A puta do time 4

O Preço da Vitória Capítulo 4
A puta do time 4A saia estava sobre a cama quando saí do chuveiro.

Pregueada, azul, curta, com o polo do clube combinando dobrado em cima. Carlos estava terminando de amarrar os cadarços dos tênis, sentado na beira da cama, e levantou os olhos quando saí do banheiro enrolada na toalha.

—Deixei o uniforme pronto —disse ele, apontando com um gesto mínimo para a cadeira—. O resto você escolhe.

Não acrescentou mais nada. Pegou a bolsa e saiu, me deixando sozinha com o conjunto e essa liberdade parcial que, depois dos dias anteriores, parecia quase estranha nas minhas mãos.

Fiquei um momento olhando o conjunto.

Abri a gaveta onde tinha guardado minha roupa íntima, agora que o armário já não estava trancado a chave como no primeiro dia, e hesitei entre as opções. As calcinhas de algodão de sempre. A fio-dental.

Acabei escolhendo algo intermediário, nem o mais confortável nem o mais exposto, como se esse meio-termo pudesse ser também uma forma de controle sobre algo, mesmo que mínimo.

Me vesti. A saia terminava vários centímetros acima do que eu teria escolhido para mim mesma em qualquer outro contexto da minha vida. O polo se ajustava ao corpo de um jeito que já não me surpreendia mas que também não tinha deixado de notar.

Me olhei no espelho.

*Hoje é a estreia do Mateo*, pensei, e usei esse pensamento como âncora para sair do quarto.

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O estádio era maior que qualquer campo em que eu tinha visto o Mateo jogar antes. Arquibancadas de cimento, um cartaz com o nome do torneio, bandeiras dos clubes participantes tremulando com um vento que não conseguia refrescar o calor da tarde.

Me posicionei no banco de reservas, na extremidade onde Carlos tinha me indicado que me sentasse, com uma pasta de planilhas sobre as pernas e a tarefa de anotar substituições e tempos se ele pedisse.

Saúl estava dois assentos mais além.

Não tinha sido convocado como titular, mas fazia parte da lista de suplentes, e desde o primeiro minuto notei que sua atenção ia e vinha entre o jogo e eu com uma frequência que eu não podia atribuir só à casualidade. Cada vez que eu cruzava as pernas, cada vez que me inclinava para anotar algo na pasta, sentia o olhar dele parar um segundo a mais antes de voltar ao campo.

Tentei ignorar. Me concentrar no jogo, no Mateo, em qualquer coisa que não fosse a sensação incômoda de ser observada de tão perto por alguém que não era o Carlos.

Não funcionou de todo.

Perto do fim do primeiro tempo, com o placar favorável e o Mateo jogando com uma soltura que me enchia de um orgulho quase físico, Saúl se inclinou levemente para o meu lado do banco, como para pegar uma garrafa de água, e o braço dele roçou o meu.

—Desculpa —disse, sem olhar.

Não foi nada. Um roçar de nada, acidental ou não.

Mas algo no meu corpo respondeu de qualquer forma, uma corrente pequena e traiçoeira que subiu pelo braço até algum lugar que não tinha nada a ver com o jogo. Fechei as mãos sobre a pasta e fixei o olhar no campo com uma concentração que era, na verdade, uma tentativa de fugir de mim mesma.

*Não é nada*, disse pra mim mesma. *É o calor. São os nervos do jogo.*

Não terminei de acreditar nisso.

Não sabia bem o que pensar de tudo isso. Fazia tanto tempo que ninguém me olhava daquele jeito que eu tinha esquecido, quase por completo, que meu corpo ainda podia chamar a atenção de um homem. O Carlos me olhava assim desde o começo, com aquela atenção lenta e deliberada que percorria cada parte de mim sem pedir licença, e em algum momento, sem perceber quando exatamente, tinha começado a esperar esses olhares em vez de temê-los.

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O segundo tempo começou parelho, e durante quinze minutos pareceu que o jogo estava decidido a favor do time. O Mateo se movia com uma confiança que eu não tinha visto nos treinos, lendo os espaços, conectando com o Ramiro no gol com uma segurança que fazia toda a defesa funcionar melhor.

E então chegou o erro. Foi uma jogada simples, daquelas que se repetem cem vezes sem consequência: uma bola que chegou aos pés de Mateo numa zona perigosa, com tempo de sobra pra afastar ou tocar com calma. Ele perdeu. Um controle ruim, uma decisão atrasada, e o adversário roubou a bola a três metros da área.

O gol veio quinze segundos depois.

O silêncio que se fez no banco foi curto, mas denso. Olhei pro Carlos de canto de olho. Ele estava de pé, de braços cruzados, sem nenhum gesto visível além de um maxilar travado que só alguém que o conhecesse bem teria notado.

Não gritou. Não tirou ele de campo. Não fez nenhuma substituição.

Mateo continuou jogando.

—Vai deixar ele aí? —A voz de Saúl, do meu lado, soou mais alta do que precisava—. Qualquer outro já estaria no banco depois disso.

Carlos não respondeu. Nem virou a cabeça.

Saúl se virou pra mim então, e pela primeira vez em toda a partida o olhar dele não teve nada de ambíguo. Foi direto, carregado de um incômodo que ele não fez questão de disfarçar.

—Que coincidência —disse, baixinho, só pra mim—. Logo o filho dele ninguém tira nunca.

Não soube o que responder. Senti o calor subindo pro meu rosto, mas dessa vez não era o mesmo calor de antes. Era outra coisa, mais parecida com vergonha, misturada com uma suspeita que eu não sabia como nomear: até onde iam as conjecturas de Saúl? O que exatamente ele achava que estava vendo?

O time acabou ganhando o jogo no finalzinho, com um gol do Diego que soltou uma comemoração eufórica em todo o banco. Mas o erro do Mateo e o comentário do Saúl ficaram flutuando em mim durante o resto da partida, dois fios soltos que eu não conseguia amarrar.

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O vestiário, depois, era só barulho e felicidade desordenada. Os jogadores cantavam, se abraçavam, alguém batia num banco como tambor improvisado. A vitória tinha limpado qualquer tensão visível, pelo menos na superfície.

Fiquei no corredor de fora, apoiada contra a parede, esperando instruções de Carlos sobre o que fazer com o equipamento do time, enquanto os caras entravam por turnos nas duchas. Alguns passavam perto de mim, ainda com a respiração ofegante do jogo, e mais de um deixava o olhar um segundo a mais nas minhas pernas antes de seguir caminho. Não diziam nada. Não precisava. E de novo aquela corrente estranha, aquela mistura de vergonha e algo que eu ainda não queria nomear: a sensação, incômoda e nova, de ser desejada por aqueles homens jovens sem ter feito nada pra conseguir isso. O calor do estádio, a adrenalina do jogo, o olhar de Saúl que eu ainda sentia grudado na pele como uma marca invisível, os olhares dos outros que tinham acabado de cruzar com o meu: tudo se misturava numa tensão que não baixava de jeito nenhum. Mudei de posição contra a parede, cruzando as pernas com um incômodo que não tinha nada a ver com cansaço físico. Tentei pensar em outra coisa, no jogo, no Mateo, em qualquer coisa que não fosse o que meu próprio corpo insistia em sentir. Carlos saiu do vestiário com a prancheta debaixo do braço, ainda com a roupa do jogo, e parou a alguns passos de mim. Ele me olhou. Não disse nada no começo. Só observou: o rubor que não tinha saído das minhas bochechas, o jeito que eu estava com as pernas cruzadas numa rigidez que não era natural, a maneira como eu evitava encarar ele diretamente. Ele leu tudo com aquela facilidade que eu já conhecia dele, a mesma com que na noite anterior tinha sacado exatamente o que estava rolando no meu corpo antes mesmo de eu admitir. Um sorriso lento começou a se formar no rosto dele. O mesmo de sempre. Aquele que eu já conhecia e que significava que ele tinha entendido algo que eu ainda tentava esconder de mim mesma. —Elena —ele disse, com aquela voz baixa que ele reservava pra quando a gente estava perto dos outros mas já não tão a salvo deles—. Vem comigo um instante. --- Eu segui ele pelo corredor lateral do estádio sem perguntar. Minhas pernas ainda sentiam o eco da tensão acumulada no banco. Carlos caminhava com aquela segurança tranquila, como se soubesse exatamente aonde ia. Viramos numa esquina e ele abriu uma porta de metal que dizia "Escritório dos Delegados". O lugar estava vazio, mal iluminado por uma janela alta com cortinas entreabertas. Cheirava a papel velho e desinfetante. Ele fechou a porta atrás de nós e passou o ferrolho. Fiquei parada no centro da sala, com as mãos segurando a borda da saia como se isso pudesse me proteger de alguma coisa. O coração batia forte. Carlos se aproximou devagar e parou a menos de um metro. Me olhou de cima a baixo, demorando nas minhas pernas, no jeito que a saia se ajustava aos meus quadris. —Você tá molhada —disse sem rodeios, com aquela voz baixa e grave—. E não é por causa do calor do jogo. Senti o rubor subir até as orelhas. Abri a boca pra negar, mas as palavras não saíram. Porque ele tinha razão. E eu odiava que ele tivesse razão. —Não é… não é o que você tá pensando —murmurei, baixando o olhar. Carlos deu mais um passo e me pegou suavemente pelo queixo, me obrigando a olhar pra ele. —Sei exatamente o que é. Saúl não tirou os olhos de você o jogo inteiro. E seu corpo respondeu como a puta safada que você é. Te excita ser olhada, né? Que outros homens te desejem enquanto você tá sentada aí com essa saia curta. Ele me beijou. Não foi brusco, mas também não foi suave. Foi possessivo. Suas mãos desceram pelos meus lados até chegar na borda da saia. Levantou devagar, revelando minhas coxas. Quando os dedos dele roçaram o tecido da minha calcinha, soltou um som baixo de aprovação. —Boa menina… embora não seja totalmente obediente. Ele me virou com cuidado e me apoiou contra a escrivaninha. Senti o corpo grande dele colar nas minhas costas. Uma das mãos dele se enfiou por baixo da saia e afastou o tecido da minha calcinha fio-dental. Os dedos dele encontraram minha umidade na hora e deslizaram um dentro com facilidade. —Mmm… —um gemido abafado escapou de mim. —Shh —sussurrou contra meu ouvido, enquanto começava a mover o dedo lentamente—. Não queremos que alguém passe pelo corredor e escute como a mãe do Mateo fica molhada só porque outros homens olharam pra ela. Adicionou um segundo dedo. Minhas pernas tremeram. Me agarrei à borda da escrivaninha, tentando manter algum controle, mas meu corpo já estava me traindo de novo. A saia levantada até a cintura, o ar fresco do lugar contrastando com o calor entre minhas pernas… tudo parecia intenso demais. *Isso não sou eu*, pensei, desesperada. *Não posso estar me excitando assim só porque o Saúl olhou pra mim… O que está acontecendo comigo?* —Carlos… aqui não… —tentei protestar num sussurro. —Aqui sim —respondeu, mordendo de leve o lóbulo da minha orelha—. Porque eu sei que o risco te excita. Porque mesmo que você queira negar, sua buceta se aperta toda vez que você pensa que alguém pode entrar e te ver assim, aberta e molhada. Moveu os dedos mais rápido, curvando-os bem onde eu mais sentia. Minha respiração ficou entrecortada. Tentei reprimir os gemidos, mas cada vez ficava mais difícil. O prazer era tão forte que por momentos sentia que não me reconhecia. Meu corpo respondia com uma urgência que eu não queria admitir, se contraindo ao redor dos dedos dele como se estivesse esperando isso há anos. —Se solta —murmurou contra meu pescoço—. Não luta contra o que você sente. Seu corpo já escolheu. O orgasmo me atingiu de repente, forte e silencioso. Apertei os lábios com força pra não gritar enquanto ondas de prazer me percorriam. Minhas pernas amoleceram. Carlos me segurou com o corpo, sem tirar os dedos até que os últimos espasmos passassem. Quando finalmente me acalmei, ele me virou de novo pra ele. Seus olhos estavam escuros, cheios de desejo controlado. Baixou a calça o suficiente pra libertar seu pau duro e grosso. —Agora você vai me sentir —disse, levantando uma perna minha e apoiando no seu quadril. Entrou em mim com um único empurrão profundo. Gemi contra o peito dele, mordendo o tecido da camisa dele pra abafar o som. Começou a me foder com ritmo firme, profundo, me segurando com força pelo quadril. A saia amassada entre nossos corpos, a mesa rangendo levemente a cada investida. —Tão apertada… tão quente —rosnou baixinho—. Adoro como você fica molhada pra mim, Elena. Principalmente depois que outros ficam te olhando. Minhas unhas se cravaram nos ombros dele. Cada vez que entrava até o fundo eu sentia um prazer que nublava minha mente. —Carlos… —ofeguei. —Fala —ordenou, sem parar de se mover—. Fala o que você sente. —Demais… é bom demais… haaa… —admiti num sussurro quebrado. —Isso, geme pra mim —sussurrou acelerando o ritmo—. Deixa eu ouvir como você gosta que eu te foda depois que ficaram te olhando o jogo todo. —Haaa… sim… mais… —escapou de mim, quase sem conseguir controlar. Carlos sorriu com satisfação e aumentou a intensidade, batendo mais fundo. O prazer era avassalador. Sentia cada centímetro dele, cada investida que me fazia perder um pouco mais o controle. Quando senti que ele também estava quase lá, saiu de mim, me fez ajoelhar e gozou na minha boca e sobre meus peitos com um rosnado baixo. Fiquei ali, de joelhos, respirando ofegante, com o gosto dele na língua e a saia ainda levantada. Carlos me olhou de cima por um momento, recuperando o fôlego, e depois me ajudou a levantar com uma gentileza surpreendente. —Se limpa —disse suavemente, me passando uns lenços que achou na mesa. Me beijou na testa, um gesto estranhamente carinhoso depois do que tinha acabado de acontecer, e ajeitou a roupa. —Sai primeiro. Eu espero um momento. Saí pro corredor ainda me recompondo, com as pernas tremendo um pouco e as mãos ocupadas em ajeitar a saia e passar os dedos pelo cabelo, como se isso pudesse apagar o óbvio. Não cheguei muito longe. Saúl estava encostado na parede, a poucos metros de a porta, com uma garrafa de água pela metade na mão. Não soube quanto tempo estava ali. Seu olhar cruzou com o meu imediatamente, e desta vez não fez nenhum esforço para disfarçar. Percorreu meu rosto, o rubor que ainda não tinha sumido das minhas bochechas, o cabelo bagunçado que eu tinha tentado arrumar sem sucesso. Desceu um segundo até a saia amassada e voltou a subir. Algo mudou na sua expressão. Já não era o mesmo incômodo de antes, aquela indignação esportiva por um favorecimento que ele achava que estava vendo em campo. Era outra coisa, mais lenta, mais desconfortável de sustentar: a suspeita tomando uma forma diferente, uma que ainda não terminava de se encaixar completamente na cabeça dele, mas que ele já não podia ignorar. Não disse nada. Eu também não. Passei ao lado dele com o olhar em frente, sentindo seus olhos cravados nas minhas costas durante todo o trajeto até a saída do corredor, e só quando dobrei a esquina me permiti soltar o ar que eu tinha estado segurando. *Ele suspeita de algo*, pensei. *E da próxima vez que ele me olhar, já não vai ser por erro de ninguém em campo.Nota do autor:Espero que você tenha curtido essa história. Se não quiser esperar pelo próximo capítulo pra saber o que acontece, a história completa e a versão narrada em áudio já estão disponíveis no Patreon.

Ouça o áudio e leia antecipadamente aqui: [FOGONAPELEIt looks like you've sent an empty message or just a bracket. Could you please share the Spanish text you'd like me to translate into Brazilian Portuguese?

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