Cuida tus ojos: busca la verdad

Pra refletir um pouquinho...

Cuide dos seus olhos: busque a verdade
publicado por GonzoTBA em Qua, 05/08/2009 - 13:41

Já estávamos saindo juntos há mais de meio ano. Pra mim aquilo era um recorde, mas a verdade é que eu me sentia bem com aquela garota.

Era de noite e estávamos de novo na cama dela. De repente, foi uma daquelas vinte vezes por dia em que eu tava com vontade de transar com ela. Deixei o livro de lado, mergulhei minha mão direita debaixo dos lençóis e apalpei suas coxas. Ela soltou um bufado e se virou de costas pra mim.

Pensei que ela não tava a fim, apaguei a luz e usei os próximos quinze segundos pra lidar com a frustração. Depois adotei minha posição favorita pra dormir e mergulhei de cabeça no mundo dos sonhos.

Quando percebi, já era dia. Ela fazia barulho na cozinha. Me levantei, fui até lá, dei um beijo de bom dia e comecei a preparar um chá. Depois me sentei na frente dela. Mal sabia eu o que estava prestes a acontecer.

— Ontem à noite, quando você dormiu, eu me masturbei — disse ela.

Eu teria esperado que a conversa começasse com algo do tipo "Hoje vai chover". Também gosto de frases como "Você gosta de sushi?". Não é que eu me importe nem um pouco que uma garota comece um diálogo usando as palavras "Ontem à noite eu me masturbei". É mais uma questão de contexto. Na minha ordem das coisas, a gente se masturba quando não pode foder.

Algumas semanas atrás, eu estava sentado tomando vinho e comendo presunto com meu pai quando ele me perguntou:

— Pra você, além de foder, o que te apaixona?

Conto isso pra ilustrar que, se aquela garota teve que recorrer à masturbação, não foi exatamente por falta de recursos.

Primeiro senti estupefação. Depois lembrei da frustração da noite anterior. Em seguida terminei de processar meus sentimentos. Se naquela época eu já era rápido pra essas coisas, ultimamente estou batendo meus próprios recordes. Às vezes acho que falta muito pouco pra minha iluminação completa.

Ainda levemente desconcertado, Achei que não valia a pena fazer aquela garota entender minha lógica masculina, então concluí que o melhor era fazer algumas perguntas e aprender algo sobre masturbação feminina, um território desconhecido e altamente intrigante para mim.

—E em quem você pensou? —perguntei.

Haverá leitores que acharão que fiz essa pergunta para me certificar de que a garota se masturbava pensando em mim. Nada mais longe da realidade, como poderão comprovar em alguns parágrafos.

—Em quem pensei? Em ninguém! —respondeu ela.

Sua resposta me surpreendeu enormemente.

—Em ninguém? Você não pensa em ninguém enquanto se masturba?

Aquela resposta não entrava na minha cabeça. Naquela época, eu estava 90% com Freud e achava que a psique tinha sido inventada basicamente para servir a funções masturbatórias. Não conseguia acreditar que houvesse alguém que se masturbasse deixando a mente em branco. Não acreditava em punhetas zen. Para mim, a masturbação era uma daquelas atividades que reafirmavam a unidade entre corpo e mente.

—Não, em ninguém —respondeu ela.

Ela não pensava em ninguém enquanto se masturbava. Pude ouvir alguns dos meus circuitos neuronais dando curto-circuito. Devo ter soltado fumaça pelas orelhas. Talvez deva ressaltar, para que o leitor entenda meu espanto, que eu estava numa fase da vida em que não sabia que as pessoas mentiam. Sim, eu sei, sou um cara peculiar. Então, ela disse que não pensava em ninguém e eu acreditei. E foi nesses termos que sua curiosidade foi aguçada e a rodada de perguntas mudou de sentido.

—Você pensa em alguém quando se masturba? —disse ela.

—Claro —respondi.

Para mim, a resposta para essa pergunta era a mesma que para questões do tipo "o sol queima?" ou "você gosta que te chupem?".

Ela hesitou alguns segundos. Finalmente disse:

—E em quem você pensa? Pensa em mim?

Eu, por outro lado, não hesitei nem um décimo de segundo.

—Não, não penso em você. Com você posso foder quando quiser. Seria burrice me masturbar também pensando em você. Você eu tenho de verdade.

Nessa vida sempre tem uma explicação pra tudo. Se teve uma fase extraordinariamente longa da minha vida em que eu achava que todo mundo sempre falava a verdade, era porque eu sempre falava a verdade, e o fato é que não me ocorria nenhum motivo pra alguém fazer o contrário. Então, respondi com total honestidade. O rosto dela se desfez. Agora eu rio, mas na hora achei que a culpa era minha e fiquei meio tenso.

Quando ela se recompôs (entre aspas), deve ter pensado que eu queria mais. Perguntou especificamente:

— Você pensa nas minhas amigas? — disse ela.

O fato é que, por causa dos avanços da técnica moderna, fazia muito tempo que eu não precisava apelar pra imaginação pra bater uma. Vivemos em tempos que nos deixam preguiçosos, tempos em que é só ligar o computador pra ser soterrado por uma avalanche de bundas e peitos. O difícil hoje em dia não é ver minas peladas, é parar de ver. Isso é o papel da imaginação na masturbação atual resumido em quatro linhas.

As amigas dela. Como toda mulher, essa também tinha amigas. E como em qualquer outro caso, tinha umas que eram gostosas. Especificamente tinha duas que ocupavam com certa recorrência meu processador mental em noites solitárias de insônia, que naquela época se repetiam com certa frequência. Uma delas eu achava insuportável mas podia ter sido modelo. Na minha cabeça ela ficava muda e virava uma espécie de mulher perfeita. A outra era tipo uma barbie em esteroides, e quando eu tirava o sutiã dela na imaginação, minhas mãos tremiam. Às vezes, nos meus devaneios, ela e minha mina ficavam bêbadas e me propunham um ménage. É curioso que, mesmo sendo na minha própria cabeça, era impossível elas me proporem um ménage se não mandassem primeiro uma garrafa de tequila. Os processos mentais seguem caminhos insondáveis só guiados pelos nossos próprios limites.

De qualquer forma, acho que lembro que, toda vez que eu tinha me masturbado, as amigas dela tinham ficado longe da minha ereção. É por isso que ainda não consigo explicar por que, quando ela me perguntou se eu pensava nas amigas dela, eu respondi:

— Sim.

Acho que por um instante pensei que ela ia me propor um ménage com a Barbie e algum fio se cruzou na minha cabeça. A verdade é que não sei por que disse sim. De qualquer modo, não se tratava de uma verdade ou de uma mentira, mas sim de um cruzamento entre duas verdades.

Primeiro ela abriu a boca como se fosse engolir um caminhão. Depois levou as mãos à cabeça, bem devagar, como se tivessem acabado de dizer que os pais dela tinham morrido num acidente de trânsito terrível e sangrento. Em seguida se levantou e começou a andar em círculos. Eu também estava surpreso, mas ela me ganhava de lavada.

No final, ela se recompôs. A má notícia é que isso estava ficando cada vez mais difícil pra ela. Ela encarou a minha cara e disse:

— Você tem noção do que você me disse?

Me perguntei se eu tinha noção do que eu tinha dito. A resposta que obtive foi “sim”. Geralmente presto muita atenção em tudo que falo, e aquela tinha sido uma dessas ocasiões. Até conseguia lembrar da conversa inteira. Sou um cara bem atento.

— Sim, claro que tenho noção — respondi —. Mas olha, foi você quem perguntou.

Por um momento ela pareceu pesar minhas palavras, pareceu perceber que ela mesma tinha aberto a boca pro lobo e depois se jogado dentro. Demorou tipo um segundo pra esquivar da responsabilidade no assunto e se concentrou em ficar monumentalmente puta. Pegou as chaves e saiu de casa batendo a porta. Eu fiquei sentado sem entender porra nenhuma e com cara de idiota. Fiquei me perguntando se aquela ia ser uma daquelas vezes em que minha honestidade ia ser como aquela pistola que dispara de novo e estoura meu pé.

Ela me deixou três semanas sem foder, e não sei se é preciso voltar à paixão que sinto por essa atividade. E olha, não percam, levei bem mais de três semanas pra perceber que a culpa não era minha.

A maioria das pessoas não busca a verdade. Vive num cercadinho estreito onde se sente confortável. Pra maioria das pessoas, a mentira é mais conveniente. Muita gente vive vidas de isopor onde não há nada real, são só sombras. Muita gente prefere não saber.

Provavelmente a opção de esquivar da verdade não passe de uma ilusão. Se você não persegue a verdade, a verdade vai te perseguir, e posso te garantir que ela vai te encontrar.

E quanto mais tempo você passar nas sombras, mais seus olhos vão doer quando a luz te alcançar.

Cuide dos seus olhos: busque a verdade.

5 comentários - Cuida tus ojos: busca la verdad

EXCELENTE !!!!!!!!
NUNCA LE DOY PUNTOS A UN RELATO
PERO TE LOS GANASTE EN BUENA FORMA
AQUI VAN MIS 10 Y A RECOMENDADOS . . . .
SALUDOS
Digo yo..a este muchacho que tanto le gustan las verdades...por que no le pregunta a su chica si no le gustaría comerse una verga mas grande todas las noches?
Mucha honestidad pero hay verdades que si las supiesen..no las podrían manejar. 😉
muy buen post che, gracias por compartir! hermoso relato
Yo Tambien Como El Autor Del Relato Peco De Sincericidio Al Menos Con Las Personas De Mi Confianza
Interesante Relato! +10
Cuida seus olhos: busque a verdade