Me chamo Carlos. Tenho vinte anos e estou no meu segundo ano da faculdade de Administração e Direção de Empresas. Vou pra faculdade com dois amigos que conheço desde o colégio, Cristian e Marcos. Nenhum de nós tinha muita certeza do que fazer com a vida, então entre os três escolhemos esse curso, já que era um pra qual nossa nota dava, parecia ter saídas profissionais decentes e, principalmente, queríamos viver a vida universitária os três juntos. Com o Cristian sempre tive mais cumplicidade. Temos personalidades parecidas, mas, embora eu não me considere tímido, posso ser mais calado ou reservado, então o Cristian sempre me ajudou muitas vezes me dando um empurrão. O Marcos sempre foi um cara gente boa, mas sempre foi um pouco mais por conta própria. Por exemplo, quando saíamos pra festa, era o primeiro que se separava do grupo em busca de alguma mina em vez de passar mais tempo entre a gente. Nossos planos de parceria universitária mudaram quando conhecemos a Nerea e a Silvia. Elas tinham virado amigas na universidade e sentavam juntas em toda aula. Como o Marcos faltava várias vezes, seja porque no dia anterior tinha ido pra festa ou simplesmente porque não tava a fim de ir, o Cristian e eu começamos a sentar com elas pra dar umas flertadas. No fim, uma coisa foi levando a outra e os quatro acabamos tendo um relacionamento, com o Cristian saindo com a Silvia e eu com a Nerea. A Silvia era parecida com o Cristian. Era mais direta, mais atirada, mais de falar o que pensava sem filtro. Eles se provocavam, discutiam de brincadeira e desde o começo dava pra ver que estavam a fim um do outro. A Nerea, por outro lado, parecia mais tímida. No começo quase não falava. Respondia com monossílabos e sorrisos curtos. Mas quando você a conhece, quando consegue fazer ela se soltar, é muito divertida e com uma personalidade que você não espera. As duas são muito gostosas além disso, cada uma do seu jeito. A Silvia é morena e mais magrinha, enquanto a Nerea é loira e tem mais peito desenvolvido. Obviamente, na universidade a gente passava o tempo todo junto. Aulas, intervalos, sessões de estudo na biblioteca, comer no refeitório… Às vezes o Marcos se juntava a gente, pra quem não parecia importar que a gente tivesse arrumado namoradas. Na verdade, parecia se divertir pra caralho provocando elas pra ver como reagiam. Elas não gostavam muito do Marcos. Achavam que ele não levava nada a sério, que era o típico hétero básico que só pensava em futebol, festa e sexo. Mas toleravam ele por carinho a gente. Alguma vez, na intimidade, elas tinham admitido que ele era gostoso, mas que era tão idiota que jamais apresentariam ele a uma amiga. Passou um ano e todos avançamos pro segundo, até o Marcos, que apesar de tudo quando se dedicava dava conta das coisas. Podia passar o curso inteiro sem abrir um livro e depois revisar os apontamentos pra passar em quase tudo. Nossos relacionamentos continuaram iguais, só que cada vez mais sérios. Tudo mudou no dia que um professor decidiu mandar pra turma toda um trabalho onde a gente devia simular uma empresa, que podia ser feito sozinho ou em grupos de até cinco pessoas. Obviamente, os dois casais se juntaram formando um grupo de quatro, mas o Cristian e eu estávamos preocupados com o Marcos. Passar em provas de última hora ele conseguia, mas um trabalho desse tipo? Nem fodendo, e se ele levasse um zero, tirar o crédito da matéria podia ficar muito difícil. Como amigos dele, a gente teve pena e propôs pras meninas que ele se juntasse a gente. -Sério?- Perguntou a Silvia revirando os olhos. -Ele tá perdido. Não tem grupo. Ele me falou ontem quando a gente ia pra casa- Disse o Cristian querendo dar pena. -Por alguma razão será- Respondeu a Silvia-. Ninguém quer ele. -Ele é nosso amigo- Intervim já que não gostei de ouvir ela dizer isso de que ninguém queria ele-. -Ele é um vagabundo- Disse a Silvia-. Não vai trazer nenhuma ideia, a parte dele vai fazer de qualquer jeito e vai baixar nossa nota. Vocês estão pedindo pra gente Vamos dar a pior nota pra que aquele cabeça de vento possa passar.
Silvia bufou e olhou pra Nerea.
-O que você acha?
Nerea deu de ombros.
-Não gosto dele. Mas também não desgosto. É o Marcos. A gente conhece ele há dois anos. Sabemos como ele é. Se a gente falar que ele tem que trabalhar, vai que ele faz.
-É, sei- disse Silvia.
-A gente vai deixar claro que dessa vez é importante- disse Cristian-. Ou trabalha, ou fica de fora.
Silvia pensou um momento. Depois olhou pra Nerea, que assentiu. Era alguém que se sentiria culpado demais deixando alguém na mão. Silvia só suspirou.
-Tá. Mas se ele não fizer nada, não vou me cortar. E vou te responsabilizar- disse apontando pro namorado.
Então quando Marcos chegou na aula, Cristian e eu chegamos perto e propusemos.
-Trabalhar em grupo? Com vocês quatro? Os dois casalzinhos?
-É- disse Cristian-. Mas você tem que trabalhar. Sério, tô arriscando meu pescoço por você.
-Literalmente- continuei-. Eu tô de boa, mesmo se a gente reprovar acho que a Nerea gostou que eu defenda assim um amigo.
-Ha, engraçadinho. Bom, o que você diz?- perguntou Cristian pro Marcos.
-Relaxa, mano. Você sabe que quando eu quero eu consigo. Agradeço de verdade, não vou deixar vocês na mão.
O projeto se desenvolveu surpreendentemente bem. Marcos foi, como era de se esperar, o mais errático de todos, mas cumpriu a promessa de se esforçar e de vez em quando até oferecia boas ideias, então as meninas não puderam reclamar de nada. A apresentação ia ser numa segunda e pra sexta a gente tinha tudo pronto, mas mesmo assim a gente marcou pra revisar se tava tudo certo. A reunião aconteceu na casa do Cristian na sexta à tarde. Os pais dele iam pra um casamento e não voltariam até o dia seguinte ao meio-dia, então a gente tinha a casa só pra gente. Por volta das 8 da noite a gente tinha tudo preparado, então recolhemos tudo e começamos a pegar umas cervejas e pedimos umas pizzas pra comemorar. A noite foi se esticando e Começamos a tirar jogos de tabuleiro enquanto o álcool passou de cerveja pra umas paradas mais fortes do mini bar do pai do Cristian. Em um dado momento, a Silvia levantou pra ir no banheiro. Demorou um pouco, mas quando voltou, tava com um sorriso estranho. Era como se ela tivesse segurando o riso. Sentou no sofá do lado do Cristian.
- Que foi? - perguntou o Cristian.
- Nada - disse a Silvia, mas riu.
O Marcos, que voltava da cozinha, anunciou que não tinha mais gelo e que ia descer pra comprar mais.
- Ei, a gente não vai passar a noite toda bebendo - eu disse.
- Cara, mas um último drink tem que rolar. Sei que vocês tão doidos pra se pegarem, mas eu me esforcei pra caralho, deixa eu comemorar.
- Vai logo, então - respondi. Na real, eu tava me divertindo pra caralho e não tinha necessidade nenhuma de a noite acabar.
Quando o Marcos saiu, a Silvia riu de novo, mais alto.
- Bom, o que tá acontecendo? - insistiu a Nerea.
- Achei uma coisa no banheiro. No armário de cima. Um frasco.
- Que frasco? - perguntou o Cristian.
- Viagra. Do seu pai.
O Cristian ficou vermelho como um tomate.
- Porra, Silvia.
- Não tava xeretando! - ela se defendeu rindo -. Só vi enquanto lavava as mãos.
A Nerea e eu rimos também.
- Não acredito nisso - protestou o Cristian.
- Ei, não tem problema - disse a Silvia -. É normal. Seu pai tem uma idade, mas tem que continuar dando conta da sua mãe, ha, ha, ha.
- Silvia, pelo amor de Deus.
- Tá, tá. - A Silvia levantou as mãos -. Mas... me surgiu uma ideia.
- Não - disse o Cristian.
- Você nem sabe o que eu vou falar.
- Não quero saber.
- É uma brincadeira. Uma brincadeira inofensiva.
Eu me interessei.
- Que tipo de brincadeira?
A Silvia sorriu.
- E se a gente colocar uma no drink do Marcos?
- Você tá louca? - disse o Cristian.
- É uma brincadeira. Só um comprimido. Vamos ver o que acontece.
- Não sei, mano - disse a Nerea -. Isso pode ser perigoso. A gente tá bebendo álcool e...
- Não é perigoso. É viagra. Você acha que os caras que tomam um não encheram a cara de vinte doses antes? O Marcos é um moleque jovem, ele... pode aguentar bem
-Não sei, Silvia. Não gosto dessas brincadeiras cruéis- Respondeu Nerea.
-Não é cruel. É uma brincadeira normal e comum. Você acha que o Marcos vai ficar bravo por ter uma ereção? Quantas vezes ele já nos sacaneou?
Nós quatro ficamos em silêncio analisando a situação. Para mim, parecia uma ideia interessante, e eu me perguntava como o Marcos reagiria quando visse que de repente começasse a ficar de pau duro. Vendo que ninguém dizia nada, Silvia reagiu.
-Vou pegar o frasco.
-¡Silvia!- Gritou Cristian.
Mas ela não ouviu e voltou com um comprimido na mão. Cristian suspirou.
-Tá bom. Mas se a gente tiver que ir pro pronto-socorro, vamos todos depor contra você.
-Não vai acontecer nada com ele.
Nerea olhou pra mim e, ao ver que eu não tinha muita cara de oposição, aceitou.
Marcos voltou uns minutos depois com o gelo.
-Quem quer outro?- Disse enquanto colocava gelo no copo.
-Eu- Disse Silvia-. Mas eu mesma preparo, que você sempre faz muito forte.
-Como quiser.
Marcos colocou uns gelos no copo de Silvia e ela começou a se servir de rum.
-Me dá seu copo que eu coloco pra você- Disse ela pro Marcos.
-Toma, mas pra mim põe um dedo a mais.
Silvia começou a colocar o rum no copo do Marcos e em seguida terminou de encher os dois copos com Booty. Aproveitando que Marcos desviou o olhar por um instante, jogou o comprimido de viagra que tinha na mão no copo dele.
-Toma.
-Valeu.
Marcos pegou o copo e bebeu. Um gole longo. Depois deixou na mesa e se recostou no sofá.
-Vamos, continuamos jogando- Disse Cristian enquanto ele também preparava um drinque com gim.
-Isso, vamos- Acrescentei eu.
Começamos uma partida de trivial de meninos contra meninas, mas nenhum de nós quatro prestava atenção no jogo e todos olhávamos o Marcos de rabo de olho. Sinceramente, eu tinha minhas dúvidas de que ele fosse engolir o comprimido porque achei que ele ia notar na hora que entrasse na boca. Ia perguntar o que era aquilo, a gente ia admitir tudo e rir, mas até aquele momento ele não tinha dito nada, então Continuávamos esperando sem saber quando e se faria efeito nele. Devem ter passado uns 15 a 20 minutos quando Marcos começou a fazer movimentos estranhos no sofá, tipo se ajustar demais a calça. Aí eu percebi que ele tinha engolido o comprimido e que estava fazendo efeito. -Pergunta pra Nerea- Disse Cristian pra Marcos apontando pras cartas com um sorriso de canto. -Tá, tá- Marcos pegou uma carta-. Em que ano...? Ele se calou e se mexeu de novo. Todo mundo olhou pra virilha dele e a ereção já era tão evidente que dava pra ver através da calça. Nerea cobriu a boca com a mão e Silvia soltou uma risadinha abafada. -Tá tudo bem?- Perguntou Cristian com um certo tom de deboche que Marcos não conseguiu detectar. -Sim. Sim. É que...Sei lá- Marcos se mexeu de novo-. Acho que algo me caiu mal. -Nossa, e eu que pensava que você tava realmente curtindo esse jogo- Disse Silvia fazendo a gente ter que segurar a risada. -O quê?- Perguntou Marcos que nem parecia prestar atenção na gente direito. -Nada, nada. Vai, pergunta. Marcos leu a pergunta e o jogo continuou, mas ele ficou bem calado. O desconforto dele era claramente evidente, e depois de uns dois minutos Cristian perguntou de novo. -Cara, tá acontecendo algo? -Não. Sim. Sei lá- Respondeu Marcos que devia estar zonzo entre a ereção, a vergonha e o álcool-. Vou no banheiro um instante. Ele se levantou e não tinha como a gente não ver a ereção totalmente marcada. -Eu sabia!- Explodiu Silvia, morrendo de rir. -Porra, cara- Disse Cristian, que tentava não zoar mas também não conseguia segurar a risada. -Coitado- Disse Nerea, mas também tava rindo. -Cuidado pra não virar bruscamente que você pode me deixar KO se me acertar na cabeça- Eu disse pro Marcos, provocando gargalhada geral. Marcos já começou a sacar que isso não era uma situação normal. -Que porra vocês fizeram comigo? -Viagra!- Disse Silvia rachando de rir- Colocamos viagra na sua bebida! Marcos olhou pra todos nós. Um por um. E Depois de um segundo, ele passou a mão pelo rosto.
—Vocês são foda. Sabem o perrengue que eu passei? Vocês não podem imaginar o quanto tá doendo agora.
—Desculpa, mano — disse Cristian, ainda com um sorriso. — Era uma brincadeira inocente.
—Inocente? Vocês me deram um viagra de puta sem eu saber. E isso te parece inocente?
—Tá, tá, a gente sente muito — eu disse. — Sério. Mas também não é pra tanto. É só um comprimido, todo mundo toma.
—Tô nem aí. Você tá vendo isso? — disse apontando pra virilha. — Tá doendo. Tá doendo de verdade.
Nerea levantou do sofá.
—Quer que eu te traga um copo d'água?
—Não. Eu quero que isso baixe. O que eu suposto que eu faça agora?
Silvia, que tinha parado de rir mas continuava com um sorriso na cara, deu de ombros.
—Pois... sei lá. Vai no banheiro. Bate uma. Quando você gozar deve ficar mais tranquilo. Pelo menos é o que acontece com o Cristian, ha, ha, ha.
Marcos olhou pra ela com cara de poucos amigos.
—Sério isso?
—É o lógico. Você dá uma punhetada, goza, e baixa. Talvez com o viagra demore um pouco mais, mas já não deve ser pra tanto.
—Ótimo...
Cristian levantou as mãos.
—Mano, é a única coisa que me vem à cabeça. Ou isso ou aguentar até passar. Mas se você diz que dói...
Marcos bufou. Olhou pra Nerea, que observava ele com uma mistura de pena e diversão, e também pra mim, que também não tinha muito a acrescentar.
—Tá. Tá. Vou pro banheiro — disse resignado. — Mas isso não acabou.
—Ânimo, campeão! — gritou Silvia quando Marcos sumiu pelo corredor.
—Mete bronca! — acrescentou Cristian, rindo.
—Tenta não pensar na gente! — eu disse.
Nerea não continuou a brincadeira mas ria com cada comentário.
Ouvimos a porta do banheiro fechar. Decidimos dar um pouco de espaço e ficamos na sala comentando a situação, mas os minutos passaram e Marcos não saía. Devem ter passado uns dez minutos quando ouvimos um barulho surdo. Como se alguém tivesse dado um soco na parede. -Ele vai acabar destruído desse jeito- Sussurrou Cristian. -Coitado, acho que exageramos- Disse Nerea. -Coitado nada. Se a gente tivesse proposto fazer isso com o Carlos ou o Cristian, ele teria dito sim- Disse Silvia. No banheiro, ouviam-se barulhos da torneira abrindo, passos e algum suspiro ocasional. Finalmente a porta do banheiro se abriu. Marcos saiu com o cabelo bagunçado e uma expressão de desespero. Quando chegou ao sofá, todos vimos: a ereção continuava ali, igual de marcada. -Não consigo- Disse, deixando-se cair no sofá-. Não tem jeito. Eu me...Bom, vocês já sabem. Mas nada. Continua igual. E ainda por cima dói mais. -Como assim não consegue?- Perguntou Cristian. -Que não consigo, cara. Eu tentei. Sério. Mas não tem jeito. E também não ajuda vocês todos aí fora esperando que eu goze. Silvia parou de sorrir. -Porra, desculpa. Achei que ia funcionar. -Pois não funciona- Marcos passou as mãos pelo rosto-. Dói muito. Sério. Isso não é normal. -Tá, tá- Disse eu, ficando sério-. Senta e relaxa. Vai passar. Dá um tempo. -Tempo?- Marcos olhou pra mim com os olhos arregalados-. Quanto tempo? Porque já faz mais de meia hora que tô assim e tá piorando. Dói de verdade, não é brincadeira. -Pois não sei. Tempo. Uma hora. Duas. Vai passar. -Não quero esperar duas horas. Quero que passe agora. E se fez algum efeito estranho em mim? -É só viagra. Não é perigoso- Disse Silvia, que já não soava tão segura. -Foi o que você disse antes. E olha eu aqui. -Tinha que levar ele pro hospital- Disse Nerea, que parecia a mais preocupada-. Sério. Se dói tanto e não passa, pode ser perigoso. -Nem fodendo!- Respondeu Marcos, quase gritando-. Não vou pro hospital com isso. Imagina? Sentado na emergência com todo mundo me vendo, um engraçadinho tira foto pra rede social, e vem um médico enfiar agulha no meu pau. E uma merda. -Mas Marcos…- Tentou protestar Nerea. -Eu disse que não. -Além disso- Tentei contribuir-, a gente deu viagra sem o consentimento dele. Isso é como drogar alguém, como se a gente tivesse colocado uma bala na bebida de uma garota na balada. Podiam nos denunciar.
Silvia ficou parada.
- Porra, Carlos. Não tinha pensado nisso assim - disse Silvia.
- A merda que você arrumou - respondeu Cristian à namorada.
- Não, não! - Silvia levantou as mãos. - Foi ideia minha, sim. Mas todo mundo concordou. Você também, Cristian.
- Eu disse que não.
- Você disse que não no começo, mas depois disse "vai, tá bom". Isso é concordar.
- Bom, tanto faz quem foi - eu disse. - O caso é que agora ele tá assim. E se isso for além, a gente pode ter um problema porque se o Marcos quiser, ele nos denuncia. E com razão.
- Denunciar a gente? - Cristian me olhou como se eu tivesse acabado de dizer uma loucura. - Como assim o Marcos vai nos denunciar?
- Provavelmente ele não faria isso, mas talvez no hospital ele confesse sem querer quando perguntarem e eles podem fazer um boletim. Sei lá.
Entre o álcool e a pressão da situação, eu não sabia se o que eu dizia fazia algum sentido.
Enquanto a gente discutia, Marcos continuava desconfortável no sofá e respirando com força.
- Não aguento mais - disse ele, com a voz entrecortada. - Desculpa. Mas não consigo ficar com ela enfiada assim por mais tempo.
Marcos desabotoou a calça e tirou o pau pra fora na frente de todo mundo, ficando um pouco mais aliviado. Os quatro ficamos mudos na hora. Silvia tapou a boca, Nerea arregalou os olhos, e Cristian e eu sofremos uma espécie de golpe que só os homens conseguem sentir. O pau do Marcos não estava só duro como pedra. Era enorme. Fora do porno, só vi o meu ereto, mas claramente ele estava acima da média. Vários centímetros maior que o meu. Realmente me custava entender como ele tinha conseguido vestir a calça de novo ao sair do banheiro.
- Caralho - disse Silvia, sem conseguir evitar.
Nerea não disse nada, só olhava, mas de um jeito que, pra mim como namorado dela, me acertou em cheio no estômago.
Marcos olhou pra todos nós. Estava com a cara vermelha e uma expressão de vergonha que nunca tinha visto nele.
—Já sei —disse ele—. Já sei. Mas é o que tem. Deixar ele enfiado dentro da calça fazia doer muito mais. Pelo menos agora sinto um pouco de alívio.
Ficamos um instante em silêncio assimilando a situação até que Silvia se pronunciou—
—Então… —Silvia ficou pensando se continuava com o que ia dizer. Olhou o pau do Marcos e depois olhou pra gente—. Me ocorreu uma coisa.
—O quê? —perguntou Cristian com agressividade, como se pressentisse o que ela ia dizer.
—Que eu faça uma masturbação nele.
—O QUÊ?!
—Que eu faça uma masturbação nele. Talvez se for uma mina que faz, ele fica mais excitado e goza. Ele já tentou sozinho e não conseguiu. Mas comigo pode ser diferente.
—Você tá louca? —Cristian estava claramente puto—. Você? Nele?
—Sei lá, quer fazer você? Porque não te vejo muito disposto, mas por mim, fica à vontade.
—Mas você é minha namorada! Não quero que você faça uma masturbação em outro cara.
—Eu sei, mas ele também é seu amigo e isso foi culpa minha. Quer dizer, nossa. E eu quero resolver.
—Silvia, não me fode.
—Cristian, olha pra ele —Silvia apontou pro Marcos—. Ele tá dizendo que dói e se a gente não fizer nada, vamos gozar a noite na emergência.
—Então vamos pro hospital, tô nem aí.
—Ele disse que não quer, e eu entendo. Ele não merece ser humilhado assim por nossa culpa.
—Não quero que você faça uma masturbação no Marcos.
—E o que você quer que a gente faça então? Tem uma ideia melhor?
Cristian não respondeu. Passou as mãos pelo rosto. Olhou pro Marcos e ele retribuiu o olhar com uma expressão de "sinto muito, mas não me parece má ideia". Cristian não disse nada, mas fez cara de conformado.
—Tá bom —disse Silvia, pegando Marcos pela mão—. Vamos pro quarto. Fim do primeiro capítulo, parte 2, na rede social do autor original.
https://x.com/memestodoslos24/status/2112904484254896222
- Que foi? - perguntou o Cristian.
- Nada - disse a Silvia, mas riu.
O Marcos, que voltava da cozinha, anunciou que não tinha mais gelo e que ia descer pra comprar mais.
- Ei, a gente não vai passar a noite toda bebendo - eu disse.
- Cara, mas um último drink tem que rolar. Sei que vocês tão doidos pra se pegarem, mas eu me esforcei pra caralho, deixa eu comemorar.
- Vai logo, então - respondi. Na real, eu tava me divertindo pra caralho e não tinha necessidade nenhuma de a noite acabar.
Quando o Marcos saiu, a Silvia riu de novo, mais alto.
- Bom, o que tá acontecendo? - insistiu a Nerea.
- Achei uma coisa no banheiro. No armário de cima. Um frasco.
- Que frasco? - perguntou o Cristian.
- Viagra. Do seu pai.
O Cristian ficou vermelho como um tomate.
- Porra, Silvia.
- Não tava xeretando! - ela se defendeu rindo -. Só vi enquanto lavava as mãos.
A Nerea e eu rimos também.
- Não acredito nisso - protestou o Cristian.
- Ei, não tem problema - disse a Silvia -. É normal. Seu pai tem uma idade, mas tem que continuar dando conta da sua mãe, ha, ha, ha.
- Silvia, pelo amor de Deus.
- Tá, tá. - A Silvia levantou as mãos -. Mas... me surgiu uma ideia.
- Não - disse o Cristian.
- Você nem sabe o que eu vou falar.
- Não quero saber.
- É uma brincadeira. Uma brincadeira inofensiva.
Eu me interessei.
- Que tipo de brincadeira?
A Silvia sorriu.
- E se a gente colocar uma no drink do Marcos?
- Você tá louca? - disse o Cristian.
- É uma brincadeira. Só um comprimido. Vamos ver o que acontece.
- Não sei, mano - disse a Nerea -. Isso pode ser perigoso. A gente tá bebendo álcool e...
- Não é perigoso. É viagra. Você acha que os caras que tomam um não encheram a cara de vinte doses antes? O Marcos é um moleque jovem, ele... pode aguentar bem
-Não sei, Silvia. Não gosto dessas brincadeiras cruéis- Respondeu Nerea.
-Não é cruel. É uma brincadeira normal e comum. Você acha que o Marcos vai ficar bravo por ter uma ereção? Quantas vezes ele já nos sacaneou?
Nós quatro ficamos em silêncio analisando a situação. Para mim, parecia uma ideia interessante, e eu me perguntava como o Marcos reagiria quando visse que de repente começasse a ficar de pau duro. Vendo que ninguém dizia nada, Silvia reagiu.
-Vou pegar o frasco.
-¡Silvia!- Gritou Cristian.
Mas ela não ouviu e voltou com um comprimido na mão. Cristian suspirou.
-Tá bom. Mas se a gente tiver que ir pro pronto-socorro, vamos todos depor contra você.
-Não vai acontecer nada com ele.
Nerea olhou pra mim e, ao ver que eu não tinha muita cara de oposição, aceitou.
Marcos voltou uns minutos depois com o gelo.
-Quem quer outro?- Disse enquanto colocava gelo no copo.
-Eu- Disse Silvia-. Mas eu mesma preparo, que você sempre faz muito forte.
-Como quiser.
Marcos colocou uns gelos no copo de Silvia e ela começou a se servir de rum.
-Me dá seu copo que eu coloco pra você- Disse ela pro Marcos.
-Toma, mas pra mim põe um dedo a mais.
Silvia começou a colocar o rum no copo do Marcos e em seguida terminou de encher os dois copos com Booty. Aproveitando que Marcos desviou o olhar por um instante, jogou o comprimido de viagra que tinha na mão no copo dele.
-Toma.
-Valeu.
Marcos pegou o copo e bebeu. Um gole longo. Depois deixou na mesa e se recostou no sofá.
-Vamos, continuamos jogando- Disse Cristian enquanto ele também preparava um drinque com gim.
-Isso, vamos- Acrescentei eu.
Começamos uma partida de trivial de meninos contra meninas, mas nenhum de nós quatro prestava atenção no jogo e todos olhávamos o Marcos de rabo de olho. Sinceramente, eu tinha minhas dúvidas de que ele fosse engolir o comprimido porque achei que ele ia notar na hora que entrasse na boca. Ia perguntar o que era aquilo, a gente ia admitir tudo e rir, mas até aquele momento ele não tinha dito nada, então Continuávamos esperando sem saber quando e se faria efeito nele. Devem ter passado uns 15 a 20 minutos quando Marcos começou a fazer movimentos estranhos no sofá, tipo se ajustar demais a calça. Aí eu percebi que ele tinha engolido o comprimido e que estava fazendo efeito. -Pergunta pra Nerea- Disse Cristian pra Marcos apontando pras cartas com um sorriso de canto. -Tá, tá- Marcos pegou uma carta-. Em que ano...? Ele se calou e se mexeu de novo. Todo mundo olhou pra virilha dele e a ereção já era tão evidente que dava pra ver através da calça. Nerea cobriu a boca com a mão e Silvia soltou uma risadinha abafada. -Tá tudo bem?- Perguntou Cristian com um certo tom de deboche que Marcos não conseguiu detectar. -Sim. Sim. É que...Sei lá- Marcos se mexeu de novo-. Acho que algo me caiu mal. -Nossa, e eu que pensava que você tava realmente curtindo esse jogo- Disse Silvia fazendo a gente ter que segurar a risada. -O quê?- Perguntou Marcos que nem parecia prestar atenção na gente direito. -Nada, nada. Vai, pergunta. Marcos leu a pergunta e o jogo continuou, mas ele ficou bem calado. O desconforto dele era claramente evidente, e depois de uns dois minutos Cristian perguntou de novo. -Cara, tá acontecendo algo? -Não. Sim. Sei lá- Respondeu Marcos que devia estar zonzo entre a ereção, a vergonha e o álcool-. Vou no banheiro um instante. Ele se levantou e não tinha como a gente não ver a ereção totalmente marcada. -Eu sabia!- Explodiu Silvia, morrendo de rir. -Porra, cara- Disse Cristian, que tentava não zoar mas também não conseguia segurar a risada. -Coitado- Disse Nerea, mas também tava rindo. -Cuidado pra não virar bruscamente que você pode me deixar KO se me acertar na cabeça- Eu disse pro Marcos, provocando gargalhada geral. Marcos já começou a sacar que isso não era uma situação normal. -Que porra vocês fizeram comigo? -Viagra!- Disse Silvia rachando de rir- Colocamos viagra na sua bebida! Marcos olhou pra todos nós. Um por um. E Depois de um segundo, ele passou a mão pelo rosto.
—Vocês são foda. Sabem o perrengue que eu passei? Vocês não podem imaginar o quanto tá doendo agora.
—Desculpa, mano — disse Cristian, ainda com um sorriso. — Era uma brincadeira inocente.
—Inocente? Vocês me deram um viagra de puta sem eu saber. E isso te parece inocente?
—Tá, tá, a gente sente muito — eu disse. — Sério. Mas também não é pra tanto. É só um comprimido, todo mundo toma.
—Tô nem aí. Você tá vendo isso? — disse apontando pra virilha. — Tá doendo. Tá doendo de verdade.
Nerea levantou do sofá.
—Quer que eu te traga um copo d'água?
—Não. Eu quero que isso baixe. O que eu suposto que eu faça agora?
Silvia, que tinha parado de rir mas continuava com um sorriso na cara, deu de ombros.
—Pois... sei lá. Vai no banheiro. Bate uma. Quando você gozar deve ficar mais tranquilo. Pelo menos é o que acontece com o Cristian, ha, ha, ha.
Marcos olhou pra ela com cara de poucos amigos.
—Sério isso?
—É o lógico. Você dá uma punhetada, goza, e baixa. Talvez com o viagra demore um pouco mais, mas já não deve ser pra tanto.
—Ótimo...
Cristian levantou as mãos.
—Mano, é a única coisa que me vem à cabeça. Ou isso ou aguentar até passar. Mas se você diz que dói...
Marcos bufou. Olhou pra Nerea, que observava ele com uma mistura de pena e diversão, e também pra mim, que também não tinha muito a acrescentar.
—Tá. Tá. Vou pro banheiro — disse resignado. — Mas isso não acabou.
—Ânimo, campeão! — gritou Silvia quando Marcos sumiu pelo corredor.
—Mete bronca! — acrescentou Cristian, rindo.
—Tenta não pensar na gente! — eu disse.
Nerea não continuou a brincadeira mas ria com cada comentário.
Ouvimos a porta do banheiro fechar. Decidimos dar um pouco de espaço e ficamos na sala comentando a situação, mas os minutos passaram e Marcos não saía. Devem ter passado uns dez minutos quando ouvimos um barulho surdo. Como se alguém tivesse dado um soco na parede. -Ele vai acabar destruído desse jeito- Sussurrou Cristian. -Coitado, acho que exageramos- Disse Nerea. -Coitado nada. Se a gente tivesse proposto fazer isso com o Carlos ou o Cristian, ele teria dito sim- Disse Silvia. No banheiro, ouviam-se barulhos da torneira abrindo, passos e algum suspiro ocasional. Finalmente a porta do banheiro se abriu. Marcos saiu com o cabelo bagunçado e uma expressão de desespero. Quando chegou ao sofá, todos vimos: a ereção continuava ali, igual de marcada. -Não consigo- Disse, deixando-se cair no sofá-. Não tem jeito. Eu me...Bom, vocês já sabem. Mas nada. Continua igual. E ainda por cima dói mais. -Como assim não consegue?- Perguntou Cristian. -Que não consigo, cara. Eu tentei. Sério. Mas não tem jeito. E também não ajuda vocês todos aí fora esperando que eu goze. Silvia parou de sorrir. -Porra, desculpa. Achei que ia funcionar. -Pois não funciona- Marcos passou as mãos pelo rosto-. Dói muito. Sério. Isso não é normal. -Tá, tá- Disse eu, ficando sério-. Senta e relaxa. Vai passar. Dá um tempo. -Tempo?- Marcos olhou pra mim com os olhos arregalados-. Quanto tempo? Porque já faz mais de meia hora que tô assim e tá piorando. Dói de verdade, não é brincadeira. -Pois não sei. Tempo. Uma hora. Duas. Vai passar. -Não quero esperar duas horas. Quero que passe agora. E se fez algum efeito estranho em mim? -É só viagra. Não é perigoso- Disse Silvia, que já não soava tão segura. -Foi o que você disse antes. E olha eu aqui. -Tinha que levar ele pro hospital- Disse Nerea, que parecia a mais preocupada-. Sério. Se dói tanto e não passa, pode ser perigoso. -Nem fodendo!- Respondeu Marcos, quase gritando-. Não vou pro hospital com isso. Imagina? Sentado na emergência com todo mundo me vendo, um engraçadinho tira foto pra rede social, e vem um médico enfiar agulha no meu pau. E uma merda. -Mas Marcos…- Tentou protestar Nerea. -Eu disse que não. -Além disso- Tentei contribuir-, a gente deu viagra sem o consentimento dele. Isso é como drogar alguém, como se a gente tivesse colocado uma bala na bebida de uma garota na balada. Podiam nos denunciar.
Silvia ficou parada.
- Porra, Carlos. Não tinha pensado nisso assim - disse Silvia.
- A merda que você arrumou - respondeu Cristian à namorada.
- Não, não! - Silvia levantou as mãos. - Foi ideia minha, sim. Mas todo mundo concordou. Você também, Cristian.
- Eu disse que não.
- Você disse que não no começo, mas depois disse "vai, tá bom". Isso é concordar.
- Bom, tanto faz quem foi - eu disse. - O caso é que agora ele tá assim. E se isso for além, a gente pode ter um problema porque se o Marcos quiser, ele nos denuncia. E com razão.
- Denunciar a gente? - Cristian me olhou como se eu tivesse acabado de dizer uma loucura. - Como assim o Marcos vai nos denunciar?
- Provavelmente ele não faria isso, mas talvez no hospital ele confesse sem querer quando perguntarem e eles podem fazer um boletim. Sei lá.
Entre o álcool e a pressão da situação, eu não sabia se o que eu dizia fazia algum sentido.
Enquanto a gente discutia, Marcos continuava desconfortável no sofá e respirando com força.
- Não aguento mais - disse ele, com a voz entrecortada. - Desculpa. Mas não consigo ficar com ela enfiada assim por mais tempo.
Marcos desabotoou a calça e tirou o pau pra fora na frente de todo mundo, ficando um pouco mais aliviado. Os quatro ficamos mudos na hora. Silvia tapou a boca, Nerea arregalou os olhos, e Cristian e eu sofremos uma espécie de golpe que só os homens conseguem sentir. O pau do Marcos não estava só duro como pedra. Era enorme. Fora do porno, só vi o meu ereto, mas claramente ele estava acima da média. Vários centímetros maior que o meu. Realmente me custava entender como ele tinha conseguido vestir a calça de novo ao sair do banheiro.
- Caralho - disse Silvia, sem conseguir evitar.
Nerea não disse nada, só olhava, mas de um jeito que, pra mim como namorado dela, me acertou em cheio no estômago.
Marcos olhou pra todos nós. Estava com a cara vermelha e uma expressão de vergonha que nunca tinha visto nele.
—Já sei —disse ele—. Já sei. Mas é o que tem. Deixar ele enfiado dentro da calça fazia doer muito mais. Pelo menos agora sinto um pouco de alívio.
Ficamos um instante em silêncio assimilando a situação até que Silvia se pronunciou—
—Então… —Silvia ficou pensando se continuava com o que ia dizer. Olhou o pau do Marcos e depois olhou pra gente—. Me ocorreu uma coisa.
—O quê? —perguntou Cristian com agressividade, como se pressentisse o que ela ia dizer.
—Que eu faça uma masturbação nele.
—O QUÊ?!
—Que eu faça uma masturbação nele. Talvez se for uma mina que faz, ele fica mais excitado e goza. Ele já tentou sozinho e não conseguiu. Mas comigo pode ser diferente.
—Você tá louca? —Cristian estava claramente puto—. Você? Nele?
—Sei lá, quer fazer você? Porque não te vejo muito disposto, mas por mim, fica à vontade.
—Mas você é minha namorada! Não quero que você faça uma masturbação em outro cara.
—Eu sei, mas ele também é seu amigo e isso foi culpa minha. Quer dizer, nossa. E eu quero resolver.
—Silvia, não me fode.
—Cristian, olha pra ele —Silvia apontou pro Marcos—. Ele tá dizendo que dói e se a gente não fizer nada, vamos gozar a noite na emergência.
—Então vamos pro hospital, tô nem aí.
—Ele disse que não quer, e eu entendo. Ele não merece ser humilhado assim por nossa culpa.
—Não quero que você faça uma masturbação no Marcos.
—E o que você quer que a gente faça então? Tem uma ideia melhor?
Cristian não respondeu. Passou as mãos pelo rosto. Olhou pro Marcos e ele retribuiu o olhar com uma expressão de "sinto muito, mas não me parece má ideia". Cristian não disse nada, mas fez cara de conformado.
—Tá bom —disse Silvia, pegando Marcos pela mão—. Vamos pro quarto. Fim do primeiro capítulo, parte 2, na rede social do autor original.
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