15. O grupo
No dia seguinte, da janela do seu novo quarto, envolta na capa, Claudine observou a chegada de vários carros que estacionavam em frente à entrada. As pessoas que desciam deles iam entrando na casa. Aquele movimento deixou Claudine inquieta.
Eugene entrou no quarto de Claudine e deixou sobre a cama algumas roupas, muito parecidas com as que ele trouxe pela manhã.
— Bom dia — disse com serenidade —. Vista-se, por favor. Precisa me acompanhar.
Eugene se virou para lhe dar um pouco de privacidade, mas não saiu do quarto.
De todos os habitantes da casa, aquele era o único que inspirava um pouco de confiança em Claudine. Não era um depravado como os outros, e falava com ela com educação.
Enquanto Claudine terminava de vestir o vestido, se atreveu a perguntar:
— Não vão me machucar, vão?
— Vire-se, por favor; vou vendar seus olhos.
Depois de vendar seus olhos, Eugene a pegou suavemente pelo braço e a tirou do quarto.
Quando chegaram à escada que levava ao andar de baixo, Eugene disse:
— Cuidado com os degraus. Vamos descer.
No meio do caminho, Eugene parou Claudine.
— Me faça um favor, Claudine: quando chegar a hora, tente não pensar em nada; esvazie a mente. Relaxe. Vai ser melhor, entendeu?
Se o que Claudine sentiu naquele instante tivesse sido experimentado por Eugene, talvez ele tivesse tentado convencê-la a quebrar o trato e voltar para casa, assumindo as consequências da sua deslealdade.
A senhora Wallace, segurando o braço do último dos seus convidados, entrou na sala. O homem que a acompanhava se chamava Omar Binns, e era dono de vários hotéis da cidade. Omar Binns ficou conhecido nos círculos sociais mais selecionados quando uma de suas amantes, esposa de um alto cargo do governo, tirou a própria vida. Ela, antes de fazer isso, deixou escrita uma nota na qual o acusava de ser o culpado pela sua Desgraças. A mãe dela, de origem árabe, foi a culpada pelo seu charme; foi dela que herdou a pele morena, a boca larga e o olhar profundo. Do pai, por outro lado, herdou o porte distinto e uma grande fortuna. O que ninguém sabe, o que na época se desconhecia, era de onde vinham suas tendências sádicas sexuais.
Com a intenção de cumprimentar o resto dos convidados, os dois fizeram um percurso protocolar pelo salão.
Ao passarem pelo sofá, levantaram-se de seus assentos a senhorita Madeline Galloway e sua escrava Chloe. No mundo perverso que as unia, ambas as mulheres constituíam duas partes opostas de uma mesma razão. Madeline era uma mulher linda, de traços suaves; tinha cabelo loiro; um cabelo que, geralmente, costumava usar preso de um jeito assimétrico. Sua boca alongada, formada por lábios bem finos, guardava uma dentição quase perfeita. Era toda ela uma imagem limpa, segura de si e incorrupta; bem ao contrário de sua escrava, que era suja, largada e corrupta; um animal que, arrumado, teria ofuscado a beleza de sua ama e de quantas mulheres se aproximassem dela. Entre mulheres gostosas, a beleza da morena é para a loira o que, em inteligência e na maioria dos aspectos, a mulher é para o homem: superior em todas as dimensões.
Quase ao mesmo tempo, levantaram-se do sofá o jovem casal formado por Aidan e Carol. Ambos, jovens e endinheirados, representavam um casamento exemplar. Eram um daqueles pares que, assim como Madeline e Chloe, se complementavam perfeitamente. Ela tinha a ponta do nariz empinada, com um certo ar de superioridade, o que, somado ao seu sorriso gracioso e permanente, a obrigava a mostrar com frequência os dentes incisivos superiores, dando ao rosto dela a aparência de uma ratinha simpática farejando um pedaço de queijo. Vestia naquele dia uma camisa florada marrom combinando com a saia, longa e lisa. Elisabeth achou que ela se vestia como uma secretária vulgar, bem anos Moda nas jovens daquela época. O marido dela, um cara alto, de cabelo loiro e entradas profundas, tinha um rosto adorável, simpático e bonachão.
Carol olhou com um sorriso safado pro homem tão aposto e elegante que tinha na frente. Ele era gostoso e atraente, e tinha algo que, mesmo sendo ela uma mulher de princípios dominantes, fez com que sentisse vontade de ser dominada por ele.
Um pouco mais adiante, olhando a vitrine que protegia do pó uma coleção inteira de chicotes, estava um homem miúdo, raquítico, de semblante sereno e olhar inteligente. O que se destacava nele era sua capacidade oratória, da qual fazia questão de exibir durante suas intervenções na câmara dos Lordes. Esse homem se chamava Robert Boldt, e tinha como vício a estrangulação. Acompanhava ele Rose, uma mulher de meia-idade, viciada em enganação e amante da disciplina.
No fundo da sala, perto da lareira, com a cabeça baixa pra esconder o rosto e os braços cruzados, um homem que se destacava pela corpulência ficava separado dos outros. Omar Binns cumprimentou todo mundo e fez as apresentações, exceto desse sujeito que todos conheciam mas ninguém falava; depois, focou a atenção na anfitriã, enchendo ela de elogios e boas palavras.
Em todas essas pessoas existia um denominador comum: a perversão, capacidade que a pequena Emily também tinha. Mas entre todos aqueles convidados e a pequena existia a diferença de que, uns, num dado momento, podiam ter seus atos modificados ou afetados por um sentimento de compaixão; isso, na nossa pequena diaba, era impossível.
Depois de um tempo, Elisabeth, após se desculpar com o convidado, se aproximou de Eugene e indicou que ele já podia preparar a Claudine e trazê-la pra baixo.
Claudine entrou na sala com a cabeça baixa, arrastando os pés descalços. Todos os presentes notaram a chegada dela, mas ninguém, exceto a dona e uma convidada, mostrou maior interesse nela, então as conversas que mal se mantinham em pouco ou nada foram afetadas. Estas, mesmo conduzidas sem muito alvoroço, causavam tal efeito no salão que Claudine achou estar diante de umas vinte pessoas, todas elas, talvez, dispostas a curtir o corpo dela, conclusão a que chegou depois de ter sido levada ao salão de olhos vendados e sem uma única peça de roupa sob a capa que cobria seu corpo.
—Fique quieta —disse Eugene, com indolência—. Não se mexa.
Entre os olhares intermitentes que Claudine recebia, um se mantinha fiel a ela e a observava com atenção. Esse olhar pertencia a uma pessoa que soubera perceber a diferença entre aquela escrava e as outras. Tinha reconhecido nela o terror verdadeiro, a angústia, e vislumbrado as duas manchas úmidas que se formaram na venda que cobria seus olhos. Aquela escrava sofria antes de ser torturada; isso a agradava. A pessoa que assim a examinava era Madeline, e o fazia sem perceber que, por sua vez, era observada por Chloe, sua amante e escrava, que, vendo o interesse que aquela puta suja despertava em sua dona, ardia de ciúmes.
Enquanto isso, Fabian circulava entre os convidados, trocando suas taças vazias e oferecendo aperitivos.
Eugene soltou o braço de Claudine e se afastou, deixando seu lugar para Elisabeth, que agarrou o braço de sua escrava, exatamente como seu mordomo vinha fazendo.
—Senhores… —disse ela—, prestem atenção, por favor. —Quando viu que todos a ouviam, prosseguiu com muita eloquência—. No tempo em que vimos realizando esses encontros, fomos obrigados a respeitar os acordos firmados com as diferentes mulheres contratadas; isto é, para nós, agir de mãos atadas. Por enquanto, ela não foi açoitada nem golpeada de modo algum; tampouco sodomizada. Cascavel tem uma virtude que certamente agradará a todos vocês: ela sofre quando alguém a possui. É por isso que vou deixá-la à disposição de todos. Cada um fará livre para usar dela como bem entender. Por outro lado, as Senhoras poderão açoitá-la e penetrá-la com os diversos objetos que encontrarem no local apropriado. A noite é longa, então recomendo usar a Cascabel aos poucos, deixando para o final tudo que possa lhe causar mais dano — e com a mesma solenidade com que um prefeito vaidoso descobriria na praça de sua cidade uma estátua com sua própria imagem no dia da inauguração, Elisabeth revelou sua escrava, deixando-a nua diante de seus convidados — Senhores, apresento-lhes a Cascabel.
Dessa vez, todos os olhares caíram ao mesmo tempo sobre a pobre coitada. Elisabeth sentiu um orgulho que raramente experimentara antes. Considerava o marido um imbecil e a filha um demônio desobediente, incapaz de controlar seus impulsos. Não dava para dizer que se orgulhava muito deles, mas sentia orgulho de sua escrava. Ela era realmente sua; seu corpo, seu medo, sua vergonha, seu pudor…; toda ela, até o fundo de sua alma, lhe pertencia, e o melhor de tudo é que seus convidados sabiam disso. Que prazer imenso ela sentia! "O que eu daria para que ela fosse minha para sempre…" pensou consigo mesma.
— Cascabel: vá até a vitrine e escolha um chicote, o que você mais gostar.
Eugene tirou a venda de seus olhos. Feito isso, Claudine se aproximou da vitrine, ergueu o olhar e examinou os diversos instrumentos de tortura expostos. Entre todos eles, reparou numa daquelas varas que os professores de escola usam para apontar um ponto específico no quadro-negro e, em alguns casos, corrigir a atitude desregrada dos alunos mais rebeldes.
Claudine optou por esse objeto; talvez influenciada por aquela relação com a escola, e acreditando que, se era usada com crianças, doeria menos. Abriu as portas da vitrine, pegou a fina tábua de madeira e voltou para perto de sua Ama, que estava dando instruções a Eugene. Olhando para o chão, estendeu a mão para entregar o objeto à sua dona.
— Não é pra mim; abaixa a mão. Escolhe a pessoa que você prefere que te bata, Cascavel. Vamos, Cascavel, quem você quer que te surre primeiro?
Claudine, fazendo um esforço pra não chorar, levantou o olhar e deu uma olhada meio vaga, por cima, nas pessoas que estavam ali reunidas.
— Já, Cascavel; entrega a vara — disse Elisabeth.
Naquele momento, Eugene e Fabián entraram com um cavalete de madeira bem arcaico, no qual tinham pregado na parte de baixo de cada uma das pernas uns argolões de ferro, meio desproporcionais pro tamanho do instrumento de tortura. Deixaram no chão e se retiraram. Claudine estava tão atordoada que nem percebeu a entrada daquele treco em cena. Deu uns passos e, dando mais uma olhadinha furtiva pro grupinho de quatro pessoas sentadas na frente dela, entregou a vara pra quem estava mais perto e que, ao mesmo tempo, contra sua natureza, mais desejava ser escolhida. Antes de aceitar a entrega, a escolhida esperou a aprovação da sua Amante.
— Pode ir, Chloe — disse ela, sorrindo —, pega.
Claudine se virou e, ao fazer isso, como se visse aquilo num sonho, descobriu o cavalete. Nua daquele jeito, observada por aqueles desconhecidos, não deixou de se assustar com a nova descoberta.
Se aproximou da sua Amante e esperou em silêncio enquanto continuava ouvindo a voz firme da supervisora.
Elisabeth pegou Claudine pelo braço e a levou até o cavalete. Chloe as seguiu sem soltar a vara. Elisabeth separou as pernas de Claudine com as mãos e a inclinou sobre o cavalete.
— Fabián — disse, apontando pra sua escrava —: as mãos e os pés.
Com essa ordem, Elisabeth mandou o seu mordomo amarrar os pés e as mãos da escrava nos argolões do cavalete. Claudine, como se fosse um boneco, se deixou fazer.
— Sabe como funciona? — perguntou Elisabeth pra Chloe, brincando, o que arrancou algumas risadas. Risadas no grupo.
Chloe nem se mexeu. Raramente fazia isso, mesmo quando apanhava. Os cantos da boca dela, naturalmente caídos, davam ao rosto um ar sério e severo, como se estivesse sempre puta da vida. De repente, ela fixou o olhar na bunda da Claudine e, sem dizer nada, levantou o braço com a vara e acertou as nádegas dela; bateu com tanta violência que deixou todo mundo surpreso e sem fôlego as duas ou três risadas que tinham surgido com a brincadeira. Uns dois segundos depois, tempo em que reinou um silêncio de morte, Claudine soltou um grito que arrepiou os cabelos de mais de um. Foi um grito tão agonizante, tão desgarrador, que até o homem fortão que ficava isolado num canto da sala, aproveitando que Claudine, pela posição em que estava, não podia vê-lo, se aproximou pra ver de perto os estragos causados pelo golpe. Já de longe, deu pra ver uma linha vermelha desenhada nas nádegas de Claudine; uma linha que foi mudando de intensidade até ficar grená e roxa.
Confusa com a raiva da escrava dela, e reconhecendo uma expressão de desgosto no rosto da anfitriã, Madeline se levantou do sofá e, antes que Chloe mostrasse de novo a violência dela, se aproximou e a segurou.
— Calma, querida; você precisa controlar sua força. Mais dois golpes como esse e você desmonta a pobre criatura. Queremos que ela aguente um pouco mais…
Claudine chorava desesperada. Balançava os pés e as mãos, tentando sair correndo dali, coisa completamente impossível.
O ciúme de Chloe tinha cegado a possibilidade de ser castigada se não seguisse as instruções da sua Ama, mas reprimir a raiva era tão ou mais doloroso do que levar um castigo, então, pegando todo mundo de surpresa, ela deu mais dois golpes, um atrás do outro, com a mesma ferocidade do primeiro. Dessa vez, ao franzir a testa e apertar com força a mandíbula, deixou visível sua ira. Claudine começou a gritar, e entre seus gritos desesperados, dizia "não" repetidas vezes, implorando para que não lhe fizessem mais mal. E Elisabeth, que se alarmou com a primeira chicotada, sentiu com as duas seguintes um aperto na boca do estômago. A rebeldia da escrava de Madeline e o sofrimento da sua a excitaram como há muito tempo não se excitava.
— Chloe! — gritou Madeline com raiva — eu disse para você se controlar! Larga isso agora. Já!
— Deixa ela continuar — disse Elisabeth com suavidade.
— Ela vai ficar marcada se continuar batendo assim — respondeu Madeline.
Elisabeth amordaçou sua escrava com um pedaço de pano.
— Vai ser uma bela lembrança do dia de hoje, não acha? Vamos, Chloe, continua...
Aos três golpes, seguiram-se mais dezenove, que, para deleite dos presentes, foram executados quase com a mesma intensidade que os primeiros. Isso fez com que Claudine desmaiasse.
Nunca antes Madeline tinha visto sua escrava agir com tanto sadismo. Ficou surpresa, e enquanto os mordomos tentavam reanimar Claudine, quis saber o motivo do seu comportamento.
— Você se divertiu?
— Não, Ama.
Madeline a encarou; a outra baixou o olhar.
— Eu diria que sim, Chloe.
— Sim, Ama.
— E então?
— É estranho, Ama.
— Não tem nada de estranho, Chloe. O que você fez e como fez tem um motivo. Se não explicar, vou deixar a escrava dos guizos devolver cada golpe em você até que isso pare de parecer estranho. É isso que você quer?
— Não, Ama.
— Então se esforce para explicar.
Tomada pela vergonha, Chloe baixou a cabeça e disse:
— Eu vi que a senhora estava de olho nela e senti ciúmes.
De certa forma, a confissão de sua escrava a encheu de satisfação, mas não podia deixar transparecer, e decidiu castigá-la. Ordenou que ela se ajoelhasse atrás da escrava dos guizos e acalmasse com sua língua as feridas que havia causado. Ao contrário do que Ela realmente queria. Chloe se ajoelhou, segurou os quadris de Claudine e lambeu os ferimentos que ela mesma havia causado.
— Isso mesmo — disse Madeline, afastando as nádegas de Cascabel —. Enquanto você cura os ferimentos dela, eu vou aproveitar o corpinho gostoso dela e, de quebra, dar o prazer que ela merece.
E, montando em cima de Claudine, inclinou-se sobre ela e, sem deixar que suas nádegas se fechassem, começou a lamber o que elas, em repouso, guardavam com tanto pudor.
Embora Claudine ainda estivesse um pouco atordoada, conseguiu agradecer por terem parado de bater nela; e, por mais nojento que achasse o que estavam fazendo com ela agora, preferia isso a ser açoitada. O que ela não sabia, o que nem imaginava, era que preferiria as pancadas ao que ainda estava por vir.
Elisabeth, com o pano que havia servido de mordaça para Claudine e que um dos mordomos tinha tirado para reanimá-la, vendeu-lhe os olhos. Depois, fez um sinal para o homem alto e forte que, durante a apresentação, tinha ficado na sombra.
Não precisou dizer mais nada; o homem se aproximou, desabotoou a calça e tirou o pinto mole da roupa, que, após a ordem que Elisabeth deu à sua escrava para abrir a boca, ele enfiou lá dentro. Já dentro, aos poucos, foi endurecendo.
O resto do grupo se reuniu em volta de Claudine. Cada um, de um jeito ou de outro, tinha a libido despertada pela cena e queria participar. Madeline tirou o rosto da bunda de Claudine, indicou à sua escrava que parasse de chupar os ferimentos e, depois de acariciar com a palma da mão as nádegas maltratadas e sentir o relevo das marcas, ambas se colocaram em segundo plano, deixando mais espaço para o resto dos torturadores.
— Gostaria, se me permitem, de sugerir algo — disse o senhor Boldt.
— Pode falar — disse Elisabeth.
— Antes de usar ela, que tal a obrigarmos a andar na corda?
— Acho ótimo, Robert — disse Elisabeth —. Eugene: traz a corda.
— Ideia genial — completou. Carol, como quase sempre, com seu sorrisinho de rato. —E... que tal se amarrarmos as mãos dela nas costas?
—Beleza —disse Omar—, e deixemos a venda nos olhos dela. Proponho também colocar pinças no corpo todo, e uma âncora enfiada no cu dela pra puxar.
—Isso! —exclamou Carol—, ia ser muito bom.
Antes que ele gozasse, o homem que forçava a boca de Claudine parou e se afastou, momento que Fabián aproveitou pra soltar Claudine do potro e amarrar as mãos dela nas costas.
Pouco depois, enquanto o grupo falava sobre como torturar Claudine, Eugene voltou com a corda e, com a ajuda de Fabián, esticou-a de uma ponta a outra do salão, amarrando as extremidades a pouco mais de um metro de altura, de modo que, se alguém andasse com ela entre as pernas, fosse obrigada, se quisesse andar, a fazer isso na ponta dos pés, senão se queimaria.
Essa corda era de cânhamo, ou talvez de esparto, bem grossa, e tinha muitos nós ao longo dela, com uns palmos de distância entre um e outro. Alguém pensou que seria mais divertido se em algumas partes da corda passasse um pouco de molho picante, e até teve quem sugerisse esfregar umas folhas de urtiga; mas por sorte pra Claudine, o terreno ao redor da casa não tinha essa vegetação, e a ideia foi descartada.
Com a ajuda do homem forte, Eugene levantou Claudine e colocou ela em cima da corda, que se encaixou na fenda da buceta dela. Elisabeth inclinou ela pra baixo, empurrando pela nuca, pra que enfiassem a "âncora" no cu dela. Essa âncora era um objeto metálico em forma de flecha, com as pontas dobradas pra dentro pra facilitar a penetração, e que, por um mecanismo interno simples, criado pelo próprio senhor Wallace no tempo livre dele e mandado fazer na fábrica, se abriam depois de dentro. Se alguém de fora puxasse a corda que o objeto tinha amarrada na Extremo, as pontas se cravavam nas paredes internas da cavidade.
Madeline foi a encarregada de introduzir o objeto nela, mas antes chupou o buraco por onde devia enfiá-lo, pra continuar provocando ciúmes na sua escrava. Depois de introduzido, acionou o mecanismo que o abria e se afastou. Claudine, mais pela sensação do que pela dor, soltou um grito. Elisabeth então deixou que sua escrava se levantasse de novo. Carol e seu parceiro foram os responsáveis por colocar as pinças pelo corpo de Claudine, arrancando caretas de dor do seu rosto.
Agora era fazê-la andar, pra que a corda queimasse sua buceta e os nós batessem no seu clitóris. Pra isso, cada um dos convidados, exceto Chloe e o jovem Aidan, pegou um dos chicotes que estavam expostos na vitrine. A primeira a dar a chicotada foi a senhora Rose. Ela fez isso acompanhada de um "anda logo, foxy!" que humilhou ainda mais Claudine e, claro, a fez dar um passo à frente. E quase na mesma hora, a pobre Claudine recebeu a ordem de não parar e, em seguida, levou um terrível açoite que marcou seus braços e costas. Claudine começou a andar bem devagar pra diminuir os efeitos do atrito, mas de repente uma porrada de chicotadas caiu sobre ela. Desesperada, quase histérica, acelerou os passos em vão. Quando a dor na sua buceta foi maior que a dos golpes, ela parou. Curvou-se pra frente e ficou assim, sem se importar mais com o que fizessem com ela. As chicotadas pararam. Houve um momento de silêncio. Só se ouvia a respiração ofegante de Claudine. Finalmente, pensou, eles tiveram pena de mim. Um pensamento que durou até o momento em que sentiu uma picada e uma pressão lá dentro. Alguém começou a puxar a âncora e a forçou a recuar.
Quando, depois de um tempo, Claudine pareceu desmaiar, tiraram ela da corda e a levaram semi-inconsciente para o cavalete. Lá a colocaram e usaram todas as entradas delas: elas, as mulheres, com objetos diversos, enquanto eles, os homens, com seus membros. Assim, a tiveram por quase duas horas; depois a coisa perdeu o pique, e aos poucos foram largando ela.
Nunca uma mulher foi tão brutalmente tratada naquela casa. O estado de Claudine, depois que terminaram com ela, era tão deplorável que a própria Elisabeth teve pena, então mandou Eugene e Fabian desamarrarem ela e, entre os dois, levarem ela pro quarto. Assim terminou a primeira sessão em grupo de Claudine.
16. Injustiça
Marie terminou de jantar e se recolheu ao quarto, como de costume, pra se perder na leitura dos livros dela. Terminado "O Morro dos Ventos Uivantes", tirou da estante o que tinha o título "O Conde de Monte Cristo", seguindo a ordem preferencial da lista mental dela. Depois, acabado esse, viria "As Aventuras de Tom Sawyer", e então — aqui tinha um pequeno dilema —, chegava a vez de "O Maravilhoso Mágico de Oz" ou "Alice no País das Maravilhas". Ao deixar o livro na mesinha de cabeceira, percebeu que a foto da mãe dela não estava. Olhou no chão, pensando que talvez uma corrente de ar tivesse derrubado, mas nem debaixo da cama nem em nenhum outro lugar apareceu.
Como várias vezes tinha visto os dois priminhos pequenos rondando por ali, desconfiou deles na hora. Saiu do quarto, nervosa, e entrou no dos primos. Deu uma olhada por cima, e não achando o que procurava, revistou as gavetas e olhou debaixo das duas camas, mas não encontrou nada. Desanimada, quando estava quase saindo, um impulso levou ela a levantar o colchão. Bem ali debaixo encontrou, do jeito que as crianças tinham deixado. Marie pegou com cuidado. O rosto da mãe dela tinha sumido, embora por um momento pareceu que ela tava vendo ele no papel, mais vivo do que nunca. Logo depois se desvaneceu. Marie tapou a boca com a foto, como se a enquanto eu beijava, ela começou a chorar.
Os dois meninos pequenos entraram aos empurrões. Pararam de repente ao ver a prima no quarto, com lágrimas nos olhos e a prova do crime na mão. Incapazes de segurar o riso, taparam a boca. Um deles saiu correndo pela porta, e quando o outro tentou segui-lo, o braço de Marie o alcançou pelo colarinho do moletom. Com uma risada nervosa, meio histérica, o menino jurava que não tinha sido ele, e antes que terminasse de acusar o irmão, Marie deu um tapa na cara dele. O menino passou das risadinhas para a incredulidade, e, incrédulo, começou a chorar. A bochecha dele, branca até instantes atrás, foi ficando vermelha. Na hora, assustada e arrependida pelo que tinha feito, Marie soltou o menino e pediu desculpas, mas, sem nem ouvi-la, ele saiu correndo do quarto. Marie foi atrás dele, mas assim que chegou no corredor, parou, porque no fundo dele, abraçando os dois filhotes, estava a tia Rose, claramente muito puta. Marie se aproximou dela e mostrou a foto.
— Olha o que fizeram com a foto do meu…
— Você bateu no meu filho?!
Rose fez um esforço pra controlar a raiva.
— Desculpa, tia Rose. É que…
Mas antes que pudesse se explicar, Rose virou as costas e foi embora.
Durante o jantar, Rose disse a Marie:
— Não posso dizer que meu relacionamento com seu pai era especialmente próximo, porque não seria verdade, mas ainda assim eu amava ele como irmão que era. Agora, infelizmente, você é a única coisa que me resta dele. No entanto, acho que me precipitei ao decidir que você viesse morar com a gente. Pensei que você se adaptaria; tinha esperança de que isso acontecesse, mas hoje você me mostrou que não. Depois de pensar muito, acho que vai ser melhor pra todo mundo que, até você ser maior de idade, more com outra família.
Nada podia deixar Marie mais feliz do que sair daquela casa. Imediatamente pensou nos Os pais do Darrell eram os mais próximos da família, e os que mais se mostraram interessados em acolhê-la num primeiro momento. Marie quase deixou escapar a alegria ao pensar neles, mas se conteve. Fazer isso teria sido uma falta de consideração e desrespeito com a tia, então fingiu estar triste.
— Já que, sendo filha do meu irmão, sinto o dever moral de cuidar de você e do seu futuro, vou deixá-la aos cuidados de uma família muito respeitada neste país, em quem posso confiar para...
— Mas, tia Rose, eu não quero ir para a casa de uns desconhecidos! Por favor, tia, os Tillman...
— Como ousa questionar minha decisão? Acha que não sei o que é melhor para você? Ainda sou responsável por você, e não vou permitir que sua educação fique nas mãos de uma família que mal conheço.
17. Emily
Alguém disse de Emily que ela era um ser abominável. Certamente foi, embora nem todos a víssemos assim.
Emily encarnava o vício, a depravação, a injustiça, a perversão; Emily era o desmedido, o antinatural, o imprevisível; um ser maravilhoso que encontrava sua liberdade coagindo a dos outros.
Com licença, vou me adiantar no tempo para contar um breve capítulo da vida de Emily, que pouco tem a ver com esta história, mas que nos ajuda a mergulhar um pouco mais na sua bela forma de ser.
Há algum tempo, no seio de uma próspera família londrina, nasceu, para desgraça de alguns e prazer de poucos, uma criatura de natureza extraordinária e monstruosa, a quem seus pais, o Senhor e a Senhora Wallece, batizaram com o nome de Emily. Eles, que com o passar do tempo foram percebendo a torcida natureza da filha, longe de endireitá-la, foram alimentando-a com uma educação baseada na supremacia — através da degradação, da tortura e da dor — de algumas pessoas sobre outras, especialmente daqueles que, na escala social, pertenciam aos... elos mais baixos.
Essa educação, junto com o estilo de vida que ela levou por anos, abriu o caminho da pequena para o mundo sombrio do proibido e da perversão.
As cortinas se abriram, e a luz do sol, radiante como raramente se podia aproveitar nas manhãs londrinas, coloriu os já desbotados móveis do quarto.
— Bom dia. Permita-me.
Lord Richter, abrindo apenas suas pálpebras pesadas, deixou que sua esposa, que depois de puxar as cortinas se sentara na beira da cama ao lado dele, colocasse seus óculos, e agradeceu a Deus, mais um dia, por continuar vivo ao lado dela.
Ele a conheceu numa festa; na época, quatro anos atrás, ela era uma garota meio feinha, não muito alta, magra demais, com a pele muito branca, salpicada nas maçãs do rosto e no nariz por um rastro difuso de pequenas sardas, o que lhe dava um ar inocente e infantil, e um olhar inquieto. Ele, com setenta e nove anos de idade, e sendo um dos homens mais ricos de Londres, reparou nela quando, na festa, a garota se aproximou dele, sem mais nem menos, e lhe ofereceu uma esfera de cristal enquanto dizia: "Te dou de presente. Era da minha mãe. Ela sempre dizia que se você olhasse fixamente por muito tempo, poderia ver o futuro; mas minha mãe dizia muitas mentiras."
E embora em seus anos de casamento eles nunca tivessem dedicado um único minuto aos assuntos carnais, o velho foi presenteado com um grande número de beijos, abraços e carícias.
Durante um ano, a jovem frequentou a casa do velho, tempo durante o qual se forjou uma relação muito estreita entre os dois. Ela fazia companhia a ele, contava histórias que tinha lido em livros ou que simplesmente inventava — com uma maturidade imprópria para a idade dela —, dava mostras de afeto, compartilhava confidências...; em resumo: devolvia a juventude que ele tanto ansiava. Durante esse tempo, a jovem foi passando por uma mudança progressiva: fisicamente cresceu (pouco, mas cresceu) e perdeu peso, sua expressão ficou menos inocente, mais séria e austera; e quanto ao seu caráter, ficou mais frio, menos impulsivo e ansioso, mais calculista, qualidades nefastas para um ser sem empatia.
Passado o ano, e ignorando os pedidos dos parentes mais próximos, eles se casaram.
Lord Richter admirou a beleza da sua mulher. Ela tinha a pele tão branca quanto preto era o cabelo, e os olhos, de um azul pálido e apagado, pareciam duas geadas de gelo.
— Hoje vão trazer o café da manhã na cama — anunciou a jovem, passando os dedos pelos cabelos ralos do marido —. Como o senhor está hoje, Frank?
Não houve resposta, pois o velho, já fazia um tempo, só de pronunciar uma palavra já era um esforço danado; mesmo assim, ele tentou.
— Shhh... não diga nada — disse a jovem, se inclinando pra beijar a testa dele —, já vi que hoje o senhor acordou cheio de energia. Tá com boa cara.
Apesar de ela ter ficado mais distante desde que se casaram, ele tinha certeza de que ela o amava quase tanto quanto ele a amava.
— Emi...
— Shhh...
Nesse momento, bateram na porta e entrou uma criada com uma bandeja na mão. Era a Chloe, uma jovem contratada pela Emily dois anos atrás e cuja presença irritava profundamente o velho. Ela tinha a pele morena, os olhos grandes e redondos como os de uma coruja, e uma sombra peculiar em volta da boca, por causa dos lábios carnudos.
— Bom dia. Com licença...
— Bom dia, Chloe. Deixa a bandeja aí em cima e fecha a porta.
Por que, sabendo o quanto aquela cigana o incomodava, sua jovem esposa deixava que ela servisse o café da manhã na cama? se perguntava o velho, carrancudo. Sai daqui e fecha a porta! teria gritado se pudesse. Mas a Chloe não só fechou a porta, como se deu ao luxo de trancá-la com chave, o que irritou e deixou o velho octogenário desconfiado. Chloe, sabendo da rejeição que causava nele, piscou pra ele. Sem-vergonha, hein. Aquele olhar safado fez Emily rir, e isso, por sua vez, deixou o marido dela confuso.
—Chloe não é má, meu amado esposo — disse Emily, apontando pra Chloe e dando tapinhas suaves no colchão pra ela sentar do lado —. Ela só obedece, e de um jeito bem eficiente, pode acreditar. Não entendo por que você não gosta dela. Devia saber… ninguém te contou? Não importa, eu mesma vou te contar… devia saber que, se não fosse por ela, minhas noites nessa casa seriam desesperadamente longas e solitárias. Por que essa cara? Já vi… você não faz ideia do que estou falando.
Chloe sentou na cama, ao lado de Emily, e o colchão macio reagiu ao peso com uma ondulação suave que balançou o corpo imóvel de Lord Richter.
—Tô falando que, quando fico entediada, chamo a Chloe e a gente brinca. Ela adora obedecer tudo que peço. Por exemplo, se mando ela chupar meu pé, ela chupa; e se mando ela chupar aqui (abrindo as pernas e se tocando por cima da roupa), ela também chupa.
Chloe pegou a mão que sua Senhora oferecia e chupou os dedos com uma cara de safada. O velho ficou perplexo com a atitude descarada e desconhecida da esposa, e a raiva dele foi se misturando com outras sensações, como medo ou tesão. O coração dele começou a disparar sem controle.
Com um tom firme, seguro, que saiu de Emily naturalmente, sem esforço, ela disse:
—Querido Frank: detesto quando você olha pra Chloe desse jeito. Vou ter que te punir. Castigo é o único jeito viável de corrigir o comportamento humano. Conheço vários métodos, conheço milhares, um pra cada pessoa e situação. Usando eles, até conseguiria fazer você cantar. No bem e no mal, a gente jurou no dia do nosso casamento. Chegou a hora do mal, my dear Lord Ridiculouster. Chloe: quando ele te olhar assim, dá um tapa na cara dele.
Emily tirou a mão da boca de Chloe. quem, sem ordem prévia, se levantou, tirou toda a roupa que vestia — touca, avental, sutiã, calcinha —, se ajoelhou diante da sua senhora, enfiou as mãos por baixo do vestido dela, puxou a calcinha e a beijou. A respiração do velho ficou audível em todo o quarto. Dava até pra ouvir o barulho da saliva passando pela garganta ressecada dele.
Consciente da dor que estava causando, Emily abriu as pernas e deixou a empregada enfiar a cabeça entre elas. Apoiou um braço na cama e, com a outra mão, guiou a cabeça de Chloe até sua buceta.
Nem os raios quentes do sol conseguiram dar um pouco de cor ao rosto lívido do velho, que assistia à cena descomposto enquanto a empregada suja de pele cigana mergulhava nos mares quentes que sua irreconhecível esposa lhe oferecia. Que vulgaridade, que descaramento, que indecência daquelas duas putas de subúrbio, e que excitante ao mesmo tempo, se não fosse que uma delas era sua amada esposa.
E se Emily estava gostando, não era pelo massagem molhada que estava recebendo, mas pela dor que isso causava no seu marido ricaço. Isso sim a excitava, mas não muito, já que tudo aquilo não passava de uma brincadeira de criança perto do que ela realmente queria fazer.
Ela se virou para o marido e apalpou o pau dele por cima da calça.
— Para, Chloe. Não estamos aqui pra isso. Traz o café da manhã.
Enxugando a boca com o antebraço, Chloe foi buscar a bandeja e a deixou na cama.
— Vamos ver o que temos aqui… — disse Emily, levantando a tampa brilhante e ovalada que cobria o conteúdo de um prato — Olha só isso (levantou um objeto de cor marfim e formato fálico); é um… um instrumento pra aliviar a tensão e acalmar a ansiedade da mulher mal comida, como é o caso da pobre Chloe, que não encontra um homem bem dotado pra consolá-la. Já o senhor, meu amado Lorde, apesar de não acreditar, Richter, é ela quem arruma os caras com quem eu passo a maioria das noites. Claro que sim! Fazendo aquilo que você tá pensando e muitas outras coisas que você nunca imaginaria. É hora de pensar na pobre Chloe, então vamos deixar ela se divertir hoje. Chloe: de agora em diante, meu marido é seu.
A empregada, que estava pelada e cheirava igual a um cachorro molhado, se agachou sobre as pernas do velho e puxou pra baixo a calça e a cueca dele. O pau do velho angustiado tinha uma aparência deprimente, e os olhos dele, arregalados, brilhavam de pavor. Chloe sentou em cima dele e mexeu a cintura, massageando ele com a superfície molhada da buceta dela. De vez em quando, o pau crescia um pouquinho, só quando o coração descontrolado dele se dignava a bombear sangue pra lá. Enquanto isso, Emily pegou a mão do marido e levou até o peitão da empregada.
— Apalpa eles; têm a pele jovem e macia. Ou prefere chupar eles?
Emily não tira a roupa.
— Abre a boca.
O velho olhava pra esposa jovem com os olhos esbugalhados, cheios de pavor.
— Chloe: faz ele abrir.
Chloe levantou a cara do velho pelo queixo, e com a outra mão deu um tapa tão forte na bochecha dele que quase fez voar um dos poucos dentes que sobravam. Mas o velho, assustado, apertava os lábios com toda a força.
Emily, calmamente, mas sem perder a dureza no tom, mandou Chloe segurar a cara do velho, e enquanto ela fazia isso, fechou as narinas dele com os dedos, forçando ele a abrir a boca pra respirar, e aproveitou pra enfiar o objeto pela base.
— Se não quiser que eu atravesse sua garganta, segura ele firme com a boca.
E enquanto o velho ouvia as palavras dolorosas que a esposa dele dizia, observava com resignação como a cigana exuberante, de cabelo grosso e cacheado, girava sobre si mesma e aproximava a bunda redonda do consolo. Daquela distância, ele pôde sentir o Forte cheiro da sua entreperna, especialmente quando, com as mãos, ela abriu as nádegas pra facilitar a entrada do objeto. Daquela perspectiva, a visão era de tirar o fôlego: um objeto alongado se erguia pra cima desde a boca dele até a entrada de uma buceta fedorenta, cujas dobras de carne morena, ladeadas por um pelo escuro e grosso que se espalhava além do cu, brilhavam por causa dos fluidos que escorriam de dentro. E tudo aquilo era tão nojento pra ele quanto o fato de sua esposa, autora daquela cena, continuar sentada ao lado dele, imobilizando a cabeça dele com as mãos e dando um sorrisinho.
Em seguida, as mesmas dobras que o deixavam perturbado começaram a devorar o objeto, aproximando-se sem parar do rosto dele até que, finalmente, bateram nele. A boca dele encostou na buceta, e o cu dela na ponta do nariz, impedindo ele de respirar. Enquanto isso, com o tronco inclinado pra frente, ele agarrou o próprio pau mole e meteu na boca.
Dividido entre o prazer e a dor, Lord Richter sentiu o pau endurecer.
— Os fluidos da Chloe têm um gosto diferente. Viciam. Vai, chupa.
Depois, ele virou o objeto e obrigou o velho a morder a base. Chloe, guiada pela Emily, desceu o quadril até enfiar o objeto de novo; dessa vez, segurado pela boca do velho, que sentia que, a qualquer momento, se o coração aguentasse, ia derramar as últimas reservas de porra. (Chloe gozou, e uma substância espumosa, meio branca meio translúcida, parecida com cuspe, escorreu da buceta dela e deslizou pelo objeto, entrando pelos cantos da boca do velho. A respiração ficou mais difícil. Quando o objeto entrava por completo, o cu da Chloe esmagava o nariz do velho, que, sem ar, sentia o pau tremer violentamente e o coração dar espasmos ainda mais fortes.
Já tava indo...
As bolas do velho incharam, e gotas de líquido pré-seminal escorreram do seu membro enquanto o corpo reagia com espasmos violentos.
—Para —ordenou Emily—; não quero que ele goze. Seria um presente doce demais para um final tão glorioso. Deixa ele sofrer.
Chloe parou na hora e, vendo que o pobre velho mal conseguia respirar, decidiu aumentar o tormento colocando a língua onde tinha a mão, e continuando com esta a masturbação, pressionando habilmente a área da glande.
O velho semicerr os olhos, que ficaram brancos, e soltou um suspiro.
18. Um passeio pela cidade.
Emily, de braço dado com Eugene, passeava por uma rua no centro de Londres. Tinham percorrido os vários quilômetros que separavam a residência Wallace da cidade para fazer umas compras. Ao passar pelo portão de um colégio, parou para contemplar umas crianças que corriam e brincavam no pátio. Num canto, descobriu três garotas que fechavam a passagem de um menino baixinho, de pele terrosa e olhos assustados. Uma delas, a mais alta, empurrava ele contra a parede. O menino tentou se soltar, mas uma delas agarrou ele pelo cabelo e jogou no chão. Então, outra das garotas, a menor de todas, sentou em cima dele e imobilizou os braços dele. Naquele instante, Emily sentiu um regozijo por dentro, uma excitação que queimou o estômago dela.
—Eugene —disse Emily, admirando a perversidade natural das crianças—: me leva pra Clerkenwell.
Eugene, safado como era, reconheceu o olhar da sua Amante, cheio daquela perspicácia tão assustadora, e pressentiu os motivos da mudança inesperada de rumo dela para os becos da cidade.
—Não é o lugar mais adequado pra ir, Emily. É perigoso.
A jovem apertou com força o braço do mordomo e deu um beijo na bochecha dele.
—E é por isso que você vem comigo —respondeu com um sorriso gelado.
De todos os seres vivos que habitavam a terra, Eugene era o único por quem ela sentia uma espécie de carinho, um carinho que, por Do outro lado, raramente se manifestava.
—Ainda assim, Emily, continua sendo perigoso.
Voltaram pro carro, estacionado a poucos metros dali, e seguiram pro bairro de Clerkenwell. Emily, sentada como de costume no banco de trás, olhava a paisagem urbana sem prestar atenção. Pensava na cena que tinha visto pouco antes, com as crianças, e num final pra ela que nem de longe chegava perto do desfecho real.
—Chegamos —disse Eugene, tirando Emily do devaneio.
—Beleza, Eugene. Vai mais devagar.
Eugene reduziu a marcha e aguçou os sentidos. Circular por aquele bairro o deixava tenso. Emily, por outro lado, curtia a paisagem, pobre e decadente, cheia de miséria. Abriu o vidro e sentiu o cheiro podre que vinha das ruas.
—Se a patroa descobre que eu trouxe ela aqui, me mata.
—É possível.
—Que ela descobre?
—Não; a outra coisa.
Algumas ruas depois, ao passar na frente de um beco, Emily mandou Eugene parar, porque achou que tinha visto, no escuro, jogado no chão, um pobre coitado. Emily desceu do carro, ignorando o pedido do mordomo, que aconselhava ela a não sair do veículo, e foi até a entrada do beco. Eugene desceu, ficou atrás dela, e os dois conseguiram enxergar, quase no fundo do beco, o que Emily tinha achado que viu e tava procurando.
—Convence aquele homem a vir com a gente —disse Emily—. Dá umas moedas pra ele, e fala que se ele fizer o que eu pedir, vai ganhar muito mais.
—Aquele homem pode estar doente.
—Não vou tocar nele. Vai.
—Mesmo assim, Emily.
—Anda, vai.
Eugene franziu a testa e entrou no beco. Chegou perto do homem, olhou friamente pra ele e deu um chute na costela. O cara acordou, batendo a mão na garrafa de uísque The Macallan que tava do lado dele; e enquanto tentava se levantar sem muito sucesso, começou a resmungar um monte de insultos e pragas. Eugene tirou várias libras de uma bolsinha preta e jogou pra cima dele. As moedas bateram no torso do cara e caíram no chão com aquele tilintar. Por uns segundos, aquele bêbado olhou pras moedas incrédulo; depois, foi catando uma por uma.
— Quer mais? Te dou muito mais se vier comigo; trinta vezes o que você tem na mão.
O homem encarou ele desconfiado.
— Minha esposa quer te usar — continuou Eugene, apontando a cabeça pra Emily —. Aceita os caprichos dela e a grana é tua.
O homem olhou pra Emily, que esperava na boca do beco. Num lampejo de lucidez, aquele infeliz se perguntou por que uma gostosa daquelas se interessaria por um cara como ele. Mas a ideia sumiu logo, derrubada por uma mais forte: a do dinheiro.
Eugene ajudou o homem a se levantar do chão. Ele mal se aguentava em pé. Eugene reparou na mancha de sangue na roupa dele.
— Isso, o que é? — perguntou.
O bêbado, que mal conseguia manter os olhos abertos, demorou uns segundos pra responder.
— Fui atacado por um cachorro.
Eugene pensou um pouco e resolveu levar ele junto. Quando cruzou com Emily, o homem, tão bêbado que tava, só viu os pés dela. Entraram no carro e, depois de mais de duas horas de estrada por caminhos que cortavam vilas e matas, chegaram em casa.
Antes de sair do carro, Emily se certificou de que ninguém tava por perto da casa, e deu instruções pra Eugene levar o convidado pro porão. Pra descer as escadas, Eugene teve que pegar o homem no colo, porque se ele descesse por conta própria, corria o risco de abrir a cabeça na queda.
— E meu dinheiro? — gaguejou o bêbado quando Eugene largou ele no chão, e logo fechou os olhos. Tinha dormido.
— Acorda ele, Eugene, e amarra — disse Emily.
Com uns bons sacolejos, o bêbado foi acordado, e como se fosse um boneco, Eugene o manobrou até deixá-lo imobilizado, de joelhos virado pra parede, usando umas cordas penduradas numa argola. Rasgou a roupa dele, deixando as costas nuas, e puxou a calça até os joelhos. Ao fazer isso, viu que tinha algo no bolso e tirou. Era um pingente com um desenho bonito no centro.
— Segura isso — disse Eugene, mostrando o pingente pra Emily.
— É ouro?
— Com certeza.
— De onde será que ele roubou? Algo me diz que o sangue na roupa dele tem a ver com isso.
— Muito provável, Emily. Não devíamos ter trazido ele.
— Por quê? Vamos ajudar esse infeliz a redimir os pecados dele através do sofrimento.
Emily, como não queria chamar atenção, decidiu não arriscar subir pra pegar um bom chicote pra destruir as costas daquele ser imundo, e revirou a multidão de tralhas guardadas em prateleiras e armários ou largadas no chão. Achou logo um elástico, fechado, bem flexível e grosso. Pegou ele, passou por baixo dos pés do homem, levantou a roupa que cobria o torso dele e encaixou o elástico na barriga. Puxou a ponta do elástico uns passos pra trás, até ficar bem perto da parede. Fez força pra alcançar, mas não conseguiu. Eugene se aproximou e, não sem esforço, esticou o elástico até tocar a parede. Lá tinha um gancho de ferro, e prendeu ele ali.
— Vamos dar um susto nele — disse Emily.
Ela ia soltar o elástico quando teve a ideia de amarrar nele uns parafusos, três ou quatro, com um barbante. O homem acordou. Soltou uns grunhidos, pediu vagamente pra soltarem ele, chamou de putas quem tinha amarrado ele daquele jeito e exigiu o dinheiro dele.
— Faz esse imbecil calar a boca — disse Emily.
De uma das prateleiras, o mordomo pegou um rolo de fita adesiva e tapou a boca dele.
Impaciente, assim que o mordomo se afastou, Emily levantou o elástico do gancho.
O impacto não teve o efeito desejado. Chegou no destino sem força, e Os pregos mal arranharam a pele do homem. Emily ficou decepcionada. Pegou então uma corda bem grossa e começou a chicotear as costas do bêbado com ela. Mas quando, depois de um tempo, viu que não recebia em troca nem um grito que agradecesse o esforço dela, cansou e pediu pro Eugene soltá-lo.
—Vamos tirar ele daqui. Isso é igual bater num saco de areia.
E como um saco de areia, Eugene carregou ele no ombro e levou de volta pro carro pra trazê-lo de volta pra cidade. No meio do caminho, Emily mandou ele parar e largar o cara ali.
Eugene pegou ele pelas pernas, tirou do carro e arrastou até a beira de um barranco rochoso e íngreme.
—Deixo umas moedas pra ele? — perguntou pra Emily
—Meu dinheiro... — murmurou o bêbado de olhos fechados, sem forças, como se falasse dormindo.
Emily olhou pra ele sem expressão. Seria difícil explicar o que sentiu naquele momento; talvez um ódio desmedido, a compaixão mole de uma mãe, tudo misturado com uma adrenalina descontrolada; fosse o que fosse, fez o diabinho tirar uma moeda do bolso; o infeliz abriu os olhos e olhou pra moeda, e quando ele tentou levantar o braço pra pegar, Emily jogou a moeda no vazio.
—Vai buscar — falou.
E Eugene, rápido nos reflexos, agarrou Emily pela cintura e separou ela do infeliz bem na hora que ela levantava o pé pra empurrar ele pro destino das pedras brancas e afiadas.
—Pelo amor de Deus, Emily! Você ficou maluca?
—Me solta! Ele é um ladrão! Vai ser melhor morto.
—Mas você não é uma assassina.
—Eu faço justiça!
Eugene jogou Emily no chão, irritado, mas sem perder a calma aparente. A queda levantou uma nuvem de poeira que logo sumiu.
—O que você sabe de justiça... — disse Eugene.
Emily, tomada pelo ódio, se levantou e ficou sentada no chão. Quando viu as mãos sujas de terra, sacudiu elas.
—Só falta você me bater agora, criado. — Emily se levantou. do chão.— Vai, me bate, Eugene, o defensor da ralé.
— Cê acha que suas mãos são mais limpas que as deles? Olha pra você, Emily: não tem nada de bom em você.
— Cê é tão fraco…
— Minha fraqueza, Emily, é a coisa mais abominável que já existiu.
— Me bate.
— Não vou te bater. Sobe no carro; vamos embora.
— Eu não vou a lugar nenhum, sua criada idiota. Quem dá as ordens aqui sou eu.
Sem fazer quase nenhum esforço, Eugene deu um tapa na cara de Emily que a mandou de volta ao chão. A garota começou a sangrar pelo nariz. Ao perceber, sorriu com perfídia. Passou as costas da mão no sangue que contrastava com a brancura da pele, espalhando pelos lábios e queixo.
— Cê gostou. Dá pra ver nos seus olhos — disse Emily.
Eugene se aproximou dela e estendeu a mão.
— Já chega, Emily. Vamos pra casa.
Entraram no carro e voltaram. Em um momento do trajeto, Emily perguntou a Eugene:
— Cê me odeia, Eugene?
Mas ele não respondeu.
19. Marie se muda com os Wallace
Para encontrar o carro, dois cachorros saíram, mostrando os dentes ferozes e soltando pela boca uma baba branca borbulhante, exibindo seu jeito hostil. Nem o vento, que soprava tão forte que levantava minúsculas partículas de terra batendo contra o veículo, conseguia espantá-los. Marie se assustou. A cada latido, seu corpo se encolhia espasmodicamente, fruto do medo que as feras causavam nela.
O motorista buzinou um par de vezes.
Pouco depois, um mordomo saiu pela porta principal da casa e, protegendo o rosto com o braço, se aproximou do carro. Espantou os cachorros gritando: “Vai… sai daqui!”, e eles, imediatamente, viraram sobre o rabo e se afastaram devagar, como se o vento frio que soprava fosse imperceptível para eles.
Quando viram que os cachorros tinham sumido atrás da casa, tia Rose e Marie desceram do carro depois que o homem abriu a porta pra elas. porta. Tia Rose, rápida nos reflexos, segurou o chapéu antes que o vento levasse.
—Protejam os olhos! —disse o mordomo, levantando a voz pra ser ouvido—. Esse vento é coisa do capeta!
Ele se virou e voltou pra casa. Rose e Marie seguiram ele, tampando o rosto também pra se proteger do vento. Já dentro, o mordomo fechou a porta, impedindo que o ar continuasse a agitar as folhas da única planta que enfeitava o hall.
Tia Rose tirou o chapéu e ajeitou o cabelo.
—Quanto tempo sem te ver —disse tia Rose ao mordomo—. Como cê tá?
—Muito bem, Senhora.
—Fico feliz de verdade. —Tia Rose examinou o ambiente meio disfarçada, procurando algum defeito pra encher o saco dos Wallace.— Tem novidade?
—Alguma tem, Senhora.
—Que bom ouvir isso.
—Querem me acompanhar até a sala? —perguntou o mordomo, abrindo a porta dupla que separava a sala do hall—. Vou avisar a Senhora que vocês chegaram.
Tia Rose e Marie seguiram ele até um sofá na frente de uma lareira acesa e sentaram. O homem sumiu pelas escadas. A sala, assim como a entrada, era um exemplo de harmonia, elegância e limpeza. Tinha no centro uma mesa de mármore branco onde cabiam umas catorze pessoas sentadas.
—Escuta, Marie: não tô puta contigo. De certo modo, entendo seu comportamento. Eu também não me acostumei com a ideia de nunca mais ver seu pai. Tudo isso é foda pra todo mundo.
—Mas tia, os pais do Darrell…
—Chega, Marie! Já falamos disso um monte de vezes. Não conheço essa família de lugar nenhum. Eu sou responsável pela sua criação, e acho que não tem ninguém melhor que os Wallace pra fazer esse serviço… um serviço que agora eu não tô pronta pra encarar. Os Wallace são uma família de muito prestígio, que podem…
Enquanto Rose falava isso pra sobrinha, uma mulher desceu as escadas e se aproximou delas. Rose se levantou, e Marie a imitou instintivamente.
—Rose… que alegria te ver —disse a mulher—. O que te traz aqui?
As duas se cumprimentaram com um beijo na bochecha.
—Conhece minha sobrinha Marie?
A mulher deu uma olhada na jovem.
—Essa criatura tão gostosa é a filha do seu irmão? Puxa (virando-se para Marie), pobre menina, sinto muito pelos seus pais.
Marie baixou a cabeça e ficou vermelha.
—Preciso que me faça um favor —disse Rose.
Enquanto as partículas de terra e poeira que o vento arrastava batiam nas janelas, ouviu-se um tilintar passando perto dali, que foi se perdendo aos poucos nas profundezas da casa, fazendo a conversa parar por um instante. Quando o barulho sumiu, a conversa continuou como se nada tivesse acontecido.
—Claro, minha querida amiga! Vamos sentar e me conta o que posso fazer por você. Mas antes, me diz, vocês querem tomar algo? Quer tomar algo, Marie?
—Não, senhora, obrigada.
—E você, Rose? Quer tomar algo? Um chá, talvez?
—Sim, obrigada.
—Traga chá para nós —disse a mulher, virando-se para o mordomo—. Vamos, me conta, o que posso fazer por você?
—Preciso que você cuide da minha sobrinha e da educação dela.
Elisabeth olhou bem séria para Marie.
—Você está falando de uma educação do tipo r.s?
Marie, sem saber o significado daquela palavra, não achou nada de estranho nela.
—Não, do tipo r.i.
—Entendi… ela é branca. Então não se preocupa; eu cuido dela. Trouxe malas?
—Sim; uma. O resto das coisas vou mandar trazer na semana que vem.
Nesse momento, entrou na sala uma jovem que, ao ver a senhora Rose acompanhada de alguém mais ou menos da sua idade, se aproximou para cumprimentar.
—Emily —disse Elisabeth—: Marie vai ficar um tempo com a gente. Ela vai dormir no quarto de hóspedes no final do corredor. Quer acompanhá-la e mostrar pra ela?
O mordomo chegou com o chá. Depois de servir, a mulher disse:
—Vai até o carro da Senhora, fode a Pega a mala e leva pro quarto de hóspedes; o do fundo do corredor.
—Sim, senhora.
Fora de cena, as duas criaturas e o mordomo, Elisabeth perguntou a Rose:
—Quem sabe que ela tá aqui?
—Ninguém. Vou dizer que fugiu; amanhã dou queixa de desaparecimento. Ela não pode sair daqui nunca.
—Entendo…
—Eu odeio ela, Elisabeth! É uma criatura nojenta!
—É uma criatura linda e branca, e agora tá onde tem que estar.
—Pois a beleza dela me dá nojo.
—Já em mim, me fascina.
—Eu mataria ela!
—Eu também, querida, mas… não acha que seria um ato muito fútil? uma ostentação. Não sei você, mas peças como essa não aparecem todo dia.
—Tem razão, Elisabeth, mas não consigo evitar. Eu odeio ela. Não importa. Pelo menos…
—Sim?
—… faz com que ela seja a pessoa mais infeliz do mundo, mas não toca nela, pelo menos, não por enquanto.
—Fica tranquila, ninguém vai tocar nela. Ela vai continuar valendo.
—Obrigada, Elisabeth —disse Rose, levantando da cadeira—. Te ligo nos próximos dias.
No dia seguinte, da janela do seu novo quarto, envolta na capa, Claudine observou a chegada de vários carros que estacionavam em frente à entrada. As pessoas que desciam deles iam entrando na casa. Aquele movimento deixou Claudine inquieta.
Eugene entrou no quarto de Claudine e deixou sobre a cama algumas roupas, muito parecidas com as que ele trouxe pela manhã.
— Bom dia — disse com serenidade —. Vista-se, por favor. Precisa me acompanhar.
Eugene se virou para lhe dar um pouco de privacidade, mas não saiu do quarto.
De todos os habitantes da casa, aquele era o único que inspirava um pouco de confiança em Claudine. Não era um depravado como os outros, e falava com ela com educação.
Enquanto Claudine terminava de vestir o vestido, se atreveu a perguntar:
— Não vão me machucar, vão?
— Vire-se, por favor; vou vendar seus olhos.
Depois de vendar seus olhos, Eugene a pegou suavemente pelo braço e a tirou do quarto.
Quando chegaram à escada que levava ao andar de baixo, Eugene disse:
— Cuidado com os degraus. Vamos descer.
No meio do caminho, Eugene parou Claudine.
— Me faça um favor, Claudine: quando chegar a hora, tente não pensar em nada; esvazie a mente. Relaxe. Vai ser melhor, entendeu?
Se o que Claudine sentiu naquele instante tivesse sido experimentado por Eugene, talvez ele tivesse tentado convencê-la a quebrar o trato e voltar para casa, assumindo as consequências da sua deslealdade.
A senhora Wallace, segurando o braço do último dos seus convidados, entrou na sala. O homem que a acompanhava se chamava Omar Binns, e era dono de vários hotéis da cidade. Omar Binns ficou conhecido nos círculos sociais mais selecionados quando uma de suas amantes, esposa de um alto cargo do governo, tirou a própria vida. Ela, antes de fazer isso, deixou escrita uma nota na qual o acusava de ser o culpado pela sua Desgraças. A mãe dela, de origem árabe, foi a culpada pelo seu charme; foi dela que herdou a pele morena, a boca larga e o olhar profundo. Do pai, por outro lado, herdou o porte distinto e uma grande fortuna. O que ninguém sabe, o que na época se desconhecia, era de onde vinham suas tendências sádicas sexuais.
Com a intenção de cumprimentar o resto dos convidados, os dois fizeram um percurso protocolar pelo salão.
Ao passarem pelo sofá, levantaram-se de seus assentos a senhorita Madeline Galloway e sua escrava Chloe. No mundo perverso que as unia, ambas as mulheres constituíam duas partes opostas de uma mesma razão. Madeline era uma mulher linda, de traços suaves; tinha cabelo loiro; um cabelo que, geralmente, costumava usar preso de um jeito assimétrico. Sua boca alongada, formada por lábios bem finos, guardava uma dentição quase perfeita. Era toda ela uma imagem limpa, segura de si e incorrupta; bem ao contrário de sua escrava, que era suja, largada e corrupta; um animal que, arrumado, teria ofuscado a beleza de sua ama e de quantas mulheres se aproximassem dela. Entre mulheres gostosas, a beleza da morena é para a loira o que, em inteligência e na maioria dos aspectos, a mulher é para o homem: superior em todas as dimensões.
Quase ao mesmo tempo, levantaram-se do sofá o jovem casal formado por Aidan e Carol. Ambos, jovens e endinheirados, representavam um casamento exemplar. Eram um daqueles pares que, assim como Madeline e Chloe, se complementavam perfeitamente. Ela tinha a ponta do nariz empinada, com um certo ar de superioridade, o que, somado ao seu sorriso gracioso e permanente, a obrigava a mostrar com frequência os dentes incisivos superiores, dando ao rosto dela a aparência de uma ratinha simpática farejando um pedaço de queijo. Vestia naquele dia uma camisa florada marrom combinando com a saia, longa e lisa. Elisabeth achou que ela se vestia como uma secretária vulgar, bem anos Moda nas jovens daquela época. O marido dela, um cara alto, de cabelo loiro e entradas profundas, tinha um rosto adorável, simpático e bonachão.
Carol olhou com um sorriso safado pro homem tão aposto e elegante que tinha na frente. Ele era gostoso e atraente, e tinha algo que, mesmo sendo ela uma mulher de princípios dominantes, fez com que sentisse vontade de ser dominada por ele.
Um pouco mais adiante, olhando a vitrine que protegia do pó uma coleção inteira de chicotes, estava um homem miúdo, raquítico, de semblante sereno e olhar inteligente. O que se destacava nele era sua capacidade oratória, da qual fazia questão de exibir durante suas intervenções na câmara dos Lordes. Esse homem se chamava Robert Boldt, e tinha como vício a estrangulação. Acompanhava ele Rose, uma mulher de meia-idade, viciada em enganação e amante da disciplina.
No fundo da sala, perto da lareira, com a cabeça baixa pra esconder o rosto e os braços cruzados, um homem que se destacava pela corpulência ficava separado dos outros. Omar Binns cumprimentou todo mundo e fez as apresentações, exceto desse sujeito que todos conheciam mas ninguém falava; depois, focou a atenção na anfitriã, enchendo ela de elogios e boas palavras.
Em todas essas pessoas existia um denominador comum: a perversão, capacidade que a pequena Emily também tinha. Mas entre todos aqueles convidados e a pequena existia a diferença de que, uns, num dado momento, podiam ter seus atos modificados ou afetados por um sentimento de compaixão; isso, na nossa pequena diaba, era impossível.
Depois de um tempo, Elisabeth, após se desculpar com o convidado, se aproximou de Eugene e indicou que ele já podia preparar a Claudine e trazê-la pra baixo.
Claudine entrou na sala com a cabeça baixa, arrastando os pés descalços. Todos os presentes notaram a chegada dela, mas ninguém, exceto a dona e uma convidada, mostrou maior interesse nela, então as conversas que mal se mantinham em pouco ou nada foram afetadas. Estas, mesmo conduzidas sem muito alvoroço, causavam tal efeito no salão que Claudine achou estar diante de umas vinte pessoas, todas elas, talvez, dispostas a curtir o corpo dela, conclusão a que chegou depois de ter sido levada ao salão de olhos vendados e sem uma única peça de roupa sob a capa que cobria seu corpo.
—Fique quieta —disse Eugene, com indolência—. Não se mexa.
Entre os olhares intermitentes que Claudine recebia, um se mantinha fiel a ela e a observava com atenção. Esse olhar pertencia a uma pessoa que soubera perceber a diferença entre aquela escrava e as outras. Tinha reconhecido nela o terror verdadeiro, a angústia, e vislumbrado as duas manchas úmidas que se formaram na venda que cobria seus olhos. Aquela escrava sofria antes de ser torturada; isso a agradava. A pessoa que assim a examinava era Madeline, e o fazia sem perceber que, por sua vez, era observada por Chloe, sua amante e escrava, que, vendo o interesse que aquela puta suja despertava em sua dona, ardia de ciúmes.
Enquanto isso, Fabian circulava entre os convidados, trocando suas taças vazias e oferecendo aperitivos.
Eugene soltou o braço de Claudine e se afastou, deixando seu lugar para Elisabeth, que agarrou o braço de sua escrava, exatamente como seu mordomo vinha fazendo.
—Senhores… —disse ela—, prestem atenção, por favor. —Quando viu que todos a ouviam, prosseguiu com muita eloquência—. No tempo em que vimos realizando esses encontros, fomos obrigados a respeitar os acordos firmados com as diferentes mulheres contratadas; isto é, para nós, agir de mãos atadas. Por enquanto, ela não foi açoitada nem golpeada de modo algum; tampouco sodomizada. Cascavel tem uma virtude que certamente agradará a todos vocês: ela sofre quando alguém a possui. É por isso que vou deixá-la à disposição de todos. Cada um fará livre para usar dela como bem entender. Por outro lado, as Senhoras poderão açoitá-la e penetrá-la com os diversos objetos que encontrarem no local apropriado. A noite é longa, então recomendo usar a Cascabel aos poucos, deixando para o final tudo que possa lhe causar mais dano — e com a mesma solenidade com que um prefeito vaidoso descobriria na praça de sua cidade uma estátua com sua própria imagem no dia da inauguração, Elisabeth revelou sua escrava, deixando-a nua diante de seus convidados — Senhores, apresento-lhes a Cascabel.
Dessa vez, todos os olhares caíram ao mesmo tempo sobre a pobre coitada. Elisabeth sentiu um orgulho que raramente experimentara antes. Considerava o marido um imbecil e a filha um demônio desobediente, incapaz de controlar seus impulsos. Não dava para dizer que se orgulhava muito deles, mas sentia orgulho de sua escrava. Ela era realmente sua; seu corpo, seu medo, sua vergonha, seu pudor…; toda ela, até o fundo de sua alma, lhe pertencia, e o melhor de tudo é que seus convidados sabiam disso. Que prazer imenso ela sentia! "O que eu daria para que ela fosse minha para sempre…" pensou consigo mesma.
— Cascabel: vá até a vitrine e escolha um chicote, o que você mais gostar.
Eugene tirou a venda de seus olhos. Feito isso, Claudine se aproximou da vitrine, ergueu o olhar e examinou os diversos instrumentos de tortura expostos. Entre todos eles, reparou numa daquelas varas que os professores de escola usam para apontar um ponto específico no quadro-negro e, em alguns casos, corrigir a atitude desregrada dos alunos mais rebeldes.
Claudine optou por esse objeto; talvez influenciada por aquela relação com a escola, e acreditando que, se era usada com crianças, doeria menos. Abriu as portas da vitrine, pegou a fina tábua de madeira e voltou para perto de sua Ama, que estava dando instruções a Eugene. Olhando para o chão, estendeu a mão para entregar o objeto à sua dona.
— Não é pra mim; abaixa a mão. Escolhe a pessoa que você prefere que te bata, Cascavel. Vamos, Cascavel, quem você quer que te surre primeiro?
Claudine, fazendo um esforço pra não chorar, levantou o olhar e deu uma olhada meio vaga, por cima, nas pessoas que estavam ali reunidas.
— Já, Cascavel; entrega a vara — disse Elisabeth.
Naquele momento, Eugene e Fabián entraram com um cavalete de madeira bem arcaico, no qual tinham pregado na parte de baixo de cada uma das pernas uns argolões de ferro, meio desproporcionais pro tamanho do instrumento de tortura. Deixaram no chão e se retiraram. Claudine estava tão atordoada que nem percebeu a entrada daquele treco em cena. Deu uns passos e, dando mais uma olhadinha furtiva pro grupinho de quatro pessoas sentadas na frente dela, entregou a vara pra quem estava mais perto e que, ao mesmo tempo, contra sua natureza, mais desejava ser escolhida. Antes de aceitar a entrega, a escolhida esperou a aprovação da sua Amante.
— Pode ir, Chloe — disse ela, sorrindo —, pega.
Claudine se virou e, ao fazer isso, como se visse aquilo num sonho, descobriu o cavalete. Nua daquele jeito, observada por aqueles desconhecidos, não deixou de se assustar com a nova descoberta.
Se aproximou da sua Amante e esperou em silêncio enquanto continuava ouvindo a voz firme da supervisora.
Elisabeth pegou Claudine pelo braço e a levou até o cavalete. Chloe as seguiu sem soltar a vara. Elisabeth separou as pernas de Claudine com as mãos e a inclinou sobre o cavalete.
— Fabián — disse, apontando pra sua escrava —: as mãos e os pés.
Com essa ordem, Elisabeth mandou o seu mordomo amarrar os pés e as mãos da escrava nos argolões do cavalete. Claudine, como se fosse um boneco, se deixou fazer.
— Sabe como funciona? — perguntou Elisabeth pra Chloe, brincando, o que arrancou algumas risadas. Risadas no grupo.
Chloe nem se mexeu. Raramente fazia isso, mesmo quando apanhava. Os cantos da boca dela, naturalmente caídos, davam ao rosto um ar sério e severo, como se estivesse sempre puta da vida. De repente, ela fixou o olhar na bunda da Claudine e, sem dizer nada, levantou o braço com a vara e acertou as nádegas dela; bateu com tanta violência que deixou todo mundo surpreso e sem fôlego as duas ou três risadas que tinham surgido com a brincadeira. Uns dois segundos depois, tempo em que reinou um silêncio de morte, Claudine soltou um grito que arrepiou os cabelos de mais de um. Foi um grito tão agonizante, tão desgarrador, que até o homem fortão que ficava isolado num canto da sala, aproveitando que Claudine, pela posição em que estava, não podia vê-lo, se aproximou pra ver de perto os estragos causados pelo golpe. Já de longe, deu pra ver uma linha vermelha desenhada nas nádegas de Claudine; uma linha que foi mudando de intensidade até ficar grená e roxa.
Confusa com a raiva da escrava dela, e reconhecendo uma expressão de desgosto no rosto da anfitriã, Madeline se levantou do sofá e, antes que Chloe mostrasse de novo a violência dela, se aproximou e a segurou.
— Calma, querida; você precisa controlar sua força. Mais dois golpes como esse e você desmonta a pobre criatura. Queremos que ela aguente um pouco mais…
Claudine chorava desesperada. Balançava os pés e as mãos, tentando sair correndo dali, coisa completamente impossível.
O ciúme de Chloe tinha cegado a possibilidade de ser castigada se não seguisse as instruções da sua Ama, mas reprimir a raiva era tão ou mais doloroso do que levar um castigo, então, pegando todo mundo de surpresa, ela deu mais dois golpes, um atrás do outro, com a mesma ferocidade do primeiro. Dessa vez, ao franzir a testa e apertar com força a mandíbula, deixou visível sua ira. Claudine começou a gritar, e entre seus gritos desesperados, dizia "não" repetidas vezes, implorando para que não lhe fizessem mais mal. E Elisabeth, que se alarmou com a primeira chicotada, sentiu com as duas seguintes um aperto na boca do estômago. A rebeldia da escrava de Madeline e o sofrimento da sua a excitaram como há muito tempo não se excitava.
— Chloe! — gritou Madeline com raiva — eu disse para você se controlar! Larga isso agora. Já!
— Deixa ela continuar — disse Elisabeth com suavidade.
— Ela vai ficar marcada se continuar batendo assim — respondeu Madeline.
Elisabeth amordaçou sua escrava com um pedaço de pano.
— Vai ser uma bela lembrança do dia de hoje, não acha? Vamos, Chloe, continua...
Aos três golpes, seguiram-se mais dezenove, que, para deleite dos presentes, foram executados quase com a mesma intensidade que os primeiros. Isso fez com que Claudine desmaiasse.
Nunca antes Madeline tinha visto sua escrava agir com tanto sadismo. Ficou surpresa, e enquanto os mordomos tentavam reanimar Claudine, quis saber o motivo do seu comportamento.
— Você se divertiu?
— Não, Ama.
Madeline a encarou; a outra baixou o olhar.
— Eu diria que sim, Chloe.
— Sim, Ama.
— E então?
— É estranho, Ama.
— Não tem nada de estranho, Chloe. O que você fez e como fez tem um motivo. Se não explicar, vou deixar a escrava dos guizos devolver cada golpe em você até que isso pare de parecer estranho. É isso que você quer?
— Não, Ama.
— Então se esforce para explicar.
Tomada pela vergonha, Chloe baixou a cabeça e disse:
— Eu vi que a senhora estava de olho nela e senti ciúmes.
De certa forma, a confissão de sua escrava a encheu de satisfação, mas não podia deixar transparecer, e decidiu castigá-la. Ordenou que ela se ajoelhasse atrás da escrava dos guizos e acalmasse com sua língua as feridas que havia causado. Ao contrário do que Ela realmente queria. Chloe se ajoelhou, segurou os quadris de Claudine e lambeu os ferimentos que ela mesma havia causado.
— Isso mesmo — disse Madeline, afastando as nádegas de Cascabel —. Enquanto você cura os ferimentos dela, eu vou aproveitar o corpinho gostoso dela e, de quebra, dar o prazer que ela merece.
E, montando em cima de Claudine, inclinou-se sobre ela e, sem deixar que suas nádegas se fechassem, começou a lamber o que elas, em repouso, guardavam com tanto pudor.
Embora Claudine ainda estivesse um pouco atordoada, conseguiu agradecer por terem parado de bater nela; e, por mais nojento que achasse o que estavam fazendo com ela agora, preferia isso a ser açoitada. O que ela não sabia, o que nem imaginava, era que preferiria as pancadas ao que ainda estava por vir.
Elisabeth, com o pano que havia servido de mordaça para Claudine e que um dos mordomos tinha tirado para reanimá-la, vendeu-lhe os olhos. Depois, fez um sinal para o homem alto e forte que, durante a apresentação, tinha ficado na sombra.
Não precisou dizer mais nada; o homem se aproximou, desabotoou a calça e tirou o pinto mole da roupa, que, após a ordem que Elisabeth deu à sua escrava para abrir a boca, ele enfiou lá dentro. Já dentro, aos poucos, foi endurecendo.
O resto do grupo se reuniu em volta de Claudine. Cada um, de um jeito ou de outro, tinha a libido despertada pela cena e queria participar. Madeline tirou o rosto da bunda de Claudine, indicou à sua escrava que parasse de chupar os ferimentos e, depois de acariciar com a palma da mão as nádegas maltratadas e sentir o relevo das marcas, ambas se colocaram em segundo plano, deixando mais espaço para o resto dos torturadores.
— Gostaria, se me permitem, de sugerir algo — disse o senhor Boldt.
— Pode falar — disse Elisabeth.
— Antes de usar ela, que tal a obrigarmos a andar na corda?
— Acho ótimo, Robert — disse Elisabeth —. Eugene: traz a corda.
— Ideia genial — completou. Carol, como quase sempre, com seu sorrisinho de rato. —E... que tal se amarrarmos as mãos dela nas costas?
—Beleza —disse Omar—, e deixemos a venda nos olhos dela. Proponho também colocar pinças no corpo todo, e uma âncora enfiada no cu dela pra puxar.
—Isso! —exclamou Carol—, ia ser muito bom.
Antes que ele gozasse, o homem que forçava a boca de Claudine parou e se afastou, momento que Fabián aproveitou pra soltar Claudine do potro e amarrar as mãos dela nas costas.
Pouco depois, enquanto o grupo falava sobre como torturar Claudine, Eugene voltou com a corda e, com a ajuda de Fabián, esticou-a de uma ponta a outra do salão, amarrando as extremidades a pouco mais de um metro de altura, de modo que, se alguém andasse com ela entre as pernas, fosse obrigada, se quisesse andar, a fazer isso na ponta dos pés, senão se queimaria.
Essa corda era de cânhamo, ou talvez de esparto, bem grossa, e tinha muitos nós ao longo dela, com uns palmos de distância entre um e outro. Alguém pensou que seria mais divertido se em algumas partes da corda passasse um pouco de molho picante, e até teve quem sugerisse esfregar umas folhas de urtiga; mas por sorte pra Claudine, o terreno ao redor da casa não tinha essa vegetação, e a ideia foi descartada.
Com a ajuda do homem forte, Eugene levantou Claudine e colocou ela em cima da corda, que se encaixou na fenda da buceta dela. Elisabeth inclinou ela pra baixo, empurrando pela nuca, pra que enfiassem a "âncora" no cu dela. Essa âncora era um objeto metálico em forma de flecha, com as pontas dobradas pra dentro pra facilitar a penetração, e que, por um mecanismo interno simples, criado pelo próprio senhor Wallace no tempo livre dele e mandado fazer na fábrica, se abriam depois de dentro. Se alguém de fora puxasse a corda que o objeto tinha amarrada na Extremo, as pontas se cravavam nas paredes internas da cavidade.
Madeline foi a encarregada de introduzir o objeto nela, mas antes chupou o buraco por onde devia enfiá-lo, pra continuar provocando ciúmes na sua escrava. Depois de introduzido, acionou o mecanismo que o abria e se afastou. Claudine, mais pela sensação do que pela dor, soltou um grito. Elisabeth então deixou que sua escrava se levantasse de novo. Carol e seu parceiro foram os responsáveis por colocar as pinças pelo corpo de Claudine, arrancando caretas de dor do seu rosto.
Agora era fazê-la andar, pra que a corda queimasse sua buceta e os nós batessem no seu clitóris. Pra isso, cada um dos convidados, exceto Chloe e o jovem Aidan, pegou um dos chicotes que estavam expostos na vitrine. A primeira a dar a chicotada foi a senhora Rose. Ela fez isso acompanhada de um "anda logo, foxy!" que humilhou ainda mais Claudine e, claro, a fez dar um passo à frente. E quase na mesma hora, a pobre Claudine recebeu a ordem de não parar e, em seguida, levou um terrível açoite que marcou seus braços e costas. Claudine começou a andar bem devagar pra diminuir os efeitos do atrito, mas de repente uma porrada de chicotadas caiu sobre ela. Desesperada, quase histérica, acelerou os passos em vão. Quando a dor na sua buceta foi maior que a dos golpes, ela parou. Curvou-se pra frente e ficou assim, sem se importar mais com o que fizessem com ela. As chicotadas pararam. Houve um momento de silêncio. Só se ouvia a respiração ofegante de Claudine. Finalmente, pensou, eles tiveram pena de mim. Um pensamento que durou até o momento em que sentiu uma picada e uma pressão lá dentro. Alguém começou a puxar a âncora e a forçou a recuar.
Quando, depois de um tempo, Claudine pareceu desmaiar, tiraram ela da corda e a levaram semi-inconsciente para o cavalete. Lá a colocaram e usaram todas as entradas delas: elas, as mulheres, com objetos diversos, enquanto eles, os homens, com seus membros. Assim, a tiveram por quase duas horas; depois a coisa perdeu o pique, e aos poucos foram largando ela.
Nunca uma mulher foi tão brutalmente tratada naquela casa. O estado de Claudine, depois que terminaram com ela, era tão deplorável que a própria Elisabeth teve pena, então mandou Eugene e Fabian desamarrarem ela e, entre os dois, levarem ela pro quarto. Assim terminou a primeira sessão em grupo de Claudine.
16. Injustiça
Marie terminou de jantar e se recolheu ao quarto, como de costume, pra se perder na leitura dos livros dela. Terminado "O Morro dos Ventos Uivantes", tirou da estante o que tinha o título "O Conde de Monte Cristo", seguindo a ordem preferencial da lista mental dela. Depois, acabado esse, viria "As Aventuras de Tom Sawyer", e então — aqui tinha um pequeno dilema —, chegava a vez de "O Maravilhoso Mágico de Oz" ou "Alice no País das Maravilhas". Ao deixar o livro na mesinha de cabeceira, percebeu que a foto da mãe dela não estava. Olhou no chão, pensando que talvez uma corrente de ar tivesse derrubado, mas nem debaixo da cama nem em nenhum outro lugar apareceu.
Como várias vezes tinha visto os dois priminhos pequenos rondando por ali, desconfiou deles na hora. Saiu do quarto, nervosa, e entrou no dos primos. Deu uma olhada por cima, e não achando o que procurava, revistou as gavetas e olhou debaixo das duas camas, mas não encontrou nada. Desanimada, quando estava quase saindo, um impulso levou ela a levantar o colchão. Bem ali debaixo encontrou, do jeito que as crianças tinham deixado. Marie pegou com cuidado. O rosto da mãe dela tinha sumido, embora por um momento pareceu que ela tava vendo ele no papel, mais vivo do que nunca. Logo depois se desvaneceu. Marie tapou a boca com a foto, como se a enquanto eu beijava, ela começou a chorar.
Os dois meninos pequenos entraram aos empurrões. Pararam de repente ao ver a prima no quarto, com lágrimas nos olhos e a prova do crime na mão. Incapazes de segurar o riso, taparam a boca. Um deles saiu correndo pela porta, e quando o outro tentou segui-lo, o braço de Marie o alcançou pelo colarinho do moletom. Com uma risada nervosa, meio histérica, o menino jurava que não tinha sido ele, e antes que terminasse de acusar o irmão, Marie deu um tapa na cara dele. O menino passou das risadinhas para a incredulidade, e, incrédulo, começou a chorar. A bochecha dele, branca até instantes atrás, foi ficando vermelha. Na hora, assustada e arrependida pelo que tinha feito, Marie soltou o menino e pediu desculpas, mas, sem nem ouvi-la, ele saiu correndo do quarto. Marie foi atrás dele, mas assim que chegou no corredor, parou, porque no fundo dele, abraçando os dois filhotes, estava a tia Rose, claramente muito puta. Marie se aproximou dela e mostrou a foto.
— Olha o que fizeram com a foto do meu…
— Você bateu no meu filho?!
Rose fez um esforço pra controlar a raiva.
— Desculpa, tia Rose. É que…
Mas antes que pudesse se explicar, Rose virou as costas e foi embora.
Durante o jantar, Rose disse a Marie:
— Não posso dizer que meu relacionamento com seu pai era especialmente próximo, porque não seria verdade, mas ainda assim eu amava ele como irmão que era. Agora, infelizmente, você é a única coisa que me resta dele. No entanto, acho que me precipitei ao decidir que você viesse morar com a gente. Pensei que você se adaptaria; tinha esperança de que isso acontecesse, mas hoje você me mostrou que não. Depois de pensar muito, acho que vai ser melhor pra todo mundo que, até você ser maior de idade, more com outra família.
Nada podia deixar Marie mais feliz do que sair daquela casa. Imediatamente pensou nos Os pais do Darrell eram os mais próximos da família, e os que mais se mostraram interessados em acolhê-la num primeiro momento. Marie quase deixou escapar a alegria ao pensar neles, mas se conteve. Fazer isso teria sido uma falta de consideração e desrespeito com a tia, então fingiu estar triste.
— Já que, sendo filha do meu irmão, sinto o dever moral de cuidar de você e do seu futuro, vou deixá-la aos cuidados de uma família muito respeitada neste país, em quem posso confiar para...
— Mas, tia Rose, eu não quero ir para a casa de uns desconhecidos! Por favor, tia, os Tillman...
— Como ousa questionar minha decisão? Acha que não sei o que é melhor para você? Ainda sou responsável por você, e não vou permitir que sua educação fique nas mãos de uma família que mal conheço.
17. Emily
Alguém disse de Emily que ela era um ser abominável. Certamente foi, embora nem todos a víssemos assim.
Emily encarnava o vício, a depravação, a injustiça, a perversão; Emily era o desmedido, o antinatural, o imprevisível; um ser maravilhoso que encontrava sua liberdade coagindo a dos outros.
Com licença, vou me adiantar no tempo para contar um breve capítulo da vida de Emily, que pouco tem a ver com esta história, mas que nos ajuda a mergulhar um pouco mais na sua bela forma de ser.
Há algum tempo, no seio de uma próspera família londrina, nasceu, para desgraça de alguns e prazer de poucos, uma criatura de natureza extraordinária e monstruosa, a quem seus pais, o Senhor e a Senhora Wallece, batizaram com o nome de Emily. Eles, que com o passar do tempo foram percebendo a torcida natureza da filha, longe de endireitá-la, foram alimentando-a com uma educação baseada na supremacia — através da degradação, da tortura e da dor — de algumas pessoas sobre outras, especialmente daqueles que, na escala social, pertenciam aos... elos mais baixos.
Essa educação, junto com o estilo de vida que ela levou por anos, abriu o caminho da pequena para o mundo sombrio do proibido e da perversão.
As cortinas se abriram, e a luz do sol, radiante como raramente se podia aproveitar nas manhãs londrinas, coloriu os já desbotados móveis do quarto.
— Bom dia. Permita-me.
Lord Richter, abrindo apenas suas pálpebras pesadas, deixou que sua esposa, que depois de puxar as cortinas se sentara na beira da cama ao lado dele, colocasse seus óculos, e agradeceu a Deus, mais um dia, por continuar vivo ao lado dela.
Ele a conheceu numa festa; na época, quatro anos atrás, ela era uma garota meio feinha, não muito alta, magra demais, com a pele muito branca, salpicada nas maçãs do rosto e no nariz por um rastro difuso de pequenas sardas, o que lhe dava um ar inocente e infantil, e um olhar inquieto. Ele, com setenta e nove anos de idade, e sendo um dos homens mais ricos de Londres, reparou nela quando, na festa, a garota se aproximou dele, sem mais nem menos, e lhe ofereceu uma esfera de cristal enquanto dizia: "Te dou de presente. Era da minha mãe. Ela sempre dizia que se você olhasse fixamente por muito tempo, poderia ver o futuro; mas minha mãe dizia muitas mentiras."
E embora em seus anos de casamento eles nunca tivessem dedicado um único minuto aos assuntos carnais, o velho foi presenteado com um grande número de beijos, abraços e carícias.
Durante um ano, a jovem frequentou a casa do velho, tempo durante o qual se forjou uma relação muito estreita entre os dois. Ela fazia companhia a ele, contava histórias que tinha lido em livros ou que simplesmente inventava — com uma maturidade imprópria para a idade dela —, dava mostras de afeto, compartilhava confidências...; em resumo: devolvia a juventude que ele tanto ansiava. Durante esse tempo, a jovem foi passando por uma mudança progressiva: fisicamente cresceu (pouco, mas cresceu) e perdeu peso, sua expressão ficou menos inocente, mais séria e austera; e quanto ao seu caráter, ficou mais frio, menos impulsivo e ansioso, mais calculista, qualidades nefastas para um ser sem empatia.
Passado o ano, e ignorando os pedidos dos parentes mais próximos, eles se casaram.
Lord Richter admirou a beleza da sua mulher. Ela tinha a pele tão branca quanto preto era o cabelo, e os olhos, de um azul pálido e apagado, pareciam duas geadas de gelo.
— Hoje vão trazer o café da manhã na cama — anunciou a jovem, passando os dedos pelos cabelos ralos do marido —. Como o senhor está hoje, Frank?
Não houve resposta, pois o velho, já fazia um tempo, só de pronunciar uma palavra já era um esforço danado; mesmo assim, ele tentou.
— Shhh... não diga nada — disse a jovem, se inclinando pra beijar a testa dele —, já vi que hoje o senhor acordou cheio de energia. Tá com boa cara.
Apesar de ela ter ficado mais distante desde que se casaram, ele tinha certeza de que ela o amava quase tanto quanto ele a amava.
— Emi...
— Shhh...
Nesse momento, bateram na porta e entrou uma criada com uma bandeja na mão. Era a Chloe, uma jovem contratada pela Emily dois anos atrás e cuja presença irritava profundamente o velho. Ela tinha a pele morena, os olhos grandes e redondos como os de uma coruja, e uma sombra peculiar em volta da boca, por causa dos lábios carnudos.
— Bom dia. Com licença...
— Bom dia, Chloe. Deixa a bandeja aí em cima e fecha a porta.
Por que, sabendo o quanto aquela cigana o incomodava, sua jovem esposa deixava que ela servisse o café da manhã na cama? se perguntava o velho, carrancudo. Sai daqui e fecha a porta! teria gritado se pudesse. Mas a Chloe não só fechou a porta, como se deu ao luxo de trancá-la com chave, o que irritou e deixou o velho octogenário desconfiado. Chloe, sabendo da rejeição que causava nele, piscou pra ele. Sem-vergonha, hein. Aquele olhar safado fez Emily rir, e isso, por sua vez, deixou o marido dela confuso.
—Chloe não é má, meu amado esposo — disse Emily, apontando pra Chloe e dando tapinhas suaves no colchão pra ela sentar do lado —. Ela só obedece, e de um jeito bem eficiente, pode acreditar. Não entendo por que você não gosta dela. Devia saber… ninguém te contou? Não importa, eu mesma vou te contar… devia saber que, se não fosse por ela, minhas noites nessa casa seriam desesperadamente longas e solitárias. Por que essa cara? Já vi… você não faz ideia do que estou falando.
Chloe sentou na cama, ao lado de Emily, e o colchão macio reagiu ao peso com uma ondulação suave que balançou o corpo imóvel de Lord Richter.
—Tô falando que, quando fico entediada, chamo a Chloe e a gente brinca. Ela adora obedecer tudo que peço. Por exemplo, se mando ela chupar meu pé, ela chupa; e se mando ela chupar aqui (abrindo as pernas e se tocando por cima da roupa), ela também chupa.
Chloe pegou a mão que sua Senhora oferecia e chupou os dedos com uma cara de safada. O velho ficou perplexo com a atitude descarada e desconhecida da esposa, e a raiva dele foi se misturando com outras sensações, como medo ou tesão. O coração dele começou a disparar sem controle.
Com um tom firme, seguro, que saiu de Emily naturalmente, sem esforço, ela disse:
—Querido Frank: detesto quando você olha pra Chloe desse jeito. Vou ter que te punir. Castigo é o único jeito viável de corrigir o comportamento humano. Conheço vários métodos, conheço milhares, um pra cada pessoa e situação. Usando eles, até conseguiria fazer você cantar. No bem e no mal, a gente jurou no dia do nosso casamento. Chegou a hora do mal, my dear Lord Ridiculouster. Chloe: quando ele te olhar assim, dá um tapa na cara dele.
Emily tirou a mão da boca de Chloe. quem, sem ordem prévia, se levantou, tirou toda a roupa que vestia — touca, avental, sutiã, calcinha —, se ajoelhou diante da sua senhora, enfiou as mãos por baixo do vestido dela, puxou a calcinha e a beijou. A respiração do velho ficou audível em todo o quarto. Dava até pra ouvir o barulho da saliva passando pela garganta ressecada dele.
Consciente da dor que estava causando, Emily abriu as pernas e deixou a empregada enfiar a cabeça entre elas. Apoiou um braço na cama e, com a outra mão, guiou a cabeça de Chloe até sua buceta.
Nem os raios quentes do sol conseguiram dar um pouco de cor ao rosto lívido do velho, que assistia à cena descomposto enquanto a empregada suja de pele cigana mergulhava nos mares quentes que sua irreconhecível esposa lhe oferecia. Que vulgaridade, que descaramento, que indecência daquelas duas putas de subúrbio, e que excitante ao mesmo tempo, se não fosse que uma delas era sua amada esposa.
E se Emily estava gostando, não era pelo massagem molhada que estava recebendo, mas pela dor que isso causava no seu marido ricaço. Isso sim a excitava, mas não muito, já que tudo aquilo não passava de uma brincadeira de criança perto do que ela realmente queria fazer.
Ela se virou para o marido e apalpou o pau dele por cima da calça.
— Para, Chloe. Não estamos aqui pra isso. Traz o café da manhã.
Enxugando a boca com o antebraço, Chloe foi buscar a bandeja e a deixou na cama.
— Vamos ver o que temos aqui… — disse Emily, levantando a tampa brilhante e ovalada que cobria o conteúdo de um prato — Olha só isso (levantou um objeto de cor marfim e formato fálico); é um… um instrumento pra aliviar a tensão e acalmar a ansiedade da mulher mal comida, como é o caso da pobre Chloe, que não encontra um homem bem dotado pra consolá-la. Já o senhor, meu amado Lorde, apesar de não acreditar, Richter, é ela quem arruma os caras com quem eu passo a maioria das noites. Claro que sim! Fazendo aquilo que você tá pensando e muitas outras coisas que você nunca imaginaria. É hora de pensar na pobre Chloe, então vamos deixar ela se divertir hoje. Chloe: de agora em diante, meu marido é seu.
A empregada, que estava pelada e cheirava igual a um cachorro molhado, se agachou sobre as pernas do velho e puxou pra baixo a calça e a cueca dele. O pau do velho angustiado tinha uma aparência deprimente, e os olhos dele, arregalados, brilhavam de pavor. Chloe sentou em cima dele e mexeu a cintura, massageando ele com a superfície molhada da buceta dela. De vez em quando, o pau crescia um pouquinho, só quando o coração descontrolado dele se dignava a bombear sangue pra lá. Enquanto isso, Emily pegou a mão do marido e levou até o peitão da empregada.
— Apalpa eles; têm a pele jovem e macia. Ou prefere chupar eles?
Emily não tira a roupa.
— Abre a boca.
O velho olhava pra esposa jovem com os olhos esbugalhados, cheios de pavor.
— Chloe: faz ele abrir.
Chloe levantou a cara do velho pelo queixo, e com a outra mão deu um tapa tão forte na bochecha dele que quase fez voar um dos poucos dentes que sobravam. Mas o velho, assustado, apertava os lábios com toda a força.
Emily, calmamente, mas sem perder a dureza no tom, mandou Chloe segurar a cara do velho, e enquanto ela fazia isso, fechou as narinas dele com os dedos, forçando ele a abrir a boca pra respirar, e aproveitou pra enfiar o objeto pela base.
— Se não quiser que eu atravesse sua garganta, segura ele firme com a boca.
E enquanto o velho ouvia as palavras dolorosas que a esposa dele dizia, observava com resignação como a cigana exuberante, de cabelo grosso e cacheado, girava sobre si mesma e aproximava a bunda redonda do consolo. Daquela distância, ele pôde sentir o Forte cheiro da sua entreperna, especialmente quando, com as mãos, ela abriu as nádegas pra facilitar a entrada do objeto. Daquela perspectiva, a visão era de tirar o fôlego: um objeto alongado se erguia pra cima desde a boca dele até a entrada de uma buceta fedorenta, cujas dobras de carne morena, ladeadas por um pelo escuro e grosso que se espalhava além do cu, brilhavam por causa dos fluidos que escorriam de dentro. E tudo aquilo era tão nojento pra ele quanto o fato de sua esposa, autora daquela cena, continuar sentada ao lado dele, imobilizando a cabeça dele com as mãos e dando um sorrisinho.
Em seguida, as mesmas dobras que o deixavam perturbado começaram a devorar o objeto, aproximando-se sem parar do rosto dele até que, finalmente, bateram nele. A boca dele encostou na buceta, e o cu dela na ponta do nariz, impedindo ele de respirar. Enquanto isso, com o tronco inclinado pra frente, ele agarrou o próprio pau mole e meteu na boca.
Dividido entre o prazer e a dor, Lord Richter sentiu o pau endurecer.
— Os fluidos da Chloe têm um gosto diferente. Viciam. Vai, chupa.
Depois, ele virou o objeto e obrigou o velho a morder a base. Chloe, guiada pela Emily, desceu o quadril até enfiar o objeto de novo; dessa vez, segurado pela boca do velho, que sentia que, a qualquer momento, se o coração aguentasse, ia derramar as últimas reservas de porra. (Chloe gozou, e uma substância espumosa, meio branca meio translúcida, parecida com cuspe, escorreu da buceta dela e deslizou pelo objeto, entrando pelos cantos da boca do velho. A respiração ficou mais difícil. Quando o objeto entrava por completo, o cu da Chloe esmagava o nariz do velho, que, sem ar, sentia o pau tremer violentamente e o coração dar espasmos ainda mais fortes.
Já tava indo...
As bolas do velho incharam, e gotas de líquido pré-seminal escorreram do seu membro enquanto o corpo reagia com espasmos violentos.
—Para —ordenou Emily—; não quero que ele goze. Seria um presente doce demais para um final tão glorioso. Deixa ele sofrer.
Chloe parou na hora e, vendo que o pobre velho mal conseguia respirar, decidiu aumentar o tormento colocando a língua onde tinha a mão, e continuando com esta a masturbação, pressionando habilmente a área da glande.
O velho semicerr os olhos, que ficaram brancos, e soltou um suspiro.
18. Um passeio pela cidade.
Emily, de braço dado com Eugene, passeava por uma rua no centro de Londres. Tinham percorrido os vários quilômetros que separavam a residência Wallace da cidade para fazer umas compras. Ao passar pelo portão de um colégio, parou para contemplar umas crianças que corriam e brincavam no pátio. Num canto, descobriu três garotas que fechavam a passagem de um menino baixinho, de pele terrosa e olhos assustados. Uma delas, a mais alta, empurrava ele contra a parede. O menino tentou se soltar, mas uma delas agarrou ele pelo cabelo e jogou no chão. Então, outra das garotas, a menor de todas, sentou em cima dele e imobilizou os braços dele. Naquele instante, Emily sentiu um regozijo por dentro, uma excitação que queimou o estômago dela.
—Eugene —disse Emily, admirando a perversidade natural das crianças—: me leva pra Clerkenwell.
Eugene, safado como era, reconheceu o olhar da sua Amante, cheio daquela perspicácia tão assustadora, e pressentiu os motivos da mudança inesperada de rumo dela para os becos da cidade.
—Não é o lugar mais adequado pra ir, Emily. É perigoso.
A jovem apertou com força o braço do mordomo e deu um beijo na bochecha dele.
—E é por isso que você vem comigo —respondeu com um sorriso gelado.
De todos os seres vivos que habitavam a terra, Eugene era o único por quem ela sentia uma espécie de carinho, um carinho que, por Do outro lado, raramente se manifestava.
—Ainda assim, Emily, continua sendo perigoso.
Voltaram pro carro, estacionado a poucos metros dali, e seguiram pro bairro de Clerkenwell. Emily, sentada como de costume no banco de trás, olhava a paisagem urbana sem prestar atenção. Pensava na cena que tinha visto pouco antes, com as crianças, e num final pra ela que nem de longe chegava perto do desfecho real.
—Chegamos —disse Eugene, tirando Emily do devaneio.
—Beleza, Eugene. Vai mais devagar.
Eugene reduziu a marcha e aguçou os sentidos. Circular por aquele bairro o deixava tenso. Emily, por outro lado, curtia a paisagem, pobre e decadente, cheia de miséria. Abriu o vidro e sentiu o cheiro podre que vinha das ruas.
—Se a patroa descobre que eu trouxe ela aqui, me mata.
—É possível.
—Que ela descobre?
—Não; a outra coisa.
Algumas ruas depois, ao passar na frente de um beco, Emily mandou Eugene parar, porque achou que tinha visto, no escuro, jogado no chão, um pobre coitado. Emily desceu do carro, ignorando o pedido do mordomo, que aconselhava ela a não sair do veículo, e foi até a entrada do beco. Eugene desceu, ficou atrás dela, e os dois conseguiram enxergar, quase no fundo do beco, o que Emily tinha achado que viu e tava procurando.
—Convence aquele homem a vir com a gente —disse Emily—. Dá umas moedas pra ele, e fala que se ele fizer o que eu pedir, vai ganhar muito mais.
—Aquele homem pode estar doente.
—Não vou tocar nele. Vai.
—Mesmo assim, Emily.
—Anda, vai.
Eugene franziu a testa e entrou no beco. Chegou perto do homem, olhou friamente pra ele e deu um chute na costela. O cara acordou, batendo a mão na garrafa de uísque The Macallan que tava do lado dele; e enquanto tentava se levantar sem muito sucesso, começou a resmungar um monte de insultos e pragas. Eugene tirou várias libras de uma bolsinha preta e jogou pra cima dele. As moedas bateram no torso do cara e caíram no chão com aquele tilintar. Por uns segundos, aquele bêbado olhou pras moedas incrédulo; depois, foi catando uma por uma.
— Quer mais? Te dou muito mais se vier comigo; trinta vezes o que você tem na mão.
O homem encarou ele desconfiado.
— Minha esposa quer te usar — continuou Eugene, apontando a cabeça pra Emily —. Aceita os caprichos dela e a grana é tua.
O homem olhou pra Emily, que esperava na boca do beco. Num lampejo de lucidez, aquele infeliz se perguntou por que uma gostosa daquelas se interessaria por um cara como ele. Mas a ideia sumiu logo, derrubada por uma mais forte: a do dinheiro.
Eugene ajudou o homem a se levantar do chão. Ele mal se aguentava em pé. Eugene reparou na mancha de sangue na roupa dele.
— Isso, o que é? — perguntou.
O bêbado, que mal conseguia manter os olhos abertos, demorou uns segundos pra responder.
— Fui atacado por um cachorro.
Eugene pensou um pouco e resolveu levar ele junto. Quando cruzou com Emily, o homem, tão bêbado que tava, só viu os pés dela. Entraram no carro e, depois de mais de duas horas de estrada por caminhos que cortavam vilas e matas, chegaram em casa.
Antes de sair do carro, Emily se certificou de que ninguém tava por perto da casa, e deu instruções pra Eugene levar o convidado pro porão. Pra descer as escadas, Eugene teve que pegar o homem no colo, porque se ele descesse por conta própria, corria o risco de abrir a cabeça na queda.
— E meu dinheiro? — gaguejou o bêbado quando Eugene largou ele no chão, e logo fechou os olhos. Tinha dormido.
— Acorda ele, Eugene, e amarra — disse Emily.
Com uns bons sacolejos, o bêbado foi acordado, e como se fosse um boneco, Eugene o manobrou até deixá-lo imobilizado, de joelhos virado pra parede, usando umas cordas penduradas numa argola. Rasgou a roupa dele, deixando as costas nuas, e puxou a calça até os joelhos. Ao fazer isso, viu que tinha algo no bolso e tirou. Era um pingente com um desenho bonito no centro.
— Segura isso — disse Eugene, mostrando o pingente pra Emily.
— É ouro?
— Com certeza.
— De onde será que ele roubou? Algo me diz que o sangue na roupa dele tem a ver com isso.
— Muito provável, Emily. Não devíamos ter trazido ele.
— Por quê? Vamos ajudar esse infeliz a redimir os pecados dele através do sofrimento.
Emily, como não queria chamar atenção, decidiu não arriscar subir pra pegar um bom chicote pra destruir as costas daquele ser imundo, e revirou a multidão de tralhas guardadas em prateleiras e armários ou largadas no chão. Achou logo um elástico, fechado, bem flexível e grosso. Pegou ele, passou por baixo dos pés do homem, levantou a roupa que cobria o torso dele e encaixou o elástico na barriga. Puxou a ponta do elástico uns passos pra trás, até ficar bem perto da parede. Fez força pra alcançar, mas não conseguiu. Eugene se aproximou e, não sem esforço, esticou o elástico até tocar a parede. Lá tinha um gancho de ferro, e prendeu ele ali.
— Vamos dar um susto nele — disse Emily.
Ela ia soltar o elástico quando teve a ideia de amarrar nele uns parafusos, três ou quatro, com um barbante. O homem acordou. Soltou uns grunhidos, pediu vagamente pra soltarem ele, chamou de putas quem tinha amarrado ele daquele jeito e exigiu o dinheiro dele.
— Faz esse imbecil calar a boca — disse Emily.
De uma das prateleiras, o mordomo pegou um rolo de fita adesiva e tapou a boca dele.
Impaciente, assim que o mordomo se afastou, Emily levantou o elástico do gancho.
O impacto não teve o efeito desejado. Chegou no destino sem força, e Os pregos mal arranharam a pele do homem. Emily ficou decepcionada. Pegou então uma corda bem grossa e começou a chicotear as costas do bêbado com ela. Mas quando, depois de um tempo, viu que não recebia em troca nem um grito que agradecesse o esforço dela, cansou e pediu pro Eugene soltá-lo.
—Vamos tirar ele daqui. Isso é igual bater num saco de areia.
E como um saco de areia, Eugene carregou ele no ombro e levou de volta pro carro pra trazê-lo de volta pra cidade. No meio do caminho, Emily mandou ele parar e largar o cara ali.
Eugene pegou ele pelas pernas, tirou do carro e arrastou até a beira de um barranco rochoso e íngreme.
—Deixo umas moedas pra ele? — perguntou pra Emily
—Meu dinheiro... — murmurou o bêbado de olhos fechados, sem forças, como se falasse dormindo.
Emily olhou pra ele sem expressão. Seria difícil explicar o que sentiu naquele momento; talvez um ódio desmedido, a compaixão mole de uma mãe, tudo misturado com uma adrenalina descontrolada; fosse o que fosse, fez o diabinho tirar uma moeda do bolso; o infeliz abriu os olhos e olhou pra moeda, e quando ele tentou levantar o braço pra pegar, Emily jogou a moeda no vazio.
—Vai buscar — falou.
E Eugene, rápido nos reflexos, agarrou Emily pela cintura e separou ela do infeliz bem na hora que ela levantava o pé pra empurrar ele pro destino das pedras brancas e afiadas.
—Pelo amor de Deus, Emily! Você ficou maluca?
—Me solta! Ele é um ladrão! Vai ser melhor morto.
—Mas você não é uma assassina.
—Eu faço justiça!
Eugene jogou Emily no chão, irritado, mas sem perder a calma aparente. A queda levantou uma nuvem de poeira que logo sumiu.
—O que você sabe de justiça... — disse Eugene.
Emily, tomada pelo ódio, se levantou e ficou sentada no chão. Quando viu as mãos sujas de terra, sacudiu elas.
—Só falta você me bater agora, criado. — Emily se levantou. do chão.— Vai, me bate, Eugene, o defensor da ralé.
— Cê acha que suas mãos são mais limpas que as deles? Olha pra você, Emily: não tem nada de bom em você.
— Cê é tão fraco…
— Minha fraqueza, Emily, é a coisa mais abominável que já existiu.
— Me bate.
— Não vou te bater. Sobe no carro; vamos embora.
— Eu não vou a lugar nenhum, sua criada idiota. Quem dá as ordens aqui sou eu.
Sem fazer quase nenhum esforço, Eugene deu um tapa na cara de Emily que a mandou de volta ao chão. A garota começou a sangrar pelo nariz. Ao perceber, sorriu com perfídia. Passou as costas da mão no sangue que contrastava com a brancura da pele, espalhando pelos lábios e queixo.
— Cê gostou. Dá pra ver nos seus olhos — disse Emily.
Eugene se aproximou dela e estendeu a mão.
— Já chega, Emily. Vamos pra casa.
Entraram no carro e voltaram. Em um momento do trajeto, Emily perguntou a Eugene:
— Cê me odeia, Eugene?
Mas ele não respondeu.
19. Marie se muda com os Wallace
Para encontrar o carro, dois cachorros saíram, mostrando os dentes ferozes e soltando pela boca uma baba branca borbulhante, exibindo seu jeito hostil. Nem o vento, que soprava tão forte que levantava minúsculas partículas de terra batendo contra o veículo, conseguia espantá-los. Marie se assustou. A cada latido, seu corpo se encolhia espasmodicamente, fruto do medo que as feras causavam nela.
O motorista buzinou um par de vezes.
Pouco depois, um mordomo saiu pela porta principal da casa e, protegendo o rosto com o braço, se aproximou do carro. Espantou os cachorros gritando: “Vai… sai daqui!”, e eles, imediatamente, viraram sobre o rabo e se afastaram devagar, como se o vento frio que soprava fosse imperceptível para eles.
Quando viram que os cachorros tinham sumido atrás da casa, tia Rose e Marie desceram do carro depois que o homem abriu a porta pra elas. porta. Tia Rose, rápida nos reflexos, segurou o chapéu antes que o vento levasse.
—Protejam os olhos! —disse o mordomo, levantando a voz pra ser ouvido—. Esse vento é coisa do capeta!
Ele se virou e voltou pra casa. Rose e Marie seguiram ele, tampando o rosto também pra se proteger do vento. Já dentro, o mordomo fechou a porta, impedindo que o ar continuasse a agitar as folhas da única planta que enfeitava o hall.
Tia Rose tirou o chapéu e ajeitou o cabelo.
—Quanto tempo sem te ver —disse tia Rose ao mordomo—. Como cê tá?
—Muito bem, Senhora.
—Fico feliz de verdade. —Tia Rose examinou o ambiente meio disfarçada, procurando algum defeito pra encher o saco dos Wallace.— Tem novidade?
—Alguma tem, Senhora.
—Que bom ouvir isso.
—Querem me acompanhar até a sala? —perguntou o mordomo, abrindo a porta dupla que separava a sala do hall—. Vou avisar a Senhora que vocês chegaram.
Tia Rose e Marie seguiram ele até um sofá na frente de uma lareira acesa e sentaram. O homem sumiu pelas escadas. A sala, assim como a entrada, era um exemplo de harmonia, elegância e limpeza. Tinha no centro uma mesa de mármore branco onde cabiam umas catorze pessoas sentadas.
—Escuta, Marie: não tô puta contigo. De certo modo, entendo seu comportamento. Eu também não me acostumei com a ideia de nunca mais ver seu pai. Tudo isso é foda pra todo mundo.
—Mas tia, os pais do Darrell…
—Chega, Marie! Já falamos disso um monte de vezes. Não conheço essa família de lugar nenhum. Eu sou responsável pela sua criação, e acho que não tem ninguém melhor que os Wallace pra fazer esse serviço… um serviço que agora eu não tô pronta pra encarar. Os Wallace são uma família de muito prestígio, que podem…
Enquanto Rose falava isso pra sobrinha, uma mulher desceu as escadas e se aproximou delas. Rose se levantou, e Marie a imitou instintivamente.
—Rose… que alegria te ver —disse a mulher—. O que te traz aqui?
As duas se cumprimentaram com um beijo na bochecha.
—Conhece minha sobrinha Marie?
A mulher deu uma olhada na jovem.
—Essa criatura tão gostosa é a filha do seu irmão? Puxa (virando-se para Marie), pobre menina, sinto muito pelos seus pais.
Marie baixou a cabeça e ficou vermelha.
—Preciso que me faça um favor —disse Rose.
Enquanto as partículas de terra e poeira que o vento arrastava batiam nas janelas, ouviu-se um tilintar passando perto dali, que foi se perdendo aos poucos nas profundezas da casa, fazendo a conversa parar por um instante. Quando o barulho sumiu, a conversa continuou como se nada tivesse acontecido.
—Claro, minha querida amiga! Vamos sentar e me conta o que posso fazer por você. Mas antes, me diz, vocês querem tomar algo? Quer tomar algo, Marie?
—Não, senhora, obrigada.
—E você, Rose? Quer tomar algo? Um chá, talvez?
—Sim, obrigada.
—Traga chá para nós —disse a mulher, virando-se para o mordomo—. Vamos, me conta, o que posso fazer por você?
—Preciso que você cuide da minha sobrinha e da educação dela.
Elisabeth olhou bem séria para Marie.
—Você está falando de uma educação do tipo r.s?
Marie, sem saber o significado daquela palavra, não achou nada de estranho nela.
—Não, do tipo r.i.
—Entendi… ela é branca. Então não se preocupa; eu cuido dela. Trouxe malas?
—Sim; uma. O resto das coisas vou mandar trazer na semana que vem.
Nesse momento, entrou na sala uma jovem que, ao ver a senhora Rose acompanhada de alguém mais ou menos da sua idade, se aproximou para cumprimentar.
—Emily —disse Elisabeth—: Marie vai ficar um tempo com a gente. Ela vai dormir no quarto de hóspedes no final do corredor. Quer acompanhá-la e mostrar pra ela?
O mordomo chegou com o chá. Depois de servir, a mulher disse:
—Vai até o carro da Senhora, fode a Pega a mala e leva pro quarto de hóspedes; o do fundo do corredor.
—Sim, senhora.
Fora de cena, as duas criaturas e o mordomo, Elisabeth perguntou a Rose:
—Quem sabe que ela tá aqui?
—Ninguém. Vou dizer que fugiu; amanhã dou queixa de desaparecimento. Ela não pode sair daqui nunca.
—Entendo…
—Eu odeio ela, Elisabeth! É uma criatura nojenta!
—É uma criatura linda e branca, e agora tá onde tem que estar.
—Pois a beleza dela me dá nojo.
—Já em mim, me fascina.
—Eu mataria ela!
—Eu também, querida, mas… não acha que seria um ato muito fútil? uma ostentação. Não sei você, mas peças como essa não aparecem todo dia.
—Tem razão, Elisabeth, mas não consigo evitar. Eu odeio ela. Não importa. Pelo menos…
—Sim?
—… faz com que ela seja a pessoa mais infeliz do mundo, mas não toca nela, pelo menos, não por enquanto.
—Fica tranquila, ninguém vai tocar nela. Ela vai continuar valendo.
—Obrigada, Elisabeth —disse Rose, levantando da cadeira—. Te ligo nos próximos dias.
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