Capítulo 33
Javier foi pro escritório dele porque tinha que preparar uns orçamentos.
— Vou dar uma corridinha que tô precisando, vai me ajudar a relaxar um pouco depois de tanta tensão — falei pra minha mina.
Ela me acompanhou até o quarto, onde eu ia trocar de roupa.
— Vou ver TV enquanto você volta. Tô muito cansada pra correr.
— Beleza, amor. O que achou da conversa com o Javier? — perguntei.
— Sei lá, querido, foi tudo muito de repente, mas acho que ele lidou bem com a situação.
— Ana, você quer continuar, né?
— Só se você quiser, mas não vou negar que vou sentir falta se a gente parar. De qualquer forma, acho que você tá com ciúme, deve ser isso que tá rolando.
— Não, juro que não, meu amor, ainda mais do Javier, com quem a gente tanto se divertiu junto. Sabe que outro no lugar dele teria forçado mais a barra, mas ele respeitou as regras que a gente estabeleceu, tirando umas coisinhas por causa da atração que sente por você e da potência sexual dele, que o filho da puta não para — falei, fazendo a gente rir junto.
— Conheço você como se tivesse me parido e continuo achando que deu um ataque de ciúme. Pelo menos não descarta isso quando ficar remoendo na sua cabeça, a de cima, claro.
— Vamos fazer um teste? — falei.
— Que teste? — ela perguntou, já sacando o que eu ia propor.
— Fica com ele enquanto eu tiver fora, pra ver se quando eu voltar sinto ciúme ou não.
— Agora? — ela perguntou, incrédula.
— Claro, enquanto eu corro, você tem minha permissão.
— Mas não tô entendendo nada, querido — ela disse.
— Só quero provar que não tenho ciúme. Além do mais, não é a primeira vez que deixo vocês a sós. Vou nessa, depois me conta se vocês transaram.
Ela não falou nada, só olhava pro chão enquanto esfregava as mãos, me vendo ir embora.
Voltei umas uma hora depois, a sala tava vazia e as roupas da minha mina e do Javier estavam no chão do escritório. O quarto dele estava com a porta fechada, eles estavam lá dentro falando quase sussurrando, com certeza comentando que eu tinha voltado. Fui até o banheiro para tomar um banho. Em um minuto, a Ana chegou só de fio dental.
— Quando você terminar, vou tomar banho agora — ela me disse.
— Beleza, amor. Como é que foi?
— Bem, tudo muito bem como sempre com ele, já sabe.
Abri o box para sair e pude ver que o triângulo do fio dental estava molhado e o esperma escorrendo pelo lado de dentro das coxas dela. Dei um abraço forte e um beijo na boca antes dela entrar no chuveiro, aliás, tinha gosto de pica pra caralho.
— Que putinha você está, sua vadia.
— Só realizei os desejos do meu corno manso — ela respondeu com um sorriso.
— Lava bem essa buceta que você tá fedendo a paca por todo lado — falei enquanto me secava.
Eu estava indo pro nosso quarto quando o Javier entrou no banheiro só de cueca.
— Que putaria que vocês aprontaram, seu filho da puta — falei enquanto já entrava no quarto.
Ela não demorou depois do banho e logo veio pro nosso quarto, fechando a porta de novo.
— Ah, você veio? — perguntei —, achei que fosse ficar mais um tempo com ele.
— Não, com o que a gente fez já tá bem resolvido. Tô me arrumando porque a gente reservou no restaurante de sempre.
— Claro, amor, vamos ter que repor as energias, porque eu tó faminto de tanto correr e vocês de tanto foder.
Demos umas risadas.
— Pois olha, sim, porque eu gozei três vezes e ele duas. Isso também desgasta pra caralho.
Rimos de novo.
— Se você engoliu alguma das gozadas dele, não vai ter muita fome. Com o que esse filho da puta jorra...
— Impossível, engoli metade, o resto caiu na cama.
Minha pica ficou dura que nem um touro, então fiz ela se apoiar na cama e, do jeito que tava, de pé atrás dela, enfiei até o talo. Ela riu no começo pela minha impaciência. mas cortou nas três primeiras investidas.
- Você vai ver o que é uma foda gostosa, sua puta.
Comecei a meter com tudo desde o início, quase no estilo do Rafa, e pensei em cinquenta coisas cada uma mais nojenta, até que depois de um bom tempo percebi que ela ia gozar, então mudei o foco pra ficar no momento. Os gemidos dela junto com meus bufados, o filho da puta do Javier deve ter ouvido como se estivéssemos do lado dele. Que se foda.
Caímos na cama um do lado do outro, minhas pernas bambearam sem saber se era por causa da corrida ou da foda que a gente tinha curtido. Ela não parava de contrair e esticar as pernas, como fazia nos melhores orgasmos dela. Quando isso acontecia, meu ego subia a alturas infinitas, inflava meu peito de orgulho, eu me sentia mais alto e poderoso, enfim, um idiota completo depois de dois minutos.
- Porra, cara, que foda da porra que você me deu - ela disse, já recuperada.
- E as que eu vou te dar essa tarde enquanto seu comedor faz orçamentos - falei, soltando uma gargalhada.
- E o ciúme, como é que fica? - ela perguntou.
- Você já viu que não sinto ciúme, minha vida, não sou ciumento. Confio em você como sempre. Sei como você me ama, tenho isso claríssimo, e acho que uma pessoa sente ciúme quando não confia no parceiro. Não é o caso, amor.
Ela não parava de acariciar meu peito, meu rosto, os lóbulos... com uma entrega e um carinho que me transbordavam.
- E agora, o que a gente faz? - ela disse -, eu não quero continuar fazendo isso sozinha com ele, só se você participar eu voltaria a ter relações com o Javier.
- Claro que sim, minha vida, espera eu me ajeitar e aí a gente vê.
A gente se deu um beijo suave e muito carinhoso antes de se arrumar pra ir ao restaurante.
Na volta, sentamos na sala como sempre fazíamos. Estávamos felizes e muito carinhosos um com o outro.
Conversamos sobre várias coisas, principalmente sobre o trabalho da Ana.
- Amanhã vou pedir pro meu chefe a rescisão do contrato. Segundo o Pelo acordo, eles poderiam me obrigar a ficar mais 15 dias, mas acho que não vão criar caso pra me liberar de imediato. Já falei pra vocês que o serviço tá bem fraco.
— E você, como tá a semana? — perguntei pro Javier.
— Agora tô tendo problemas com um dos meus fornecedores de sempre, então tô atrás de alternativas. O ruim é que vou ter que viajar uns dois dias, um deles até pra Madrid.
— Coitadinho... — disse minha namorada, passando a mão no rosto dele como se fosse um menino —, vamos sentir sua falta.
Nós dois caímos na risada. Daí ela veio na minha direção e sentou no meu colo.
Ele tinha combinado com o Rafa de tomar umas cervejas naquela tarde. Nós aproveitamos pra ir pro centro ver um filme.
De noite, nos encontramos de novo os três em casa. Preparamos um jantarzinho e fomos pra sala pra fechar o dia.
— Na terça-feira, fuck you, vou pra Madrid de avião, então vou sair daqui bem cedo. Volto à noite no último trem.
— Não precisa levar mala, né? — ela perguntou.
— Não, só a maleta.
— É uma fornecedora?
Ele soltou uma gargalhada.
— Não, sua putinha, é um fornecedor, gordo e feio. Se ainda parecesse com o Diego...
Nós três rimos.
— E amanhã, vai acordar cedo?
— Não, vou levantar mais ou menos na mesma hora que vocês. Meu primeiro cliente é às nove da manhã.
Vimos o próximo episódio de Game of Thrones, ela ficou um tempão encostada no meu lado e outro no do Javier, a safada não conseguia ficar parada sem a companhia de um de nós dois. Teve carícias entre a gente, mas não passou disso.
Depois fomos dormir os três na nossa cama.
Dormimos de conchinha e vestidos.
De manhã, eu levantei primeiro, como de costume. Tentei não acordar eles e fui pro banheiro, depois me vesti. Eles continuavam dormindo na posição de conchinha, com o braço direito dele passado por cima da cintura dela. Claro que a vara dele devia estar encostada na bunda da minha namorada.
Depois terminei o tomei café da manhã e me preparei pra dar um beijinho na minha mina antes de ir embora. Ela já tava sentada na beira da cama, colocando uma fio dental. Javier tava acordado, mas ainda deitado. Não tava de cueca e tava mostrando um tesão que não sabia se era o clássico da manhã ou se tinha ficado duro por causa do contato com a minha namorada.
-Já tão acordados, seus vagabundos - falei, me aproximando dela e dando um beijinho - bom, vou nessa que tô com o tempo contado.
-Tá bom, amor, assim que falar com meu chefe te mando uma mensagem.
-Ok, vou esperar. E você, tampa esse rabo que tem uma dama presente. Falou, seus arrombados.
Eles soltaram umas risadinhas enquanto eu saía do quarto.
Lá pelo meio da manhã, recebi a mensagem que tava esperando da Ana.Meu chefe me pediu pra ficar até quarta, que é fim de mês. Depois te passo os detalhes.Acompanhado de vários ícones com beijos.
Pensei que era lógico, pedi três dias a mais pra ela passar as tarefas pra outro colega, fazendo a rescisão coincidir com o fim do mês.
Respondi com o clássico "OK" junto com outros emojis de beijo.
Tentei comer mais leve e liguei pra ela um tempinho antes de voltar pro escritório.
— Oi, amor, já comeu? — ela respondeu na hora.
— Sim, meu love, por onde você anda?
— A cinco minutos do portão de casa.
— Me conta como foi a conversa com seu chefe.
— Tive que esperar ele terminar uma reunião, por isso não te mandei a mensagem antes. Expliquei que tinha achado outro trampo e que tavam me esperando pra começar assim que eu pedisse demissão. Ele perguntou qual era o serviço, mas não dei muitos detalhes, só que era na área de hotelaria. Depois ficou olhando o calendário, analisando as tarefas que eu tava fazendo, quem ia ter que assumir, enfim, ficou enrolando pra decidir. Aí falou que pelo acordo teria que avisar 15 dias antes, mas eu insisti que trabalhava meio período, então não tinha motivo pra esperar tanto. No fim, ele ofereceu me dar a baixa na quarta, batendo com o fim do mês.
— Acho que é justo, né? O que você acha?
— Penso igual, são só dois dias a mais e na quinta, dia primeiro, vai ser perfeito pra começar no novo trampo.
— Vai falar com o administrador?
— Vou, mas quando você estiver aqui comigo.
— Tá bom, céu. Bom, preciso ir. Beijo, minha vida.
— Outro pra você, meu love.
Quando cheguei em casa, ela tava na sala com o notebook.
— Oi, amor — falei, dando um selinho e sentando do lado dela —, o que cê tá fazendo?
— Oi, minha vida, tô aqui planejando as tarefas pro novo trabalho.
— O quêêê...? Sério? — Claro, também tô atrás das melhores empresas de marketing. Sabe que elas precisam melhorar a captação de clientes.
— Porra, te falei, nem imagina a sorte que tiveram de te encontrar.
Ela caiu na risada.
— Qual é, queria eu ser tão otimista quanto você.
— Pois vai mostrar pra eles que você é a melhor do planeta pra essa vaga.
Ela não parava de rir.
— Beleza, tem mais alguma coisa pra me contar da conversa com seu chefe?
— Não, só que contei pros meus colegas e eles ficaram felizes por mim, já sabe que são gente boa.
— E a Cris?
— Ela já sabia, e quando saí de falar com meu chefe, te mandei a mensagem e depois contei pra ela. A coitada desabou no choro, me fazendo chorar também, já sabe como sou. Foram anos muito bons naquele trabalho com ela do meu lado.
— Claro, amor, comigo foi a mesma coisa quando fui mandada embora do meu. Mas temos que ser otimistas e agradecer pelos trampos novos que temos agora.
— Sim, mas esse foi muito importante pra mim. Me deu a experiência que vou precisar daqui pra frente.
— Sabe de algo do Javier?
— Não, ele só disse que não voltaria muito tarde. Acho que deve estar chegando.
— Teve alguma coisa essa noite ou de manhã entre vocês?
— Essa noite, de vez em quando, ele me acordava com as carícias dele.
— Porra, esse Javier. E você, o que sentiu?
— Que pergunta — ela respondeu com uma gargalhada —, que eu adoro, mas na hora certa. A gente tava nas oito horas pra descansar.
— É que você deixa ele a mil, ainda mais deitada do lado dele.
— Pois você também me deixa, porque tá com um tesão de campeão.
— Vamos pra cama, antes que esse filho da puta chegue, além disso, marquei com o Carlos às oito pra tomar umas cervejas.
Fomos e deu tempo de dar aquela trepada gostosa, tranquila, mas bem apaixonada. Depois voltamos pra sala.
— Liga pro administrador agora.
Ela avisou que começava na quinta-feira, dia primeiro. Combinaram que ele mesmo Ela receberia. Já tinha o escritório preparado, além de um computador de mesa e um notebook. Depois, uma secretária ajudaria nos primeiros dias de trabalho. Também a apresentaria para o resto do pessoal que trabalhava naquelas salas.
-Tudo perfeito – ela me disse quando terminou de falar com ele. Amor, vou precisar alugar outra vaga de estacionamento para o carro novo.
-Ah, tá bom, então se quiser a gente desce e pega o que você mais gostar dos que estão disponíveis.
Nesse momento, o Javier entrou em casa, bem na hora que a gente tava saindo. A gente explicou pra ele o que ia fazer, e ele ficou pra tomar um banho e ficar à vontade.
A Ana escolheu três estacionamentos e anotou os telefones. Depois, a gente subiu pro ático.
O Javier tava no banho naquela hora, e ela, da sala, conseguiu a vaga pro ano inteiro na segunda ligação.
Tudo tava indo conforme o planejado. Depois, ela foi pra varanda falar com a amiga Cris e com as nossas irmãs.
Eu fiquei vendo TV, até o Javier chegar na sala.
-Fala, mano. Como foi tudo com o trampo da Ana?
Contei pra ele sobre a demissão do emprego dela, e que ela começava o novo na quinta.
-Nem sabe como fico feliz que tudo esteja indo tão bem.
-Fica tranquilo que não vou te agradecer, porque pra um amigo que muda sua vida, que arruma um trampo melhor do que o que você tinha, que se preocupa com a gente como ninguém faria, não dá pra agradecer nada, porque ainda por cima te enche o saco pra caralho.
-Isso, não me agradece e para de papo, filho da puta.
-Amanhã a gente tem consulta pra fazer os exames de HIV. A gente demorou um pouco, mas em alguns dias a gente tem os resultados.
-O Rafa deve ter ido hoje à tarde.
-É, foi ele quem passou o contato da clínica pra gente.
-E a Ana?
-Tá na varanda falando com a Cris e com as nossas irmãs. Vai ter conversa pra caramba.
-Ela te contou o que eu fiz essa noite?
-Claro, a gente não se Não escondemos nada, você já sabe.
— Vou ter que dormir na minha cama, porque do lado dela é impossível dormir e também não deixo ela dormir.
— Acho que é o melhor. Temos que cumprir as condições, Javier, e não pode ter sexo nas oito horas antes de levantar pra trabalhar.
— Tem razão. Bom, também não transamos, sabe, só uns roçados e pronto.
— Além disso, por enquanto não vamos continuar transando até eu me esclarecer — respondi.
— A Ana me disse que a trepada de domingo foi uma proposta sua. Por que você fez isso? — ele perguntou.
— Porque ela achava que o que eu tava sentindo era ciúme, e eu disse que não. Pra provar, dei permissão pra ela transar com você enquanto eu corria.
— Porra, Diego, queria te entender. Quando a Ana veio ao meu escritório, não acreditei no que ela tava propondo, mas você não sabe como agradeço sua generosidade com a gente.
— Sei, a Ana me disse que vocês deram uma boa trepada.
Nós dois soltamos umas gargalhadas.
— Então você vai deixar a gente continuar fazendo isso?
Olhei pra ele e percebi o quanto ele tava na expectativa da minha resposta.
— Não sei, cara. Ontem aconteceu assim e me senti bem, mas não sei se vou dar permissão de novo. Agora o corpo não tá pedindo, desculpa.
Ele concordou, soltando ao mesmo tempo todo o ar que tava preso nos pulmões.
— Tá bem, mas saiba que sempre vou estar à disposição de vocês — ele disse, e nós dois entendemos que ele continuava disponível pra foder com minha mina todas as vezes que a gente quisesse.
Pouco depois me arrumei pra ir ver meu amigo Carlos. Eles ficaram na sala vendo TV e conversando. Dei um selinho na minha mina e fui embora.
Desde que o Javier se mudou pra nossa casa, não tive chance de me encontrar com o Carlos, exceto na noite que a gente acabou na balada.
Como sempre, a gente tinha marcado num pub, onde podíamos jogar umas partidas de sinuca, que nós dois éramos muito fãs desde a adolescência. Eu era até que bom, mas o filho da puta tinha desenvolvido uma técnica que até fazia alguns espectadores se aproximarem da gente. Eu não ganhava uma partida sequer.
Depois fomos jantar num chinês, onde também era costume a gente terminar nossas conversas durante a semana.
Cheguei em casa depois das onze da noite e fui direto pro quarto, porque já era hora de dormir. Mas o Javier estava no escritório dele.
— Oi Javier, já tô de volta — falei.
A cara séria dele me deixou alerta na hora. Alguma coisa tinha acontecido enquanto eu tava fora.
Antes que ele começasse a falar, minha namorada já vinha pelo corredor, se jogando nos meus braços na mesma hora e começando a soluçar. Parecia que a parada tinha sido bem grave.
— Diego, foi imperdoável... — disse o Javier, com os cotovelos apoiados nos joelhos, o corpo inclinado e o rosto coberto pelas mãos. Ele não queria me olhar na cara, igual minha namorada, que não largava do meu pescoço, chorando que nem uma Madalena.
Eu devia estar nervoso, mas não tava, apesar da cena que tinha acabado de encontrar assim que cheguei. Será que eles tinham transado? Era o que parecia, e eu continuava super tranquilo, sem me alterar. Deixei minha namorada se acalmar enquanto passava o braço na cintura dela, dando uns apertinhos leves contra meu quadril.
— Vamos conversar de boa na sala? — falei pra tirar os dois do transe que estavam vivendo naquele momento.
Ela não parecia querer sair dali, mas não reclamou quando peguei na mão dela pra levar pro sofá. O Javier sentou na poltrona da frente pela primeira vez desde que virou nosso inquilino. Ela olhava pro chão sem soltar minha mão.
— O que aconteceu? — perguntei pra minha namorada, preferindo a versão dela do que a do Javier.
— A gente tava vendo um filme na TV e eu tava quase dormindo. Aí encostei as costas no peito do Javier, como a gente faz tantas vezes quando estamos os três... — ela começou. ela cortou e começou a soluçar de novo.
Não quis dar corda pra ela continuar, só esperei que ela fizesse isso por conta própria. Peguei um lenço da caixa que sempre deixávamos na bandeja de baixo da mesinha de centro, enquanto ela enxugava as lágrimas e assoava o nariz. No fim, conseguiu retomar a história.
— A gente foi se roçando e se acariciando até que demos um selinho, depois passou pra um beijo mais longo e aí não deu mais pra parar, até que eu tirei o pau dele da calça. Ele tinha tirado minha blusa e soltado o sutiã. Aí eu recuperei a sanidade, percebendo que não era certo o que a gente tava fazendo, e saí correndo pro nosso quarto. Não saí de lá até você chegar.
— E a sua versão? Tem algo a dizer? — perguntei pra ele.
— Não, Diego, a Ana te contou tudo nos detalhes. Tô destruído porque não sei o que teria acontecido se ela não tivesse parado. Não tenho desculpas, me desculpa.
— Agora não quero mais falar com vocês. Melhor a gente ir dormir, e amanhã converso com minha namorada. Com você, falo quando voltar da viagem.
Ninguém disse mais uma palavra. Levantamos e fomos pros nossos quartos, fechando a porta nova do nosso.
— Você devia comer alguma coisa, porque não jantou, né?
— Não, mas não tô com fome.
— Por favor, vai na cozinha e prepara qualquer coisa. Se quiser, te acompanho.
— Não, Diego, não consigo. Não tô afim de comer nada agora.
Não falamos mais nada. Fui no banheiro por uns dois minutos, depois ela foi, e logo deitamos pra dormir. Ela se aninhou contra mim, pegou minha mão e colocou entre as dela, mas naquela noite não preguei o olho. Acho que ela também não.
Quando acordamos, vimos que o Javier já tinha ido embora. O trem dele saía muito cedo.
Sempre era eu quem acordava primeiro, mas naquele dia a Ana acordou comigo. Enquanto eu me arrumava, ela fez café da manhã pra nós dois. Tava muito séria, provavelmente pensando que a gente ia comentar algo sobre o que aconteceu. Noite passada, pela primeira vez, eu tinha perdido a iniciativa e só conversávamos pra passar a manteiga, arrumar o nó da minha gravata, enfim, o de sempre de qualquer manhã quando a gente tomava café junto.
Pensei em falar com ela à tarde, sem pressa, depois de pensar bem durante o dia, se o trabalho me desse uma trégua. Então já tava quase na hora de eu ir embora.
- Até logo, amor - falei enquanto me aproximava pra dar o selinho de todo dia.
Mas não consegui dar porque ela se jogou no meu pescoço e começou a chorar de novo.
- Me perdoa, meu amor, me perdoa porque você não sabe o que eu tô sofrendo desde ontem à noite. Quero morrer, amor, te traí e não mereço você, vida minha...
Porra, que enrascada eu tinha me metido. Se ela queria morrer, eu ia junto sem dúvida nenhuma.
- Para, para, por favor, querida, não quero que você se desespere. Deixa eu pensar e depois à tarde a gente conversa, tá? Mas não tenho nada pra te perdoar, fui eu que te joguei nos braços do Javier, não esquece. Se acalma porque você me conhece e sabe que assim não posso ir embora se você não fizer isso.
Em segundos, ela começou a se soltar de mim, abaixando a cabeça sem conseguir me olhar nos olhos. Não deixei e, segurando o queixo dela, forcei ela a olhar, só pra me deixar destruído ao ver os olhos dela cheios de lágrimas e sofrimento.
- Sujei seu paletó - ela disse, acho que pra aliviar a tensão -, vamos pro quarto e você troca por outro.
Ela pegou minha mão e, meio apressada, a gente fez a troca. Depois, ela me acompanhou de volta à entrada pra se despedir.
- Já tô bem, querido, vai trabalhar tranquilo e depois a gente conversa. Você ainda me ama? - ela perguntou, mostrando uma ansiedade enorme pra saber minha resposta.
- Meu amor, eu ainda te amo e vou te amar até morrer. O que aconteceu não vai mudar o amor imenso que sinto por você.
- Eu te amo mais do que nunca, minha vida. Vai, vai trabalhar que Você vai chegar atrasada. Não corre, meu amor.
Aí sim a gente se deu aquele beijinho de todas as manhãs e eu fui pro trabalho.
A gente tinha conseguido conversar alguma coisa. Nos termos que a gente falou, eu sabia que aquele perrengue a gente ia superar na hora. Mas será que iam vir mais perrengues no futuro? Essa era a dúvida que mais me preocupava agora.
Ainda bem que no trabalho eu não parei um minuto, a gente tava no meio de um projeto essencial pra diretoria e meu chefe de TI não parou de encher o saco, mas no bom sentido.
Cheguei em casa quase uma hora antes da minha namorada, que tinha me mandado uma mensagem avisando que ia se atrasar. Deu tempo de pedalar um pouco na bicicleta ergométrica, tomar um banho, vestir a roupa de ficar em casa e esperar ela sentado na sala enquanto me distraía no celular.
Não tinha nem cinco minutos esperando quando ouvi ela abrir a porta. Ela veio com várias sacolas das compras que tinha feito. Largou tudo na poltrona e veio me dar um beijinho. Eu já tinha levantado e, conforme ela vinha, segurei ela pela cintura pra dar um beijo de verdade, carinhoso, como a gente falava.
— Comprou muita coisa? — perguntei de saudação, olhando pras sacolas.
— É roupa pro novo trabalho que começo quinta-feira, eu tinha pouca coisa do estilo que vou precisar lá.
— Acho ótimo, amor, não se preocupa que eu fiquei entretido enquanto você chegava.
Ela foi se trocar e voltou dez minutos depois vestida como sempre, com a calcinha fio dental e a camiseta de verão. Sentou do meu lado, enlaçou o braço no meu e segurou minha mão.
— Você pensou no que aconteceu ontem? — me surpreendeu a ansiedade dela em entrar no assunto.
Eu, verdade seja dita, não tinha pensado muito nisso desde minhas elucubrações da manhã.
— O que você me contou foi tudo o que rolou, né? — perguntei.
— Sim, amor, não teve mais nada, te contei exatamente como aconteceu.
— Não vou tirar a importância do que aconteceu, que tem, e muita, porque se Fez isso sem que eu estivesse presente ou tivesse minha permissão, como dizem as regras, muito pelo contrário, porque neste momento as relações sexuais estão suspensas a meu pedido — falei num tom mais sério —, mas tenho que avaliar sua reação com nota máxima. Outra no seu lugar teria terminado o serviço, isso eu te garanto, mas você conseguiu impor sua força de vontade sobre a atração que sente pelo Javier.
Ela não queria me olhar na cara, os olhos dela iam para qualquer canto da sala como se aqueles pontos tivessem a maior importância. Fez-se uma pausa longa demais que estava sufocando nós dois.
— Preciso esclarecer umas dúvidas que estão rodando na minha cabeça, amor — continuei —, a primeira é se você sente algo mais do que atração sexual pelo Javier.
— Não, te juro que não, inclusive posso te dizer que nem sinto tanta atração sexual por ele. Só que se a gente se toca, aí sim me dá vontade. A mesma coisa que quando você me dá permissão, eu faço sem problema nenhum; quando não tenho, nem penso nisso.
— Você acha que o que aconteceu ontem pode se repetir? — perguntei sobre a segunda questão.
— Nas mesmas circunstâncias, poderia acontecer, você sabe que se eu fico excitada, tenho dificuldade em parar. O importante é evitar esses aquecimentos, os roços, carícias, beijos... no fim, manter distância, isso é o mais importante pra não repetir o de ontem.
— Ana, isso não me tranquiliza muito e você sabe. Javier mora com a gente, as oportunidades vão se multiplicar com o tempo e eu já não posso confiar na palavra dele, o desejo carnal por você supera as boas intenções dele.
— Mas é que eu não vou me deixar tocar por ele se não estiverem dadas as condições que combinamos. Nisso eu tenho muita certeza.
— Tá bom, vamos esquecer esse incidente e seguir como sempre. Vou falar com ele quando voltar, mas por enquanto se prepare que não vai ter mais permissões.
Decidimos fazer a limpeza do sótão como fazíamos regularmente. depois a gente viu um pouco de TV, fez alguma coisa pra jantar e tava se preparando pra ir dormir quando o Javier voltou da viagem dele pra Madrid.
Ele cumprimentou a gente com mais seriedade que de costume, falou que ia se trocar pra voltar pra ficar com a gente e pouco depois tava nós três na sala, repetindo aquele negócio de sentar na poltrona.
— Como foi a viagem? — perguntei pra aliviar um pouco o clima pesado.
— Bem, melhor do que bem, consegui os objetivos que queria e já resolvi o problema do fornecedor — ele respondeu.
— Fico feliz, Javier. Vejo que você tem muito trampo. Se um dia precisar de uma mãozinha em alguma coisa, é só pedir.
— Pode ser que em breve eu precise de alguém pra me ajudar com as notas fiscais, pedidos, orçamentos, cês sabem, toda a parte de papelada. Mas por enquanto eu dou conta sozinho. Se eu decidir, vou ter que conversar com vocês.
— Quando você quiser. Agora vamos pro assunto que mais preocupa nós três. Tudo bem pra você? — perguntei.
— Claro que sim — ele afirmou.
— O que aconteceu foi muito grave, Javier. E se a Ana não tivesse parado, vocês teriam ido até o fim. Não quero que você me diga que isso não vai se repetir, porque você é incapaz de cumprir. Perdi a confiança em você, Javier. Você é a melhor pessoa que já conheci na vida, mas esse seu fogo te perde a ponto de você não respeitar nem um dos seus melhores amigos, ou seja, eu.
— É que eu não sei o que acontece comigo, mas não consigo ficar perto da Ana sem querer tocar ela. Juro que não é nada além de um desejo carnal, já te falei várias vezes. Não tem mais nada, sério, acredita em mim, por favor. Essa semana vou ver a Cláudia de novo e vou transar com ela porque acontece a mesma coisa. Sinto uma atração sexual enorme por ela, também já falei isso em algum momento, mas também não tô apaixonado por ela, nem quero que ela seja minha namorada, nem morar junto, nem nada do tipo. Entende? — ele se defendia, mostrando bastante convicção no que dizia. O que é de vocês é sagrado pra mim e fico muito feliz vendo o quanto vocês se amam. É que vocês são tipo minha única família, porra!
Fez uma pausa, que eu cortei de novo.
- Então me diz qual é a solução, levando em conta que nem eu nem minha mina queremos que vocês voltem a transar se um de nós não quiser, e eu, agora, não quero.
- A solução é não ficar mais junto quando estivermos sozinhos em casa. Vamos ter que ficar afastados fisicamente. Não vejo outra, Diego.
Virei o rosto pra olhar nos olhos da minha mina. Os dois tinham me dado a mesma resposta. Se se tocassem, iam perder a cabeça, iam se esquecer de mim e iam começar a foder que nem coelhos. Ela sustentou meu olhar, como confirmando todos os meus pensamentos.
- Acho que isso escapou do nosso controle, principalmente o meu, claro, fui eu que comecei tudo isso sem ver até onde podia chegar. Me sinto mais culpado que vocês e, pra ser sincero, não sei o que fazer, nem o que dizer.
- Não fala isso, Diego, a solução é bem simples. Quando estivermos sozinhos, vamos ficar longe um do outro e não vai rolar nada entre a gente. Você concorda? - perguntou pra minha mina.
- Javier, eu tô disposta a acabar com isso de uma vez, assim não vai ter mais conflito. Eu amo meu namorado, não consigo nem imaginar colocar nosso relacionamento em risco por uma foda casual que eu ia me arrepender pelo resto da vida. Não vai ter mais aproximação nem mais sexo entre a gente.
- Beleza, mas se o Diego der permissão, a gente pode fazer, né? - ele se virou pra mim.
- Não sei se isso vai rolar, mas já te falei que com o consentimento dos três, não tem que ter problema se eu compartilhar ou não. Você concorda? - agora eu buscava a resposta da minha mina.
- Sim, se for assim, por que não?
A conversa tinha terminado sem que eu ficasse 100% tranquilo, mas era a melhor solução pro que a gente tinha levantado naquela noite.
- Você jantou? - perguntou a Ana. Se quiser, te ajudo a preparar alguma coisa. — Comi um lanche no trem, mas se me ajudar, agradeceria.
Os dois foram pra cozinha e eu fiquei na sala vendo as redes sociais dos amigos. Eles conversavam na cozinha, mas falavam bem baixinho e eu não entendia nada. Era bom que dissessem o que precisassem pra eles também se acertarem. Depois de um tempo, os dois voltaram pra sala um pouco mais relaxados. Numa bandeja, ele trouxe um caldo de frango e um cachorro-quente. Tava claro que ele tava com fome.
— A gente tava comentando o problema na cozinha — me disse minha namorada —, e prometemos que isso não vai se repetir. Se não tivermos sua permissão, não rola nada.
— Tá bem, agora o que importa é cumprir essa promessa. Dou o problema por encerrado. Fez-se um novo silêncio enquanto ele tomava o caldo sem levantar a cara do prato. Quando terminou, ergueu a cabeça e, com os olhos brilhando, pediu pra gente se abraçar.
Nós três nos levantamos pra nos abraçar bem forte por quase um minuto. Depois, esperamos ele terminar a janta e fomos dormir. Amanhã seria outro dia.
Na quarta-feira à tarde, a médica da Ana deu os resultados dos exames. Quando cheguei em casa, encontrei ela no quarto se trocando, porque tinha chegado quase ao mesmo tempo que eu, então sentei ela do meu lado na beirada da cama pra ela me contar como tinha sido a consulta.
— Como a médica tinha previsto, todos os exames deram que tá tudo normal, ou seja, tá tudo bem. Ela não receitou nem um comprimido. Só falou que se em algum momento eu sentir que pode repetir, pra tentar relaxar, não focar no que vai vir em poucos instantes.
— Ou seja, pensar numa campanha antes do orgasmo chegar — falei dando uma gargalhada.
— Pois é, o problema é que você é muito bruto pra falar as coisas.
Deitei sobre ela, ficando os dois abraçados na cama com as pernas no chão. Ficamos assim um bom tempo, mas eu via como ela fez biquinho e eu quis cortar isso. Era um momento de alegria e eu queria que ela se animasse com outras coisas.
-Vamos, bora se preparar pra ir pro salão com esse putão aqui.
-Mas que pedaço de mau caminho você é...
Javier foi pro escritório dele porque tinha que preparar uns orçamentos.
— Vou dar uma corridinha que tô precisando, vai me ajudar a relaxar um pouco depois de tanta tensão — falei pra minha mina.
Ela me acompanhou até o quarto, onde eu ia trocar de roupa.
— Vou ver TV enquanto você volta. Tô muito cansada pra correr.
— Beleza, amor. O que achou da conversa com o Javier? — perguntei.
— Sei lá, querido, foi tudo muito de repente, mas acho que ele lidou bem com a situação.
— Ana, você quer continuar, né?
— Só se você quiser, mas não vou negar que vou sentir falta se a gente parar. De qualquer forma, acho que você tá com ciúme, deve ser isso que tá rolando.
— Não, juro que não, meu amor, ainda mais do Javier, com quem a gente tanto se divertiu junto. Sabe que outro no lugar dele teria forçado mais a barra, mas ele respeitou as regras que a gente estabeleceu, tirando umas coisinhas por causa da atração que sente por você e da potência sexual dele, que o filho da puta não para — falei, fazendo a gente rir junto.
— Conheço você como se tivesse me parido e continuo achando que deu um ataque de ciúme. Pelo menos não descarta isso quando ficar remoendo na sua cabeça, a de cima, claro.
— Vamos fazer um teste? — falei.
— Que teste? — ela perguntou, já sacando o que eu ia propor.
— Fica com ele enquanto eu tiver fora, pra ver se quando eu voltar sinto ciúme ou não.
— Agora? — ela perguntou, incrédula.
— Claro, enquanto eu corro, você tem minha permissão.
— Mas não tô entendendo nada, querido — ela disse.
— Só quero provar que não tenho ciúme. Além do mais, não é a primeira vez que deixo vocês a sós. Vou nessa, depois me conta se vocês transaram.
Ela não falou nada, só olhava pro chão enquanto esfregava as mãos, me vendo ir embora.
Voltei umas uma hora depois, a sala tava vazia e as roupas da minha mina e do Javier estavam no chão do escritório. O quarto dele estava com a porta fechada, eles estavam lá dentro falando quase sussurrando, com certeza comentando que eu tinha voltado. Fui até o banheiro para tomar um banho. Em um minuto, a Ana chegou só de fio dental.
— Quando você terminar, vou tomar banho agora — ela me disse.
— Beleza, amor. Como é que foi?
— Bem, tudo muito bem como sempre com ele, já sabe.
Abri o box para sair e pude ver que o triângulo do fio dental estava molhado e o esperma escorrendo pelo lado de dentro das coxas dela. Dei um abraço forte e um beijo na boca antes dela entrar no chuveiro, aliás, tinha gosto de pica pra caralho.
— Que putinha você está, sua vadia.
— Só realizei os desejos do meu corno manso — ela respondeu com um sorriso.
— Lava bem essa buceta que você tá fedendo a paca por todo lado — falei enquanto me secava.
Eu estava indo pro nosso quarto quando o Javier entrou no banheiro só de cueca.
— Que putaria que vocês aprontaram, seu filho da puta — falei enquanto já entrava no quarto.
Ela não demorou depois do banho e logo veio pro nosso quarto, fechando a porta de novo.
— Ah, você veio? — perguntei —, achei que fosse ficar mais um tempo com ele.
— Não, com o que a gente fez já tá bem resolvido. Tô me arrumando porque a gente reservou no restaurante de sempre.
— Claro, amor, vamos ter que repor as energias, porque eu tó faminto de tanto correr e vocês de tanto foder.
Demos umas risadas.
— Pois olha, sim, porque eu gozei três vezes e ele duas. Isso também desgasta pra caralho.
Rimos de novo.
— Se você engoliu alguma das gozadas dele, não vai ter muita fome. Com o que esse filho da puta jorra...
— Impossível, engoli metade, o resto caiu na cama.
Minha pica ficou dura que nem um touro, então fiz ela se apoiar na cama e, do jeito que tava, de pé atrás dela, enfiei até o talo. Ela riu no começo pela minha impaciência. mas cortou nas três primeiras investidas.
- Você vai ver o que é uma foda gostosa, sua puta.
Comecei a meter com tudo desde o início, quase no estilo do Rafa, e pensei em cinquenta coisas cada uma mais nojenta, até que depois de um bom tempo percebi que ela ia gozar, então mudei o foco pra ficar no momento. Os gemidos dela junto com meus bufados, o filho da puta do Javier deve ter ouvido como se estivéssemos do lado dele. Que se foda.
Caímos na cama um do lado do outro, minhas pernas bambearam sem saber se era por causa da corrida ou da foda que a gente tinha curtido. Ela não parava de contrair e esticar as pernas, como fazia nos melhores orgasmos dela. Quando isso acontecia, meu ego subia a alturas infinitas, inflava meu peito de orgulho, eu me sentia mais alto e poderoso, enfim, um idiota completo depois de dois minutos.
- Porra, cara, que foda da porra que você me deu - ela disse, já recuperada.
- E as que eu vou te dar essa tarde enquanto seu comedor faz orçamentos - falei, soltando uma gargalhada.
- E o ciúme, como é que fica? - ela perguntou.
- Você já viu que não sinto ciúme, minha vida, não sou ciumento. Confio em você como sempre. Sei como você me ama, tenho isso claríssimo, e acho que uma pessoa sente ciúme quando não confia no parceiro. Não é o caso, amor.
Ela não parava de acariciar meu peito, meu rosto, os lóbulos... com uma entrega e um carinho que me transbordavam.
- E agora, o que a gente faz? - ela disse -, eu não quero continuar fazendo isso sozinha com ele, só se você participar eu voltaria a ter relações com o Javier.
- Claro que sim, minha vida, espera eu me ajeitar e aí a gente vê.
A gente se deu um beijo suave e muito carinhoso antes de se arrumar pra ir ao restaurante.
Na volta, sentamos na sala como sempre fazíamos. Estávamos felizes e muito carinhosos um com o outro.
Conversamos sobre várias coisas, principalmente sobre o trabalho da Ana.
- Amanhã vou pedir pro meu chefe a rescisão do contrato. Segundo o Pelo acordo, eles poderiam me obrigar a ficar mais 15 dias, mas acho que não vão criar caso pra me liberar de imediato. Já falei pra vocês que o serviço tá bem fraco.
— E você, como tá a semana? — perguntei pro Javier.
— Agora tô tendo problemas com um dos meus fornecedores de sempre, então tô atrás de alternativas. O ruim é que vou ter que viajar uns dois dias, um deles até pra Madrid.
— Coitadinho... — disse minha namorada, passando a mão no rosto dele como se fosse um menino —, vamos sentir sua falta.
Nós dois caímos na risada. Daí ela veio na minha direção e sentou no meu colo.
Ele tinha combinado com o Rafa de tomar umas cervejas naquela tarde. Nós aproveitamos pra ir pro centro ver um filme.
De noite, nos encontramos de novo os três em casa. Preparamos um jantarzinho e fomos pra sala pra fechar o dia.
— Na terça-feira, fuck you, vou pra Madrid de avião, então vou sair daqui bem cedo. Volto à noite no último trem.
— Não precisa levar mala, né? — ela perguntou.
— Não, só a maleta.
— É uma fornecedora?
Ele soltou uma gargalhada.
— Não, sua putinha, é um fornecedor, gordo e feio. Se ainda parecesse com o Diego...
Nós três rimos.
— E amanhã, vai acordar cedo?
— Não, vou levantar mais ou menos na mesma hora que vocês. Meu primeiro cliente é às nove da manhã.
Vimos o próximo episódio de Game of Thrones, ela ficou um tempão encostada no meu lado e outro no do Javier, a safada não conseguia ficar parada sem a companhia de um de nós dois. Teve carícias entre a gente, mas não passou disso.
Depois fomos dormir os três na nossa cama.
Dormimos de conchinha e vestidos.
De manhã, eu levantei primeiro, como de costume. Tentei não acordar eles e fui pro banheiro, depois me vesti. Eles continuavam dormindo na posição de conchinha, com o braço direito dele passado por cima da cintura dela. Claro que a vara dele devia estar encostada na bunda da minha namorada.
Depois terminei o tomei café da manhã e me preparei pra dar um beijinho na minha mina antes de ir embora. Ela já tava sentada na beira da cama, colocando uma fio dental. Javier tava acordado, mas ainda deitado. Não tava de cueca e tava mostrando um tesão que não sabia se era o clássico da manhã ou se tinha ficado duro por causa do contato com a minha namorada.
-Já tão acordados, seus vagabundos - falei, me aproximando dela e dando um beijinho - bom, vou nessa que tô com o tempo contado.
-Tá bom, amor, assim que falar com meu chefe te mando uma mensagem.
-Ok, vou esperar. E você, tampa esse rabo que tem uma dama presente. Falou, seus arrombados.
Eles soltaram umas risadinhas enquanto eu saía do quarto.
Lá pelo meio da manhã, recebi a mensagem que tava esperando da Ana.Meu chefe me pediu pra ficar até quarta, que é fim de mês. Depois te passo os detalhes.Acompanhado de vários ícones com beijos.
Pensei que era lógico, pedi três dias a mais pra ela passar as tarefas pra outro colega, fazendo a rescisão coincidir com o fim do mês.
Respondi com o clássico "OK" junto com outros emojis de beijo.
Tentei comer mais leve e liguei pra ela um tempinho antes de voltar pro escritório.
— Oi, amor, já comeu? — ela respondeu na hora.
— Sim, meu love, por onde você anda?
— A cinco minutos do portão de casa.
— Me conta como foi a conversa com seu chefe.
— Tive que esperar ele terminar uma reunião, por isso não te mandei a mensagem antes. Expliquei que tinha achado outro trampo e que tavam me esperando pra começar assim que eu pedisse demissão. Ele perguntou qual era o serviço, mas não dei muitos detalhes, só que era na área de hotelaria. Depois ficou olhando o calendário, analisando as tarefas que eu tava fazendo, quem ia ter que assumir, enfim, ficou enrolando pra decidir. Aí falou que pelo acordo teria que avisar 15 dias antes, mas eu insisti que trabalhava meio período, então não tinha motivo pra esperar tanto. No fim, ele ofereceu me dar a baixa na quarta, batendo com o fim do mês.
— Acho que é justo, né? O que você acha?
— Penso igual, são só dois dias a mais e na quinta, dia primeiro, vai ser perfeito pra começar no novo trampo.
— Vai falar com o administrador?
— Vou, mas quando você estiver aqui comigo.
— Tá bom, céu. Bom, preciso ir. Beijo, minha vida.
— Outro pra você, meu love.
Quando cheguei em casa, ela tava na sala com o notebook.
— Oi, amor — falei, dando um selinho e sentando do lado dela —, o que cê tá fazendo?
— Oi, minha vida, tô aqui planejando as tarefas pro novo trabalho.
— O quêêê...? Sério? — Claro, também tô atrás das melhores empresas de marketing. Sabe que elas precisam melhorar a captação de clientes.
— Porra, te falei, nem imagina a sorte que tiveram de te encontrar.
Ela caiu na risada.
— Qual é, queria eu ser tão otimista quanto você.
— Pois vai mostrar pra eles que você é a melhor do planeta pra essa vaga.
Ela não parava de rir.
— Beleza, tem mais alguma coisa pra me contar da conversa com seu chefe?
— Não, só que contei pros meus colegas e eles ficaram felizes por mim, já sabe que são gente boa.
— E a Cris?
— Ela já sabia, e quando saí de falar com meu chefe, te mandei a mensagem e depois contei pra ela. A coitada desabou no choro, me fazendo chorar também, já sabe como sou. Foram anos muito bons naquele trabalho com ela do meu lado.
— Claro, amor, comigo foi a mesma coisa quando fui mandada embora do meu. Mas temos que ser otimistas e agradecer pelos trampos novos que temos agora.
— Sim, mas esse foi muito importante pra mim. Me deu a experiência que vou precisar daqui pra frente.
— Sabe de algo do Javier?
— Não, ele só disse que não voltaria muito tarde. Acho que deve estar chegando.
— Teve alguma coisa essa noite ou de manhã entre vocês?
— Essa noite, de vez em quando, ele me acordava com as carícias dele.
— Porra, esse Javier. E você, o que sentiu?
— Que pergunta — ela respondeu com uma gargalhada —, que eu adoro, mas na hora certa. A gente tava nas oito horas pra descansar.
— É que você deixa ele a mil, ainda mais deitada do lado dele.
— Pois você também me deixa, porque tá com um tesão de campeão.
— Vamos pra cama, antes que esse filho da puta chegue, além disso, marquei com o Carlos às oito pra tomar umas cervejas.
Fomos e deu tempo de dar aquela trepada gostosa, tranquila, mas bem apaixonada. Depois voltamos pra sala.
— Liga pro administrador agora.
Ela avisou que começava na quinta-feira, dia primeiro. Combinaram que ele mesmo Ela receberia. Já tinha o escritório preparado, além de um computador de mesa e um notebook. Depois, uma secretária ajudaria nos primeiros dias de trabalho. Também a apresentaria para o resto do pessoal que trabalhava naquelas salas.
-Tudo perfeito – ela me disse quando terminou de falar com ele. Amor, vou precisar alugar outra vaga de estacionamento para o carro novo.
-Ah, tá bom, então se quiser a gente desce e pega o que você mais gostar dos que estão disponíveis.
Nesse momento, o Javier entrou em casa, bem na hora que a gente tava saindo. A gente explicou pra ele o que ia fazer, e ele ficou pra tomar um banho e ficar à vontade.
A Ana escolheu três estacionamentos e anotou os telefones. Depois, a gente subiu pro ático.
O Javier tava no banho naquela hora, e ela, da sala, conseguiu a vaga pro ano inteiro na segunda ligação.
Tudo tava indo conforme o planejado. Depois, ela foi pra varanda falar com a amiga Cris e com as nossas irmãs.
Eu fiquei vendo TV, até o Javier chegar na sala.
-Fala, mano. Como foi tudo com o trampo da Ana?
Contei pra ele sobre a demissão do emprego dela, e que ela começava o novo na quinta.
-Nem sabe como fico feliz que tudo esteja indo tão bem.
-Fica tranquilo que não vou te agradecer, porque pra um amigo que muda sua vida, que arruma um trampo melhor do que o que você tinha, que se preocupa com a gente como ninguém faria, não dá pra agradecer nada, porque ainda por cima te enche o saco pra caralho.
-Isso, não me agradece e para de papo, filho da puta.
-Amanhã a gente tem consulta pra fazer os exames de HIV. A gente demorou um pouco, mas em alguns dias a gente tem os resultados.
-O Rafa deve ter ido hoje à tarde.
-É, foi ele quem passou o contato da clínica pra gente.
-E a Ana?
-Tá na varanda falando com a Cris e com as nossas irmãs. Vai ter conversa pra caramba.
-Ela te contou o que eu fiz essa noite?
-Claro, a gente não se Não escondemos nada, você já sabe.
— Vou ter que dormir na minha cama, porque do lado dela é impossível dormir e também não deixo ela dormir.
— Acho que é o melhor. Temos que cumprir as condições, Javier, e não pode ter sexo nas oito horas antes de levantar pra trabalhar.
— Tem razão. Bom, também não transamos, sabe, só uns roçados e pronto.
— Além disso, por enquanto não vamos continuar transando até eu me esclarecer — respondi.
— A Ana me disse que a trepada de domingo foi uma proposta sua. Por que você fez isso? — ele perguntou.
— Porque ela achava que o que eu tava sentindo era ciúme, e eu disse que não. Pra provar, dei permissão pra ela transar com você enquanto eu corria.
— Porra, Diego, queria te entender. Quando a Ana veio ao meu escritório, não acreditei no que ela tava propondo, mas você não sabe como agradeço sua generosidade com a gente.
— Sei, a Ana me disse que vocês deram uma boa trepada.
Nós dois soltamos umas gargalhadas.
— Então você vai deixar a gente continuar fazendo isso?
Olhei pra ele e percebi o quanto ele tava na expectativa da minha resposta.
— Não sei, cara. Ontem aconteceu assim e me senti bem, mas não sei se vou dar permissão de novo. Agora o corpo não tá pedindo, desculpa.
Ele concordou, soltando ao mesmo tempo todo o ar que tava preso nos pulmões.
— Tá bem, mas saiba que sempre vou estar à disposição de vocês — ele disse, e nós dois entendemos que ele continuava disponível pra foder com minha mina todas as vezes que a gente quisesse.
Pouco depois me arrumei pra ir ver meu amigo Carlos. Eles ficaram na sala vendo TV e conversando. Dei um selinho na minha mina e fui embora.
Desde que o Javier se mudou pra nossa casa, não tive chance de me encontrar com o Carlos, exceto na noite que a gente acabou na balada.
Como sempre, a gente tinha marcado num pub, onde podíamos jogar umas partidas de sinuca, que nós dois éramos muito fãs desde a adolescência. Eu era até que bom, mas o filho da puta tinha desenvolvido uma técnica que até fazia alguns espectadores se aproximarem da gente. Eu não ganhava uma partida sequer.
Depois fomos jantar num chinês, onde também era costume a gente terminar nossas conversas durante a semana.
Cheguei em casa depois das onze da noite e fui direto pro quarto, porque já era hora de dormir. Mas o Javier estava no escritório dele.
— Oi Javier, já tô de volta — falei.
A cara séria dele me deixou alerta na hora. Alguma coisa tinha acontecido enquanto eu tava fora.
Antes que ele começasse a falar, minha namorada já vinha pelo corredor, se jogando nos meus braços na mesma hora e começando a soluçar. Parecia que a parada tinha sido bem grave.
— Diego, foi imperdoável... — disse o Javier, com os cotovelos apoiados nos joelhos, o corpo inclinado e o rosto coberto pelas mãos. Ele não queria me olhar na cara, igual minha namorada, que não largava do meu pescoço, chorando que nem uma Madalena.
Eu devia estar nervoso, mas não tava, apesar da cena que tinha acabado de encontrar assim que cheguei. Será que eles tinham transado? Era o que parecia, e eu continuava super tranquilo, sem me alterar. Deixei minha namorada se acalmar enquanto passava o braço na cintura dela, dando uns apertinhos leves contra meu quadril.
— Vamos conversar de boa na sala? — falei pra tirar os dois do transe que estavam vivendo naquele momento.
Ela não parecia querer sair dali, mas não reclamou quando peguei na mão dela pra levar pro sofá. O Javier sentou na poltrona da frente pela primeira vez desde que virou nosso inquilino. Ela olhava pro chão sem soltar minha mão.
— O que aconteceu? — perguntei pra minha namorada, preferindo a versão dela do que a do Javier.
— A gente tava vendo um filme na TV e eu tava quase dormindo. Aí encostei as costas no peito do Javier, como a gente faz tantas vezes quando estamos os três... — ela começou. ela cortou e começou a soluçar de novo.
Não quis dar corda pra ela continuar, só esperei que ela fizesse isso por conta própria. Peguei um lenço da caixa que sempre deixávamos na bandeja de baixo da mesinha de centro, enquanto ela enxugava as lágrimas e assoava o nariz. No fim, conseguiu retomar a história.
— A gente foi se roçando e se acariciando até que demos um selinho, depois passou pra um beijo mais longo e aí não deu mais pra parar, até que eu tirei o pau dele da calça. Ele tinha tirado minha blusa e soltado o sutiã. Aí eu recuperei a sanidade, percebendo que não era certo o que a gente tava fazendo, e saí correndo pro nosso quarto. Não saí de lá até você chegar.
— E a sua versão? Tem algo a dizer? — perguntei pra ele.
— Não, Diego, a Ana te contou tudo nos detalhes. Tô destruído porque não sei o que teria acontecido se ela não tivesse parado. Não tenho desculpas, me desculpa.
— Agora não quero mais falar com vocês. Melhor a gente ir dormir, e amanhã converso com minha namorada. Com você, falo quando voltar da viagem.
Ninguém disse mais uma palavra. Levantamos e fomos pros nossos quartos, fechando a porta nova do nosso.
— Você devia comer alguma coisa, porque não jantou, né?
— Não, mas não tô com fome.
— Por favor, vai na cozinha e prepara qualquer coisa. Se quiser, te acompanho.
— Não, Diego, não consigo. Não tô afim de comer nada agora.
Não falamos mais nada. Fui no banheiro por uns dois minutos, depois ela foi, e logo deitamos pra dormir. Ela se aninhou contra mim, pegou minha mão e colocou entre as dela, mas naquela noite não preguei o olho. Acho que ela também não.
Quando acordamos, vimos que o Javier já tinha ido embora. O trem dele saía muito cedo.
Sempre era eu quem acordava primeiro, mas naquele dia a Ana acordou comigo. Enquanto eu me arrumava, ela fez café da manhã pra nós dois. Tava muito séria, provavelmente pensando que a gente ia comentar algo sobre o que aconteceu. Noite passada, pela primeira vez, eu tinha perdido a iniciativa e só conversávamos pra passar a manteiga, arrumar o nó da minha gravata, enfim, o de sempre de qualquer manhã quando a gente tomava café junto.
Pensei em falar com ela à tarde, sem pressa, depois de pensar bem durante o dia, se o trabalho me desse uma trégua. Então já tava quase na hora de eu ir embora.
- Até logo, amor - falei enquanto me aproximava pra dar o selinho de todo dia.
Mas não consegui dar porque ela se jogou no meu pescoço e começou a chorar de novo.
- Me perdoa, meu amor, me perdoa porque você não sabe o que eu tô sofrendo desde ontem à noite. Quero morrer, amor, te traí e não mereço você, vida minha...
Porra, que enrascada eu tinha me metido. Se ela queria morrer, eu ia junto sem dúvida nenhuma.
- Para, para, por favor, querida, não quero que você se desespere. Deixa eu pensar e depois à tarde a gente conversa, tá? Mas não tenho nada pra te perdoar, fui eu que te joguei nos braços do Javier, não esquece. Se acalma porque você me conhece e sabe que assim não posso ir embora se você não fizer isso.
Em segundos, ela começou a se soltar de mim, abaixando a cabeça sem conseguir me olhar nos olhos. Não deixei e, segurando o queixo dela, forcei ela a olhar, só pra me deixar destruído ao ver os olhos dela cheios de lágrimas e sofrimento.
- Sujei seu paletó - ela disse, acho que pra aliviar a tensão -, vamos pro quarto e você troca por outro.
Ela pegou minha mão e, meio apressada, a gente fez a troca. Depois, ela me acompanhou de volta à entrada pra se despedir.
- Já tô bem, querido, vai trabalhar tranquilo e depois a gente conversa. Você ainda me ama? - ela perguntou, mostrando uma ansiedade enorme pra saber minha resposta.
- Meu amor, eu ainda te amo e vou te amar até morrer. O que aconteceu não vai mudar o amor imenso que sinto por você.
- Eu te amo mais do que nunca, minha vida. Vai, vai trabalhar que Você vai chegar atrasada. Não corre, meu amor.
Aí sim a gente se deu aquele beijinho de todas as manhãs e eu fui pro trabalho.
A gente tinha conseguido conversar alguma coisa. Nos termos que a gente falou, eu sabia que aquele perrengue a gente ia superar na hora. Mas será que iam vir mais perrengues no futuro? Essa era a dúvida que mais me preocupava agora.
Ainda bem que no trabalho eu não parei um minuto, a gente tava no meio de um projeto essencial pra diretoria e meu chefe de TI não parou de encher o saco, mas no bom sentido.
Cheguei em casa quase uma hora antes da minha namorada, que tinha me mandado uma mensagem avisando que ia se atrasar. Deu tempo de pedalar um pouco na bicicleta ergométrica, tomar um banho, vestir a roupa de ficar em casa e esperar ela sentado na sala enquanto me distraía no celular.
Não tinha nem cinco minutos esperando quando ouvi ela abrir a porta. Ela veio com várias sacolas das compras que tinha feito. Largou tudo na poltrona e veio me dar um beijinho. Eu já tinha levantado e, conforme ela vinha, segurei ela pela cintura pra dar um beijo de verdade, carinhoso, como a gente falava.
— Comprou muita coisa? — perguntei de saudação, olhando pras sacolas.
— É roupa pro novo trabalho que começo quinta-feira, eu tinha pouca coisa do estilo que vou precisar lá.
— Acho ótimo, amor, não se preocupa que eu fiquei entretido enquanto você chegava.
Ela foi se trocar e voltou dez minutos depois vestida como sempre, com a calcinha fio dental e a camiseta de verão. Sentou do meu lado, enlaçou o braço no meu e segurou minha mão.
— Você pensou no que aconteceu ontem? — me surpreendeu a ansiedade dela em entrar no assunto.
Eu, verdade seja dita, não tinha pensado muito nisso desde minhas elucubrações da manhã.
— O que você me contou foi tudo o que rolou, né? — perguntei.
— Sim, amor, não teve mais nada, te contei exatamente como aconteceu.
— Não vou tirar a importância do que aconteceu, que tem, e muita, porque se Fez isso sem que eu estivesse presente ou tivesse minha permissão, como dizem as regras, muito pelo contrário, porque neste momento as relações sexuais estão suspensas a meu pedido — falei num tom mais sério —, mas tenho que avaliar sua reação com nota máxima. Outra no seu lugar teria terminado o serviço, isso eu te garanto, mas você conseguiu impor sua força de vontade sobre a atração que sente pelo Javier.
Ela não queria me olhar na cara, os olhos dela iam para qualquer canto da sala como se aqueles pontos tivessem a maior importância. Fez-se uma pausa longa demais que estava sufocando nós dois.
— Preciso esclarecer umas dúvidas que estão rodando na minha cabeça, amor — continuei —, a primeira é se você sente algo mais do que atração sexual pelo Javier.
— Não, te juro que não, inclusive posso te dizer que nem sinto tanta atração sexual por ele. Só que se a gente se toca, aí sim me dá vontade. A mesma coisa que quando você me dá permissão, eu faço sem problema nenhum; quando não tenho, nem penso nisso.
— Você acha que o que aconteceu ontem pode se repetir? — perguntei sobre a segunda questão.
— Nas mesmas circunstâncias, poderia acontecer, você sabe que se eu fico excitada, tenho dificuldade em parar. O importante é evitar esses aquecimentos, os roços, carícias, beijos... no fim, manter distância, isso é o mais importante pra não repetir o de ontem.
— Ana, isso não me tranquiliza muito e você sabe. Javier mora com a gente, as oportunidades vão se multiplicar com o tempo e eu já não posso confiar na palavra dele, o desejo carnal por você supera as boas intenções dele.
— Mas é que eu não vou me deixar tocar por ele se não estiverem dadas as condições que combinamos. Nisso eu tenho muita certeza.
— Tá bom, vamos esquecer esse incidente e seguir como sempre. Vou falar com ele quando voltar, mas por enquanto se prepare que não vai ter mais permissões.
Decidimos fazer a limpeza do sótão como fazíamos regularmente. depois a gente viu um pouco de TV, fez alguma coisa pra jantar e tava se preparando pra ir dormir quando o Javier voltou da viagem dele pra Madrid.
Ele cumprimentou a gente com mais seriedade que de costume, falou que ia se trocar pra voltar pra ficar com a gente e pouco depois tava nós três na sala, repetindo aquele negócio de sentar na poltrona.
— Como foi a viagem? — perguntei pra aliviar um pouco o clima pesado.
— Bem, melhor do que bem, consegui os objetivos que queria e já resolvi o problema do fornecedor — ele respondeu.
— Fico feliz, Javier. Vejo que você tem muito trampo. Se um dia precisar de uma mãozinha em alguma coisa, é só pedir.
— Pode ser que em breve eu precise de alguém pra me ajudar com as notas fiscais, pedidos, orçamentos, cês sabem, toda a parte de papelada. Mas por enquanto eu dou conta sozinho. Se eu decidir, vou ter que conversar com vocês.
— Quando você quiser. Agora vamos pro assunto que mais preocupa nós três. Tudo bem pra você? — perguntei.
— Claro que sim — ele afirmou.
— O que aconteceu foi muito grave, Javier. E se a Ana não tivesse parado, vocês teriam ido até o fim. Não quero que você me diga que isso não vai se repetir, porque você é incapaz de cumprir. Perdi a confiança em você, Javier. Você é a melhor pessoa que já conheci na vida, mas esse seu fogo te perde a ponto de você não respeitar nem um dos seus melhores amigos, ou seja, eu.
— É que eu não sei o que acontece comigo, mas não consigo ficar perto da Ana sem querer tocar ela. Juro que não é nada além de um desejo carnal, já te falei várias vezes. Não tem mais nada, sério, acredita em mim, por favor. Essa semana vou ver a Cláudia de novo e vou transar com ela porque acontece a mesma coisa. Sinto uma atração sexual enorme por ela, também já falei isso em algum momento, mas também não tô apaixonado por ela, nem quero que ela seja minha namorada, nem morar junto, nem nada do tipo. Entende? — ele se defendia, mostrando bastante convicção no que dizia. O que é de vocês é sagrado pra mim e fico muito feliz vendo o quanto vocês se amam. É que vocês são tipo minha única família, porra!
Fez uma pausa, que eu cortei de novo.
- Então me diz qual é a solução, levando em conta que nem eu nem minha mina queremos que vocês voltem a transar se um de nós não quiser, e eu, agora, não quero.
- A solução é não ficar mais junto quando estivermos sozinhos em casa. Vamos ter que ficar afastados fisicamente. Não vejo outra, Diego.
Virei o rosto pra olhar nos olhos da minha mina. Os dois tinham me dado a mesma resposta. Se se tocassem, iam perder a cabeça, iam se esquecer de mim e iam começar a foder que nem coelhos. Ela sustentou meu olhar, como confirmando todos os meus pensamentos.
- Acho que isso escapou do nosso controle, principalmente o meu, claro, fui eu que comecei tudo isso sem ver até onde podia chegar. Me sinto mais culpado que vocês e, pra ser sincero, não sei o que fazer, nem o que dizer.
- Não fala isso, Diego, a solução é bem simples. Quando estivermos sozinhos, vamos ficar longe um do outro e não vai rolar nada entre a gente. Você concorda? - perguntou pra minha mina.
- Javier, eu tô disposta a acabar com isso de uma vez, assim não vai ter mais conflito. Eu amo meu namorado, não consigo nem imaginar colocar nosso relacionamento em risco por uma foda casual que eu ia me arrepender pelo resto da vida. Não vai ter mais aproximação nem mais sexo entre a gente.
- Beleza, mas se o Diego der permissão, a gente pode fazer, né? - ele se virou pra mim.
- Não sei se isso vai rolar, mas já te falei que com o consentimento dos três, não tem que ter problema se eu compartilhar ou não. Você concorda? - agora eu buscava a resposta da minha mina.
- Sim, se for assim, por que não?
A conversa tinha terminado sem que eu ficasse 100% tranquilo, mas era a melhor solução pro que a gente tinha levantado naquela noite.
- Você jantou? - perguntou a Ana. Se quiser, te ajudo a preparar alguma coisa. — Comi um lanche no trem, mas se me ajudar, agradeceria.
Os dois foram pra cozinha e eu fiquei na sala vendo as redes sociais dos amigos. Eles conversavam na cozinha, mas falavam bem baixinho e eu não entendia nada. Era bom que dissessem o que precisassem pra eles também se acertarem. Depois de um tempo, os dois voltaram pra sala um pouco mais relaxados. Numa bandeja, ele trouxe um caldo de frango e um cachorro-quente. Tava claro que ele tava com fome.
— A gente tava comentando o problema na cozinha — me disse minha namorada —, e prometemos que isso não vai se repetir. Se não tivermos sua permissão, não rola nada.
— Tá bem, agora o que importa é cumprir essa promessa. Dou o problema por encerrado. Fez-se um novo silêncio enquanto ele tomava o caldo sem levantar a cara do prato. Quando terminou, ergueu a cabeça e, com os olhos brilhando, pediu pra gente se abraçar.
Nós três nos levantamos pra nos abraçar bem forte por quase um minuto. Depois, esperamos ele terminar a janta e fomos dormir. Amanhã seria outro dia.
Na quarta-feira à tarde, a médica da Ana deu os resultados dos exames. Quando cheguei em casa, encontrei ela no quarto se trocando, porque tinha chegado quase ao mesmo tempo que eu, então sentei ela do meu lado na beirada da cama pra ela me contar como tinha sido a consulta.
— Como a médica tinha previsto, todos os exames deram que tá tudo normal, ou seja, tá tudo bem. Ela não receitou nem um comprimido. Só falou que se em algum momento eu sentir que pode repetir, pra tentar relaxar, não focar no que vai vir em poucos instantes.
— Ou seja, pensar numa campanha antes do orgasmo chegar — falei dando uma gargalhada.
— Pois é, o problema é que você é muito bruto pra falar as coisas.
Deitei sobre ela, ficando os dois abraçados na cama com as pernas no chão. Ficamos assim um bom tempo, mas eu via como ela fez biquinho e eu quis cortar isso. Era um momento de alegria e eu queria que ela se animasse com outras coisas.
-Vamos, bora se preparar pra ir pro salão com esse putão aqui.
-Mas que pedaço de mau caminho você é...
0 comentários - Javier nos ayuda (Capítulo 33)