Não tema o amor (8) final

Melanie:

Seus olhos estavam marejados, o olhar sutilmente triste, ela estava linda... me pegou nos braços, chorou... me abraçou... sentir-me entre seus braços de novo era algo – eu tinha certeza – que nunca viveria com mais ninguém.

Não me importei quem nos visse, nem se minha mãe ia gostar ou não, esqueci a angústia e o ciúme que senti quando a vi beijando a Lina, esqueci que ela já tinha outra pessoa na vida – o importante naquele momento – era que ela estava comigo, e pelo que via, estava igual ou até mais feliz que eu por nos reencontrarmos.

- O... oi, linda – a voz dela estava um pouco mais madura, mas igualmente doce... delicada, cuidadosa... frágil.

- Manu – olhei nos olhos dela e me enfiei na sua clavícula, apoiando a cabeça no seu pescoço.

- Eu... eu... você... – ela olhou pra todo mundo em volta e depois voltou a me encarar – você... está linda.

Todos sorriram, era mais do que óbvio que o que a gente tinha vivido em tão pouco tempo tinha sido mais forte que qualquer relação de anos.

Deixamos tanta formalidade de lado e nos abraçamos de novo, depois de vários minutos nos sentamos todos e começamos a conversar, onde a protagonista era eu.

Manuela, depois de me cumprimentar, foi falar com meu pai, saíram e ela não se aproximou mais de mim. Seu olhar de longe me derretia, aquele sorrisinho de cumplicidade... seus lábios, ela estava divina... como consegui aguentar tanto tempo sem ela?

- Acho que já está um pouco tarde – disse Carlos olhando o relógio – gata, amanhã a gente combina de sair pra algum lugar e se ver, que tal?

- Claro que sim – concordei rapidamente – nos vemos amanhã então.

Um por um passaram por mim e nos despedimos, há muito tempo não me sentia tão feliz.

- Manu, vamos embora – falou Lúcia pegando a bolsa – amanhã você tem que acordar cedo.

Manuela me olhou com carinha de quem não queria ir – não, Lúcia – exclamou meu pai – Manuela fica aqui, o Pepe leva ela mais tarde.

** ** **

Manuela:

Fiquei na casa dela por mais duas horas, Ainda não conseguia acreditar em tudo aquilo, vê-la, tocá-la, abraçá-la… senti-la tão perto de mim.

- Então agora você é uma arquiteta de verdade, hein? – ela perguntou, saindo de casa e nos sentando nos degraus da escada. Naquele momento, Lina desapareceu para mim (outro erro grave)

- Pois é… toda uma arquiteta e profissional – respondi de forma cômica – e você, no que tá metida?

- Publicidade… mais que tudo – ela ergueu o olhar para o céu, observando as estrelas – digamos que me mandaram pra cá, pra capital, porque sou – além da conta – uma ótima vendedora

- E o que você vende?

- Bom, a empresa é bem reconhecida, mas no momento vim fechar um negócio com uns gringos de 500 carros

- Uhh… vacilou – brinquei – então você deve ser muito boa mesmo

- Acho que sim

Olhei pra ela e peguei suas mãos – Você tá muito linda, Melanie – murmurei, encarando seus olhos fixamente – você tá maravilhosa…

Ela se aproximou de um jeito tão rápido, mas ao mesmo tempo tão lento, que me confundia porque não sabia se queria a mesma coisa que eu desde que a vi…

Estava prestes a beijá-la. Primeiro levei minhas mãos ao seu rosto e o acariciei com ternura, depois falei em sussurros bem pertinho da sua orelhinha – Senti sua falta – disse, fechando os olhos e me deixando levar… Fui aproximando meus lábios dos dela quando ouvi a voz de Lina gritando meu nome

- MANUELA!

Levantei na hora, que azar do caralho… porra, porra, porra… não dava pra ela aparecer quando o beijo já tivesse acabado? Ou pelo menos quando eu estivesse beijando? Agh…

- Lina…

- Oi… – Melanie cumprimentou Lina com um tom bastante odioso da parte dela – Tudo bem?

- Sabe de uma coisa, menina? Para de se meter entre mim e minha namorada – ela argumentou em voz alta para Melanie

- Ei, para de ser tão grosseira

- Vamos, Manuela – me ordenou num tom desafiante

Olhei para Melanie e ela já não me olhava nos olhos. Incrível como a mesma coisa estava acontecendo de novo

- Já vou

- NÃO, você vem comigo agora

- Melhor eu entrar já – Melanie se desculpou

- Não, espera por favor… não vai embora

Peguei Lina pelo braço e a Levei até sua casa – me faz o favor e vai largando esse puto vício de fazer esse tipo de escândalo pra mim, ok?

- Agora a culpada sou eu? – começou a reclamar – É que você que tem que ficar fazendo com essa aparecida?

- Pois é uma aparecida que foi muito importante pra mim e que eu mal vejo depois de 5 anos, Lina…

- Não me importa

- Pra mim importa… e vou ficar mais um tempinho com ela, goste você ou não

- Manuela, se você ficar com ela aqui, acaba tudo

Olhei pra ela por um momento séria, não ia permitir que ela me fizesse perder de novo nem que fosse uma conversa com a Melanie

- Tchau – Saí da casa dela fechando a porta com força.

De novo eu a via, estava tremendo, tinha frio… se entrássemos na casa dela seria um pouco desconfortável e se ficássemos lá fora a gente ia congelar com o vento tão foda que estava fazendo.

Quando eu ia convidar ela pra minha casa, talvez pra gente conversar sobre tudo que passou, ela se adiantou e tirou minha vontade

- Você tá saindo com ela então… – começou a falar – Como tá indo?

- Mel… eu… quero falar do que aconteceu

- Já não vale a pena, Manuela, pra quê?…

- Igual já você tá com ela e eu…

- Você o quê?

- Nada

- Tem alguém na sua vida?

- Não é alguém tão importante como parece ser a Lina pra você

Merda!!! Tinha cagado de novo… que merda… por que a gente não podia ter um momento em paz?

- Me perdoa…

- Já devo entrar – se aproximou de mim, me deu um beijo na bochecha e entrou – Tchau.

Melanie:

A Lina chegou e falou com ela como se fosse a esposa… me doeu tanto ver que a Manuela foi com ela e me deixou… mesmo ela tendo dito pra eu não entrar, preferiu ela… agh e o que você queria, Melanie, que ela te preferisse a você em vez da namorada? Pfff Pelo amor de Deus… como eu sou ingênua…

Esperei ela, tô congelando… tô com frio, tô com felicidade, tô com tristeza… tantas coisas que aconteceram hoje… ela chega em 5 minutos mordendo o lábio (sempre fazia isso quando não sabia o que fazer ou dizer)

Comecei a falar e não deixei que a conversação que tinha acabado de acontecer minutos atrás, vê-la com a Lina me irritou… me despedi dela e entrei, fiquei mais um tempinho com minha família e finalmente cheguei no hotel.

(Dia seguinte)

7:45 da manhã

O maldito despertador toca… toca… toca… ontem virei a noite e é que não consegui dormir pensando nela… Por que ainda não consigo esquecê-la?

Levanto sem muita vontade, tomo café da manhã… confirmo o encontro com os gringos e vou para minha primeira reunião com eles… parece que a proposta que estamos fazendo agradou porque eles parecem animados, ainda não fechamos nada… faltam – ainda – 2 reuniões a mais.

Volto para meu quarto, ligo para o senhor Sebastião e o coloco a par das coisas, entro no chuveiro e me refresco com a água que cai sobre mim…

Aquele beijo que vi entre elas… namoradas… mas… Manuela por que estava quase me beijando? Deus…

Meu celular toca, vou atender é o Andrés… não quero falar com ele, talvez esse tempo nos sirva para saber se devemos continuar juntos. Eu gosto dele mas… é óbvio que não sinto nada mais forte por ele.

Passo meu dia com minha família, minha atitude com minha mãe ainda não cede mas tento mudar…

(…)

- Oi, Lucí

- Oi, Mel… como vai?

- Bem e você?

- Muito bem, olha estamos aqui na boate "Mundo Azul" vem pra cá que estamos te esperando

- Ehm…

- Que foi, não quer vir?

- A Manuela tá?

- Não

Agh… que raiva, é que eu não faço falta?, nem sequer teve a decência de me ligar… quero morrer

- Melanie, você tá aí? – escuto a voz da Lúcia pela linha

- Sim, me perdoa… me arrumo e saio praí

- Beleza…

Em questão de 20 minutos saio de novo do hotel, peço um táxi e enquanto o motorista faz seu trabalho me afundo nos meus pensamentos… quais pensamentos?, melhor dizer que na Manuela---

O caminho fica um pouco longo, não entendo por que tiveram que ir pro outro extremo da cidade… enfim, que importa? Tanto faz, vou estar com eles, quero curtir esse dia, mesmo que ela não esteja.

- É aqui Senhorita – me avisa o motorista olhando pelo retrovisor – são 19800 $.

Pago e me preparo para descer do táxi, é um lugar novo, ou talvez tenham melhorado bastante.

Que curioso, agora não preciso implorar ao porteiro para me deixar entrar, agora sou maior de idade, tantas memórias que perdi e que nunca mais voltarão.

Entro e busco os caras com meu olhar, vejo o grupo mais barulhento – ali estão eles – Carlos apostando com Nicolás quem toma a cerveja mais rápido – Lúcia, Estefânia, Cláudia e Tomás – gritando, 2 torcendo por Carlos e os outros dois por Nicolás… vou rindo até onde estão eles, largo minha bolsa e aposto no Nico, não porque eu me dê melhor com ele – mas – porque ele está ganhando além – de ser – um expert em bebida.

Abraço todos e me sento num sofá gigante, me acomodo e peço um coquetel pra mim.

– Vamos lá, mal… conta pra gente como você tá vivendo?

– Bem, muito bem, feliz porque tá indo excelente no meu trabalho – disse feliz.

– E como vai esse coraçãozinho? – me perguntou Estefânia ansiosa pela minha resposta – hein?

– Meu coração, muito bem também.

– Melanie – me falou Lúcia séria – você tá saindo com alguém?

– Aham – falei sem olhar nos olhos dela – ele se chama Andrés.

– E quanto tempo vocês têm?

– Vamos fazer 3 anos.

– Que legal – murmurou ironicamente.

Começamos a dançar, me diverti loucamente… meu irmãozinho chegou com a namorada e terminei de curtir, queria – com isso – não pensar tanto na Manuela, mas me surpreendi de um jeito inédito vendo Andrés entrar com meus pais na boate.

– Oi, meu amor – se aproximou de mim e me abraçou rapidinho – surpresa!

– Oi – murmurei ainda sem acreditar no que via – o que você tá fazendo aqui?

– Você não atendeu o celular, liguei pros seus pais e quis vir conhecer toda sua família e seus amigos – disse, olhando pra todos os caras.

Abracei ele porque ele pediu, e pela entrada vi Manuela entrando, me olhando só pra ele.

Fechei meus olhos e balançei minha... Minha cabeça implorando que o que estava acontecendo naquele momento fosse só imaginação minha, mas quando abri os olhos, Manuela já estava cumprimentando meus pais e se postou na minha frente e – aos olhos de todos – do meu namorado.

— Muito prazer — cumprimentou Andrés, estendendo a mão.

— O prazer é meu — respondeu Andrés sem saber ainda quem ela era — Meu nome é Andrés e sou o namorado da Melanie — disse em voz alta para todos na mesa.

Ela me olhou e sorriu de um jeito que na hora eu odiei, não sabia o que significava aquela expressão! — Manuela — respondeu, fazendo Andrés me olhar rapidamente, pedindo uma explicação que eu não tinha por que dar.

— Bom, bom, aqui te deixo, filha — pronunciou meu pai, me dando um beijo na bochecha — Gostei muito dele, espero que não tenha se incomodado que a gente tenha trazido.

Aceitei dando a entender que não tinha problema, se despediram e meus progenitores saíram de lá.

Agora o que eu fazia? Manuela não tirava o olho de mim, meus amigos começaram a puxar conversa com Andrés, e Andrés, quando podia, me olhava com um pouco de desconfiança.

— O que estamos esperando? — levantou-se Pepe, pegando Alejandra pela mão — Vamos todos dançar!

Saímos todos para dançar e vi que Manuela ficou com Nicolás conversando. Olhava pra ela disfarçadamente enquanto começava a dançar, mexendo bastante o quadril, era uma dança bem fogosa.

— Então ela é Manuela.

— Sim.

— Já conversou com ela?

— Mais ou menos.

— Te incomoda que ela tenha vindo, meu amor?

— Não, Andrés, é só que eu teria gostado que você me avisasse.

— E como, se você não atendia o celular?

Fiquei calada, não podia dizer mais nada, além do que minha atenção foi roubada quando vi uma das garçonetes do lugar falar no ouvido de Manuela.

Deus... que ela saia do lado dela, não me faça sentir isso — olhei para o teto do lugar tentando ignorar a raiva que a ousadia de Manuela me causava — mas o que é que eu tô dizendo? Ela tem namorada, eu tenho — quase namorado — então que seja Lina, a que... me diga uma coisa.

- tem algo errado? – perguntou Andrés me olhando nos olhos

- nada, amor

- você está dançando muito bem – sussurrei beijando minha orelha, e ao mesmo tempo dando uma mordidinha – mal posso esperar para estar com você, Melanie

- ei, você acabou de chegar e já está pensando nisso?

- quem mandou você estar tão gostosa?

Dei graças a Deus que a música acabou e fui me sentar, mas Lúcia me pegou pelo braço e me afastou um pouco de todo mundo

- o que foi?

- fala com a Manuela, Melanie, vocês duas têm muito a esclarecer

- NÃO!

- por que não?

- NÃO – mantive minha resposta firme por apenas mais 5 segundos – é que olha ela com aquela garçonete – apontei para onde Manuela estava, que naquele momento estava se levantando para ir ao banheiro – com certeza vai encontrar ela lá

- vai

- pro banheiro?

- pois é claro, vai que a gente cuida do seu namorado.

Não fiz muita questão e fui direto seguindo a Manuela, estava furiosa. Por que ela fazia isso? Será que não percebia que me machucava?

Entrei no banheiro e fechei a porta bruscamente, de modo que ela virasse e me visse

- oi

- oi – me aproximei dela e a agarrei pelos braços com força – tá jogando o quê, hein?

Ela me olhou e ficou séria – nada, por quê?

- pra que você veio, pra ficar com aquela mulher? – pedi quase uma explicação

- que mulher

- ali Manuela – me virei bastante irritada – aquela…

- ahh tá falando da Luísa?

- não me importa como ela se chama, você não tem namorada, pois agora o que tá fazendo com ela?

- e isso te importa, Melanie? – ela me deu as costas – não devia se importar com quem tá seu namorado, ou não?

Pensei um instante… – você sabe que sim, isso é a única coisa que me deve importar – me virei e saí do banheiro

Manuela:

Queria saber se – depois de tanto tempo – ela ainda sentia algo por mim ou se era totalmente indiferente.

Vi ela sair com o namorado dela pra pista de dança… o que senti quando entrei nesse lugar e vi ela abraçada com ele me doeu, pensei que ela estivesse sozinha ou pelo menos não fosse tão… Sério, mas desde que o homem chegou até aqui, queria dizer que sentia algo forte por ela.

• Sei que meu comportamento é igual ao de uma adolescente infantil, sei que não estou agindo certo, que estou sendo – demais – bastante imatura...
• Mas o que faço se isso é tudo o que essa mulher produz em mim?
A vejo sair do banheiro e grito seu nome com força, mas ela não me dá atenção.

- Puta merda!! – digo pra mim mesma, não penso um segundo mais e a sigo... e quando ela está a 6 passos de chegar à mesa, puxo ela pelo braço com toda minha força e a levo – sem seu consentimento – de volta ao banheiro.

Entramos e fecho a porta, ela me olha com raiva... e eu não faço mais nada além de olhar pra ela também, como sinto saudade... ela tá tão linda assim, me aproximo e ela treme, tá nervosa... ainda a deixo nervosa.

Batem na porta, não abro... continuo me aproximando, continuo olhando...

A seguro pelos lados da cintura e a encurralo contra a parede mais próxima.

- O que você tá fazendo, Manuela? – ela pergunta com os olhos fechados enquanto beijo seu pescoço...

Não respondo, apenas a olho na esperança de que minhas palavras consigam dizer o que não sou capaz... me aproximo de seus lábios e com uma lentidão extraordinária junto seus lábios aos meus... Deus... como são gostosos... a beijo com ternura, a abraço... suspiro... fecho meus olhos e movo meus quadris como ela...

Batem na porta de novo, nem me dou ao trabalho de me separar de sua boca... continuo com o que tô fazendo, tinha medo de que ela não correspondesse, mas com isso que ela tá fazendo fica claro que ainda sente algo por mim – por menor que seja.

A escuto gemer quando levo minhas mãos aos seus seios, os acaricio, mesmo que essa cena esteja me deixando com muito tesão, não faço como se estivéssemos transando, pelo contrário, minhas mãos ficam frágeis ao contato com seu corpo, é como se estivesse com um bebê indefeso, Melanie sempre me pareceu isso... alguém que só precisa de quem a queira, cuide e ame...

Por por que tudo teve que acabar assim?

- por que? – disse, saindo dos meus pensamentos sem perceber

Ela abriu os olhos, fechou a boquinha e me olhou estranha - por que, o quê?

A observo, se está comigo é porque não quer o namorado…

Continuo beijando-a… me ajoelho e vou desabotoando sua calça, enquanto ao mesmo tempo levanto sua blusa e acaricio seu abdômen.

A excitação começa a percorrer meu corpo, fazendo-se notar na minha zona íntima, me toco um pouco e percebo o quanto estou molhada.

Ela faz com que eu suba até sua altura e volto a beijá-la, contemplo seu corpo com minhas mãos, sua figura igualmente magra, seus seios mais firmes e desafiadores, suas pernas mais duras… seus quadris com mais curvas… Deus…

- manuuu… – diz entre gemidos – o que está esperando?

Sorrio ao ver seu desespero para que eu a faça minha – peça pra mim

- você não mudou nada, manuela – me diz, se recompondo

- exato – confirmo – diga

- não

- por que não?

- você foi quem começou, então assuma o que inicia

- peça pra mim

- não

Suspiro, se eu sou teimosa, ela me vence – viro as costas – ah bom… então fique com vontade – me aproximo dela pela última vez e dou um beijo rápido

- ok – ela arruma sua roupa imediatamente – eu tenho quem termine, sem precisar pedir

Essas palavras… o que senti com elas? Uff… de tudo, raiva, tristeza, meu ego ferido, orgulho…

- ah é? – me viro e a encaro desafiante

- sim – me responde secamente e pede permissão para ir embora

Não dou, volto e a encurralo contra aquela parede

- tem certeza que ele sabe terminar como eu já fiz uma vez?

Ela me olha, não responde… fica calada, baixa o olhar; com minhas mãos levanto seu rosto e com sutileza volto a perguntar – tem certeza?

Seu silêncio me diz tudo, o que estou esperando?

Volto a desabotoar seu jeans e meto minha mão por dentro de sua calcinha…

- Melanie – digo entre suspiros – você está muito molhada…

- mmm…

Abro minhas Olho nos olhos e a observo novamente começando a se agitar, sua respiração a ficar entrecortada, suas palavras se transformam em pequenos gemidos e suas mãos apertando minha cabeça com força.

Ela se mexe. Eu me mexo... e com meus movimentos também movo minha mão dentro dela, em pequenos círculos, fazendo com que esquente mais... posso sentir como ela me aperta entre suas pernas... como suas paredes vaginais ganham vida própria... movo um pouquinho, só mais um pouquinho e ela explode talvez no melhor orgasmo que já vi na vida... foi tão forte, que tive que segurá-la para que não caísse no chão...

A olho, ela fica em silêncio, arruma sua roupa... suspiro - o que está acontecendo aqui? -

Quero dizer tantas coisas, mas tudo volta ao começo... ao meu medo e meu orgulho me dominarem... me vejo no espelho, tento recuperar o fôlego - como se fosse eu que tivesse gozado ¬¬ -

A olho pela última vez e quando vou sair sua voz me detém

- pra onde você vai?

- lá fora - respondo indiferente

- e vai ficar assim? Ela pergunta se aproximando

- assim como? Eu estou bem - minto

- tem certeza?

- sim

Ela me beija tão de repente que a princípio não consigo corresponder... quer me dizer algo mas eu não deixo, dou outro beijo nela e deixo que faça de mim o que quiser...

Rapidamente ela vai descendo até meu jeans, abaixa um pouco e quase sem eu perceber começa a me beijar na minha zona íntima...

Não quero que as coisas sejam assim com ela, como na pressa... mas não sou capaz de detê-la agora, ela está fazendo muito muito bem... ahh meu Deus... que delícia...

Melanie:

Quando menos pensei e quase sem perceber estava me deixando fazer de mim o que ela quisesse, no começo paramos e estive a ponto de ir embora mas bastou dizer que tinha o Andrés; para que seu ego a machucasse fortemente e ela reagiu do jeito que eu queria... me pegou com força e me colocou contra a parede de novo e entre beijos e carícias, foi introduzindo sua mão dentro de mim, novamente com ela me dava vergonha que sentisse assim, mas já não podia parar, era tarde demais… deixei que ela me tocasse, seus dedos acariciavam meu clitóris enquanto seus lábios beijavam meu pescoço

QUANTA FALTA ESSA MULHER ME FAZIA!!!

Sentia tanta saudade, ouvir sua voz perto dos meus ouvidos… seu corpo com o meu, seu olhar penetrar o meu com aquela intensidade que só ela conseguia ter comigo..

Não sei quantos minutos se passaram quando senti um vazio percorrer meu corpo…

Meu Deus… o melhor orgasmo da minha vida

Levei quase 4 minutos pra me recuperar… não sei se foi pela emoção de ser ela quem me tocava, não sei se foi por sentir tanta falta ou simplesmente porque ela fez o melhor possível.

Agora sabia que era minha vez… ela tinha a intenção de ir embora, mas eu não queria deixá-la ir assim; queria beijá-la, sentir sua pele… ver no que mudou… saber se seus pontos fracos ainda eram os mesmos. Comecei a beijá-la, mas rapidamente desci até sua virilha, fazendo-a suspirar numa velocidade inigualável…

Suas reações me confirmavam que eu estava indo bem. Com a pontinha da língua, lambi seu clitóris, ela estremeceu e com as mãos apertou minha cabeça com mais força contra ela…

Comecei a estimulá-la com meus lábios quando, sem aviso, no mesmo instante em que senti ela chegar ao clímax, eu também cheguei. Me excitava tanto vê-la assim, ver como ela esquentava por mim; que eu também fui me tocando até que ambas conseguimos no mesmo momento.

Me levantei e a olhei sem saber bem o que fazer ou dizer… tinha tantas coisas pra esclarecer, tantos sentimentos confusos desde que a vi, mas não era capaz.

Toc, toc

Nos olhamos assustadas porque era a voz de Lina chamando Manuela com força. Ela se arrumou igual a mim, sem pressa, nem se preocupou com o fato de Lina estar tão desesperada pra saber dela…

Encolhi os ombros, é tão triste saber que agora ela tem outra pessoa…

– Se quiser, eu me escondo pra você sair e não armar um problema – falei, indiferente ao seu olhar

– Não - por quê?

Ela não respondeu e se aproximou de novo de mim – precisamos conversar – disse me abraçando

- sentiu minha falta?

- muito

- muito?

Ela sorriu e me beijou com uma ternura que me levava ao céu e me trazia de volta

- do que você tem medo agora?

- do que você está falando, Manuela?

Ela se afastou de mim e foi se olhar no espelho do banheiro – antes – respirou me encarando através do seu reflexo – você tinha medo da opinião dos seus amigos, das pessoas, da sua família, da sua mãe… agora do que você tem medo?

Suas palavras me machucaram, eu sabia bem que ela tinha toda a razão e que talvez sempre, enquanto estive com ela, não quis aceitar o que era…

Fiquei em silêncio sem saber o que responder

- Melanie?

- não sei, Manuela – falei hesitante

- por que não sabe?

- você… digo, eu tinha certeza… e te vejo e meu mundo e minha vida viram de cabeça pra baixo de novo

- quer dizer que minha presença te faz mal?

- não é isso – tentei fazer ela entender o que queria dizer – é só que você aparece na minha vida e muda tudo ao meu redor

- isso quer dizer que você sente algo por mim – disse confiante

- …

- você não sabe o quanto fez falta… – exclamou com um olhar extremamente triste

- você não sabe tudo que tive que viver longe de você – consegui dizer enquanto minhas lágrimas caíam

- não chore

- te amo, Manuela

- shhh – beijou meus lábios com um simples toque casual que me fez estremecer – eu também te amo

TOC, TOC, TOC, TOC, TOC, TOC

- MANUELA!!! – gritou Lina do outro lado da porta

- Melanie – me olhou e falou engolindo em seco, como se estivesse com medo – você quer ficar comigo?

- e a Lina, e o Andrés? E a gente? E…

- quer ou não? – me beijou de novo – por que você tem medo do amor?

- por que você diz que eu tenho medo do amor?

- porque você sempre ficou na mesma posição… comigo

- Manu… tô com medo

- de quê?

- de que eu não seja o que você espera e a gente termine, e tudo que tenha feito pela gente vá pro lixo

- Melanie! Se você não fosse o que eu Espero não estar te dizendo isso...

A abracei e assim voltamos a nos beijar, mas o porteiro do lugar abriu a porta com as chaves, deixando que Lina, Andrés, meu irmão e meus amigos nos vissem...

Não soubemos reagir na hora, a última coisa que lembro de ter visto foi a cara de ódio e rancor da Lina voltada pra mim, como ela se aproximou com uma garrafa e pronunciando "maldita puta" me feriu...

¿…………………………………………………………………………………………?

Abro meus olhos e caramba... o que eu tô fazendo num hospital?... Minha cabeça dói, tento me levantar e não consigo... fico descontrolada e quando menos espero entra o Pepe com os olhos vermelhos.

- Como você tá se sentindo, gostosa? – diz com uma voz preocupada – Melanie, como você tá?

- B...e...m – murmuro entrecortada – o... que... aconteceu?

- Não fala, espera que já chamo o médico

Vejo ele sair por aquela porta e... tô com frio...

Entram logo em seguida

- Senhorita – o médico se aproxima de mim sorridente – você tá bem melhor, hein?

- O que aconteceu comigo?

- A informação que tenho é que você chegou aqui com a cabeça um pouco cortada, soltou muito sangue e ficou aqui por vários dias

- Claro... não foi um sonho, Pepe... A Lina me bateu

- Sim, mas se acalma, não pensa nisso

- Manuela – me levanto com lágrimas nos olhos – cadê ela?

- Olha ela aqui – aponta pra aquela mulher... aquela única pessoa que faz minha vida melhor, está em posição fetal com uma cobertinha – deitou pra descansar

- Ela tá bem? – questionei com um pouco de calma ao vê-la

- Sim – disse firmemente – não quis ir pra casa descansar

- Acorda ela – pedi quase suplicando

- Não – o médico interveio – você vai descansar e mais tarde recebe visitas.

Manuela:

Tudo tava indo tão bem, ela sabia que eu a amava; sim... senão não teria chorado... a beijo quando quase sem perceber o que acontece a vejo jogada no chão, todos meus amigos segurando a Lina pelas mãos pra que não continuasse batendo nela, Lúcia e Estefânia choram ao ver a Melanie caída no chão, o porteiro liga pra não sei quem pra... que venham imediatamente e eu fico de pé sem saber o que mais fazer.

Quando volto à realidade depois de ter ficado em choque, falo com o Pepe e vou com ele e a namorada dele direto para o hospital, estou com medo… sobre minhas pernas está a Melanie deitada, perdendo o máximo de sangue possível

- Puta que pariu, Pepe. SE MEXE!! - eu me desespero

Chegamos ao hospital e imediatamente a atendem, poucos minutos depois chegam meus amigos e os pais dela, o don Manuel também está numa maca, o impacto de a filha não reagir faz com que sua pressão altere e ele desmaia, não quero ser cruel mas neste momento não é ele quem me preocupa…

Passam 2 – 3 – 3 horas e 30 minutos e finalmente sai o doutor que a atendeu

- Familiares da jovem?

- Somos nós, doutor – diz o Pepe aparentando estar paciente – como está minha irmã?

- O golpe foi bastante forte – explicou – devido a ter sido recebido quase na têmpora, e é um ponto muito sensível

- Como ela está? – digo… com medo da resposta

- Está estável, mas não reage.

- Então?

- Vamos esperar…

Passam 5 dias até que finalmente o doutor me acorda e eu a vejo me olhando… não pronuncio nenhuma palavra. Só me limito a olhar para ela e entender com seus olhos o que ela quer me dizer com os lábios, mas antes que possa falar ela volta a cair no sono.

Já está melhor!!---

Lina, eu coloquei, ou melhor, nós colocamos uma denúncia, deram 5 anos de cadeia para ela mas com a fiança (como tudo nesse país, onde o que importa é quem tem dinheiro) reduziram para 10 meses…

Andrés…

Ele me pareceu um cara legal, falei com ele dois dias antes de ele voltar para sua residência e ofereci minhas desculpas, mas deixei claro que entre a Melanie e eu as coisas não tinham terminado, ele aceitou e foi compreensivo.

Falo com a Mariana e anuncio minha ida para casa para tomar banho para quando voltar a Melanie me ver melhor.

Chego em casa e o cansaço pode mais que minha vontade, me jogo na cama e sem perceber acabo dormindo.

Não sei quanto tempo passa, mas quando acordo ouço o som da porta tocando insistentemente

Abro a porta às pressas, vejo que já é noite, tenho 36 chamadas perdidas dos caras, do Pepe, e dos pais da Melanie... e uma pequena mensagem da Lúcia "manu... a Melanie já acordou, quer te ver, falar contigo... hoje mesmo dão alta pra ela, quando ler isso vem pra casa dela, te amo lucí"

- merda, merda, merda - COMO EU FIQUEI DORMINDA?! - me reclamo comigo mesma...

Quando finalmente abro a porta vejo ela sendo segurada pelo Pepe e pela Lúcia dos dois lados.

Sorri de felicidade mas ao mesmo tempo um pouco preocupada com o estado dela

- vem, entra - digo ajudando a acomodá-la no sofá

- eu tô bem - diz fingindo conseguir se sustentar em pé

- onde você tava manuela? - pergunta Lúcia

- desculpa, eu peguei no sono e não soube mais de mim

- imaginei - argumenta Pepe - essa moça - se aproximou da Melanie pra dar um beijo - não queria dar ouvidos pra gente... e como ela é a rainha da teimosia, pôde mais que nós.

Sorri ao ver seu rostinho fofo, parecia uma bebê...

- como você tá se sentindo? - me acomodei ao lado dela envolvendo-a com meus braços

- muito melhor - esticou sua boquinha e nos demos um beijinho pequeno.

(...)

A noite toda ela ficou comigo, vimos filmes, fiquei de olho nos remédios dela e acabamos dormindo.

Melanie:

Já fazem duas semanas que saí do hospital, agora posso responder à Manuela

- já não tenho medo de nada, ou talvez só de uma coisa; ficar sem ela.

Eu amo ela... falei com o Andrés e me desculpei com ele, sei que não era justo mas não ia permitir voltar àquilo de novo.

- oi amor - cumprimentei a Manuela entrando no apartamento dela

- oi bebê... o que você tá fazendo aqui?

- não gostou da minha surpresa?

- claro que gostei - terminou de comer uma batatinha e me deu um beijo - é só que pensei que a gente ia se encontrar no cinema

- manu...

- o que foi?

- é que tenho que te contar uma coisa

- o que é?

- o Seu Sebastião me ligou e disse pra eu ir embora já de novo…

Seu rosto se desfigurou, a gente tinha conversado sobre isso mas não queria dar tanta importância

- amanhã você viaja…^¿?

- era disso que eu queria falar com você

- não se preocupa… a gente vai continuar em contato e vamos nos ver – tento sorrir sem obter um resultado positivo

- mas é que eu não vou embora

- como assim?

- eu não tinha te contado porque não queria que desse errado e depois te decepcionar, mas – olhei pra ela com um sorriso enorme – ACEITARAM MEU PEDIDO DE TRANSFERÊNCIA!!

- sério?

- sim

- jura?

- juro

A abracei com todas as forças do meu coração, esse seria então o começo do nosso relacionamento… sem medos, amarras, temores… raivas…

Seria o começo do nosso amor…

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