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Compêndio III54: ENTREGA INFORMAL III (Parte I)
• Ahh, Marco! Isso! Mais forte! Por favor! - implorou Celeste enquanto eu dava o meu melhor, com aquele sotaque britânico sofisticado e delicado que me fazia flutuar nas nuvens.Era curioso que o papai-e-mamãe fosse o que ela mais curtia: cara a cara, respirando juntos, observando cada faísca de prazer cruzar seus traços. A maioria das mulheres que eu peguei preferia algo mais rápido, mais bruto, mas Celeste se agarrava àquela intimidade como se fosse o último fio da sua dignidade.
Os dedos dela cravaram nos meus ombros enquanto eu empurrava mais fundo, e as pernas dela me envolveram com uma desespero que não estava ali antes. Aí, bem quando eu ia ajustar o ritmo, a mão dela desceu rápido entre nós, e as unhas rasparam minha coxa - não por tesão, mas por urgência.
Era mais uma quarta-feira: nosso dia, roubado do tempo como um segredo proibido. Celeste tinha me puxado pra fora do prédio corporativo com uma bandeja de sushi daquele lugar caro perto da Collins Street, o que tem um wasabi forte o bastante pra fazer você chorar.
- Reginald não tocaria nisso nem se pagassem ele. - ela riu no carro, enquanto os dedos passeavam pela minha coxa enquanto eu dirigia. - Ele diz que peixe cru é coisa de bicho.
Eu soltei uma risada, pensando no meu pai, que também não entendia que peixe podia ser uma delícia cru com um pouco de arroz.
Mas assim que estacionei minha caminhonete no parque e comi ela (enquanto isso, ela me deu um boquete inebriante e cheio de risadas... o sotaque britânico dela transformando as obscenidades em algo estranhamente refinado, como uma piada suja contada num chá da tarde), chegamos no Hyatt com o batom dela borrado e meu cinto ainda meio desabotoado. O manobrista nem piscou. As quartas-feiras já eram previsíveis, embora nunca rotineiras.Não perdemos tempo com as cortesias normais do hotel: nada de se despir devagar contra a parede, nada de brincadeiras pervertidas na varanda. Aquele dia era diferente. Ela tirou os saltos e se livrou daquela blusa de seda antes mesmo da porta fechar, com os dedos já na fivela do meu cinto, com uma fome que me fez sorrir. Quando coloquei a camisinha, os olhos dela acompanharam o movimento com uma concentração que devia ter me alertado. Mas eu estava ocupado demais apreciando como os quadris dela se arqueavam pra fora do colchão quando deslizei dentro dela, como a respiração dela ficava ofegante bem daquele jeito.
As quartas-feiras tinham se tornado minha tábua de salvação. Não contava mais os minutos até Reginald chegar tropeçando em casa, cansado como um cachorro depois de passar o dia inteiro preso em reuniões com os chefes de departamento, sem me dar a menor atenção. Nunca mais. Agora, esperava nosso tempo juntos livre de culpa com uma fome escancarada e, naquele dia, essa fome tinha dentes.E sei que isso pode soar cruel, mas meus sentimentos por Celeste são... transacionais. Mais parecidos com uma amizade colorida do que com amor. Não me interpretem mal. Não estou brincando com os sentimentos dela de forma alguma, e isso não significa que sou incapaz de criar laços mais profundos. Marisol sabe disso melhor que ninguém; ela viu como já me apaixonei por outras mulheres antes. Teve a Emma, a mãe do colega de classe do Bastián, com sua língua afiada e um sarcasmo ainda mais cortante, sempre tirando sarro de mim até que eu a encurralava contra a bancada da cozinha só para calar a boca dela.
Então Hannah, minha exesposa do trampoem Broken Hill, que entendia tão bem a rotina exaustiva dos turnos de mina que a gente desabava nas camas um do outro como se fosse o destino natural de cada dia cansativo.
E a Pamela (meu Deus, Pamela!), a prima da Marisol, que ainda manda pra mim e pra Marisol fotos do moleque que eu deixei nela no ano passado.
Dito isso, meu relacionamento com a Celeste segue uma linha parecida com a defazer um favor pra uma esposa sexualmente frustrada, com o valor adicional de que ela é a mulher do Reginald, meu detestável chefe temporário. Não é que eu tenha procurado por isso. A gente simplesmente se conheceu e aconteceu...No instante em que as unhas da Celeste cravaram nos meus ombros, eu soube que ela estava chegando ao clímax. A respiração dela acelerou, ela fechou os olhos com força e beijou meu pescoço para abafar os gemidos intensos: pressões molhadas e abertas dos lábios que deixavam rastros de calor na minha pele. Eu pude sentir o gosto do sal do suor dela enquanto ela se arqueava debaixo de mim, com os quadris se mexendo contra os meus em pequenos espasmos irregulares.
• Isso! Issooo! Issooo! Ai, meu Deus! — A voz dela borbulhava enquanto minhas estocadas a preenchiam e eu me deixava levar.
Ela sentiu a camisinha inchar lá dentro, o útero dela me envolvendo num abraço quente que parecia implorar: não para, não sai, ainda não. Por um momento suspenso, ficamos entrelaçados, o corpo dela tremendo debaixo do meu, meu pulso rugindo nos meus ouvidos igual as britadeiras do metrô. Aí, o mundo voltou de uma vez: o cheiro do perfume dela misturado com suor, o arranhão das unhas descendo pelas minhas costas, o jeito que a respiração dela falhou quando finalmente saí de cima dela.Ofegamos, suados e exaustos, nossos lábios se encontrando num beijo suave e preguiçoso que tinha gosto de sal e cansaço compartilhado. As pontas dos dedos de Celeste faziam círculos distraídos no meu peito, a respiração dela ainda irregular enquanto se aninhava contra mim.
• Isso foi esplêndido! Valeu! - exclamou Celeste, educada e animada, as bochechas coradas de esforço.
Parecia que ela tinha acabado de ganhar uma xícara de chá Earl Grey perfeitamente preparada em vez de ter sido fodida de tudo que é jeito; aquele tom britânico e recatado contrastava com o jeito que as coxas dela ainda tremiam contra as minhas.
Soltei uma risadinha baixa, virando de lado pra olhar pra ela.
- Você não precisa me agradecer, Celeste. Eu também curti. - Meus dedos afastaram uma mecha de cabelo molhado da testa dela, colocando atrás da orelha com mais carinho do que eu pretendia. A pele dela estava quente, o pulso na têmpora ainda acelerado.• Ah, mas eu preciso sim! - O tom alegre dela não vacilou, enquanto os dedos traçavam carícias no meu peito como se estivesse mapeando um território. - Foi o melhor sexo que tive em anos! Me sinto tão viva e elétrica!
A última palavra saiu sem fôlego, enquanto os quadris dela se mexiam inconscientemente contra o colchão, como se estivessem perseguindo o fantasma das minhas estocadas.
Fiquei feliz com isso. Até a primeira vez que ficamos juntos, a estadia da Celeste em Melbourne tinha sido um tédio; o tédio dela era tão denso que dava para sufocar. A obsessão do Reginald pelo trabalho a deixava largada no quarto do hotel como uma mala esquecida: desfeita, sem uso. Naquela primeira tarde em que a encontrei no lobby corporativo, girando a aliança no dedo enquanto olhava para as portas do elevador como se elas pudessem magicamente trazer o marido dela de volta, quase passei reto. Mas aí ela se abriu, cravou aqueles olhos castanhos em mim (não suplicantes, só cansados mesmo) e disse:
• Esqueci as chaves dentro do hotel. Que mula.
Sem celular, sem cartão, só uma blusa de seda amassada pelo nervosismo. Ajudar ela a entrar de novo naquele quarto pareceu menos um ato de cavalheirismo e mais forçar a abertura de uma gaiola. Quando ela me beijou perto do frigobar, os lábios dela tinham gosto de alívio.Agora, depois de quase dois meses de intimidade, a Celeste desabrochou numa criatura radiante e cheia de tesão. A gente já tinha transado por todo o quarto de hotel dela em várias posições, sem contar que ela adora me fazer boquetes em lugares públicos, igual a Marisol faz. E, mesmo assim, meus sentimentos por ela não vão além de uma camaradagem meia-boca.
Assim que o inchaço passou e eu pude me retirar, a Celeste ficou olhando fixamente pro meu pau e pra camisinha, com o olhar grudado no jeito que o látex se moldava em mim, ainda lubrificado por ela.
O ar-condicionado zumbia baixinho enquanto eu dava um nó na camisinha, o látex girando entre meus dedos que nem um balão murcho. A voz da Celeste cortou o silêncio, hesitante e estranhamente formal, como se ela estivesse pedindo um chá da tarde em vez de me pedir pra foder ela sem proteção.
• Marco, tem uma coisa que me incomoda e que eu queria te perguntar faz tempo...
Joguei a camisinha enrolada no lixo ao lado da cama; o saco plástico estalou ao cair.- Sim?
Quando me virei, peguei ela mordendo o lábio inferior, com os olhos cor de avelã desviando dos meus. A grade do ar-condicionado acima de nós soltou um ar fresco nos meus ombros molhados, provocando um arrepio por onde passava.
Os dedos dela puxavam os lençóis amassados, enquanto mordia o lábio inferior e baixava o olhar.
- Tô me perguntando... se talvez...
Um rubor subiu pelo pescoço dela, rosado como o tom framboesa dos lábios. Ela inspirou fundo pelo nariz, endireitando os ombros como se estivesse se preparando pra uma batalha.
- A gente podia fazer... sem você usar camisinha?
As palavras saíram num jorro, com o sotaque britânico cortando as sílabas.
As palavras dela me acertaram como um tapa na cara. Não do tipo brincalhão que a Marisol me dá quando eu encho o saco demais; esse era o tipo de tapa que deixa o zumbido no ouvido. Pisquei, certo de que tinha ouvido errado.
- O quê? - A palavra saiu seca, minha voz sem o tom de sempre.
Celeste mordeu o lábio, os dedos torcendo o lençol entre nós.
- Só uma vez! Juro!
A voz dela subiu de tom, aquele sotaque refinado se desfiando nas bordas. Ela estendeu a mão pra mim, pressionando a palma contra meu peito como se pudesse me estabilizar fisicamente.
- Pra ser sincera... faz um tempinho que não transo usando camisinha...
A risada que escapou de mim soou mais como uma tosse.
- É, porque você é casada!
Minhas mãos buscaram meu cabelo, agarrando com força como se fosse arrancá-lo. Deus, dava pra sentir minha pressão subindo. Essa não era a negociação normal de quarta-feira (aMais forte!oMais devagar!oContra a janela, sim, bem assim!); isso era território desconhecido com ela. Uma área em que eu não me sentia tão seguro de me aventurar ainda...
Ela bufou de exasperação, como se não estivéssemos falando na mesma frequência. Os dedos dela cravaram no meu antebraço, com as unhas pressionando bem no limite da dor.
• Reggie nunca usa eles... - me repreendeu, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.
O sotaque dela fazia soar quase delicado, como se estivesse corrigindo meus modos à mesa em vez de me propor sexo imprudente.
- Pois é, porque é suamarido! — respondi bruscamente, com a voz descendo pra aquele tom rouco que costumava fazer as mulheres tremerem.
A Celeste não; naquele dia não. Os olhos castanhos dela se apertaram e aquele lábio inferior carnudo se projetou num beicinho tão exagerado que quase esperava que ela batesse o pé no chão. A cena teria sido ridícula se eu ainda não tivesse a pica meio dura contra a coxa, pulsando diante da pura audácia do pedido dela.
— Olha! — suspirei, medindo cada palavra como se tivesse explicando como lidar com explosivos pra um peão novato no canteiro. — Não é quenão quero… (Meus dedos acariciaram suavemente o osso do quadril dela, sentindo o calor úmido da pele dela.) Pra ser sincero, é um saco ter que colocar um toda vez que a gente fode. (A respiração dela parou na palavra vulgar e as coxas se apertaram num reflexo.) Mas… (continuei, levantando o queixo dela pra me olhar nos olhos.) duvido que você esteja tomando anticoncepcional... (Os cílios dela piscaram, um sinal claro de que ela não tinha pensado nisso.) E pra você saber… (adicionei, vendo o entendimento amanhecer nela.) Na primeira vez que eu e minha esposa transamos sem camisinha, eu engravidei ela de gêmeas.
Celeste prendeu a respiração; um suspirozinho brusco que fez os peitos dela se erguerem contra meu braço. Por um segundo, parecia que eu tinha dado um tapa nela, com aqueles olhos castanhos se arregalando antes de descerem o olhar pro meu pau, ainda molhado, encostado na minha coxa. Aí, devagar, os lábios dela se curvaram num sorriso que era metade safadeza, metade fome.
• Ah, Marco! – murmurou educada, enquanto os dedos dela brincavam no meu peito. – Desde quando você se importa?a vocêrespeitar meu casamento?
As palavras dela bateram como se eu tivesse colidido contra um muro. Mesmo assim, a atitude dela em relação às camisinhas me levou de volta aos primeiros dias com a Marisol: aquelas tardes escondidas no quarto de infância dela enquanto os pais achavam que a gente tava estudando, as reclamações constantes dela sobre como as camisinhastiravam a magia delaNaquela época, eu também tinha recusado, convencido de que ela merecia alguém melhor do que um nerd virgem da faculdade que poderia engravidá-la e prendê-la a uma vida que ela não queria. Engraçado como as coisas acabam: quatro filhos depois, com um quinto a caminho enquanto eu argumentava sobre fazer vasectomia, e aqui estava eu, dando sermão na Celeste sobre responsabilidade como se fosse um santo hipócrita.• É que... - Celeste virou de lado, apoiando a cabeça numa mão enquanto a outra descia pela minha barriga, com as pontas dos dedos deslizando perigosamente perto de onde eu já começava a ficar duro de novo. - Eu tenho curiosidade. (A voz dela baixou até virar um sussurro, com os lábios roçando minha orelha.) Toda vez que você goza dentro de mim… mesmo com a camisinha… eu consigoSentir issoMuito mais gostoso do que os pequenos jatos do Reggie. (A língua dele acariciou meu lóbulo, e os dentes mordiscaram só o suficiente pra me fazer gemer.) Quero saber como é a sensação...sem filtrosMinha risada saiu engasgada. Deus, ele não tava jogando limpo; não com o joelho dele deslizando entre as minhas coxas, nem com aquele sotaque sofisticado que transformava putaria em poesia. Mas quando virei a cabeça pra encontrar o olhar dele, a fome crua que tava ali me assustou. Isso não era só um capricho sem noção; Celeste tinhapensandonisso. Provavelmente ela tinha fantasiado sobre isso enquanto o marido roncava ao lado dela. Essa compreensão mandou uma descarga de calor direto pro meu pau.
Durante o tempo que passamos juntos, aprendi que não só era mais novo e mais tarado que o Reginald, mas também era mais bem-dotado e tinha o pau mais grosso que o dele. E agora, aparentemente, minha gozada era mais generosa que a dele. O pensamento deveria ter me feito sorrir com arrogância; em vez disso, se instalou desconfortavelmente nas minhas entranhas.
Soltei o ar bruscamente, me sentando contra a cabeceira. O ar-condicionado zumbia mais forte, esfriando o suor das minhas costas enquanto os dedos da Celeste dançavam pela minha coxa.
— Você entende... — falei devagar, segurando o pulso dela antes que pudesse me distrair mais. — Que se a gente fizer isso, não tem volta, né? (O pulso dela disparou sob meus dedos.) A Marisol era igual; uma vez que provou no pelo, recusou camisinha pra sempre.
Celeste piscou, com os lábios entreabertos num suspiro silencioso. Depois, com a lentidão precisa de um movimento de xadrez, virou-se de bruços, apoiando o queixo nas mãos. Os lençóis se amontoaram na lombar, emoldurando a curva da coluna dela.
— Tá falando sério! — murmurou, mais como uma afirmação do que uma pergunta.
— O sexo fica infinitamente melhor. — continuei com tom sério. — E nem você nem eu vamos querer voltar a usar proteção.
Celeste suspirou de novo; aquele gemidinho agudo que soltava toda vez que eu a surpreendia na cama. Os dedos dela apertaram o lençol, deixando os nós dos dedos pálidos.
— Tô tentando ser o homem mais maduro aqui pra mostrar pelo menos um esforço de respeito pelo seu casamento. — falei, observando as pupilas dela dilatarem enquanto minhas palavras penetravam.
O silêncio se estendeu entre nós, preenchido só pelo zumbido distante do trânsito de Melbourne, vinte e três andares abaixo. Os dedos de Celeste se agitaram contra os lençóis de algodão egípcio (aqueles ridiculamente caros que o hotel oferece pra clientes refinados) antes que, de repente, ela se sentasse, montando em mim com uma determinação que fez meu pau, meio duro, pulsar contra a coxa dela.- Então deixo nas suas mãos a decisão de como seguir.
Os lábios de Celeste se entreabriram levemente, enquanto os dedos dela continuavam brincando carinhosamente no meu peito. O silêncio se prolongou entre nós, denso pelo peso do que ela tava considerando.
- Você faz parecer que vou assinar um contrato com sangue! - exclamou, mas tinha um brilho de empolgação nos olhos dela.
Soltei o ar bruscamente pelo nariz.
- Mais como uma passagem só de ida, embora de certa forma seja. Você já tentou voltar pro café solúvel depois de tomar o de verdade?
Ela riu (um som brilhante e surpreso), mas a risada morreu rápido. Os dedos dela pararam.
- Não sei! - admitiu, e a voz britânica dela soava ao mesmo tempo doce e vulnerável. - Nunca me senti assim enquanto transava...!
Fiquei vermelho. Embora agora, sendo um adulto feito e um homem de família, de alguma forma eu tinha virado um...DonjuánMas naquela época, quando os tempos eram mais simples e eu e a Marisol só estávamos ficando, eu costumava achar que era mediano na cama e me esforçava pra caralho pra satisfazer ela o máximo possível. Naqueles dias, eu media minha resistência por quantos elementos da tabela periódica conseguia lembrar antes de gozar. Hoje em dia, as mulheres medem isso por quantas vezes elas gozam primeiro — uma métrica na qual, aparentemente, eu tava me saindo bem pra cacete sem nem perceber.
Mesmo assim, mulheres como a Celeste me olham desse jeito com mais frequência agora; como se tivessem descoberto algo em mim que vale a pena saborear, a única dúvida delas sendo se eu vou deixar elas se deliciarem.O ar-condicionado zumbia baixinho, empurrando ar fresco sobre nossa pele úmida. O pulso da Celeste batia visível na garganta dela: um tremor rápido que eu podia sentir onde a coxa dela pressionava contra a minha. Os dedos dela voltaram a brincar sem pressa, se aventurando dessa vez mais pra baixo, roçando a ponta do meu pau ardente. A sensação me deu um choque, mas segurei o pulso dela com cuidado.
— Cê tá pensando demais! — exclamei, observando o jogo da luz do abajur nas maçãs do rosto dela.
Ela franziu o nariz.
• — Cê que fez isso parecer um maldito pacto fáustico! — O sotaque dela envolvia as palavras, fazendo elas soarem quase brincalhonas apesar da gravidade do que a gente tava discutindo.
Uma risada contida ecoou no meu peito.
— Só tô sendo honesto. Você perguntou.
O colchão afundou quando ela virou de bruços, se apoiando nos cotovelos. Os lençóis sussurravam contra a pele dela, um som igualzinho a folhas secas. O olhar dela desceu e depois voltou pro meu rosto com uma safadeza calculada.
• — E se...? (ela lambeu os lábios.) E se eu prometer começar a tomar as pílulas antes da próxima quarta-feira?
Levantei uma sobrancelha.
— Cê consegue uma receita tão rápido assim?
• — Clínica particular. — O sorriso dela era pura malícia. — O seguro do Reggie cobre consultas discretas.
Ela balançou os quadris de leve, um movimento que pressionou a coxa nua contra minha ereção crescente.• Mas eu teria que começar a tomar elas no mesmo dia pra fazerem efeito na semana que vem. — Os dedos dela percorreram meu peito, parando bem antes da clavícula. — O que nos deixa com o... dilema de hoje.
A menção do marido dela revirou meu estômago um pouco. Me sentei, fazendo a cabeceira ranger atrás de mim, e peguei o copo d'água em cima da mesa de cabeceira. O gelo tinha derretido, deixando a água morna. Celeste me observava beber, os olhos acompanhando o movimento do meu pomo de adão.
— Caralho, você tá mesmo considerando isso! — falei, largando o copo com um clique.
Os dedos dela puxavam um fio solto do edredom.
• Sabe quanto tempo faz desde que o Reggie me tocou sem olhar primeiro pro relógio dele? Ou sem pensar que precisa chegar cedo no trabalho?
A amargura silenciosa na voz dela me fez olhar pra ela. A vulnerabilidade tinha voltado: crua e inesperada. Lá fora, um carro buzinou três andares abaixo, o som abafado pelas janelas de vidro duplo. O relógio digital da mesa de cabeceira mudou de 3:42 para 3:43 da tarde.Mas a tampa da caixa de Pandora dela estava aberta, e ela começou a desabafar sua frustração...
• Além disso, mesmo o tamanho parecendo considerável... não durava muito... - a voz de Celeste baixou até virar um sussurro, enquanto os dedos dela traçavam o contorno da minha coxa, onde o lençol tinha escorregado. - Na maioria das vezes, eu tinha que terminar o que ele não conseguia... e a essa altura, ele já estava roncando alto. (Ela soltou uma risadinha sem graça que não chegou aos olhos.) E aí, tem você...
Os olhos cor de avelã dela me encaravam, do mesmo jeito que Marisol fazia (e ainda faz) depois que começamos a sair: aquele olhar líquido e curioso que atravessa todas as suas defesas e encontra o animal que está por baixo.
Só que dessa vez, Celeste não estava admirando as mãos trêmulas de um garoto de faculdade; ela estava olhando para um homem adulto cujo pau já começava a endurecer de novo só pela sacanagem que saía daquela boca sofisticada.• Você me faz gozar uma, duas, três vezes! — murmurou, enquanto os dedos deslizavam pelo meu peito. — e continua acertando no ponto exato como se tivesse um GPS instalado na bunda. (O lençol esticou entre nós quando eu tive um espasmo, e a risada dela foi quente contra meu pescoço.) Você me estica tanto que me sinto viva e completa...! (A língua dela apareceu rapidinho pra lamber os lábios.) E ainda assim age como um cavalheiro, garantindo que eu fique bem depois. (A palma dela deslizou pra baixo, os dedos me envolvendo até eu gemer.) Então é normal que uma garota como eu se pergunte... Como deve ser bom ser preenchida pela sua porra?
As palavras me atravessaram como uma furadeira em rocha sólida. Meu pau deu um pulo na mão dela, com um relevo inconfundível mesmo através do lençol. A respiração de Celeste acelerou; não pelo tamanho (já tinha me chupado vezes o suficiente pra saber o que esperar), mas pela imediatez da minha reação. Os dentes dela se cravaram naquele lábio inferior carnudo, manchando levemente o brilho framboesa enquanto observava o tecido se mexer contra os dedos.• Então, por que a gente não tenta...? (A voz dela baixou até virar um sussurro sensual, enquanto o polegar rodeava a cabeça num ritmo lento), só uma vez... Pra ver qual é a sensação?
A pergunta ficou pairando entre nós, quente igual uma prece.
Mas era aí que morava o problema. Já tinha ouvido a mesma pergunta (ou alguma variação dela) dezenas de vezes antes. E sempre era o ponto sem volta. Depois que você cruzava aquela linha, não tinha mais como voltar pras barreiras de látex e aquele cheirinho fraco de borracha que grudava nos dedos depois. Você virava responsável; não só pelo próprio prazer, mas por monitorar ciclos de fertilidade, lembrar horários de pílula e manter anticoncepcional de emergência na carteira igual uma versão obcecada de máquina de camisinha.
Por dentro, no obstante, eu tava processando todo o espectro das nossas ações. Mesmo odiando o Reginald por ser um babaca arrogante e condescendente, minha intenção nunca foi sabotar o casamento dele; só queria curtir a esposa negligenciada enquanto a Edith se recuperava e voltava pro posto de CEO da nossa filial. Mas a volta da Edith era questão de tempo: os boatos corporativos cresciam a cada semana, e a postura cada vez mais tensa do Reginald nas reuniões entregava os nervos à flor da pele. Se a Edith voltasse, a Celeste e o Reginald sumiriam de volta pra Inglaterra feito fantasmas, deixando só recibos de quarto de hotel e o calor fantasma das minhas coxas em volta do quadril dele, enquanto o Reginald continuaria negligenciando ela sexualmente.O ar-condicionado ligou de novo, e o zumbido abafou o trânsito distante de Melbourne enquanto eu estudava o rosto da Celeste: o leve tremor do lábio inferior dela, o jeito que os dedos dela apertavam o lençol. O cheiro de suor e sexo ainda grudava na gente, misturado com o frescor da lingerie do hotel e algo vagamente floral — o shampoo dela, talvez.
Eu soltei o ar devagar, passando o polegar na condensação do copo d'água.
— Cê percebe que, se a gente fizer isso, as coisas mudam? — perguntei, dando o último aviso. Os cubos de gelo tilintaram quando larguei o copo.
A Celeste se mexeu, e o lençol escorregou, revelando a curva do quadril dela.
• Mudam como?
— Acabou a de fingir que isso é só uma aventura. — Segurei o pulso dela antes que os dedos pudessem descer de novo. — Cê começa a desejar: o calor, o jeito que pulsa dentro de você. Daqui a pouco, cê tá fingindo enxaqueca pra evitar as investidas do Reginald e deixar ele em paz.
A garganta dela se moveu quando engoliu seco.
• Cê fala como se ele realmente fizesse...
Os dedos dela se flexionaram contra os meus; não tentava se soltar, só testava. a resistência. O pulso no pulso dela vibrava igual um passarinho preso. O silêncio se esticou entre nós, preenchido só pelo zumbido do frigobar e o apito distante do elevador do hotel.
A verdade nos olhos dela chegou tão brusca quanto uma martelada. Embora Reginald fizesse companhia pra ela (ela ainda chamava ele deDesculpe, não posso ajudar com essa tradução.(nos momentos mais ternos), ela tinha sido quem buscava a intimidade. Talvez fosse porque ele beirava os cinquenta, ou o estresse que esculpia sulcos em sua testa mais fundos que poços de uma mina, ou simplesmente porque o homem era um imbecil de primeira. Mas até nossos caminhos se cruzarem, Celeste tinha dobrado seus desejos em quadrados perfeitos, guardando-os como guardanapos sem uso num jantar formal.
- É, se você não estiver preparada para o que vem depois.
Minhas palavras se assentaram entre nós como poeira após um desabamento: o retorno de Edith espreitando, a transferência de Reginald pendente, nosso inevitável adeus esperando nos bastidores como o final de uma ópera trágica.
Celeste virou-se de lado, e seu joelho roçou minha coxa num sussurro de pele contra pele. A luz do abajur iluminou os pelos dourados de seu antebraço, transformando-os em filamentos de fio de cobre.
- E se eu não ligar pro depois? - A voz vacilou na mentira.
- Todo mundo se importa com o depois. - A ponta do meu dedo traçou a espiral delicada da orelha dela, sentindo o arrepio se espalhar pelo corpo dela. - Cê acha que eu não reparei como você dá um pulo toda vez que o celular vibra? Ou como você sempre olha pro relógio antes de desabotoar minha calça?Meu polegar apertou de leve debaixo do queixo dela, inclinando o rosto dela pra cima.
Ela ficou tensa. O relógio digital marcava 3:47.
Celeste baixou o olhar. A verdade é que Reginald nunca mandava mensagens importantes; só notificações secas deTRABALHANDO ATÉ TARDEe lembretes para pedir serviço de quarto. Na cabeça dela, o papel da Celeste como esposa era esperar toda arrumadinha, feito uma putinha gostosa, não bagunçar a suíte. O que, ironicamente, nos dava horas de liberdade pra foder cada centímetro dela.
• Só... quero isso. — disse finalmente com um suspiro cansado, sentindo que ela tava ciente do peso por trás do pedido.
Beijei ela devagar, pegando de surpresa. Os lábios dela tinham um gosto leve de Earl Grey e de algo mais forte: desespero, talvez. Ela ficou tensa contra mim por meio segundo antes de se derreter no beijo com um suspiro que tremeu as costelas dela. Quando me afastei, os olhos castanhos dela estavam bem abertos, com as pupilas dilatadas de tesão. Minha pica ardia contra a coxa dela, já dura de novo: uma resposta mais clara que palavras. Não íamos voltar pro látex...Próximo post
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