A puta do time 3 - O Uniforme

A puta do time 3 - O UniformeA primeira coisa que notei foi o silêncio. Não o silêncio das noites em casa, com o barulho surdo da rua filtrando pela janela ou a geladeira zumbindo na cozinha. Esse era outro tipo de silêncio: limpo, absoluto, de hotel no meio da manhã quando todo mundo já foi pra algum lugar e os quartos ficaram vazios. Abri os olhos devagar. O teto branco do quarto 214. A luz entrando pela borda das cortinas com aquela claridade de meio da manhã que não deixa dúvidas. Estiquei o braço até o telefone na mesinha de cabeceira. 9:17. Sentei de uma vez. O lado da cama onde o Carlos tinha dormido estava vazio e perfeitamente arrumado, como se ninguém tivesse estado ali. Fiquei um momento olhando pra aquilo, desorientada por aquele descanso profundo e inesperado que tinha apagado as últimas horas sem pedir licença. Fazia muito tempo que eu não dormia daquele jeito. Me levantei e percorri o quarto com o olhar. Tudo em ordem, tudo no lugar. Até demais no lugar. Demorei um segundo pra entender o que faltava. Minha mala. Estava em cima da cadeira no canto onde eu tinha deixado, mas aberta e completamente vazia. Me aproximei devagar, como se pudesse estar enganada. Levantei, sacudi de leve. Nada. Olhei embaixo da cama, atrás da cadeira. Depois o armário: maçaneta fria, porta que não cedeu. Trancado. Então era ali que estava toda a minha roupa. E ele tinha a chave. Entrei no banheiro com um princípio de pânico razoável, me perguntando o que exatamente eu vestiria pra sair daquele quarto, e então vi: sobre a cadeirinha ao lado da pia, colocado com aquela capricho calculado que eu já começava a reconhecer como dele, tinha um conjunto completo. Um short esportivo azul, pequeno, do mesmo tom do uniforme do time. Uma camiseta azul com o logo do clube dobrada por cima. Meias brancas altas. Tênis esportivos no meu número. E embaixo de tudo aquilo, em duas pilhas separadas com uma distinção que não podia ser acidental, a roupa íntima: de um lado, uma calcinha de algodão Das minhas, as de sempre. Na outra opção, uma fio dental. E por cima das duas, um top esportivo e o sutiã de renda preta que eu tinha trazido na mala. Fiquei olhando para o conjunto por vários segundos. *De agora em diante, eu vou te dizer o que vestir.* A frase da noite anterior voltou com uma clareza desconfortável. Não como uma lembrança distante, mas como algo que ainda estava ativo, que tinha estado ali a noite toda enquanto eu dormia sem saber. Peguei a calcinha de algodão. Coloquei o top esportivo. Depois o short e a camiseta. Me olhei no espelho.futebolO short era mais curto do que eu tinha imaginado. Não indecente, não exatamente, mas o suficiente pra deixar minhas pernas expostas de um jeito que eu não tava acostumada. Eu tinha boas pernas, sempre soube disso de forma abstrata, mas fazia anos que não as mostrava assim, sem jeans, sem saias longas, sem a armadura do dia a dia da roupa de mãe que a gente vai adotando sem perceber. Me olhei de novo. Depois pensei nos vinte jogadores que estavam em algum lugar daquele hotel, e desviei o olhar do espelho antes de pensar demais. Abri a porta do quarto com o cuidado de quem não quer ser vista, olhei pros dois lados do corredor. Vazio. Saí e andei devagar até o elevador com a cabeça meio baixa, como se pudesse ficar menos visível por vontade própria. Foi no primeiro andar, virando pra saída do hotel, que quase esbarrei nele.vadiaAlto, ombros largos, com as luvas de goleiro penduradas nos dedos e uma expressão de quem acabou de perceber que esqueceu algo importante. Ele me olhou. Baixou o olhar para as minhas pernas com a naturalidade despreocupada dos vinte anos, sem nenhuma intenção de esconder, e subiu de novo. —Bom dia. —Sorriu—. Você é a mãe do Mateo, né? —Elena —falei—. E sim. —Ramiro. —Estendeu a mão livre—. Sou o goleiro. E o melhor amigo do Mateo, embora ele ainda não admita totalmente. Algo no jeito que ele disse aquilo me fez sorrir sem querer. —Já estão treinando? —Desde as oito. —Levantou as luvas como explicação—. Esqueci essas aqui. O professor vai me matar. —Outro sorriso, fácil, sem drama—. Você vai pro campo, né? Te acompanho um instante se quiser, a gente vai pro mesmo lado. Caminhamos juntos pelo corredor até a saída. Notei, sem querer notar, que o Ramiro olhou de novo pras minhas pernas enquanto a gente andava. Uma olhada rápida e casual, daquelas que a gente faz achando que ninguém percebe. Percebia. *Algo que vou ter que me acostumar*, pensei, e não soube se aquilo me perturbava ou só me parecia um fato. O campo de treino ficava a cinco minutos do hotel. Sentei nas arquibancadas com o sol da manhã batendo de frente e observei. No começo ninguém me deu atenção. Os jogadores estavam concentrados nos exercícios, o Carlos comandava com o apito e a voz firme do centro do campo, e eu era só alguém sentada na arquibancada que não atrapalhava nada. Vi o Mateo trabalhando num lado. Vi como antecipava um passe que ninguém mais tinha lido, como corria com aquela elegância dele que sempre me pareceu de outro mundo vindo de um garoto que eu tinha visto dar os primeiros passos. Vi o Ramiro no gol defender um chute com as luvas recém-recuperadas e levar o punho ao peito com uma comemoração mínima e satisfeita. Quando o apito final soou, os jogadores se juntaram no centro do campo. O Carlos pegou a planilha e começou a ler a lista de titulares pro dia seguinte com aquela voz dele que não subia nem descia de tom, não importava o que estivesse dizendo. Goleiro: Ramiro. Fui acompanhando os nomes. E então: —Posição de enganche: Mateo. Vi da arquibancada. Vi o Mateo levantar a cabeça, processar o próprio nome na lista, olhar pro Ramiro que já tava abrindo os braços. O abraço foi rápido e apertado, daqueles que não precisam de palavra. Mordi o lábio. Também vi quem ficou de fora. Um jogador alto, de cabelo escuro, que ouviu o nome dele brilhar pela ausência e baixou o olhar pro gramado com uma expressão que tentou controlar e não conseguiu direito. Saúl, alguém chamou. Diego, o capitão, chegou e botou a mão no ombro dele. —Fica tranquilo. O professor sabe o que faz. Quer testar o Mateo dessa vez. A gente sabe que essa posição é tua. Ouvi da arquibancada. E com essa clareza veio algo mais complicado: a consciência de que o lugar do Mateo naquela lista tinha um custo que o Saúl tava pagando sem saber por quê. Desviei o olhar e comecei a recolher o material. Entrei no refeitório do hotel tarde, com as mochilas já guardadas e os uniformes entregues na lavanderia. Entrei. E algo mudou.maeNão foi de uma vez. Foi gradual, como uma onda que começa numa ponta e vai chegando na outra. Uma cabeça que se levantou, depois outra. As conversas não pararam, mas baixaram o volume. E os olhares que no dia anterior mal tinham me roçado de relance, agora chegavam com uma atenção nova, mais lenta, mais deliberada. Não era imaginação. Era o short. Eram as pernas que eu passava anos guardando debaixo de tecidos mais compridos e mais seguros. Era algo que o Carlos tinha calculado com uma precisão que me pareceu ao mesmo tempo irritante e difícil de ignorar. Me servi no balcão com as costas meio rígidas e procurei um lugar pra sentar. Comi sozinha, com o prato na minha frente e a consciência periférica dos olhares que chegavam e iam embora. Tentei me convencer de que eu estava interpretando errado. Que era natural uma pessoa nova chamar um pouco de atenção. Fiquei repetindo isso pra mim mesma até terminar o prato. Encontrei todos na sala de estar: sofás, televisão ligada, o clima relaxado da tarde antes de um jogo importante. Eu estava atravessando em direção à escada quando o Mateo me viu. — Mãe. — Ele se levantou e veio até mim com o Ramiro um passo atrás—. Queria te apresentar o Ramiro. — A gente já se conheceu de manhã — falei. O Ramiro sorriu com aquela facilidade dele. — Ela me salvou de chegar atrasado no treino. — Deu um tapinha leve no ombro do Mateo—. Sua mãe é gente boa. Ficamos um tempo os três conversando. O Mateo falando do sistema tático que o Carlos tinha montado pro jogo, o Ramiro interrompendo com comentários que faziam ele rir. Eu ouvindo eles com aquela mistura de orgulho e algo mais complicado que eu aprendi a carregar em silêncio. Quando os meninos começaram a se retirar pros quartos, me despedi dos dois. — Descansem bem — falei—. Amanhã vocês vão dar tudo. O Mateo assentiu. E num gesto rápido, antes que o Ramiro visse, apertou meu braço com a mão. Não disse nada. Não precisou. O quarto 214 estava em silêncio quando abri a porta. O Carlos estava sentado no Na beira da cama, sem camisa, com os antebraços apoiados nos joelhos e aquela postura de homem que não precisa provar nada porque o que ele é já ocupa espaço suficiente. Ele me olhou quando entrei. —Cumpri minha parte do trato —disse, sem rodeios—. É hora de você cumprir a sua. Falou com uma segurança tão tranquila que não encontrei nenhuma palavra para responder. Os olhos dele desceram para minhas pernas e subiram de novo. —Vai no banheiro —disse—. A roupa que deixei pra você esta manhã. A que você não usou. Entrei no banheiro e fechei a porta. Me olhei no espelho por um bom tempo. A mulher no espelho tinha as bochechas com um pouco de cor e os olhos mais despertos do que eu esperava encontrar. Me troquei devagar. A calcinha fio dental vermelha de renda se assentou no quadril com uma leveza que fazia a gente ficar bem consciente do quanto tinha pouca coisa ali. O sutiã combinando levantava e marcava com uma precisão que minha roupa do dia a dia nunca tinha tido. Me olhei no espelho de novo, completa. Respirei fundo. Abri a porta do banheiro e fiquei parada sob o batente. A luz ficava atrás de mim, contornando minha silhueta. Eu vestia só o conjunto vermelho de renda que o Carlos tinha escolhido: a calcinha mal cobria o essencial e o sutiã combinando levantava e marcava meus peitos de um jeito que me fazia sentir exposta, vulnerável. O tecido era fino, quase inexistente. Senti o olhar dele como um carinho pesado percorrendo cada curva. Carlos estava sentado na beira da cama. Os olhos dele desceram devagar pelo meu corpo e subiram de novo. Um sorriso lento, satisfeito, se desenhou no rosto dele.serie—Caralho, que corpinho que você tem, Elena —disse ele com voz grave —. Vira pra mim. Hesitei um segundo, mas obedeci. Me virei devagar. Senti os olhos dele percorrendo minhas costas, descendo até minha bunda e parando ali com fome. —Bunda linda... e que peitos grandes. Isso me excita pra caralho. Quando me virei de novo pra ele, notei o volume evidente crescendo sob o short dele. O calor subiu violentamente pelo meu pescoço até minhas bochechas. Ele se levantou e se aproximou com aquela calma autoritária. Me pegou pela cintura e me beijou. Os lábios dele eram firmes, exigentes. No começo só correspondi porque fazia parte do acordo: rígida, mecânica. Mas as mãos dele desceram pelas minhas costas até minhas nádegas e as apertaram com força, massageando de forma possessiva, desesperada. Um gemido baixo escapou da garganta dele enquanto me colava mais contra o corpo dele. Algo estranho começou a acontecer dentro de mim. Um calor que se espalhava do ventre até as coxas. Beijei de volta com mais intensidade, quase sem perceber. Meu corpo começava a se soltar. Carlos separou apenas os lábios. —Você tá gostando disso, né? Seu corpo não mente, Elena. Fiquei em silêncio, mordendo o lábio. As mãos dele desceram pelo meu ventre até roçar minha buceta por cima da calcinha fio dental. Os dedos dele pressionaram e sentiram a umidade. —Porra... mas você tá encharcada —murmurou com satisfação sombria—. Seu corpo não consegue esconder. Ele afastou a calcinha pro lado e deslizou dois dedos grossos pra dentro de mim. Eu tava escorregadia, aberta. Ele moveu fundo, curvando os dedos. —Ahh... assim... —escapou de mim. —Haaa... haaa... Ele aumentou a velocidade. Minhas pernas se abriram mais por vontade própria. O prazer era incontrolável. —Você é uma mulher safada, Elena. Dá pra ver que seu corpo precisava disso com urgência. Olha como você aperta meus dedos... tão desesperada pra ser comida. Ele tirou meu sutiã vermelho e depois a calcinha. Me levou pra cama, me deitou e tirou a roupa dele. A pica grossa e ereta saltou livre. Ele pegou minhas pernas, colocou sobre os ombros dele e empurrou pra dentro de mim. devagar. —Mmmm… devagar… —sussurrei. —Acho que não disse que você podia falar —ele rosnou, e começou a se mover num ritmo constante e profundo. —Haaa… haaa… Cada estocada me preenchia por completo. Meus peitos quicavam com força. O prazer era avassalador. —Aproveita, vadia. Sua buceta está incrivelmente molhada e apertada… perfeita pro meu pau. Sente como ele te abre? —sussurrou no meu ouvido, acelerando—. Você foi feita pra ser comida assim, Elena. Tão molhada… tão quente… geme pra mim. —Sim… assim… me dá mais… —as palavras saíram sozinhas. Carlos sorriu satisfeito e aumentou a intensidade, me comendo mais forte, mais fundo. —Menina boa. Me diz o quanto você gosta que eu destrua essa buceta. —Eu gosto… haaa… gosto muito… mais forte, por favor… Eu estava perdendo o controle. Minhas unhas cravavam nos braços dele. O orgasmo se aproximava como uma onda imparável. —Assim, goza no meu pau —ordenou, batendo mais rápido—. Quero sentir você gozando como a puta safada que você é. Vamos, Elena… se solta. O prazer explodiu dentro de mim. Meu corpo inteiro se tensionou violentamente. Minhas paredes se contraíram em volta do pau grosso dele enquanto ondas de prazer me percorriam uma após a outra. Gritei abafado, tremendo sem controle, encharcando ele por completo. —Haaa… sim…! —gemi sem conseguir me conter. Carlos continuou me comendo durante meu orgasmo, prolongando, até meus espasmos começarem a acalmar. Então ele saiu de mim de uma vez, se levantou e me puxou pra beira da cama. —Vou gozar —disse com a voz rouca—. Ajoelha. Ele me colocou de joelhos no chão na frente dele. Agarrou o pau brilhando com a minha lubrificação e começou a se masturbar rápido na minha cara. —Abre a boca. Eu abri. O primeiro jato caiu na minha língua, o próximo nos meus lábios, bochechas e queixo. Quente, grosso. Ele continuou gozando até meu rosto ficar marcado por ele. —Você é uma boa assistente —disse com a respiração ofegante, me olhando de cima com aquela calma possessiva—. Muito boa. Ele foi pro banheiro sem dizer mais nada. Eu fiquei uns segundos de joelhos, ainda tremendo pelo orgasmo, com o semen quente dele na minha cara e o gosto salgado na boca. Meu coração batia descompassado. A culpa, a vergonha e o prazer residual se misturavam num nó impossível de desatar. Depois peguei papel higiênico e me limpei com as mãos trêmulas. Fiquei na cama sem me mexer por vários minutos, olhando pro teto com a respiração ainda se acalmando. Quando o barulho da água parou, ouvi o Carlos sair do banheiro, andar pelo quarto, e depois o rangido do colchão do lado dele da cama. Esperei. A respiração dele ficou lenta e regular com aquela facilidade irritante de sempre. Me levantei em silêncio e entrei no banheiro. Tomei banho com a água quente até o vapor encher o espaço e o espelho sumir sob a condensação. Fiquei lá mais tempo do que precisava, com a água caindo nos ombros, sem pensar em nada específico ou pensando em tudo ao mesmo tempo, que às vezes é a mesma coisa. Quando saí e me enrolei na toalha, o espelho ainda estava embaçado. Deixei assim. Vestí a camiseta do clube e o shorts, que era o mais parecido com roupa confortável que eu tinha disponível, e saí do banheiro em silêncio. O Carlos dormia. De lado, com uma calma absoluta, como alguém que não carrega nenhuma pergunta sem resposta. Me sentei na beirada do meu lado da cama, no escuro, com as mãos sobre os joelhos. *Seu corpo não mente.* Ele tinha razão nisso. E era isso que era mais difícil de sustentar naquele silêncio: que ele tinha razão nisso. Fazia quanto tempo que ninguém me olhava. Fazia quanto tempo que eu mesma tinha deixado de me olhar, de existir daquele jeito, de ser algo além da mãe do Mateo e da mulher dos trâmites e das madrugadas no carro a caminho do treino. Fazia quanto tempo que meu corpo era simplesmente o veículo que me levava de um lado pro outro sem que ninguém, incluindo eu, prestasse muita atenção nele. O Carlos tinha prestado atenção. E isso, por mais que eu virasse de todas as formas possíveis, eu não conseguia transformar em algo simples. Deitei devagar, olhando para o teto. Fechei os olhos. Nota do autor: Espero que você tenha curtido essa história. Se não quiser esperar pela próxima parte pra saber o que rola, o próximo capítulo e a versão narrada em áudio já estão disponíveis no Patreon. Escuta o áudio e lê antes aqui:

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