Ela era uma ruiva gostosa, quase tão alta quanto Albertina, mas muito mais bonita: os peitos eram maiores, as coxas mais grossas e o olhar mais feroz. Por algum motivo, a saia dela também era mais curta. Tanto que qualquer um que se desse ao trabalho de observá-la não demoraria a ver algum detalhe da calcinha dela.
Ela não veio sozinha. Tinha um séquito de cinco adolescentes gostosas que esperavam respeitosamente atrás, a quatro passos de distância.
— Quem é a novata? — quis saber Rebeca — é sua?
A segura de si Albertina parecia ter dificuldade para respirar e falar. Engolindo saliva, deu um passo à frente e falou:
— Ela se chama Natalia e sim, é minha… de quem mais seria?
Natalia observava a cena de longe, mas como estavam falando dela, não quis ficar calada.
— Eu não sou de ninguém!
Rebeca sorriu, ao contrário de Albertina. Jana se apressou em sussurrar para ela.
— Não! Não fala isso! Você vai preferir mil vezes ser de Albertina do que de Rebeca…
— Mas eu não sou de ninguém! Não sou um cachorro ou um chapéu pra outras pessoas me possuírem! Porra!
Rebeca soltou uma gargalhada. Então se virou para Albertina, embora olhasse para Natalia e segurasse seu queixo com os dedos indicador e polegar. Colocou um pé no banco onde as garotas estavam sentadas, mostrando uma boa parte da coxa para quem quisesse ver.
— A novata tem personalidade… é por isso que você quer ficar com ela? Também é meio burrinha…
— E você quem é?
Rebeca parecia se divertir com a insolência de Natalia. Mas antes que continuasse, Albertina se colocou no meio.
— Ela é minha… desculpa, mas está fora do seu alcance…
— Sério? Você já tem o suficiente com a comunista e a negra… essa aqui vou ficar eu pra ser minha putinha…
— Ninguém vai ficar comigo!
— Tá vendo? Ela mesma diz… não é sua…
— Isso… a gente vai ver…
Rebeca se virou e andou uns quem acabou de conseguir uma vitória.
— Vamos, escravas!
Gritou, e suas acompanhantes a seguiram, mantendo a mesma distância de quatro passos e recitando em uníssono "sim, ama". Ao caminhar, a saia de Rebeca subia e descia, oferecendo vislumbres furtivos de sua calcinha branca.
Quando Rebeca desapareceu entre as cercas, Albertina suspirou e olhou para Natalia com tristeza…
— Você não sabia, claro… — começou a dizer — tomara que tivéssemos conseguido te avisar…
— Avisar do quê? — disse Natalia furiosa — que você me quer como propriedade?
— Albertina não quer isso — interveio Bintou — nós não somos dela, somos amigas…
— Mas Rebeca quer — acrescentou Jana —
Natalia ficou muda, não conseguia entender.
— Rebeca é a favorita da matrona — começou a explicar Albertina — ela chupa a buceta dela todo dia e a matrona concede todos os caprichos dela. Qualquer uma que se oponha à vontade dela corre o risco de levar uma surra no potro…
— O potro? Não acredito nem por um momento que torturam alguém aqui…
Bintou arregaçou a camisa. Nas costas dela, havia cicatrizes de chicotadas. Ela mostrou para Natalia.
— Eu antes era muito desobediente…
— Isso é loucura!
— Rebeca é filha de um empresário — continuou Albertina — que trabalha para o meu pai. Se meu pai descobrisse que ela fez algo de ruim comigo aqui dentro, ele contaria ao pai dela, e aí ela teria problemas. Por isso ela me respeita…
— Não tenho medo dela… — balbuciou Natalia, sem muita convicção —
— Pois deveria… — interveio Jana — não é só te levarem ao potro… ela fazia todo tipo de coisa comigo antes de Albertina me resgatar…
— Ela fazia com você, mas não vai fazer comigo…
Natalia, cheia de coragem, se afastou das outras e começou a falar, com o olhar perdido no horizonte.
— Fiquei me perguntando a estranha razão pela qual meu próprio pai, que me ama tanto, foi capaz de me abandonar à própria sorte num Lugar tão assustador. E acho que já sei a resposta…
— Sério? — perguntou Bintou —
— Ela quer me fortalecer! Me transformar numa líder! Quer que eu enfrente a Rebeca e a Matrona, e que derrote elas, esse é o meu destino…
As três garotas ficaram olhando pra Natalia, estupefatas e sem conseguir dizer uma palavra. Finalmente, Albertina concluiu:
— Você é idiota…
Durante o jantar, Natalia conseguiu ver Rebeca e suas acompanhantes, além de muitas outras garotas. Todas vestidas igual, devia ter umas cem naquele refeitório.
Cada aluna tinha um lugar ao redor de uma longa e luxuosa mesa, presidida pela Matrona. Do lado dela, sentava Rebeca, que ela beijava na boca com frequência e parecia tocar por baixo da mesa, e, ao redor, as outras garotas que a seguiam.
Natalia sentou ao lado de Jana, que estava perto de Albertina, que se sentava ao lado de Bintou.
O mesmo criado negro que tinha aberto a porta servia a comida, ajudado por algumas empregadas e, como mandam as boas maneiras, ninguém podia começar a comer até que toda a sopa estivesse servida.
— Que fome que eu tô! — disse Bintou —
— Então nem pense em começar a comer… — sussurrou Albertina —
— O que aconteceria se ela fizesse isso? — quis saber Natalia —
De repente, uma das garotas começou a gritar. O criado negro a tinha empurrado sobre a mesa, derrubando pratos e copos sem nenhum cuidado, e levantado a saia dela. Segurando-a pelo pescoço pra impedir que ela se soltasse, ele se preparava, com a outra mão, pra puxar a calcinha dela pra baixo.
O refeitório ficou em silêncio. Só se ouviam os gritos da garota que estava sendo violentada. Se alguém olhasse pra Matrona, podia vê-la rindo, e Rebeca junto com ela.
— Não olha… — disse Albertina pra Natalia —
— Mas é horrível!
— Ernesto tem licença pra fazer com a gente o que ele quiser, quando ele quiser. Só agradece que a que tá em cima da mesa não é você… — Mas… a gente tem que fazer alguma coisa!
— É, calar a boca e esperar a sopa terminar de ser servida. Aí a gente come e volta pros nossos quartos.
Ernesto, o criado negro, estuprava brutalmente a menina, fazendo ouvidos moucos aos seus lamentos. O pau dele parecia de um tamanho exagerado, enquanto o corpo da garota mal conseguia aguentar a piroca de um rato. Quando terminou, subiu as calças e deixou a moça lá, pra continuar servindo a sopa como se nada tivesse acontecido.
— Que homem mais sem alma e cruel! — exclamou Natália.
— Marina! — gritou a matrona, se dirigindo à moça que acabara de ser forçada — Isso aqui é um refeitório, porra. Comporte-se como uma mocinha, senta e toma sua sopa. Mais um choro e você vai parar na masmorra.
Natália provou a sopa. Tinha um gosto azedo.
— Que mulher mais odiosa… — exclamou — Do que é essa sopa?
— De frango, com certeza — disse Albertina, cheirando a colher — mas o cozinheiro deve ter gozado no caldeirão de novo…
— Que nojo! Será que não tem nada aqui que não seja desagradável e nojento?
— Então não te ocorra não comer — avisou Albertina — Você pode engolir porra diluída na sopa ou sem diluir, direto da rola do cozinheiro.
Natália achou no quarto dela um refúgio de paz e privacidade. Correu pro banheiro vomitar a janta nojenta. Depois se limpou e se jogou na cama, exausta. Ela tinha imaginado a vida dela como algo organizado e de acordo com o que a sociedade esperava: estudaria num colégio de moças, casaria com um rapaz bonito e de boa posição e teria uns filhos. Ia socializar com outras mulheres do mesmo status pra ajudar na carreira do marido, e todo mundo ia achar que ela era uma mulher educada e sensata. Mas, mesmo que conseguisse escapar desse inferno de pecado e indecência, como é que ia se recuperar das coisas que tinha visto?
Natália procurou em vão um Camisola pra dormir. Naquele armário, a roupa era bem escassa. Ela decidiu então que ia deitar só de calcinha e caiu exausta num sono profundo.
No meio da noite, acordou de repente. Tinha tido um pesadelo horrível onde lambia de boa vontade entre as pernas horrendas da Matrona. A Albertina também estava lá, sendo violentada pelo Ernesto, e o pai dela também, de braços cruzados repetindo sem parar: "Como você me decepcionou! Você não é mais minha filha!"
Ela enxugou o suor da testa com as costas da mão e virou pra tentar dormir de novo, mas tava tremendo, não conseguia pegar no sono.
De repente, percebeu um barulho distante, tipo uma algazarra se aproximando. "Mais um dos horrores desse lugar medonho", pensou consigo mesma, mas logo teve motivos de verdade pra se alarmar, porque a zoeira que ouvia tava chegando perto do quarto dela.
De repente, a porta se escancarou e o quarto encheu de gente. A primeira a entrar trazia um candeeiro aceso. Era a Rebeca, que vestia uma camisola transparente que deixava ver os peitões dela e a calcinha de renda. Vinham outras minas com ela. O séquito de sempre, pensou a Natália.
— Boa noite, puta! — disse a Rebeca, deixando o candeeiro na mesinha de cabeceira — Então você tava se escondendo aqui, hein?
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu te falei que você era minha, e você vai começar a saber o que isso significa…
— Eu não sou sua!
— Claro que é… minha é sua buceta, seu cu, seus peitos, sua boca… pra fazer com eles o que eu quiser…
As outras minas cercaram a cama, destaparam a Natália e seguraram ela pelos braços e pelas pernas. A Natália tentou se soltar, mas eram muitas segurando ela. Mantinham ela com os braços e as pernas abertas.
A Rebeca tirou a roupa íntima da Natália usando uma tesoura. Primeiro cortou o sutiã, depois a calcinha.
— Você é mais gostosa do que parecia… — disse a Rebeca — Tô morrendo de vontade de te devorar… Rebeca aproximou os lábios aos de Natália e deu um beijo molhado nela. Natália se surpreendeu consigo mesma, já que não ofereceu resistência. Só abriu a boca e deixou acontecer. Os lábios de Rebeca eram carnudos e sensuais, e seus olhos tinham algo que a deixava sem palavras. Ao afastar o rosto, o cabelo longo e ruivo de Rebeca acariciou seus peitos.
Rebeca sentou sobre o peito de Natália e começou a mexer nos peitos dela e a lamber. Depois, deslizou uma mão para acariciar entre as pernas dela. Natália tinha se molhado e não tinha nada a dizer. Sentia o contato quente da bunda de Rebeca na barriga e a cabeça girava. Se sentia estranha e se odiava por isso.
— A Matrona me disse que você é virgem — disse Rebeca, se jogando de lado — o que precisa ser resolvido o mais rápido possível…
Natália abriu os olhos de novo. Diante dela, o horror tinha se tornado real. Ernesto estava pelado na frente da cama, mal iluminado pelo candeeiro da mesinha de cabeceira. O pau dele era tipo um aríete de ébano, capaz de derrubar as muralhas de uma fortaleza. Natália começou a gritar assim que viu.
— Não grite, mocinha — ria Ernesto — que você vai gostar. Primeiro vou destruir sua bucetinha, depois, faço o mesmo com seu cu e, em seguida, vou afogar você enfiando ele inteiro na sua boquinha. Quem sabe… se tiver sorte, talvez sobreviva esta noite…
— Não! Você não pode fazer isso!
— Claro que pode — respondeu Rebeca — o Ernesto adora virgens e nunca se satisfaz. Se você sair dessa, não vai conseguir sentar por um mês…
Natália sentia o desespero como uma corda apertando sua garganta. Não conseguia se soltar, não tinha para onde fugir, ninguém podia ajudá-la… mas então ela lembrou.
— Você não pode fazer isso! Não pode! Eu sou da Albertina! Lembra? Quer que eu conte ao pai dela o que você fez comigo? É isso que você quer?
O rosto de deboche e prazer de Rebeca se transformou em raiva e medo. Imediatamente, ela ordenou que Ernesto se retirasse com um grito, junto com seus capangas. Soltaram a Natália.
Todo mundo saiu do quarto. A última foi Rebeca, que antes pegou o candeeiro dela na mesinha de cabeceira.
— Isso não vai ficar assim… — disse já na soleira da porta.
— Fecha a porta ao sair — respondeu Natália — tá frio pra sair da cama.
Ela não veio sozinha. Tinha um séquito de cinco adolescentes gostosas que esperavam respeitosamente atrás, a quatro passos de distância.
— Quem é a novata? — quis saber Rebeca — é sua?
A segura de si Albertina parecia ter dificuldade para respirar e falar. Engolindo saliva, deu um passo à frente e falou:
— Ela se chama Natalia e sim, é minha… de quem mais seria?
Natalia observava a cena de longe, mas como estavam falando dela, não quis ficar calada.
— Eu não sou de ninguém!
Rebeca sorriu, ao contrário de Albertina. Jana se apressou em sussurrar para ela.
— Não! Não fala isso! Você vai preferir mil vezes ser de Albertina do que de Rebeca…
— Mas eu não sou de ninguém! Não sou um cachorro ou um chapéu pra outras pessoas me possuírem! Porra!
Rebeca soltou uma gargalhada. Então se virou para Albertina, embora olhasse para Natalia e segurasse seu queixo com os dedos indicador e polegar. Colocou um pé no banco onde as garotas estavam sentadas, mostrando uma boa parte da coxa para quem quisesse ver.
— A novata tem personalidade… é por isso que você quer ficar com ela? Também é meio burrinha…
— E você quem é?
Rebeca parecia se divertir com a insolência de Natalia. Mas antes que continuasse, Albertina se colocou no meio.
— Ela é minha… desculpa, mas está fora do seu alcance…
— Sério? Você já tem o suficiente com a comunista e a negra… essa aqui vou ficar eu pra ser minha putinha…
— Ninguém vai ficar comigo!
— Tá vendo? Ela mesma diz… não é sua…
— Isso… a gente vai ver…
Rebeca se virou e andou uns quem acabou de conseguir uma vitória.
— Vamos, escravas!
Gritou, e suas acompanhantes a seguiram, mantendo a mesma distância de quatro passos e recitando em uníssono "sim, ama". Ao caminhar, a saia de Rebeca subia e descia, oferecendo vislumbres furtivos de sua calcinha branca.
Quando Rebeca desapareceu entre as cercas, Albertina suspirou e olhou para Natalia com tristeza…
— Você não sabia, claro… — começou a dizer — tomara que tivéssemos conseguido te avisar…
— Avisar do quê? — disse Natalia furiosa — que você me quer como propriedade?
— Albertina não quer isso — interveio Bintou — nós não somos dela, somos amigas…
— Mas Rebeca quer — acrescentou Jana —
Natalia ficou muda, não conseguia entender.
— Rebeca é a favorita da matrona — começou a explicar Albertina — ela chupa a buceta dela todo dia e a matrona concede todos os caprichos dela. Qualquer uma que se oponha à vontade dela corre o risco de levar uma surra no potro…
— O potro? Não acredito nem por um momento que torturam alguém aqui…
Bintou arregaçou a camisa. Nas costas dela, havia cicatrizes de chicotadas. Ela mostrou para Natalia.
— Eu antes era muito desobediente…
— Isso é loucura!
— Rebeca é filha de um empresário — continuou Albertina — que trabalha para o meu pai. Se meu pai descobrisse que ela fez algo de ruim comigo aqui dentro, ele contaria ao pai dela, e aí ela teria problemas. Por isso ela me respeita…
— Não tenho medo dela… — balbuciou Natalia, sem muita convicção —
— Pois deveria… — interveio Jana — não é só te levarem ao potro… ela fazia todo tipo de coisa comigo antes de Albertina me resgatar…
— Ela fazia com você, mas não vai fazer comigo…
Natalia, cheia de coragem, se afastou das outras e começou a falar, com o olhar perdido no horizonte.
— Fiquei me perguntando a estranha razão pela qual meu próprio pai, que me ama tanto, foi capaz de me abandonar à própria sorte num Lugar tão assustador. E acho que já sei a resposta…
— Sério? — perguntou Bintou —
— Ela quer me fortalecer! Me transformar numa líder! Quer que eu enfrente a Rebeca e a Matrona, e que derrote elas, esse é o meu destino…
As três garotas ficaram olhando pra Natalia, estupefatas e sem conseguir dizer uma palavra. Finalmente, Albertina concluiu:
— Você é idiota…
Durante o jantar, Natalia conseguiu ver Rebeca e suas acompanhantes, além de muitas outras garotas. Todas vestidas igual, devia ter umas cem naquele refeitório.
Cada aluna tinha um lugar ao redor de uma longa e luxuosa mesa, presidida pela Matrona. Do lado dela, sentava Rebeca, que ela beijava na boca com frequência e parecia tocar por baixo da mesa, e, ao redor, as outras garotas que a seguiam.
Natalia sentou ao lado de Jana, que estava perto de Albertina, que se sentava ao lado de Bintou.
O mesmo criado negro que tinha aberto a porta servia a comida, ajudado por algumas empregadas e, como mandam as boas maneiras, ninguém podia começar a comer até que toda a sopa estivesse servida.
— Que fome que eu tô! — disse Bintou —
— Então nem pense em começar a comer… — sussurrou Albertina —
— O que aconteceria se ela fizesse isso? — quis saber Natalia —
De repente, uma das garotas começou a gritar. O criado negro a tinha empurrado sobre a mesa, derrubando pratos e copos sem nenhum cuidado, e levantado a saia dela. Segurando-a pelo pescoço pra impedir que ela se soltasse, ele se preparava, com a outra mão, pra puxar a calcinha dela pra baixo.
O refeitório ficou em silêncio. Só se ouviam os gritos da garota que estava sendo violentada. Se alguém olhasse pra Matrona, podia vê-la rindo, e Rebeca junto com ela.
— Não olha… — disse Albertina pra Natalia —
— Mas é horrível!
— Ernesto tem licença pra fazer com a gente o que ele quiser, quando ele quiser. Só agradece que a que tá em cima da mesa não é você… — Mas… a gente tem que fazer alguma coisa!
— É, calar a boca e esperar a sopa terminar de ser servida. Aí a gente come e volta pros nossos quartos.
Ernesto, o criado negro, estuprava brutalmente a menina, fazendo ouvidos moucos aos seus lamentos. O pau dele parecia de um tamanho exagerado, enquanto o corpo da garota mal conseguia aguentar a piroca de um rato. Quando terminou, subiu as calças e deixou a moça lá, pra continuar servindo a sopa como se nada tivesse acontecido.
— Que homem mais sem alma e cruel! — exclamou Natália.
— Marina! — gritou a matrona, se dirigindo à moça que acabara de ser forçada — Isso aqui é um refeitório, porra. Comporte-se como uma mocinha, senta e toma sua sopa. Mais um choro e você vai parar na masmorra.
Natália provou a sopa. Tinha um gosto azedo.
— Que mulher mais odiosa… — exclamou — Do que é essa sopa?
— De frango, com certeza — disse Albertina, cheirando a colher — mas o cozinheiro deve ter gozado no caldeirão de novo…
— Que nojo! Será que não tem nada aqui que não seja desagradável e nojento?
— Então não te ocorra não comer — avisou Albertina — Você pode engolir porra diluída na sopa ou sem diluir, direto da rola do cozinheiro.
Natália achou no quarto dela um refúgio de paz e privacidade. Correu pro banheiro vomitar a janta nojenta. Depois se limpou e se jogou na cama, exausta. Ela tinha imaginado a vida dela como algo organizado e de acordo com o que a sociedade esperava: estudaria num colégio de moças, casaria com um rapaz bonito e de boa posição e teria uns filhos. Ia socializar com outras mulheres do mesmo status pra ajudar na carreira do marido, e todo mundo ia achar que ela era uma mulher educada e sensata. Mas, mesmo que conseguisse escapar desse inferno de pecado e indecência, como é que ia se recuperar das coisas que tinha visto?
Natália procurou em vão um Camisola pra dormir. Naquele armário, a roupa era bem escassa. Ela decidiu então que ia deitar só de calcinha e caiu exausta num sono profundo.
No meio da noite, acordou de repente. Tinha tido um pesadelo horrível onde lambia de boa vontade entre as pernas horrendas da Matrona. A Albertina também estava lá, sendo violentada pelo Ernesto, e o pai dela também, de braços cruzados repetindo sem parar: "Como você me decepcionou! Você não é mais minha filha!"
Ela enxugou o suor da testa com as costas da mão e virou pra tentar dormir de novo, mas tava tremendo, não conseguia pegar no sono.
De repente, percebeu um barulho distante, tipo uma algazarra se aproximando. "Mais um dos horrores desse lugar medonho", pensou consigo mesma, mas logo teve motivos de verdade pra se alarmar, porque a zoeira que ouvia tava chegando perto do quarto dela.
De repente, a porta se escancarou e o quarto encheu de gente. A primeira a entrar trazia um candeeiro aceso. Era a Rebeca, que vestia uma camisola transparente que deixava ver os peitões dela e a calcinha de renda. Vinham outras minas com ela. O séquito de sempre, pensou a Natália.
— Boa noite, puta! — disse a Rebeca, deixando o candeeiro na mesinha de cabeceira — Então você tava se escondendo aqui, hein?
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu te falei que você era minha, e você vai começar a saber o que isso significa…
— Eu não sou sua!
— Claro que é… minha é sua buceta, seu cu, seus peitos, sua boca… pra fazer com eles o que eu quiser…
As outras minas cercaram a cama, destaparam a Natália e seguraram ela pelos braços e pelas pernas. A Natália tentou se soltar, mas eram muitas segurando ela. Mantinham ela com os braços e as pernas abertas.
A Rebeca tirou a roupa íntima da Natália usando uma tesoura. Primeiro cortou o sutiã, depois a calcinha.
— Você é mais gostosa do que parecia… — disse a Rebeca — Tô morrendo de vontade de te devorar… Rebeca aproximou os lábios aos de Natália e deu um beijo molhado nela. Natália se surpreendeu consigo mesma, já que não ofereceu resistência. Só abriu a boca e deixou acontecer. Os lábios de Rebeca eram carnudos e sensuais, e seus olhos tinham algo que a deixava sem palavras. Ao afastar o rosto, o cabelo longo e ruivo de Rebeca acariciou seus peitos.
Rebeca sentou sobre o peito de Natália e começou a mexer nos peitos dela e a lamber. Depois, deslizou uma mão para acariciar entre as pernas dela. Natália tinha se molhado e não tinha nada a dizer. Sentia o contato quente da bunda de Rebeca na barriga e a cabeça girava. Se sentia estranha e se odiava por isso.
— A Matrona me disse que você é virgem — disse Rebeca, se jogando de lado — o que precisa ser resolvido o mais rápido possível…
Natália abriu os olhos de novo. Diante dela, o horror tinha se tornado real. Ernesto estava pelado na frente da cama, mal iluminado pelo candeeiro da mesinha de cabeceira. O pau dele era tipo um aríete de ébano, capaz de derrubar as muralhas de uma fortaleza. Natália começou a gritar assim que viu.
— Não grite, mocinha — ria Ernesto — que você vai gostar. Primeiro vou destruir sua bucetinha, depois, faço o mesmo com seu cu e, em seguida, vou afogar você enfiando ele inteiro na sua boquinha. Quem sabe… se tiver sorte, talvez sobreviva esta noite…
— Não! Você não pode fazer isso!
— Claro que pode — respondeu Rebeca — o Ernesto adora virgens e nunca se satisfaz. Se você sair dessa, não vai conseguir sentar por um mês…
Natália sentia o desespero como uma corda apertando sua garganta. Não conseguia se soltar, não tinha para onde fugir, ninguém podia ajudá-la… mas então ela lembrou.
— Você não pode fazer isso! Não pode! Eu sou da Albertina! Lembra? Quer que eu conte ao pai dela o que você fez comigo? É isso que você quer?
O rosto de deboche e prazer de Rebeca se transformou em raiva e medo. Imediatamente, ela ordenou que Ernesto se retirasse com um grito, junto com seus capangas. Soltaram a Natália.
Todo mundo saiu do quarto. A última foi Rebeca, que antes pegou o candeeiro dela na mesinha de cabeceira.
— Isso não vai ficar assim… — disse já na soleira da porta.
— Fecha a porta ao sair — respondeu Natália — tá frio pra sair da cama.
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