Contrato de Carne - Cap 4: A Primeira Marca

Contrato de Carne – Capítulo 4: A Primeira MarcaA sexta-feira chegou com o peso de uma sentença. Marina não dormiu, passou a noite num estado de vigília febril, o corpo cansado mas a mente afiada pela antecipação. Cada som do penthouse — o zumbido do ar-condicionado, o rangido da estrutura do prédio, o lamento distante de uma sirene — era um lembrete de que o mundo exterior continuava, enquanto aqui, nessa bolha de luxúria e poder, o tempo tinha parado e estava se reiniciando.

Elena a encontrou na cozinha ao amanhecer, observando como a luz cinzenta da manhã se filtrava pelas janelas do chão ao teto.

— Não dormiu — disse Elena. Não era uma pergunta. Sua esposa sempre sabia, sempre via.

Marina se virou, baixando o olhar instintivamente. Vestia um roupão de seda preta que Elena tinha deixado pra ela, tão fino que os peitos dela marcavam no tecido, um lembrete constante do seu estado.

— Não, senhora.

Elena se aproximou, seus passos silenciosos sobre o mármore frio. Pegou o rosto de Marina entre as mãos, os dedos frios contrastando com a pele quente da jovem.

— Bom. O medo aguça os sentidos. Hoje você vai precisar de todos eles. A Laura vai ligar às dez. Quero que você esteja aqui, comigo, quando ela fizer isso.

O coração de Marina deu um pulo.

— Aqui?

— Sim. Aqui — disse Elena, a voz suave mas firme —. Quero que você ouça cada palavra. Quero que veja como eu a guio, como a atraio. Sua primeira lição de verdade, Marina. Não só como ser usada, mas como ajudar a usar os outros.

Às dez em ponto, o telefone tocou. Elena atendeu com um gesto lânguido, ligando o viva-voz com um sorriso para Marina.

— Elena Vega.

Houve uma pausa, e então a voz de Laura, trêmula mas clara.

— Senhora Vega... sou Laura Moretti.

— Laura, querida. Estava esperando sua ligação. Fiquei pensando em você.

Marina sentiu um arrepio percorrer suas costas. Viu como os olhos de Elena brilhavam, como a caçadora se preparava para o ataque final.

— Eu... eu pensei muito sobre sua oferta — disse. Laura —. Acima de tudo.
— E o que você decidiu? — perguntou Elena, a voz sedutora, como se estivessem compartilhando um segredo íntimo em vez de negociar o futuro de uma jovem.
— Que... que quero aceitar — disse Laura, e Marina ouviu a respiração presa do outro lado da linha, a rendição naquela frase simples. — Mas preciso saber... preciso entender exatamente o que...
— O que esperamos de você — completou Elena. — Venha, Laura. Venha agora. Às duas. Vamos conversar cara a cara. Sem telefones, sem intermediários. Só você e nós. E Marina, claro. Ela vai estar aqui para te apoiar.
A pausa que se seguiu foi carregada, elétrica. Marina prendeu a respiração.
— Tá bom — disse Laura finalmente. — Às duas.
Elena desligou com um sorriso triunfante.
— A presa caiu — disse, virando-se para Marina. — E agora, a preparação. Carlos quer que a recebamos como deve ser.
O resto da manhã foi um turbilhão de atividade. Elena guiou Marina por cada detalhe, desde a temperatura do champanhe que seria servido até a iluminação específica da sala.
— Quero as cortinas quase fechadas — disse Elena, ajustando as pesadas cortinas de veludo bordô. — Só luz suficiente para criar sombras. As sombras, minha pequena Marina, são onde acontecem as verdadeiras revelações.
Depois, as roupas. Elena a levou ao vestiário principal, um cômodo maior que o apartamento inteiro de Marina, onde as paredes estavam cobertas de roupas caras e exóticas.
— Pra você — disse Elena, selecionando um vestido preto de lantejoulas que grudava no corpo como uma segunda pele. — Algo que faça ela se sentir... deslumbrada. E pra Laura...
Ela pegou um vestido branco, simples, quase inocente no design, mas com um corte tão profundo nas costas que a obrigaria a ficar completamente nua da cintura pra cima se não se movesse com cuidado.
— A dualidade — explicou Elena. — Você, a experiente, a transformada. Ela, a inocente, prestes a ser iniciada. O contraste é Excitante, né?
Marina assentiu, sentindo o vestido de paetês grudar na pele, como cada movimento refletia a luz, como se sentia exposta e poderosa ao mesmo tempo.
Às duas em ponto, a campainha tocou. Elena e Carlos estavam sentados no sofá de couro preto, como dois monarcas em seus tronos. Marina, vestida de preto, ficou de pé ao lado deles, uma criada de paetês, uma guardiã da porta.
— Abre — ordenou Carlos.
Marina obedeceu, sentindo o coração martelar contra as costelas. Quando a porta se abriu, Laura estava lá, vestindo jeans e uma blusa simples, como se tentasse se agarrar à vida normal com cada peça de roupa.
Mas os olhos dela... os olhos dela estavam cheios de uma mistura de medo e expectativa que Marina reconheceu na hora.
— Laura — disse Elena, levantando-se e estendendo a mão —. Você veio. Bem-vinda.
Laura entrou, o olhar deslizando de Elena para Carlos, depois para Marina, uma pergunta silenciosa estampada no rosto.
— Estávamos te esperando — disse Carlos, a voz grave e calma —. Preparamos algo para você. Marina, leva ela pro vestiário. Ajuda ela a trocar de roupa.
Marina guiou Laura até o vestiário, sentindo o tremor da amiga através do ar que as separava.
— O que tá rolando, Mari? — sussurrou Laura assim que a porta se fechou atrás delas —. Me sinto... como se estivesse andando na beira de um abismo.
— Você tá andando em direção à verdade — disse Marina, pegando o vestido branco do cabideiro —. Experimenta isso. É pra você.
Laura pegou o vestido com os dedos trêmulos.
— É... muito ousado.
— É pra você se sentir livre — disse Marina, ajudando-a a desabotoar a blusa —. Pra você não se esconder. Nem da gente, nem de você mesma.
Quando Laura ficou só de calcinha e sutiã, Marina viu o corpo dela tremer, a pele dos braços se arrepiar. Viu as marcas do sutiã nas costas, a curva suave do quadril, o triângulo escuro entre as pernas.
— Você é linda, Laura — disse Marina, a voz suave —. Sempre foi. Você foi. Mas hoje, você vai começar a acreditar nisso.

Laura se virou, os olhos cheios de lágrimas não derramadas.

— Tô com medo, Mari.

— Eu também tinha — disse Marina, acariciando sua bochecha —. E ainda tenho, às vezes. Mas agora sei que o medo é só o começo. É a porta. E você está prestes a atravessá-la.

Ajudou Laura a vestir o vestido branco, seus dedos roçando a pele nua das costas dela, sentindo como o corpo da amiga reagia ao toque com um arrepio involuntário.

Quando voltaram pra sala, Carlos e Elena as observavam em silêncio. Laura, vestida de branco inocente, tremendo levemente. Marina, vestida de preto poderoso, firme ao lado dela.

— Perfeitas — disse Elena finalmente, a voz baixa e aprovadora —. Exatamente como eu imaginei. Laura, vem cá.

Laura obedeceu, caminhando até o sofá com passos inseguros. Elena pegou sua mão e a fez sentar entre ela e Carlos, prendendo-a.

— Estávamos esperando por esse momento — disse Elena, a voz baixando pra um sussurro íntimo —. Desde que Marina falou de você pela primeira vez. Vimos suas fotos. Lemos seus ensaios. Soubemos na hora que você era especial.

Laura engoliu em seco, os olhos fixos nas mãos de Elena sobre sua coxa.

— O que... o que vocês querem de mim? — perguntou, a voz quase inaudível.

Carlos se aproximou, sua presença tão avassaladora que o ar pareceu engrossar ao redor. A mão dele se juntou à de Elena sobre a coxa de Laura, formando uma gaiola de pele e calor que a imobilizava.

— Queremos sua verdade, Laura — disse Carlos, a voz um ronronar grave que vibrou no peito da jovem —. A verdade que você esconde atrás dos sorrisos educados e das notas boas. A verdade que assusta até você mesma.

Elena se inclinou, a respiração quente contra a orelha de Laura.

— Sabemos que você acorda de noite — sussurrou Elena —. Que seus dedos deslizam pra baixo, em direção àquele calor secreto, enquanto imagina cenas que te envergonhariam se alguém soubesse. Cenas de poder, de rendição, de ser dominada.

Laura Soltou um gemido abafado, um som de pura humilhação e reconhecimento. O corpo dela ficou tenso, mas as mãos dos captores a seguraram firme, impedindo-a de fugir.
— Não... não é verdade — mentiu, mas a voz dela era fraca, convincente só para si mesma.
— Olha pra mim — ordenou Carlos, e Laura obedeceu, os olhos escuros cheios de pânico encontrando os cinzas e penetrantes dele—. Contratamos um investigador. Sabemos dos seus sonhos. Sabemos dos sites que você visita no laptop quando acha que ninguém tá olhando. Sabemos do vídeo que você viu semana passada. A mulher na jaula. A que implorava por mais.
Laura fechou os olhos, as lágrimas finalmente escapando e rolando pelas bochechas dela. Era verdade. Tudo. Cada pensamento sujo, cada fantasia secreta, tava exposto. Pelada. Como ela mesma tava agora, vestida de branco mas se sentindo mais nua do que nunca.
— Por favor — implorou, a voz dela quebrada—. Por favor, não...
— Não o quê? — perguntou Elena, os dedos começando a fazer círculos lentos na coxa de Laura, chegando perigosamente perto da barra do vestido dela—. Não te falarmos que a gente sabe que você quer isso? Não te falarmos que seu corpo tá reagindo agora mesmo, se molhando, se preparando pra gente?
Laura sentiu uma onda de calor e vergonha que percorreu ela dos pés à cabeça. Elena tinha razão. Apesar do medo, apesar da humilhação, o corpo dela traía a mente, respondendo à dominação com uma excitação que a apavorava.
— Shhh — murmurou Carlos, soltando a mão dela e usando o dedo pra secar uma lágrima do rosto de Laura—. Não chora. Lágrimas são pro arrependimento, e você não tem nada pra se arrepender. Você só tá prestes a começar a ser honesta consigo mesma.
Ele se levantou e foi até um console na parede, de onde pegou uma caixinha de madeira escura. Quando voltou e abriu ela sobre a mesa de vidro na frente de Laura, a jovem prendeu a respiração.
Dentro, sobre um veludo preto, tinha um colar. Não era um colar de cachorros, nem nada grotescamente simbólico. Era fino, de platina, com um pequeno diamante incrustado no centro. Era lindo. E era a coisa mais aterrorizante que Laura já tinha visto na vida.
—Isto —disse Elena, pegando-o com uma reverência quase religiosa—. É para você. É sua primeira marca. Seu primeiro passo em direção a nós.
Laura balançou a cabeça, o pânico voltando com força.
—Não posso. Não posso fazer isso.
—Pode —disse Marina, e Laura se virou, surpresa que sua amiga tivesse falado. Marina estava de pé, observando, com uma expressão no rosto que Laura não conseguiu decifrar—. E você vai fazer. Porque é o que você quer. Porque é o que você precisa.
Marina se aproximou e se ajoelhou na frente de Laura, segurando suas mãos trêmulas.
—Lembra do que eu te disse, Laura —disse Marina, sua voz suave mas firme—. A rendição não é fraqueza. É poder. É o poder de finalmente parar de lutar, de parar de fugir. É o poder de dizer: "Isso é o que eu sou. E eu aceito".
Elena se ajoelhou do outro lado de Laura, o colar brilhando em sua mão.
—Vamos colocar agora —disse Elena—. E não vai ter volta. Esse colar, Laura, significa que você nos pertence. Que seu corpo nos pertence. Seu prazer nos pertence. Sua dor nos pertence. Significa que quando dissermos para você se ajoelhar, você vai se ajoelhar. Quando dissermos para você gozar, você vai gozar. Quando dissermos para você sofrer, você vai sofrer, e vai nos agradecer por isso.
Laura olhou para o colar, depois para Elena, depois para Marina, cujos olhos brilhavam com uma fé que a aterrorizava e atraía ao mesmo tempo. Finalmente, olhou para Carlos, que observava de cima, como um deus esperando o sacrifício.
—E minha mãe? —perguntou Laura, sua última defesa, sua última âncora no mundo que estava prestes a abandonar—. O tratamento dela?
—Já está pago —disse Carlos—. Adiantado. Por cinco anos. A melhor clínica, os melhores médicos. Tudo que ela precisar.
E com essas palavras, a última resistência de Laura se quebrou. O amor pela mãe, o fardo que ela carregava há tanto tempo... tempo, ela se tornou a chave que abriria a porta de sua gaiola dourada.
Ela fechou os olhos e assentiu, um gesto quase imperceptível.
Elena sorriu, uma expressão de vitória pura e satisfeita. Com delicadeza, com a reverência de uma sacerdotisa coroando uma rainha, ela prendeu o colar em volta do pescoço de Laura.
O metal frio tocou sua pele quente, e Laura sentiu um choque elétrico percorrê-la. O peso do colar era leve, mas parecia o peso de uma nova vida, uma nova identidade.
— Abre os olhos — ordenou Carlos.
Laura obedeceu e viu seu reflexo na janela de vidro que dava para a cidade. Viu uma jovem desconhecida, vestida de branco, com lágrimas nas bochechas e um colar brilhando em volta do pescoço. Viu uma escrava. Viu uma mulher liberta.
— Agora — disse Elena, seus dedos encontrando o fecho do vestido branco — é hora da sua primeira lição. A lição da confiança. A confiança de que seu corpo sabe o que precisa, mesmo que sua mente lute contra isso.
O vestido deslizou para baixo, revelando os peitos perfeitos de Laura, com os mamilos escuros já eretos de medo e excitação. Revelou sua barriga trêmula, os pelos escuros entre suas pernas já brilhando com a umidade da sua traição.
Marina se moveu atrás de Laura, suas mãos encontrando os ombros da amiga, segurando-a, tranquilizando-a.
— Tá tudo bem — murmurou Marina no ouvido de Laura — Deixa ir. Só deixa ir.
Elena segurou o rosto de Laura entre as mãos e a beijou. Não foi um beijo terno. Foi um beijo de posse, de dominação, um beijo que reivindicava cada parte dela, que roubava seu fôlego e devolvia o fogo.
Laura sentiu as mãos de Carlos se juntarem à festa, seus dedos ásperos encontrando seus peitos, suas coxas, o calor molhado entre suas pernas. Sentiu Marina a segurando, sua amiga se tornando sua âncora e sua cúmplice.
Sentiu o mundo que conhecia se dissolvendo, substituído por um universo de Sensações de dor e prazer, de humilhação e êxtase.
E quando Elena finalmente se afastou, deixando-a ofegante e trêmula, Laura soube que não havia volta. Que o colar em volta do seu pescoço não era uma marca de posse, mas uma marca de renascimento.
Ela era Laura Moretti, a estudante de direito, a filha amorosa, a amiga leal.
E agora, era algo mais. Algo que começava a entender. Algo que, apesar de tudo, ansiava explorar.
Ela era dela.
Era deles.
E pela primeira vez na vida, sentia-se completa e aterrorizantemente livre.

continua...

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