Joguei as chaves em cima da mesa da sala e fiquei parado no meio do living. O ar tava pesado. Não era só o calor infernal da sesta santafesina; o ambiente tava carregado, denso. Flutuava aquele cheiro doce, cru e inconfundível de umidade, de suor e de sexo recente. Era impossível não notar. César tava pálido, segurando o rolo como se fosse um salva-vidas. A tinta branca mal sujava a ponta dos dedos dele, que ainda tremiam. Mica, por outro lado, tava sentada com as pernas cruzadas, brincando com a borda da regata, respirando ainda um pouco mais rápido que o normal. — Um desastre a loja de ferragens — falei, quebrando o silêncio enquanto largava o rolo de fita crepe na prateleira, me fazendo de sonso que nem um condenado —. Tinha uma bucetuda do caralho, me fizeram esperar que nem um otário. César engoliu seco. A adrenalina ainda corria nas veias dele e, ao ver que eu aparentemente não desconfiava de nada, o ego de "comedor de casadas" dele voltou a aparecer timidamente. Ele passou o dorso da mão na testa suada, esboçou aquela risada debochada de sempre e me olhou de canto. — E aí, maluco... tem fila que faz você perder a paciência, e outras que te deixam sem fôlego — soltou, fazendo o trocadilho enquanto os olhos dele desviavam descaradamente pro short desfiado da Mica —. Tudo depende de onde você tem que esperar, primo. Eu senti o sangue ferver de tesão. Ele tava se fazendo de esperto na minha cara. Mas o que César não contou foi com a reação da Mica. Se ele achava que com a minha chegada a brincadeira tinha acabado, tava muito enganado. Ao ouvir a provocação do meu primo, os olhos dela brilharam com uma malícia que me deixou mudo. Longe de se encolher com a minha presença, a ideia de me ter ali, olhando tudo, acendeu o motor dela de novo. Mica levantou da cadeira com uma lentidão desesperadora. Caminhou até ele, atravessando o living. César se tensou na hora. Me olhou, que tava parado a menos de dois metros. metros de distância, e olhou pra ela, com o pânico voltando no olhar. Pensou que ela ia disfarçar, que ia me pedir um copo d'água ou qualquer outra coisa. Mas a Mica não parou. Parou a centímetros dele, apoiou uma mão direto no peito nu dele e desceu a outra até roçar a borda da calça de sarja. — César... — sussurrou ela com voz rouca, mas alta o suficiente pra eu ouvir cada sílaba —. Acho que ficou uma parte sem terminar aí. Meu primo ficou paralisado. A respiração dele cortou. Tinha o namorado da *young lady* parado bem na frente dele. O cérebro gritava pra ele sair correndo, mas o corpo não obedecia. Mica não deu tempo pra ele pensar. Encurtou os centímetros que separavam eles e enfiou um beijo na boca dele, faminto, selvagem, entrelaçando os dedos na nuca dele. O cara que jogava bocha e se achava indomável, desabou. O instinto venceu a moral. Comigo a um metro e meio de distância, olhando fixo pra eles sem piscar, o César soltou o rolo, que caiu no chão manchando o piso. Agarrou a cintura da minha mina com desespero e devolveu o beijo, empurrando ela de leve contra a parede meio pintada. Eu cruzei os braços, sentindo o coração prestes a explodir no peito. Não tinha mais câmera escondida nem corredor escuro. O jogo de olhares no Instagram tinha se materializado no meio da minha casa, e eu tava no lugar de honra, na primeira fila. O beijo durou o que pareceu uma eternidade. O som das respirações ofegantes e os murmúrios da Mica enchiam a sala. Mas de repente, a razão pareceu acertar o César como um balde de água gelada. Ele se separou dela de um puxão, ofegante, com os olhos injetados e a respiração a mil. Virou a cabeça pra mim, esperando o impacto. Esperava o soco, o grito, a reação lógica de qualquer homem do campo que tão mexendo com a mulher dele na cara dele. Ficou duro, com as mãos tremendo lado do corpo, pronto pra se defender. —Gordo... —balbuciou César, com a voz trêmula de confusão e pânico—. Eu... ela... mano, não sei o que deu em mim... Eu não me mexi. Fiquei de braços cruzados, encostado na parede do corredor, e devagar deixei um sorriso se formar no meu rosto. Não tinha raiva. Não tinha ódio. Só uma excitação pura, escura e absoluta. Caminhei devagar até a mesa da sala, puxei uma das cadeiras pra trás e sentei, abrindo as pernas e apoiando os cotovelos nos joelhos pra não perder nenhum detalhe da cena. —Fica tranquilo, primo —falei, com uma calma que o desmontou por completo—. Não lembra o que te falei no Instagram? Que eu curto um puta tesão, que sou um bebê de peito perto dela... Falei que você ia ficar a ver navios. César me olhava como se tivesse visto um fantasma. A ficha tava caindo em câmera lenta. Toda a história da novela, a conversa picante, minha suposta ida à loja de ferragens, tudo tinha sido uma armadilha. O lobo solitário, o pegador que sabia de tudo, tinha acabado de perceber que sempre foi o rato no nosso labirinto. Mica, que não tirava os olhos do meu primo, deu um passo pra trás e me olhou. —Ele tá assustado, amor... —disse ela, com uma voz cheia de ironia e sedução—. Achou que você era um desses machos ciumentos que não sabem dividir. —Mostra pra ele que não, Mica. Mostra como a gente faz as coisas —respondi, me acomodando na cadeira, sentindo o coração na garganta. César olhou de um pro outro. O cérebro rústico dele tava dando um curto-circuito monumental tentando processar a situação. Tinha sinal verde. O namorado da gostosa não só não ia encher ele de porrada, como tava sentado ali, pedindo pra ele continuar. O maior tabu de todos tinha acabado de se quebrar em mil pedaços. —Vocês são completamente loucos da cabeça... —sussurrou César, passando as mãos no rosto, derrotado pela situação. Mas o tesão é mais forte do que qualquer princípio moral. Mica não deu mais tempo pra ele pensar. Agarrou César pelos passadores da calça de grafite e puxou ele pro meio da sala, forçando ele a ficar bem na minha linha de visão. — Não fala tanto, doidinho — ordenou ela, ajoelhando na frente dele sem tirar os olhos de mim. — Veio pra trabalhar, não veio? Então cala a boca e deixa eu te mostrar o que é uma mulher de verdade. César jogou a cabeça pra trás e soltou um gemido que foi pura rendição. Não tinha mais volta. As regras tinham mudado, o ego do homem do campo tinha sido pisoteado, e eu tava ali, na minha cadeira, curtindo a obra-prima que a gente tinha criado junto. O som do zíper descendo quebrou o silêncio pesado da sala. Mica, de joelhos, fez devagar, esticando a agonia de César. O cara tava com as mãos na nuca, olhando pro teto como se tivesse rezando, buscando ar num cômodo onde o oxigênio já não dava conta. Da minha cadeira, a cena era um quadro perfeito. Mica não tirava os olhos de mim. Enquanto começava a brincar com ele, o olhar dela tava cravado no meu. Era uma conexão telepática. Ela tava me passando todo o poder, toda a luxúria. Ela marcava o ritmo, deixava ele louco, parava quando ele tava prestes a perder o controle e recomeçava, deixando ele à beira do abismo. — Olha só isso, gordo... — sussurrou César de repente, com a voz abafada, me encarando com os olhos vidrados. — É uma besta... inacreditável... Ele falar comigo, me incluir na cena enquanto Mica devorava ele, foi a confirmação de que a quebra era total. A moralidade dele, o tabu familiar, tudo tinha se desintegrado. Agora a gente era cúmplice. — Te falei, primo — respondi, me acomodando na cadeira, sentindo queimação por dentro. — Aproveita, que ela gosta de ser olhada. E eu adoro ver como ela te suga. Essa frase deu o último empurrão. César já não aguentou mais o papel. passivo. O instinto bruto voltou pro corpo dele de uma vez. Ele segurou o rosto da Mica com as duas mãos, parando ela por um segundo, e levantou ela do chão num puxão só. A força que ele tinha era bestial. Levantou ela como se não pesasse nada e apoiou ela de costas na mesa da sala, varrendo com o braço o rolo de fita de papel e umas ferramentas que caíram no chão fazendo um barulho metálico. Mica soltou uma gargalhada cheia de adrenalina. Ela adorava quando ele perdia a cabeça. — Agora é minha vez, gostosa — rosnou o César, completamente cego de tesão. Agarrou ela pela cintura e levantou ela em cima da mesa. Eu tive que me afastar com a cadeira pra dar espaço pra eles. Tavam a centímetros de mim. Dava pra sentir o calor que os dois exalavam, o cheiro de suor e o perfume doce da Mica misturado com o cheiro bruto de tinta fresca. O choque foi brutal. A sala se encheu do som molhado e pesado dos corpos se batendo. Mica cravou os calcanhares nas costas do César e se agarrou na borda da mesa, jogando a cabeça pra trás. Ela gritava sem nenhum pudor, rasgando a garganta, enquanto ele metia com uma força descontrolada. César tava banhado de suor, os músculos das costas tensos a cada movimento. De vez em quando, no meio da loucura dele, virava a cabeça pra me olhar. Queria ter certeza de que eu tava vendo ele pegar o que era meu. Ele se alimentava do meu olhar, da minha permissão. — Olha, maluco! Olha como eu faço ela gemer! — gritava ele, completamente fora de si, se deixando levar pela fantasia que a gente tinha plantado na cabeça dele. Eu me agarrei forte nos braços da cadeira, balançando a cabeça. Mica não ia deixar o César com a ilusão de que ele tinha o controle da situação. Bem na hora que o caipira achava que tava dominando o jogo em cima da mesa, ela agarrou ele firme pelos ombros e, com um empurrão seco, fez ele recuar. César tropeçou uns passos até que as Os joelhos bateram na borda do sofá e ele caiu sentado de uma vez, respirando pela boca, completamente desorientado. Antes que pudesse reagir ou tentar se levantar, a Mica já estava em cima dele. Abriu as pernas, sentou no colo dele e, encarando ele fixo com aquela expressão de superioridade que me deixa louco, foi descendo devagar, assumindo o controle total. O César soltou um gemido rouco, se agarrando com força nos braços do sofá. A imagem do "maluco" tarado e pegador tinha sumido; agora ele era só um espectador no próprio corpo, totalmente submisso ao ritmo que ela impunha. A Mica começou a cavalgar ele. Começou devagar, torturando ele, subindo e descendo com uma precisão que deixava ele à beira do colapso, enquanto passava as mãos no cabelo bagunçado. Eu continuava sentado na minha cadeira, a menos de dois metros, com a respiração ofegante. Ver ela assumir o controle daquele jeito, dominando meu primo, me deixou de cabeça quente. O contraste da pele branca da Mica se movendo sobre o lombo moreno dele era um espetáculo visual que nunca vou esquecer. Me inclinei pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, sem conseguir ficar calado por mais tempo. Precisava verbalizar o que tava me queimando por dentro. —**Adoro ver como essa rola grossa desaparece na sua buceta** — soltei, em voz alta, cru e sem filtro nenhum. A frase atravessou a sala pesada de Santa Fe como um chicote. O César arregalou os olhos e cravou o olhar em mim. O próprio primo dele falar aquilo, narrando a cena enquanto acontecia, deu um curto-circuito final na cabeça dele. O ego, a moral, o tabu... tudo virou cinza. Ele apertou os dentes e segurou a Mica pela cintura, tentando acompanhar o ritmo, mas completamente desarmado psicologicamente pela situação. A Mica, por outro lado, pareceu se alimentar das minhas palavras. Ao me ouvir, jogou a cabeça pra trás e soltou um gemido longo pra caralho, vibrando a cada sílaba. —Fala de novo, love... —ela pediu, ofegante, sem parar de se mexer em cima dele, cravando as unhas nos ombros do pintor—. Quero ouvir bem... quero ouvir como você gosta. A sala era um forno. Naquela altura, César tinha perdido completamente a noção de quem era, de onde estava e das regras que jurara defender. A Mica tinha ele dominado, cavalgando com uma intensidade que arrancava gemidos roucos do fundo da garganta dele. A frase que eu tinha jogado da cadeira terminou de quebrar as poucas barreiras mentais que sobravam pro pintor. Já não ligava mais pra nada. O tesão tinha consumido ele por completo. De repente, César segurou os quadris da Mica pra frear o movimento. Tava banhado de suor, o peito subindo e descendo num ritmo frenético. Jogou a cabeça pra trás, puxou uma golfada de ar pesado e, com os olhos injetados, procurou o meu olhar. Já não me olhava com culpa, nem com pânico. Agora me encarava com uma ambição crua, animal. Queria ir até o fim. —Mano... —disse com a voz rouca, quase um pedido, mas carregado de luxúria—. Primo... posso fazer a Booty nela? O tempo pareceu congelar na sala. Aquela pergunta foi tipo uma bomba nuclear explodindo no meio do ambiente. Senti o coração saindo pela boca. A adrenalina corria nas veias igual fogo. Olhei pra Mica, que continuava sentada em cima dele, suada e gostosa pra caralho. Ela virou a cabeça por cima do ombro pra me encarar. Tava com os lábios inchados e aquele sorriso diabólico no rosto. Não disse nada, só mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça devagar, esperando meu veredito. Me acomodei na cadeira, apoiei os cotovelos na mesa e olhei direto nos olhos do César. —**Arrebenta ela toda, primo. É tua** —respondi, com uma frieza que até eu me surpreendi. O olho do César brilhou. Não precisou ouvir de novo. Com uma força bruta, agarrou a Mica pela cintura e, num movimento rápido, Fez ela girar sobre os joelhos dele. Mica não resistiu. Pelo contrário, conhecia o jogo melhor que ninguém. Se acomodou de costas pra ele, apoiando as mãos e o peito no encosto do sofá, deixando a raba dela perfeitamente exposta e levantada na cara do César. A pose me dava o melhor ângulo possível da minha cadeira. Eu conseguia ver tudo com uma clareza que queimava meu cérebro. — Olha o presentinho que o primo te deixou, garota... — sussurrou César, com a voz tremendo de tesão, enquanto passava as mãos grandes e caleadas pelas coxas dela até chegar no quadril —. E você, moleque... olha bem o que vou fazer com ela. O cara se ajeitou atrás dela. Mica soltou um grito longo e agudo, se agarrando no estofado do sofá quando ele entrou. A respiração de César virou um grunhido constante. A imagem era tão forte, tão transgressora, que tive que segurar a cabeça com as mãos. O ritmo que César impôs foi brutal desde o primeiro segundo. O som molhado e pesado das estocadas batendo na raba da Mica ecoava em cada canto da sala. Da minha cadeira, a vista era um privilégio obsceno. Eu via perfeitamente como o lombo calejado do meu primo se tensionava, e como ela se arqueava, se oferecendo por completo. Agarrou Mica pelo cabelo com uma mão, puxando a cabeça dela pra trás pra ela olhar o teto, e com a outra abriu bem o quadril dela pra ter um acesso ainda melhor. — Olha isso, moleque! — gritou César pra mim, com a voz rouca, quase gutural, sem parar de castigar ela —. Olha como eu abro a bunda da sua namorada! Nunca comi um cu tão apertado na minha vida, ela tá engolindo tudo! Eu me agarrei nas bordas da mesa, com a respiração presa, sentindo a cabeça explodir de tesão. — **Faz ela tua, primo. Arrebenta bem a bunda dela, pra isso que te emprestei** — respondi, cruzando a linha mais suja de todas —. Enterra até o saco, mostra pra ela pra que serve um macho de verdade. César soltou uma Risada doentia, carregada de luxúria, e acelerou o ritmo. A frase o encheu de coragem. Agora se sentia o dono absoluto. Aproximou a boca da orelha de Mica, mas gritando o suficiente para que eu não perdesse uma única palavra. — Ouviu seu namorado, garota? — rosnou César, dando um tapa seco que ecoou como um trovão —. Te entregou de bandeja. Você é a puta da família, não é? Adora ter o cu arrombado na frente do corno que te sustenta. Mica, longe de se humilhar, se alimentava de cada insulto. Jogou a cabeça para trás, cravou os olhos em mim através do espelho e soltou um gemido que perfurou meu cérebro. — Sim... — gemeu ela, com a voz completamente quebrada pelo prazer e pela dor —. Sim! Arromba bem meu cu... vai, César... adoro sua piroca grossa... me come melhor que ele! — Olha como ela te implora, otário! — continuou me provocando meu primo, me encarando com um sorriso sádico, suando em bicas —. Você tava deixando a gata morrendo de fome. Vou comer ela tão forte que não vai conseguir andar por uma semana, e você vai ter que cuidar dela. Levantei devagar da cadeira. Caminhei os dois passos que me separavam deles e parei bem ao lado, olhando tudo de cima, a centímetros da ação. — **Isso aí, primo** — sussurrei, quase encostando no ombro dele, com os olhos fixos em como entrava e saía dela —. Deixa ela cheia de porra. Me prova que não é falso. Enterra tudo e faz ela ouvir Santa Fé inteira como você tá comendo ela. Aquela proximidade, minha voz falando sujeira enquanto ordenava que ele destruísse minha mulher, foi demais para a cabeça de César. O pintor fechou os olhos, apertou os dentes e soltou um rugido bestial, perdendo finalmente o último vestígio de controle, entregue por completo à perversão mais absoluta. A respiração de César já era um fole quebrado. Estava prestes a gozar. O pintor de mão grossa estava cobrando seu troféu no meio da sala, e eu continuava ali, parado ao lado dele, respirando na nuca e dirigindo o final. — Vou gozar, primo! Vou —Não aguento mais! —gritou ele, rangendo os dentes, com os músculos dos braços prestes a estourar enquanto segurava a Mica contra o sofá. Mica, em vez de se encolher, dobrou a aposta. Olhou pro meu reflexo no espelho, com os olhos brilhando de pura excitação, e cravou as unhas nas coxas do César, puxando ele pra perto. —Solta tudo, seu otário! —gritou ela, com uma voz irreconhecível, completamente entregue—. Enche bem meu cu, pro teu primo ver como você me deixa! Mostra pra ele que você é o macho da família! —**Deixa dentro dela, César. Nem pense em tirar** —ordenei, com um tom firme que cortou o ar pesado da sala—. Enche ela de porra. Pra ela lembrar de você a semana toda. Pra quando eu tocar nela à noite, ela saber que ainda tem seu gozo dentro. Essa última humilhação foi o golpe final. César soltou um rugido que fez tremer até os vidros da casa. Fechou os olhos com força e se grudou nela numa última estocada brutal, ficando completamente imóvel enquanto o corpo dele tremia. —Toma, sua putinha! Toma! —grunhia César, totalmente fora de si, com a testa apoiada no encosto do sofá—. Olha como eu deixo ela, primo! Enchi ela toda, vagabundo, arrebentei ela! O silêncio foi caindo aos poucos na casa, interrompido só pela respiração ofegante dos três e pelo barulho inútil do ventilador. César se separou devagar, com as pernas bambas, e se deixou cair de joelhos no chão, como se tivessem sugado a alma dele inteira. Ele estava suado, pálido, olhando fixo pra um ponto na parede que tinha vindo consertar. A realidade tava batendo na cabeça dele de novo. Mica ficou uns segundos apoiada no sofá, recuperando o fôlego, com um sorriso de satisfação absoluta. Depois, bem devagar, se virou, ajeitou um pouco o cabelo bagunçado e me olhou. Caminhou até mim com as pernas ainda tremendo e me deu um beijo curto, mas carregado de todo o fogo que acabava de viver. —Viu o que você conseguiu, amor? —sussurrou no meu ouvido, antes de olhar de soslaio pro pintor que ainda estava largado no chão—. Nós quebramos ele. Peguei o rolo de fita crepe da mesa e joguei no César. Atingiu o ombro dele. —**Vai, primo. Levanta, troca de roupa e termina de colar fita nos meus rodapés, que a parede não vai se pintar sozinha** —falei, com a voz mais normal do mundo, como se a gente tivesse acabado de tomar um chimarrão na sesta. César levantou a vista do chão, me olhou com uma mistura de terror, respeito e perversão, e sacou que, daquele dia em diante, a vida dele de "passarinho livre" tinha chegado ao fim. Agora ele era nosso brinquedo.

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