Segredos da Vizinhança - Parte 4: O Primeiro Encontro

Fazia quase dois meses que a gente tinha selado aquele pacto na mesa da sala de jantar, mas a sorte na internet não tinha sido das melhores. A gente navegava num mar de mensagens intermináveis com curiosos que só queriam bisbilhotar, perfis falsos e conversas que morriam antes de concretizar qualquer coisa. O jogo no nosso quarto continuava pegando fogo, mas a inquietação e a vontade de dar o passo real nos faziam insistir na busca.

A oportunidade apareceu num sábado à tarde, num dia atípico em que os dois trabalhamos só meio turno. Saímos pro centro da cidade com tempo de sobra, mas sem plano fixo nenhum, só querendo ocupar as horas livres que o trabalho nos dava. Entramos num restaurante pra comer, sem pressa, quando o celular da Elena vibrou na mesa.

A mensagem era de um perfil que a gente tinha visto dias antes. O nome dele era Diego.

"Prazer, galera. Meu nome é Diego, tenho 51 anos. Vi o perfil de vocês e gostei muito, adoraria ter a chance de conversar com vocês."

Eu e a Elena nos olhamos por cima da mesa. Respondemos na hora, perguntando o que ele fazia. Ele contou que era divorciado, morava sozinho com um dos filhos, já maior de idade, trabalhava na área de tecnologia e, nas horas vagas, dirigia um taxi de aplicativo. Pelo perfil que a gente procurava, ele se encaixava direitinho: um homem maduro, seguro e completamente fora do nosso círculo familiar ou do bairro.

A conversa fluiu num ritmo normal. Diego comentou que justamente naquela tarde ia sair pra trabalhar com o taxi e começaria o trajeto pelo centro da cidade. Vendo a coincidência, a Elena, com aquela malícia que é a cara dela, mandou uma mensagem: "Desejamos uma boa tarde... quem sabe você não nos vê por aqui", junto com uma foto do restaurante onde a gente estava.

A gente fez isso na brincadeira, sem esperar nada de verdade. Os minutos passaram, Diego não respondeu, então pagamos a conta e saímos do lugar em direção à estação do metrô. De repente, o celular Tocou de novo. Era uma foto do mesmo restaurante onde a gente tinha acabado de levantar, acompanhada de um texto: "Posso cumprimentar vocês?".

Meu coração disparou. Achamos ao mesmo tempo engraçado e perturbador que ele tinha se dado ao trabalho de ir até lá tão rápido. A gente se olhou fixamente na entrada do metrô e, só no olhar, dissemos um sonoro "Por que não?". Respondemos a mensagem dando nossa localização exata na estação, um lugar público e movimentado por pura segurança.

Diego mandou a localização em tempo real e, em poucos minutos, avisou que já estava do lado de fora, mas que, como não tinha estacionamento na área, não podia descer. Meu estômago deu um nó de insegurança, mas entendendo a situação da avenida, peguei a mão de Elena e subimos para a superfície.

No meio do tumulto de gente e carros, vimos um veículo preto que piscou os faróis do outro lado da rua. Andei na frente de Elena e nos aproximamos com cautela. Ao olhar pela janela, descobri o motorista: um homem de pele morena, cabelo escuro com muitos fios grisalhos e uma compleição corpulenta e robusta. Ele nos observou por um instante com um olhar analítico e perguntou com voz firme:

— César?
— Senhor Diego?
— Sim, sou eu. Muito prazer, galera.

Apertamos as mãos. Elena, que sempre foi a mulher ousada e dominante nas nossas fantasias, estava atrás de mim, mostrando de repente a atitude de uma menina inocente e medrosa. Fiz um sinal para ela cumprimentá-lo, e ela se aproximou, dando um beijo tímido na bochecha dele. Diego, com toda naturalidade, nos convidou para ir a um barzinho perto dali tomar um drink e conversar melhor. Aceitamos e entramos no carro.

No bar, a tensão inicial se dissolveu rápido. Diego se revelou uma companhia excelente; a conversa foi agradável, falamos de trabalho, da vida e rimos como se fôssemos colegas de escritório de longa data. Aos poucos, nos sentimos à vontade com a presença dele. Depois de uns dois drinks, ele pagou a conta. a conta e se ofereceu para nos levar de volta ao ponto de encontro.

No entanto, já dentro do carro, a conversa ficou mais intensa e ninguém parecia querer terminar a tarde. Ao perceber que a sintonia era boa, Diego parou o carro no meio-fio, virou-se para nós e soltou a proposta sem rodeios:

—Se quiserem, podemos continuar a noite no meu apartamento. É bem perto daqui e já aviso que é sem compromisso nenhum.

Eu e Elena trocamos um olhar cúmplice no banco de trás. O momento tinha chegado. Aceitamos em uníssono.

O apartamento ficava num bairro comum, com um clima bem parecido com o nosso. Diego estacionou numa esquina pra comprar mais bebidas num mercadinho e eu fui junto. O dono da loja cumprimentou ele como se fosse vizinho de sempre, mas me olhou de cima a baixo, percebendo que eu não era da área. Na saída, notei que o rapaz da loja se espichou pra ver o carro do Diego, sorrindo com uma malícia que me fez ferver o sangue.

Entramos no prédio, um complexo com corredores confusos de concreto. No caminho, cruzamos com uma vizinha mais velha que, estranhando ver visitas no meio da semana, perguntou se éramos amigos dele. Diego respondeu numa boa que sim, e a senhora nos deu boas-vindas simpáticas antes de entrar em casa.

O apartamento do Diego refletia a vida de um homem solteiro. Nos acomodamos na salinha pequena, abrimos as cervejas e continuamos o papo. Ele contou sobre o divórcio e a experiência como pai, e embora a conversa dele fosse magnética, a noite avançava e eu comecei a me preocupar com o filho dele voltar a qualquer momento. Seria difícil explicar o que um casal jovem estava fazendo bebendo sozinho com o pai dele.

Diego leu minha preocupação e disse que o filho não demoraria, então, se quiséssemos, ele mesmo podia nos levar de volta ao nosso apê. Pediu um momento e foi ao banheiro. Assim que ele fechou a porta, me virei pra Elena.

—Como é que —Tá? Cê tá bem? —sussurrei, segurando as mãos dela.
—Tô sim... é só o efeito do álcool —respondeu, com as bochechas vermelhas.
—O que cê achou do Diego?
—Muito bom. Pra falar a verdade, ele é ótima companhia.
—Também gostei dele. Foi muito paciente e não pressionou a gente pra nada. Acho que podemos conversar em casa e, quem sabe, sair com ele de novo depois.
—É, claro... pode ser —disse ela, mas o tom de voz arrastava uma decepção profunda.
—Vamos ver, se você não gostou dele, a gente para por aqui, Elena.
—Não, não é isso. Eu gostei sim.
—Então qual é o problema?
—É que... —Elena baixou o olhar, brincando com os dedos—. Não sei como dizer. Cê acha que eu não agradei ele?
—Claro que agradou, love. Por que tá perguntando?
—Sei lá... é que a gente só conversou e não rolou nada.
—Diego não queria desrespeitar a gente no primeiro encontro, por isso se segurou.
—Por tudo que a gente leu na internet, imaginei que ele ia direto ao ponto —confessou ela, com um brilho de frustração e tesão nos olhos.
—O fato de não ter feito isso mostra que ele é gente boa. Ou me diz... será que você quer algo mais hoje?
—Bom... pra ser sincera... eu gostei do senhor Diego sim.
—Então, assim que ele sair, faz ele saber.

Naquele momento, a porta do banheiro abriu e Diego voltou pra sala.

—Bom, galera, tão prontos?
—Sim, acho que sim —respondi, levantando.
—Perfeito, vou acompanhar vocês até o carro, podem ir na frente.

Olhei pra Elena esperando que ela tomasse a iniciativa, mas ela ficou completamente parada. A vergonha e o nervosismo tinham congelado ela; a garota ousada das minhas fantasias tava totalmente perdida na realidade. Caminhamos até a entrada e eu vi a frustração no rosto dela. Bem antes de Diego abrir a porta pra sair pro corredor, decidi intervir.

—Com licença, senhor Diego.
—Fala, César.
—A gente gostou muito de você como pessoa e nos divertimos pra caralho conversando com você.
—Agradeço as palavras, galera —respondeu ele com um sorriso. madura—. Se for verdade, eu gostaria que a gente se visse de novo depois, num encontro mais privado.
—Sim, obrigada. Sobre isso...
—Ok, entendi —interrompeu Diego educadamente, achando que a gente tava recuando—. Não se preocupem, isso foi sem compromisso. Se eu não sou do agrado de vocês pra outra coisa, pelo menos fica a amizade.

Virei pra olhar a Elena. Ela tava vermelha que nem pimentão, mordendo o lábio e me encarando com olhos de súplica, implorando em silêncio: "Fala você".

—Não é isso, senhor —continuei, dando um passo à frente—. Na verdade, minha esposa tem algo pra dizer pro senhor.

Deixei ela falar, mas ela se agarrou ao silêncio, tremendo de leve. Diego observou ela com atenção, esperando.

—Minha esposa curtiu muito a companhia do senhor —tive que falar por ela—. Achou o senhor um homem super agradável... e muito gostoso.

Diego cravou os olhos intensos nela, sacando o jogo.

—Isso é verdade, Elena?

Ela não sabia onde enfiar a cara de vergonha, mas balançou a cabeça de leve.

—Sim, senhor —completei, sentindo a adrenalina queimar no peito—. Na verdade, há pouco na sala ela me confessou que... queria que a gente levasse isso pra outro nível.
—Quando vocês quiserem, galera. Minha casa é a casa de vocês.
—O senhor não tá entendendo, seu Diego —soltai, quebrando a última barreira—. Minha esposa quer saber se o senhor topa ficar com ela... ainda hoje à noite.

Elena me olhou de boca aberta, incrédula que eu tive coragem de botar pra fora o desejo mais escondido dela na frente de um estranho. Diego, com aquela segurança imponente que tinha nos fisgado, deu um passo nela, pegou as mãos dela com delicadeza e forçou ela a encarar ele nos olhos.

—É verdade o que seu marido tá dizendo, Elena? Você quer ficar comigo agora mesmo?

Com toda a vergonha do mundo, possuída por uma timidez que deixava ela incrivelmente provocante, Elena respondeu com uma voz trêmula e quase sumindo:

—Sim...
Diego encurtou a distância, pegando o corpo forte dela ao seu, impondo a presença física na salinha.
—Preciso que você seja clara comigo —ordenou com voz grave—. O que você quer fazer?
—Quero... quero passar a noite com o senhor —conseguiu articular ela, se rendendo completamente à autoridade dele.

Diego não tirou os olhos de Elena, mas estendeu a pergunta para mim, buscando a confirmação do pacto.

—Me diz, César... você concorda com o que sua esposa está me pedindo?
—Sim, senhor —respondi, sentindo uma mistura destrutiva de ciúme e tesão no meio das pernas—. Concordo totalmente.

Que fechamento para a primeira parte do encontro! Me conta, como você tá vendo o ritmo? Quer que a gente vá direto pra Parte 5 pra ver o que rola naquele quarto agora que o Diego tá no controle da situação? Vamos nessa!

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