Aniversário, compromissos e anéis




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Compêndio IINa quarta-feira da semana passada, nossa Mágica Alicia completou sete anos.
XD
Secretamente, fiz um puta estardalhaço por isso, já que era "a primeira vez dela" depois que ela decidiu se tornar nossa filha.
(Já sabem, desde aqueles tempos em que ela era a amiga imaginária das nossas gêmeas e a menina fantasma do nosso antigo apartamento...)
Aniversário, compromissos e anéis😏
Bom, na quarta-feira a gente fez uma reuniãozinha.
Foi algo íntimo e tranquilo: só meu marido, as gêmeas, nosso bebê Jacinto, o Bastianzinho, a mãe dele e a parceira Elena.
Passamos a tarde comendo hambúrguer gorduroso e dividindo um bolinho simples que a Alicia já tinha lambuzado a bochecha inteira antes mesmo de a gente acender as velas.
FeministaMas percebi que meu amor e a Elena estão se dando muito melhor, o que faz essas reuniões de família parecerem menos um peso e mais uma grande família feliz.aniversarioXD

Mas no sábado a gente fez a grande celebração.

😆

E mais uma vez, nossa casa ficou cheia de agitação.

O caos intenso de uma dúzia de crianças tratando nosso quintal como se fosse o próprio parque de diversões.

As meninas eram um borrão de tule rosa e cabelo bagunçado, orbitando as gêmeas e o Bastiãozinho numa brincadeira frenética de pega-pega que ameaçava a estabilidade de cada mesa da casa.

😇

Era um caos lindo e barulhento que fazia a casa parecer menos velha e mais cheia de vida.

Enquanto isso, a gente, os adultos, curtia um merecido cessar-fogo no quintal, bebendo vinho e copos gelados e petiscando as delícias que meu marido fez.

A gente costuma preferir convidar meus colegas da academia; meu amor acha que o pessoal com quem trabalho é muito mais sociável, honesto (e bem mais gente boa) do que os caras corporativos com quem ele lida todo dia.

😍

Ele parece tão relaxado e curte de verdade conversar com todo mundo.

Como um bom anfitrião da festa, ele tava na cozinha, mas "anfitrião" é pouco.

Meu marido mandava ver como um chef executivo de alto nível numa cozinha com estrela Michelin, orquestrando uma sinfonia caótica de carne selada e peixe cortado com precisão.
infidelidade consentida0.0

Ele se movia com uma graça atlética e concentrada, os ombros largos se flexionando sob uma leve camada de farinha enquanto virava hambúrgueres e enrolava sushi com um nível de perícia que deixaria qualquer profissional com inveja.

Enquanto a mãe do Bastián, Elena, e eu atuávamos como garçonetes (cuidando das bandejas com comida e guiando o fluxo da conversa), o homem da minha vida era o motor na parte de trás, completamente no seu elemento e irradiando uma confiança serena e satisfeita.
Colega de trabalhoMas foi aí que eu percebi que a Bonnie e a Melissa estavam de olho no meu amor.
😕
A Bonnie não tava só olhando pro meu marido; ela tava praticamente devorando ele com os olhos.
O olhar dela demorava na curva do maxilar dele e no jeito que os bíceps dele esticavam a camisa enquanto ele montava os aperitivos, com uma cara de fome pura e tesão.
Aniversário, compromissos e anéis😋
Era como se quisesse lambuzar ele de geleia e devorar ele ali mesmo, no ladrilho da cozinha.
Claro, uma parte pequena de mim achava isso lisonjeiro.

😤
Meu amor é inteligente, alto, forte e gostoso.
Um espécime de graça atlética que até a maioria das minhas colegas professoras não consegue ignorar.

Mas a Melissa, do lado da Bonnie, tava com aquele sorrisinho safado.
Feminista😠
Sinceramente, não sei qual é o problema dela.

Pra Melissa, o homem ideal parece ter que ser feito pra agir como um escravo de cada vontade da mulher.

E isso não me desce.

😔
Meu marido, acima de tudo, sempre foi meu melhor amigo e quem cuidou de mim.

Ele é o homem que segurou minha mão nas noites sem sono de cada uma das minhas gestações.
Pra ele, eu não sou um projeto nem uma obrigação social, mas o centro do mundo dele.

Ele me cuidou com uma devoção que me faz sentir a mulher mais importante na vida dele, e com ele, a gente cria um santuário de segurança e amor onde nossa família cresce.

Então, ver ela sorrir daquele jeito torceu alguma coisa nas minhas entranhas.
aniversario😏
Não consegui evitar dar uma pausinha e soltar essa bomba pra ver a cara dela cair.

"Sabe? Tô muito feliz por ter casado com ele." Falei, invadindo o espaço pessoal da Melissa, enquanto minha voz ficava doce e mortalmente sincera.

Bonnie engoliu seco, me olhando como se eu tivesse pegado ela roubando o pote de biscoitos, mas deixei meu olhar escapar pra cozinha, onde meu marido tava servindo uma bandeja de rolinhos Califórnia.
infidelidade consentidaDe nós dois, ele é quem cozinha melhor, e os pratos dele são radicais."
😂
Colega de trabalhoEra quase de cair o cu da bunda.

Melissa não parava de repetir que nenhuma mulher deveria jamais ficar "presa na cozinha".

Mas no momento em que admiti que meu marido cozinhava melhor, ela fez uma cara de quase ofendida.

Acho que era difícil conciliar as duas ideias: que cozinhar não deveria definir uma mulher, mas que, de alguma forma, meu marido não podia ser melhor nisso do que eu.

XS

"Ainda não consigo refogar o arroz no wok igual ele faz", continuei, jogando mais sal na ferida. "Mas ele diz que minha velocidade picando legumes é melhor. Além disso, as gêmeas estão se divertindo pra caralho; ele tá ensinando elas a fazer rolinhos de sushi e fritar. Às vezes fico preocupada se a gente vai engordar com os rolinhos deliciosos das gêmeas."

Melissa piscou, com os olhos arregalados, como se eu tivesse acabado de confessar um crime num idioma que ela não falava muito bem.

Aquilo foi revigorante...

😂

Pouco depois, a energia caótica do quintal mudou enquanto a gente migrava pra mesa do jantar pra comemorar o sétimo aniversário da Alicia. O bolo era uma obra-prima de pão de ló de baunilha e glacê de morango. Cantamos parabéns e Alicia soprou as velinhas.

o.o

Mais tarde, ela se aproximou, com a voz virando um sussurro conspiratório que só eu podia ouvir, pra me contar os segredos do coraçãozinho de sete anos dela.

Primeiro, queria que os dentes crescessem mais rápido; minha princesa mágica banguela já perdeu dois, e tá convencida de que os novos tão demorando demais pra nascer.

😂

Depois, desejou que a primavera chegasse logo, pra que o Harold (nosso pé de cerejeira) pudesse acordar de vez do sono de inverno.
Aniversário, compromissos e anéisMas a parte mais emocionante foi o desejo final dela: queria que outro "Bob" chegasse nesta primavera, pra fazer ninho em cima do Harold e assim ele não se sentisse sozinho.

De qualquer jeito, depois de comer o bolo e como já tava escurecendo, as meninas decidiram organizar um torneio de alto risco no nosso Nintendo Switch na sala, com a tela ganhando vida como uma arena digital pra molecada acertar as contas.

😆

Ainda tô pasma que as meninas não são viciadas em videogame e celular igual os outros.

Num mundo onde até criança de sete anos mexe em tablet com precisão de cirurgião, a Alicia e as gêmeas tratam o Switch como uma novidade, não como uma tábua de salvação.

Jogam por uma hora e, aí, simplesmente... ficam de saco cheio.

😂

Vão ler um livro ou gibi ou discutir quem fica com o controle remoto, completamente cagando pro vazio digital.

Suspeito que a própria história do meu marido é a culpada silenciosa desse equilíbrio; os medos antigos dele de recair no vício em videogame passaram sutilmente pra elas.

XD

Ele trata a tela como se fosse pimenta (algo pra curtir em doses pequenas e controladas, a menos que esteja comigo e as meninas) e nossas filhas herdaram essa moderação.

Mas quando a conversa com meus colegas começou a morrer, a Melissa resolveu finalmente me atacar.

😠
FeministaNão acredito que você deixou ela grávida de novo..." Melissa fez um escândalo pra todo mundo olhar.

Apontou pra minha barriguinha, como se fosse a raiz de todo mal.
aniversario😦
Ela não faz ideia de que isso foi uma decisão mútua.
Melhor ainda, foi uma decisão de família, já que sentamos as meninas e perguntamos se elas queriam que mais um irmãozinho entrasse na bagunça, e o "sim" animado delas foi o selo final do acordo.
😑
Pra Melissa, uma gravidez é tipo uma corrente; pra gente, é um projeto colaborativo movido a amor.
"Não entendo como você deixa ele pisar nas suas liberdades!", continuou Melissa, com a voz subindo numa cadência teatral, como se estivesse dando uma lição pra uma sala cheia de almas oprimidas.
infidelidade consentidaSó soltei um suspiro de cansaço...
😕
O resto dos meus colegas, professores que têm filhos de verdade, já me entendem. Porque pra mim e pro meu amor, ter filhos é divertido: a gente pode ver desenho animado e falar de anime e filme, jogar uns jogos loucos e ler contos de fada gostosos antes de dormir.

Mas só porque sou quatro anos mais velha que a Melissa, ela acha que pode mandar na minha vida como se fosse minha irmã mais velha e soubesse mais que eu.
😠
"Você não vê como ele te prende no patriarcado? Ele não tem nenhum direito sobre o seu corpo!" A voz da Melissa subiu num tom que me lembrou um vulcão explodindo.
Colega de trabalhoAgora eu não tava mais falando só comigo; tava fazendo um show pra sala inteira, gesticulando que nem uma louca com os braços, como se tivesse soltando um manifesto sobre a libertação da mulher moderna.
O pior é que ela olhava pra minha barriga com uma mistura de pena e nojo, como se minha gravidez fosse o sintoma de uma doença, em vez de uma escolha que eu fiz com um sorriso no rosto.

T.T

Como a Melissa tava fazendo muito barulho, meu amor espiou da cozinha.
Aniversário, compromissos e anéis😳

A gente trocou olhares de longe.

Ele não disse uma palavra, mas do jeito que o olhar dele amoleceu e aquele sorrisinho cúmplice nos lábios fez eu corar na hora, com um calor subindo pelo meu pescoço.

😍

"Ele tem." falei, dando um sorrisinho suave.

"O quê?!" ela gritou, parecendo uma bruxa de verdade.

Outra respirada fundo...

"Ele tem." repeti, minha voz sendo um contraste calmo com o volume crescente dela.

Não precisei gritar pra ser ouvida; a sala tinha ficado em silêncio, os outros professores pararam com as bebidas no meio do caminho, presos no drama da Melissa.

"A gente trocou votos de casamento, Melissa. A gente fez um pacto."

Melissa bateu na própria testa, como se eu tivesse acabado de falar que o planeta Terra é uma vaca.

😠

"Isso é super ultrapassado!" Melissa praticamente gritou, a voz dela cortando o ar do pátio. "Ele não é teu dono, Marisol! Você é uma mulher adulta, não uma propriedade que tem que ser administrada segundo as preferências de um marido."

"Não, ele não é meu dono, Melissa. Mas a gente escolheu pertencer um ao outro." Respondi, mantendo a voz firme e leve.

Senti a presença do meu marido atrás de mim, uma âncora quente e firme que fazia o espaço parecer menor e mais seguro.

😆

"Uma vez eu tive uma vontade danada de fazer uma tatuagem... uma bem pequenininha, mas meu marido me convenceu que eu ia perder a elegância se fizesse uma... e que eu ia ficar menos gostosa... então, mesmo querendo muito... decidi não fazer porque amo ele pra caralho... além disso..." Olhei fixo pra ele, com o coração já batendo forte. "Ele malha porque eu acho ele mais atraente. Então não entendi teu ponto."

"Mas você não tá vendo o quanto seu marido é opressor com você?", continuou Melissa, mexendo as mãos no ar como se o vulcão tivesse entrado em erupção. "Você não pode nem fazer uma tatuagem se quiser! Basicamente, você tá apagando sua própria identidade pra se encaixar na preferência estética dele. Isso é um exemplo clássico de submissão doméstica!"

😕

Olhei pro amor da minha vida, me sentindo triste.

Meu melhor amigo nunca foi opressor comigo: ele me incentivou e me convenceu a virar professora, mesmo quando eu duvidava se era inteligente o suficiente, e cuidou de mim com uma "ternura irritante" naqueles primeiros dias em que começamos a namorar e meus hormônios estavam causando estragos.

Ele foi paciente e até me protegeu de mim mesma.

😇

"Não, você não entende." Falei, soltando um suspiro longo e cansado de travar a mesma briga toda vez. "Se eu tiver que escolher entre fazer uma tatuagem e perder um pouco do amor do meu melhor amigo por mim, eu abriria mão da tatuagem de boa. Ele se preocupa comigo. É um bom pai e uma boa pessoa. Na real, me horroriza que você tenha a cara de pau de criticar ele, já que foi ele quem cuidou de toda a comida."

😠

Todos os meus colegas de trabalho (exceto a Bonnie, que ainda tava mentalmente imaginando meu marido se exercitando) olharam pra Melissa com um silêncio coletivo e pesado.

A comida tinha sido deliciosa: os rolinhos de sushi e os hambúrgueres mostravam a habilidade, paciência e capricho dele na cozinha.

Era aquele tipo de olhar normalmente reservado pra um aluno que tirava uma nota horrível na prova.

😰

O ar na sala mudou, ficando frio e crítico, deixando a Melissa sob um holofote criado por ela mesma.

De repente, ela parecia pequena, com os olhos pulando de rosto em rosto, abertos e frenéticos, como se tivesse entendido que não era mais a palestrante, mas sim o espécime debaixo de um microscópio.

XD

Por um momento, parecia que ela estava cercada por uma matilha de lobos, e ela era a única que não tinha garras.

"Mas nem é esse o ponto!" continuou Melissa, com a voz tremendo um pouco, embora tentasse manter a pose de superioridade intelectual. "Ele nem te... deixa de sair pra dançar e nem te leva pra restaurantes chiques. Você tá vivendo a vida de uma avó aos trinta e um anos, Marisol! Você tá simplesmente... sempre grávida, presa num ciclo de fraldas e vida doméstica enquanto ele se faz de provedor bonzinho.”

😂

Meu marido e eu rimos baixinho.

“É. A gente tentou, mas não é a nossa praia.” falei com um sorriso de satisfação.

😆

Bonnie me olhou como se eu tivesse começado a falar chinês do nada.

“De vez em quando, a gente finge que tá no nosso primeiro encontro numa balada.” falei dando uma risadinha, me recostando e deixando a mão descansar de boa na minha barriga. “Mas depois da terceira ou quarta vez, simplesmente fica chato. O povo te empurra, ou te dá cotovelada enquanto você tenta andar. Sempre tem fila pro banheiro feminino; o lugar fede a tabaco velho e maconha; a música é tão alta que você nem consegue conversar; e tem bêbado pra todo lado, invadindo seu espaço.”
FeministaMelissa me encarou com um "E daí?" silencioso nos olhos, com uma expressão de total incredulidade.

😕

Pra ela, o "sacrifício" de uma balada lotada era simplesmente o preço da libertação, um rito de passagem pra qualquer mulher que se recusasse a ficar presa em casa.

😏

"Prefiro ficar em casa, me enroscar e ver Netflix ou ler mangá com um chocolate quente." Falei, com a voz praticamente pulando de tanta alegria e sem remorso. "Na real, nossas filhas adoram ver os pais dançando na sala ou brincando com elas no tapete. Por que trocaria isso por uma pista de dança grudenta e uma dor de cabeça?"

Me inclinei um pouco, irradiando a satisfação da minha felicidade caseira.

"Tô completamente viciada na minha vida de família. Meu marido me vê como melhor amiga, esposa, mãe e profissional. Pra mim, a única coisa que poderia melhorar minha vida seria ele estar sempre coberto de chocolate e eu ter que lamber ele todo dia pra limpar. Mas fora isso, tô mais que bem."

Melissa olhou pra baixo, sem saber muito como continuar.

😤

"E é mútuo." continuei. "Meu marido queria fazer vasectomia, mas me prometeu dar sete filhos quando a gente tava namorando."

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Todo mundo me olhou como se o teto tivesse desabado. Meu marido, por outro lado, ficou vermelho que nem um tomate...

"Então, é. Agora tô grávida do quinto bebê. Mas vamos fazer mais duas vezes e aí deixo ele fechar a fábrica de bebês." completei com uma piscadinha safada.

😉

"Mas é isso que a gente tem: nos amamos pra caralho." falei, soltando um suspiro lento e satisfeito que pareceu esvaziar a tensão no quarto. "Quando começamos a namorar, ele não tinha senso de moda nenhum; não tinha tempo pra espelhos. E eu sou cronicamente indecisa; não gosto que homem fique me olhando. Demais. Então a gente fez um pacto. Decidimos escolher a roupa um do outro, porque tínhamos certeza de que não íamos deixar o outro passar vergonha.
aniversarioMeus colegas casados me deram sorrisos calorosos e acenaram com a cabeça, suas expressões suavizando com a compreensão compartilhada daqueles pequenos rituais privados que mantêm um casamento vivo.

Enquanto isso, meu amor me olhava com aqueles olhos negros penetrantes: os mesmos que, depois de todos esses anos, ainda transformam minhas pernas em gelatina.

😍

"E mesmo que as gêmeas tenham convencido ele a malhar todo dia e sair pra correr, ele continua treinando com disciplina, porque eu amo a musculatura dele..." Falei, e praticamente dava pra sentir minha boca enchendo d'água enquanto eu falava.

Meu olhar desviou por um segundo pra forma como a camisa dele se ajustava ao peito, uma repetição mental dele voltando daquelas corridas ao entardecer, sem fôlego e brilhando de suor.

😋

"Mas ele nunca disse uma vez sequer que eu preciso malhar. Ele está completamente satisfeito comigo do jeito que sou, sempre dizendo que meu corpo 'é mais macio nos lugares certos'..." Fiz uma pausa, deixando um sorriso lento e safado se espalhar pelo meu rosto. "Então, digamos que somos muito carinhosos em particular."

XD

Meus colegas de trabalho caíram na risada com meu sorriso safado...

😂
infidelidade consentidaE o que tem o teu anel? Não tem nenhum diamante." Perguntou Bonnie.

😕

Fiquei olhando pro meu anel: os lindos golfinhos azuis que sempre me lembram dele; senti um aperto no nariz e quase enchi os olhos de lágrimas.
Colega de trabalho😭

Por que alguém como a Bonnie, que vê joias como troféu do patrimônio de um homem, não entenderia a luta de um sacrifício.

Pra ela, um anel sem diamante é um fracasso de ambição, uma peça faltando no quebra-cabeça social.

😕

"Meu marido economizou por quase quatro meses pra comprar isso", eu falei, baixando a voz pra um sussurro suave e íntimo, porque pra mim, meu anel também é "meu precioso..." XD. "Naquela época, a gente era muito pobre. Tínhamos acabado de começar a morar juntos e ele era o único que recebia salário. Pagava o aluguel pro meu pai e cobria cada conta de serviço; até tava pagando meu aparelho ortodôntico naquele tempo.
Aniversário, compromissos e anéisEngoli a seco, lembrando vividamente daqueles tempos mais difíceis.

“Eu, por outro lado, continuei estudando constante e arduamente, com medo de perder uma das minhas bolsas.” continuei, com a voz tremendo levemente enquanto a lembrança daquelas noites exaustivas e sem dormir voltava com força, com ele me ajudando apesar do próprio cansaço.

😞

Olhei para Bonnie, sentindo um aperto repentino e agudo atrás das minhas pálpebras.
Pisquei rapidamente, forçando as lágrimas para trás, e endireitei a postura, sentindo a força da presença do meu marido a poucos passos de distância.

😤

“Mas você se engana ao dizer que meu anel é barato ou sem valor.” falei, recuperando a força na voz enquanto limpava uma lágrima teimosa da bochecha. “Sabia que só existem dois lugares na terra onde se consegue lápis-lazúli? É uma pedra de história e realeza.”

Olhei para ele, tão encantada quanto da primeira vez que ele me mostrou.

“Além disso, meu amor sabe que golfinhos são meus animais favoritos, e o azul é a cor preferida dele.” continuei, retomando o ritmo constante na minha voz. “Então, se você está perguntando se eu trocaria isso por um anel de casamento brilhante e comum, está perdendo tempo. Meu amor me deu esse anel quando me fez dele... e eu dei o dele quando o fiz meu.”

😊
FeministaTodo mundo no quarto pareceu se acalmar, e o silêncio passou de crítico a compreensivo enquanto encaravam o azul real profundo do lápis-lazúli. Até a Bonnie mudou o peso do corpo, parecendo envergonhada por ter perguntado. Quase todo mundo ficou tocado pelas minhas palavras...

A exceção era a Melissa.

😕

“Você não percebe que tá vivendo uma ‘vida de vovó’?” ela soltou pra mim, e a voz dela cortou o silêncio sentimental feito uma faca enferrujada. “Você tem mais de trinta, Marisol. Devia tá viajando, dançando, se descobrindo, não trocando fralda de novo. Não sai com ninguém, vive cuidando dos seus filhos e continua tendo bebê. Isso não é vida!”
aniversario😡
Já não aguentava mais.

“Por que você é tão obcecada em se meter na minha vida particular?” explodi, enquanto a paciência que eu tinha mantido cuidadosamente durante aquela diatribe ridícula finalmente se quebrava. “Eu não tiro sarro do seu estilo de vida nem tento te convencer de que você é uma coitada, Melissa, porque… independente de como você vive… você não é. Você é a única aqui que tá tentando transformar a festa de aniversário de uma menina de sete anos e o amor da família dela num julgamento sobre domesticidade.”
infidelidade consentidaEla ficou chocada, chegando até a dar um passo pra trás com o que eu disse.

“Meu melhor amigo e eu não saímos do jeito que você tá imaginando.” continuei, com a voz vibrando entre frustração e um orgulho feroz. “A gente não precisa de lugar chique pra se sentir conectado. A gente encontra nosso próprio tempo, nos buracos silenciosos no meio do caos, pra se reconectar e lembrar quem somos além de ser pais. Nunca precisamos do barulho de uma multidão pra validar nossa faísca; a gente mantém ela viva no jeito que a gente se olha por uma casa bagunçada. Mas, diferente de você, a gente se diverte com nossos filhos, e é por isso que nunca me canso deles...”

“E toda vez que levo ela pra um restaurante chique, a Marisol continua controlando nossos gastos como se a gente ainda estivesse naqueles dias apertados da faculdade.” interveio finalmente meu amigo, com uma voz de barítono suave e firme que cortou a tensão na hora.

😍

Ele deu um passo à frente, sabendo o momento exato em que precisava do resgate dele, como o verdadeiro herói que é.
Colega de trabalho“Diferente de você, a Marisol não bebe nem fuma, e eu também não.”, ele acrescentou, com um traço de sorriso na voz enquanto se aproximava. “As meninas, por outro lado, simplesmente adoram ver os pais dançando feito bobos na sala. É o melhor da semana delas... mas o que a gente faz mesmo é fugir pra um hotel por umas horas... e ter um tempinho a sós sem nos preocupar com os filhos escutando escondido.”

😳

Eu corei e fiz cara de brava ao mesmo tempo.

Lancei pro meu marido um olhar que queria ser severo, mas que era sem dúvida carinhoso...

😏

Afinal, eu também curto nossas fugas aleatórias pro hotel...

XD

Mas conforme as horas passavam e nossos convidados finalmente iam embora, eu sabia que essa briga provavelmente nunca teria fim.

😕

Talvez a Melissa e a Bonnie nunca entendam o que eu encontrei e fiquem me puxando pro "lado sombrio" o tempo todo...

😂

Mas eu tô de boa com as escolhas que fiz.

Toda noite, eu durmo ao lado da pessoa mais interessante que já conheci e, mesmo depois de anos e anos conversando e conversando, parece que nunca falta assunto.

Então, enquanto colocávamos nossos filhos na cama, a Alicia, ainda com um restinho de glacê de morango na bochecha, se aproximou pra sussurrar a previsão "oficial" do Harold, o pé de cereja.

XD

Ela nos disse com toda certeza que Harold tinha sussurrado um segredo: amanhã seria um dia de sol e poucas nuvens, se os passarinhos cantassem bem alto.
Aniversário, compromissos e anéisNem questionamos.
😆
Essa é a parte boa de ser casada com ele: ele acredita nos nossos filhos, aconteça o que acontecer.

E enquanto meu amor soltava uma risadinha com o bocejo fofo do nosso bebê, beijou a testa do Jacinto antes de colocar o nosso príncipe mais novo no berço com cuidado e me sorrir, fazendo meu coração pular uma batida enquanto ele se preparava pro treino noturno...
Feminista🤤
E aí eu percebi que não tem nada que me faça querer mudar de vida.
😉
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2 comentários - Aniversário, compromissos e anéis

Olha, tem gente que adora se meter na vida dos outros. Essas duas não entram mais na minha casa nem por ordem judicial kkkkkk