—Você não sabe o quanto sinto muito, querida — disse minha mãe, acariciando o rosto da minha irmã Caro.
Eu também tava ferrado. No último dia das férias do ano anterior, conheci uma loirinha gostosa de 19 anos, Estefania. Ela me disse que a família dela voltaria no verão seguinte pro mesmo camping, e eu já tinha planos de retomar — bom, na verdade começar — o que não deu tempo por falta de tempo. Claro que em 365 dias pode rolar muita coisa, talvez a alemãzinha (era de Villa Gral. Belgrano) a essa altura já tivesse um Otto ou um Franz e capaz que nem me desse bola.
Por um momento, passou pela minha cabeça pegar a barraca integral e ir no carro da família, imaginando que meu pai não teria problema em me emprestar, já tinha feito isso outras vezes. Depois, percebi que não podia deixar a Caro sozinha em casa. Mas a ideia de pedir o carro emprestado pro meu pai me trouxe outra:
— Pai, e... se você deixasse... olha... eu entendo que você e a mãe vão pro Brasil pela lua de mel que não tiveram. Mas isso não significa que eu e a Caro vamos ficar sem férias. E se eu te pedir pra emprestar o trailer pra mim e pra minha irmã?
Não tinha falado com a Caro, que me olhou com uma cara de dúvida. Depois pareceu pensar enquanto meu pai hesitava, e finalmente apoiou a ideia.
— A gente vai tomar muito cuidado, pai. Você sabe que o Carlos dirige bem, até já te substituiu várias vezes ao volante nas viagens longas...
— Mas é que vocês dois sozinhos, sei lá, me dá um pouco de medo... — hesitou nossa mãe.
— Mãe! Já não somos crianças. Tenho quase 21, a Caro 18, e não vai acontecer nada com a gente além de nos divertir pra caralho, juntos — falei.
— Sozinhos eles vão ficar em casa também — disse, virando pra minha mãe. — Tá bom, Carlos — aceitou meu pai com a voz grave dele. — Mas me promete que vai cuidar da sua irmã.
— Sabe que nem precisa falar isso, velho.
E assim ficou resolvido.
Chegou o dia 1º de janeiro. Meus pais tinham voado no dia anterior pro Brasil. A A casa rodante já estava pronta, estacionada na frente de casa. Eu e a Caro acordamos de madrugada pra tentar chegar o mais cedo possível, nos arrumamos e partimos viagem. A primeira viagem onde a gente ia ter que se virar sozinho e tomar nossas próprias decisões, porque papai e mamãe não iam estar lá pra fazer isso por nós.
Não tinha quase trânsito, e já estávamos há três horas na estrada. Ofereci pra Caro assumir o volante quando paramos pra tomar café no bar de um posto de gasolina, mas ela disse que aquela coisa enorme não tinha nada a ver com o Clio que ela usava pra ir pra faculdade, e que não se animava.
Nas outras vezes, a gente tinha viajado atrás, lendo ou ouvindo música, e a monotonia da estrada, que parecia não ter fim, já tava me pesando. Segurei um bocejo.
— Caro, fala comigo, que o sono tá batendo.
— Ué, não vai dormir, né… — ela me olhou com uma cara de susto.
— Acho que não, Caro. Mas a mesmice da estrada tá me matando. Além disso, você não abriu a boca desde que saímos.
Ela se virou na minha direção.
— Sabe, Carli? Tava pensando que é a primeira vez que vou viajar sem papai e mamãe.
— Mas também não vai sozinha.
— Não, mas me sinto… como é que eu vou te dizer? Sei lá, mais velha. Livre.
— Comigo é a mesma coisa — concordei. — Sou tipo o cabeça da pequena família que a gente forma, eu e você.
— Ah, vai nessa! — ela me deu um tapinha leve na coxa. — Quero ver se você realmente acredita nisso e não me larga nem pra tomar um sol…
Eu não tinha pensado nisso, com ela por perto, minhas chances com a Estefânia diminuíam. Mas as palavras dela me fizeram perceber que, até certo ponto, eu tinha a responsabilidade de cuidar dela. Mudei de assunto.
— Lembra da Estefânia?
— A alemã peituda e cheia de sardas?
— Hahahahaha! Pelo visto, lembra sim. Bom, do ponto de vista masculino, as sardas deixavam ela muito gostosa, e quanto ao resto… bem, pra mim não parecia que ela tinha os peitos tão grandes assim. Na medida certa, nem mais, nem menos. Olhei os da minha irmã, que com certeza usava um ou dois números de sutiã a menos, e entendi por que ela falava aquilo. Rivalidade feminina, mesmo eu sendo irmão dela. Ela percebeu e ficou vermelha quando me viu matutando.
— E você acha que vai encontrar ela de novo lá? — perguntou.
— Tomara que sim.
— Pelo menos trocaram uns e-mails nesses meses?
— Bom, a gente trocou alguns e-mails... E no Natal liguei pra ela. Mandei outro e-mail no Ano Novo, mas ela não respondeu.
— Isso quer dizer que, um: tem namorado ou amigo com direito a... — contava nos dedos enquanto falava — dois: planejaram as férias em outro lugar, ou três: talvez ela nem esteja nem aí pra você.
Isso me fez pensar em outra coisa.
— Caro. Mmmm, olha, já somos grandinhos, e... — não sabia como dizer —. Supõe que um dia eu peça pra você dar um passeio e não entrar na cabana enquanto a porta estiver fechada...
— Hahahahaha! Sem problemas, Carli — enquanto colocava a mão no meu ombro e piscava um olho —. E vice-versa, se um dia, tipo, eu disser que preciso de um pouco de privacidade, espero que você...
Não podia recusar, mas a ideia da Caro com um cara dentro do que ia ser nossa casa por quinze dias me desagradou. Provavelmente porque eu tinha entrado no papel de chefe de família provisório, guarda florestal, sei lá! — pensei.
Depois de montar o toldo e preparar tudo, demos uma volta pelo camping, a caminho do mercadinho que tinha nas próprias instalações. Mas a Estefânia e a família dela não estavam. Também a Caro não encontrou ninguém conhecido por lá.
Fomos pra praia, caminhando um pouco até achar um lugar, não solitário — isso era impossível —, mas onde a densidade de guarda-sóis por metro quadrado fosse menor.
A Caro estendeu a toalha e tirou o sutiã do biquíni, algo que eu já estava acostumado. Só que dessa vez lembrei da conversa sobre os peitos da Estefânia e fiquei olhando um pouco mais do que correspondia. Ela percebeu, tipo pela manhã. Fechou os olhos levemente corada e se deitou na toalha.
Comemos no restaurante do camping na beira da praia, e depois voltamos pro trailer. Caro se espreguiçou, bocejando exageradamente.
— Acho que vou tomar um banho pra tirar a areia, e depois vou tirar um cochilo. Tô morta de sono depois de acordar tão cedo.
Pegou uma toalha de banho e entrou no cubículo apertado que servia de banheiro, que tinha uma pia minúscula, um vaso químico e um chuveiro claustrofóbico fechado por uma divisória curva de plástico transparente. E só então, ao ouvir a parte de dormir, me toquei de uma coisa: nos verões anteriores, Caro e eu ocupávamos os dois beliches, enquanto nossos pais usavam a cama que se formava ao rebater a mesa da "sala de jantar". Dessa vez não tinha motivo pra nenhum de nós dormir no beliche desconfortável, e pensei que, logicamente, cederia ele pra minha irmã.
Enquanto ouvia o barulho do chuveiro, arrumei a cama. E quando ela saiu coberta pela toalha amarrada sobre os peitos, se deparou com a surpresa.
— Pensei que você não precisa dormir no beliche, já que papai e mamãe não estão...
— Você é um anjo — sorriu, enquanto me beijava a ponta do nariz —. Agora vira, que vou me trocar.
O som da toalha caindo no chão pode ser ensurdecedor? Normalmente não, mas garanto que é, se de repente você imagina a garota depois de deixá-la cair, e foi isso que aconteceu comigo. Afastei rapidamente a imagem da mente, irritado comigo mesmo porque o pensamento tinha me dado um princípio de ereção super inadequada.
— O que a gente faz esta tarde? — perguntei pra Caro quando a senti deitada.
Eu não tinha conseguido dormir. Depois de me revirar um pouco no beliche apertado, acabei saindo pra sentar debaixo do toldo com um livro. Isso fez o sono bater e voltei pra dentro, mas Não consegui mais que umas pestanejadas, menos de meia hora no total. E já estava com os olhos abertos há um tempinho quando achei que a Caro tinha acordado. Desci do beliche e puxei a cortina de separação.
Ela estava se espreguiçando feito uma gata. A regata tinha subido com o movimento, deixando à mostra uma boa parte da parte de baixo dos peitos dela. O shortinho do pijama estava amassado na virilha, e tinha entrado... Desviei o olhar rapidamente.
— Podemos dar uma volta pelo camping, hoje parece que tem baile, a ver se a gente vê alguém. Por que você não vai descobrir? — insinuou.
«E de quebra faço uma pergunta na Recepção — pensei.»
O camping onde a gente estava era um de cinco, todos bem pertinho. Três eram na beira da praia, em fila. Os outros dois ficavam mais pro interior, do outro lado da estrada. E toda noite, menos domingo e segunda, tinha baile em um deles. Igual a Caro, eu já não lembrava mais em qual era o baile de terça. Calcei um negócio e saí pra fora. Tava calor, mas as árvores perto faziam sombra no toldo, onde dava pra ficar mais fresquinho.
Dez minutos depois, descobri que era no camping Lara, à esquerda do nosso, olhando pro mar. E pra minha decepção, o senhor Kauffmann não tinha feito reserva. Adeus meus planos com a Estefania!
Quando voltei, minha irmã tava sentada no toldo com outras duas minas. Uma eu conhecia do ano passado, a Sofia. A outra não. Me apresentaram como Fede. A Sofia era uma gostosa, mas no ano passado não tive chance com ela porque tava com um tal de Maro, que não largava ela nem por um segundo. A Fede não era feia, mas nada a ver.
«Bom, já que não tem Estefania, qualquer Sofia ou até Fede já quebra o galho — pensei.»
Combinamos de nos encontrar às dez no bar, pra ir pro baile do Lara. Mas não íamos só nós quatro. Também iam o Mauro (adeus, Lola), o Andrés e o Lucio.
No começo, nem percebi. Do que tava rolando, e os olhares da Caro na minha direção me pareceram normais, porque aquele tal de Andrés, que tinha monopolizado ela desde o começo, é do tipo que não sabe conversar com uma mina sem botar a mão nela. E isso tava me dando uma sensação estranha, meio incômodo.
Mas quando minha irmã, com cara de tédio, tirou a mão do cara que já tinha quase chegado na virilha dela, percebi que não era um olhadinha qualquer, ela tava pedindo socorro. Levantei e fui pra cima deles.
— Cê tá passando dos limites, seu idiota. Deixa a Caro em paz.
— Vaza! Quem é esse? — perguntou pra minha irmã.
Caro levantou sem responder.
— Vamos pro camping, se não se importa, Carlos. Tá quente demais aqui — pediu Caro.
E ela tava sufocada, mas imaginei que não era só por causa da temperatura.
Voltamos pela praia, em vez de pegar a ruela do interior. Era lua nova, e a escuridão era quase total, quebrada só ao longe pelas luzes do nosso camping, quase a um quilômetro. Não corria nem uma brisa, a umidade devia estar perto dos 100%, e eu sentia rios de suor nas axilas, por baixo da camisa. Tirei ela.
— Invejo vocês. Cês podem tirar a camisa sem problema, e a gente, não — disse Caro.
— Não tira porque não quer. A noite tá escura como boca de lobo. E além disso, hoje de manhã cê tava de peitos de fora, então não vejo diferença.
— Tem razão — disse Caro, enquanto tirava a regata —. A questão é que tem coisas que os caras podem fazer e a gente não, tipo isso.
— Não são nem meia-noite — avisei, depois de olhar os ponteiros fosforescentes do meu relógio de mergulho —. Cedo demais pra dormir. Que tal sentarmos aqui um pouco?
Sentamos na areia, com os ombros quase se tocando. Ao longe, as luzes de navegação de um navio cortavam a escuridão do mar, que mandava ondas de uns meio metro, que na beira viravam quase de brinquedo, e vinham morrer a poucos passos de onde estávamos.
– Eu gostaria de tomar um banho – falei.
– De noite me dá um pouco de medo – respondeu Caro com voz temerosa –. Essa coisa de não ver o que tem embaixo… Além disso, não trouxemos nem shorts nem toalhas.
– A questão das toalhas é o de menos; com o calor que faz, a gente seca no ar. Quanto aos shorts… A roupa íntima é quase a mesma coisa. Não tem ninguém por perto, e além disso, não se vê um palmo na frente do nariz. Vai!, não seja boba.
Para dar o exemplo, tirei a calça, ficando vestido só com uma sunga vermelha mínima. Caro pensou por uns momentos. Depois se levantou e deixou a saia cair. Vislumbrei uma pequena mancha branca na frente dela, embora por trás não conseguisse ver nada além das bundas dela. Nunca antes tinha tido um pensamento ruim sobre minha irmã, mas naquela hora comecei a endurecer. Para cortar de vez minha confusão, peguei na mão dela e fui em direção à água.
– Não me solta, Carlis, tô com medo.
Mas não tivemos escolha a não ser nos separar, quando a água chegava perto do pescoço de Caro. Tinha como um degrau na areia do fundo que obviamente não dava pra ver, e perdemos o equilíbrio. Pra piorar, uma onda um pouco maior que as outras quebrou na nossa cara quando estávamos nos levantando. Quando consegui ficar de pé de novo, procurei Caro com o olhar. Estava a uns passos de mim, bem parada.
– Carloss…
– Foi só uma onda.
– Não é isso. É que… perdi a tanga.
– Espera um momento, e não sai daí – falei, enquanto me aproximava dela.
Mergulhei, tateando com as mãos ao redor dos pés da minha irmã, mas não encontrei nada. A água devia ter levado a tanga pra Deus sabe onde. Finalmente, desisti.
– Bom, pra todo mau tempo, boa cara – tentei fazer minha voz soar alegre, embora estivesse me excitando de novo com a ideia de Caro pelada do meu lado –. Você nunca sonhou em tomar banho no pelo?
– Tá de sacanagem. Claro, você Você tá de cueca...
Pensei nisso, mas só por dois segundos.
— Se é por isso… Também curto um pouco de nudismo — tirei a cueca e joguei na areia.
— Puts!, Carlis, que tesão…
— Não me diga que você não tá se sentindo bem.
— Tô, mas tava pensando na hora de sair…
— Bom, eu saio primeiro, e não olho enquanto você veste a saia. Embora, hehe, se eu olhasse, não ia ver muita coisa nessa escuridão. Mas enquanto isso, aproveita.
Ela pareceu relaxar. Digo isso porque respondeu às minhas respingadas tentando afundar minha cabeça. Brincamos na água como crianças. Eu a persegui e empurrei pelos ombros para baixo. Depois foi ela quem tentou fazer o mesmo comigo… Mas num certo momento, nossos corpos nus ficaram em contato por alguns segundos. Senti a dureza dos peitos dela nas minhas costas e a buceta dela colada na minha bunda, e uma onda de desejo pela minha irmã me invadiu, que tentei afastar, sem conseguir. Depois ficamos de pé, um de frente pro outro.
— Cê tava certa, isso é muito da hora — falou Caro com a voz meio estranha.
— Tomar banho, ou ficar pelada?
— Cê vai me fazer ficar com vergonha… Tomar banho pelada.
— Eu também nunca tinha tentado, e cê tem razão: é muito da hora.
— Carli, tô com um pouco de frio… — insinuou.
Saí até a faixa mais clara da areia. Achava que minha cueca devia estar por ali, mas não encontrei.
— Kkkkkkk! Ainda bem que tá escuro — riu Caro —. Cê deve ter uma imagem muito erótica curvado na cintura com a bunda pra… — cortou a frase antes de terminar, meio sem graça.
— Cadê a roupa? — perguntei.
Não via ela, e isso sim podia ser um problema. Dava pra ficar sem a roupa de baixo, mas não sem o resto.
— Procura você pela direita, eu vou pelo outro lado — sugeri —. Lembra que a gente tava tipo a um metro da água.
Por sorte, uns passos adiante, vi a mancha branca da minha camisa na areia escura.
— Caro! Não procura mais. Tá aqui. – Hahahahaha! – riu minha irmã enquanto se aproximava –. Imagina se a gente não encontrava.
– Ainda bem que você leva na brincadeira. Já tava me vendo, esperando sei lá até quando pra entrar no camping correndo pelado…
Sentei na areia. Tava muito à vontade pelado, e me custava aceitar a ideia de voltar. Além disso, cedo ou tarde, a gente secaria um pouco se esperasse um tempinho antes de se vestir de novo. Falei isso pra Caro, que sentou do meu lado.
– É assim que cuida da sua irmãzinha? – brincou –. Quando voltar pra casa, vou contar pro pai que você me tentou a ficar pelada em público.
Não respondi. Tava olhando pra Caro. Dava pra ver só o corpo dela até a cintura, mas daí pra baixo, e principalmente entre as coxas, era tudo escuridão. Felizmente. Porque acho que ela também não conseguia ver minha ereção enorme.
– Sabe, Caro? Se você quiser, a gente pode repetir a experiência outra noite, mas dessa vez deixando a roupa de baixo na areia.
Ouvimos umas vozes distantes. Caro se levantou rápido e foi até o monte das nossas roupas. Por um momento, consegui ver a faixa de pele mais clara, da parte que o biquíni escondia do sol. Nada demais, mas o suficiente pra minha ereção começar a pulsar.
Enquanto voltávamos pro camping, ela me pegou pelo braço. E eu ouvi a risada dela.
– O que te faz rir tanto? – perguntei.
– Tava pensando no que quem achar amanhã as nossas duas… peças íntimas vai imaginar.
De novo, o sono não vinha. De vez em quando, ouvia os rangidos leves da cama grande quando Caro mudava de posição, o que mostrava que ela também tava acordada.
Pensei que algo tinha mudado entre nós naquela noite, e que as coisas provavelmente nunca mais seriam as mesmas de agora em diante. Me recriminava pelo desejo que sentia por ela, e prometi a mim mesmo que nunca, em hipótese alguma, não só não tentaria satisfazê-lo, mas ela não perceberia nada.
– Você tá acordado, Carli?
– Tô sim, amor. O que foi?
– Nada, é que… não consigo dormir. Tava pensando que é injusto eu dormir aqui sempre, enquanto você fica naquela beliche tão desconfortável.
– Não se preocupa, já tô acostumado. Além disso, não vou deixar a gente trocar as camas, então, a não ser que a gente durma junto…
Me arrependi na hora. Falei sem pensar, como brincadeira, mas tinha criado um clima entre a gente que podia ser interpretado de outro jeito. Caro ficou em silêncio por um tempão.
– Boa noite, Carlos – murmurou, e a voz dela soava estranha.
Na manhã seguinte, decidimos fazer um passeio de bicicleta – as que ainda estavam amarradas no suporte na traseira da casa – pra qualquer lugar, sem rumo. Colocamos numa mochila um termo com quatro latas de bebida, biscoitos, picadinho e as toalhas, porque de qualquer jeito a gente sabia que mais cedo ou mais tarde ia dar um mergulho.
A manhã tava fresca, mas mesmo assim comecei a suar rápido por causa do exercício fora do comum. Uma hora depois, a estrada começou a se afastar da costa, e a gente parou pra decidir. Tinha um caminho que ia em direção ao mar, ainda perto, e resolvemos segui-lo, até que terminou numa clareira pequena, além da qual o terreno despencava num penhasco rochoso de uns cinquenta metros de altura. Tinha um carro estacionado um pouco mais adiante, na sombra de uns pinheiros, o que indicava que tinha alguém por perto. E como não vi ninguém, imaginei que deviam estar lá embaixo. Espiei com todo cuidado. Dava pra ver uma faixinha de areia, mas nada mais.
– Parece que tá vazio. Que tal a gente procurar um lugar pra descer? – sugeri.
Uns metros adiante, a gente viu o começo do caminho perigoso que ziguezagueava entre as pedras, e seguimos ele. Só faltava pouco pra chegar na areia dourada, quando ao virar uma curva avistamos duas figuras, homem e mulher, deitados ao sol em cima de toalhas numa ponta. Pelados. Caro apertou meu braço com apreensão.
– Carlos, a gente não devia…
Naquele momento o homem, que tinha ouvido nossas vozes ou o barulho das pedrinhas que a gente deslocava descendo, levantou a cabeça, nos deu uma olhada, e voltou a se deitar.
– Olha, acho que eles não tão nem aí, porque senão teriam se coberto.
– Mas é que a ideia de ter duas pessoas peladas a dois passos não me deixa tranquila – protestou Caro em voz baixa.
– Tem espaço suficiente, boba. A gente vai pra outra ponta, e pronto.
Foi o que fizemos. Colocamos a mochila na sombra junto com a nossa roupa, por baixo da qual a gente tinha tido a precaução de levar os shorts, e sentamos na beira do mar, de costas pros nudistas. Passou um tempo, enquanto a gente tomava sol deitado de barriga pra cima, em silêncio.
Não ouvimos ela até que estivesse bem perto, e o rangido dos passos dela na areia nos alertou. Era a mulher, que vinha na nossa direção completamente pelada, com a tranquilidade que o costume dá. Não era uma beleza, mas também não era feia. Meio gordinha, com um corpo muito gostoso. As coxas um pouco grossas pro meu gosto, embora claro, eu gostasse das da Caro, e peitos grandes meio caídos. Desviei o olhar da buceta dela depilada, exceto por uma linha de pelo escuro que sumia entre as coxas.
– Oi – disse ela alegremente, mostrando um maço de cigarros –, vocês não têm fogo, não?
– Não, desculpa, nenhum de nós dois fuma – respondi tentando olhar só pro rosto dela.
– Espera, Carlos, acho que num bolso lateral da mochila…
Ela remexeu um pouco, e voltou com uma carteirinha de fósforos, que deu pra mulher.
– Pode ficar com ela.
– Muito obrigada – respondeu ela, enquanto começava a voltar.
Fiquei olhando as bundonas dela balançando no ritmo dos passos. E a escuridão entre as pernas dela… Desviei o olhar rapidamente, com o pau começando a endurecer.
—Tô com inveja —disse Caro, num tom baixinho—. Se eu tivesse coragem…
—Você não faz porque não quer. Olha, um pouco mais pra lá tem uma pedra, e se você se jogar atrás antes de tirar o biquíni, ninguém te vê.
Ela me lançou um olhar desconfiado, que eu entendi na hora.
—Eu não vou sair daqui, fica tranquila.
Ela sumiu atrás da pedra, com a toalha na mão. Eu me deitei no sol, sem me importar — agora que Caro não tava do meu lado — que meu pau duro tava marcando na sunga. Não era só por causa da visão da mulher pelada; eu tava tentando desesperadamente não pensar no outro corpo feminino sem roupa, atrás da pedra que escondia ele de mim.
—Até logo e valeu! —gritou uma voz lá longe.
Me virei e acenei pras duas figuras que começavam a subir o caminho. Deviam ter deixado a roupa no carro, porque a única coisa de pano que dava pra ver era a toalha que elas levavam na mão. Quando sumiram lá em cima, me deu vontade de tirar a sunga. Caro ia demorar mais um pouco, não tinha mais ninguém, e…
Tirei a roupa e me deitei de novo, pensando em ficar assim só uns dez minutos, no máximo quinze. Mas acabei dormindo.
Acordei com a voz da minha irmã.
—Carli, você tá…
Me sentei assustado. Ela tava parada na minha frente, só de fio dental do biquíni, com o rosto vermelho e o olhar fixo no penhasco, evitando me encarar.
—Desculpa, amor —me desculpei, procurando minha sunga—. É que eu era o único vestido aqui, e me deu vontade. Quanto tempo eu dormi?
—Pouco —ela explicou, sentando do meu lado.
—E aí, como foi sua primeira vez como nudista?
—Cala a boca, eu não parava de olhar pra todo lado, com medo de alguém me ver.
—Mas Caro!, eu teria te avisado…
—Como? Você tava largado que nem um urso. Além disso, lá de cima do caminho dá pra ver a praia inteira.
—Inteira não. Lembra que não vimos o casal até que não descemos muito.
– É a mesma coisa. Não foi uma experiência ruim, mas não vou me despir de novo.
– Ha! Eu talvez sim, depois de comer – brinquei.
– Te cedo o lugar, embora já estivesse começando a fazer sombra.
– Não vou te deixar aqui sozinha – continuei, pra provocar ela.
Ela me olhou meio emburrada, mas não respondeu.
Depois de comer e de guardar tudo, ela se virou pra mim com o olhar baixo.
– Você falou sério sobre se despir?
– Claro – respondi, tentando disfarçar na voz que estava zoando.
Mas ela acreditou que eu falava sério, e se virou de leve, me dando as costas. E aí o capeta me tentou. Afinal, ela já tinha me visto pelado. Tirei a sunga e me deitei. Felizmente, meu pau ficou disciplinadamente de boa.
– O que a gente vai fazer hoje à noite? – perguntou ela –. Depois do que rolou ontem, não tô nem a fim de ir com os caras de novo, senão o Andrés e você vão acabar se pegando.
– Esqueci de te contar ontem. Me desculpa, é que no começo achei que não te incomodava, que até ia me pedir pra demorar um pouco pra ir até a casinha…
Ela se virou na minha direção sem lembrar, e depois se virou rapidinho, toda corada. Mas entre um movimento e outro, percebi que ela tinha dado uma boa olhada no meu pacote.
– Você é um bobo. Não, na verdade, o cara me era desagradável. Ele tem cara de quem se acha.
Ela baixou a voz.
– Cali, você promete não olhar?
O arrepio começou no meu peito e foi até o saco, que ficou tenso.
– Fica tranquila, amor, pode tirar a roupa.
As roupas dela fizeram um arco até cair do lado do resto das nossas coisas. Ela deve ter se deitado na toalha dela, a menos de meio metro da minha, embora eu tenha resistido bravamente à vontade de virar a cabeça.
– Não tem nada que nos impeça de ir ao baile só nós dois. E se a gente trombar com eles, você também não precisa deixar o polvo do Andrés te pegar igual ontem. Além disso, hoje vou ficar mais de olho.
–Você tem razão – concordou.
Ficamos em silêncio por um bom tempo. Eu já estava sentindo o que os hambúrgueres devem sentir na frigideira. Tava com vontade de tomar um banho, mas…
–Caro, vou entrar na água – avisei.
Tarde demais, percebi que a tanga dela e minha sunga estavam a uns dois metros de nós. Aí pensei que ela já tinha me visto pelado, e que, no fim das contas… Levantei, tentando não olhar na direção dela. A água estava deliciosa, mas era um saco ter que me segurar pra não desviar o olhar pra praia.
«Foda-se – pensei –. Além disso, não sei por que a Caro pode me ver pelado e eu não posso ver ela.»
Me virei. A Caro vinha andando na minha direção, meio corada mas decidida. Pelada. Entrou na água rápido, até cobrir o triângulo de pelos curtos do púbis.
–É uma bobagem, depois de termos nadado pelados ontem à noite, né?
Bom, se ela queria se justificar… Tinha uma "pequena" diferença: no dia anterior a gente tava no escuro, e agora a luz crua do sol tinha me deixado admirar o corpo gostoso dela. Com um arrepio novo, pensei que, se não fosse a Caro, mas outra, eu faria de tudo pra transar com ela. Mas era minha irmã, e isso mudava tudo. Mesmo que minha ereção começando a aparecer mostrasse que meus instintos não tavam alinhados com minhas reservas.
–Vou te desafiar até a pedra – gritou, enquanto mergulhava de cabeça na água.
E ao fazer isso, tive por dois segundos um vislumbre da fenda fechada da buceta dela, mais abaixo das bundinhas redondas. Segui ela. Alcancei uns segundos depois, e peguei um dos tornozelos dela, fazendo ela afundar. Ela emergiu rindo, e depois ficou de pé, escorrendo os cabelos. Os peitos dela se ergueram quando ela fez isso, e a água cristalina me deixou ver a sombra escura dos pelos pubianos. Pensei que era a imagem mais linda que já tinha visto. Ela mostrou a língua pra mim.
–O que você tá olhando?
–Tava pensando que você é uma mulher linda.
–Você também não é feio. — respondeu, baixando o olhar.
—Vamos, foda-se a revanche —ofereci.
Era uma desculpa pra quebrar o circuito elétrico que se formou entre nós dois, percebi, e que tinha me deixado arrepiado. Comecei a nadar na direção oposta, mas um pouco mais devagar do que eu conseguia. E, de fato, ela me alcançou e, como eu fiz antes, segurou uma das minhas panturrilhas. Mais pra evitar dar um chute na cara dela, me deixei submergir. Com os olhos abertos, contemplei o corpo dela da cintura pra baixo, distorcido pela água, e a câimbra voltou, subindo pelos meus testículos, fazendo meu pau começar a endurecer. Não pensei, senão não teria feito. Agarrei os quadris dela e empurrei. O que não calculei é que ela ia jogar os braços no meu pescoço, e que nossos corpos nus iam se encostar enquanto afundávamos juntos.
E emergimos juntos, praticamente abraçados. Nos olhamos intensamente por alguns segundos, em completo silêncio, e então a sanidade voltou a mim, e me afastei dela.
—Acho que a gente devia pensar em voltar antes que escureça —minha voz estava rouca, eu percebia.
Seguimos em direção à areia em silêncio. Mas, enquanto nos vestíamos, pude perceber algo: ela se mostrava nua na minha frente com a mesma naturalidade que teria se fosse algo comum entre nós.
Felizmente, não vimos ninguém do grupo da noite anterior. Dançamos algumas vezes e conversamos muito. Nunca antes tivemos a chance de ter longas conversas só nós dois, e eu me sentia nas nuvens, vendo como hipnotizado os lábios dela se moverem enquanto falava. Sentindo o perfume dela. E me olhando nos olhos dela, da mesma cor que os meus.
O clima não estava muito animado. Uns casais, alguns com crianças correndo pra todo lado. Um grupinho de garotos e garotas mais ou menos da nossa idade, e mais ninguém.
—Que tal a gente ir embora? —sugeri.
—Ia te pedir a mesma coisa agora momento.
–Talvez se não estivéssemos sozinhos…
Ela me olhou intensamente.
–Sabe? É justamente com você que me sinto mais à vontade, sem mais ninguém. –Ela corou e baixou o olhar.
–Eu também prefiro sua companhia –falei com a garganta seca.
De novo, a escuridão do passeio pela praia, desta vez do outro lado do nosso camping. E como no dia anterior, não havia uma alma por perto. Começamos a falar os dois ao mesmo tempo:
–Carlos…
–Caro…
Caímos na risada.
–Você primeiro –disse ela.
–Tava pensando em como foi gostoso o banho de ontem à noite.
–Hahahahaha!, ia te propor a mesma coisa. Só que hoje vou tentar não perder a fio dental…
Nós nos despimos completamente, e lamentei que a escuridão me roubasse a visão do corpo dela. Depois fomos para o mar, de mãos dadas. Não teve brincadeiras, e nenhum de nós parecia querer quebrar o encanto. De frente um para o outro, mas separados, com a água na cintura, tentava distinguir nos olhos dela algo mais que um brilhinho, reflexo das luzes do camping distante.
Não fiz conscientemente, mas quando penso nisso, acho que a Caro percorreu metade do caminho. Nossas bocas se encontraram, e era uma verdadeira delícia o toque dos lábios dela nos meus, e o das mãos dela nas minhas costas, acariciando em círculos. E as minhas em volta da cintura dela, apertando o corpo nu dela contra o meu. Me afastei…
–Caro, acho melhor a gente ir.
Mas enquanto vestíamos a roupa sobre a pele pingando, e depois, enquanto caminhávamos de mãos dadas pela areia, pensei que em alguns minutos estaríamos juntos na intimidade dentro do trailer. E que não podíamos continuar o que havíamos começado, de jeito nenhum.
–Desculpa, Caro. Sério, não sei o que deu em mim.
–"Deu" na gente –ela corrigiu num sussurro.
Nós nos despimos em silêncio com as luzes apagadas. Nenhum de nós sentiu necessidade de esconder o olhar do corpo do outro. O brilho da iluminação filtrada pelas árvores e as cortinas fechadas permitia ver mais do que alguns minutos antes, na praia, mas era bem menos do que no começo da tarde, quando a gente tinha se mostrado um pro outro completamente pelados.
— Vou tomar um banho — ela disse baixinho —. Tô cheia de areia, mas se quiser, cedo o lugar pra você.
— Não, entra você.
Ela acendeu a luz antes de entrar no chuveiro, e aí sim, eu tive um vislumbre do corpo gostoso dela, antes que desaparecesse lá dentro. Esperei de pé, até que ela saiu secando o cabelo com uma toalha. E aquilo era toda a roupa dela. A luz do chuveiro tinha ficado acesa atrás dela, mas embora a parte da frente estivesse na sombra, ainda dava pra distinguir o triângulo escuro entre as pernas dela. Fui rapidinho pro banho.
A água fria acalmou minha tesão e me fez cair na real. Dormiria numa rede, lá fora, com a parede de metal do veículo servindo de barreira entre ela e eu. Porque se de novo, como na noite anterior, eu sentisse ela se mexer na cama e imaginasse o corpo dela coberto só pelas roupinhas de dormir, não tava nada seguro de conseguir segurar meus instintos, que me empurravam a fazer algo que eu não podia de jeito nenhum me permitir.
Mas toda a minha decisão foi pro saco quando saí do banheiro pequeno. Caro tava de pé, completamente pelada, perto da cama de casal. Esperando.
Uma onda de sentimentos impossível de conter tomou conta de mim. Peguei ela nos meus braços, enquanto ela soluçava baixinho. E juntei minhas lágrimas às dela, porque sabia que o que a gente tava fazendo era algo condenável. Mas ao mesmo tempo, o prazer de sentir o amor da minha irmã, que ela tava me entregando sem reservas, apertava meu peito. Nunca antes tinha sentido algo parecido com nenhuma outra mina. As outras vezes foi pura tesão, desejo físico, nada mais. Mas dessa vez tinha algo mais poderoso, uma exaltação sem limites, a necessidade de me fundir. Com ela, de dar tudo de si… Tinha amor –pensei, atordoado–. Amor como nunca tinha conhecido. Amor desesperado, porque na sua satisfação estava também o início do seu fim necessário. Ainda tentei resistir.
–Caro, não devo…
–Sssssst, Carlis, não diz nada –murmurou com a boca colada no meu ouvido.
Provei os lábios dela molhados de lágrimas salgadas nos meus. Minha língua experimentou o néctar do interior da boca dela, enquanto minhas mãos acariciavam suavemente a bunda dela. As dela estavam agarradas nas minhas costas, e minha ereção apertada contra a barriga dela.
E então, quando ela se deitou na cama e estendeu os braços me chamando, provei o gosto dos mamilos dela na minha língua. Meus beijos no buraquinho do umbigo dela e na leve curva da barriga fizeram ela tremer toda. O cheiro limpo da buceta dela no meu nariz, antes do gosto inundar minha boca, me levou além de qualquer chance de voltar atrás. Ouvi os gemidos excitados dela quando peguei o clitóris dela entre meus lábios, e vi os vai e vem da pelve dela, que ficaram cada vez mais evidentes até que finalmente ela se entregou ao orgasmo.
Depois, enquanto sentia a respiração acelerada dela e o barulho louco do coração no meu ouvido pressionado contra os peitos dela, tive um momento de lucidez. Quis me levantar e fugir dali antes de consumar de vez nossa união incestuosa, mas fiquei como paralisado. E tudo isso foi esquecido quando os dedos dela se enroscaram no meu cabelo, e ela sussurrou:
–Me come, Carlos. Preciso de você mais que tudo nesse mundo.
As dúvidas desapareceram como num passe de mágica. A buceta dela estava molhada e pronta. Minha cabeça do pau apareceu e encontrou o caminho pra dentro como se não fosse a primeira vez, e entrou até o fundo. E nossos corpos abraçados se moveram cadenciados no ritmo antigo como a vida e sempre renovado do ato de amar. Aos poucos, os movimentos foram ficando espasmódicos nos dois. Já não tinha ritmo, só uma pélvis que vinha ao encontro do outro, como se quisesse se fundir nele. Meu pau pulsava dentro dela, apertado dentro do estojo macio e ardente que o prendia, como se não quisesse deixar ele sair.
E nossos gemidos mal abafados se misturaram nas bocas unidas, enquanto sentia como se fôssemos um em dois corpos; o orgasmo dela foi o meu próprio, e pareceu que o tempo parava. Por uns instantes fomos um único ser, que se elevava ao mais alto, ao topo do prazer mais intenso.
Depois, enquanto eu acariciava com carinho as bochechas dela, deitados de lado, frente a frente, e bem abraçados, sabia que precisava dizer algo, mas não queria de jeito nenhum quebrar o encanto. Ela fez isso:
– Carlos… sabe que nunca antes tinha tido um orgasmo?
Fiquei chocado.
– Não me diga que era virgem.
– Era, mas não me importa. Não poderia ter me entregado pela primeira vez a ninguém melhor que você.
– Mas se eu não… quero dizer, não percebi. Me desculpa, amor, se soubesse teria te tratado com mais cuidado.
– …ou teria evitado me dar o melhor que já tive. Porque senti seu amor como uma brasa penetrando em todos os meus poros.
– E eu o seu queimando por dentro.
Naquele momento, só estava arrependido e triste por uma coisa.
– Te machuquei?
– Me fez feliz – murmurou, antes de me beijar apaixonadamente, enquanto a mão dela na minha nuca me puxava para perto.
Pouco depois, dormimos, bem abraçados.
E no dia seguinte, ao acordar, quando vi os pequenos vestígios de sangue nos lençóis e na parte interna das coxas dela, misturados na minha porra, tentei me afastar, mas ela não deixou. Sei que deve ter doído, mas ela mesma pegou meu pau e o forçou a voltar pra dentro do corpo dela. E de novo a exaltação, o imenso prazer em cada centímetro da pele em contato com a outra pele… E subir de novo ao topo, num clímax que durou muito pouco pra necessidade que Cada um de nós sentia.
Depois, lavei o corpo dela com cuidado, sem nos importar que a água alagasse o chão do banheiro pequeno, enquanto dava beijos suaves nos lábios dela e falava bem baixinho o que sentia por ela.
Os dias passaram como um suspiro. Ainda conseguimos nos amar uma vez ao ar livre na praia, naquele dia deserta. Mas depois nunca mais a encontramos vazia. Tivemos que nos contentar com as noites na nossa casa sobre rodas e os beijos noturnos na água calma. E uma noite eu a peguei no lugar onde a lisura da areia molhada virava ondas de espuma quando uma onda batia. E nossos gritos ardentes se misturaram ao barulho das ondas quebrando nos nossos pés.
E inevitavelmente chegou o dia da nossa partida. Ninguém falou por muito tempo. Só de vez em quando nossos olhos se encontravam, e a gente tentava animar o outro com um sorriso triste.
– O que a gente vai fazer agora? – ela perguntou num momento, com a voz embargada pelas lágrimas.
– Não sei, amor. Sei que vão vir noites em que a gente vai morder o travesseiro de tesão, sentindo o outro tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Depois, com certeza você vai encontrar um homem que…
Ela me cortou na hora.
– Nunca, me escuta Carlos, nunca, vou conseguir me entregar pra outro.
– Mas é que o nosso não tem futuro. Nada me faria mais feliz do que fugir pra longe de todo mundo com você. Me bastaria ter você, não ia querer mais nada. Mas a sociedade não vai deixar. E nossos pais iam morrer de desgosto se descobrissem.
Ela ficou soluçando por um bom tempo, até que pegou no sono, com a cabeça apoiada no meu ombro.
Ainda na casa dos nossos pais, tivemos mais uma noite só nossa, a última, no meu quarto. Não dormimos em nenhum momento, ninguém queria perder nem um segundo sequer do que podia ser a última vez que estávamos juntos. Nos amamos apaixonadamente, com o desespero de um condenado à morte. E depois ficamos abraçados até chegar a manhã. E com ela, nossos pais.
Dizem que o tempo cura tudo. Não é verdade, Caro e eu podemos confirmar isso.
Vieram dias terríveis, noites em que, como eu havia previsto, quase sentíamos a presença física um do outro, insones, muito perto, mas inalcançáveis. Dias em que eu precisava conter a vontade de abraçá-la, mesmo quando não estávamos sozinhos.
Nos fins de semana em que meus pais saíam com os amigos, Caro e eu saíamos separados, antes deles. Esperávamos um tempo num café, longe de casa. E depois voltávamos rápido, e nos entregávamos um ao outro com a ansiedade de muitas noites solitárias, sempre com medo de sermos pegos. Mas não tinha amanhecer com ela nos meus braços; tínhamos que nos separar cedo demais.
Teve até um fim de semana em que os estudos foram a desculpa para não acompanharmos nossos pais numa viagem turística de dois dias. E aquelas noites foram como um bálsamo que acalmou nossa febre, mas sem curar a doença que a causava.
Se nossos pais perceberam que agora sempre nos encontravam nas nossas camas quando voltavam, ou que nunca mais apareceu um cara para buscar minha irmã, eles não disseram nada. Teve perguntas, principalmente para Caro, se ela estava saindo com alguém especial. Mas eles se contentaram com a explicação da minha irmã, de que preferia se divertir enquanto era jovem, antes de se prender a alguém.
Eu disse que o tempo não cura nada. Mas ele passa mais rápido do que parece. Chegou o verão seguinte, e uma noite, durante o jantar, meu pai me olhou com um ar especulativo.
— Carlos, sua mãe e eu decidimos repetir a viagem do ano passado, mas para um lugar diferente. Fico pensando…
— Vocês se importariam de repetir as férias sozinhos, como no verão passado? — minha mãe interrompeu com a voz pesarosa — Vocês já me disseram que se divertiram muito, com as gurias e os caras da praia, e é até melhor que a gente, os velhos, não esteja por perto. atrapalhar eles.
– Eles não são velhos, mãe. São os melhores pais que alguém pode ter – respondeu minha irmã com os olhos marejados, embora eles não pudessem nem imaginar o motivo.
– Não se preocupem com nada – falei. – Divirtam-se enquanto podem, que a gente faz o mesmo.
De novo, o asfalto sem fim da estrada solitária, deslizando sob as rodas do carro. Mas agora tem uma diferença: desta vez nossas mãos estão juntas, e a gente se olha nos olhos, antecipando a alegria de poder ficar juntos de novo. Sem noites separados por quinze dias. Depois…
"Depois" ainda está longe.
Eu também tava ferrado. No último dia das férias do ano anterior, conheci uma loirinha gostosa de 19 anos, Estefania. Ela me disse que a família dela voltaria no verão seguinte pro mesmo camping, e eu já tinha planos de retomar — bom, na verdade começar — o que não deu tempo por falta de tempo. Claro que em 365 dias pode rolar muita coisa, talvez a alemãzinha (era de Villa Gral. Belgrano) a essa altura já tivesse um Otto ou um Franz e capaz que nem me desse bola.
Por um momento, passou pela minha cabeça pegar a barraca integral e ir no carro da família, imaginando que meu pai não teria problema em me emprestar, já tinha feito isso outras vezes. Depois, percebi que não podia deixar a Caro sozinha em casa. Mas a ideia de pedir o carro emprestado pro meu pai me trouxe outra:
— Pai, e... se você deixasse... olha... eu entendo que você e a mãe vão pro Brasil pela lua de mel que não tiveram. Mas isso não significa que eu e a Caro vamos ficar sem férias. E se eu te pedir pra emprestar o trailer pra mim e pra minha irmã?
Não tinha falado com a Caro, que me olhou com uma cara de dúvida. Depois pareceu pensar enquanto meu pai hesitava, e finalmente apoiou a ideia.
— A gente vai tomar muito cuidado, pai. Você sabe que o Carlos dirige bem, até já te substituiu várias vezes ao volante nas viagens longas...
— Mas é que vocês dois sozinhos, sei lá, me dá um pouco de medo... — hesitou nossa mãe.
— Mãe! Já não somos crianças. Tenho quase 21, a Caro 18, e não vai acontecer nada com a gente além de nos divertir pra caralho, juntos — falei.
— Sozinhos eles vão ficar em casa também — disse, virando pra minha mãe. — Tá bom, Carlos — aceitou meu pai com a voz grave dele. — Mas me promete que vai cuidar da sua irmã.
— Sabe que nem precisa falar isso, velho.
E assim ficou resolvido.
Chegou o dia 1º de janeiro. Meus pais tinham voado no dia anterior pro Brasil. A A casa rodante já estava pronta, estacionada na frente de casa. Eu e a Caro acordamos de madrugada pra tentar chegar o mais cedo possível, nos arrumamos e partimos viagem. A primeira viagem onde a gente ia ter que se virar sozinho e tomar nossas próprias decisões, porque papai e mamãe não iam estar lá pra fazer isso por nós.
Não tinha quase trânsito, e já estávamos há três horas na estrada. Ofereci pra Caro assumir o volante quando paramos pra tomar café no bar de um posto de gasolina, mas ela disse que aquela coisa enorme não tinha nada a ver com o Clio que ela usava pra ir pra faculdade, e que não se animava.
Nas outras vezes, a gente tinha viajado atrás, lendo ou ouvindo música, e a monotonia da estrada, que parecia não ter fim, já tava me pesando. Segurei um bocejo.
— Caro, fala comigo, que o sono tá batendo.
— Ué, não vai dormir, né… — ela me olhou com uma cara de susto.
— Acho que não, Caro. Mas a mesmice da estrada tá me matando. Além disso, você não abriu a boca desde que saímos.
Ela se virou na minha direção.
— Sabe, Carli? Tava pensando que é a primeira vez que vou viajar sem papai e mamãe.
— Mas também não vai sozinha.
— Não, mas me sinto… como é que eu vou te dizer? Sei lá, mais velha. Livre.
— Comigo é a mesma coisa — concordei. — Sou tipo o cabeça da pequena família que a gente forma, eu e você.
— Ah, vai nessa! — ela me deu um tapinha leve na coxa. — Quero ver se você realmente acredita nisso e não me larga nem pra tomar um sol…
Eu não tinha pensado nisso, com ela por perto, minhas chances com a Estefânia diminuíam. Mas as palavras dela me fizeram perceber que, até certo ponto, eu tinha a responsabilidade de cuidar dela. Mudei de assunto.
— Lembra da Estefânia?
— A alemã peituda e cheia de sardas?
— Hahahahaha! Pelo visto, lembra sim. Bom, do ponto de vista masculino, as sardas deixavam ela muito gostosa, e quanto ao resto… bem, pra mim não parecia que ela tinha os peitos tão grandes assim. Na medida certa, nem mais, nem menos. Olhei os da minha irmã, que com certeza usava um ou dois números de sutiã a menos, e entendi por que ela falava aquilo. Rivalidade feminina, mesmo eu sendo irmão dela. Ela percebeu e ficou vermelha quando me viu matutando.
— E você acha que vai encontrar ela de novo lá? — perguntou.
— Tomara que sim.
— Pelo menos trocaram uns e-mails nesses meses?
— Bom, a gente trocou alguns e-mails... E no Natal liguei pra ela. Mandei outro e-mail no Ano Novo, mas ela não respondeu.
— Isso quer dizer que, um: tem namorado ou amigo com direito a... — contava nos dedos enquanto falava — dois: planejaram as férias em outro lugar, ou três: talvez ela nem esteja nem aí pra você.
Isso me fez pensar em outra coisa.
— Caro. Mmmm, olha, já somos grandinhos, e... — não sabia como dizer —. Supõe que um dia eu peça pra você dar um passeio e não entrar na cabana enquanto a porta estiver fechada...
— Hahahahaha! Sem problemas, Carli — enquanto colocava a mão no meu ombro e piscava um olho —. E vice-versa, se um dia, tipo, eu disser que preciso de um pouco de privacidade, espero que você...
Não podia recusar, mas a ideia da Caro com um cara dentro do que ia ser nossa casa por quinze dias me desagradou. Provavelmente porque eu tinha entrado no papel de chefe de família provisório, guarda florestal, sei lá! — pensei.
Depois de montar o toldo e preparar tudo, demos uma volta pelo camping, a caminho do mercadinho que tinha nas próprias instalações. Mas a Estefânia e a família dela não estavam. Também a Caro não encontrou ninguém conhecido por lá.
Fomos pra praia, caminhando um pouco até achar um lugar, não solitário — isso era impossível —, mas onde a densidade de guarda-sóis por metro quadrado fosse menor.
A Caro estendeu a toalha e tirou o sutiã do biquíni, algo que eu já estava acostumado. Só que dessa vez lembrei da conversa sobre os peitos da Estefânia e fiquei olhando um pouco mais do que correspondia. Ela percebeu, tipo pela manhã. Fechou os olhos levemente corada e se deitou na toalha.
Comemos no restaurante do camping na beira da praia, e depois voltamos pro trailer. Caro se espreguiçou, bocejando exageradamente.
— Acho que vou tomar um banho pra tirar a areia, e depois vou tirar um cochilo. Tô morta de sono depois de acordar tão cedo.
Pegou uma toalha de banho e entrou no cubículo apertado que servia de banheiro, que tinha uma pia minúscula, um vaso químico e um chuveiro claustrofóbico fechado por uma divisória curva de plástico transparente. E só então, ao ouvir a parte de dormir, me toquei de uma coisa: nos verões anteriores, Caro e eu ocupávamos os dois beliches, enquanto nossos pais usavam a cama que se formava ao rebater a mesa da "sala de jantar". Dessa vez não tinha motivo pra nenhum de nós dormir no beliche desconfortável, e pensei que, logicamente, cederia ele pra minha irmã.
Enquanto ouvia o barulho do chuveiro, arrumei a cama. E quando ela saiu coberta pela toalha amarrada sobre os peitos, se deparou com a surpresa.
— Pensei que você não precisa dormir no beliche, já que papai e mamãe não estão...
— Você é um anjo — sorriu, enquanto me beijava a ponta do nariz —. Agora vira, que vou me trocar.
O som da toalha caindo no chão pode ser ensurdecedor? Normalmente não, mas garanto que é, se de repente você imagina a garota depois de deixá-la cair, e foi isso que aconteceu comigo. Afastei rapidamente a imagem da mente, irritado comigo mesmo porque o pensamento tinha me dado um princípio de ereção super inadequada.
— O que a gente faz esta tarde? — perguntei pra Caro quando a senti deitada.
Eu não tinha conseguido dormir. Depois de me revirar um pouco no beliche apertado, acabei saindo pra sentar debaixo do toldo com um livro. Isso fez o sono bater e voltei pra dentro, mas Não consegui mais que umas pestanejadas, menos de meia hora no total. E já estava com os olhos abertos há um tempinho quando achei que a Caro tinha acordado. Desci do beliche e puxei a cortina de separação.
Ela estava se espreguiçando feito uma gata. A regata tinha subido com o movimento, deixando à mostra uma boa parte da parte de baixo dos peitos dela. O shortinho do pijama estava amassado na virilha, e tinha entrado... Desviei o olhar rapidamente.
— Podemos dar uma volta pelo camping, hoje parece que tem baile, a ver se a gente vê alguém. Por que você não vai descobrir? — insinuou.
«E de quebra faço uma pergunta na Recepção — pensei.»
O camping onde a gente estava era um de cinco, todos bem pertinho. Três eram na beira da praia, em fila. Os outros dois ficavam mais pro interior, do outro lado da estrada. E toda noite, menos domingo e segunda, tinha baile em um deles. Igual a Caro, eu já não lembrava mais em qual era o baile de terça. Calcei um negócio e saí pra fora. Tava calor, mas as árvores perto faziam sombra no toldo, onde dava pra ficar mais fresquinho.
Dez minutos depois, descobri que era no camping Lara, à esquerda do nosso, olhando pro mar. E pra minha decepção, o senhor Kauffmann não tinha feito reserva. Adeus meus planos com a Estefania!
Quando voltei, minha irmã tava sentada no toldo com outras duas minas. Uma eu conhecia do ano passado, a Sofia. A outra não. Me apresentaram como Fede. A Sofia era uma gostosa, mas no ano passado não tive chance com ela porque tava com um tal de Maro, que não largava ela nem por um segundo. A Fede não era feia, mas nada a ver.
«Bom, já que não tem Estefania, qualquer Sofia ou até Fede já quebra o galho — pensei.»
Combinamos de nos encontrar às dez no bar, pra ir pro baile do Lara. Mas não íamos só nós quatro. Também iam o Mauro (adeus, Lola), o Andrés e o Lucio.
No começo, nem percebi. Do que tava rolando, e os olhares da Caro na minha direção me pareceram normais, porque aquele tal de Andrés, que tinha monopolizado ela desde o começo, é do tipo que não sabe conversar com uma mina sem botar a mão nela. E isso tava me dando uma sensação estranha, meio incômodo.
Mas quando minha irmã, com cara de tédio, tirou a mão do cara que já tinha quase chegado na virilha dela, percebi que não era um olhadinha qualquer, ela tava pedindo socorro. Levantei e fui pra cima deles.
— Cê tá passando dos limites, seu idiota. Deixa a Caro em paz.
— Vaza! Quem é esse? — perguntou pra minha irmã.
Caro levantou sem responder.
— Vamos pro camping, se não se importa, Carlos. Tá quente demais aqui — pediu Caro.
E ela tava sufocada, mas imaginei que não era só por causa da temperatura.
Voltamos pela praia, em vez de pegar a ruela do interior. Era lua nova, e a escuridão era quase total, quebrada só ao longe pelas luzes do nosso camping, quase a um quilômetro. Não corria nem uma brisa, a umidade devia estar perto dos 100%, e eu sentia rios de suor nas axilas, por baixo da camisa. Tirei ela.
— Invejo vocês. Cês podem tirar a camisa sem problema, e a gente, não — disse Caro.
— Não tira porque não quer. A noite tá escura como boca de lobo. E além disso, hoje de manhã cê tava de peitos de fora, então não vejo diferença.
— Tem razão — disse Caro, enquanto tirava a regata —. A questão é que tem coisas que os caras podem fazer e a gente não, tipo isso.
— Não são nem meia-noite — avisei, depois de olhar os ponteiros fosforescentes do meu relógio de mergulho —. Cedo demais pra dormir. Que tal sentarmos aqui um pouco?
Sentamos na areia, com os ombros quase se tocando. Ao longe, as luzes de navegação de um navio cortavam a escuridão do mar, que mandava ondas de uns meio metro, que na beira viravam quase de brinquedo, e vinham morrer a poucos passos de onde estávamos.
– Eu gostaria de tomar um banho – falei.
– De noite me dá um pouco de medo – respondeu Caro com voz temerosa –. Essa coisa de não ver o que tem embaixo… Além disso, não trouxemos nem shorts nem toalhas.
– A questão das toalhas é o de menos; com o calor que faz, a gente seca no ar. Quanto aos shorts… A roupa íntima é quase a mesma coisa. Não tem ninguém por perto, e além disso, não se vê um palmo na frente do nariz. Vai!, não seja boba.
Para dar o exemplo, tirei a calça, ficando vestido só com uma sunga vermelha mínima. Caro pensou por uns momentos. Depois se levantou e deixou a saia cair. Vislumbrei uma pequena mancha branca na frente dela, embora por trás não conseguisse ver nada além das bundas dela. Nunca antes tinha tido um pensamento ruim sobre minha irmã, mas naquela hora comecei a endurecer. Para cortar de vez minha confusão, peguei na mão dela e fui em direção à água.
– Não me solta, Carlis, tô com medo.
Mas não tivemos escolha a não ser nos separar, quando a água chegava perto do pescoço de Caro. Tinha como um degrau na areia do fundo que obviamente não dava pra ver, e perdemos o equilíbrio. Pra piorar, uma onda um pouco maior que as outras quebrou na nossa cara quando estávamos nos levantando. Quando consegui ficar de pé de novo, procurei Caro com o olhar. Estava a uns passos de mim, bem parada.
– Carloss…
– Foi só uma onda.
– Não é isso. É que… perdi a tanga.
– Espera um momento, e não sai daí – falei, enquanto me aproximava dela.
Mergulhei, tateando com as mãos ao redor dos pés da minha irmã, mas não encontrei nada. A água devia ter levado a tanga pra Deus sabe onde. Finalmente, desisti.
– Bom, pra todo mau tempo, boa cara – tentei fazer minha voz soar alegre, embora estivesse me excitando de novo com a ideia de Caro pelada do meu lado –. Você nunca sonhou em tomar banho no pelo?
– Tá de sacanagem. Claro, você Você tá de cueca...
Pensei nisso, mas só por dois segundos.
— Se é por isso… Também curto um pouco de nudismo — tirei a cueca e joguei na areia.
— Puts!, Carlis, que tesão…
— Não me diga que você não tá se sentindo bem.
— Tô, mas tava pensando na hora de sair…
— Bom, eu saio primeiro, e não olho enquanto você veste a saia. Embora, hehe, se eu olhasse, não ia ver muita coisa nessa escuridão. Mas enquanto isso, aproveita.
Ela pareceu relaxar. Digo isso porque respondeu às minhas respingadas tentando afundar minha cabeça. Brincamos na água como crianças. Eu a persegui e empurrei pelos ombros para baixo. Depois foi ela quem tentou fazer o mesmo comigo… Mas num certo momento, nossos corpos nus ficaram em contato por alguns segundos. Senti a dureza dos peitos dela nas minhas costas e a buceta dela colada na minha bunda, e uma onda de desejo pela minha irmã me invadiu, que tentei afastar, sem conseguir. Depois ficamos de pé, um de frente pro outro.
— Cê tava certa, isso é muito da hora — falou Caro com a voz meio estranha.
— Tomar banho, ou ficar pelada?
— Cê vai me fazer ficar com vergonha… Tomar banho pelada.
— Eu também nunca tinha tentado, e cê tem razão: é muito da hora.
— Carli, tô com um pouco de frio… — insinuou.
Saí até a faixa mais clara da areia. Achava que minha cueca devia estar por ali, mas não encontrei.
— Kkkkkkk! Ainda bem que tá escuro — riu Caro —. Cê deve ter uma imagem muito erótica curvado na cintura com a bunda pra… — cortou a frase antes de terminar, meio sem graça.
— Cadê a roupa? — perguntei.
Não via ela, e isso sim podia ser um problema. Dava pra ficar sem a roupa de baixo, mas não sem o resto.
— Procura você pela direita, eu vou pelo outro lado — sugeri —. Lembra que a gente tava tipo a um metro da água.
Por sorte, uns passos adiante, vi a mancha branca da minha camisa na areia escura.
— Caro! Não procura mais. Tá aqui. – Hahahahaha! – riu minha irmã enquanto se aproximava –. Imagina se a gente não encontrava.
– Ainda bem que você leva na brincadeira. Já tava me vendo, esperando sei lá até quando pra entrar no camping correndo pelado…
Sentei na areia. Tava muito à vontade pelado, e me custava aceitar a ideia de voltar. Além disso, cedo ou tarde, a gente secaria um pouco se esperasse um tempinho antes de se vestir de novo. Falei isso pra Caro, que sentou do meu lado.
– É assim que cuida da sua irmãzinha? – brincou –. Quando voltar pra casa, vou contar pro pai que você me tentou a ficar pelada em público.
Não respondi. Tava olhando pra Caro. Dava pra ver só o corpo dela até a cintura, mas daí pra baixo, e principalmente entre as coxas, era tudo escuridão. Felizmente. Porque acho que ela também não conseguia ver minha ereção enorme.
– Sabe, Caro? Se você quiser, a gente pode repetir a experiência outra noite, mas dessa vez deixando a roupa de baixo na areia.
Ouvimos umas vozes distantes. Caro se levantou rápido e foi até o monte das nossas roupas. Por um momento, consegui ver a faixa de pele mais clara, da parte que o biquíni escondia do sol. Nada demais, mas o suficiente pra minha ereção começar a pulsar.
Enquanto voltávamos pro camping, ela me pegou pelo braço. E eu ouvi a risada dela.
– O que te faz rir tanto? – perguntei.
– Tava pensando no que quem achar amanhã as nossas duas… peças íntimas vai imaginar.
De novo, o sono não vinha. De vez em quando, ouvia os rangidos leves da cama grande quando Caro mudava de posição, o que mostrava que ela também tava acordada.
Pensei que algo tinha mudado entre nós naquela noite, e que as coisas provavelmente nunca mais seriam as mesmas de agora em diante. Me recriminava pelo desejo que sentia por ela, e prometi a mim mesmo que nunca, em hipótese alguma, não só não tentaria satisfazê-lo, mas ela não perceberia nada.
– Você tá acordado, Carli?
– Tô sim, amor. O que foi?
– Nada, é que… não consigo dormir. Tava pensando que é injusto eu dormir aqui sempre, enquanto você fica naquela beliche tão desconfortável.
– Não se preocupa, já tô acostumado. Além disso, não vou deixar a gente trocar as camas, então, a não ser que a gente durma junto…
Me arrependi na hora. Falei sem pensar, como brincadeira, mas tinha criado um clima entre a gente que podia ser interpretado de outro jeito. Caro ficou em silêncio por um tempão.
– Boa noite, Carlos – murmurou, e a voz dela soava estranha.
Na manhã seguinte, decidimos fazer um passeio de bicicleta – as que ainda estavam amarradas no suporte na traseira da casa – pra qualquer lugar, sem rumo. Colocamos numa mochila um termo com quatro latas de bebida, biscoitos, picadinho e as toalhas, porque de qualquer jeito a gente sabia que mais cedo ou mais tarde ia dar um mergulho.
A manhã tava fresca, mas mesmo assim comecei a suar rápido por causa do exercício fora do comum. Uma hora depois, a estrada começou a se afastar da costa, e a gente parou pra decidir. Tinha um caminho que ia em direção ao mar, ainda perto, e resolvemos segui-lo, até que terminou numa clareira pequena, além da qual o terreno despencava num penhasco rochoso de uns cinquenta metros de altura. Tinha um carro estacionado um pouco mais adiante, na sombra de uns pinheiros, o que indicava que tinha alguém por perto. E como não vi ninguém, imaginei que deviam estar lá embaixo. Espiei com todo cuidado. Dava pra ver uma faixinha de areia, mas nada mais.
– Parece que tá vazio. Que tal a gente procurar um lugar pra descer? – sugeri.
Uns metros adiante, a gente viu o começo do caminho perigoso que ziguezagueava entre as pedras, e seguimos ele. Só faltava pouco pra chegar na areia dourada, quando ao virar uma curva avistamos duas figuras, homem e mulher, deitados ao sol em cima de toalhas numa ponta. Pelados. Caro apertou meu braço com apreensão.
– Carlos, a gente não devia…
Naquele momento o homem, que tinha ouvido nossas vozes ou o barulho das pedrinhas que a gente deslocava descendo, levantou a cabeça, nos deu uma olhada, e voltou a se deitar.
– Olha, acho que eles não tão nem aí, porque senão teriam se coberto.
– Mas é que a ideia de ter duas pessoas peladas a dois passos não me deixa tranquila – protestou Caro em voz baixa.
– Tem espaço suficiente, boba. A gente vai pra outra ponta, e pronto.
Foi o que fizemos. Colocamos a mochila na sombra junto com a nossa roupa, por baixo da qual a gente tinha tido a precaução de levar os shorts, e sentamos na beira do mar, de costas pros nudistas. Passou um tempo, enquanto a gente tomava sol deitado de barriga pra cima, em silêncio.
Não ouvimos ela até que estivesse bem perto, e o rangido dos passos dela na areia nos alertou. Era a mulher, que vinha na nossa direção completamente pelada, com a tranquilidade que o costume dá. Não era uma beleza, mas também não era feia. Meio gordinha, com um corpo muito gostoso. As coxas um pouco grossas pro meu gosto, embora claro, eu gostasse das da Caro, e peitos grandes meio caídos. Desviei o olhar da buceta dela depilada, exceto por uma linha de pelo escuro que sumia entre as coxas.
– Oi – disse ela alegremente, mostrando um maço de cigarros –, vocês não têm fogo, não?
– Não, desculpa, nenhum de nós dois fuma – respondi tentando olhar só pro rosto dela.
– Espera, Carlos, acho que num bolso lateral da mochila…
Ela remexeu um pouco, e voltou com uma carteirinha de fósforos, que deu pra mulher.
– Pode ficar com ela.
– Muito obrigada – respondeu ela, enquanto começava a voltar.
Fiquei olhando as bundonas dela balançando no ritmo dos passos. E a escuridão entre as pernas dela… Desviei o olhar rapidamente, com o pau começando a endurecer.
—Tô com inveja —disse Caro, num tom baixinho—. Se eu tivesse coragem…
—Você não faz porque não quer. Olha, um pouco mais pra lá tem uma pedra, e se você se jogar atrás antes de tirar o biquíni, ninguém te vê.
Ela me lançou um olhar desconfiado, que eu entendi na hora.
—Eu não vou sair daqui, fica tranquila.
Ela sumiu atrás da pedra, com a toalha na mão. Eu me deitei no sol, sem me importar — agora que Caro não tava do meu lado — que meu pau duro tava marcando na sunga. Não era só por causa da visão da mulher pelada; eu tava tentando desesperadamente não pensar no outro corpo feminino sem roupa, atrás da pedra que escondia ele de mim.
—Até logo e valeu! —gritou uma voz lá longe.
Me virei e acenei pras duas figuras que começavam a subir o caminho. Deviam ter deixado a roupa no carro, porque a única coisa de pano que dava pra ver era a toalha que elas levavam na mão. Quando sumiram lá em cima, me deu vontade de tirar a sunga. Caro ia demorar mais um pouco, não tinha mais ninguém, e…
Tirei a roupa e me deitei de novo, pensando em ficar assim só uns dez minutos, no máximo quinze. Mas acabei dormindo.
Acordei com a voz da minha irmã.
—Carli, você tá…
Me sentei assustado. Ela tava parada na minha frente, só de fio dental do biquíni, com o rosto vermelho e o olhar fixo no penhasco, evitando me encarar.
—Desculpa, amor —me desculpei, procurando minha sunga—. É que eu era o único vestido aqui, e me deu vontade. Quanto tempo eu dormi?
—Pouco —ela explicou, sentando do meu lado.
—E aí, como foi sua primeira vez como nudista?
—Cala a boca, eu não parava de olhar pra todo lado, com medo de alguém me ver.
—Mas Caro!, eu teria te avisado…
—Como? Você tava largado que nem um urso. Além disso, lá de cima do caminho dá pra ver a praia inteira.
—Inteira não. Lembra que não vimos o casal até que não descemos muito.
– É a mesma coisa. Não foi uma experiência ruim, mas não vou me despir de novo.
– Ha! Eu talvez sim, depois de comer – brinquei.
– Te cedo o lugar, embora já estivesse começando a fazer sombra.
– Não vou te deixar aqui sozinha – continuei, pra provocar ela.
Ela me olhou meio emburrada, mas não respondeu.
Depois de comer e de guardar tudo, ela se virou pra mim com o olhar baixo.
– Você falou sério sobre se despir?
– Claro – respondi, tentando disfarçar na voz que estava zoando.
Mas ela acreditou que eu falava sério, e se virou de leve, me dando as costas. E aí o capeta me tentou. Afinal, ela já tinha me visto pelado. Tirei a sunga e me deitei. Felizmente, meu pau ficou disciplinadamente de boa.
– O que a gente vai fazer hoje à noite? – perguntou ela –. Depois do que rolou ontem, não tô nem a fim de ir com os caras de novo, senão o Andrés e você vão acabar se pegando.
– Esqueci de te contar ontem. Me desculpa, é que no começo achei que não te incomodava, que até ia me pedir pra demorar um pouco pra ir até a casinha…
Ela se virou na minha direção sem lembrar, e depois se virou rapidinho, toda corada. Mas entre um movimento e outro, percebi que ela tinha dado uma boa olhada no meu pacote.
– Você é um bobo. Não, na verdade, o cara me era desagradável. Ele tem cara de quem se acha.
Ela baixou a voz.
– Cali, você promete não olhar?
O arrepio começou no meu peito e foi até o saco, que ficou tenso.
– Fica tranquila, amor, pode tirar a roupa.
As roupas dela fizeram um arco até cair do lado do resto das nossas coisas. Ela deve ter se deitado na toalha dela, a menos de meio metro da minha, embora eu tenha resistido bravamente à vontade de virar a cabeça.
– Não tem nada que nos impeça de ir ao baile só nós dois. E se a gente trombar com eles, você também não precisa deixar o polvo do Andrés te pegar igual ontem. Além disso, hoje vou ficar mais de olho.
–Você tem razão – concordou.
Ficamos em silêncio por um bom tempo. Eu já estava sentindo o que os hambúrgueres devem sentir na frigideira. Tava com vontade de tomar um banho, mas…
–Caro, vou entrar na água – avisei.
Tarde demais, percebi que a tanga dela e minha sunga estavam a uns dois metros de nós. Aí pensei que ela já tinha me visto pelado, e que, no fim das contas… Levantei, tentando não olhar na direção dela. A água estava deliciosa, mas era um saco ter que me segurar pra não desviar o olhar pra praia.
«Foda-se – pensei –. Além disso, não sei por que a Caro pode me ver pelado e eu não posso ver ela.»
Me virei. A Caro vinha andando na minha direção, meio corada mas decidida. Pelada. Entrou na água rápido, até cobrir o triângulo de pelos curtos do púbis.
–É uma bobagem, depois de termos nadado pelados ontem à noite, né?
Bom, se ela queria se justificar… Tinha uma "pequena" diferença: no dia anterior a gente tava no escuro, e agora a luz crua do sol tinha me deixado admirar o corpo gostoso dela. Com um arrepio novo, pensei que, se não fosse a Caro, mas outra, eu faria de tudo pra transar com ela. Mas era minha irmã, e isso mudava tudo. Mesmo que minha ereção começando a aparecer mostrasse que meus instintos não tavam alinhados com minhas reservas.
–Vou te desafiar até a pedra – gritou, enquanto mergulhava de cabeça na água.
E ao fazer isso, tive por dois segundos um vislumbre da fenda fechada da buceta dela, mais abaixo das bundinhas redondas. Segui ela. Alcancei uns segundos depois, e peguei um dos tornozelos dela, fazendo ela afundar. Ela emergiu rindo, e depois ficou de pé, escorrendo os cabelos. Os peitos dela se ergueram quando ela fez isso, e a água cristalina me deixou ver a sombra escura dos pelos pubianos. Pensei que era a imagem mais linda que já tinha visto. Ela mostrou a língua pra mim.
–O que você tá olhando?
–Tava pensando que você é uma mulher linda.
–Você também não é feio. — respondeu, baixando o olhar.
—Vamos, foda-se a revanche —ofereci.
Era uma desculpa pra quebrar o circuito elétrico que se formou entre nós dois, percebi, e que tinha me deixado arrepiado. Comecei a nadar na direção oposta, mas um pouco mais devagar do que eu conseguia. E, de fato, ela me alcançou e, como eu fiz antes, segurou uma das minhas panturrilhas. Mais pra evitar dar um chute na cara dela, me deixei submergir. Com os olhos abertos, contemplei o corpo dela da cintura pra baixo, distorcido pela água, e a câimbra voltou, subindo pelos meus testículos, fazendo meu pau começar a endurecer. Não pensei, senão não teria feito. Agarrei os quadris dela e empurrei. O que não calculei é que ela ia jogar os braços no meu pescoço, e que nossos corpos nus iam se encostar enquanto afundávamos juntos.
E emergimos juntos, praticamente abraçados. Nos olhamos intensamente por alguns segundos, em completo silêncio, e então a sanidade voltou a mim, e me afastei dela.
—Acho que a gente devia pensar em voltar antes que escureça —minha voz estava rouca, eu percebia.
Seguimos em direção à areia em silêncio. Mas, enquanto nos vestíamos, pude perceber algo: ela se mostrava nua na minha frente com a mesma naturalidade que teria se fosse algo comum entre nós.
Felizmente, não vimos ninguém do grupo da noite anterior. Dançamos algumas vezes e conversamos muito. Nunca antes tivemos a chance de ter longas conversas só nós dois, e eu me sentia nas nuvens, vendo como hipnotizado os lábios dela se moverem enquanto falava. Sentindo o perfume dela. E me olhando nos olhos dela, da mesma cor que os meus.
O clima não estava muito animado. Uns casais, alguns com crianças correndo pra todo lado. Um grupinho de garotos e garotas mais ou menos da nossa idade, e mais ninguém.
—Que tal a gente ir embora? —sugeri.
—Ia te pedir a mesma coisa agora momento.
–Talvez se não estivéssemos sozinhos…
Ela me olhou intensamente.
–Sabe? É justamente com você que me sinto mais à vontade, sem mais ninguém. –Ela corou e baixou o olhar.
–Eu também prefiro sua companhia –falei com a garganta seca.
De novo, a escuridão do passeio pela praia, desta vez do outro lado do nosso camping. E como no dia anterior, não havia uma alma por perto. Começamos a falar os dois ao mesmo tempo:
–Carlos…
–Caro…
Caímos na risada.
–Você primeiro –disse ela.
–Tava pensando em como foi gostoso o banho de ontem à noite.
–Hahahahaha!, ia te propor a mesma coisa. Só que hoje vou tentar não perder a fio dental…
Nós nos despimos completamente, e lamentei que a escuridão me roubasse a visão do corpo dela. Depois fomos para o mar, de mãos dadas. Não teve brincadeiras, e nenhum de nós parecia querer quebrar o encanto. De frente um para o outro, mas separados, com a água na cintura, tentava distinguir nos olhos dela algo mais que um brilhinho, reflexo das luzes do camping distante.
Não fiz conscientemente, mas quando penso nisso, acho que a Caro percorreu metade do caminho. Nossas bocas se encontraram, e era uma verdadeira delícia o toque dos lábios dela nos meus, e o das mãos dela nas minhas costas, acariciando em círculos. E as minhas em volta da cintura dela, apertando o corpo nu dela contra o meu. Me afastei…
–Caro, acho melhor a gente ir.
Mas enquanto vestíamos a roupa sobre a pele pingando, e depois, enquanto caminhávamos de mãos dadas pela areia, pensei que em alguns minutos estaríamos juntos na intimidade dentro do trailer. E que não podíamos continuar o que havíamos começado, de jeito nenhum.
–Desculpa, Caro. Sério, não sei o que deu em mim.
–"Deu" na gente –ela corrigiu num sussurro.
Nós nos despimos em silêncio com as luzes apagadas. Nenhum de nós sentiu necessidade de esconder o olhar do corpo do outro. O brilho da iluminação filtrada pelas árvores e as cortinas fechadas permitia ver mais do que alguns minutos antes, na praia, mas era bem menos do que no começo da tarde, quando a gente tinha se mostrado um pro outro completamente pelados.
— Vou tomar um banho — ela disse baixinho —. Tô cheia de areia, mas se quiser, cedo o lugar pra você.
— Não, entra você.
Ela acendeu a luz antes de entrar no chuveiro, e aí sim, eu tive um vislumbre do corpo gostoso dela, antes que desaparecesse lá dentro. Esperei de pé, até que ela saiu secando o cabelo com uma toalha. E aquilo era toda a roupa dela. A luz do chuveiro tinha ficado acesa atrás dela, mas embora a parte da frente estivesse na sombra, ainda dava pra distinguir o triângulo escuro entre as pernas dela. Fui rapidinho pro banho.
A água fria acalmou minha tesão e me fez cair na real. Dormiria numa rede, lá fora, com a parede de metal do veículo servindo de barreira entre ela e eu. Porque se de novo, como na noite anterior, eu sentisse ela se mexer na cama e imaginasse o corpo dela coberto só pelas roupinhas de dormir, não tava nada seguro de conseguir segurar meus instintos, que me empurravam a fazer algo que eu não podia de jeito nenhum me permitir.
Mas toda a minha decisão foi pro saco quando saí do banheiro pequeno. Caro tava de pé, completamente pelada, perto da cama de casal. Esperando.
Uma onda de sentimentos impossível de conter tomou conta de mim. Peguei ela nos meus braços, enquanto ela soluçava baixinho. E juntei minhas lágrimas às dela, porque sabia que o que a gente tava fazendo era algo condenável. Mas ao mesmo tempo, o prazer de sentir o amor da minha irmã, que ela tava me entregando sem reservas, apertava meu peito. Nunca antes tinha sentido algo parecido com nenhuma outra mina. As outras vezes foi pura tesão, desejo físico, nada mais. Mas dessa vez tinha algo mais poderoso, uma exaltação sem limites, a necessidade de me fundir. Com ela, de dar tudo de si… Tinha amor –pensei, atordoado–. Amor como nunca tinha conhecido. Amor desesperado, porque na sua satisfação estava também o início do seu fim necessário. Ainda tentei resistir.
–Caro, não devo…
–Sssssst, Carlis, não diz nada –murmurou com a boca colada no meu ouvido.
Provei os lábios dela molhados de lágrimas salgadas nos meus. Minha língua experimentou o néctar do interior da boca dela, enquanto minhas mãos acariciavam suavemente a bunda dela. As dela estavam agarradas nas minhas costas, e minha ereção apertada contra a barriga dela.
E então, quando ela se deitou na cama e estendeu os braços me chamando, provei o gosto dos mamilos dela na minha língua. Meus beijos no buraquinho do umbigo dela e na leve curva da barriga fizeram ela tremer toda. O cheiro limpo da buceta dela no meu nariz, antes do gosto inundar minha boca, me levou além de qualquer chance de voltar atrás. Ouvi os gemidos excitados dela quando peguei o clitóris dela entre meus lábios, e vi os vai e vem da pelve dela, que ficaram cada vez mais evidentes até que finalmente ela se entregou ao orgasmo.
Depois, enquanto sentia a respiração acelerada dela e o barulho louco do coração no meu ouvido pressionado contra os peitos dela, tive um momento de lucidez. Quis me levantar e fugir dali antes de consumar de vez nossa união incestuosa, mas fiquei como paralisado. E tudo isso foi esquecido quando os dedos dela se enroscaram no meu cabelo, e ela sussurrou:
–Me come, Carlos. Preciso de você mais que tudo nesse mundo.
As dúvidas desapareceram como num passe de mágica. A buceta dela estava molhada e pronta. Minha cabeça do pau apareceu e encontrou o caminho pra dentro como se não fosse a primeira vez, e entrou até o fundo. E nossos corpos abraçados se moveram cadenciados no ritmo antigo como a vida e sempre renovado do ato de amar. Aos poucos, os movimentos foram ficando espasmódicos nos dois. Já não tinha ritmo, só uma pélvis que vinha ao encontro do outro, como se quisesse se fundir nele. Meu pau pulsava dentro dela, apertado dentro do estojo macio e ardente que o prendia, como se não quisesse deixar ele sair.
E nossos gemidos mal abafados se misturaram nas bocas unidas, enquanto sentia como se fôssemos um em dois corpos; o orgasmo dela foi o meu próprio, e pareceu que o tempo parava. Por uns instantes fomos um único ser, que se elevava ao mais alto, ao topo do prazer mais intenso.
Depois, enquanto eu acariciava com carinho as bochechas dela, deitados de lado, frente a frente, e bem abraçados, sabia que precisava dizer algo, mas não queria de jeito nenhum quebrar o encanto. Ela fez isso:
– Carlos… sabe que nunca antes tinha tido um orgasmo?
Fiquei chocado.
– Não me diga que era virgem.
– Era, mas não me importa. Não poderia ter me entregado pela primeira vez a ninguém melhor que você.
– Mas se eu não… quero dizer, não percebi. Me desculpa, amor, se soubesse teria te tratado com mais cuidado.
– …ou teria evitado me dar o melhor que já tive. Porque senti seu amor como uma brasa penetrando em todos os meus poros.
– E eu o seu queimando por dentro.
Naquele momento, só estava arrependido e triste por uma coisa.
– Te machuquei?
– Me fez feliz – murmurou, antes de me beijar apaixonadamente, enquanto a mão dela na minha nuca me puxava para perto.
Pouco depois, dormimos, bem abraçados.
E no dia seguinte, ao acordar, quando vi os pequenos vestígios de sangue nos lençóis e na parte interna das coxas dela, misturados na minha porra, tentei me afastar, mas ela não deixou. Sei que deve ter doído, mas ela mesma pegou meu pau e o forçou a voltar pra dentro do corpo dela. E de novo a exaltação, o imenso prazer em cada centímetro da pele em contato com a outra pele… E subir de novo ao topo, num clímax que durou muito pouco pra necessidade que Cada um de nós sentia.
Depois, lavei o corpo dela com cuidado, sem nos importar que a água alagasse o chão do banheiro pequeno, enquanto dava beijos suaves nos lábios dela e falava bem baixinho o que sentia por ela.
Os dias passaram como um suspiro. Ainda conseguimos nos amar uma vez ao ar livre na praia, naquele dia deserta. Mas depois nunca mais a encontramos vazia. Tivemos que nos contentar com as noites na nossa casa sobre rodas e os beijos noturnos na água calma. E uma noite eu a peguei no lugar onde a lisura da areia molhada virava ondas de espuma quando uma onda batia. E nossos gritos ardentes se misturaram ao barulho das ondas quebrando nos nossos pés.
E inevitavelmente chegou o dia da nossa partida. Ninguém falou por muito tempo. Só de vez em quando nossos olhos se encontravam, e a gente tentava animar o outro com um sorriso triste.
– O que a gente vai fazer agora? – ela perguntou num momento, com a voz embargada pelas lágrimas.
– Não sei, amor. Sei que vão vir noites em que a gente vai morder o travesseiro de tesão, sentindo o outro tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Depois, com certeza você vai encontrar um homem que…
Ela me cortou na hora.
– Nunca, me escuta Carlos, nunca, vou conseguir me entregar pra outro.
– Mas é que o nosso não tem futuro. Nada me faria mais feliz do que fugir pra longe de todo mundo com você. Me bastaria ter você, não ia querer mais nada. Mas a sociedade não vai deixar. E nossos pais iam morrer de desgosto se descobrissem.
Ela ficou soluçando por um bom tempo, até que pegou no sono, com a cabeça apoiada no meu ombro.
Ainda na casa dos nossos pais, tivemos mais uma noite só nossa, a última, no meu quarto. Não dormimos em nenhum momento, ninguém queria perder nem um segundo sequer do que podia ser a última vez que estávamos juntos. Nos amamos apaixonadamente, com o desespero de um condenado à morte. E depois ficamos abraçados até chegar a manhã. E com ela, nossos pais.
Dizem que o tempo cura tudo. Não é verdade, Caro e eu podemos confirmar isso.
Vieram dias terríveis, noites em que, como eu havia previsto, quase sentíamos a presença física um do outro, insones, muito perto, mas inalcançáveis. Dias em que eu precisava conter a vontade de abraçá-la, mesmo quando não estávamos sozinhos.
Nos fins de semana em que meus pais saíam com os amigos, Caro e eu saíamos separados, antes deles. Esperávamos um tempo num café, longe de casa. E depois voltávamos rápido, e nos entregávamos um ao outro com a ansiedade de muitas noites solitárias, sempre com medo de sermos pegos. Mas não tinha amanhecer com ela nos meus braços; tínhamos que nos separar cedo demais.
Teve até um fim de semana em que os estudos foram a desculpa para não acompanharmos nossos pais numa viagem turística de dois dias. E aquelas noites foram como um bálsamo que acalmou nossa febre, mas sem curar a doença que a causava.
Se nossos pais perceberam que agora sempre nos encontravam nas nossas camas quando voltavam, ou que nunca mais apareceu um cara para buscar minha irmã, eles não disseram nada. Teve perguntas, principalmente para Caro, se ela estava saindo com alguém especial. Mas eles se contentaram com a explicação da minha irmã, de que preferia se divertir enquanto era jovem, antes de se prender a alguém.
Eu disse que o tempo não cura nada. Mas ele passa mais rápido do que parece. Chegou o verão seguinte, e uma noite, durante o jantar, meu pai me olhou com um ar especulativo.
— Carlos, sua mãe e eu decidimos repetir a viagem do ano passado, mas para um lugar diferente. Fico pensando…
— Vocês se importariam de repetir as férias sozinhos, como no verão passado? — minha mãe interrompeu com a voz pesarosa — Vocês já me disseram que se divertiram muito, com as gurias e os caras da praia, e é até melhor que a gente, os velhos, não esteja por perto. atrapalhar eles.
– Eles não são velhos, mãe. São os melhores pais que alguém pode ter – respondeu minha irmã com os olhos marejados, embora eles não pudessem nem imaginar o motivo.
– Não se preocupem com nada – falei. – Divirtam-se enquanto podem, que a gente faz o mesmo.
De novo, o asfalto sem fim da estrada solitária, deslizando sob as rodas do carro. Mas agora tem uma diferença: desta vez nossas mãos estão juntas, e a gente se olha nos olhos, antecipando a alegria de poder ficar juntos de novo. Sem noites separados por quinze dias. Depois…
"Depois" ainda está longe.
22 comentários - En la playa...
quien puede decir que este relato es enfermo, nadie. es muy poetico, realmente me encanto la forma con la que redactaste este cuento. lo demas es pura basura... no le des pelota. van haber personas que digannn uhhh estan enfermos...
lo tuyo fue poesia.
lo hisiste muy largo
por favor le pido que me contesten.
atte
patricioberutti