Após o primeiro contato, o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer palavra. Ficaram abraçados na cama estreita, suados, com a respiração ainda ofegante. Javier tinha o rosto enterrado no pescoço de Karina, sentindo o cheiro da pele salgada dela, enquanto ela olhava fixamente para o teto rachado, com lágrimas silenciosas escorrendo pelas têmporas em direção ao travesseiro.
Karina sentia o sêmen do filho ainda quente dentro dela, uma sensação física que a ancorava no que acabara de acontecer e, ao mesmo tempo, a enchia de um horror profundo. "O que eu acabei de fazer?", pensou, com o peito apertado como se uma mão invisível o esmagasse. Lembrou do dia em que Javier nasceu, quando ela tinha acabado de fazer 16 anos: a dor do parto na casinha de adobe, Ramiro segurando a mão dela, o choro do bebê que encheu o quarto de vida. Aquele mesmo menino — agora homem — acabara de entrar nela, de preenchê-la, de fazê-la gemer como nunca tinha gemido com o marido. A culpa a atingiu como um chicote: "Sou a mãe dele. Eu o pari. Eu o criei com meus peitos. E agora… isso". Fechou os olhos com força, mas as imagens continuavam: as pernas abertas para ele, as unhas cravadas nas costas dele, o prazer que a fizera esquecer de tudo por alguns minutos.
Sentia-se suja, quebrada, indigna. "Ramiro está lá se matando de trabalhar por nós. José manda dinheiro pensando que somos uma família unida. O que ele diria se soubesse que o irmão dele e eu…?". Imaginou o rosto de Ramiro se algum dia descobrisse: os olhos tristes, a decepção muda, talvez até a violência contida que ele nunca demonstrara. Pensou na vila, nas línguas afiadas, em como a apontariam como a mulher que corrompeu o próprio filho. "Maldita", a chamariam. "Vagabunda". E o pior: uma parte dela não podia negar que tinha aproveitado. O orgasmo tinha sido intenso, quase doloroso de tão forte, e o corpo ainda tremia com os ecos do prazer, e se ela engravidasse, não se protegeram, a possibilidade estava ali, e Se ela já estava, só rezava para que não fosse assim, mas o que a aterrorizava mais que tudo: que o corpo dela tivesse respondido com tanta avidez ao pecado.
Javier, por sua vez, sentia uma mistura parecida, mas diferente. Tinha o braço em volta da cintura de Karina, sentindo a respiração dela se cortar em soluços mudos. "Eu fiz ela chorar", pensou, e o remorso queimou seu estômago. Ele a desejara por tanto tempo que quando finalmente a teve, o alívio foi imenso... mas durou só segundos. Agora, ao vê-la assim — vulnerável, tremendo —, ele se odiava. "Eu forcei. Não com força, mas convenci com olhares, com roçadas, com palavras. Ela disse 'a gente não devia' e eu continuei." Lembrou da própria voz implorando "não para, mãe", e sentiu náusea. Era a mãe dele. A mulher que o carregou no colo quando era pequeno, que deu de comer quando não havia mais nada, que chorou de felicidade quando ele e José mandavam os primeiros trocados de San Luis. E ele a tinha transformado nisso: numa amante proibida, num segredo que podia destruir todo mundo.
Ele se afastou um pouco, só o suficiente para olhar nos olhos dela na penumbra. Karina estava com o rosto molhado, os lábios inchados de tanto beijo, os olhos vermelhos. Javier sentiu um nó na garganta.
— Me perdoa, mãe... — sussurrou, com a voz embargada —. Eu não devia... eu te forcei...
Karina negou com a cabeça devagar, sem olhar para ele.
— Não, meu filho. Eu... eu também quis. Isso é o que dói mais. — A voz dela era um fio —. Eu te deixei. Eu te correspondi. E agora... agora não sei como te olhar sem sentir que morro por dentro.
Ela cobriu o rosto com as mãos, soluçando baixinho. Javier abraçou ela de novo, mas dessa vez era consolo, não desejo. Sentiu como ela se tensou no começo, depois se deixou cair contra o peito dele, chorando com mais força.
— A gente não pode continuar — disse ela entre soluços —. Isso tem que parar. Amanhã... amanhã eu durmo no sofá. Ou você no sofá. A gente não pode dividir essa cama nunca mais.
Javier assentiu, embora só o pensar nisso doía fisicamente. Seu membro, ainda sensível, se contraiu ao imaginar nunca mais tocá-la. Mas o medo era maior.
—E se o papai descobrir? —perguntou em voz baixa, aterrorizado—. E se o José descobrir?
Karina estremeceu.
—Ele não vai descobrir. Ninguém vai descobrir. Mas nós… nós vamos carregar isso pra sempre. Cada vez que olharmos pro Ramiro no telefone, cada vez que o José perguntar como estamos… vamos saber que mentimos. Que traímos.
Ficaram em silêncio por um bom tempo. Javier acariciou o cabelo dela com ternura, como quando era criança e ela o consolava depois de um pesadelo. Mas agora o pesadelo era real, e era deles.
—Te amo, mãe —disse por fim, com lágrimas nos olhos—. Não como filho… ou sim, como filho, mas também… de outra forma. E isso tá me matando.
Karina levantou o rosto, olhou pra ele com uma mistura de amor e dor infinita.
—Eu também te amo, Javier. Demais. Por isso dói tanto. Porque não é só desejo. É amor torto, amor que saiu do caminho.
Se beijaram uma última vez naquela noite: um beijo suave, triste, de despedida do que acabava de nascer e já estava morrendo. Depois se separaram na cama, cada um pro seu lado, olhando o teto na escuridão, com o peso da culpa esmagando eles como nunca antes.
No dia seguinte, a casa seria a mesma: tortillas no fogão, roupa estendida no quintal, ligações de Monterrey. Mas eles já não seriam os mesmos. O prazer tinha sido breve; o conflito emocional, eterno.
No dia seguinte, a casa amanheceu com uma tensão que dava pra cortar com faca. Karina se levantou primeiro, como sempre, e preparou o café com movimentos mecânicos, sem olhar pro Javier quando ele entrou na cozinha. Ela vestia uma blusa larga e uma saia comprida, como se quisesse se cobrir mais do que o normal, esconder o corpo que na noite anterior tinha sido exposto e desejado.
—A gente não vai falar sobre ontem à noite —disse ela sem se virar, mexendo o café com força—. Foi um Erro. Um erro enorme. Hoje eu durmo no sofá. Você fica com a cama.
Javier assentiu, com a boca seca. Serviu café e sentou-se à mesa, mas não conseguiu evitar olhar para ela: a curva do pescoço quando inclinava a cabeça, o jeito como as mãos tremiam levemente ao despejar o açúcar. Queria dizer algo, se desculpar de novo, mas as palavras ficavam presas. Terminaram o café da manhã em silêncio, cada um do seu lado da mesa, como estranhos.
Naquela tarde, Karina comprou um colchão fino no mercado de segunda mão e o colocou no sofá do quarto principal. Javier ajudou a carregá-lo, e num momento as mãos deles se roçaram ao acomodá-lo. Os dois congelaram. Ela puxou a mão rápido, como se queimasse.
—Não me toca mais — sussurrou, com a voz embargada—. Por favor.
Javier recuou, sentindo um vazio no peito.
A primeira noite foi um inferno para os dois. Karina se deitou no sofá, enrolada numa coberta velha, olhando o teto. O colchão era duro, o encosto do sofá furava suas costas, mas o pior era o silêncio do quarto vazio. Sentia falta do calor do corpo de Javier ao lado dela, do som da respiração dele.
Virava-se de um lado para o outro, apertando as coxas para acalmar o formigamento que voltava sem permissão. "Não pensa nele", repetia para si mesma. Mas as imagens voltavam: a boca dele nos seios dela, os dedos dentro dela, o momento em que ele entrou e a preencheu. Tocou-se uma vez, quase sem querer, deslizando a mão por baixo da saia, mas parou na hora, chorando de vergonha. "Não. Não vou cair de novo."
No quarto, Javier também não dormia. Bateu uma duas vezes naquela noite, pensando nela: em como ela gemia o nome dele, em como os quadris dela se moviam contra os dele. Gozou com culpa, limpando tudo com raiva, e depois ficou olhando a porta fechada, desejando abri-la e arrastá-la de volta para a cama. Mas não fez. Ficou ali, sozinho, com o pau ainda sensível e o coração em pedaços.
No terceiro dia, a tentativa falhou por primeira vez. Javier chegou mais cedo do trabalho e encontrou Karina na cozinha, preparando mole. O cheiro tomava conta da casa, e ela estava inclinada sobre a panela, com o rebozo caído dos ombros, deixando à mostra a pele morena do decote. Ele se aproximou por trás "pra ver se ela precisava de ajuda", e sem pensar, colocou as mãos na cintura dela. Karina se tensou, mas não se afastou na hora.
—Javier... não —disse ela, mas a voz tremia.
Ele não tirou as mãos. Em vez disso, subiu devagar pelas laterais do corpo dela, roçando a borda dos peitos. Karina fechou os olhos, respirando ofegante.
—Só um momento —sussurrou ele—. Só... deixa eu te sentir.
Ela virou a cabeça, e os lábios se encontraram. O beijo começou suave, quase um pedido de desculpas, mas em segundos virou faminto. Karina apagou o fogão com a mão trêmula e se virou por completo. As mãos dela subiram pro pescoço dele, puxando ele pra mais perto. Se beijaram contra a bancada, com urgência, como se o tempo estivesse acabando. Javier levantou a saia dela, enfiou a mão entre as coxas e descobriu que ela já estava molhada. Karina gemeu contra a boca dele quando os dedos entraram nela.
Fizeram ali mesmo, de pé: ele levantou ela um pouco, apoiando na bancada, e entrou com uma estocada funda. Foi rápido, desesperado, sem palavras.
Karina: Não Javier, não filho, não goza dentro não dessa vez, tira por favor, foi assim que Javier respeitou o que Karina pedia.
Karina deslizou pro chão, chorando.
—De novo... a gente fez de novo —soluçou—. Por que eu não consigo parar?
Javier se ajoelhou na frente dela, abraçando ela.
—Porque a gente se ama. Porque a gente não consegue evitar.
Mas a culpa voltou mais forte. Naquela noite, Karina insistiu em dormir no sofá de novo. Javier deixou, mas às três da manhã, não aguentou mais. Levantou em silêncio e foi pro quarto principal. Encontrou ela encolhida, tremendo de frio ou de nervoso. Sem dizer nada, levantou ela no colo e levou de volta pra cama. Karina não protestou; só se aninhou. contra o peito dele, chorando baixinho.
— Não sei como parar isso — murmurou ela.
— Não sei se quero parar — respondeu ele.
Os dias seguintes foram um ciclo de tentativas fracassadas: promessas de separação de manhã, roçadas inevitáveis durante o dia, sexo urgente e silencioso à noite. Toda vez que terminavam, se abraçavam com mais força, como se o prazer físico fosse a única coisa que os mantivesse à tona no meio da tempestade emocional. A culpa não sumia; só ficava mais profunda, mais permanente. Eles sabiam que estavam construindo uma mentira que um dia ia explodir, mas enquanto isso, não conseguiam — ou não queriam — se soltar.
Karina sentia o sêmen do filho ainda quente dentro dela, uma sensação física que a ancorava no que acabara de acontecer e, ao mesmo tempo, a enchia de um horror profundo. "O que eu acabei de fazer?", pensou, com o peito apertado como se uma mão invisível o esmagasse. Lembrou do dia em que Javier nasceu, quando ela tinha acabado de fazer 16 anos: a dor do parto na casinha de adobe, Ramiro segurando a mão dela, o choro do bebê que encheu o quarto de vida. Aquele mesmo menino — agora homem — acabara de entrar nela, de preenchê-la, de fazê-la gemer como nunca tinha gemido com o marido. A culpa a atingiu como um chicote: "Sou a mãe dele. Eu o pari. Eu o criei com meus peitos. E agora… isso". Fechou os olhos com força, mas as imagens continuavam: as pernas abertas para ele, as unhas cravadas nas costas dele, o prazer que a fizera esquecer de tudo por alguns minutos.
Sentia-se suja, quebrada, indigna. "Ramiro está lá se matando de trabalhar por nós. José manda dinheiro pensando que somos uma família unida. O que ele diria se soubesse que o irmão dele e eu…?". Imaginou o rosto de Ramiro se algum dia descobrisse: os olhos tristes, a decepção muda, talvez até a violência contida que ele nunca demonstrara. Pensou na vila, nas línguas afiadas, em como a apontariam como a mulher que corrompeu o próprio filho. "Maldita", a chamariam. "Vagabunda". E o pior: uma parte dela não podia negar que tinha aproveitado. O orgasmo tinha sido intenso, quase doloroso de tão forte, e o corpo ainda tremia com os ecos do prazer, e se ela engravidasse, não se protegeram, a possibilidade estava ali, e Se ela já estava, só rezava para que não fosse assim, mas o que a aterrorizava mais que tudo: que o corpo dela tivesse respondido com tanta avidez ao pecado.
Javier, por sua vez, sentia uma mistura parecida, mas diferente. Tinha o braço em volta da cintura de Karina, sentindo a respiração dela se cortar em soluços mudos. "Eu fiz ela chorar", pensou, e o remorso queimou seu estômago. Ele a desejara por tanto tempo que quando finalmente a teve, o alívio foi imenso... mas durou só segundos. Agora, ao vê-la assim — vulnerável, tremendo —, ele se odiava. "Eu forcei. Não com força, mas convenci com olhares, com roçadas, com palavras. Ela disse 'a gente não devia' e eu continuei." Lembrou da própria voz implorando "não para, mãe", e sentiu náusea. Era a mãe dele. A mulher que o carregou no colo quando era pequeno, que deu de comer quando não havia mais nada, que chorou de felicidade quando ele e José mandavam os primeiros trocados de San Luis. E ele a tinha transformado nisso: numa amante proibida, num segredo que podia destruir todo mundo.
Ele se afastou um pouco, só o suficiente para olhar nos olhos dela na penumbra. Karina estava com o rosto molhado, os lábios inchados de tanto beijo, os olhos vermelhos. Javier sentiu um nó na garganta.
— Me perdoa, mãe... — sussurrou, com a voz embargada —. Eu não devia... eu te forcei...
Karina negou com a cabeça devagar, sem olhar para ele.
— Não, meu filho. Eu... eu também quis. Isso é o que dói mais. — A voz dela era um fio —. Eu te deixei. Eu te correspondi. E agora... agora não sei como te olhar sem sentir que morro por dentro.
Ela cobriu o rosto com as mãos, soluçando baixinho. Javier abraçou ela de novo, mas dessa vez era consolo, não desejo. Sentiu como ela se tensou no começo, depois se deixou cair contra o peito dele, chorando com mais força.
— A gente não pode continuar — disse ela entre soluços —. Isso tem que parar. Amanhã... amanhã eu durmo no sofá. Ou você no sofá. A gente não pode dividir essa cama nunca mais.
Javier assentiu, embora só o pensar nisso doía fisicamente. Seu membro, ainda sensível, se contraiu ao imaginar nunca mais tocá-la. Mas o medo era maior.
—E se o papai descobrir? —perguntou em voz baixa, aterrorizado—. E se o José descobrir?
Karina estremeceu.
—Ele não vai descobrir. Ninguém vai descobrir. Mas nós… nós vamos carregar isso pra sempre. Cada vez que olharmos pro Ramiro no telefone, cada vez que o José perguntar como estamos… vamos saber que mentimos. Que traímos.
Ficaram em silêncio por um bom tempo. Javier acariciou o cabelo dela com ternura, como quando era criança e ela o consolava depois de um pesadelo. Mas agora o pesadelo era real, e era deles.
—Te amo, mãe —disse por fim, com lágrimas nos olhos—. Não como filho… ou sim, como filho, mas também… de outra forma. E isso tá me matando.
Karina levantou o rosto, olhou pra ele com uma mistura de amor e dor infinita.
—Eu também te amo, Javier. Demais. Por isso dói tanto. Porque não é só desejo. É amor torto, amor que saiu do caminho.
Se beijaram uma última vez naquela noite: um beijo suave, triste, de despedida do que acabava de nascer e já estava morrendo. Depois se separaram na cama, cada um pro seu lado, olhando o teto na escuridão, com o peso da culpa esmagando eles como nunca antes.
No dia seguinte, a casa seria a mesma: tortillas no fogão, roupa estendida no quintal, ligações de Monterrey. Mas eles já não seriam os mesmos. O prazer tinha sido breve; o conflito emocional, eterno.
No dia seguinte, a casa amanheceu com uma tensão que dava pra cortar com faca. Karina se levantou primeiro, como sempre, e preparou o café com movimentos mecânicos, sem olhar pro Javier quando ele entrou na cozinha. Ela vestia uma blusa larga e uma saia comprida, como se quisesse se cobrir mais do que o normal, esconder o corpo que na noite anterior tinha sido exposto e desejado.
—A gente não vai falar sobre ontem à noite —disse ela sem se virar, mexendo o café com força—. Foi um Erro. Um erro enorme. Hoje eu durmo no sofá. Você fica com a cama.
Javier assentiu, com a boca seca. Serviu café e sentou-se à mesa, mas não conseguiu evitar olhar para ela: a curva do pescoço quando inclinava a cabeça, o jeito como as mãos tremiam levemente ao despejar o açúcar. Queria dizer algo, se desculpar de novo, mas as palavras ficavam presas. Terminaram o café da manhã em silêncio, cada um do seu lado da mesa, como estranhos.
Naquela tarde, Karina comprou um colchão fino no mercado de segunda mão e o colocou no sofá do quarto principal. Javier ajudou a carregá-lo, e num momento as mãos deles se roçaram ao acomodá-lo. Os dois congelaram. Ela puxou a mão rápido, como se queimasse.
—Não me toca mais — sussurrou, com a voz embargada—. Por favor.
Javier recuou, sentindo um vazio no peito.
A primeira noite foi um inferno para os dois. Karina se deitou no sofá, enrolada numa coberta velha, olhando o teto. O colchão era duro, o encosto do sofá furava suas costas, mas o pior era o silêncio do quarto vazio. Sentia falta do calor do corpo de Javier ao lado dela, do som da respiração dele.
Virava-se de um lado para o outro, apertando as coxas para acalmar o formigamento que voltava sem permissão. "Não pensa nele", repetia para si mesma. Mas as imagens voltavam: a boca dele nos seios dela, os dedos dentro dela, o momento em que ele entrou e a preencheu. Tocou-se uma vez, quase sem querer, deslizando a mão por baixo da saia, mas parou na hora, chorando de vergonha. "Não. Não vou cair de novo."
No quarto, Javier também não dormia. Bateu uma duas vezes naquela noite, pensando nela: em como ela gemia o nome dele, em como os quadris dela se moviam contra os dele. Gozou com culpa, limpando tudo com raiva, e depois ficou olhando a porta fechada, desejando abri-la e arrastá-la de volta para a cama. Mas não fez. Ficou ali, sozinho, com o pau ainda sensível e o coração em pedaços.
No terceiro dia, a tentativa falhou por primeira vez. Javier chegou mais cedo do trabalho e encontrou Karina na cozinha, preparando mole. O cheiro tomava conta da casa, e ela estava inclinada sobre a panela, com o rebozo caído dos ombros, deixando à mostra a pele morena do decote. Ele se aproximou por trás "pra ver se ela precisava de ajuda", e sem pensar, colocou as mãos na cintura dela. Karina se tensou, mas não se afastou na hora.
—Javier... não —disse ela, mas a voz tremia.
Ele não tirou as mãos. Em vez disso, subiu devagar pelas laterais do corpo dela, roçando a borda dos peitos. Karina fechou os olhos, respirando ofegante.
—Só um momento —sussurrou ele—. Só... deixa eu te sentir.
Ela virou a cabeça, e os lábios se encontraram. O beijo começou suave, quase um pedido de desculpas, mas em segundos virou faminto. Karina apagou o fogão com a mão trêmula e se virou por completo. As mãos dela subiram pro pescoço dele, puxando ele pra mais perto. Se beijaram contra a bancada, com urgência, como se o tempo estivesse acabando. Javier levantou a saia dela, enfiou a mão entre as coxas e descobriu que ela já estava molhada. Karina gemeu contra a boca dele quando os dedos entraram nela.
Fizeram ali mesmo, de pé: ele levantou ela um pouco, apoiando na bancada, e entrou com uma estocada funda. Foi rápido, desesperado, sem palavras.
Karina: Não Javier, não filho, não goza dentro não dessa vez, tira por favor, foi assim que Javier respeitou o que Karina pedia.
Karina deslizou pro chão, chorando.
—De novo... a gente fez de novo —soluçou—. Por que eu não consigo parar?
Javier se ajoelhou na frente dela, abraçando ela.
—Porque a gente se ama. Porque a gente não consegue evitar.
Mas a culpa voltou mais forte. Naquela noite, Karina insistiu em dormir no sofá de novo. Javier deixou, mas às três da manhã, não aguentou mais. Levantou em silêncio e foi pro quarto principal. Encontrou ela encolhida, tremendo de frio ou de nervoso. Sem dizer nada, levantou ela no colo e levou de volta pra cama. Karina não protestou; só se aninhou. contra o peito dele, chorando baixinho.
— Não sei como parar isso — murmurou ela.
— Não sei se quero parar — respondeu ele.
Os dias seguintes foram um ciclo de tentativas fracassadas: promessas de separação de manhã, roçadas inevitáveis durante o dia, sexo urgente e silencioso à noite. Toda vez que terminavam, se abraçavam com mais força, como se o prazer físico fosse a única coisa que os mantivesse à tona no meio da tempestade emocional. A culpa não sumia; só ficava mais profunda, mais permanente. Eles sabiam que estavam construindo uma mentira que um dia ia explodir, mas enquanto isso, não conseguiam — ou não queriam — se soltar.
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