Ver ele foi um choque. Como se o tempo não tivesse passado e eu estivesse de novo ali, na frente do meu tio Carlos, ainda no auge, inteiro, sem as sequelas do acidente que o deixou de cama no auge da vida.
Mas não era ele, claro, era o irmão dele, embora a semelhança fosse tanta que poderiam passar por gêmeos, se não fosse porque tinham dez anos de diferença, e o mais velho dos dois já não está mais entre nós.
Ele se chama José e não é cantor de tango, mas dança pra caralho.
Quando eram jovens, ele me contou, eles faziam um show juntos. Meu tio cantava e ele "arrasava no chão".
Eles se autointitulavam "Os irmãos Molinari" e, além dos bairros portenhos, faziam turnês pelo interior do país. Até que, no auge da ditadura, o caçula dos Molinari teve que emigrar pra Espanha.
—É que eu tava afim de uma mina que militava na JP... — ele se desculpa, como se lamentando por todos esses anos perdidos.
Por isso não o conheci. Sabia que tinha um irmão na Europa, mas quando eu e meu tio estávamos juntos, o que menos fazíamos era falar de família. O nosso não era a linguagem das palavras, mas dos corpos.
Como de costume, fui visitar minha tia Edith. Ela e meu tio não tiveram filhos, então nós, sobrinhos, ocupamos esse lugar. Bom, falo por mim, porque meus irmãos nunca vão visitá-la.
Fiquei de cara quando vi ele, comecei a tremer e até deu vontade de chorar. Minha tia me abraçou e me acalmou, dizendo que com ela tinha acontecido a mesma coisa.
—Viu ele? É igualzinho ao seu tio, antes do acidente, claro — diz minha tia.
—São idênticos...! — concordo.
Bom, pra mim, meu tio era bem mais gostoso, mas a semelhança é inegável.
Ela nos conta que, depois de tantos anos na Espanha, decidiu voltar pra tentar algo relacionado ao tango.
—Você podia me ensinar a dançar isso — minha tia me incentiva — Você sempre foi um baita dançarino.
Ao ouvir ela, não pude deixar de lembrar quando meu tio me ensinou a dançar tango, o jeito que ele me tocava, como me apertava contra o corpo dele e não me soltava, até que a gente terminava enroscado numa mistura de beijos e carícias que era só a antesala de algo muito mais intenso.
—Eu me inscrevo com certeza... — tento incentivá-lo.
Uma das minhas melhores amigas tem uma imobiliária, então por meio dela prometi ajudar ele a encontrar um lugar onde pudesse dar as aulas dele.
Naquela mesma semana, liguei pra ela, e ela me disse que tem uma casa que funcionava como academia de dança, mas que por causa da pandemia teve que fechar.
—Tem piso de madeira, espelhos e provadores —
Já na hora chamo o José e a gente combina de ir ver ela. Não dava pra perder tempo, porque se não alugassem como Academia, os donos já tinham decidido reformar ela como uma casa comum e qualquer.
Encontramos a Lety, minha amiga, pra conhecer o lugar. É um apartamento antigo, daqueles que se sobe por uma escada até um primeiro andar que originalmente eram dois quartos, transformados num salão de dança bem espaçoso. Tem banheiro e vestiários, e um quartinho que pode servir de recepção e escritório.
O preço é um pouco salgado, mas por ser minha amiga, a gente economiza a comissão da imobiliária. A ideia é testar, então a gente assina um contrato de três meses, renovável automaticamente pra seis e depois pra doze. Claro, eu fico como fiadora.
—Bom, agora só faltam os alunos — suspira José, no dia em que terminamos de limpar o lugar e deixá-lo pronto como uma verdadeira academia de dança.
-Já te disse que a sua primeira aluna já tá na mão- lembro a ele, me referindo a mim mesma.
Além de ser a primeira a me inscrever, também arrumei tempo pra ajudar ele a organizar tudo, fazendo de recepcionista e até postando anúncios nas redes sociais.
Por enquanto a gente não ia colocar cartazes nem nada que chamasse muita atenção, porque ainda não tínhamos resolvido a documentação necessária.
—Então, aluna — ele diz, já entrando no papel de professor — A primeira coisa que vamos ver é a postura, o abraço e os passos básicos.
Ela se coloca na minha frente, abrindo os braços. Eu sorrio, porque me lembra meu tio quando começou a me ensinar há tantos anos.
Prendo meu cabelo num rabo de cavalo e estico os braços também.
—O abraço... — ela continua, passando o braço na minha cintura.
—E esses são os passos básicos... — conclui, me guiando pela pista em oitos e varridas.
Claro, na hora ela percebe que não sou nenhuma amadora quando o assunto é a milonga.
—Você é uma parceira excelente — ele declara assim que a música "Milongueando en el 40", do Troilo e sua orquestra, termina. Essa eu dancei pra caralho com meu tio...
O tango sempre foi, pra mim, sinônimo de sexo, de trepada. Com meu tio Carlos, a gente sempre acabava transando depois que eu ficava toda boba ouvindo ele ensaiar as músicas dele.
Isso é bom pra buceta. Melzinho puro..." — ela costumava me dizer quando chupava minha boceta.
Estar ali com o irmão dele, quase um sósia, mexeu com umas emoções em mim que eu já achava que tinha superado. Meu tio já era, morreu, ninguém vai conseguir substituir ele, mas mesmo assim...
— Mary, quero te agradecer muito pela ajuda, sério, sem seu apoio eu nunca teria coragem pra tanto — ele me fala no meio da pista, já sem a música de fundo, mas ainda me segurando pela cintura.
Estamos cara a cara, com nossos rostos a centímetros, as bocas separadas só pelo nosso fôlego. Quero beijar ele, tô doida pra beijar ele, mas quando parece que ele vai tomar a iniciativa primeiro, tocam a campainha.
Ficamos um momento meio confusos, sem saber como reagir. Quando batem de novo, espio pela janela e vejo que é minha tia Edith. Lá de baixo ela me vê e me acena, já é tarde demais pra fingir que não estamos.
—Vou descer pra te abrir... — falo.
—É a tia — falo pro José — Com certeza veio ver a Academia.
—Tia foi bem na hora — ela responde, e eu não consigo evitar de sorrir.
A tia sobe, observa tudo e nos parabeniza pelo trabalho feito. Depois vou com ela, já que "o momento" com José passou.
Uns dias depois, tô no escritório, de tarde, e não consigo parar de pensar nele. Já não penso mais no meu tio, nem em como eles se parecem. Meus pensamentos são só pro José e aquele momento em que, sem falar nada, só de nos olharmos, a gente disse tudo.
Não consigo me segurar e ligo pra ele. Ele tá no meio de uma aula, mas deixa os alunos praticando e me atende.
Batemos um papo sobre coisas banais, das aulas dela, do meu trampo, até que ela me solta:
- Lembro que você me deixou uma aula pendente
—Tá com tempo, professor? Posso passar hoje mesmo pra pegar ela — sugiro, com voz de aluna gostosa.
—Sempre tenho tempo pra você, aluna — ele me confirma.
— Que horas é sua última aula? — pergunto pra ela.
—Às sete tô livre...
—Vou dar uma volta então...
Cheguei às sete e meia, pra disfarçar o quanto tô ansiosa. As aulas já tinham acabado, então a sala tá com as luzes baixas.
O José já tá me esperando com o uniforme de tango dele, o paletó, o lenço de seda e o chapéu. Ele se posiciona e a gente começa a dançar, sem música, se deixando levar pelos sentimentos.
De repente ele para, me mantendo bem colada no corpo dele, o braço me segurando pela cintura mais do que o normal.
—Acho que foi aqui que a gente parou no outro dia — ela me lembra.
—Então a gente tem que continuar de onde paramos — sugiro pra ela.
Nos olhamos só por um instante e nos beijamos. Os dois tomamos a iniciativa ao mesmo tempo, nos encontrando num beijo intenso e gostoso.
—Acho que essa vai ser minha melhor aula — responde ela ao desgrudar nossos lábios, só pra juntá-los de novo com ainda mais gosto.
Enquanto nos beijamos, começamos a tirar a roupa, agitados, exaltados, sentindo aquela febre tão familiar tomando conta dos nossos corpos.
Durante todo esse tempo fiquei apertando a pica dele por cima da calça, sentindo como ela endurece e fica dura, mas assim que ele tira, eu pego nela e, me jogando na frente dele, chupo ela pra cima e pra baixo.
Adoro saborear aquela umidade que escorre por todo o contorno dela, sentir o cheiro da fragrância vital que a impregna, sentir na minha língua a textura da carne dela.
José suspira chocado ao sentir como eu coloco ele na boca e começo a chupar sem parar, engolindo tudo, fazendo a ponta raspar na minha garganta.
É nesses momentos, quando estou de joelhos, chupando a pica de um cara, que não me importo mais com nada, só sentir e saborear, agradar e me agradar, curtir essa comunhão safada que rola entre duas pessoas.
Passo a língua nas bolas dele, sentindo aquele estalo gostoso, a urgência do prazer que se acumula e transborda.
Me levanto, deixando ela tão dura e ereta, que as veias parecem querer saltar da pele. Tiro a roupa na frente dela, sentindo os olhos me percorrendo de cima a baixo.
Meu tio adorava me ver pelada. Antes de me comer, às vezes me fazia desfilar sem nenhuma roupa, me fazendo ir e vir, enquanto batia uma punheta contemplando cada curva do meu corpo.
Dou uma volta, pra não perder nada, e enfiando os dedos na buceta, me encosto de costas num dos espelhos. Agora é ele quem se ajoelha na minha frente, e colocando uma das minhas pernas sobre os ombros, enfia a língua como se fosse um punhal.
Sinto que me desmancho de tesão quando ela começa a me chupar por dentro e por fora, cobrindo com a boca toda a minha buceta.
Já está anoitecendo, os barulhos da rua diminuem, então nesse salão de dança a única coisa que se ouve são meus gemidos e o barulho da língua dele.
Pego ele pelos cabelos e esfrego o clitóris no queixo dele, soltando uns jatos que ele engole com maior prazer.
Se levanta e me beija, os lábios molhados do meu próprio fluxo. Posso sentir o pau dele duro, entorpecido, roçando na minha buceta, cutucando bem naquele lugar onde as sensações ficam mais intensas.
Pego ela, massajo ela e coloco ela entre os meus lábios. Me seguro nas barras e abro as pernas quando ela começa a empurrar. Durante a penetração, a gente se olha nos olhos e sorri, curtindo essas sensações que se multiplicam e se espalham sem nenhum controle.
—Mais... me fode mais forte...! — eu peço.
Não sei por que, mas ele me comia como se estivesse pedindo permissão a cada metida.
Ela então me agarra pelas coxas e, colocando-as em volta da cintura dela, começa a me bombar com o vigor que eu tanto pedia.
Agora sim, o prazer se ramifica, se espalhando além dos meus sentidos. Tudo ao nosso redor parece se dissolver, se misturando com a energia da nossa paixão.
O José pode não ser um fodedor tão foda quanto meu tio Carlos, mas ele se vira muito bem. Cada metida me atinge até o fundo, sacudindo esses sensores que me fazem explodir uma atrás da outra.
Quando ele me solta, eu fico de quatro no meio da pista, com a raba bem empinada, esperando ele vir pra cima de mim. Ele vem, mas antes apaga as luzes, e aí sim, se posiciona por trás, me segura pela cintura e mete com tudo, num sabão profundo e avassalador.
Durante esse tempo, a rola não tinha caído nem um pouco, pelo contrário, nessa posição e desse ângulo, eu sentia ela muito maior e mais dura ainda.
Agora somos duas sombras entre as sombras que se movem no mesmo compasso, já não no ritmo do tango, mas do sexo, envoltos em gemidos e suor.
PLAP PLAP PLAP... o corpo dela bate no meu, me macetando com gosto e tesão.
CHAS CHAS CHAS... ecoam as palmadas que acompanham cada enfiada.
AHHHHHH... AHHHHHH... AHHHHHH... meus gemidos ecoam, cada vez mais excitados, estrondosos.
Quando me viro, ele se joga em cima de mim e, entre minhas pernas, continua me fodendo, intenso, brutal, dominante.
Nos beijamos sem parar de deslizar um dentro do outro, fazendo amor também com as línguas, com os lábios, com todos os sentidos.
Ele empurra de cima e eu de baixo, levantando o quadril e flexionando as pernas contra o corpo dele, sentindo ele se enfiar bem fundo, preenchendo com a carne dele até o meu lugar mais sagrado.
Já posso sentir os solavancos da trepada que vem vindo. A ardência, os gemidos, tudo fica mais intenso. José acelera as metidas, louco de tesão, levado por essa maré de sensações que tá prestes a arrasar tudo.
A gente continua se dando até o último momento, até que a doce agonia não dá mais pra adiar e a gente goza quase junto. Antes do fim, ela me olha daquele jeito que não precisa de interpretação. Um leve aceno meu, quase imperceptível, é mais que suficiente pra ela gozar dentro de mim. Primeiro ela goza, e depois eu, misturando minha essência com a dela.
Me agarro ainda mais no corpo dela e beijo com paixão, sentindo como se dissolve dentro de mim, transbordando com aquela agradável efusividade.
Depois da foda, ficamos um bom tempo deitados de costas no chão de madeira lustroso, minha cabeça apoiada no ombro dela.
Não falamos nada, só ficamos ali, juntos, respirando daquele jeito abafado que a gente respira depois de uma boa transa.
—Já comeu a tia Edith? — quebro o silêncio, quando me levanto pra me vestir.
Pelo jeito que ela me olha, já saco que a resposta é negativa.
—Você devia, faz tempo que ela tá sozinha — recomendo.
—É a mulher do meu irmão... — ele me lembra, como se eu não soubesse.
—Eu também fui mulher dele, e mesmo assim você me comeu.
Ela fica me encarando.
— Te surpreende? — pergunto enquanto visto o corpete.
—Nada disso, meu irmão nunca perderia uma parada dessas — ele alega, me dando um tapão na bunda.
Ele também não, pelo visto, já que tinha acabado de me dar uma trepada daquelas...
Mas não era ele, claro, era o irmão dele, embora a semelhança fosse tanta que poderiam passar por gêmeos, se não fosse porque tinham dez anos de diferença, e o mais velho dos dois já não está mais entre nós.
Ele se chama José e não é cantor de tango, mas dança pra caralho.
Quando eram jovens, ele me contou, eles faziam um show juntos. Meu tio cantava e ele "arrasava no chão".
Eles se autointitulavam "Os irmãos Molinari" e, além dos bairros portenhos, faziam turnês pelo interior do país. Até que, no auge da ditadura, o caçula dos Molinari teve que emigrar pra Espanha.
—É que eu tava afim de uma mina que militava na JP... — ele se desculpa, como se lamentando por todos esses anos perdidos.
Por isso não o conheci. Sabia que tinha um irmão na Europa, mas quando eu e meu tio estávamos juntos, o que menos fazíamos era falar de família. O nosso não era a linguagem das palavras, mas dos corpos.
Como de costume, fui visitar minha tia Edith. Ela e meu tio não tiveram filhos, então nós, sobrinhos, ocupamos esse lugar. Bom, falo por mim, porque meus irmãos nunca vão visitá-la.
Fiquei de cara quando vi ele, comecei a tremer e até deu vontade de chorar. Minha tia me abraçou e me acalmou, dizendo que com ela tinha acontecido a mesma coisa.
—Viu ele? É igualzinho ao seu tio, antes do acidente, claro — diz minha tia.
—São idênticos...! — concordo.
Bom, pra mim, meu tio era bem mais gostoso, mas a semelhança é inegável.
Ela nos conta que, depois de tantos anos na Espanha, decidiu voltar pra tentar algo relacionado ao tango.
—Você podia me ensinar a dançar isso — minha tia me incentiva — Você sempre foi um baita dançarino.
Ao ouvir ela, não pude deixar de lembrar quando meu tio me ensinou a dançar tango, o jeito que ele me tocava, como me apertava contra o corpo dele e não me soltava, até que a gente terminava enroscado numa mistura de beijos e carícias que era só a antesala de algo muito mais intenso.
—Eu me inscrevo com certeza... — tento incentivá-lo.
Uma das minhas melhores amigas tem uma imobiliária, então por meio dela prometi ajudar ele a encontrar um lugar onde pudesse dar as aulas dele.
Naquela mesma semana, liguei pra ela, e ela me disse que tem uma casa que funcionava como academia de dança, mas que por causa da pandemia teve que fechar.
—Tem piso de madeira, espelhos e provadores —
Já na hora chamo o José e a gente combina de ir ver ela. Não dava pra perder tempo, porque se não alugassem como Academia, os donos já tinham decidido reformar ela como uma casa comum e qualquer.
Encontramos a Lety, minha amiga, pra conhecer o lugar. É um apartamento antigo, daqueles que se sobe por uma escada até um primeiro andar que originalmente eram dois quartos, transformados num salão de dança bem espaçoso. Tem banheiro e vestiários, e um quartinho que pode servir de recepção e escritório.
O preço é um pouco salgado, mas por ser minha amiga, a gente economiza a comissão da imobiliária. A ideia é testar, então a gente assina um contrato de três meses, renovável automaticamente pra seis e depois pra doze. Claro, eu fico como fiadora.
—Bom, agora só faltam os alunos — suspira José, no dia em que terminamos de limpar o lugar e deixá-lo pronto como uma verdadeira academia de dança.
-Já te disse que a sua primeira aluna já tá na mão- lembro a ele, me referindo a mim mesma.
Além de ser a primeira a me inscrever, também arrumei tempo pra ajudar ele a organizar tudo, fazendo de recepcionista e até postando anúncios nas redes sociais.
Por enquanto a gente não ia colocar cartazes nem nada que chamasse muita atenção, porque ainda não tínhamos resolvido a documentação necessária.
—Então, aluna — ele diz, já entrando no papel de professor — A primeira coisa que vamos ver é a postura, o abraço e os passos básicos.
Ela se coloca na minha frente, abrindo os braços. Eu sorrio, porque me lembra meu tio quando começou a me ensinar há tantos anos.
Prendo meu cabelo num rabo de cavalo e estico os braços também.
—O abraço... — ela continua, passando o braço na minha cintura.
—E esses são os passos básicos... — conclui, me guiando pela pista em oitos e varridas.
Claro, na hora ela percebe que não sou nenhuma amadora quando o assunto é a milonga.
—Você é uma parceira excelente — ele declara assim que a música "Milongueando en el 40", do Troilo e sua orquestra, termina. Essa eu dancei pra caralho com meu tio...
O tango sempre foi, pra mim, sinônimo de sexo, de trepada. Com meu tio Carlos, a gente sempre acabava transando depois que eu ficava toda boba ouvindo ele ensaiar as músicas dele.
Isso é bom pra buceta. Melzinho puro..." — ela costumava me dizer quando chupava minha boceta.
Estar ali com o irmão dele, quase um sósia, mexeu com umas emoções em mim que eu já achava que tinha superado. Meu tio já era, morreu, ninguém vai conseguir substituir ele, mas mesmo assim...
— Mary, quero te agradecer muito pela ajuda, sério, sem seu apoio eu nunca teria coragem pra tanto — ele me fala no meio da pista, já sem a música de fundo, mas ainda me segurando pela cintura.
Estamos cara a cara, com nossos rostos a centímetros, as bocas separadas só pelo nosso fôlego. Quero beijar ele, tô doida pra beijar ele, mas quando parece que ele vai tomar a iniciativa primeiro, tocam a campainha.
Ficamos um momento meio confusos, sem saber como reagir. Quando batem de novo, espio pela janela e vejo que é minha tia Edith. Lá de baixo ela me vê e me acena, já é tarde demais pra fingir que não estamos.
—Vou descer pra te abrir... — falo.
—É a tia — falo pro José — Com certeza veio ver a Academia.
—Tia foi bem na hora — ela responde, e eu não consigo evitar de sorrir.
A tia sobe, observa tudo e nos parabeniza pelo trabalho feito. Depois vou com ela, já que "o momento" com José passou.
Uns dias depois, tô no escritório, de tarde, e não consigo parar de pensar nele. Já não penso mais no meu tio, nem em como eles se parecem. Meus pensamentos são só pro José e aquele momento em que, sem falar nada, só de nos olharmos, a gente disse tudo.
Não consigo me segurar e ligo pra ele. Ele tá no meio de uma aula, mas deixa os alunos praticando e me atende.
Batemos um papo sobre coisas banais, das aulas dela, do meu trampo, até que ela me solta:
- Lembro que você me deixou uma aula pendente
—Tá com tempo, professor? Posso passar hoje mesmo pra pegar ela — sugiro, com voz de aluna gostosa.
—Sempre tenho tempo pra você, aluna — ele me confirma.
— Que horas é sua última aula? — pergunto pra ela.
—Às sete tô livre...
—Vou dar uma volta então...
Cheguei às sete e meia, pra disfarçar o quanto tô ansiosa. As aulas já tinham acabado, então a sala tá com as luzes baixas.
O José já tá me esperando com o uniforme de tango dele, o paletó, o lenço de seda e o chapéu. Ele se posiciona e a gente começa a dançar, sem música, se deixando levar pelos sentimentos.
De repente ele para, me mantendo bem colada no corpo dele, o braço me segurando pela cintura mais do que o normal.
—Acho que foi aqui que a gente parou no outro dia — ela me lembra.
—Então a gente tem que continuar de onde paramos — sugiro pra ela.
Nos olhamos só por um instante e nos beijamos. Os dois tomamos a iniciativa ao mesmo tempo, nos encontrando num beijo intenso e gostoso.
—Acho que essa vai ser minha melhor aula — responde ela ao desgrudar nossos lábios, só pra juntá-los de novo com ainda mais gosto.
Enquanto nos beijamos, começamos a tirar a roupa, agitados, exaltados, sentindo aquela febre tão familiar tomando conta dos nossos corpos.
Durante todo esse tempo fiquei apertando a pica dele por cima da calça, sentindo como ela endurece e fica dura, mas assim que ele tira, eu pego nela e, me jogando na frente dele, chupo ela pra cima e pra baixo.
Adoro saborear aquela umidade que escorre por todo o contorno dela, sentir o cheiro da fragrância vital que a impregna, sentir na minha língua a textura da carne dela.
José suspira chocado ao sentir como eu coloco ele na boca e começo a chupar sem parar, engolindo tudo, fazendo a ponta raspar na minha garganta.
É nesses momentos, quando estou de joelhos, chupando a pica de um cara, que não me importo mais com nada, só sentir e saborear, agradar e me agradar, curtir essa comunhão safada que rola entre duas pessoas.
Passo a língua nas bolas dele, sentindo aquele estalo gostoso, a urgência do prazer que se acumula e transborda.
Me levanto, deixando ela tão dura e ereta, que as veias parecem querer saltar da pele. Tiro a roupa na frente dela, sentindo os olhos me percorrendo de cima a baixo.
Meu tio adorava me ver pelada. Antes de me comer, às vezes me fazia desfilar sem nenhuma roupa, me fazendo ir e vir, enquanto batia uma punheta contemplando cada curva do meu corpo.
Dou uma volta, pra não perder nada, e enfiando os dedos na buceta, me encosto de costas num dos espelhos. Agora é ele quem se ajoelha na minha frente, e colocando uma das minhas pernas sobre os ombros, enfia a língua como se fosse um punhal.
Sinto que me desmancho de tesão quando ela começa a me chupar por dentro e por fora, cobrindo com a boca toda a minha buceta.
Já está anoitecendo, os barulhos da rua diminuem, então nesse salão de dança a única coisa que se ouve são meus gemidos e o barulho da língua dele.
Pego ele pelos cabelos e esfrego o clitóris no queixo dele, soltando uns jatos que ele engole com maior prazer.
Se levanta e me beija, os lábios molhados do meu próprio fluxo. Posso sentir o pau dele duro, entorpecido, roçando na minha buceta, cutucando bem naquele lugar onde as sensações ficam mais intensas.
Pego ela, massajo ela e coloco ela entre os meus lábios. Me seguro nas barras e abro as pernas quando ela começa a empurrar. Durante a penetração, a gente se olha nos olhos e sorri, curtindo essas sensações que se multiplicam e se espalham sem nenhum controle.
—Mais... me fode mais forte...! — eu peço.
Não sei por que, mas ele me comia como se estivesse pedindo permissão a cada metida.
Ela então me agarra pelas coxas e, colocando-as em volta da cintura dela, começa a me bombar com o vigor que eu tanto pedia.
Agora sim, o prazer se ramifica, se espalhando além dos meus sentidos. Tudo ao nosso redor parece se dissolver, se misturando com a energia da nossa paixão.
O José pode não ser um fodedor tão foda quanto meu tio Carlos, mas ele se vira muito bem. Cada metida me atinge até o fundo, sacudindo esses sensores que me fazem explodir uma atrás da outra.
Quando ele me solta, eu fico de quatro no meio da pista, com a raba bem empinada, esperando ele vir pra cima de mim. Ele vem, mas antes apaga as luzes, e aí sim, se posiciona por trás, me segura pela cintura e mete com tudo, num sabão profundo e avassalador.
Durante esse tempo, a rola não tinha caído nem um pouco, pelo contrário, nessa posição e desse ângulo, eu sentia ela muito maior e mais dura ainda.
Agora somos duas sombras entre as sombras que se movem no mesmo compasso, já não no ritmo do tango, mas do sexo, envoltos em gemidos e suor.
PLAP PLAP PLAP... o corpo dela bate no meu, me macetando com gosto e tesão.
CHAS CHAS CHAS... ecoam as palmadas que acompanham cada enfiada.
AHHHHHH... AHHHHHH... AHHHHHH... meus gemidos ecoam, cada vez mais excitados, estrondosos.
Quando me viro, ele se joga em cima de mim e, entre minhas pernas, continua me fodendo, intenso, brutal, dominante.
Nos beijamos sem parar de deslizar um dentro do outro, fazendo amor também com as línguas, com os lábios, com todos os sentidos.
Ele empurra de cima e eu de baixo, levantando o quadril e flexionando as pernas contra o corpo dele, sentindo ele se enfiar bem fundo, preenchendo com a carne dele até o meu lugar mais sagrado.
Já posso sentir os solavancos da trepada que vem vindo. A ardência, os gemidos, tudo fica mais intenso. José acelera as metidas, louco de tesão, levado por essa maré de sensações que tá prestes a arrasar tudo.
A gente continua se dando até o último momento, até que a doce agonia não dá mais pra adiar e a gente goza quase junto. Antes do fim, ela me olha daquele jeito que não precisa de interpretação. Um leve aceno meu, quase imperceptível, é mais que suficiente pra ela gozar dentro de mim. Primeiro ela goza, e depois eu, misturando minha essência com a dela.
Me agarro ainda mais no corpo dela e beijo com paixão, sentindo como se dissolve dentro de mim, transbordando com aquela agradável efusividade.
Depois da foda, ficamos um bom tempo deitados de costas no chão de madeira lustroso, minha cabeça apoiada no ombro dela.
Não falamos nada, só ficamos ali, juntos, respirando daquele jeito abafado que a gente respira depois de uma boa transa.
—Já comeu a tia Edith? — quebro o silêncio, quando me levanto pra me vestir.
Pelo jeito que ela me olha, já saco que a resposta é negativa.
—Você devia, faz tempo que ela tá sozinha — recomendo.
—É a mulher do meu irmão... — ele me lembra, como se eu não soubesse.
—Eu também fui mulher dele, e mesmo assim você me comeu.
Ela fica me encarando.
— Te surpreende? — pergunto enquanto visto o corpete.
—Nada disso, meu irmão nunca perderia uma parada dessas — ele alega, me dando um tapão na bunda.
Ele também não, pelo visto, já que tinha acabado de me dar uma trepada daquelas...
37 comentários - Tango quente...
Excelente relato amiga