No interessante artigo de José Julio García Arranz intitulado "O castigo do 'cuck paciente': um detalhe iconográfico na vista de Sevilha de Joris Hoefnagel (1593)" emNorba Arte(vol. XXVIII-XXIX) lemos: "Na presença de duas mouriscas que contemplam a cena, caminham por uma vereda dos arrabaldes da cidade, diante de algumas autoridades municipais, um deles a cavalo e com longa vara, provavelmente o Assistente, acompanhado de dois meirinhos, três personagens montados em seus respectivos burricos. A figura central é um homem com as mãos atadas; de ambos os lados de sua cabeça surgem dois longos ramos com seus rebentos, similares a grandes galhadas de cervo, em cuja parte superior, ornamentada com bandeirolas, dispõem-se campainhas e guizos pendurados de um cordel atado entre ambas as extremidades à guisa de reclamo sonoro. Atrás do homem cavalga uma mulher, com a cabeça coberta por uma touca e o rosto oculto atrás dos próprios cabelos — sinal da vergonha que a força a ocultar sua identidade? —, que fustiga o réu que a precede com umas disciplinas formadas por uma enfiada de alhos. O pregoeiro encarregado de apregoar o delito imputado ao casal, identificável pela trombeta que porta na mão esquerda, caminha atrás deles enquanto empunha no alto uma penca, tira de couro com a qual o carrasco açoitava os delinquentes. Tal composição reflete o público escarmento que o Santo Ofício reservava às mulheres adúlteras e aos maridos consentidores — a cena é identificada na própria estampa como 'Execution de Justitia de los cornudos patientes' — que permitiam que suas esposas se prostituíssem, condenados estes últimos a levar atadas às costas os ramos descritos em forma de grandes galhadas. Completa esta pequena procissão outra mulher que, um pouco adiantada, monta também sobre um asno; nua da cintura para cima (...). Trata-se, portanto, da proxeneta que propiciou ou possibilitou o comportamento delitivo de ambos os cônjuges, e que é também objeto do escárnio cidadão: várias testemunhas da comitiva zombam de seus protagonistas fazendo ostensivo sinal do 'V' com os dedos das mãos — conhecido gesto popular. que alude ao marido "cuck" vítima do adultério da sua mulher, e jogam lama ou excrementos do caminho nos condenados, o que parece explicar o enxame de moscas que envolve a alcoviteira que abre a marcha".
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