Capítulo 8
Caminhei por horas. No começo, rápido, como se me afastar do apartamento pudesse também abaixar o volume de tudo o que a María tinha acabado de me dizer. Depois, mais devagar. Sem rumo. Meu celular vibrou várias vezes. *love, vem. Vamos conversar.* Uns minutos depois: *Não fica bravo comigo, gordinho.* E mais tarde: *Vem logo ou vou te buscar de pijama 😒* Eu sorri. Durou pouco. Guardei o celular de novo. A voz da María continuava comigo. Nunca. Nunca tinha tido um orgasmo comigo. Ela tinha aproveitado. Tinha se divertido. Gostava da nossa química, de me deixar vermelho, de me ver perder o controle. Mas nunca. E o tamanho podia ter algo a ver com isso.
Entrei num café quando cansei de andar. Pedi qualquer coisa e acabei com uma xícara entre as mãos que esfriou sem eu dar mais que dois goles. Abri o navegador. *Cuckolding*. Fechei de novo. Abri outra vez. Li sobre ciúmes. Casais que transformavam o ciúme em parte do desejo. Homens que curtiam ver suas esposas com outro. Outros que falavam de compersão, de sentir prazer porque a pessoa que amavam estava se divertindo. Tinham palavras elegantes demais para algo que na minha cabeça parecia muito mais simples. María. Outro homem. Eu olhando. Engoli seco e desci um pouco mais. Encontrei histórias de maridos que ajudavam. Que preparavam as coisas. Que ouviam depois. Alguns falavam de humilhação. Comparações. De se sentirem pequenos ao lado do outro cara. Fechei o navegador. Abri de novo. Que porra eu estava fazendo.
Apoiei a testa na mão. A María de quatro voltou a aparecer na minha cabeça. A bundinha. As nádegas dela me impedindo de chegar mais perto. E depois Marcos. Aquele volume enorme que ela tinha descrito nos contos. O formigamento voltou. Me mexi na cadeira. Não. O que eu queria era que ela sentisse alguma coisa. Era só isso. Que ela tremesse como eu tremia quando ela sabia exatamente onde me tocar, o que me dizer, quando rir. Mesmo que fosse com outro. Mesmo que doesse. Mesmo que fosse o Marcos. A tela apagou. entre meus dedos. Já era noite quando voltei. Abri a porta devagar. O apartamento estava em silêncio. Só entrava uma luz fraca do quarto. Maria estava dormindo. Estava abraçada no velho bicho de pelúcia safado do nosso primeiro encontro. Uma das minhas camisas brancas ficava enorme nela, aberta sobre o peito. Por baixo, ela usava uma calcinha com uma estampa putona. Fiquei olhando pra ela da porta. Tinha passado horas imaginando ela com outro homem e a primeira coisa que senti ao vê-la foi vontade de abraçá-la. Tirei os sapatos e sentei na beira da cama. O colchão afundou. Maria abriu os olhos. Piscou. —Você veio, gordo. Não tive tempo de responder. Ela largou o pelúcia e se jogou em cima de mim. —Idiota! Me abraçou tão forte que quase me derrubou pra trás. —Me deixou preocupada. Afundei o rosto no cabelo dela. Cheirava ao shampoo dela e à minha colônia. —Precisava pensar. —Então pensa aqui. Ela me beijou na bochecha. —Pra isso você tem esposa. Soltei uma risada curta. Maria se afastou o suficiente pra me olhar. Os dedos dela roçaram minha barba. —Ainda tá bravo? —Não tava bravo. —Ahã. —Tava... Não achei a palavra. Maria também não tentou me ajudar. Só esperou. —Perdido. Os olhos dela baixaram por um momento. —Eu não queria te machucar. —Eu sei. Ela me beijou de novo. Dessa vez nos lábios. Suave no começo. Depois mais longo. Senti as mãos dela subirem pelo meu pescoço enquanto ela se acomodava no meu colo. —Senti sua falta —murmurou. —Foram só umas horas. —Foram muitas horas. —Dramática. —Sim. Ela sorriu contra minha boca. Me empurrou até me deitar e sentou montada em mim. Minha camisa abriu ainda mais. —Olha como você me deixou esperando. —Essa é minha camisa. —Agora é minha. —Tudo que é meu acaba virando seu. Maria ergueu uma sobrancelha. —Exato. Os dedos dela desceram pelo meu peito. —amor... Ela me beijou embaixo da orelha. —Me pega. Fechei os olhos. Eu queria ela. Deus, claro que queria. Sentia as coxas dela de cada lado de mim, o calor do corpo dela, a respiração dela contra meu pescoço. Mas lá embaixo não aconteceu nada. Maria mexeu um pouco as quadris. Esperou. Fez de novo. Abriu os olhos. —Pixelzinho? Me cobri o rosto com uma mão. —Não começa. —O que foi? A mão dela desceu. —Maria... —Tá dormindo. Fez bico. —Com a felicidade que eu tô que você voltou. —Não consigo tirar ontem da cabeça. O sorriso dela apagou um pouco. Ficou sentada em cima de mim. A mão continuou lá, mas sem tentar mais nada. —Gordo... —Não quero falar de tudo de novo. —Então a gente não fala. Ficou parada uns segundos. Depois os olhos dela mudaram. Eu conhecia aquele olhar. —O quê? —Nada. —Maria. Ela desceu de cima de mim e pegou o celular. —Vamos tentar outra coisa. —Que coisa? A câmera apontou pra mim. —Maria! O flash me fez fechar os olhos. Ela olhou pra tela e soltou uma gargalhada. —Não! —Apaga isso. —Olha. Tentei tirar o celular dela. Ela levantou fora do meu alcance. —Modo passinha! —Me dá isso. —Jijiji. Ela se afastou engatinhando pela cama e olhou a foto de novo. Eu queria arrancar dela. Mas acabei olhando também. Lá estava. Dormido. Pequeno até pra mim. O sorriso foi sumindo do meu rosto. Maria percebeu. —O quê? Não tirei os olhos da tela. —É sério que é tão pequeno assim? Ela parou de rir. Só por um momento. —Gordo... —É sério. Maria olhou a foto de novo. —Bom... Saiu uma risadinha dela. Não debochada. Mais baixinha. —Dormidinho até parece uma passinha. —Maria. —O quê? Você perguntou. Me cobri de novo. —Merda. Ela me deu um beijo no braço. —Quando acorda, melhora. —Que consolo. —Kkkk. Olhou o celular de novo. —Deixa eu ver. —O que você tá fazendo? —Procurando. Se acomodou do meu lado. Digitou alguma coisa. —Aqui diz... Tomei o celular dela. —Deixa eu ver. Média. Catorze. Outro resultado falava de algo perto de quinze. Olhei a foto de novo. Depois os números. Catorze. Quinze. —Isso tá inflado. Maria soltou uma risada pelo nariz. —Claro. —Internet exagera tudo. —Ahã. —É verdade. —Mmm. Olhei pra ela. —O quê? —Nada. Continuava sorrindo. —Capaz que você não tá tão longe assim. —Exato. —Então... Ela se sentou. —Vamos medir. Senti calor na cara. —Não. —Como assim, não? —Maria. Ela já estava olhando ao redor. —Vamos ver... cadê a régua? —Você não vai me medir. —Claro que vou. —Pra quê? —Porque agora eu também quero saber. Abriu uma gaveta. —Achêi! Tirou uma régua de madeira. Me sentei. —Não. Maria voltou cantarolando. —Vamos ver quanto mede essa coisinha... —Larga a régua. —Ai, gordinho. Tentei me cobrir. Ela me deu um tapinha suave na coxa. Tapa. —Maria! —Fica quietinho. Outro. Tapa. A ardência foi mínima. Mas o sorriso dela, a régua entre os dedos e aquela mania de mandar em mim... Senti a primeira pulsação. Maria baixou o olhar. Depois me encarou. —Ahã. Merda. —Olha quem tá acordando. —Cala a boca. —Viu? O gostoso gosta de uns tapinhas. Me deu outro, só roçando. Meu corpo respondeu mais. Maria sorriu. —Isso. Se aproximou. —Deixa eu medir minha coisinha. A voz dela virou quase um canto de novo. Minhas orelhas queimavam. Mas afastei as mãos. Maria ajustou a régua com cuidado. Esperou mais um pouco. —Quieto. O cabelo dela caiu pra frente enquanto olhava. Eu olhei pro teto. —Quanto? —Espera. —Maria. Ela moveu a régua de leve. —Nove... Senti um vazio embaixo das costelas. —Nove o quê? —Nove vírgula nove. Abaixei a cabeça. —O quê? —9,9. Olhei. A régua não tinha nenhuma consideração pelos meus sentimentos. 9,9. Maria conferiu de novo. —É. Peguei o celular dela e procurei a média de novo. Catorze. Quinze. Quatro centímetros. Quase cinco. Passei o polegar pela tela. —buceta. Maria deixou a régua na minha coxa. Não estava mais rindo. —amor... —Os caras que você ficou antes... Minha garganta fechou. Maria esperou. —O pau... Me arrependi antes de terminar. —Era muito maior que o meu? Ela soltou uma risadinha curta. Baixou o olhar. Mordeu o lábio. —Luis, sei lá... haha. Também não ia pela vida medindo eles. —Mas você sabe. Silêncio. Os dedos dela brincaram com a borda da minha camisa, ainda vestida. —Alguns eram. Senti um arrepio subir pelas costas. —Muito? Maria mordeu o lábio de novo. —Alguns... bastante. —E com quantos você já ficou? Maria piscou. —Com quantos o quê? —Homens. —Ai, Luis... —Dez? —Luis... —Vinte? Um sorriso começou a escapar. —Trinta e nove? —Por que trinta e nove? —Sei lá. Quinhentos? Maria caiu de costas na cama, morrendo de rir. —Sim, gordo. Quinhentos exatos. Tinha um caderninho e tudo. Eu ri sem querer. —Tô falando sério. Maria se sentou ainda sorrindo. —Não sei, gordo. Nunca fiquei contando assim. Olhei de novo para o 9,9. Não tinha mais onde esconder. —E é muito diferente? Maria levantou o olhar. Não respondeu na hora. —Mmm... Ela se virou de lado. —É. A palavra me deixou gelado. Mas continuei esperando. —É difícil explicar. —Tenta. Maria soltou o ar pelo nariz. —Você sabe quando eu fico de quatro... —De quatro? —É, bobo. De gatinha. Ela levantou um pouco o quadril na cama, só pra mostrar o que queria dizer. —Assim. A imagem veio fácil demais. Maria sobre as mãos e joelhos. Costas arqueadas. Quadril pra cima. E por um segundo se misturou com outra. Orelhas pretas. Rabinho de pelúcia. Bigodes pintados. Miau, miau. Quase sorri. Minha mulher sempre teve talento pra transformar qualquer coisa em loucura. Maria continuou falando. —Aí sente diferente. Os dedos dela desenharam uma linha distraída na minha perna. —Quando entra fundo e volta... e volta... Ela mexeu a mão, procurando as palavras. —Sei lá. É tipo uma corrente. Uma coisa que vai dando e dando... A voz começou a baixar. —Uma faísca, outra... outra... Sorriu. —Até que acende tudo. Abriu os dedos. —Pum! Ela riu de si mesma. —Que explicação ruim. Eu não ri. Ela continuou. —E estando assim... você consegue se soltar mais. Os olhos dela foram por um instante pra lugar nenhum. —Você não fica pensando no que fazer, nem se ajeitando, nem comandando tudo. Você se agarra e pronto. Mordeu o lábio. —Que te segurem bem na cintura... Os dedos dela apertaram minha coxa. —Que te comam gostoso. O sorriso voltou. Mais lento. —E uma palmada boa também não atrapalha. Ela se deu um tapa rápido na bunda dela. —Kkkk... Balanceou a cabeça. —Ai, gordo, já era. Por um segundo imaginei uma Maria que eu não conhecia. Selvagem. Entregue. De quatro. Se deixando levar até perder o controle. —É tanto assim? Maria me olhou de novo. Ainda tinha as bochechas levemente vermelhas. —Eu gosto muito. Algo apertou no meu peito. —Eu posso fazer isso. A risada saiu antes que ela pudesse segurar. —Kkkk... Tapou a boca. —Maria. —Desculpa. Tentou ficar séria. Não conseguiu totalmente. —Amor, não tô rindo de você. —Ahã. —É que... O sorriso voltou. —Você até tenta. —Eu tento. —Muito. Lembrei na hora por que ela tava rindo. Maria de quatro na primeira vez. Eu atrás. A pontinha só entrando. Mete tudo, gordo! Isso aí. Depois ela se ajeitando, tentando me ajudar. Eu conseguindo um pouco mais. Tentando me mexer rápido. E saindo. De novo. E de novo. —É culpa da sua bunda. Maria abriu a boca. —¡¿Perdão?! —É grande demais. Me bateu com o travesseiro. —Ei! —É verdade. —Mas você adora minhas nalgas. —Não é esse o ponto. —Hum. Pegou o celular de novo. —Vamos investigar esse caso. —Que caso? —O das minhas pobres nalgas injustiçadas. Começou a pesquisar. Eu ainda sentia os 9,9 como se a régua estivesse colada no meu corpo. Maria desceu a tela. —Olha. —O quê? —Aqui fala de posições. Leu um pouco mais. Os olhos dela se arregalaram. —De quatro! Olhei pra ela. —O quê? —Diz que quando falta comprimento pode ser mais difícil manter em certas posições. Me aproximou a tela. —Viu?! Apontou pra própria bunda. —Minhas nalgas são inocentes! —Isso não prova nada. —Hum, hum. Olhou pra baixo, pra mim. —Aqui diz que pro pauzinho curto é mais difícil. —Sua bunda continua enorme. —E deliciosa! —Isso sim. Maria sorriu satisfeita. Voltei pra média. Catorze. Quinze. —Mesmo assim esses números são inflados. —De novo. —Internet. —Claro. —Qualquer um posta qualquer coisa. Maria inclinou a cabeça. —Bom... Aquele sorriso. —O quê? —Vamos perguntar pra Sofi. Senti uma pontada no peito. María soltou uma gargalhada ao me ver. —Kkkkk! Era brincadeirinha, amor. Voltou pra tela. —Pergunta. Os dedos dela pararam. —O quê? —Pra Sofía. Ela me olhou. Esperei que risse. Não riu. —Sério? Engoli seco. —Sim. María pegou o celular com as duas mãos. Já estava sorrindo de novo. —Ai, gordinho... —O quê? —Nada. Procurou a foto anterior. A do broxante. A vergonha subiu na hora pelo meu pescoço. —Essa não. —Não era você que queria opinião profissional? —Sofía não é profissional. —Ela tem experiência. Isso não ajudou. María riu. —Mando? Olhei pra foto. Podia dizer que não. —Manda. O som da mensagem enviada me fez fechar os olhos. —Merda. —Kkkkk. —Não ri. —Você que pediu. A resposta chegou pouco depois. María abriu o WhatsApp. Os ombros dela começaram a tremer. —Não... —O que ela disse? Virou o celular. Sofía: KKKKK que piroca é essa? Parece pipizinho de bebê 😂 —Cala a boca. María já tava se dobrando de rir. Escreveu: María: É o Luis dormindo kkk. Os três pontinhos apareceram. Sofía: Nossa mulher, tu e tuas loucuras 😂 María passou anos tirando fotos minhas que me faziam esconder o rosto. Sempre achei que eram só dela. A forma tão natural com que Sofía recebeu aquilo me fez pensar em quantas teriam saído da galeria dela. E pra quem mais? María continuava olhando a tela, radiante. Tinha algo diferente nela. Não era só a brincadeira. Parecia encantada de eu estar ali, lendo com ela, metido de livre e espontânea vontade numa das loucuras dela. Voltou pra galeria. Apareceu a outra foto. A da régua. 9,9. —Bom... Cantarolou. —Agora vou mandar a versão acordada, pra ela não te deixar tão mal. —María... Ela me olhou de canto. Só isso. Não perguntou de novo. Também não a impedi. Senti o estômago revirar quando ela começou a escrever. Não aguentava a vergonha. Mas queria saber. Queria muito saber. María: Essa aqui tá acordada 😂 Luis quer tua opinião. É curto ou não? 9,9. Anexou a foto. —Pronto. Tampei o rosto. —Não quero ver. —Mentiroso. O telefone vibrou. Não mexi as mãos. —Já respondeu. —Lê você. —Não. —Maria. —Olha pra ela. Abaixei as mãos. Sofia: O QUÊÊÊ? 😂😂😂 o cunhado tá lendo isso??? Maria escreveu: Sim 😂 A resposta apareceu na hora. Sofia: Deus, vocês são malucos KKKKK Depois: Sofia: Mas cunhado, desculpa se você tá lendo 😂 isso aí é bem pequenininho. Senti minhas orelhas queimando. Maria me olhou. Não disse nada. Outra mensagem. Sofia: Mana, sério, isso não te faz cócegas? 😂 —buceta... Maria apertou os lábios. Tava tentando não rir. O telefone vibrou de novo. Sofia: Nada a ver com o que você comia antes e te fazia tremer 😂. Aí sim parei de olhar. Não porque eu não soubesse. Maria tinha acabado de me explicar. Mas a Sofia sabia também. O suficiente pra comparar. Senti uma mistura estranha de calor e frio descendo pelas minhas costas. Maria largou o telefone na cama. Se aproximou e me beijou a bochecha. —Ficou satisfeito agora? —Fiquei. Pegou o telefone de novo. —Tem certeza? Podemos publicar o Pixel em algum fórum. Hehehe. Pedimos opinião mundial. —Chega, Maria, basta! Ela caiu na risada. Eu também. Não consegui evitar. —Você é maluca. —Mas você casou comigo. —Esse foi meu erro. Me mordeu o ombro. —Mentiroso. A ideia do fórum voltou por um segundo. Gente olhando a foto. Opinando. Comparando. Me mexi desconfortável. Que merda. Maria largou o telefone de vez. Se aninhou contra mim. Os dedos dela começaram a brincar com os pelos do meu peito. —Viu? —O quê? —Que não era invenção da internet. —Obrigado por me lembrar. Me deu um beijinho. Depois outro. Olhei pra ela. Continuava feliz. Não parecia uma mulher presa comigo. Isso me incomodou quase tanto quanto me aliviou. —Então... —Hmm? —Se é realmente tão pequeno... Maria ergueu os olhos. —O que você gosta tanto em transar comigo? Piscou. Depois sorriu. —Ah, gordão. —Tô falando sério. —Você de novo com suas perguntas. —Maria. Me acariciou a barriga. —Gosto que você seja meu cúmplice maluco. —Isso não responde. —Responde sim. Se acomodou melhor contra mim. —Você reclama de tudo... —Eu Não reclamo de tudo. Ela me olhou. —Luis. —Tá bom. —Você protesta, fica vermelho, diz que não... e no final acaba me seguindo. O sorriso dela ficou ainda maior. —Ou já esqueceu quando eu vesti minhas calcinhas em você? Fechei os olhos. —Não. —Risadinha. —Não começa. A imagem voltou sozinha. Eu tentando vestir uma das calcinhas dela enquanto a María estava sentada na cama, morrendo de rir. O tecido apertando. Eu tentando me cobrir. Ela dizendo que ficava linda em mim. Senti o calor nas orelhas de novo. María continuou. —E quando minha enfermeira quis experimentar um pouquinho? Abri os olhos. —María. —O quê? Ela mordeu o lábio. —Bem que você gostou do dedinho. —Cala a boca. Ela riu. A lembrança veio mesmo assim. Minha cara no travesseiro. A mão dela. A primeira surpresa. Depois eu parando de me tensar. Até me acomodando um pouco mais. Merda. —E as cordas —seguiu María. —Já chega. —E minhas palmadinhas. —Já chega. —E minha gatinha. Ela levantou as mãos como garras. —Miau. Soltei uma risada. As orelhinhas pretas. A rabinho de pelúcia. María dançando enquanto procurava meus olhos no meio daquela gente toda. As cordas. As palmadas. As calcinhas dela. O dedo. Todas as vezes que eu tinha terminado vermelho, protestando, me escondendo. E todas as vezes que eu tinha voltado a fazer. Sempre chamei de as loucuras da María. Mas nunca quis que parassem. Olhei pra ela. María ainda lembrava de alguma delas. Sorria sozinha enquanto fazia círculos no meu peito. —Uma vez você quase chorou quando te amarrei forte demais. —Não chorei. —Seus olhinhos estavam marejados. —Porque tava apertando. —Ahã. Ela riu de novo. Eu também tinha curtido. Muito. María levantou o olhar e me viu olhando pra ela. —O quê? Neguei. Não precisava perguntar. Tinha ela ali. Descalça, com minha camisa aberta, ainda rindo das coisas que a gente tinha feito anos atrás. Beijei ela. María se surpreendeu por um instante. Depois retribuiu o beijo. Dessa vez fui eu quem empurrou ela de leve pra cima da cama. —Olha só você. —O quê? —Nada. O sorriso dela se abriu enquanto caía no travesseiro. Safada. Feliz. Me coloquei sobre ela. María passou os braços em volta do meu pescoço. —Ué. —Cala a boca. —Não falei nada. —Mas vai falar. —Capaz. Beijei ela de novo. O corpo dela colou no meu. Dessa vez não tinha vozes na minha cabeça dizendo que eu não podia. Ou talvez tivesse. Mas estavam mais longe. María me ajudou a tirar a calcinha dela. Não assumiu o controle. Só me olhou. Isso me deixou mais nervoso do que quando ela assumia. —Que foi? —Nada. —Para de me olhar assim. —Assim como? —María. Ela riu. Ajeitei um travesseiro embaixo do quadril dela quase por hábito. Ela abriu as pernas e me recebeu. O primeiro contato me fez fechar os olhos. —Gordinho... Continua. Devagar. María respirou contra a minha boca. As mãos dela foram para as minhas costas. Não tinha explosões. Não tinha aquela outra María que eu tinha descrito pouco antes. Mas ela estava sorrindo. E eu podia sentir como o corpo dela respondia debaixo do meu. Ela me beijou. —Adoro quando você é meu cúmplice doido. A palavra ficou ali. Cúmplice. Marcos apareceu na minha cabeça. Perdi o ritmo. María abriu os olhos. —O que aconteceu? —Nada. Tentei continuar. Não consegui deixar passar. —Você também quer ser meu cúmplice naquilo? María franziu levemente a testa. —Naquilo o quê? Meu rosto queimou. —Em ser seu corno. O sorriso dela sumiu. Ela mordeu o lábio. Não respondeu. Continuei me movendo, mais devagar. O silêncio ficou grande demais. —Você quer que eu te veja... com o Marcos? Os dedos dela se cravaram nos meus ombros. María fechou os olhos por um segundo. —María... Engoli seco. —Que eu te veja dando pra ele? Um gemido escapou antes dela responder. —Sim. Minha respiração parou. María com Marcos. De quatro. Selvagem. Entregue. Curtindo tanto quanto eu curtia quando era ela quem me fazia perder o controle. A imagem me queimou por dentro. Mas continuei. —Eu também quero. María abriu os olhos. Acelerei. Quase saí. Agora não. Apertei o quadril e voltei a achar o ângulo. Não ia deixar meu pintinho escapar bem naquele momento. María me olhava com os lábios entreabertos. Surpresa. Acesa. —Luis... Já não dava pra guardar pra mim. —Sim, eu quero ser seu cuckold. As unhas dela cravaram nos meus ombros. E eu gozei. Fiquei sem forças em cima dela, respirando contra o pescoço dela. A Maria também não se mexeu. Depois senti os braços dela se fechando ao meu redor. Eu abracei ela. Pela primeira vez em todo o dia, nenhum dos dois sabia o que mais dizer.
Caminhei por horas. No começo, rápido, como se me afastar do apartamento pudesse também abaixar o volume de tudo o que a María tinha acabado de me dizer. Depois, mais devagar. Sem rumo. Meu celular vibrou várias vezes. *love, vem. Vamos conversar.* Uns minutos depois: *Não fica bravo comigo, gordinho.* E mais tarde: *Vem logo ou vou te buscar de pijama 😒* Eu sorri. Durou pouco. Guardei o celular de novo. A voz da María continuava comigo. Nunca. Nunca tinha tido um orgasmo comigo. Ela tinha aproveitado. Tinha se divertido. Gostava da nossa química, de me deixar vermelho, de me ver perder o controle. Mas nunca. E o tamanho podia ter algo a ver com isso.
Entrei num café quando cansei de andar. Pedi qualquer coisa e acabei com uma xícara entre as mãos que esfriou sem eu dar mais que dois goles. Abri o navegador. *Cuckolding*. Fechei de novo. Abri outra vez. Li sobre ciúmes. Casais que transformavam o ciúme em parte do desejo. Homens que curtiam ver suas esposas com outro. Outros que falavam de compersão, de sentir prazer porque a pessoa que amavam estava se divertindo. Tinham palavras elegantes demais para algo que na minha cabeça parecia muito mais simples. María. Outro homem. Eu olhando. Engoli seco e desci um pouco mais. Encontrei histórias de maridos que ajudavam. Que preparavam as coisas. Que ouviam depois. Alguns falavam de humilhação. Comparações. De se sentirem pequenos ao lado do outro cara. Fechei o navegador. Abri de novo. Que porra eu estava fazendo.
Apoiei a testa na mão. A María de quatro voltou a aparecer na minha cabeça. A bundinha. As nádegas dela me impedindo de chegar mais perto. E depois Marcos. Aquele volume enorme que ela tinha descrito nos contos. O formigamento voltou. Me mexi na cadeira. Não. O que eu queria era que ela sentisse alguma coisa. Era só isso. Que ela tremesse como eu tremia quando ela sabia exatamente onde me tocar, o que me dizer, quando rir. Mesmo que fosse com outro. Mesmo que doesse. Mesmo que fosse o Marcos. A tela apagou. entre meus dedos. Já era noite quando voltei. Abri a porta devagar. O apartamento estava em silêncio. Só entrava uma luz fraca do quarto. Maria estava dormindo. Estava abraçada no velho bicho de pelúcia safado do nosso primeiro encontro. Uma das minhas camisas brancas ficava enorme nela, aberta sobre o peito. Por baixo, ela usava uma calcinha com uma estampa putona. Fiquei olhando pra ela da porta. Tinha passado horas imaginando ela com outro homem e a primeira coisa que senti ao vê-la foi vontade de abraçá-la. Tirei os sapatos e sentei na beira da cama. O colchão afundou. Maria abriu os olhos. Piscou. —Você veio, gordo. Não tive tempo de responder. Ela largou o pelúcia e se jogou em cima de mim. —Idiota! Me abraçou tão forte que quase me derrubou pra trás. —Me deixou preocupada. Afundei o rosto no cabelo dela. Cheirava ao shampoo dela e à minha colônia. —Precisava pensar. —Então pensa aqui. Ela me beijou na bochecha. —Pra isso você tem esposa. Soltei uma risada curta. Maria se afastou o suficiente pra me olhar. Os dedos dela roçaram minha barba. —Ainda tá bravo? —Não tava bravo. —Ahã. —Tava... Não achei a palavra. Maria também não tentou me ajudar. Só esperou. —Perdido. Os olhos dela baixaram por um momento. —Eu não queria te machucar. —Eu sei. Ela me beijou de novo. Dessa vez nos lábios. Suave no começo. Depois mais longo. Senti as mãos dela subirem pelo meu pescoço enquanto ela se acomodava no meu colo. —Senti sua falta —murmurou. —Foram só umas horas. —Foram muitas horas. —Dramática. —Sim. Ela sorriu contra minha boca. Me empurrou até me deitar e sentou montada em mim. Minha camisa abriu ainda mais. —Olha como você me deixou esperando. —Essa é minha camisa. —Agora é minha. —Tudo que é meu acaba virando seu. Maria ergueu uma sobrancelha. —Exato. Os dedos dela desceram pelo meu peito. —amor... Ela me beijou embaixo da orelha. —Me pega. Fechei os olhos. Eu queria ela. Deus, claro que queria. Sentia as coxas dela de cada lado de mim, o calor do corpo dela, a respiração dela contra meu pescoço. Mas lá embaixo não aconteceu nada. Maria mexeu um pouco as quadris. Esperou. Fez de novo. Abriu os olhos. —Pixelzinho? Me cobri o rosto com uma mão. —Não começa. —O que foi? A mão dela desceu. —Maria... —Tá dormindo. Fez bico. —Com a felicidade que eu tô que você voltou. —Não consigo tirar ontem da cabeça. O sorriso dela apagou um pouco. Ficou sentada em cima de mim. A mão continuou lá, mas sem tentar mais nada. —Gordo... —Não quero falar de tudo de novo. —Então a gente não fala. Ficou parada uns segundos. Depois os olhos dela mudaram. Eu conhecia aquele olhar. —O quê? —Nada. —Maria. Ela desceu de cima de mim e pegou o celular. —Vamos tentar outra coisa. —Que coisa? A câmera apontou pra mim. —Maria! O flash me fez fechar os olhos. Ela olhou pra tela e soltou uma gargalhada. —Não! —Apaga isso. —Olha. Tentei tirar o celular dela. Ela levantou fora do meu alcance. —Modo passinha! —Me dá isso. —Jijiji. Ela se afastou engatinhando pela cama e olhou a foto de novo. Eu queria arrancar dela. Mas acabei olhando também. Lá estava. Dormido. Pequeno até pra mim. O sorriso foi sumindo do meu rosto. Maria percebeu. —O quê? Não tirei os olhos da tela. —É sério que é tão pequeno assim? Ela parou de rir. Só por um momento. —Gordo... —É sério. Maria olhou a foto de novo. —Bom... Saiu uma risadinha dela. Não debochada. Mais baixinha. —Dormidinho até parece uma passinha. —Maria. —O quê? Você perguntou. Me cobri de novo. —Merda. Ela me deu um beijo no braço. —Quando acorda, melhora. —Que consolo. —Kkkk. Olhou o celular de novo. —Deixa eu ver. —O que você tá fazendo? —Procurando. Se acomodou do meu lado. Digitou alguma coisa. —Aqui diz... Tomei o celular dela. —Deixa eu ver. Média. Catorze. Outro resultado falava de algo perto de quinze. Olhei a foto de novo. Depois os números. Catorze. Quinze. —Isso tá inflado. Maria soltou uma risada pelo nariz. —Claro. —Internet exagera tudo. —Ahã. —É verdade. —Mmm. Olhei pra ela. —O quê? —Nada. Continuava sorrindo. —Capaz que você não tá tão longe assim. —Exato. —Então... Ela se sentou. —Vamos medir. Senti calor na cara. —Não. —Como assim, não? —Maria. Ela já estava olhando ao redor. —Vamos ver... cadê a régua? —Você não vai me medir. —Claro que vou. —Pra quê? —Porque agora eu também quero saber. Abriu uma gaveta. —Achêi! Tirou uma régua de madeira. Me sentei. —Não. Maria voltou cantarolando. —Vamos ver quanto mede essa coisinha... —Larga a régua. —Ai, gordinho. Tentei me cobrir. Ela me deu um tapinha suave na coxa. Tapa. —Maria! —Fica quietinho. Outro. Tapa. A ardência foi mínima. Mas o sorriso dela, a régua entre os dedos e aquela mania de mandar em mim... Senti a primeira pulsação. Maria baixou o olhar. Depois me encarou. —Ahã. Merda. —Olha quem tá acordando. —Cala a boca. —Viu? O gostoso gosta de uns tapinhas. Me deu outro, só roçando. Meu corpo respondeu mais. Maria sorriu. —Isso. Se aproximou. —Deixa eu medir minha coisinha. A voz dela virou quase um canto de novo. Minhas orelhas queimavam. Mas afastei as mãos. Maria ajustou a régua com cuidado. Esperou mais um pouco. —Quieto. O cabelo dela caiu pra frente enquanto olhava. Eu olhei pro teto. —Quanto? —Espera. —Maria. Ela moveu a régua de leve. —Nove... Senti um vazio embaixo das costelas. —Nove o quê? —Nove vírgula nove. Abaixei a cabeça. —O quê? —9,9. Olhei. A régua não tinha nenhuma consideração pelos meus sentimentos. 9,9. Maria conferiu de novo. —É. Peguei o celular dela e procurei a média de novo. Catorze. Quinze. Quatro centímetros. Quase cinco. Passei o polegar pela tela. —buceta. Maria deixou a régua na minha coxa. Não estava mais rindo. —amor... —Os caras que você ficou antes... Minha garganta fechou. Maria esperou. —O pau... Me arrependi antes de terminar. —Era muito maior que o meu? Ela soltou uma risadinha curta. Baixou o olhar. Mordeu o lábio. —Luis, sei lá... haha. Também não ia pela vida medindo eles. —Mas você sabe. Silêncio. Os dedos dela brincaram com a borda da minha camisa, ainda vestida. —Alguns eram. Senti um arrepio subir pelas costas. —Muito? Maria mordeu o lábio de novo. —Alguns... bastante. —E com quantos você já ficou? Maria piscou. —Com quantos o quê? —Homens. —Ai, Luis... —Dez? —Luis... —Vinte? Um sorriso começou a escapar. —Trinta e nove? —Por que trinta e nove? —Sei lá. Quinhentos? Maria caiu de costas na cama, morrendo de rir. —Sim, gordo. Quinhentos exatos. Tinha um caderninho e tudo. Eu ri sem querer. —Tô falando sério. Maria se sentou ainda sorrindo. —Não sei, gordo. Nunca fiquei contando assim. Olhei de novo para o 9,9. Não tinha mais onde esconder. —E é muito diferente? Maria levantou o olhar. Não respondeu na hora. —Mmm... Ela se virou de lado. —É. A palavra me deixou gelado. Mas continuei esperando. —É difícil explicar. —Tenta. Maria soltou o ar pelo nariz. —Você sabe quando eu fico de quatro... —De quatro? —É, bobo. De gatinha. Ela levantou um pouco o quadril na cama, só pra mostrar o que queria dizer. —Assim. A imagem veio fácil demais. Maria sobre as mãos e joelhos. Costas arqueadas. Quadril pra cima. E por um segundo se misturou com outra. Orelhas pretas. Rabinho de pelúcia. Bigodes pintados. Miau, miau. Quase sorri. Minha mulher sempre teve talento pra transformar qualquer coisa em loucura. Maria continuou falando. —Aí sente diferente. Os dedos dela desenharam uma linha distraída na minha perna. —Quando entra fundo e volta... e volta... Ela mexeu a mão, procurando as palavras. —Sei lá. É tipo uma corrente. Uma coisa que vai dando e dando... A voz começou a baixar. —Uma faísca, outra... outra... Sorriu. —Até que acende tudo. Abriu os dedos. —Pum! Ela riu de si mesma. —Que explicação ruim. Eu não ri. Ela continuou. —E estando assim... você consegue se soltar mais. Os olhos dela foram por um instante pra lugar nenhum. —Você não fica pensando no que fazer, nem se ajeitando, nem comandando tudo. Você se agarra e pronto. Mordeu o lábio. —Que te segurem bem na cintura... Os dedos dela apertaram minha coxa. —Que te comam gostoso. O sorriso voltou. Mais lento. —E uma palmada boa também não atrapalha. Ela se deu um tapa rápido na bunda dela. —Kkkk... Balanceou a cabeça. —Ai, gordo, já era. Por um segundo imaginei uma Maria que eu não conhecia. Selvagem. Entregue. De quatro. Se deixando levar até perder o controle. —É tanto assim? Maria me olhou de novo. Ainda tinha as bochechas levemente vermelhas. —Eu gosto muito. Algo apertou no meu peito. —Eu posso fazer isso. A risada saiu antes que ela pudesse segurar. —Kkkk... Tapou a boca. —Maria. —Desculpa. Tentou ficar séria. Não conseguiu totalmente. —Amor, não tô rindo de você. —Ahã. —É que... O sorriso voltou. —Você até tenta. —Eu tento. —Muito. Lembrei na hora por que ela tava rindo. Maria de quatro na primeira vez. Eu atrás. A pontinha só entrando. Mete tudo, gordo! Isso aí. Depois ela se ajeitando, tentando me ajudar. Eu conseguindo um pouco mais. Tentando me mexer rápido. E saindo. De novo. E de novo. —É culpa da sua bunda. Maria abriu a boca. —¡¿Perdão?! —É grande demais. Me bateu com o travesseiro. —Ei! —É verdade. —Mas você adora minhas nalgas. —Não é esse o ponto. —Hum. Pegou o celular de novo. —Vamos investigar esse caso. —Que caso? —O das minhas pobres nalgas injustiçadas. Começou a pesquisar. Eu ainda sentia os 9,9 como se a régua estivesse colada no meu corpo. Maria desceu a tela. —Olha. —O quê? —Aqui fala de posições. Leu um pouco mais. Os olhos dela se arregalaram. —De quatro! Olhei pra ela. —O quê? —Diz que quando falta comprimento pode ser mais difícil manter em certas posições. Me aproximou a tela. —Viu?! Apontou pra própria bunda. —Minhas nalgas são inocentes! —Isso não prova nada. —Hum, hum. Olhou pra baixo, pra mim. —Aqui diz que pro pauzinho curto é mais difícil. —Sua bunda continua enorme. —E deliciosa! —Isso sim. Maria sorriu satisfeita. Voltei pra média. Catorze. Quinze. —Mesmo assim esses números são inflados. —De novo. —Internet. —Claro. —Qualquer um posta qualquer coisa. Maria inclinou a cabeça. —Bom... Aquele sorriso. —O quê? —Vamos perguntar pra Sofi. Senti uma pontada no peito. María soltou uma gargalhada ao me ver. —Kkkkk! Era brincadeirinha, amor. Voltou pra tela. —Pergunta. Os dedos dela pararam. —O quê? —Pra Sofía. Ela me olhou. Esperei que risse. Não riu. —Sério? Engoli seco. —Sim. María pegou o celular com as duas mãos. Já estava sorrindo de novo. —Ai, gordinho... —O quê? —Nada. Procurou a foto anterior. A do broxante. A vergonha subiu na hora pelo meu pescoço. —Essa não. —Não era você que queria opinião profissional? —Sofía não é profissional. —Ela tem experiência. Isso não ajudou. María riu. —Mando? Olhei pra foto. Podia dizer que não. —Manda. O som da mensagem enviada me fez fechar os olhos. —Merda. —Kkkkk. —Não ri. —Você que pediu. A resposta chegou pouco depois. María abriu o WhatsApp. Os ombros dela começaram a tremer. —Não... —O que ela disse? Virou o celular. Sofía: KKKKK que piroca é essa? Parece pipizinho de bebê 😂 —Cala a boca. María já tava se dobrando de rir. Escreveu: María: É o Luis dormindo kkk. Os três pontinhos apareceram. Sofía: Nossa mulher, tu e tuas loucuras 😂 María passou anos tirando fotos minhas que me faziam esconder o rosto. Sempre achei que eram só dela. A forma tão natural com que Sofía recebeu aquilo me fez pensar em quantas teriam saído da galeria dela. E pra quem mais? María continuava olhando a tela, radiante. Tinha algo diferente nela. Não era só a brincadeira. Parecia encantada de eu estar ali, lendo com ela, metido de livre e espontânea vontade numa das loucuras dela. Voltou pra galeria. Apareceu a outra foto. A da régua. 9,9. —Bom... Cantarolou. —Agora vou mandar a versão acordada, pra ela não te deixar tão mal. —María... Ela me olhou de canto. Só isso. Não perguntou de novo. Também não a impedi. Senti o estômago revirar quando ela começou a escrever. Não aguentava a vergonha. Mas queria saber. Queria muito saber. María: Essa aqui tá acordada 😂 Luis quer tua opinião. É curto ou não? 9,9. Anexou a foto. —Pronto. Tampei o rosto. —Não quero ver. —Mentiroso. O telefone vibrou. Não mexi as mãos. —Já respondeu. —Lê você. —Não. —Maria. —Olha pra ela. Abaixei as mãos. Sofia: O QUÊÊÊ? 😂😂😂 o cunhado tá lendo isso??? Maria escreveu: Sim 😂 A resposta apareceu na hora. Sofia: Deus, vocês são malucos KKKKK Depois: Sofia: Mas cunhado, desculpa se você tá lendo 😂 isso aí é bem pequenininho. Senti minhas orelhas queimando. Maria me olhou. Não disse nada. Outra mensagem. Sofia: Mana, sério, isso não te faz cócegas? 😂 —buceta... Maria apertou os lábios. Tava tentando não rir. O telefone vibrou de novo. Sofia: Nada a ver com o que você comia antes e te fazia tremer 😂. Aí sim parei de olhar. Não porque eu não soubesse. Maria tinha acabado de me explicar. Mas a Sofia sabia também. O suficiente pra comparar. Senti uma mistura estranha de calor e frio descendo pelas minhas costas. Maria largou o telefone na cama. Se aproximou e me beijou a bochecha. —Ficou satisfeito agora? —Fiquei. Pegou o telefone de novo. —Tem certeza? Podemos publicar o Pixel em algum fórum. Hehehe. Pedimos opinião mundial. —Chega, Maria, basta! Ela caiu na risada. Eu também. Não consegui evitar. —Você é maluca. —Mas você casou comigo. —Esse foi meu erro. Me mordeu o ombro. —Mentiroso. A ideia do fórum voltou por um segundo. Gente olhando a foto. Opinando. Comparando. Me mexi desconfortável. Que merda. Maria largou o telefone de vez. Se aninhou contra mim. Os dedos dela começaram a brincar com os pelos do meu peito. —Viu? —O quê? —Que não era invenção da internet. —Obrigado por me lembrar. Me deu um beijinho. Depois outro. Olhei pra ela. Continuava feliz. Não parecia uma mulher presa comigo. Isso me incomodou quase tanto quanto me aliviou. —Então... —Hmm? —Se é realmente tão pequeno... Maria ergueu os olhos. —O que você gosta tanto em transar comigo? Piscou. Depois sorriu. —Ah, gordão. —Tô falando sério. —Você de novo com suas perguntas. —Maria. Me acariciou a barriga. —Gosto que você seja meu cúmplice maluco. —Isso não responde. —Responde sim. Se acomodou melhor contra mim. —Você reclama de tudo... —Eu Não reclamo de tudo. Ela me olhou. —Luis. —Tá bom. —Você protesta, fica vermelho, diz que não... e no final acaba me seguindo. O sorriso dela ficou ainda maior. —Ou já esqueceu quando eu vesti minhas calcinhas em você? Fechei os olhos. —Não. —Risadinha. —Não começa. A imagem voltou sozinha. Eu tentando vestir uma das calcinhas dela enquanto a María estava sentada na cama, morrendo de rir. O tecido apertando. Eu tentando me cobrir. Ela dizendo que ficava linda em mim. Senti o calor nas orelhas de novo. María continuou. —E quando minha enfermeira quis experimentar um pouquinho? Abri os olhos. —María. —O quê? Ela mordeu o lábio. —Bem que você gostou do dedinho. —Cala a boca. Ela riu. A lembrança veio mesmo assim. Minha cara no travesseiro. A mão dela. A primeira surpresa. Depois eu parando de me tensar. Até me acomodando um pouco mais. Merda. —E as cordas —seguiu María. —Já chega. —E minhas palmadinhas. —Já chega. —E minha gatinha. Ela levantou as mãos como garras. —Miau. Soltei uma risada. As orelhinhas pretas. A rabinho de pelúcia. María dançando enquanto procurava meus olhos no meio daquela gente toda. As cordas. As palmadas. As calcinhas dela. O dedo. Todas as vezes que eu tinha terminado vermelho, protestando, me escondendo. E todas as vezes que eu tinha voltado a fazer. Sempre chamei de as loucuras da María. Mas nunca quis que parassem. Olhei pra ela. María ainda lembrava de alguma delas. Sorria sozinha enquanto fazia círculos no meu peito. —Uma vez você quase chorou quando te amarrei forte demais. —Não chorei. —Seus olhinhos estavam marejados. —Porque tava apertando. —Ahã. Ela riu de novo. Eu também tinha curtido. Muito. María levantou o olhar e me viu olhando pra ela. —O quê? Neguei. Não precisava perguntar. Tinha ela ali. Descalça, com minha camisa aberta, ainda rindo das coisas que a gente tinha feito anos atrás. Beijei ela. María se surpreendeu por um instante. Depois retribuiu o beijo. Dessa vez fui eu quem empurrou ela de leve pra cima da cama. —Olha só você. —O quê? —Nada. O sorriso dela se abriu enquanto caía no travesseiro. Safada. Feliz. Me coloquei sobre ela. María passou os braços em volta do meu pescoço. —Ué. —Cala a boca. —Não falei nada. —Mas vai falar. —Capaz. Beijei ela de novo. O corpo dela colou no meu. Dessa vez não tinha vozes na minha cabeça dizendo que eu não podia. Ou talvez tivesse. Mas estavam mais longe. María me ajudou a tirar a calcinha dela. Não assumiu o controle. Só me olhou. Isso me deixou mais nervoso do que quando ela assumia. —Que foi? —Nada. —Para de me olhar assim. —Assim como? —María. Ela riu. Ajeitei um travesseiro embaixo do quadril dela quase por hábito. Ela abriu as pernas e me recebeu. O primeiro contato me fez fechar os olhos. —Gordinho... Continua. Devagar. María respirou contra a minha boca. As mãos dela foram para as minhas costas. Não tinha explosões. Não tinha aquela outra María que eu tinha descrito pouco antes. Mas ela estava sorrindo. E eu podia sentir como o corpo dela respondia debaixo do meu. Ela me beijou. —Adoro quando você é meu cúmplice doido. A palavra ficou ali. Cúmplice. Marcos apareceu na minha cabeça. Perdi o ritmo. María abriu os olhos. —O que aconteceu? —Nada. Tentei continuar. Não consegui deixar passar. —Você também quer ser meu cúmplice naquilo? María franziu levemente a testa. —Naquilo o quê? Meu rosto queimou. —Em ser seu corno. O sorriso dela sumiu. Ela mordeu o lábio. Não respondeu. Continuei me movendo, mais devagar. O silêncio ficou grande demais. —Você quer que eu te veja... com o Marcos? Os dedos dela se cravaram nos meus ombros. María fechou os olhos por um segundo. —María... Engoli seco. —Que eu te veja dando pra ele? Um gemido escapou antes dela responder. —Sim. Minha respiração parou. María com Marcos. De quatro. Selvagem. Entregue. Curtindo tanto quanto eu curtia quando era ela quem me fazia perder o controle. A imagem me queimou por dentro. Mas continuei. —Eu também quero. María abriu os olhos. Acelerei. Quase saí. Agora não. Apertei o quadril e voltei a achar o ângulo. Não ia deixar meu pintinho escapar bem naquele momento. María me olhava com os lábios entreabertos. Surpresa. Acesa. —Luis... Já não dava pra guardar pra mim. —Sim, eu quero ser seu cuckold. As unhas dela cravaram nos meus ombros. E eu gozei. Fiquei sem forças em cima dela, respirando contra o pescoço dela. A Maria também não se mexeu. Depois senti os braços dela se fechando ao meu redor. Eu abracei ela. Pela primeira vez em todo o dia, nenhum dos dois sabia o que mais dizer.
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