Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo. A manhã seguinte foi incomum... bem estranha comparada às outras. Fernando sentou comigo no sofá da sala e jogamos videogame por várias horas. Dava pra notar um sorriso maroto nele, como se meu amigo não conseguisse esconder a felicidade pelo que tinha feito na noite anterior. Por outro lado, minha mãe acordou mais tarde do que o normal. Meio-dia. E dava pra perceber uma dificuldade pra andar junto com uma caretinha de dor que ela tentava disfarçar. Aí, ela me cumprimentou como de costume, me abraçou pelo pescoço enquanto eu ainda estava sentado e me deu um beijo na bochecha que senti como se tivesse uma mistura de tristeza e pedido de perdão, camuflada de normalidade. Então, Fernando se levantou pra cumprimentar minha mãe, mas surpreendentemente ela se afastou como se nem tivesse visto ele e foi pra cozinha, não sem antes me perguntar se eu já tinha comido. Depois, fomos assistir à maratona de futebol que vinha o mês inteiro. Minha mãe, dessa vez, e pra minha surpresa, sentou do meu lado do sofá, como se tentasse evitar meu amigo a todo custo. Teve até um momento em que Fernando perguntou pra minha mãe se ela estava bem, e ela, sem nem tirar os olhos da TV, respondeu secamente: "Tô sim, só um pouco cansada." Aí Fernando insistiu: "Dormiu bem? É que você parece meio estranha." Minha mãe, naquele momento, virou a cabeça pra olhar pra ele, e eu pude notar nela um olhar de ódio genuíno direcionado ao meu amigo. Um olhar que até me gelou o sangue. E depois ela disse: "Acho que ficar acordada até tarde pro seu tratamento tá me afetando muito. Ainda bem que você já tá bem e não precisa de mais cuidados." Essa última frase ela falou num tom mais irritado, como se fosse uma sentença. Meu amigo ficou paralisado por vários minutos olhando pro nada na frente da TV sem dizer uma palavra. Depois, deu um gole no refrigerante do copo dele e disse: "E se eu tiver uma recaída do meu... lesão? Ao que minha mãe respondeu no mesmo tom seco - então significa que sua condição é mais grave do que pensávamos a princípio e você vai ter que ir ao hospital ser atendido, disse antes de se levantar e ir ao banheiro, já pela quarta vez no dia. Chegou assim a noite. Minha mãe não parava de ir ao banheiro a cada 10 ou 15 minutos e, embora tentasse disfarçar, algo tinha mudado. A tensão era cada vez mais evidente entre os dois. Minha mãe agia como se só nós dois estivéssemos em casa, excluindo qualquer atividade com meu amigo, exceto as refeições. Mas mesmo ali, dava pra ver que era mais uma demonstração de cordialidade do que uma ação desejada por parte dela. No dia seguinte, acordei cedo e meu amigo estava lá, sentado no sofá da sala com um semblante meio cabisbaixo. Então eu disse pra ele: Tá pronto, bro? Hoje a Argentina joga e temos que apoiar o Lio. Ele só me olhou e disse: Sabe por que sua mãe tá tão puta comigo ultimamente? Eu ri por dentro. Deve ser porque você arrebentou a buceta dela de um jeito selvagem, pensei, mas não falei. Com certeza esse cara já desconfiava, mas não queria aceitar. No lugar disso, só consegui dizer - não sei do que você tá falando, irmão, eu vejo ela igual de sempre. Fernando me olhou nos olhos e disse: - Cê acha? Eu sinto como se ela estivesse me ignorando. Ontem ela nem checou minha lesão - deve ser porque, como ela disse, já tá boa, irmão, eu falei.. já não deve ser necessário você ficar se vendo todo dia, continua. Naquele momento, minha mãe chegou atrás de mim e me abraçou pelas costas, me dando um beijo na bochecha e depois me desejando bom dia. Ainda dói minha perna, disse Fernando. A dor até sobe pros meus ovos. Posso te dar um remédio pra dor, disse minha mãe sem olhar pra ele. E se em vez disso você me der outra massagem? Meu amigo falou. Minha mãe nem respondeu aquilo.. foi pra cozinha, ainda andando com dificuldade. A verdade é que até eu achei engraçado como meu amigo Ele se humilhava pela atenção da minha mãe. Mas estava claro que ele tinha feito ela ficar brava demais. Assim passaram vários dias, minha mãe, embora aos poucos falasse mais com o Fernando, não parecia querer ter a mesma confiança de dias atrás. Na verdade, as revisões no Fernando foram ficando cada vez mais espaçadas. A cada dois dias, a cada três. E eram mais rápidas que o normal. Como se ela fizesse mais por obrigação. Até aquela noite... A gente tava dormindo quando um grito agudo do Fernando nos acordou. Eu saí do meu quarto num raio, igual minha mãe. Eram 3h15 da manhã. E a primeira coisa que minha mãe fez foi perguntar o que tá acontecendo?. Aí, ela percebeu que os gritos vinham do quarto do Fernando. - Deixa eu ver o que aconteceu com ele, me disse minha mãe. , talvez ele tenha tido uma distensão. Então, minha mãe entrou no quarto, perguntando pro meu amigo o que ele tinha?, e ele só disse que sentia uma espécie de câimbra na perna. Aí minha mãe fechou a porta. Eu tentei dormir mais um pouco. Quando lá pelas 4 da manhã, uma risada alta me acordou - Nãooo! Kkkkk kkkkk, você é louco, assim não. Era a voz da minha mãe, e ela não parecia irritada, mas sim parecia que algo tava achando graça. Demais, eu diria - Vai logo, só um pouquinho pra dormir, escutei a voz do meu amigo. Então ficou só silêncio por uns minutos, quando de repente, um barulho tipo de uma batida em algum móvel ecoou pela casa toda... seguido de uma espécie de martelada cada vez mais forte. Não pode ser... de novo, pensei. O barulho tava cada vez mais audível e os gemidos da minha mãe aos poucos menos abafados e mais altos, a ponto de eu começar a achar que devia estar sonhando. Às 8 da manhã eu me levantei. Minha mãe me chamou, da cozinha, dizendo que o café da manhã tava pronto. Ao chegar, minha mãe me cumprimentou como sempre, com um beijo na bochecha que eu achei estranho... eu não entendia bem o porquê. Até que o Fernando me fez um sinal com a mão pra eu me limpar enquanto tentava segurar a risada. Aí eu me limpei. com a mão e, ao vê-la, notei uma mancha nela, de cor acinzentada e textura grudada. josa....... bem nesse momento, bateram na porta.......... parte 7?
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