PRÓLOGO A hora do lobo..... A hora do lobo" /> PRÓLOGO A hora do lobo..... A hora do lobo" /> Atrás da porta - Poringa!

Atrás da porta

O normal é uma ilusão.
O que é normal pra aranha pode ser o caos pra mosca.

Morticia Addams.


( põe pra tocar, por favor... )

PRÓLOGO
A hora do lobo.....
A hora do lobo é o momento entre a noite e a aurora quando a maioria das pessoas morre, quando o sono é mais profundo, quando os pesadelos são mais reais, quando os insones são assombrados por seus maiores medos, quando os fantasmas e demônios são mais poderosos porque há um conflito em cada coração humano, entre o racional e o irracional, entre o bem e o mal, e nem sempre o bem vence. Às vezes, o lado sombrio se impõe sobre o que Lincoln chamou de anjo bom da nossa natureza. Todos nós temos nosso limite de resistência.
Você e eu também.


CORPO
As lembranças dos meus primeiros anos estão ligadas a essa mansão e aos seus livros, dos quais não vou mais falar.
Foi nessa mansão que eu nasci. As realidades do mundo terrestre me afetavam como visões, enquanto as ideias estranhas do mundo dos sonhos, pelo contrário, tornaram-se não apenas matéria da minha existência cotidiana, mas realmente minha clínica e total existência.
Entre a numerosa série de doenças provocadas por aquele evento fatal que foi meu nascimento, é preciso mencionar como a mais angustiante e obstinada um tipo de epilepsia que frequentemente terminava em um estado de catalepsia, estado muito parecido com a extinção da vida, do qual, na maioria dos casos, eu despertava de forma brusca e repentina.
Nos intervalos lúcidos do meu mal, não deixava de meditar com frequência, amargamente, nos prodigiosos mecanismos pelos quais havia chegado a produzir-se tal revolução repentina e estranha. Fiel ao seu próprio caráter, meu intelecto se recreava nas mudanças de menor importância, mas mais chamativas, produzidas na minha constituição física – profetas de alguma estranha e espantosa deformação da minha identidade pessoal?
A tarde caiu sobre mim; e veio a escuridão, durou e se foi, e amanheceu o novo dia, e as brumas de uma segunda noite se acumularam ao redor, e eu continuava imóvel, sentado, naquela sala solitária; e seguia imerso na meditação.
Foi minha imaginação excitada por um novo episódio de tal mal; a influência da atmosfera brumosa, a luz incerta do crepúsculo no quarto; os cinzas que iam tomando conta da minha visão que deram um contorno tão vacilante e indefinido na sua presença espontânea? Ela não disse uma palavra e eu por nada deste mundo poderia ter pronunciado uma sílaba.
De repente, ela se dissipou na escuridão, a tênue luz que ainda distinguia se apagou e reapareceu seminua, radiante e difusa... Lentamente, os monstros a rodearam, seres que tinham deformado seus corpos à base. Piercings ou amputações que, em um espetáculo macabro, fornicavam sem parar, sentindo prazer na dor.
Uma boca se abriu e uma língua destruída por piercings começou a lamber ela lentamente. Uma lâmina foi acariciando a pele macia da sua vítima. Aos poucos, a pressão aumentou, cortando-a, e o sangue foi escorrendo devagar.

Os vai e vem da minha mente atordoada não me davam paz, mas desde o primeiro momento eu sabia que era real — ou pelo menos deveria ser —, principalmente o prazer estampado no rosto dela. Lentamente, ver aquela lâmina cortando ela, ver aqueles alfinetes cravando na pele dela começou a excitá-la. Ela sentiu com muito prazer aqueles pregos sendo cravados nas mãos dela, ou como chegava ao orgasmo ao ver a cicatriz feita pelas lâminas sendo aberta devagar... Ela caminhou lentamente, erguendo os braços destruídos, ainda com sangue escorrendo pelos braços.

Naquele momento, o último parafuso da minha cabeça caiu no chão por causa da excitação da dor. Ela cravou um parafuso no antebraço e começou a girar até enfiá-lo na carne; quando sentiu a dor, começou a acariciar os peitinhos dela, estava prestes a explodir. Começaram a chover cortes e mais cortes no corpo tenro da jovem, que, com malícia, não paravam de cortá-la devagar enquanto ela se masturbava. Ela lambia os lábios ao sentir o aço abrindo caminho entre o sangue e a carne dela — era prazer.

Na mesa ao meu lado, a lâmpada brilhou, e perto dela tinha uma caixinha com bisturis. Não tinha uma aparência chamativa, e eu já tinha visto ela antes, porque pertencia ao médico da família. Mas como tinha ido parar ali, na minha mesa, e por que eu me arrepiei ao olhar pra ela??? Lembranças sinistras, horrorosas, incompreensíveis... Não valiam a pena serem lembradas, e finalmente meus olhos caíram sobre minhas mãos abertas, cobertas de sangue.

Batidas fortes vieram então na porta...

_ POLÍCIA!! Abra a porta!! Abra a porta ou vamos arrombá-la!! ABRA!!!


EPÍLOGO
"Querida mãe, escrevo estas linhas porque você deve estar preocupada por não ter notícias minhas nas últimas semanas, mas minha situação aqui complicou pra caralho. Fui acusado oficialmente de assassinato. A acusação é injusta, considerando as circunstâncias.

Na vida, tem muitos momentos pra compaixão e ternura, e muitos pra crueldade, pra aquelas ações que chamam de impiedosas, mas que, em muitos casos, é só clarividência. Sacar o que precisa ser feito e fazer...
Direto, sem hesitar, consciente, assumindo a bronca. Aqui tinha um jeito de viver sem peso na consciência.

Se me perguntam por que queremos continuar aqui, vou dizer que é nosso, nos pertence, mantém nossa família unida.
A gente lutou por isso, e eles sempre vieram bater na nossa porta pra se servir dos horrores deles. Mas não têm o direito de me chamar de assassino. Têm o direito de me matar... Mas não têm nenhum direito de me julgar.

Já pensaram em liberdade de verdade? Ser livre da opinião dos outros, até da própria opinião.
Não pode acontecer nada. Tem algo de idiota nessa manobra toda; uma sensação de palhaçada sinistra nesse show todo.

E se me matarem, mãe, queria contar com alguém que fosse em casa e contasse tudo pro meu filho, tudo o que viram, porque não tem nada que eu deteste mais que o fedor da mentira.
Dessa carta, conta pro mundo o que quiser. Quanto às acusações que tão me jogando, não tô nem aí. Tô acima dessa moral falsa deles, que, claro, não compartilho. Seu querido e amado filho......



PD: Este post tem sua inspiração nos mestres do terror escrito, na sua imaginação perversa e no comentário alegre, mas hoje infeliz,@MIsko-Jonesem http://www.poringa.net/posts/relatos/2806103/Que-culpa-tiene-jazmin-al-trabuk.html
Lembrem: Quanto custa uma alegria?

10 comentários - Atrás da porta

que relato , un morbo tremendo , exelente pluma vann pts
Gracias capos !! Recuperando el tiempo sin postear .... un abrazo !
@elledany exelente , no se pierda
@mdqpablo ya estamos .....ya estamos .
Que buen relato amigo, desde la frase del principio hasta el EPILOGO, pero me quedo con el comienzo que dice "Lo normal es una ilusión. Lo que es normal para la araña puede ser el caos para la mosca." sintetiza muchas cosas de la vida diaria y te hace reflexionar sobre los problemas o la rutina diaria, me gusto mucho tu aporte bro ¡¡¡

Atrás da porta
Te agradezco y sabès que comparto tu opinión ? No deja de ser algo loco que una frase tomado de un personaje de La Familia Adams de forma còmica ( en principio , jejejeee )
nos hable de la vida , o no tan loco ? jajajaaaa ! Un abrazo .
Abrazo amigo mio!!
Le salió el lado oscuro querido amigo......
Si las ilusiones son el resultado de la combinación de poca claridad perceptiva y un estado emocional intenso quiero decir que generalmente cuando apago la luz tengo "poca claridad perceptiva" y siempre estoy en "un estado emocional intenso" (o sea caliente como una pipa....)
Le dejo mis puntines y la reco !


Gracias por compartir.
Angie te deja Besos y Lamiditas !!!

carne
La mejor forma de agradecer la buena onda que se recibe es comentando, al menos al que te comenta. Yo comenté tu post, vos comentaste el mío?
Compartamos, comentemos, apoyemos, hagamos cada vez mejor esta maravillosa Comunidad !!!
Maravilloso poder de síntesis ....

masturbava

( Abrazooooo )
Como si Poe se volviese calentón...
Wendigo le manda saludos ....

laminas
@elledany ¡No me diga que anda por Chthulhu! Cuántos recuerdos...
@Pervberto nunca nos fuimos .....

Atrás da porta
apocalíptica inspiración amigo!
Màs o menos ... estuve mucho tiempo al dope sin la compu , jajajaaaaa !!