Nas mãos da fisio Claudia

Já tava há três semanas com aquela dor na lombar e já tava me deixando louco. Não era uma dor que te deixa duro na cama, mas aquela dor surda e constante que se mete em tudo: no sono, no humor, na vontade de fazer qualquer coisa. O médico foi claro: "Você precisa de fisioterapia, não mais ibuprofeno." Me deu um número e mandou eu ligar pra "Cláudia", que atendia em domicílio pela região da Castellana. Liguei pra ela numa terça sem muitas expectativas. Uma voz calma, com aquele sotaque costeiro suave que as mulheres de Montería têm quando falam devagar, me disse que tinha disponibilidade na quinta às quatro. Passei o endereço, confirmei o andar, e pronto. Desliguei sem imaginar nada. Só queria que a porra da dor nas costas passasse. A quinta chegou na hora certa. Quando abri a porta, me deparei com algo que não esperava. Cláudia devia ter uns 27 anos. Morena clara, com o cabelo preto preso num rabo de cavalo apertado e uns olhos castanhos grandes que olhavam direto, sem rodeios. Carregava uma mala preta com rodinhas e vestia uma legging cinza justa e uma camiseta branca sem manga. Nada de especial na roupa, mas tinha algo no jeito como ela se parava, com o peso num quadril, como te olhava sem pressa, que fazia você perceber que era uma mulher confortável no próprio corpo. — Boa tarde, Andrés? — O próprio. Pode entrar. Entrou sem hesitar. Deixou a mala, pegou um tablet e fez umas perguntas rápidas. Depois tirou os sapatos na entrada sem pedir licença, deixando umas crocs brancas encostadas na parede. Reparei sem querer: pés pequenos, pele morena, unhas com um esmalte vermelho velho descascando nas bordas. Uma pulseira de linha vermelha no tornozelo direito. Não sei por que, mas aquilo ficou gravado. Estendemos o colchonete no quarto. Pediu pra eu tirar a camiseta e deitar de bruços. O ventilador mexia o ar quente da tarde. Ouvi o óleo ao destampar, as mãos dela se esfregando. Quando colocou as mãos nas minhas costas, entendi por que a recomendavam. Não era amasso. Era pressão precisa, polegares se enterrando em pontos exatos, deslizando pela coluna num ritmo que tinha algo de hipnótico. O óleo cheirava a eucalipto. Me relaxei sem querer. —É aí que sente a dor? —Bem aí. —Contratura no quadrado lombar. E os trapézios tão detonados. Você trabalha sentado o dia inteiro? —Na frente do computador, sim. —Foi o que imaginei. Trabalhou em silêncio. Em algum momento mudei de posição e vi ela de relance: ajoelhada ao meu lado, inclinada sobre minhas costas, com a camiseta descolada da cintura deixando ver uma faixa de pele morena. Os pés descalços dela estavam a alguns centímetros do meu rosto. Aquele cheiro suave que subia deles, mistura de creme e pele quente depois de andar o dia todo, me atingiu direto. Fechei os olhos, mas já não era mais de sono. —Vira pra trabalhar o psoas —ela disse. Me virei. Ela se ajoelhou na altura do meu quadril e baixou minha calça só alguns centímetros. Os dedos dela se cravaram num ponto interno que me fez tensionar o corpo inteiro. —Calma, respira. Esse músculo tá duro que nem pedra. Respirei fundo e soltei. Algo cedeu com uma sensação estranha, metade alívio, metade corrente que desceu direto pra virilha. Me ajeitei disfarçadamente. Ela não disse nada, mas vi o canto da boca dela se mexer de leve. Terminou a sessão, me explicou os exercícios, recolheu as coisas. Calçou as crocs, pegou a mala e estendeu a mão pra mim. Apertei. Palma firme, quente, com resquício de óleo. —Até terça, Andrés. Fechei a porta e fiquei parado na sala com o cheiro de eucalipto flutuando no apartamento e uma sensação estranha que não era a dor nas costas. A terça-feira chegou com o mesmo calor de sempre. Montería em janeiro é uma contradição: o calendário diz começo do ano, mas o sol cai como se fosse agosto. Cláudia chegou dez minutos antes. Dessa vez, legging preta e camiseta azul sem manga. Os braços de uma fisioterapeuta são diferentes: não são de academia, são de amassar corpos todo dia, com uma firmeza no antebraço que dá pra notar. Ela me cumprimentou. com a mesma calma de sempre e entrou. —Fez os exercícios? —Todos. —E as costas? —Muito melhor. Ela assentiu sem exagerar. Tirou os sapatos no mesmo lugar, e eu fui pro quarto estender o colchonete. Quando ela entrou, eu já estava sem camiseta, de bruços. Essa segunda sessão foi diferente. A dor tinha diminuído e eu não estava mais no modo paciente sofrendo. Eu estava presente, atento a tudo: a pressão dos polegares dela na cintura, o calor das palmas, o som da respiração dela quando se esforçava num ponto difícil. Num momento, ela sentou sobre minhas coxas pra trabalhar melhor a região do meio. O peso do corpo dela em cima do meu era concreto, real, e o quarto mudou de temperatura sem ninguém abrir uma janela. —Te incomoda se eu sentar assim? É mais fácil pra aplicar pressão. —Não, de jeito nenhum. Ela trabalhou vários minutos daí. Eu sentia o calor das coxas dela contra as minhas, o movimento do quadril dela cada vez que mudava o ângulo. Ela desceu as mãos até bem em cima da minha bunda, trabalhando o sacro, e aí foi quando perdi a compostura. —Claudia. —Tá doendo? —Não. Pelo contrário. As mãos dela pararam um segundo. Depois continuaram, mas mais devagar. —Pelo contrário como? —ela perguntou, e nessa pergunta já não tinha nada de profissional. Eu me virei devagar, ficando de barriga pra cima com ela ainda sentada em cima. A gente se olhou. Não tinha susto na cara dela nem fingida indignação. Só aquele olhar direto, avaliando, decidindo. —Que desde que você chegou na primeira vez, não consegui parar de pensar nas suas mãos. Em como você me toca. Em como você cheira. Ela inclinou a cabeça só um pouco. —Isso me falam direto —disse, sem vaidade. —Não tô te falando como elogio. Tô falando sério. —Já sei que é sério. —Pausa—. Por isso ainda não desci. Eu coloquei as mãos na cintura dela, devagar, dando tempo pra ela recuar. Ela não recuou. Se inclinou e me beijou com uma calma que me desmontou, sem pressa, como quem já tá pensando nisso há um tempo. Tirei a camiseta dela sem pressa. Ela tinha um Sutiã esportivo preto que segurava os peitos dela, uns peitos médios, firmes, com os mamilos escuros e grossos que já estavam duros antes mesmo de eu levar à boca. Chupei um por um enquanto ela apertava minha cabeça contra o peito dela com aquela mesma força que usava pra trabalhar, mas carregada de uma intenção completamente diferente. Deitei ela de costas. Beijei o pescoço, a clavícula, o meio do peito, o umbigo. Quando cheguei na legging, olhei pra ela de baixo. — Posso continuar? — Pra que perguntar? — ela disse com um sorriso torto. Fui descendo a legging devagar. Ela tava de calcinha preta de algodão, simples, bem justa, com uma mancha úmida e escura no meio que me disse tudo que eu precisava saber. Peguei pelos lados e fui puxando pra baixo devagar, aproximando o nariz enquanto fazia. O cheiro que subiu dali me parou na hora: um odor denso, quente, entre doce e azedo, com aquele fundo animal que a mulher tem quando passa horas desejando algo sem falar. Fiquei ali parado, respirando ela, sem tocar ainda. — O que cê tá fazendo? — ela perguntou, me olhando de cima. — Te cheirando. Te incomoda? Silêncio curto. — Não — ela respondeu, com uma voz diferente. Abri as pernas dela com as mãos. A buceta dela era escura, carnuda, com os lábios bem definidos e uma umidade que brilhava na pouca luz do quarto. Passei a língua de baixo pra cima, devagar, separando cada dobra, aprendendo o caminho. Ela cravou os dedos no meu cabelo. — Ai, caralho — murmurou, fechando os olhos. Chupei ela sem pressa, saboreando, enfiando o nariz entre os lábios de vez em quando pra sentir o cheiro de perto. Enfiei dois dedos e mexi lá dentro enquanto chupava o clitóris dela, que era pequeno mas respondia a tudo, pulsando contra minha língua toda vez que eu acertava. — Não para... não para... — repetia com a voz trêmula, empurrando minha cabeça com a mão. Quando ela gozou, foi longo. O corpo inteiro tremendo, as pernas se fechando contra minhas orelhas, um gemido abafado que encheu o quarto e depois aquele tremor lento. que ficou nos muslos dela por quase um minuto. Levantei a cabeça. Ela tava com o rosto virado pro lado, os lábios entreabertos, o cabelo solto espalhado pelo colchonete. —Vem cá —falou, me puxando pelo braço sem abrir os olhos. Subi em cima dela. Ela baixou minha calça com uma eficiência que me fez rir, e me agarrou com aquela mão firme, me guiando direto. —Méhotel —murmurou baixinho—. Sem frescura. Entrei devagar, sentindo como ela me recebia: apertada, molhada, quente por dentro de um jeito que não dá pra descrever direito com palavras. Ela cravou os dedos nas minhas costas e arqueou os quadris pra me receber melhor, buscando o fundo. —Gonorria... que gostoso —sussurrou no meu pescoço. A gente se movia no ritmo que ela marcava. Mordi o ombro dela e ela fincou as unhas em mim. Agarrei os quadris dela e empurrei mais forte, e ela soltou um palavrão baixinho que ficou gravado em mim pra sempre. Virei ela de lado, me encostei nas costas dela e entrei por trás. Levantei uma perna dela e fui fundo, com o nariz enfiado na nuca dela, sentindo o cheiro do suor recente atrás da orelha. Ela empurrava pra trás a cada estocada, me procurando. —Assim que eu gosto de você —dizia baixinho, pra ela mesma tanto quanto pra mim. Desci uma mão pela barriga dela até encontrar e toquei ela enquanto continuava me movendo. Ela tremeu inteira. —Andrés, você vai me matar... —Quer que eu pare? —Se parar, eu te mato. Ri contra o pescoço dela. E aí lembrei de uma coisa que tava pensando desde o primeiro dia. —Me dá os pés —falei. Ela virou pra me olhar. —O quê? —Os pés. Me dá eles. Ela levantou devagar, sem entender direito. Peguei eles com as duas mãos, aqueles pés pequenos com o esmalte vermelho descascando e a pulseira de linha no tornozelo, e levei até meu rosto. Cheiravam a creme e pele quente, com aquele rastro suave de trabalho acumulado, de dia longo, de mulher de verdade. Passei o nariz pela sola, fechei os olhos. —Andrés, que isso? —perguntou, entre assustada e curiosa. —Relaxa. Te incomoda? Silêncio. —Não... é estranho mas não me incomoda. Passei a Língua no calcanhar, no arco do pé, e depois enfiei o dedão na boca dela. Ela soltou um som que não era de nojo. —Isso é estranho, mas... — não terminou. —Mas? —Mas tá me molhando mais. Não sei por quê. Continuei lambendo os dedos dela um por um, saboreando aquela pele macia e salgada, enquanto com a outra mão tocava ela entre as pernas. Ela se contorcia, já sem saber onde colocar as mãos. —Porra... isso não devia me dar tanto tesão. —Mas dá. —Dá sim, seu filho da puta. Virei ela de barriga pra cima, coloquei as pernas dela nos meus ombros e entrei com força. Ela gritou sem avisar, com aquela honestidade do corpo quando já não liga pro volume. Segurei os tornozelos dela, beijei eles enquanto me movia, e ela me olhava com aqueles olhos castanhos grandes e arregalados, boca aberta, cabelo bagunçado. —Não para, não para, não para... Quando senti que ela tava perto de novo, toquei ela com o polegar no clitóris e não soltei. Ela gozou com um grito que abafou no travesseiro, o corpo inteiro tremendo, as coxas me apertando com uma força impressionante. Gozei logo depois, com a testa encostada no ombro dela, apertando os quadris dela com força. Ficamos largados, respirando, com o ventilador mexendo o cabelo dela. O quarto cheirava a óleo de eucalipto, a sexo, a pele quente. —Isso nunca tinha acontecido comigo — ela disse depois de um tempo. —Que parte? —Tudo junto. Apoiei num cotovelo e olhei pra ela. O corpo dela tava relaxado de um jeito diferente, aquele relaxamento profundo que não vem das mãos de ninguém, vem de dentro. —E os pés? — perguntei. Ela riu. Uma risada genuína, do peito. —Me surpreenderam, juro. Eu toco corpo o dia inteiro e nunca tinha pensado nos meus assim. —Sério que não gostou? —Acabei de falar que fiquei mais molhada. Não me faz repetir as coisas. Ajeitei uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. —Quantas sessões mais eu preciso? — perguntei. Ela me olhou com aquela sobrancelha levantada. —Depende. A gente ainda tá falando das costas ou disso? —Disso. Ela mordeu o lábio. —Quantas —quiser —disse ela, se aninhando contra meu peito como se fizesse aquilo há anos. Lá fora, Montería continuava com seu calor. O sol das seis batia pela janela, desenhando uma faixa dourada sobre o colchonete, sobre as pernas dela enroscadas nas minhas, sobre aqueles pezinhos com o esmalte descascado e a pulseira de fio vermelho no tornozelo. Minhas costas já não doíam mais. Mas isso, naquele ponto, era o de menos.

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