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Capítulo 6
Vestido— Acho que o Pedro vai, a Lorena com certeza… ah, e o Joe.
— Sei lá, não tô muito a fim de sair. O treinador acabou com a gente na quinta e minhas pernas ainda tão doendo.
— Nossa,Androide número dezoitoTá cansada? Isso é novidade. — Brincou e Lu revirou os olhos. — Vamos, Ana, o torneio começa em duas semanas, o mais certo é que essa seja nossa última chance de sair pra curtir com os caras. — Tá bom… — cedeu finalmente. — Aliás, acho que a So também vai pro Zeus com os amigos dela. Se confirmar, a gente podia se encontrar lá e formar um grupo só. — Massa! As amigas da sua irmã são tão gostosas quanto ela — zoou, sabendo que iria irritá-la. — A gente se vê em algumas horas. — Idiota… — resmungou antes de desligar a chamada. A semana tinha passado sem nenhuma novidade. Depois da sessão de palmadas, So sentiu que todo o estresse tinha sumido como por mágica, vendo uma de suas barreiras contra o BDSM desmoronar sem salvação. Na verdade, ela ficou tão clara mental e emocionalmente, que conseguiu fazer certas correções no trabalho e entregar assim que o professor apareceu na universidade, tirando uma nota excelente. Mais uma vez, não houve comentário no dia seguinte sobre o que aconteceu naquela madrugada e as duas tinham notado como estabeleceram uma espécie de código implícito, mas inquebrável; não falar sobre suas… sessões? Lu não sabia se podia chamar de sessões os momentos com a irmã, porque eram isso, pequenos momentos em que ela sentia que precisava aplicar pressão na So. Ela nem sabia direito quando devia ter esses momentos com ela, só seguia certos sinais corporais, tentava intuir pela personalidade da irmã e, não podia mentir, também fazia conforme sua própria vontade de prazer. Porque sim, esses pequenos momentos, pelo menos pra ela, tinham sido extremamente prazerosos e depois do que aconteceu no começo da semana, ela achava que era hora de dar o próximo passo. Só precisava ser cuidadosa o suficiente pra não sobrecarregá-la e se deixar levar pela própria ansiedade.Estou ansiosa para ter uma sessão com minha irmã. Definitivamente estou fodidamente maluca.A porta do apartamento se abriu e So entrou com o celular na mão. Parecia estar digitando algo, mas sua irmã não deu importância. Assim que percebeu a presença da jogadora de basquete, parou de prestar atenção no celular e presenteou-a com um sorriso caloroso como cumprimento.
— Oi, gata — a voz equilibrava-se entre a provocação e a brincadeira. Embora a mais nova quisesse acreditar que penderia mais para a primeira.
— Oi, gata — imitou, entrando na brincadeira.
Ambas sorriram e So foi direto para a cozinha, deixando a bolsa no sofá da sala no caminho. Abriu a geladeira, pegou um copo e encheu com água gelada.
— Que calor desgraçado.
— Nem me fale, ontem eu morria na quadra.
— É, claro — brincou a mais nova. — Você é a porra daAndroide número dezoitoVocê não cansa.
Segunda vez que faziam a mesma brincadeira com ela em questão de minutos. Riu alto e sentou em um dos braços do sofá. — Pois é, eu canso.
— Você tá perdendo seus poderes então.
— Boba — disse, balançando a cabeça sem perder o sorriso. — Por sinal, vocês tão planejando ir a algum lugar específico hoje?
— Bom… não sei — deixou o copo na pia e sentou ao lado da irmã para começar a desamarrar os cadarços do tênis. — Acho que as meninas falaram em ir pro Zeus, mas acho que nada ficou oficialmente combinado.
— Com os caras a gente vai pro Zeus, pensei que seria uma boa ideia juntar os dois grupos — disse, pegando uma mecha de cabelo ruivo da irmã e arrumando-a atrás da orelha. — Acha que é uma boa ideia?
— Claro, a Jennifer e a Thalía babam pelo Carlos e pelo Jason — respondeu com um gesto divertido, lembrando da conversa que tinham tido depois que as meninas conheceram os amigos da irmã. No entanto, a expressão risonha se transformou num sorriso irônico num instante. — E o Ronny baba por você. — Imediatamente olhou de lado pra irmã, esperando uma reação.
— E o Ronny sabe que ele tá fora da minha liga?
— Ele sabe, mas é muito… teimoso e convincente.
— E como é quevocêSabe disso?
Ela virou para encarar a irmã nos olhos e jurou por um segundo ter visto um vestígio de ciúme na expressão dela, ou talvez fosse só imaginação. Mesmo assim, preferiu não comentar nada. — Porque eu já vi ele flertando com garotas que pareciam impossíveis… até com uma professora.
— Flertar não quer dizer que ele consiga algo.
— Pois com essa professora ele conseguiu, a gente viu eles se beijando num bar do centro.
— Ai, meu Deus! Sério? Qual professora?
— Diz-se o pecado, mas não o pecador… — respondeu com um sorriso arrogante, levantando-se para ir ao seu quarto.
— Ei! Mas você já mencionou o tal do Ronny.
— Mas o Ronny é um idiota, preciso proteger a identidade da nossa superiora. — Decretou, fechando a porta atrás de si, saboreando aquela pequena vitória.
E era nisso que se transformara o dia a dia das Menotti, um cabo de guerra que elas gostavam cada vez mais. Lu sorriu e balançou a cabeça, sentindo que não podia fazer mais nada, e seguiu para o próprio quarto. Pegou o celular para avisar aos amigos que o plano tinha sido aceito.
2
O relógio marcava sete da noite. Elas haviam combinado de se encontrar às oito na entrada do Zeus. Obviamente, as duas irmãs iriam dividir um táxi até o pub. Lu se admirou no espelho, examinando sua roupa para a noite. Decidira usar uma blusa roxa com decote em V que deixava exposta a clavícula e o início dos seios. Por cima, exibia uma jaqueta brilhante de couro preto que combinava com o jeans de cintura alta e justo da mesma cor, adornado com rasgos estrategicamente posicionados na coxa. OroupaCompletavam o visual umas botas de couro roxo escuroíssimo de salto alto que cobriam acima do tornozelo, com a barra da calça escondida dentro delas; uma corrente fina de prata, combinando com o par de brincos que brilhavam em cada orelha, e sua já característica barra em forma de flecha dourada que atravessava diagonalmente a cartilagem superior da orelha direita. Seu cabelo ruivo caía solto e ondulado sobre os ombros.
Lu sorriu, seus lábios pintados de um rosa pastel, não muito diferente da cor natural deles, e seus olhos contornados com sombra e delineador preto. A garota pegou um pouco de base e blush para aplicar uma camada fina, quando ouviu um forte rosnado vindo do quarto da irmã. Olhou a hora novamente e eram sete horas e doze minutos.
Se admirou mais uma vez no espelho, sentindo-se satisfeita, e saiu do quarto até parar na porta do aposento da irmã.
— Tudo bem? Lembra que às oito temos que estar lá…
— Sim… já me maquiei e tudo, só estou pensando no vestido…
— Precisa de ajuda?
So engoliu em seco. Olhou-se no espelho de corpo inteiro que ficava na porta, e seu reflexo vestindo apenas lingerie de renda branca apareceu; o sutiã não tinha alças e era fácil de ver através, mas a renda se encarregava de cobrir as áreas importantes. A calcinha fio dental minúscula tinha os mesmos detalhes, ficando transparente em certas partes e escurecendo estrategicamente para tapar a buceta. Seu rosto avermelhou rapidamente. Nunca tinha deixado que a irmã a visse usando um conjunto tão erótico, mas depois do que tinha acontecido nas últimas semanas, isso parecia estúpido, mesmo que seu corpo pensasse diferente.
— Pode entrar — disse sem muita convicção, e a porta se abriu.
Lu entrou e, imediatamente, seus olhos se prenderam ao corpo semidespido de So. Não podia acreditar no quão ridiculamente gostosa ela estava, seu rosto estava perfeitamente maquiado, seus lábios pintados de vermelho e seus olhos cobertos com sombra de tonalidade dourada e brilhante, mas sem exageros. Suas sobrancelhas longas estavam perfeitamente curvadas e uma camada de base e blush deixavam a pele branca do rosto ainda mais pálida, mas não escondiam as sardas espalhadas pelo nariz e bochechas. De suas orelhas pendiam brincos dourados com uma pequena corrente que caía livre, com unhas pintadas delicadamente da mesma cor.
— O que foi? — Perguntou com voz neutra, sem perder detalhe da roupa íntima tão sensual que ela escolhera para a ocasião.
— É uma coisa… boba. Não consigo me decidir que vestido usar.
— Mas você tem opções?
— Ehm… — So abriu o guarda-roupa e três vestidos perfeitamente pendurados apareceram.
Lu caminhou até o armário e os observou, tocando-os para apreciá-los melhor. Apesar de os três serem lindos, pegou um prateado brilhante e o deixou sobre a cama perfeitamente esticado. Caminhou até sua irmã e a encarou fixamente, de cima a baixo antes de começar a andar ao redor dela. Parecia examiná-la e So sentia o olhar inquisidor, penetrante e avassalador da mais alta sobre ela. Levou sua mão mais hábil e, com maestria, desfez o fecho do sutiã, que cedeu imediatamente à gravidade e caiu no chão.
So imediatamente virou o pescoço para vê-la surpresa e atordoada, limitando-se apenas a sentir. A ponta fria dos dedos acariciou a pele arrepiada de suas costas, traçando uma linha reta por toda a coluna de forma ascendente até alcançar a altura das omoplatas. A mão seguiu seu caminho, contornando o braço e parando ao lado de seu seio direito, que se ergueu petulante, exibindo o mamilo duro.
Ambas as irmãs se deleitaram com as sensações; a primeira com o toque da carne voluptuosa em seus dedos e a outra com o quente roçar em sua pele.
— Este — sussurrou suavemente antes de beliscar a pele tensa do botão rosado que coroava seu peito. Inclinou-se para pegar o vestido e passou o tecido macio sobre a cabeça de So e o pano suave se enroscou sobre seus ombros. — Põe esse.
So se deixou vestir como se fosse uma princesa, só se mexeu o necessário para facilitar a tarefa, cuidando para que o tecido se moldasse perfeitamente ao seu corpo. O vestido exibia um decote generoso que Lu se encarregou de acentuar ao ajustar as alças no pescoço, deixando que uma fina corrente caísse sobre as costas nuas, entre as omoplatas, bem na linha da coluna.
As mãos travessas contornaram a figura da mais nova, percorrendo as costelas até os quadris. Pegou a parte de baixo do vestido e esticou até o limite, mas mesmo assim, o tecido só cobriu até o início das coxas, lutando para cobrir a voluptuosidade da sua bunda sem estragar o tecido. Algumas pessoas diriam que a roupa era curta demais, que a visão erótica das coxas nuas era um exagero, mas para Lu parecia que combinava perfeitamente com a figura epicurista da sua irmã.
Afastou-se para contemplá-la em todo o seu esplendor e, se antes achava que a visão de So lhe parecia provocante, agora achava muito mais. Surpreendeu-se ao se descobrir comparando a sua irmãzinha com uma deusa do sexo e do erotismo, com aquela roupa que contornava sua figura esbelta como uma segunda pele.
So, apesar de finalmente estar vestida, sentiu-se mais nua do que nunca. Não pelo traje revelador escolhido, mas pelos olhares que Lu lhe dedicava. Acreditava que sua irmã mais velha podia ver dentro de sua mente, descobrir seus desejos mais mundanos até os mais sombrios. Que podia tocar sua alma e fazer amor com ela apenas com um olhar daqueles olhos dourados que pareciam brilhar de maneira sobrenatural sob o canto escurecido de onde a observava.
Estremeceu e, com aquele frio percorrendo seus sentidos, sentou-se na cama, percebendo como o tecido subia até revelar o pequeno triângulo de renda branca entre suas pernas. Não disse nada, calçou sapatos impecavelmente brancos que combinavam com os detalhes claros de sua... O traje e depois se acomodou na penteadeira. Ergueu sua longa cabeleira e com destreza, criou um belo coque alto que deixava cair em cascada seus cabelos ondulados artificialmente.
Se levantou, sentindo-se preparada finalmente. Deu uma última olhada em seu reflexo, percebendo como o senso comum gritava para que se vestisse de maneira mais pudica, mas um desejo muito mais animal a encorajava e empurrava para desfrutar de sua sensualidade.
— Você é linda demais.
Não soube por que disse isso, mas o fez. Os olhos cor de caramelo a percorreram mais uma vez e não se desviaram nem quando as íris esverdeadas fizeram contato. O vermelho cobriu com fúria seu rosto e a mais nova percebeu, sentindo seu próprio calor aumentar ainda mais. Baixou o olhar nervosa e sorriu satisfeita por ter feito sua irmã corar.
― Você também está muito linda… ― disse segundos depois.
Embora mal tivesse tido oportunidade devido ao furacão de emoções e sensações avassaladoras, ela também havia notado a preciosidade que caminhava como uma Vênus sedutora em sua direção. O nascimento dos seios aparecendo sobre a blusa, os braços fortes envoltos no couro, a bunda firme e voluptuosa apertada no tecido jeans da calça e as pernas estilizadas pelo salto das botas.
Mas todos esses pensamentos ela guardou para si; jamais diria a Lu que ela a havia atraído a ponto de provocar excitação e agradeceu que o alarme do celular anunciasse que faltava um quarto para as oito e o táxi estava prestes a chegar.

Capítulo 6
Vestido— Acho que o Pedro vai, a Lorena com certeza… ah, e o Joe.
— Sei lá, não tô muito a fim de sair. O treinador acabou com a gente na quinta e minhas pernas ainda tão doendo.
— Nossa,Androide número dezoitoTá cansada? Isso é novidade. — Brincou e Lu revirou os olhos. — Vamos, Ana, o torneio começa em duas semanas, o mais certo é que essa seja nossa última chance de sair pra curtir com os caras. — Tá bom… — cedeu finalmente. — Aliás, acho que a So também vai pro Zeus com os amigos dela. Se confirmar, a gente podia se encontrar lá e formar um grupo só. — Massa! As amigas da sua irmã são tão gostosas quanto ela — zoou, sabendo que iria irritá-la. — A gente se vê em algumas horas. — Idiota… — resmungou antes de desligar a chamada. A semana tinha passado sem nenhuma novidade. Depois da sessão de palmadas, So sentiu que todo o estresse tinha sumido como por mágica, vendo uma de suas barreiras contra o BDSM desmoronar sem salvação. Na verdade, ela ficou tão clara mental e emocionalmente, que conseguiu fazer certas correções no trabalho e entregar assim que o professor apareceu na universidade, tirando uma nota excelente. Mais uma vez, não houve comentário no dia seguinte sobre o que aconteceu naquela madrugada e as duas tinham notado como estabeleceram uma espécie de código implícito, mas inquebrável; não falar sobre suas… sessões? Lu não sabia se podia chamar de sessões os momentos com a irmã, porque eram isso, pequenos momentos em que ela sentia que precisava aplicar pressão na So. Ela nem sabia direito quando devia ter esses momentos com ela, só seguia certos sinais corporais, tentava intuir pela personalidade da irmã e, não podia mentir, também fazia conforme sua própria vontade de prazer. Porque sim, esses pequenos momentos, pelo menos pra ela, tinham sido extremamente prazerosos e depois do que aconteceu no começo da semana, ela achava que era hora de dar o próximo passo. Só precisava ser cuidadosa o suficiente pra não sobrecarregá-la e se deixar levar pela própria ansiedade.Estou ansiosa para ter uma sessão com minha irmã. Definitivamente estou fodidamente maluca.A porta do apartamento se abriu e So entrou com o celular na mão. Parecia estar digitando algo, mas sua irmã não deu importância. Assim que percebeu a presença da jogadora de basquete, parou de prestar atenção no celular e presenteou-a com um sorriso caloroso como cumprimento.
— Oi, gata — a voz equilibrava-se entre a provocação e a brincadeira. Embora a mais nova quisesse acreditar que penderia mais para a primeira.
— Oi, gata — imitou, entrando na brincadeira.
Ambas sorriram e So foi direto para a cozinha, deixando a bolsa no sofá da sala no caminho. Abriu a geladeira, pegou um copo e encheu com água gelada.
— Que calor desgraçado.
— Nem me fale, ontem eu morria na quadra.
— É, claro — brincou a mais nova. — Você é a porra daAndroide número dezoitoVocê não cansa.
Segunda vez que faziam a mesma brincadeira com ela em questão de minutos. Riu alto e sentou em um dos braços do sofá. — Pois é, eu canso.
— Você tá perdendo seus poderes então.
— Boba — disse, balançando a cabeça sem perder o sorriso. — Por sinal, vocês tão planejando ir a algum lugar específico hoje?
— Bom… não sei — deixou o copo na pia e sentou ao lado da irmã para começar a desamarrar os cadarços do tênis. — Acho que as meninas falaram em ir pro Zeus, mas acho que nada ficou oficialmente combinado.
— Com os caras a gente vai pro Zeus, pensei que seria uma boa ideia juntar os dois grupos — disse, pegando uma mecha de cabelo ruivo da irmã e arrumando-a atrás da orelha. — Acha que é uma boa ideia?
— Claro, a Jennifer e a Thalía babam pelo Carlos e pelo Jason — respondeu com um gesto divertido, lembrando da conversa que tinham tido depois que as meninas conheceram os amigos da irmã. No entanto, a expressão risonha se transformou num sorriso irônico num instante. — E o Ronny baba por você. — Imediatamente olhou de lado pra irmã, esperando uma reação.
— E o Ronny sabe que ele tá fora da minha liga?
— Ele sabe, mas é muito… teimoso e convincente.
— E como é quevocêSabe disso?
Ela virou para encarar a irmã nos olhos e jurou por um segundo ter visto um vestígio de ciúme na expressão dela, ou talvez fosse só imaginação. Mesmo assim, preferiu não comentar nada. — Porque eu já vi ele flertando com garotas que pareciam impossíveis… até com uma professora.
— Flertar não quer dizer que ele consiga algo.
— Pois com essa professora ele conseguiu, a gente viu eles se beijando num bar do centro.
— Ai, meu Deus! Sério? Qual professora?
— Diz-se o pecado, mas não o pecador… — respondeu com um sorriso arrogante, levantando-se para ir ao seu quarto.
— Ei! Mas você já mencionou o tal do Ronny.
— Mas o Ronny é um idiota, preciso proteger a identidade da nossa superiora. — Decretou, fechando a porta atrás de si, saboreando aquela pequena vitória.
E era nisso que se transformara o dia a dia das Menotti, um cabo de guerra que elas gostavam cada vez mais. Lu sorriu e balançou a cabeça, sentindo que não podia fazer mais nada, e seguiu para o próprio quarto. Pegou o celular para avisar aos amigos que o plano tinha sido aceito.
2
O relógio marcava sete da noite. Elas haviam combinado de se encontrar às oito na entrada do Zeus. Obviamente, as duas irmãs iriam dividir um táxi até o pub. Lu se admirou no espelho, examinando sua roupa para a noite. Decidira usar uma blusa roxa com decote em V que deixava exposta a clavícula e o início dos seios. Por cima, exibia uma jaqueta brilhante de couro preto que combinava com o jeans de cintura alta e justo da mesma cor, adornado com rasgos estrategicamente posicionados na coxa. OroupaCompletavam o visual umas botas de couro roxo escuroíssimo de salto alto que cobriam acima do tornozelo, com a barra da calça escondida dentro delas; uma corrente fina de prata, combinando com o par de brincos que brilhavam em cada orelha, e sua já característica barra em forma de flecha dourada que atravessava diagonalmente a cartilagem superior da orelha direita. Seu cabelo ruivo caía solto e ondulado sobre os ombros.
Lu sorriu, seus lábios pintados de um rosa pastel, não muito diferente da cor natural deles, e seus olhos contornados com sombra e delineador preto. A garota pegou um pouco de base e blush para aplicar uma camada fina, quando ouviu um forte rosnado vindo do quarto da irmã. Olhou a hora novamente e eram sete horas e doze minutos.
Se admirou mais uma vez no espelho, sentindo-se satisfeita, e saiu do quarto até parar na porta do aposento da irmã.
— Tudo bem? Lembra que às oito temos que estar lá…
— Sim… já me maquiei e tudo, só estou pensando no vestido…
— Precisa de ajuda?
So engoliu em seco. Olhou-se no espelho de corpo inteiro que ficava na porta, e seu reflexo vestindo apenas lingerie de renda branca apareceu; o sutiã não tinha alças e era fácil de ver através, mas a renda se encarregava de cobrir as áreas importantes. A calcinha fio dental minúscula tinha os mesmos detalhes, ficando transparente em certas partes e escurecendo estrategicamente para tapar a buceta. Seu rosto avermelhou rapidamente. Nunca tinha deixado que a irmã a visse usando um conjunto tão erótico, mas depois do que tinha acontecido nas últimas semanas, isso parecia estúpido, mesmo que seu corpo pensasse diferente.
— Pode entrar — disse sem muita convicção, e a porta se abriu.
Lu entrou e, imediatamente, seus olhos se prenderam ao corpo semidespido de So. Não podia acreditar no quão ridiculamente gostosa ela estava, seu rosto estava perfeitamente maquiado, seus lábios pintados de vermelho e seus olhos cobertos com sombra de tonalidade dourada e brilhante, mas sem exageros. Suas sobrancelhas longas estavam perfeitamente curvadas e uma camada de base e blush deixavam a pele branca do rosto ainda mais pálida, mas não escondiam as sardas espalhadas pelo nariz e bochechas. De suas orelhas pendiam brincos dourados com uma pequena corrente que caía livre, com unhas pintadas delicadamente da mesma cor.
— O que foi? — Perguntou com voz neutra, sem perder detalhe da roupa íntima tão sensual que ela escolhera para a ocasião.
— É uma coisa… boba. Não consigo me decidir que vestido usar.
— Mas você tem opções?
— Ehm… — So abriu o guarda-roupa e três vestidos perfeitamente pendurados apareceram.
Lu caminhou até o armário e os observou, tocando-os para apreciá-los melhor. Apesar de os três serem lindos, pegou um prateado brilhante e o deixou sobre a cama perfeitamente esticado. Caminhou até sua irmã e a encarou fixamente, de cima a baixo antes de começar a andar ao redor dela. Parecia examiná-la e So sentia o olhar inquisidor, penetrante e avassalador da mais alta sobre ela. Levou sua mão mais hábil e, com maestria, desfez o fecho do sutiã, que cedeu imediatamente à gravidade e caiu no chão.
So imediatamente virou o pescoço para vê-la surpresa e atordoada, limitando-se apenas a sentir. A ponta fria dos dedos acariciou a pele arrepiada de suas costas, traçando uma linha reta por toda a coluna de forma ascendente até alcançar a altura das omoplatas. A mão seguiu seu caminho, contornando o braço e parando ao lado de seu seio direito, que se ergueu petulante, exibindo o mamilo duro.
Ambas as irmãs se deleitaram com as sensações; a primeira com o toque da carne voluptuosa em seus dedos e a outra com o quente roçar em sua pele.
— Este — sussurrou suavemente antes de beliscar a pele tensa do botão rosado que coroava seu peito. Inclinou-se para pegar o vestido e passou o tecido macio sobre a cabeça de So e o pano suave se enroscou sobre seus ombros. — Põe esse.
So se deixou vestir como se fosse uma princesa, só se mexeu o necessário para facilitar a tarefa, cuidando para que o tecido se moldasse perfeitamente ao seu corpo. O vestido exibia um decote generoso que Lu se encarregou de acentuar ao ajustar as alças no pescoço, deixando que uma fina corrente caísse sobre as costas nuas, entre as omoplatas, bem na linha da coluna.
As mãos travessas contornaram a figura da mais nova, percorrendo as costelas até os quadris. Pegou a parte de baixo do vestido e esticou até o limite, mas mesmo assim, o tecido só cobriu até o início das coxas, lutando para cobrir a voluptuosidade da sua bunda sem estragar o tecido. Algumas pessoas diriam que a roupa era curta demais, que a visão erótica das coxas nuas era um exagero, mas para Lu parecia que combinava perfeitamente com a figura epicurista da sua irmã.
Afastou-se para contemplá-la em todo o seu esplendor e, se antes achava que a visão de So lhe parecia provocante, agora achava muito mais. Surpreendeu-se ao se descobrir comparando a sua irmãzinha com uma deusa do sexo e do erotismo, com aquela roupa que contornava sua figura esbelta como uma segunda pele.
So, apesar de finalmente estar vestida, sentiu-se mais nua do que nunca. Não pelo traje revelador escolhido, mas pelos olhares que Lu lhe dedicava. Acreditava que sua irmã mais velha podia ver dentro de sua mente, descobrir seus desejos mais mundanos até os mais sombrios. Que podia tocar sua alma e fazer amor com ela apenas com um olhar daqueles olhos dourados que pareciam brilhar de maneira sobrenatural sob o canto escurecido de onde a observava.
Estremeceu e, com aquele frio percorrendo seus sentidos, sentou-se na cama, percebendo como o tecido subia até revelar o pequeno triângulo de renda branca entre suas pernas. Não disse nada, calçou sapatos impecavelmente brancos que combinavam com os detalhes claros de sua... O traje e depois se acomodou na penteadeira. Ergueu sua longa cabeleira e com destreza, criou um belo coque alto que deixava cair em cascada seus cabelos ondulados artificialmente.
Se levantou, sentindo-se preparada finalmente. Deu uma última olhada em seu reflexo, percebendo como o senso comum gritava para que se vestisse de maneira mais pudica, mas um desejo muito mais animal a encorajava e empurrava para desfrutar de sua sensualidade.
— Você é linda demais.
Não soube por que disse isso, mas o fez. Os olhos cor de caramelo a percorreram mais uma vez e não se desviaram nem quando as íris esverdeadas fizeram contato. O vermelho cobriu com fúria seu rosto e a mais nova percebeu, sentindo seu próprio calor aumentar ainda mais. Baixou o olhar nervosa e sorriu satisfeita por ter feito sua irmã corar.
― Você também está muito linda… ― disse segundos depois.
Embora mal tivesse tido oportunidade devido ao furacão de emoções e sensações avassaladoras, ela também havia notado a preciosidade que caminhava como uma Vênus sedutora em sua direção. O nascimento dos seios aparecendo sobre a blusa, os braços fortes envoltos no couro, a bunda firme e voluptuosa apertada no tecido jeans da calça e as pernas estilizadas pelo salto das botas.
Mas todos esses pensamentos ela guardou para si; jamais diria a Lu que ela a havia atraído a ponto de provocar excitação e agradeceu que o alarme do celular anunciasse que faltava um quarto para as oito e o táxi estava prestes a chegar.
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