapa sou eu.
—Eu sei, e sinto muito por isso. Mas não vou mudar meu jeito de me vestir. Fala pros outros inquilinos, e se quiserem falar alguma coisa comigo, que venham de frente e não usem você de intermediário. São uns covardes.
—Tá bom, vou passar isso pra eles.
Silvana entendeu que a mensagem seria passada palavra por palavra, isso deixou ela meio desconfortável. Daí pensou melhor e percebeu que, se tivesse esses inquilinos na frente dela, diria exatamente a mesma coisa.
Saiu do quartinho e correu para o elevador depois que Osvaldo a chamou e garantiu que estava vazio. Graças a isso, conseguiu chegar no apartamento dela sem que ninguém a visse.
—----------
Silvana voltou pra confeitaria no dia seguinte, sentiu que se não voltasse logo, iam achar que não voltava mais, e foi exatamente isso que a Rocío falou quando viu ela entrar.
—Ai, oi Silvana… que prazer te ver de novo. Depois do que rolou ontem, a gente pensou que não ia mais te ver por aqui.
Bem nessa hora, a Karina saiu do quarto dos fundos com uma bandejona cheia de bolinhos.
—Oi Silvana, que gostoso te ver de novo, achei que…
Meninas, sério mesmo — disse Silvana, tentando tirar o peso do assunto —. Se vocês acham que vou me chocar porque vi duas pessoas transando, é porque não me conhecem.
—Bom, é que como somos duas mulheres, tem gente que acha isso meio chocante — comentou a Rocío.
—Não sou lésbica, mas não acho nada chocante duas mulheres transando... na real, acho que é um espetáculo que vale a pena ver. Até devia me sentir sortuda por ter dado uma espiadinha.
Esse comentário arrancou risadas do casal, e Karina teve que largar a bandeja de pastéis no balcão pra não derrubar.
—Você realmente acha isso? —Perguntou Rocío.
—Sim, as mulheres são os seres mais sensuais do mundo. Ver duas gostosas num ato erótico, sempre dá prazer.
—Ai, muito obrigada —disse Rocío, ficando vermelha. Silvana já tinha notado a timidez enorme dessa garota e imaginou que ela tinha passado mal ao ser pega no flagra.
—O que eu não entendo é por que vocês não ficaram com raiva de mim — disse Silvana. — Porque eu não ia gostar de ser pega num momento tão íntimo… e tão explícito. Ia me sentir muito envergonhada se um estranho tivesse visto como gozam na minha cara… devia ter sido muito humilhante pra você, Rocío.
—Foi sim, mas não importa.
—Ah, nem esquenta com isso —garantiu Karina—. Vou te contar um segredinho: Tá vendo esse docinho lindo e tímido? —Ela segurou as bochechas da esposa e as apertou de um jeito bem cômico—. Do jeito que você vê, com essa carinha de inocente… ela curte pra caralho ser humilhada. Quando você foi embora, tivemos que voltar pro quartinho dos fundos porque a putinha ficou super excitada —Rocío começou a rir e cobriu o rosto com as duas mãos—. Então não fica se martirizando, Silvana. No fim, sem querer, você nos deu uma experiência gostosa.
—Ah… bom, fico feliz que seja assim. Embora eu ache estranho que uma pessoa curta humilhação. Não tô julgando nem nada, só que isso não rola comigo, e eu tenho dificuldade de entender.
—É, muita gente não entende como isso funciona — disse Karina —, só basta você saber que a Rocío adorou quando você pegou ela de surpresa bem na hora que eu gozei na cara dela toda. Quanto mais humilhante for a situação, mais tesão ela fica.
Silvana se sentiu revigorada, percebeu que com essas mulheres podia falar de putaria de forma bem direta, porque o gelo já tinha quebrado. Logo na segunda vez que se viram, já pegou elas no flagra transando, isso ajudou pra caralho a criar um vínculo rápido de confiança e cumplicidade.
—Vem, Silvana, senta aqui do meu lado do balcão —convidou Karina—. Assim a gente bate um papo, hoje a gente vai te dar um pedaço bem generoso do que você escolher.
—Ah, aceito o convite; mas não precisa me dar nada. Eu posso pagar.
—A próxima você paga —disse Rocío—, essa é cortesia da casa.
—Mmm… tá bom, então. Seria falta de educação recusar. Muito obrigado.
Silvana sentou numa cadeira que ficava bem atrás do caixa. Naquele exato momento, entrou uma pessoa na confeitaria, uma mina com um poodle toy no colo, e um segundo depois entrou um cara magrão, meio hippie. Karina e Rocío atenderam os clientes, e Silvana esperou em silêncio. Não demorou nem dois piscares pra ela perceber que Rocío não estava usando calça. A bunda redonda e perfeita dela estava coberta só por uma pequena fio dental branca, que tinha quase sumido toda entre as nádegas.
Silvana ficou de boca aberta, imaginou que isso era algum tipo de jogo de casal bem arriscado. Não sabia exatamente como funcionava essa parada de humilhação, mas dava pra imaginar que a Karina propôs essa ideia pra esposa dela, pra as duas se divertirem um pouco.
Pra completar, depois de atender a mina do poodle toy, Rocío cobrou o cara hippie e parou bem na frente da Silvana, a poucos centímetros dela. A Silvana conseguiu analisar a bunda toda daquela mulher num close super privilegiado. Até viu como marcava a buceta dela por baixo da tanga. A Karina se aproximou da esposa na surdina e começou a acariciar a região da ppk por cima da calcinha.
Silvana se perguntou se o magrelo hippie conseguiria adivinhar o que tava rolando do outro lado do balcão; mas achou bem improvável. Desse lado do balcão dava pra ver que tava tudo tampado e, além disso, a Rocío tava usando um avental que chegava quase até os joelhos. Só a bunda dela aparecia por trás, de um jeito bem cômico… e erótico.
Quando o último cliente foi embora, Rocío e Karina sentaram nas outras duas cadeiras que estavam disponíveis naquele espaço apertado.
—Desculpa —disse Karina—. Imagino que você deve ter notado como a Rocío tá vestida, a gente queria te explicar isso; mas aí entrou gente.
—Não precisa explicar nada —disse Silvana, com um sorrisão nos lábios—, já tirei minhas próprias conclusões. Imagino que isso é parte de um joguinho entre vocês.
—É isso mesmo —disse Karina, enquanto Rocío ria nervosa—. Às vezes peço pra ela atender sem calça por um tempinho, só pra sentir o medo de ser descoberta.
—Adoro como vocês brincam um com o outro —garantiu Silvana—. Vocês formam um casal muito bom.
— Somos bem brincalhonas —disse Karina, com um sorriso safado, que fez Rocío rir de novo—. Ah, aliás… queria te agradecer por nos recomendar. Outro dia veio um cara chamado Malik, ficou encantado com um bolo que você deu pra ele e veio comprar mais.
—Conseguimos um novo cliente pra você.
—Ah, já conheceram o Malik… ele é um cara bem peculiar.
— E de onde você conhece ele?
—É jogador de futebol, do Ferro Carril Oeste. Mudou-se faz pouco tempo e foi meu jeito de dar as boas-vindas ao bairro.
—Mmm… cê não vai querer comprar de outro jeito, não?
—Ah, não, Karina… eu tenho namorado. O que acontece é que o Malik tem um estilo de vida bem peculiar. Ele é bem pica-flor, então olho aberto… bom, vocês não vão ter problema com isso, são casadas e já sabem que são sapatão. De qualquer jeito, ele já conquistou várias minas da área… e digamos que eu fico sabendo dessas atividades porque o quarto dele é bem do lado do meu… e dá pra ouvir os barulhos à noite. Reclamei algumas vezes porque não me deixava dormir; mas depois descobri que ele é um cara gente boa, pediu desculpas e disse que só quer que a gente se dê bem. Por isso que comprei o bolo pra ele.
—Ah… bom, se você tem namorado, talvez o cara não te interesse —disse Karina—. Mas uma das nossas clientas viu ele e ficou toda encantada, perguntou se a gente sabia onde ele morava, queria conhecer ele de um jeito mais íntimo.
—A gente mora num prédio aqui na esquina, no meio do quarteirão. Mas não recomendo que a mina vá visitar ele, a não ser que saiba no que vai se meter.
— Por que você diz isso? — Perguntou Rocío.
—É que… hum… vamos ver… quando levei o bolo, o Malik tava pelado. A culpa é minha, porque entrei na casa sem esperar ele me dar permissão. Mas não incomodou muito ele, diz que tá acostumado a andar assim.
—Uai… já tô vendo onde isso vai dar —disse Karina—. Será que o Malik confirma aquele boato de que os negros são bem dotados?
—Ufa… ele cumpre mesmo —dessa vez quem riu foi a Silvana—. Essa parada é descomunal —ela se sentiu à vontade pra falar do assunto, porque já tinha visto essas duas mulheres no meio do sexo.
—Uai… que medo —disse Rocío, enquanto soltava uma daquelas risadinhas nervosas dela.
—É, a verdade é que dá muito medo. Por isso eu não tenho nenhum interesse nele. Não sinto nada ao ver um pau tão grande, porque sei que essa coisa nunca ia entrar em mim. Sou bem apertada.
—Claro, entendo. Já que você tem medo, acaba com toda a putaria — comentou Karina.
—É isso aí. Além disso… sou feliz com meu namorado.
Continuaram falando de assuntos banais, como o movimento de gente no bairro, os lugares mais gostosos pra visitar e outras paradas do tipo, até que a Silvana avisou que ia vazar.
—Antes de você ir —disse Karina—, a gente vai te dar o cheesecake que prometemos.
—Sim, duas porções — disse Rocío, enquanto as servia numa bandeja.
—Ei, falaram uma. Não quero que me dêem tanto mimo.
—Você leva duas porque ainda teve que aturar ver a Rocío de bunda de fora.
—Ah, se vão me pagar com tapas toda vez que eu vejo elas em algum joguinho sexual, vou ter que vir mais vezes. Além de ver um belo espetáculo, ainda ganho um tapa de presente.
As duas minas deram risada. Depois entregaram o cheesecake já embalado e na bandeja.
—Volte quando quiser —disse Karina—, e se estiver procurando por sapatão, já sabe onde encontrar.
—Valeu, até mais.
Silvana deu dois passos para fora do negócio e parou de repente. Se perguntou se aquele último comentário tinha um duplo sentido ou não.
Todos os meus links, pra vocês poderem seguir e apoiar minhas histórias e ler os capítulos que ainda não publiquei:
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Capítulo 05.
As Reposteiras.
A confeitaria se chamava Vesúvio, e apesar de ser um lugar pequeno, tinha sido decorada com muito amor e bom gosto. Foi isso que atraiu a Silvana na primeira vez que entrou. Passou pra ela a sensação de que as donas tinham se dedicado de verdade nesse empreendimento. E o melhor foi descobrir que o Vesúvio não era só uma fachada bonita, realmente tinha umas paradas muito gostosas pra provar. A Silvana não gostava de abusar de doces ou de coisas com muita caloria, mas tava com vontade de experimentar o Chajá, uma sobremesa típica do Uruguai que tava fazendo sucesso na Argentina, e que a vizinha Sonia tinha recomendado pra ela.
Ao entrar no local, ela se surpreendeu por estar completamente vazio, e não… não era só a falta de clientes. Nem as donas estavam lá. Ela esperou uns dois minutos, admirando todos os doces e bolos nas vitrines, pensando que queria provar cada um deles. Como ninguém veio atendê-la, bateu palmas; mas não houve resposta. Intrigada, ela se aproximou da porta que ficava atrás do balcão. Estava entreaberta e, ao espiar, entendeu por que as donas não a atenderam.
A mais alta das duas, loira de olhos claros e cabelo liso, com a pele bem bronzeada, estava sentada numa poltrona, nua da cintura pra baixo e com as pernas abertas. Lembrava que essa era a que tinha se apresentado como Karina no dia em que as conheceu. A outra ele conhecia como Rocío, de cabelo preto e rebelde, uns olhos cinzas lindos e carinha de anjo. Essa mesma estava de joelhos no chão, dando uma chupada intensa na buceta da esposa dele.
O acaso fez com que Silvana entrasse bem na hora em que a buceta da Karina explodiu. Uma série de jatos de líquido transparente espirrou na cara da Rocío, que ficou toda animada com esse presente e começou a chupar com mais força e vontade, sem nem se afastar. A cara dela ficou toda coberta com esse líquido vaginal.
Karina gemia e o corpo dela tremia com força. Silvana imaginou que ela estava tendo um orgasmo intenso. Foi no meio desse processo que a loira virou a cabeça e a viu.
—Ai! —Ela gritou e se levantou na hora—. Ai… ai… desculpa, ah… uhmmm já te atendemos. Peço mil perdões.
Rocío também pareceu se assustar, mas ficou calada, olhando para a recém-chegada de olhos bem abertos.
Não, não… quem tem que pedir desculpas sou eu —disse Silvana—. Não devia ter me intrometido daquele jeito. É que… como ninguém me atendia… achei que tinha acontecido algo ruim com vocês. Fiquei assustada.
—Agradeço sua preocupação — disse Karina, com um sorrisão, nem se deu ao trabalho de cobrir a nudez. Silvana percebeu que ela tinha uma buceta muito bem definida, completamente depilada… e sem marcas de bronzeado —. Dá um minuto pra gente e a gente te atende. Não vai embora, por favor…
—Okis. Espero vocês no local.
Silvana continuou olhando as vitrines sem conseguir tirar da cabeça a imagem erótica impactante que tinha visto. Se sentia mal por ter se intrometido na intimidade daquelas duas mulheres e, embora preferisse voltar pra casa e fingir que nada tinha acontecido, sabia que fugir naquele momento só faria Karina e Rocío se sentirem muito mal. Não queria que isso acontecesse.
O casal de sapatonas saiu do quarto dos fundos, a Rocío ainda tava secando o rosto com uma toalha e a Karina tava com a calça desabotoada, dava pra ver a calcinha dela.
—Peço desculpas de novo pelo que aconteceu —disse Karina, definitivamente era a mais faladeira das duas—. A gente aproveitou um tempinho que não entrou ninguém e… bom, perdemos a noção do tempo.
—Tá bom, sem problema… acho muito bonito que vocês curtam assim o casamento de vocês. Tem gente que quando casa perde a química, mas dá pra ver que isso não acontece com vocês.
—Ah, não… de jeito nenhum. A gente transa pra caralho — disse Karina, ao mesmo tempo que soltava uma risadinha. Rocío também riu, mas ela cobriu o rosto com a toalha.
—Em que podemos te ajudar? —Perguntou Rocío, quando recuperou a compostura—. Tá procurando outro pedaço de cheesecake?
—Adoraria provar de novo —disse Silvana, fazendo um esforço pra deixar a situação o mais casual possível—. Mas dessa vez vim pelo chajá, me recomendaram muito e adoraria experimentar.
Serviram tudo o que ela pediu, e ela ainda adicionou umas porções extras porque queria que o Renzo também experimentasse. Se despediu do casal lésbico dizendo mais uma vez pra não ficarem mal pelo que aconteceu, que tinham que ficar felizes por poderem curtir o sexo daquele jeito com alguém que amam de verdade.
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O chajá tinha sido espetacular, e apesar do tamanho das porções, ela comeu duas, só por ser gulosa. Depois de comer tanto doce, com certeza não podia pular a rotina diária de exercícios. Por isso, algumas horas depois, ela se preparou pra ir pra praça.
Pronta pra sair pra correr, a Silvana foi na direção do elevador, bem na hora que a porta ia fechar, ela viu a Sônia saindo do apartamento dela. A Silvana segurou a porta e deixou a vizinha entrar.
—Ai, obrigada… como odeio esperar o elevador.
—Sim, eu também —disse Silvana, enquanto começavam a descer—. Como é que tá a Sonia hoje? Ah, aliás… já experimentei o Chajá que você me falou.
—E aí, o que você achou?
—Delicioso. Comi duas porções, de tão bom que tava. Claro, é meio enjoativo, mas é de se esperar que uma sobremesa com tanta nata e doce de porra seja assim. Combina muito bem com café. Se quiser, um dia te chamo lá em casa pra tomar um café e comer chajá.
—Tá bom, aceito seu convite, mas a sobremesa eu pago, você bota o café e a casa. Eu, Silvi… —não lembrava de outra pessoa além da Sonia chamar ela de “Silvi”—. Cê tem certeza que quer sair na rua assim? Não te dá medo não?
A Silvana tava usando uma legging branca bem justinha que marcava demais a bunda dela, e também um top da mesma cor que segurava os peitos dela, deixando um decaíão bem gostoso no meio. O cabelo dela tava preso num rabo de cavalo bem apertado, o que deixava o pescoço dela à mostra, aumentando a sensação de nudez na parte de cima do corpo.
—Sim, sem problema nenhum, Sônia. Vou correr no parque Rivadavia, é aqui na esquina. Fica tranquila. O único problema que tenho é com o porteiro.
—Qual é a do Osvaldo? E aliás, ele não é porteiro, tecnicamente é o zelador do prédio.
—Porteiro, zelador… é a mesma merda. O cara fica me encarando toda vez que passo na frente dele, é um saco. E o pior é que, uns dias atrás, ele até se atreveu a passar a mão…
—Ah… ele encostou na sua bunda? Vou te contar uma parada, Silvana, pra te poupar de encrenca no futuro. Faz uns dois anos e pouco que eu tive um rolo parecido com o Osvaldo. Eu tava usando uma calça bem apertada…
—Sério?
Silvana reparou na roupa que a Sonia estava usando. Ela vestia uma calça preta elastan, mas a bunda dela estava bem escondida pela blusa, que era comprida e amarrada na altura da cintura. A blusa era vermelha e florida. Era um visual bem discreto. Silvana não conseguia imaginar a Sonia usando calças tão justas quanto as que ela mesma usava, no entanto… se ela usasse… Silvana percebeu que a vizinha na verdade estava escondendo o corpaço. Sabia que ela tinha uns cinquenta e cinco anos, era baixinha e gordinha, de pernas grossas, cintura larga… uma bunda enorme (talvez por isso a escondesse). Os peitos dela eram maiores que os da Silvana, embora não mostrassem nenhum decote. Mas, apesar de ter uns quilinhos a mais, debaixo daquela roupa de "senhora", se escondia um corpo cheio de curvas. Ela era loira tingida e o cabelo batia nos ombros, o que tirava uns anos dela. Mesmo assim, Silvana não conseguia imaginar aquela mulher saindo na rua de calça justa.
—É, não uso mais esse tipo de calça, não acho apropriadas… —deu uma olhada de canto na Silvana e ficou nervosa—. Hum… quero dizer, não são apropriadas pra uma mulher da minha idade.
—Não vejo por que não, mas tudo bem… é o corpo dela. E o que aconteceu com o Osvaldo?
—Parece que ele viu um fiozinho solto na minha calça, bem ali… na área sensível. Cê me entende. E em vez de só me avisar, tentou tirar com as mãos. Claro, eu senti aqueles dedos se mexendo por lá e me assustei. Além disso, fiquei puta da vida com ele, tanto que dei um tapa na cara dele.
—Acho que você fez bem, eu devia ter feito o mesmo quando ele me tocou daquele jeito.
—Aí é que tá o problema, Silvana… foi um erro grave bater nele. Até hoje me arrependo de ter feito isso. Depois fiquei sabendo que o senhor Osvaldo é autista…
—O quê? Osvaldo? Autista? Isso eu não… — ela ficou em silêncio no meio da frase, de repente começou a lembrar de todas as atitudes estranhas do porteiro, especialmente como ele olhava pra ela sem nenhum disfarce.
—É que a condição dela progrediu bastante, já não se nota tanto… embora ela ainda seja autista. E às vezes tem uns episódios meio sem graça.
—Como tocar em mulheres sem a permissão delas?
—Não, não… tô falando de como ele reagiu depois do tapa que eu dei. Começou a gritar que nem um maluco, saiu correndo até um canto, se jogou no chão, se encolheu todo e começou a chorar.
—Ai, meu deus…
—Foi uma das situações mais constrangedoras da minha vida. O hall começou a encher de gente tentando acalmá-lo, e eu não sabia onde me enfiar. Pra piorar, a senhora do oitavo andar começou a me xingar. Ela disse: "Como é que você tem coragem de dar um tapa numa pessoa autista?" E eu jurei que não fazia a menor ideia.
O elevador chegou ao destino, as duas mulheres saíram e caminharam pelo hall de entrada.
—Agora você vai ver como ela me olha — disse Silvana.
—Não acredito, depois do que aconteceu, o Osvaldo evita a todo custo me olhar.
Nesse caso, a Sonia tava certa, o porteiro, que sempre acompanhava a Silvana com o olhar, deu meia-volta e começou a limpar uma janela com um paninho. Não tinha nada pra limpar, era óbvio que ele tava tentando evitar elas.
—Uai… dá pra ver que o que aconteceu afetou ela pra caralho.
—Vamos andando até a praça que eu conto o resto. O episódio que o Osvaldo teve foi horrível e até hoje não consigo tirar da cabeça um homem adulto chorando num canto, desolado, como se fosse um menino assustado.
—Mas... olha só, ele tocou ela de um jeito indecente.
—Claro, foi o que eu pensei. Depois conheci o psicólogo que cuida dele quando tem essas recaídas e ele me explicou que o Osvaldo não entende muito bem indiretas, às vezes sim... outras vezes ele se confunde. Vive enfiado no mundinho dele. Por exemplo, toda manhã eu falava pra ele: "As plantas da entrada estão com as folhas amarelas". Era porque faltava água, mas ele não entendeu que eu tava pedindo pra ele regar as plantas. Achei que ele tava me tirando, até o psicólogo explicar que aquela frase, na cabeça do Osvaldo, era só uma observação. Que eu via as folhas amarelas, mas ele não sacava o subtexto por trás. Por isso, desde aquele dia, quando preciso de alguma coisa, tento falar com ele do jeito mais direto possível. Tem que falar as coisas sem rodeios.
—Ah… entendi…
—E sobre aquele negócio de tocar nas mulheres… ele nunca faz isso, a não ser que seja uma situação especial. Se ele ficasse apalpando todas as mulheres do prédio, já teria levado uma denúncia faz tempo. Me diz aí: como foi exatamente que ele te tocou?
—Hmm… O Osvaldo tava tentando me explicar que uma calça jeans ficava apertada demais em mim e que isso fazia a minha raba ficar muito marcada. Aí ele passou a mão numa das minhas nádegas… e depois me mostrou que… desculpa falar assim, Sônia, ele mostrou que a minha buceta ficava muito marcada na calça e que dava até pra ver a fenda que dividia ela no meio… e pá, passou os dedos na minha fenda.
—Ai… devia ter sido um momento muito constrangedor.
—Foi sim.
—Mas saiba que o Osvaldo não fez por ser um tarado. Aliás, o psicólogo dele me explicou que ele até tem dificuldade pra entender os conceitos do sexo. Se ele te olha, ou te toca… na mente dele, isso não tem intenção sexual.
—É difícil de entender isso.
—Sim, pra mim foi bem difícil. Mas o psicólogo dele foi muito gentil e me explicou tudo direitinho. O Osvaldo não transa com ninguém, os conceitos e as intenções sexuais passam batido na cabeça dele na maioria das vezes. Claro, é um homem adulto e alguma noção deve ter. Mas te garanto: se ele te tocou, foi sem nenhuma intenção sexual. Se o Osvaldo passou os dedos na sua buceta, na cabeça dele era só pra mostrar o problema. Igual quem pega uma porca pra mostrar que tá solta. Tô me explicando?
—Sim, agora entendo melhor. E se ela realmente não faz por maldade nem com intenções sexuais, então não seria justo dar um tapa na cara dela por isso. Principalmente considerando a condição dela.
—Exato. Se ela fizer de novo, tenta lidar com a situação melhor do que eu. Não grita com ela… e por nada nesse mundo te passa pela cabeça bater nela. O melhor é ter paciência, aguentar e pedir pra ela de forma direta, mas educada, que pare com isso.
—Já entendi. Muito obrigado por me contar isso, Sônia. Juro que eu teria virado a cara dela com um tapa se ela me tocasse daquele jeito de novo. Agora vou tentar ser mais cuidadoso.
—Muito bem, embora uma situação dessas provavelmente não se repita. Já te falei, ele não fica por aí querendo apalpar as mulheres, isso nem interessa pra ele. Se fez isso, foi por um motivo muito específico.
—Isso me deixa mais tranquila.
As duas mulheres se despediram, Sonia seguiu seu caminho e Silvana começou a trotar num passo acelerado pra aquecer os músculos, depois ia aumentar o ritmo.
Uma hora depois, ela voltou pro prédio. Vinha pensando que talvez não teria outro encontro desconfortável com o Osvaldo tão cedo, mas enquanto caminhava pro elevador, ouviu a voz do porteiro dizendo:
—Silvana, posso falar com você um instante?
Ela girou nos calcanhares e descobriu que o cara estava mais perto dela do que imaginava. Não sabia em que momento ele tinha chegado tão perto.
—Sim, claro… o que foi, Osvaldo? —De repente, se sentiu mal pelas vezes que falou com ele de forma grosseira.
—Gostaria de comentar uma coisinha com você; mas é melhor não fazer aqui, no saguão. Pode me acompanhar?
—Ah… tá…
Andaram por um dos corredores que davam no escritório da administração e em outras salas que Silvana nunca tinha visto. Chegaram até o fundo do corredor e lá o Osvaldo abriu a porta.
—Pode entrar…
Era um quartinho pequeno com uns trecos, uma escrivaninha velha, e em cima dela tinha uma chaleira e um mate. Na frente da escrivaninha, tinha uma TV de tela plana pendurada na parede, e do lado dela dava pra ver um espelhozão que ia do teto até o chão.
A Silvana não achou muito legal a ideia de entrar naquele quartinho com o Osvaldo; mas aí lembrou que ele é inofensivo e se sentiu uma idiota. Além disso, o quartinho tava bem limpo e iluminado, não era nada macabro, só simples e pequeno.
Ela entrou porque não queria deixá-lo mal. Ainda estava ofegante depois de correr por uma hora, os peitos subindo e descendo com a respiração, cobertos de pequenas gotas de suor. Osvaldo ficou olhando fixamente para aquilo, em silêncio.
—Pode me dizer por que me trouxe até aqui?
—Ah, sim… é que… queria falar sobre a sua calça.
—De novo com isso? —Antes essa pergunta teria sido feita num tom mais agressivo e desafiador. Agora soava quase condescendente—. Isso não podia ter me dito no hall? E é uma legging, não é uma calça qualquer.
—Desculpa insistir nisso. Se não fosse pelo jeito peculiar dessa legging, te garanto que não teria trazido ela até aqui.
—E aí, o que é que tem de tão especial? É uma legging… não é muito diferente das outras que já usei antes. Você só reclama toda vez que eu visto uma calça meio justa.
—É que essa legging não é "meio apertada". Ela é apertada pra caralho…
—E qual é o problema nisso? Se eu quero usar assim, uso assim… —A Silvana ficava meio nervosa com o jeito que o cara encarava as tetas dela; mas preferiu não falar nada sobre isso.
—Sim, sim… eu sei. De qualquer forma, eu não recomendaria você usar essa legging em particular de novo. Não passa uma boa imagem sua. É vulgar demais.
As bochechas da Silvana ficaram bem vermelhas. Será que aquele cara que varria a calçada do prédio estava chamando ela de vulgar?
—Pode-se saber o que é que tem de vulgar? —Dessa vez ela soou meio agressiva, o que fez Osvaldo recuar.
—Bom, é… tipo… o que acontece é que…
Ela lembrou da condição do porteiro e percebeu que tinha sido dura demais com ele. Também lembrou do conselho que a Sonia tinha dado, de ser mais direta ao falar com o Osvaldo… e mais tolerante com o jeito dele se comunicar. Respirou fundo e se preparou mentalmente pra entender que aquele homem não tinha culpa de agir de um jeito tão estranho.
—Desculpa, não quis ser grosseira —disse Silvana, já mais calma—. Olha, vamos fazer uma coisa… me explica exatamente tudo o que você considera vulgar nessa legging, tô ouvindo com atenção e prometo não me irritar.
—Tá bom —o homem também pareceu relaxar com a proposta—. Pra começar, tem que dizer que a legging marca muito a bunda dela —Osvaldo se aproximou e passou a mão na rabeta de Silvana, ela ficou tensa e teve que fazer um puta esforço pra não se irritar—. Pra piorar, você tem um rabão. Parece até que a calça foi pintada direto na pele. E essas… proporções anatômicas suas não ajudam nada.
—O que você quer dizer com isso? — perguntou Silvana, irritada.
—Ah, desculpa… falei sem pensar… não era minha intenção te ofender.
—Me ofende que você pense que eu vou me ofender se você falar a verdade. Se o que você diz é sincero, então eu aceito e pronto.
Nem ela mesma tinha certeza do que tava falando. No fundo, sabia que aquela atitude desafiadora era tipo levantar uma armadura blindada que deixava o orgulho intacto (mais ou menos).
—Tá bom, tá bom… não fica brava comigo, só tô tentando ajudar. Sobre as proporções anatômicas, é que toda essa parte aqui —deslizou dois dedos sobre a buceta da Silvana, delimitando um dos lábios vaginais— é bem inchada. Talvez mais do que o normal.
Dois dos dedos de Osvaldo percorreram um dos lábios da buceta da Silvana. Se não tivesse medo do cara ficar num canto, chorando que nem um bebê, ela teria dado uma cotovelada nele… por abusado. Era realmente difícil se convencer de que não tinha nenhuma intenção sexual naquela ação, o cara só tava se comunicando do jeito peculiar dele.
Sim, eu sei… tenho os lábios da buceta grandes… inchados, como meu namorado diria. Já aceitei isso" —falar da própria buceta com esse cara fazia o estômago dela revirar—. "Como o senhor mesmo disse, essa é a minha anatomia. Não posso mudar isso.
—Entendo, mas tem também a questão da imagem. Como a legging é tão justa, marca muito a divisão dos lábios — um dedo deslizou por toda a fenda da buceta, de baixo pra cima, Silvana tremeu. O corpo inteiro dela levou um choque elétrico potente—. Isso faz formar um… como é que chamam? Ah, sim… um “cameltoe”. Chamam assim porque…
—Sim, Osvaldo, eu sei muito bem o que é um “cameltoe”. É quando a buceta marca na calça. —Ela não gostava de ter que usar termos tão explícitos. Se o cara não tivesse tanta dificuldade pra entender indiretas, ela teria sido mais sutil. A única coisa que lhe trazia um pouco de paz e tornava essa sensação desconfortável mais tolerável, era saber que Osvaldo tinha uma certa incapacidade com conceitos sexuais, eram praticamente estranhos pra ele. Mais uma vez, Silvana teve que fazer um grande esforço pra separar a ação da intenção—. Te garanto que isso acontece só porque eu corri muito e nem percebi. Normalmente não marca tanto assim. Depois eu ajusto bem a legging e o problema tá resolvido. Não é motivo pra fazer tanto auê.
Foi quase como se ela dissesse: "Deixa minha buceta em paz". O cara estava quase encostado de lado nela, inclinado pra frente, como se quisesse chegar mais perto pra ver melhor, a cabeça dele tinha ficado na altura da barriga da Silvana, e os dedos continuavam deslizando por diferentes áreas da buceta. Do nada, ele acariciou direto a região do…
—Mmm… o clitóris.
—Como é que é, Osvaldo?
Silvana era um vulcão prestes a explodir, um pouco pela raiva contida e outro pela vergonha. Por mais que aquele cara estivesse tocando ela sem nenhuma intenção sexual, era humilhante se submeter a um exame tão direto.
—Nada… é que… me surpreende como o tecido dessa legging é fino… tanto que dá pra sentir o clitóris dela com muita facilidade, coisa que não deveria acontecer.
—Por que não? —Ela disse, tomada pela raiva e com a missão de defender seu orgulho feminino—. Não posso arrancar minha buceta antes de vestir a legging. É parte do meu corpo, vem comigo pra onde quer que eu vá.
Era realmente difícil falar enquanto tinha que aguentar as carícias daquele cara bem naquela área tão sensível. Dava pra sentir um dos dedos grossos do Osvaldo se movendo em círculos bem em cima do seu botãozinho do prazer.
Fica tranquila, Silvana —pensou ela—. Lembra que o Osvaldo não é uma pessoa normal. Ele só tá tentando te mostrar algo que pra ele é óbvio. Talvez ele nem saiba o que as mulheres sentem quando tocam o clitóris delas. Pode ser que pra ele seja a mesma coisa que tocar um cotovelo ou um joelho".
Com isso em mente, se convenceu de que o melhor era falar com ela de forma direta, sem dar tanta importância pra parada.
— Sabe, Osvaldo? Teve uma época em que eu me sentia mal pela minha bucetinha…
—Por quê?
—Pelo jeito que fica pra fora da minha buceta. Eu me sentia desconfortável se alguém visse.
—Ah, entendi. Bom, talvez não devesse marcar assim numa legging; mas não acho que seu clitóris tenha nada de errado, Silvana. Até parece bonitinho…
Simpático", ele não usou um termo como "erótico" ou "morboso". Disse simpático igual quem descreve um personagem de desenho animado. Silvana sorriu, sacando como aquele homem pensa, dava até pra levar como um elogio inocente.
—Muito obrigada, Osvaldo. —Ela achava difícil falar com naturalidade porque sentia um dos dedos deslizando por toda a extensão da sua buceta, parando especialmente no clitóris. Se perguntou se tocar uma buceta daquele jeito era uma experiência nova pra ele, talvez isso explicasse por que ele estava tão curioso—. Mas essa fase de me sentir mal pelo meu clitóris já passou. Agora tenho orgulho dele. Aceito ele como ele é.
—Acho muito bom. A gente tem que se aceitar como é.
—Muito verdade. Bom, valeu por me contar tudo isso, Osvaldo. Vou levar em conta. Agora vou nessa, porque quero tomar um banho.
—Antes de você ir, deixa eu te mostrar mais uma coisa. Vem, fica de costas pro espelho.
Silvana não entendia por que aquele quartinho tinha um espelho tão grande, mas não era hora de perguntar. Ela ficou onde Osvaldo mandou e o cara se ajoelhou ao lado dela. De repente, sentiu aqueles dedos grossos apertarem um dos lábios da buceta dela.
—Trouxe ela até aqui pra te mostrar que rasgou a calça dela. Olha, dá pra ver quase metade da buceta.
Silvana quase morreu de susto. É verdade, tinha um buraco enorme na legging que deixava bem visível um dos lábios dela, inteirinho.
—Ai, não… quero morrer. Nem percebi que tinha quebrado. E se alguém me viu na praça?
—Por isso recomendo que não use esse tipo de legging, são muito frágeis.
—Sim, sim… embora essa aqui seja um pouquinho velha. Talvez eu deva comprar umas novas.
Os dedos de Osvaldo continuavam apertando a parte da buceta dela que aparecia por fora do pano. Isso a fez tremer, mesmo que o cara não tivesse nenhuma intenção sexual, a apalpação contra a buceta era real, e ela não era imune a tanta mãozada.
—Tá bem macio, cê depila?
Um dedo acariciou a parte mais carnuda do lábio vaginal, o que deixou Silvana ainda mais tensa.
—Hã… é… sim, Osvaldo. Eu depilo…
Calma, calma… ele não faz por mal, é só porque é meio esquisitinho e não entende dessas coisas". Silvana teve que se esforçar pra manter a calma, senão já tinha mandado o porteiro pra puta que pariu. Respirou fundo de novo, se acalmou e levou tudo na esportiva, sem dar muita importância.
—Sou muito caprichosa e prefiro deixar ela sempre bem depilada. Gosto que fique assim, toda macia.
Ela virou a cabeça pra ver pelo espelho como aquele cara tava passando a mão na buceta dela pelo buraco da legging e se sentiu tão ridícula quanto envergonhada. Com certeza alguém na praça tinha notado esse pequeno acidente e levado pra casa uma imagem bem interessante, e uma anedota divertida pra contar. Várias pessoas olharam pra bunda dela enquanto ela corria; mas a Silvana já tava acostumada com isso. Agora ela temia que a maioria desses olhares fosse por causa daquele maldito buraco.
—Bem, Osvaldo… mais uma vez, muito obrigado pela sua ajuda. Vou subir pra tomar um banho e jogar essa calça no lixo.
Ela se afastou do cara e finalmente sentiu um pouco de paz. Mesmo que o Osvaldo não tivesse más intenções, ela não gostava de receber uns amassos de ninguém que não fosse o namorado dela.
—Tá bom, e tenta não usar tanto esse tipo de legging. Além disso, assim você evitaria um monte das reclamações que os outros inquilinos fazem. Isso ia facilitar muito o meu trampo, porque quem tem que dar a cara a tapa sou eu.
—Eu sei, e sinto muito por isso. Mas não vou mudar meu jeito de me vestir. Fala pros outros inquilinos, e se quiserem falar alguma coisa comigo, que venham de frente e não usem você de intermediário. São uns covardes.
—Tá bom, vou passar isso pra eles.
Silvana entendeu que a mensagem seria passada palavra por palavra, isso deixou ela meio desconfortável. Daí pensou melhor e percebeu que, se tivesse esses inquilinos na frente dela, diria exatamente a mesma coisa.
Saiu do quartinho e correu para o elevador depois que Osvaldo a chamou e garantiu que estava vazio. Graças a isso, conseguiu chegar no apartamento dela sem que ninguém a visse.
—----------
Silvana voltou pra confeitaria no dia seguinte, sentiu que se não voltasse logo, iam achar que não voltava mais, e foi exatamente isso que a Rocío falou quando viu ela entrar.
—Ai, oi Silvana… que prazer te ver de novo. Depois do que rolou ontem, a gente pensou que não ia mais te ver por aqui.
Bem nessa hora, a Karina saiu do quarto dos fundos com uma bandejona cheia de bolinhos.
—Oi Silvana, que gostoso te ver de novo, achei que…
Meninas, sério mesmo — disse Silvana, tentando tirar o peso do assunto —. Se vocês acham que vou me chocar porque vi duas pessoas transando, é porque não me conhecem.
—Bom, é que como somos duas mulheres, tem gente que acha isso meio chocante — comentou a Rocío.
—Não sou lésbica, mas não acho nada chocante duas mulheres transando... na real, acho que é um espetáculo que vale a pena ver. Até devia me sentir sortuda por ter dado uma espiadinha.
Esse comentário arrancou risadas do casal, e Karina teve que largar a bandeja de pastéis no balcão pra não derrubar.
—Você realmente acha isso? —Perguntou Rocío.
—Sim, as mulheres são os seres mais sensuais do mundo. Ver duas gostosas num ato erótico, sempre dá prazer.
—Ai, muito obrigada —disse Rocío, ficando vermelha. Silvana já tinha notado a timidez enorme dessa garota e imaginou que ela tinha passado mal ao ser pega no flagra.
—O que eu não entendo é por que vocês não ficaram com raiva de mim — disse Silvana. — Porque eu não ia gostar de ser pega num momento tão íntimo… e tão explícito. Ia me sentir muito envergonhada se um estranho tivesse visto como gozam na minha cara… devia ter sido muito humilhante pra você, Rocío.
—Foi sim, mas não importa.
—Ah, nem esquenta com isso —garantiu Karina—. Vou te contar um segredinho: Tá vendo esse docinho lindo e tímido? —Ela segurou as bochechas da esposa e as apertou de um jeito bem cômico—. Do jeito que você vê, com essa carinha de inocente… ela curte pra caralho ser humilhada. Quando você foi embora, tivemos que voltar pro quartinho dos fundos porque a putinha ficou super excitada —Rocío começou a rir e cobriu o rosto com as duas mãos—. Então não fica se martirizando, Silvana. No fim, sem querer, você nos deu uma experiência gostosa.
—Ah… bom, fico feliz que seja assim. Embora eu ache estranho que uma pessoa curta humilhação. Não tô julgando nem nada, só que isso não rola comigo, e eu tenho dificuldade de entender.
—É, muita gente não entende como isso funciona — disse Karina —, só basta você saber que a Rocío adorou quando você pegou ela de surpresa bem na hora que eu gozei na cara dela toda. Quanto mais humilhante for a situação, mais tesão ela fica.
Silvana se sentiu revigorada, percebeu que com essas mulheres podia falar de putaria de forma bem direta, porque o gelo já tinha quebrado. Logo na segunda vez que se viram, já pegou elas no flagra transando, isso ajudou pra caralho a criar um vínculo rápido de confiança e cumplicidade.
—Vem, Silvana, senta aqui do meu lado do balcão —convidou Karina—. Assim a gente bate um papo, hoje a gente vai te dar um pedaço bem generoso do que você escolher.
—Ah, aceito o convite; mas não precisa me dar nada. Eu posso pagar.
—A próxima você paga —disse Rocío—, essa é cortesia da casa.
—Mmm… tá bom, então. Seria falta de educação recusar. Muito obrigado.
Silvana sentou numa cadeira que ficava bem atrás do caixa. Naquele exato momento, entrou uma pessoa na confeitaria, uma mina com um poodle toy no colo, e um segundo depois entrou um cara magrão, meio hippie. Karina e Rocío atenderam os clientes, e Silvana esperou em silêncio. Não demorou nem dois piscares pra ela perceber que Rocío não estava usando calça. A bunda redonda e perfeita dela estava coberta só por uma pequena fio dental branca, que tinha quase sumido toda entre as nádegas.
Silvana ficou de boca aberta, imaginou que isso era algum tipo de jogo de casal bem arriscado. Não sabia exatamente como funcionava essa parada de humilhação, mas dava pra imaginar que a Karina propôs essa ideia pra esposa dela, pra as duas se divertirem um pouco.
Pra completar, depois de atender a mina do poodle toy, Rocío cobrou o cara hippie e parou bem na frente da Silvana, a poucos centímetros dela. A Silvana conseguiu analisar a bunda toda daquela mulher num close super privilegiado. Até viu como marcava a buceta dela por baixo da tanga. A Karina se aproximou da esposa na surdina e começou a acariciar a região da ppk por cima da calcinha.
Silvana se perguntou se o magrelo hippie conseguiria adivinhar o que tava rolando do outro lado do balcão; mas achou bem improvável. Desse lado do balcão dava pra ver que tava tudo tampado e, além disso, a Rocío tava usando um avental que chegava quase até os joelhos. Só a bunda dela aparecia por trás, de um jeito bem cômico… e erótico.
Quando o último cliente foi embora, Rocío e Karina sentaram nas outras duas cadeiras que estavam disponíveis naquele espaço apertado.
—Desculpa —disse Karina—. Imagino que você deve ter notado como a Rocío tá vestida, a gente queria te explicar isso; mas aí entrou gente.
—Não precisa explicar nada —disse Silvana, com um sorrisão nos lábios—, já tirei minhas próprias conclusões. Imagino que isso é parte de um joguinho entre vocês.
—É isso mesmo —disse Karina, enquanto Rocío ria nervosa—. Às vezes peço pra ela atender sem calça por um tempinho, só pra sentir o medo de ser descoberta.
—Adoro como vocês brincam um com o outro —garantiu Silvana—. Vocês formam um casal muito bom.
— Somos bem brincalhonas —disse Karina, com um sorriso safado, que fez Rocío rir de novo—. Ah, aliás… queria te agradecer por nos recomendar. Outro dia veio um cara chamado Malik, ficou encantado com um bolo que você deu pra ele e veio comprar mais.
—Conseguimos um novo cliente pra você.
—Ah, já conheceram o Malik… ele é um cara bem peculiar.
— E de onde você conhece ele?
—É jogador de futebol, do Ferro Carril Oeste. Mudou-se faz pouco tempo e foi meu jeito de dar as boas-vindas ao bairro.
—Mmm… cê não vai querer comprar de outro jeito, não?
—Ah, não, Karina… eu tenho namorado. O que acontece é que o Malik tem um estilo de vida bem peculiar. Ele é bem pica-flor, então olho aberto… bom, vocês não vão ter problema com isso, são casadas e já sabem que são sapatão. De qualquer jeito, ele já conquistou várias minas da área… e digamos que eu fico sabendo dessas atividades porque o quarto dele é bem do lado do meu… e dá pra ouvir os barulhos à noite. Reclamei algumas vezes porque não me deixava dormir; mas depois descobri que ele é um cara gente boa, pediu desculpas e disse que só quer que a gente se dê bem. Por isso que comprei o bolo pra ele.
—Ah… bom, se você tem namorado, talvez o cara não te interesse —disse Karina—. Mas uma das nossas clientas viu ele e ficou toda encantada, perguntou se a gente sabia onde ele morava, queria conhecer ele de um jeito mais íntimo.
—A gente mora num prédio aqui na esquina, no meio do quarteirão. Mas não recomendo que a mina vá visitar ele, a não ser que saiba no que vai se meter.
— Por que você diz isso? — Perguntou Rocío.
—É que… hum… vamos ver… quando levei o bolo, o Malik tava pelado. A culpa é minha, porque entrei na casa sem esperar ele me dar permissão. Mas não incomodou muito ele, diz que tá acostumado a andar assim.
—Uai… já tô vendo onde isso vai dar —disse Karina—. Será que o Malik confirma aquele boato de que os negros são bem dotados?
—Ufa… ele cumpre mesmo —dessa vez quem riu foi a Silvana—. Essa parada é descomunal —ela se sentiu à vontade pra falar do assunto, porque já tinha visto essas duas mulheres no meio do sexo.
—Uai… que medo —disse Rocío, enquanto soltava uma daquelas risadinhas nervosas dela.
—É, a verdade é que dá muito medo. Por isso eu não tenho nenhum interesse nele. Não sinto nada ao ver um pau tão grande, porque sei que essa coisa nunca ia entrar em mim. Sou bem apertada.
—Claro, entendo. Já que você tem medo, acaba com toda a putaria — comentou Karina.
—É isso aí. Além disso… sou feliz com meu namorado.
Continuaram falando de assuntos banais, como o movimento de gente no bairro, os lugares mais gostosos pra visitar e outras paradas do tipo, até que a Silvana avisou que ia vazar.
—Antes de você ir —disse Karina—, a gente vai te dar o cheesecake que prometemos.
—Sim, duas porções — disse Rocío, enquanto as servia numa bandeja.
—Ei, falaram uma. Não quero que me dêem tanto mimo.
—Você leva duas porque ainda teve que aturar ver a Rocío de bunda de fora.
—Ah, se vão me pagar com tapas toda vez que eu vejo elas em algum joguinho sexual, vou ter que vir mais vezes. Além de ver um belo espetáculo, ainda ganho um tapa de presente.
As duas minas deram risada. Depois entregaram o cheesecake já embalado e na bandeja.
—Volte quando quiser —disse Karina—, e se estiver procurando por sapatão, já sabe onde encontrar.
—Valeu, até mais.
Silvana deu dois passos para fora do negócio e parou de repente. Se perguntou se aquele último comentário tinha um duplo sentido ou não.
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2 comentários - Mi Vecino Superdotado [05].