Contrato de Carne - Cap. 3: A Semente

Capítulo 3: A SementeTrês dias desde que Laura saiu do penthouse com a promessa de dar uma resposta na sexta. Três dias em que Marina viveu num estado de ansiedade constante, seu corpo respondendo a cada ordem de Carlos e Elena enquanto sua mente se dividia entre a lealdade aos seus donos e a preocupação com a amiga.

Na noite de quinta, enquanto servia o jantar no salão de vidros que refletia as luzes da cidade como estrelas distantes, Elena a chamou com um gesto de dedo.

— Amanhã — disse Elena, sua voz suave mas carregada de expectativa —. Queremos que você vá até a universidade. Que a encontre. Que a convença.

Marina sentiu o estômago embrulhar.

— Mas ela disse que me ligaria — protestou baixinho.

— E vai ligar — interveio Carlos da mesa, cortando um pedaço de filé com precisão cirúrgica —. Mas queremos acelerar o processo. A incerteza é um veneno lento, Marina. Preferimos o antídoto rápido.

Elena se aproximou de Marina, seus dedos traçando a linha da clavícula dela sobre o uniforme de empregada.

— Você vai levar isso — disse, entregando-lhe um pequeno envelope de papel creme —. É um adiantamento. Dez mil euros. Em dinheiro. O suficiente pra cobrir o próximo tratamento da mãe dela, com um extra pra mostrar o que ela pode esperar por mês.

Marina pegou o envelope, sentindo o peso do dinheiro como se fosse uma sentença.

— E se...?

— Não tem "se" — interrompeu Carlos, sua voz fria como aço —. Você vai fazer o que pedimos. Porque é o que você também quer. Admita, Marina. Você quer vê-la aqui. Quer dividi-la com a gente. Quer ver aquela luz de inocência nos olhos dela se apagar aos poucos, substituída pelo mesmo fogo que agora arde nos seus.

Marina baixou o olhar, sentindo o rubor subir pelo pescoço. Eles tinham razão. Apesar da preocupação, uma parte obscura dela ansiava ver Laura ajoelhada ao seu lado, compartilhando a mesma humilhação, o mesmo êxtase.

— Sim, senhor — sussurrou.

— Boa garota — murmurou Elena. Elena, acariciando a bochecha dela—. Amanhã, depois das tuas aulas, você vai encontrar ela. Vai entregar o dinheiro e dizer exatamente o que a gente espera dela. Sem omitir nada. Sem açúcar. A verdade nua e crua, Marina. É assim que a gente transforma garotas como a Laura em nossas.

Na manhã seguinte, Marina se vestiu com jeans justinho e uma blusa de seda que a Elena tinha escolhido a dedo pra ocasião. Nada de uniforme, nada de empregada. Hoje ela era uma amiga preocupada, uma confidente, uma tentadora.

Ela encontrou a Laura na biblioteca da faculdade, cercada de livros de direito penal, o cabelo preto preso num coque bagunçado, a testa franzida de concentração.

— Laura — disse Marina, sentando na frente dela.

Laura levantou o olhar, e Marina viu o cansaço nos olhos dela, as olheiras escuras que contrastavam com a pele pálida.

— Mari — falou, a voz mais suave que o normal —. Não esperava te ver hoje.

— Precisava te ver — disse Marina, baixando a voz pra um sussurro de conspiradora —. Sobre a proposta dos Vega.

Laura olhou em volta, se certificando de que ninguém tava escutando.

— Tô pensando nisso — disse, brincando com o lápis entre os dedos —. É bom demais pra ser verdade, né?

Marina tirou o envelope da bolsa e deslizou ele pela mesa até a Laura.

— É real — falou —. Pega isso. É um adiantamento. Pra você ver que a gente tá falando sério.

Laura abriu o envelope com os dedos tremendo, e os olhos dela arregalaram ao ver as notas.

— Marina, não posso... isso é...

— Pra sua mãe — disse Marina, a voz firme —. Pro tratamento dela. Pega. É teu, aceitando ou não. Mas quero que você saiba no que vai se meter se topar.

Laura guardou o dinheiro rápido, olhando nervosa em volta.

— No que eu vou me meter? — perguntou, a voz quase um sussurro.

Marina se inclinou pra frente, a voz baixando ainda mais.

— Num mundo diferente, Laura. Um mundo onde o dinheiro não tem limite e os desejos também não. Um mundo onde você pode ser completamente... livre, completamente honesta sobre quem você é e o que quer.

— E se eu não souber quem sou? — perguntou Laura, a voz tremendo levemente.

— Então vão te ajudar a descobrir — disse Marina. — Elena e Carlos... enxergam coisas nas pessoas. Coisas que a gente mesma não vê. Vão te ajudar a se encontrar, mesmo que essa versão de você mesma te assuste no começo.

Laura engoliu em seco, os olhos escuros fixos nos de Marina.

— E você? — perguntou. — Já encontrou algo que te assustasse?

Marina sentiu o pulso acelerar, a umidade começando a se acumular entre as pernas como sempre que pensava nos seus donos.

— Tudo — disse. — Me assustei com tudo que descobri sobre mim mesma. E me apaixonei por cada descoberta.

Laura se recostou na cadeira, processando as palavras de Marina.

— E o trabalho? — perguntou por fim. — Eles realmente precisam de uma assistente jurídica?

— Sim — mentiu Marina, sentindo a mentira queimar na garganta. — Mas também precisam de algo mais. Precisam da sua lealdade, da sua discrição, da sua vontade de... explorar.

Marina estendeu a mão sobre a mesa, os dedos roçando os de Laura.

— Pense assim, Laura — disse, a voz sedutora. — Você poderia passar os próximos anos trabalhando num escritório chato, lutando por promoções, se preocupando com as contas da sua mãe. Ou poderia passá-los com a gente, aprendendo sobre poder, dinheiro e sobre você mesma. Sem limites. Sem arrependimentos. Sem preocupações.

Os olhos de Laura se fecharam por um momento, e Marina viu o conflito no rosto dela, o desejo e o medo brigando dentro dela.

— Não sei se consigo — disse Laura finalmente. — Não sei se sou como você, Mari. Não sei se tenho essa... força.

— Não é questão de força — disse Marina, apertando a mão dela. — É questão de honestidade. De ser corajosa o suficiente pra admitir o que você realmente quer, mesmo que a sociedade julgue.

Laura abriu os olhos, e Marina viu algo novo neles: uma faísca de curiosidade, de desejo.

— E se o que eu quiser me —Assusta? —perguntou Laura, a voz dela quase um sussurro.

Marina sorriu, um sorriso genuíno que chegou até os olhos.

—Então você está perfeitamente qualificada —disse ela—. O medo é só o começo do desejo, Laura. O primeiro sinal de que você está prestes a descobrir algo importante sobre si mesma.

Ela se levantou, deixando Laura sentada, confusa mas claramente interessada.

—Pensa nisso —disse Marina—. Mas não demora muito. Ofertas como essa não esperam pra sempre.

Quando ela ia saindo, Laura a chamou.

—Mari —disse ela, a voz trêmula—. Se... se eu aceitar. Você vai estar lá? Vai me ajudar?

Marina se virou, o coração batendo tão forte que ecoava nos ouvidos dela. A pergunta de Laura pairou no ar entre as duas, carregada de vulnerabilidade e uma confiança que queimava no peito dela.

—Sim —disse Marina, a voz mais firme do que ela se sentia—. Vou estar. Sempre.

Laura assentiu devagar, os olhos escuros fixos nos de Marina como se procurasse uma garantia neles, uma promessa de que não estaria sozinha no que quer que estivesse prestes a acontecer.

—Obrigada —sussurrou Laura.

Marina saiu da biblioteca com as pernas bambas, o pulso acelerado. Sentiu o peso da traição e do desejo se misturando no sangue dela como um veneno doce. Enquanto caminhava até o penthouse, a mente não parava de imaginar Laura lá, de joelhos, com os olhos cheios de lágrimas e tesão, igualzinho ela naquela primeira noite.

Quando chegou, Elena a esperava na porta, vestida com um vestido vermelho que colava nas curvas dela como uma segunda pele.

—Bem —disse Elena, sem precisar perguntar—. Vi nos seus olhos. A semente germinou.

—Ela vai aceitar —disse Marina, segura pela primeira vez em dias—. Mas tá com medo.

—Medo é o melhor afrodisíaco —murmurou Carlos, aparecendo da sala com uma taça de uísque na mão—. Principalmente em garotas como a Laura. Orgulhosas, inteligentes, convencidas de que controlam a própria vida. Ver elas se renderem, ver elas descobrirem que nunca tiveram controle... isso, minha pequena Marina, é a verdadeira beleza.

Elena se aproximou de Marina, seus dedos encontrando o botão da calça jeans dela.

— E você — disse ela, a voz baixando para um sussurro —. Como se sente sabendo que vai trazer sua amiga pro nosso mundo? A ideia te excita?

Marina sentiu o rubor subir pelo pescoço, a umidade começando a se acumular entre as pernas como sempre que Elena usava aquele tom com ela.

— Sim — admitiu, a voz quase inaudível —. Me excita.

Elena sorriu, uma expressão de pura satisfação.

— Boa garota — disse, desabotoando a calça de Marina —. Muito boa. Vem. Precisamos comemorar. Carlos tem pensado em novas formas de... receber nossa convidada.

Carlos se aproximou, sua presença dominando o espaço como sempre.

— Quero que você a prepare — disse a Marina, a voz grave e autoritária —. Quero que pense em tudo que ela ia gostar, tudo que ia assustar ela, tudo que ia fazer ela ficar molhadinha sem saber por quê. E quero que prepare tudo pra quando ela chegar. Desde a roupa até a primeira cena. Vai ser seu projeto. Seu presente de boas-vindas.

Marina sentiu um arrepio percorrer a espinha. A ideia de ter controle sobre algo, sobre a iniciação da Laura, era ao mesmo tempo aterrorizante e incrivelmente excitante.

— E se...?

— Não tem "se" — interrompeu Elena, os dedos deslizando pra dentro da calcinha de Marina —. Você vai fazer perfeitamente. Porque conhece a Laura melhor que ninguém. Porque sabe exatamente o que ela precisa, mesmo que ela ainda não saiba.

Marina fechou os olhos, sentindo os dedos de Elena encontrarem seu clitóris, o pulso acelerar, o pensamento da Laura ali, com elas, levando-a ao limite mais rápido do que nunca.

— Por favor — sussurrou, os quadris se movendo instintivamente contra a mão de Elena.

— Ainda não — disse Carlos, segurando Marina pela cintura e virando-a pra ele —. Primeiro, você conta. Quero saber exatamente o que disse, como ela reagiu, o que tinha nos olhos dela. Cada detalhe. Cada Palavra. E depois, se você tiver feito direito, talvez mereça uma recompensa.

Marina ficou parada na frente dele, sentindo a ereção dele pressionando contra a barriga dela através do tecido da calça, sentindo Elena continuar a estimulação por trás, criando uma tempestade de sensações que a nublavam, a transformavam, a faziam exatamente o que eles queriam que ela fosse: deles.

Ela começou a falar, descrevendo cada momento, cada expressão, cada hesitação de Laura, enquanto as mãos dos seus donos a transformavam num instrumento de prazer, na porta de entrada para a próxima vítima do desejo deles, a próxima posse na crescente coleção de carne e submissão deles.

Enquanto falava, Marina sentiu algo novo nascendo dentro dela: não só a vontade de agradar, não só a humilhação de ser usada, mas o poder de ser a intermediária, a que guiava outra para o mesmo abismo do qual já não podia escapar, e do qual, secretamente, já não queria escapar.

— Isso aí — murmurou Elena no ouvido dela, sentindo o corpo de Marina tremer à beira do orgasmo —. É isso que a gente quer. Uma colega. Uma cúmplice. Mais uma caçadora no nosso bando.

E quando Marina finalmente gozou, de olhos fechados e o nome de Laura nos lábios, ela soube que não estava traindo a amiga. Estava libertando ela, do mesmo jeito que eles a tinham libertado. Estava abrindo a porta para um mundo que Laura ansiava sem saber, para uma verdade que precisava descobrir, mesmo que o caminho até ela fosse pavimentado com humilhação, submissão e um prazer tão intenso que doía.

Naquela noite, enquanto estava deitada na cama de serviço, Marina não conseguiu dormir. O corpo ainda vibrava com os ecos do orgasmo, a mente girava em torno de Laura, do que viria. E pela primeira vez desde que tinha assinado o contrato, ela sentiu algo mais do que submissão e desejo.

Ela sentiu poder. O poder de saber que seria ela quem iniciaria Laura, quem a guiaria, quem estaria lá. quando sua amiga se rendesse pela primeira vez, quando descobrisse a mesma verdade que ela havia descoberto: que na rendição se encontra a verdadeira liberdade, que na submissão se encontra o prazer mais profundo.

E com esse pensamento, com essa mistura de traição e lealdade, de poder e submissão, Marina finalmente adormeceu, sonhando com dois corpos ajoelhados diante dos Vega, sonhando com duas vozes implorando, sonhando com o futuro que ela mesma estava ajudando a criar, capítulo por capítulo, contrato por contrato, carne por carne.

Continua...

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