“A mulher do hospital” Nunca imaginei que uma visita de rotina ao hospital mudaria minha vida de um jeito tão inesperado. Conheci ela numa tarde fria, entre corredores silenciosos e luzes brancas que pareciam não ter fim. Ela caminhava com segurança, vestindo seu uniforme impecável, o cabelo preso de um jeito elegante e um olhar que misturava doçura com algo impossível de decifrar. Era linda… linda demais pra passar despercebida. Trabalhava ali, entre emergências e plantões longos. Todo mundo parecia admirá-la, uns com respeito, outros com uma fascinação evidente. Mas tinha algo nela que não se encaixava. Algo que ficava escondido atrás daquele sorriso calmo. Nossos encontros começaram por acaso. Uma conversa rápida na cafeteria do hospital, um café dividido depois de uma noite longa, mensagens inesperadas em horários impossíveis. Aos poucos, virou rotina. Com ela, o tempo parecia parar. Tinha noites em que a gente escapava do barulho do mundo e tudo virava intensidade. Os abraços dela eram refúgio, os beijos tinham uma mistura de desejo e saudade, como se ela tentasse esquecer algo que a perseguia há anos. Nossos encontros eram apaixonados, marcados por promessas silenciosas e olhares que pareciam dizer muito mais do que as palavras conseguiam explicar. Mas eu nunca fui o único. Tinham outros caras rondando a vida dela. Pretendentes. Uns insistentes, outros discretos. Ela nunca falava muito sobre eles, embora eu visse como recebia mensagens que ignorava ou ligações que desligava assim que eu aparecia. Dizia que ninguém a entendia como eu, que comigo encontrava paz. E, mesmo assim, algo ainda parecia incompleto. Apesar de tudo, ela esteve presente nos meus piores momentos. Me acompanhou quando senti que tudo desabava, ouviu meus silêncios e segurou minha mão quando o mundo parecia estar contra mim. Era como se quisesse me mostrar que, mesmo complicada, a presença dela era real. Mas também tinha sombras. Ela sumia sem explicação por dias. Às vezes, o olhar dela se perdia ao ouvir certos nomes ou ao passar perto de uma sala abandonada do hospital. Havia boatos entre a equipe… histórias sussurradas baixinho sobre um episódio que aconteceu anos atrás, algo que ninguém queria lembrar. Uma noite, enquanto esperava por ela depois do turno, vi algo que nunca deveria ter visto. E desde aquele momento entendi que a mulher por quem eu me apaixonara não escondia só um passado… Escondia algo muito mais sombrio.
0 comentários - Tão real que parece mentira