Conhecia a Laura desde que eu tinha treze anos.
A primeira vez que entrei na casa dela, eu ainda usava o uniforme do colégio: suéter verde, calça cinza xadrez e uns sapatos pretos que minha mãe insistia em comprar um número maior "pra durar mais". O Diego usava exatamente o mesmo uniforme, só que o dele estava sempre uma zona.
A gente morava a algumas ruas de distância, na área entre Aztecas e Imán, então depois da aula era normal acabar na casa dele ou na minha. Às vezes fazíamos a lição de casa. Na maioria das vezes, jogávamos videogame, assistíamos filmes ou só perdíamos tempo até algum dos nossos pais começar a perguntar onde diabos a gente estava.
Também era normal alguém dormir na casa do outro. Tinha começado no colégio, com videogame e filmes até tarde, e com o passar dos anos virou algo tão comum que nossos pais nem perguntavam muito.
Durante anos, Laura foi só aquilo: a mãe do Diego.
A que abria a porta quando eu batia. A que gritava da cozinha:
— Diego, o Andrés chegou!
A que perguntava se a gente tinha lição. A que comprava refrigerante porque sabia que eu ia acabar lá três tardes por semana. A que podia entrar no quarto sem bater, torcer o nariz e dizer:
— Tá cheirando a chulé. Abre essa porra de janela.
E vazar como se nada.
Laura sempre foi gostosa. Isso eu sabia até naquela época. Morena, olhos pretos enormes, cabelo escuro e um sorriso fácil, daqueles que mudavam o rosto inteiro dela quando algo realmente a fazia rir.
Ela também era diferente das mães de quase todos os nossos amigos.
Muito mais aberta.
Aberta demais, segundo o Diego.
O pai do Diego tinha saído de casa quando eu tinha catorze e o Diego treze. Eles se divorciaram e, embora ele continuasse vendo o filho, a Laura ficou morando lá com o Diego. Ela nunca fez muito drama na frente de nós.
Podia falar de divórcio, de álcool, de namorados ou de sexo com uma naturalidade que deixava o Diego puto.
Uma vez, quando a gente já tava no ensino médio, ela soltou durante o almoço que se um dia o Diego levasse uma namorada pra casa, preferia saber e que tivesse camisinha do que eles "fizessem alguma merda".
O Diego quase morreu.
— Mãe, pelo amor de Deus.
— Quê? Prefiro que você não seja idiota.
Eu também não sabia pra onde olhar.
A Laura me viu.
— Não é mesmo, Andresito?
— Não me mete nisso, senhora.
— E não me chama de senhora. Tenho trinta e poucos, não setenta.
Era assim.
E talvez por isso demorei tanto pra perceber quando o problema começou.
Foi no ensino médio.
Não sei exatamente que dia. Não teve um raio caindo do céu nem uma revelação divina. Simplesmente um dia eu vi ela de verdade e pensei:
Caralho. A mãe do Diego é uma gostosa.
Não achei um jeito mais elegante de dizer na época e também não acho agora.
Ela era uma gostosa.
Tinha um rosto lindo e um corpo que eu simplesmente não tinha reparado antes: voluptuosa, cintura marcada, quadril largo e uns peitões abundantes que até numa camiseta qualquer era difícil ignorar.
A partir daí foi um sofrimento.
Porque ela continuava sendo a Laura.
Continuava perguntando se eu queria comer.
Continuava brigando com o Diego.
Continuava me chamando de Andresito.
E eu tinha que me lembrar o tempo todo que ela era a mãe do meu melhor amigo.
Nunca aconteceu nada.
Nem uma indireta.
Nem um olhar estranho.
Nada.
Eu podia ficar olhando pra ela uns segundos a mais quando ela não percebia, mas só isso.
Terminamos o ensino médio e entramos na faculdade.
Eu tinha dezenove anos. Diego, dezoito. A Laura tinha acabado de fazer trinta e nove.
O Diego entrou em QFB. Depois de ouvi-lo falar umas duas vezes "Química Farmacêutico Biológica", todo mundo começou a dizer simplesmente QFB.
Eu entrei em Arquitetura.
Os dois na Cidade Universitária.
A gente continuava morando perto e continuava sendo tão amigo quanto antes, mas pela primeira vez desde o ensino médio nossos horários deixaram de ser cópias um do outro.
Diego podia entrar cedo no laboratório quando eu só começava ao meio-dia. Eu podia ficar até a noite com uma maquete enquanto ele já estava em casa.
Além disso, ele começou a se juntar com gente nova da QFB. Dois dos caras com quem ele mais se dava moravam lá pra Tlalnepantla e às vezes, quando saíam pra festa ou terminavam muito tarde, Diego preferia ficar com eles do que atravessar meia cidade de madrugada.
Mesmo assim, eu continuava caindo na casa dele.
Às vezes o Diego estava lá.
Na maioria das vezes, na real.
E isso importou depois.
Porque o que rolou com a Laura não começou porque um dia a gente ficou sozinho por acaso.
Começou quase na frente dele.
Uma tarde a gente tava os três na cozinha. O Diego tava há uns vinte minutos reclamando de um professor.
— Te juro que esse filho da puta adora reprovar gente — ele falou.
A Laura colocou três copos na mesa.
— Você tá há um mês na faculdade e já tá traumatizado.
— Não é trauma.
— Claro que é.
Aí ela me olhou.
— E você, Andrés? Já tão te fazendo de escravo na Arquitetura?
— Ainda não.
— Espera as maquetes.
O Diego soltou uma risada.
— Já se acha arquiteto.
— Pelo menos eu sabia o que queria estudar.
— Cala a boca.
A Laura sentou na frente da gente.
— E namorada?
A pergunta foi pra mim.
O Diego jogou a cabeça pra trás.
— Mãe.
— Quê?
— Deixa ele em paz.
A Laura nem olhou pra ele.
— Tô falando com ele, não com você.
A frase me deu risada.
Eu já tinha ouvido ela falar isso umas cem vezes.
Mas naquela tarde bateu diferente.
— Não tenho namorada — eu falei.
— Nada?
— Nada sério.
— Ah. Aquele "ah" fez eu levantar a vista.
Laura sorriu como se não tivesse dito nada.
Diego continuou falando.
Eu já não estava mais escutando.
A partir daí comecei a notar pequenas coisas.
Tão pequenas que por semanas consegui me convencer de que estava inventando tudo.
Laura parou de me chamar de Andresinho o tempo todo.
Não completamente.
Às vezes usava justamente porque sabia que me irritava.
Mas outras vezes era:
—Andrés, me passa isso.
—Andrés, fala pro Diego descer.
—Andrés, quer café?
Meu nome na boca dela começou a soar diferente.
Ou talvez eu estivesse bem louco.
Uma noite o Diego estava procurando uma jaqueta lá em cima e eu já estava indo embora.
Laura me acompanhou até a porta.
—Vocês entram cedo amanhã?
—Eu não.
—Que vida.
—Nem todo mundo faz QFB.
Ela riu.
Chegou perto pra se despedir como sempre.
Só que dessa vez não foi exatamente na minha bochecha.
A boca dela caiu tão perto da minha que senti a borda dos lábios dela no canto da minha boca.
Não foi um beijo.
Ou não um completo.
Mas também não soube se ela realmente tinha errado a bochecha.
Os dois ficamos parados.
Laura foi a primeira a se afastar.
—Desculpa —falei.
Nem sei por que fui eu que pedi desculpas.
Ela me olhou.
—Por quê?
Antes que eu pudesse responder, ouvimos o Diego descendo as escadas.
—Cara, me espera!
Laura abriu a porta.
—Até mais, Andrés.
Cinco minutos depois eu estava andando ao lado do Diego.
Ele falava sobre não sei o quê da faculdade.
Eu concordava com a cabeça.
E de vez em quando pensava:
Tua mãe praticamente me beijou na boca.
Obviamente não falei nada.
Nos dias seguintes, Laura agiu como se nada tivesse acontecido.
Isso me fodeu mais ainda.
Eu via ela com o Diego.
A gente comia os três juntos.
Ela zoava a gente.
Eu ficava... ficava esperando algum sinal e depois me dava vergonha de mim mesmo.
Uma tarde levantei a vista e a Laura já estava me olhando.
Durou um segundo.
Talvez menos.
Ela continuou conversando com o Diego.
Eu também.
Mas já tinha algo.
Ainda não sabia o quê.
Uns dias depois, o Diego foi comprar umas cervejas na loja da esquina e nos deixou sozinhos na sala.
A Laura estava sentada no braço do sofá.
— Você ainda tá pensando no outro dia?
Senti o estômago dar um nó.
— Pensei que tinha sido um acidente.
Ela sorriu.
— E se for?
Não soube o que responder.
A Laura inclinou um pouco a cabeça.
— E se não for?
A gente ouviu o portão lá fora.
O Diego voltando.
A Laura se levantou.
— Comprou as geladas? — gritou.
E acabou.
Era assim com ela.
Não fazia demais.
Esse era exatamente o problema.
Fazia tão pouco que eu sempre conseguia me convencer de que estava imaginando.
Até que uma quinta-feira deixou de ser possível.
Eu tava saindo da casa dela. O Diego tava lá em cima tomando banho porque a gente ia sair.
A Laura abriu a porta.
— Até mais, Andrés.
— Até mais.
Ela se aproximou.
Dessa vez não foi na minha bochecha.
Me deu um beijo curto na boca.
Só isso.
Um ou dois segundos.
Depois se afastou.
Fiquei olhando pra ela.
— Isso também foi acidente?
A Laura sorriu.
— Esse não.
Lá de cima veio a voz do Diego.
— Já tô descendo, mano!
A Laura abriu a porta como se nada.
— Seu namorado tá te esperando.
— Fala sério.
Ela riu.
Saí.
E naquela noite fiquei com o Diego por várias horas enquanto uma única ideia martelava na minha cabeça:
A mãe dele tinha me beijado.
Não por acidente.
A chuva chegou na semana seguinte.
Eu tinha combinado de me encontrar com o Diego na casa dele depois da aula. Ele ainda tava na faculdade e eu cheguei primeiro.
Laura me abriu.
—Ainda não chegou.
—Eu sei. Ela me disse pra esperar aqui.
—Então entra.
Entrei como sempre.
Lá fora começou a chover. No começo não parecia grande coisa. Sentei na sala e mandei uma mensagem pro Diego.
Eu: Já tô na sua casa.
Diego: Fala. Aqui tá caindo um toró. Não vou sair até diminuir porque vou ficar ensopado. Assim que parar, eu volto.
Laura apareceu com duas xícaras de café.
—O que ele disse?
—Que vai esperar na CU até a chuva baixar.
Ela olhou pra janela.
—Faz bem. Com essas chuvas, a Imãn costuma alagar e vira uma zona.
Ela sentou.
—Então você vai ter que esperar ele comigo.
—Que sacrifício.
—Coitado de você.
Ela sorriu.
A chuva aumentou até bater forte nos vidros. Por alguns minutos a gente falou de qualquer coisa: do Diego, da faculdade, de um trabalho que eu tinha que entregar na semana seguinte.
Mas já não era como antes.
Depois do beijo na porta, cada silêncio tinha outro peso.
Laura largou a xícara.
Me olhou por um instante.
—Você tá muito quieto.
—A culpa é sua.
—Minha?
—Não se faz.
Ela sorriu.
Depois se levantou e andou até onde eu tava.
—Isso?
Ela me beijou.
Não como na porta. Dessa vez não foram dois segundos.
Laura se inclinou e me agarrou a camiseta pelo peito, puxando pra perto dela enquanto a boca dela se abria contra a minha. O beijo foi imediato, bagunçado e profundo. Apertei a cintura dela e senti ela inteira contra mim.
A gente se separou só um segundo pra respirar e colou de novo. Ela me procurou a mandíbula, o pescoço, o lábio de baixo. Eu mordi o de cima. Laura soltou um som baixo e me empurrou contra a parede. Minhas mãos desceram pra bunda dela e ela se esfregou mais em mim.
Baixei a cabeça. Beijei o pescoço dela, a clavícula e segui até o decote. Quando quis descer mais, ela me agarrou. pelo e me fez voltar pra boca dela.
—Ainda não — disse sorrindo—. Que pressa.
Passei as mãos por baixo da blusa dela. Toquei as costas, subi até o sutiã e meti a mão por baixo. O mamilo endureceu contra a minha palma. Laura arqueou as costas e se esfregou mais forte contra a minha pica.
A gente foi andando até o sofá. Tropecei na mesa. Ela riu entre beijos e me empurrou pra eu cair sentado. Montou em cima de mim, de pernas abertas.
—Porra...
Ela começou a rebolando devagar. A fricção da calça era uma tortura. Agarrei as nádegas dela e apertei ela mais contra mim. Laura desceu a mão, abriu o botão, baixou o zíper e meteu a mão dentro da cueca.
A mão dela envolveu minha rola e começou a mexer devagar. Eu subi a blusa dela, baixei um pouco o sutiã e chupei um peito. Laura soltou um gemido no meu ouvido e apertou um pouco mais.
—Assim... — sussurrou—. Como tá dura, Andrés.
Ela falar meu nome daquele jeito me deixou ainda mais louco. Eu continuava de boca no peito dela enquanto ela acelerava a mão.
—Laura... vou...
O celular vibrou.
Nenhum dos dois se mexeu.
Vibrou de novo.
Laura parou a mão dentro da minha cueca.
—Não fode...
Peguei o celular com a outra mão.
Diego: Já tá descendo. Assim que estacionar, volto.
Fiquei olhando a mensagem que nem um idiota.
—Ele já vem.
Laura tirou a mão devagar. Continuava em cima de mim e os dois respirando como se tivéssemos corrido.
—Ainda demora um pouco — falei.
—É, mas já vem. — disse ela.
Ficamos assim por mais alguns segundos, sem vontade de separar.
Depois a gente se ajeitou. Laura arrumou a blusa e eu fechei a calça como deu.
Continuava com a pica duríssima.
Laura percebeu e riu.
—Não ri, sua safada.
—Desculpa.
—Não tá perdoada.
Isso fez ela rir mais ainda.
—Senta.
—Pra quê?
—Pra não ser o primeiro que meu filho veja quando entrar.
—Obrigado pela ajuda.
Sentei no sofá e coloquei a mochila no colo.
Uns minutos depois ouvimos o portão.
Diego entrou se sacudindo a jaqueta molhada.
—Tá um tempo do caralho lá fora.
Laura saiu da cozinha como se nada tivesse acontecido.
—Te falei pra esperar.
Diego me olhou.
—Que porra é essa contigo?
—O quê?
—Tá todo estranho.
—Não tô estranho.
—Tá sim.
Ajustei a mochila na frente antes de me levantar.
—Minha mãe me mandou mensagem. Precisa que eu ajude com uma coisa.
—Agora?
—É.
—Mas se acabou de parar de chover.
—Exatamente.
Diego me olhou sem entender porra nenhuma.
—Tem certeza?
—Sim, mano. Te chamo daqui a pouco.
—Beleza.
Não queria olhar pra Laura, mas olhei.
—Até mais, Andrés — disse ela como se nada.
—Até mais.
Caminhei as quadras até minha casa na garoa. A ereção baixou depois de um tempo. A vontade de ver ela de novo, não.
Na sexta saí com uns colegas de Arquitetura pra beber perto da CU. Cervejas, depois uns doses de tequila. Tava de saco cheio e mais falante que o normal, mas tava de boa.
Voltei andando pra minha rua. Ao virar perto da casa do Diego, vi ela chegando.
Laura vinha de um jantar de aniversário com umas amigas depois do trabalho. Tava com um vestido justo, os lábios mais vermelhos que o normal e o cabelo solto. Cheirava a perfume e a vinho. Tava de bom humor.
Ela me viu e parou perto do portão com as chaves na mão.
—Andrés?
—Oi.
Ela ficou me olhando e riu.
—Tá animado, garoto.
—Você também não tá exatamente sóbria.
—Tomei uns copos com minhas amigas. Não exagera.
—Só tô dizendo.
—É, claro — disse ela abrindo o portão—. Vai andar até sua casa assim?
—Tô a cinco minutos.
—Entra. Te faço um café antes de você chegar. cheirando a boteco.
Entramos. A casa estava em silêncio. Olhei para as escadas.
—Diego?
—Foi pra Tlalnepantla com o pessoal da QFB. Me avisou que vai dormir lá.
—Ah.
Tentei não deixar transparecer demais.
Na cozinha, tomamos água, café e comemos alguma coisa. Ficamos conversando por um bom tempo. Nessa altura, eu já estava bem mais lúcido, e a Laura também.
Em algum momento, ela pegou uma garrafa e serviu só um pouquinho em dois copos.
—Um dedinho — disse.
Me contou uns fofocas do jantar e zoou uma das amigas dela. Eu adorava vê-la assim, falando de coisas que não tinham nada a ver com o Diego.
Depois de um tempo, ela apoiou os cotovelos na bancada e me olhou.
—Escuta... você ainda tá puto por causa da chuva?
—Por ter tido que ir embora daquele jeito?
Ela sorriu.
—Exatamente.
—Não foi culpa sua. O Diego chegou.
—Detalhes.
Ficamos em silêncio.
Meu celular vibrou. Era minha mãe perguntando se eu ia chegar.
Escrevi: Vou dormir na casa do Diego. Não esperem por mim.
Mandei a mensagem. Fazia anos que eu ficava lá, então não tinha nada de estranho.
A Laura conseguiu ver a tela.
—Que conveniente.
—Tecnicamente, eu tô sim na casa do Diego.
—Tecnicamente, você é um mentiroso.
Eu ri.
Quando olhei pra ela de novo, já não estávamos rindo.
A gente se aproximou quase ao mesmo tempo.
Fomos pro sofá. Dessa vez, não tinha pressa.
Ficamos de pé por um tempo, nos beijando devagar. Fui subindo a blusa dela aos poucos, beijando a barriga e a parte de baixo dos peitos. Quando tirei a blusa e o sutiã, fiquei olhando pra ela. Os mamilos estavam escuros e já durinhos. Toquei neles e depois chupei um. A Laura agarrou meu cabelo e soltou o ar devagar. Fim do primeiro capítulo.
A primeira vez que entrei na casa dela, eu ainda usava o uniforme do colégio: suéter verde, calça cinza xadrez e uns sapatos pretos que minha mãe insistia em comprar um número maior "pra durar mais". O Diego usava exatamente o mesmo uniforme, só que o dele estava sempre uma zona.
A gente morava a algumas ruas de distância, na área entre Aztecas e Imán, então depois da aula era normal acabar na casa dele ou na minha. Às vezes fazíamos a lição de casa. Na maioria das vezes, jogávamos videogame, assistíamos filmes ou só perdíamos tempo até algum dos nossos pais começar a perguntar onde diabos a gente estava.
Também era normal alguém dormir na casa do outro. Tinha começado no colégio, com videogame e filmes até tarde, e com o passar dos anos virou algo tão comum que nossos pais nem perguntavam muito.
Durante anos, Laura foi só aquilo: a mãe do Diego.
A que abria a porta quando eu batia. A que gritava da cozinha:
— Diego, o Andrés chegou!
A que perguntava se a gente tinha lição. A que comprava refrigerante porque sabia que eu ia acabar lá três tardes por semana. A que podia entrar no quarto sem bater, torcer o nariz e dizer:
— Tá cheirando a chulé. Abre essa porra de janela.
E vazar como se nada.
Laura sempre foi gostosa. Isso eu sabia até naquela época. Morena, olhos pretos enormes, cabelo escuro e um sorriso fácil, daqueles que mudavam o rosto inteiro dela quando algo realmente a fazia rir.
Ela também era diferente das mães de quase todos os nossos amigos.
Muito mais aberta.
Aberta demais, segundo o Diego.
O pai do Diego tinha saído de casa quando eu tinha catorze e o Diego treze. Eles se divorciaram e, embora ele continuasse vendo o filho, a Laura ficou morando lá com o Diego. Ela nunca fez muito drama na frente de nós.
Podia falar de divórcio, de álcool, de namorados ou de sexo com uma naturalidade que deixava o Diego puto.
Uma vez, quando a gente já tava no ensino médio, ela soltou durante o almoço que se um dia o Diego levasse uma namorada pra casa, preferia saber e que tivesse camisinha do que eles "fizessem alguma merda".
O Diego quase morreu.
— Mãe, pelo amor de Deus.
— Quê? Prefiro que você não seja idiota.
Eu também não sabia pra onde olhar.
A Laura me viu.
— Não é mesmo, Andresito?
— Não me mete nisso, senhora.
— E não me chama de senhora. Tenho trinta e poucos, não setenta.
Era assim.
E talvez por isso demorei tanto pra perceber quando o problema começou.
Foi no ensino médio.
Não sei exatamente que dia. Não teve um raio caindo do céu nem uma revelação divina. Simplesmente um dia eu vi ela de verdade e pensei:
Caralho. A mãe do Diego é uma gostosa.
Não achei um jeito mais elegante de dizer na época e também não acho agora.
Ela era uma gostosa.
Tinha um rosto lindo e um corpo que eu simplesmente não tinha reparado antes: voluptuosa, cintura marcada, quadril largo e uns peitões abundantes que até numa camiseta qualquer era difícil ignorar.
A partir daí foi um sofrimento.
Porque ela continuava sendo a Laura.
Continuava perguntando se eu queria comer.
Continuava brigando com o Diego.
Continuava me chamando de Andresito.
E eu tinha que me lembrar o tempo todo que ela era a mãe do meu melhor amigo.
Nunca aconteceu nada.
Nem uma indireta.
Nem um olhar estranho.
Nada.
Eu podia ficar olhando pra ela uns segundos a mais quando ela não percebia, mas só isso.
Terminamos o ensino médio e entramos na faculdade.
Eu tinha dezenove anos. Diego, dezoito. A Laura tinha acabado de fazer trinta e nove.
O Diego entrou em QFB. Depois de ouvi-lo falar umas duas vezes "Química Farmacêutico Biológica", todo mundo começou a dizer simplesmente QFB.
Eu entrei em Arquitetura.
Os dois na Cidade Universitária.
A gente continuava morando perto e continuava sendo tão amigo quanto antes, mas pela primeira vez desde o ensino médio nossos horários deixaram de ser cópias um do outro.
Diego podia entrar cedo no laboratório quando eu só começava ao meio-dia. Eu podia ficar até a noite com uma maquete enquanto ele já estava em casa.
Além disso, ele começou a se juntar com gente nova da QFB. Dois dos caras com quem ele mais se dava moravam lá pra Tlalnepantla e às vezes, quando saíam pra festa ou terminavam muito tarde, Diego preferia ficar com eles do que atravessar meia cidade de madrugada.
Mesmo assim, eu continuava caindo na casa dele.
Às vezes o Diego estava lá.
Na maioria das vezes, na real.
E isso importou depois.
Porque o que rolou com a Laura não começou porque um dia a gente ficou sozinho por acaso.
Começou quase na frente dele.
Uma tarde a gente tava os três na cozinha. O Diego tava há uns vinte minutos reclamando de um professor.
— Te juro que esse filho da puta adora reprovar gente — ele falou.
A Laura colocou três copos na mesa.
— Você tá há um mês na faculdade e já tá traumatizado.
— Não é trauma.
— Claro que é.
Aí ela me olhou.
— E você, Andrés? Já tão te fazendo de escravo na Arquitetura?
— Ainda não.
— Espera as maquetes.
O Diego soltou uma risada.
— Já se acha arquiteto.
— Pelo menos eu sabia o que queria estudar.
— Cala a boca.
A Laura sentou na frente da gente.
— E namorada?
A pergunta foi pra mim.
O Diego jogou a cabeça pra trás.
— Mãe.
— Quê?
— Deixa ele em paz.
A Laura nem olhou pra ele.
— Tô falando com ele, não com você.
A frase me deu risada.
Eu já tinha ouvido ela falar isso umas cem vezes.
Mas naquela tarde bateu diferente.
— Não tenho namorada — eu falei.
— Nada?
— Nada sério.
— Ah. Aquele "ah" fez eu levantar a vista.
Laura sorriu como se não tivesse dito nada.
Diego continuou falando.
Eu já não estava mais escutando.
A partir daí comecei a notar pequenas coisas.
Tão pequenas que por semanas consegui me convencer de que estava inventando tudo.
Laura parou de me chamar de Andresinho o tempo todo.
Não completamente.
Às vezes usava justamente porque sabia que me irritava.
Mas outras vezes era:
—Andrés, me passa isso.
—Andrés, fala pro Diego descer.
—Andrés, quer café?
Meu nome na boca dela começou a soar diferente.
Ou talvez eu estivesse bem louco.
Uma noite o Diego estava procurando uma jaqueta lá em cima e eu já estava indo embora.
Laura me acompanhou até a porta.
—Vocês entram cedo amanhã?
—Eu não.
—Que vida.
—Nem todo mundo faz QFB.
Ela riu.
Chegou perto pra se despedir como sempre.
Só que dessa vez não foi exatamente na minha bochecha.
A boca dela caiu tão perto da minha que senti a borda dos lábios dela no canto da minha boca.
Não foi um beijo.
Ou não um completo.
Mas também não soube se ela realmente tinha errado a bochecha.
Os dois ficamos parados.
Laura foi a primeira a se afastar.
—Desculpa —falei.
Nem sei por que fui eu que pedi desculpas.
Ela me olhou.
—Por quê?
Antes que eu pudesse responder, ouvimos o Diego descendo as escadas.
—Cara, me espera!
Laura abriu a porta.
—Até mais, Andrés.
Cinco minutos depois eu estava andando ao lado do Diego.
Ele falava sobre não sei o quê da faculdade.
Eu concordava com a cabeça.
E de vez em quando pensava:
Tua mãe praticamente me beijou na boca.
Obviamente não falei nada.
Nos dias seguintes, Laura agiu como se nada tivesse acontecido.
Isso me fodeu mais ainda.
Eu via ela com o Diego.
A gente comia os três juntos.
Ela zoava a gente.
Eu ficava... ficava esperando algum sinal e depois me dava vergonha de mim mesmo.
Uma tarde levantei a vista e a Laura já estava me olhando.
Durou um segundo.
Talvez menos.
Ela continuou conversando com o Diego.
Eu também.
Mas já tinha algo.
Ainda não sabia o quê.
Uns dias depois, o Diego foi comprar umas cervejas na loja da esquina e nos deixou sozinhos na sala.
A Laura estava sentada no braço do sofá.
— Você ainda tá pensando no outro dia?
Senti o estômago dar um nó.
— Pensei que tinha sido um acidente.
Ela sorriu.
— E se for?
Não soube o que responder.
A Laura inclinou um pouco a cabeça.
— E se não for?
A gente ouviu o portão lá fora.
O Diego voltando.
A Laura se levantou.
— Comprou as geladas? — gritou.
E acabou.
Era assim com ela.
Não fazia demais.
Esse era exatamente o problema.
Fazia tão pouco que eu sempre conseguia me convencer de que estava imaginando.
Até que uma quinta-feira deixou de ser possível.
Eu tava saindo da casa dela. O Diego tava lá em cima tomando banho porque a gente ia sair.
A Laura abriu a porta.
— Até mais, Andrés.
— Até mais.
Ela se aproximou.
Dessa vez não foi na minha bochecha.
Me deu um beijo curto na boca.
Só isso.
Um ou dois segundos.
Depois se afastou.
Fiquei olhando pra ela.
— Isso também foi acidente?
A Laura sorriu.
— Esse não.
Lá de cima veio a voz do Diego.
— Já tô descendo, mano!
A Laura abriu a porta como se nada.
— Seu namorado tá te esperando.
— Fala sério.
Ela riu.
Saí.
E naquela noite fiquei com o Diego por várias horas enquanto uma única ideia martelava na minha cabeça:
A mãe dele tinha me beijado.
Não por acidente.
A chuva chegou na semana seguinte.
Eu tinha combinado de me encontrar com o Diego na casa dele depois da aula. Ele ainda tava na faculdade e eu cheguei primeiro.
Laura me abriu.
—Ainda não chegou.
—Eu sei. Ela me disse pra esperar aqui.
—Então entra.
Entrei como sempre.
Lá fora começou a chover. No começo não parecia grande coisa. Sentei na sala e mandei uma mensagem pro Diego.
Eu: Já tô na sua casa.
Diego: Fala. Aqui tá caindo um toró. Não vou sair até diminuir porque vou ficar ensopado. Assim que parar, eu volto.
Laura apareceu com duas xícaras de café.
—O que ele disse?
—Que vai esperar na CU até a chuva baixar.
Ela olhou pra janela.
—Faz bem. Com essas chuvas, a Imãn costuma alagar e vira uma zona.
Ela sentou.
—Então você vai ter que esperar ele comigo.
—Que sacrifício.
—Coitado de você.
Ela sorriu.
A chuva aumentou até bater forte nos vidros. Por alguns minutos a gente falou de qualquer coisa: do Diego, da faculdade, de um trabalho que eu tinha que entregar na semana seguinte.
Mas já não era como antes.
Depois do beijo na porta, cada silêncio tinha outro peso.
Laura largou a xícara.
Me olhou por um instante.
—Você tá muito quieto.
—A culpa é sua.
—Minha?
—Não se faz.
Ela sorriu.
Depois se levantou e andou até onde eu tava.
—Isso?
Ela me beijou.
Não como na porta. Dessa vez não foram dois segundos.
Laura se inclinou e me agarrou a camiseta pelo peito, puxando pra perto dela enquanto a boca dela se abria contra a minha. O beijo foi imediato, bagunçado e profundo. Apertei a cintura dela e senti ela inteira contra mim.
A gente se separou só um segundo pra respirar e colou de novo. Ela me procurou a mandíbula, o pescoço, o lábio de baixo. Eu mordi o de cima. Laura soltou um som baixo e me empurrou contra a parede. Minhas mãos desceram pra bunda dela e ela se esfregou mais em mim.
Baixei a cabeça. Beijei o pescoço dela, a clavícula e segui até o decote. Quando quis descer mais, ela me agarrou. pelo e me fez voltar pra boca dela.
—Ainda não — disse sorrindo—. Que pressa.
Passei as mãos por baixo da blusa dela. Toquei as costas, subi até o sutiã e meti a mão por baixo. O mamilo endureceu contra a minha palma. Laura arqueou as costas e se esfregou mais forte contra a minha pica.
A gente foi andando até o sofá. Tropecei na mesa. Ela riu entre beijos e me empurrou pra eu cair sentado. Montou em cima de mim, de pernas abertas.
—Porra...
Ela começou a rebolando devagar. A fricção da calça era uma tortura. Agarrei as nádegas dela e apertei ela mais contra mim. Laura desceu a mão, abriu o botão, baixou o zíper e meteu a mão dentro da cueca.
A mão dela envolveu minha rola e começou a mexer devagar. Eu subi a blusa dela, baixei um pouco o sutiã e chupei um peito. Laura soltou um gemido no meu ouvido e apertou um pouco mais.
—Assim... — sussurrou—. Como tá dura, Andrés.
Ela falar meu nome daquele jeito me deixou ainda mais louco. Eu continuava de boca no peito dela enquanto ela acelerava a mão.
—Laura... vou...
O celular vibrou.
Nenhum dos dois se mexeu.
Vibrou de novo.
Laura parou a mão dentro da minha cueca.
—Não fode...
Peguei o celular com a outra mão.
Diego: Já tá descendo. Assim que estacionar, volto.
Fiquei olhando a mensagem que nem um idiota.
—Ele já vem.
Laura tirou a mão devagar. Continuava em cima de mim e os dois respirando como se tivéssemos corrido.
—Ainda demora um pouco — falei.
—É, mas já vem. — disse ela.
Ficamos assim por mais alguns segundos, sem vontade de separar.
Depois a gente se ajeitou. Laura arrumou a blusa e eu fechei a calça como deu.
Continuava com a pica duríssima.
Laura percebeu e riu.
—Não ri, sua safada.
—Desculpa.
—Não tá perdoada.
Isso fez ela rir mais ainda.
—Senta.
—Pra quê?
—Pra não ser o primeiro que meu filho veja quando entrar.
—Obrigado pela ajuda.
Sentei no sofá e coloquei a mochila no colo.
Uns minutos depois ouvimos o portão.
Diego entrou se sacudindo a jaqueta molhada.
—Tá um tempo do caralho lá fora.
Laura saiu da cozinha como se nada tivesse acontecido.
—Te falei pra esperar.
Diego me olhou.
—Que porra é essa contigo?
—O quê?
—Tá todo estranho.
—Não tô estranho.
—Tá sim.
Ajustei a mochila na frente antes de me levantar.
—Minha mãe me mandou mensagem. Precisa que eu ajude com uma coisa.
—Agora?
—É.
—Mas se acabou de parar de chover.
—Exatamente.
Diego me olhou sem entender porra nenhuma.
—Tem certeza?
—Sim, mano. Te chamo daqui a pouco.
—Beleza.
Não queria olhar pra Laura, mas olhei.
—Até mais, Andrés — disse ela como se nada.
—Até mais.
Caminhei as quadras até minha casa na garoa. A ereção baixou depois de um tempo. A vontade de ver ela de novo, não.
Na sexta saí com uns colegas de Arquitetura pra beber perto da CU. Cervejas, depois uns doses de tequila. Tava de saco cheio e mais falante que o normal, mas tava de boa.
Voltei andando pra minha rua. Ao virar perto da casa do Diego, vi ela chegando.
Laura vinha de um jantar de aniversário com umas amigas depois do trabalho. Tava com um vestido justo, os lábios mais vermelhos que o normal e o cabelo solto. Cheirava a perfume e a vinho. Tava de bom humor.
Ela me viu e parou perto do portão com as chaves na mão.
—Andrés?
—Oi.
Ela ficou me olhando e riu.
—Tá animado, garoto.
—Você também não tá exatamente sóbria.
—Tomei uns copos com minhas amigas. Não exagera.
—Só tô dizendo.
—É, claro — disse ela abrindo o portão—. Vai andar até sua casa assim?
—Tô a cinco minutos.
—Entra. Te faço um café antes de você chegar. cheirando a boteco.
Entramos. A casa estava em silêncio. Olhei para as escadas.
—Diego?
—Foi pra Tlalnepantla com o pessoal da QFB. Me avisou que vai dormir lá.
—Ah.
Tentei não deixar transparecer demais.
Na cozinha, tomamos água, café e comemos alguma coisa. Ficamos conversando por um bom tempo. Nessa altura, eu já estava bem mais lúcido, e a Laura também.
Em algum momento, ela pegou uma garrafa e serviu só um pouquinho em dois copos.
—Um dedinho — disse.
Me contou uns fofocas do jantar e zoou uma das amigas dela. Eu adorava vê-la assim, falando de coisas que não tinham nada a ver com o Diego.
Depois de um tempo, ela apoiou os cotovelos na bancada e me olhou.
—Escuta... você ainda tá puto por causa da chuva?
—Por ter tido que ir embora daquele jeito?
Ela sorriu.
—Exatamente.
—Não foi culpa sua. O Diego chegou.
—Detalhes.
Ficamos em silêncio.
Meu celular vibrou. Era minha mãe perguntando se eu ia chegar.
Escrevi: Vou dormir na casa do Diego. Não esperem por mim.
Mandei a mensagem. Fazia anos que eu ficava lá, então não tinha nada de estranho.
A Laura conseguiu ver a tela.
—Que conveniente.
—Tecnicamente, eu tô sim na casa do Diego.
—Tecnicamente, você é um mentiroso.
Eu ri.
Quando olhei pra ela de novo, já não estávamos rindo.
A gente se aproximou quase ao mesmo tempo.
Fomos pro sofá. Dessa vez, não tinha pressa.
Ficamos de pé por um tempo, nos beijando devagar. Fui subindo a blusa dela aos poucos, beijando a barriga e a parte de baixo dos peitos. Quando tirei a blusa e o sutiã, fiquei olhando pra ela. Os mamilos estavam escuros e já durinhos. Toquei neles e depois chupei um. A Laura agarrou meu cabelo e soltou o ar devagar. Fim do primeiro capítulo.
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