Aulas de Teatro para Adultos - Capítulo VI

Olá, como vocês estão? Segue a história, agora na sua sexta parte. Valeu por acompanharem. Espero que dê pra entender e que vocês curtam.Capítulo VI — Ordens do DiretorNão conseguia parar de pensar naquela situação que presenciei, e no que veio depois. Ver o Ricardo comendo a Lili na marra me desmontou. Mas o que mais me impactou foi o olhar que ele me deu na hora de gozar. Como se estivesse me dizendo com a cara que tava me comendo também. E o ultimato que ele me deu depois acabou de me desarmar. Se não tivesse tão tesuda pelo espetáculo que tinha visto, teria dado um tapa na cara dele e pronto. Mas claramente ele percebeu meu tesão e aproveitou o momento pra me fazer entrar no jogo dele.

Já tava mais do que claro que nos ensaios era super comum ter sexo. Isso o Ricardo me confirmou, com as palavras dele, e principalmente com as atitudes. O que eu não sabia era se o objetivo era só aquele, ou se ele realmente queria montar uma peça completa. Me sentia muito confusa. Não queria cair feito uma patinha, mas ingenuamente pensei que talvez o desgraçado, depois de se aliviar, pudesse seguir com os ensaios de forma mais tranquila. Do que eu tinha certeza era que o Ricardo era capaz de me expulsar a vassouradas até a avenida se eu fosse no dia seguinte às oito e tentasse ensaiar normalmente, sem falar nada.

Tentei várias vezes falar com a Lili. Queria saber como ela tava, se tinha caído a ficha, se ia continuar na peça. Queria que ela me dissesse se tava arrependida, se mandava tudo pra merda e tomara que eu desse um tapa no Ricardo por filho da puta... Ou se tinha gostado e continuava no papel, ensaiando como se nada tivesse acontecido. Mas ela não atendeu o telefone, e eu não podia ir buscar ela em casa naquela hora. Também não tinha desculpa pra dar na minha casa.

De novo passei a noite rolando na cama, dormindo aos pouquinhos. Dessa vez não era só ansiedade, mas também tesão. Tentei acordar meu marido pra ele me satisfazer como devia (em parte por prazer, mas principalmente pra reafirmar pra mim mesma que eu ainda era fiel a ele, e que não ia trair ele com um desconhecido), mas ele nem me deu bola, com a desculpa esfarrapada de que tinha que acordar cedo.

Na manhã seguinte, não conseguia parar de pensar no Ricardo e na Lili. Principalmente no Ricardo. Os meninos notaram minha cara feia e já ficaram preocupados. Falei que não era nada grave, que tinha dormido pouco. Eles foram pra escola, e meu marido, antes de sair, me disse que depois do trampo ia pro aeroporto, porque no dia seguinte tinha que estar em Buenos Aires. Não perguntou por que eu tava estranha, ou por que virei tanto na cama. Pedi pra ele deixar uma grana pra pedir uma pizza.

— Por que você não vai amassar um pão, melhor? Já que vai ficar o dia inteiro à toa, feito uma rainha do pedaço. — Respondeu, sem nenhuma sutileza.

Aquilo foi a gota d’água. Ele podia ir pra puta que o pariu. Foi aí que me decidi: iria às sete da tarde pra sala de ensaio, terminar as cenas inacabadas e continuar os ensaios, sem me importar com o conteúdo deles. Tava disposta a protagonizar aquela peça de qualquer jeito. E a dar um chega pra lá no cretino do Raul. Liguei de novo pra Lili, só por garantia, mas dessa vez quem atendeu foi o marido. Tinha esquecido que ela voltava pra Rosário no fim da tarde. Não sabia o que dizer, porque talvez a Lili não tivesse comentado nada sobre o curso ou a peça, e não queria meter os pés pelas mãos. De novo tive que mentir, e falei que tinha esquecido que ela não tava, e ligava de um café pra ela vir bater um papo. O marido da Lili, como não me conhecia bem, engoliu a história e seguiu com a vida dele.

Não tinha volta. Tava disposta a fazer qualquer loucura. Enchi a banheira com sais aromáticos. Fiquei na água até os dedos ficarem enrugados. Ao sair, fui pro quarto escolher a roupa. Coloquei a mesma calça jeans e o mesmo suéter amarelo da primeira aula. Pra ver se o Ricardo percebia. Me maquiei como sempre, fiz um coque bem elaborado (de acordo com a cena a ensaiar) e me perfumei com gosto. dobro. Saí com o carro, antes do horário, e cheguei antes do horário. Por sorte, estava aberto. Parece que o Ricardo ia cedo pra preparar um monte de coisas.

A secretária me fez entrar e disse que o Ricardo estava me esperando lá no fundo. Atravessei o pátio com o coração acelerado e, antes de abrir a porta, respirei fundo. Ainda não eram sete horas, então encontrei ele varrendo o chão. Não dá pra negar que o cara cuidava de cada detalhe.

—Patito!… Que alegria!… Você veio cedo. –Falou surpreso, olhando pro relógio. –Como fico feliz. Que bom que você caiu em si. Você é essencial pra peça.

O filho da puta tinha voltado a ser o encantador de serpentes que era uns dias atrás. Voltou a ser o personagem cordial e didático que queria, supostamente, nos transformar em profissionais da arte dramática. Não vi nenhum traço do diretor ultra-exigente que tinha visto ontem, nem do degenerado aproveitador que ele acabou sendo. Na minha opinião, ele tava até mais gostoso. Não sei se ele se arrumou, ou se eu tava muito tarada. Na sequência, ele me olhou de cima a baixo e me abraçou, amigavelmente.

—E você vestiu esse conjunto que trouxe no primeiro dia. Ficou um arraso. Dá até pra usar em alguma cena. Seria uma sacanagem…

Ele lembrou. Lembrou do que eu tinha vestido seis meses atrás. Ou ele era um observador da porra toda, ou já tinha me fichado como uma obcecada desde o começo.

—Você lembrou. Não te escapa um detalhe. –Elogiei. –Te notei mais animado. Menos acelerado. Aconteceu alguma coisa?

—Eu teria apostado o carro que você não vinha. Tô feliz por não ter feito isso, porque teria ficado a pé. Mas, mais que tudo, tô feliz que você tomou a decisão certa.

—Beleza. Não vamos perder tempo. Quer fazer a cena?

—Com certeza. Me preparei o dia inteiro pra isso. –Respondeu Ricardo, sorrindo. Me deu um beijinho, rápido, como pra reafirmar a reconciliação.

—Vai ser igual a ontem. A mesma sequência. Vou me permitir improvisar um pouco de diálogo, pra te exigir mais. Você já sabe o que eu quero de você. Começamos em cinco minutos no sofá, desde o início.

Fui direto no cabideiro pegar o vestido preto justo. Tirei a calça jeans e o suéter, fiquei só de lingerie (branca, pra variar). Percebi como o Ricardo quebrou a própria regra de não olhar do outro lado enquanto a gente trocava de roupa. Vi ele com o copo, agora de uísque, me encarando como se tivesse ficado paralisado. Isso me esquentou na hora. Coloquei o vestido e fui sentar do lado dele no sofá.

— Pato, dessa vez tem que sair perfeita do começo ao fim. Não quero erros, dúvidas, nem besteiras. Focada até o final. Você tá preparada pra deixar de ser Pato e se transformar na Alicia?

Não sabia se ele queria dizer imersa no personagem até o final, ou que ia me penetrar até o final. Naquela altura, já não me importava mais.

— Sim. Vou te mostrar quem é a melhor atriz pra esse papel. — Respondi firme, com um tom competitivo, como se estivesse menosprezando a Lili.

— Ação!

A cena começou do jeito de sempre. Conversa rápida entre a Alicia e o velho Mário, brinde no meio. Logo depois começou a escalada. Em vez de colocar a mão na minha coxa, acima do joelho, ele passou por dentro e apertou a parte interna da minha coxa, bem perto da virilha. Seguimos a cena. Levantei ofendida e fui pra cozinha. Pulamos a parte da Alicia e do Tomás na cozinha, e a do Mário e do Tomás na sala, pelo mesmo motivo do dia anterior.

Parei na entrada da cozinha, e ele veio andando devagar. Falou a fala dele e logo me virou, me segurando pela cintura. Me levou pro outro lado da bancada, me lambendo do decote até o nariz. Me sentou na bancada e puxou a parte de cima do vestido pra baixo, liberando meus peitos. Ele se demorou amassando, chupando e beliscando meus mamilos duros. enquanto me beijava o pescoço. A cena tava se estendendo. Mas eu tava determinada a não falar nada fora do roteiro, com medo de ele ficar puto.


Aulas de Teatro para Adultos - Capítulo VI

Depois de se deliciar como um bebê de dois meses, enfiou as duas mãos por baixo do vestido, percorreu minhas pernas inteiras até chegar na cintura e encontrar minha calcinha. Deixou uma mão apertando o que dava da minha bunda, e com a outra baixou, com fúria, minha peça íntima. Agachado como tinha ficado, se ergueu de repente e jogou ela o mais longe que pôde, em cima de uma das poltronas da primeira fila. Ficou de pé bem na minha frente, e abaixou a braguilha. Tirou a pica devagar, e dessa vez, diferente do dia anterior, que eu cortei a cena antes, pude ver bem, em close. Era realmente uma porra de uma rola linda. Comprida, cheia de veias, grossa, cabeçuda. Não tenho palavras pra descrever. Brilhava de tão pronta que tava. Fiquei olhando pra ela, hipnotizada.




Depois de me mostrar, ela olhou fixo nos meus olhos, deixando claro que não tinha mais como evitar. Percebeu minha excitação ao descobri-la e resolveu me fazer sofrer de ansiedade. Enrolou a saia para cima, devagar, em vez de simplesmente levantar ou puxar, até chegar na parte de cima, que ela já tinha abaixado antes. O pobre vestido ficou como uma faixa apertada na boca do estômago, embaixo dos peitos, mas acima do umbigo. Ricardo segurou o pau com a mão pra posicionar, mas ficou esfregando a cabeça nos lábios da buceta, como se esperasse eu implorar.—Bom, senhora. O corno do seu marido me deixou fazer o que eu quiser com você. Então vou meter nessa buceta até ela desfiar.

Nem me deixou responder (coisa que eu nem ia fazer mesmo). Já tava voando de tesão e minha buceta escorria. Tremia de excitação. Ele me deu um beijo furioso e enfiou a língua até minha garganta. Na mesma hora, meteu a porra da pica, sem nenhum cuidado. Cravou até o fundo, me fazendo gozar igual uma égua no cio. Soltei um grito que tentei abafar na hora pra parecer sofrimento, mas era tudo ao contrário.

—Que bucetinha apertada que você tem, pedaço de gostosa! Quanto tempo que aquele otário não te come?

Continuei calada, respirando fundo, mesmo com vontade de gemer mais alto. Ricardo começou o vai e vem, bem suave. Tava totalmente fora do personagem, tentando me foder como manda o figurino, sem seguir o roteiro. E fez bem.

—É inacreditável que você tenha uma buceta tão apertada. Nem as xerecas das novinhas de vinte anos apertam tanto minha pica quanto a sua. Vai deformar meu pau.

Aumentava o ritmo aos poucos, ainda lento, mas metendo até as bolas. Percorria toda minha profundidade, sem deixar um milímetro de fora. Nunca tinha aproveitado uma pica desse tamanho tão fundo dentro de mim. Comecei a suar, e pelo visto Ricardo também. Nisso, ele desceu a mão pela minha barriga, passando os dedos devagar sobre os pelos pubianos, bem aparados, até chegar no meu clitóris. Tratou de apertar, torcer e esfregar pra acompanhar as estocadas. Tava gozando de um jeito que nem sabia que existia. Mas continuava me esforçando pra não gritar.

—Que puta vagabunda que você é! Nem comecei a martelar e já tá escorrendo. Vadia de merda. Olha, já comi coroas da sua idade, mas nenhuma igual a você. Vou te moer de porrada até doer, sua puta nojenta.
Dito isso, aumentou a velocidade. Começou a me comer num ritmo devastador, sem desperdiçar nem um centímetro da piroca. As bolas batiam na minha bunda com um barulho ensurdecedor, que se misturava com o som que a piroca fazia ao mergulhar na minha buceta encharcada. Tive que morder os lábios pra não gritar, porque tava alucinando de prazer. Ele beliscou meus mamilos, o que me fez tremer. Já tava, calculo, uns quinze minutos de bombada ininterrupta.


loira


—Você gosta mais assim, putinha? Hein? Gosta que eu meta bem forte? Hein? Nunca te comeu um macho de verdade, igual eu?—Não… Ah…
—Cala a boca, sua puta de merda. Eu sei que você não aguenta a vontade de gritar, mas lembra do que aconteceu ontem. Agora vou continuar te comendo até você desmaiar. Ficou claro?
—Sim… Aahh…
—A partir de agora, essa buceta maravilhosa me pertence. Vou moldá-la no formato do meu pau. Entendeu?
—Siiiiim!…
—De quem é essa buceta? Vou deixar você gritar pra me responder…
—Aaaaahhhh! É sua! Aaaaahhhhh! Só sua! Aaahhh!
—Fala alto e claro pra quem pertence essa buceta…
—Aaahhh! Pertence ao Mario!… Aaaahhhh Mario!… Meu único macho!… Aaahhh!

Eu ferrei com ele. Deixei claro que, apesar do prazer infinito que ele tava me fazendo sentir, eu ainda não tinha caído na armadilha. Mas já não aguentava mais. Tava prestes a ter um orgasmo infernal, e Ricardo sabia disso. O suor escorria pelo meu corpo todo.

—Beleza, puta. Você não só fode como uma gata no cio. Também é obediente quando quer. Viu que não era tão difícil? Você é uma puta de luxo. Vai me fazer gozar um tsunami de porra.
—Aaaaaaahhhhhhhh!!… Dentro não… Aaahhh!! Aaahhh!!… Por favor… Aaahhh!!

A cara do Ricardo mudou quando eu falei isso. Ele diminuiu a velocidade das estocadas e me olhou como se fosse me matar. Na hora percebi que tinha pisado na bola. Tudo que eu tinha me convencido a fazer, jogado no lixo. Tava indo bem e estraguei tudo.

—Tá bom, puta linda. Sem problema. Não vai faltar oportunidade. Dessa vez vou te atender. Na próxima, você não escapa. —Disse Ricardo com autoridade.

Contra todas as expectativas, ele continuou a foda em silêncio. Já era, de longe, a transa mais duradoura da minha vida inteira. Não sabia que existiam homens capazes de dar tanto prazer por tanto tempo. Ricardo acelerou ainda mais as últimas investidas, e me beijou lascivamente no exato momento em que me levou ao clímax. O orgasmo que eu tive não me deixou ouvir direito as últimas palavras, nem o gemido que soltou quando gozou. Quis gritar, mas não saía voz. Foi tão intenso que me deixou muda, com a respiração ofegante. Não consigo lembrar direito dos trinta segundos entre eu gozar e acordar (por assim dizer) na mesma posição em que tinha ficado. Acho que nesse tempo, ele deve ter gritado “Corta!”. Olhando pra trás, ele tinha razão: me comeu até eu desmaiar.

Quando voltei à realidade, Ricardo já tinha sentado no sofá, com os braços esticados no encosto, os pés na mesinha de centro, e olhando pro céu, como se procurasse Deus pra contar o que tinha acabado de mastigar. Respirava pesado, e tava com a cara vermelha. Sem me olhar, me deu uma avaliação de desempenho em termos técnicos.

— Que puta foda, filha da puta! Nunca gozei tanta porra. Você me ordenhou igual uma vaca leiteira. Ufff!… Coisa de maluco. Que jeito de trepar.

Instintivamente, me toquei a buceta pra ter certeza de que tinha cumprido. Era um pântano, mas não tinha sinal de que ele tinha gozado dentro. Não posso dizer o mesmo da minha barriga. Quando tirei a mão, senti o antebraço grudento, e ao olhar vi a minha pança toda lambuzada de esperma, e partes do vestido manchadas. Peguei um pano de prato pra me limpar antes de me mexer e não deixar o chão um chiqueiro. Ricardo via tudo isso do sofá, saboreando os últimos goles do copo de uísque.

Quando terminei, ele deu um tapinha no assento do sofá, pedindo pra eu sentar do lado dele. Ajeitei o sutiã, desenrolei a parte de baixo do vestido, e sentei ao lado dele. Apoiei a cabeça no ombro dele e a mão no peito dele, e ele me abraçou com uma mão. Acendeu um cigarro e me ofereceu uma tragada. Aceitei de boa, mesmo nunca tendo fumado. A puta foda que a gente tinha dado merecia. Ele acariciou minha coxa, e me deu um beijo longo, enternecedor, coisa que em quase vinte anos de casamento com meu marido nunca Tinha acontecido. Tava me fazendo sentir algo que nem nas minhas fantasias mais loucas eu tinha experimentado.

— Você é uma gênia. Você é uma deusa. Eu sabia que você era melhor atuando, e transando, do que a Lili. Você me deixou seco. E ainda por cima teve a lucidez de continuar no personagem. Nem com todas as cantadas que eu te joguei.

— Tive o melhor professor. — Falei, sorrindo.

— Hehe. Espero que tenha ficado claro que vamos continuar ensaiando, com esse mesmo nível de detalhe, as cenas de sexo. A essa altura, já não podemos voltar pra simulação.

— O que o senhor disser, seu diretor. Tô às suas ordens.

— Olha como você passou da rebeldia pra disciplina. Bom. Melhor assim. Vamos fazer o seguinte: Se você precisar ir ao banheiro, usa o da secretária, já que ela foi embora. Depois vem que eu preparo uns mates e a gente conversa um pouquinho.

Atravessamos o pátio, o Ricardo ficou na cozinha, preparando o mate, e eu fui pro banheiro da secretária, que ficava do lado oposto da cozinha. Não tinha chuveiro, então tive que usar a torneira da pia pra lavar o corpo todo, mas especialmente o rosto, que ainda tava vermelho. Arrumei o cabelo e voltei pro cenário. O Ricardo já tinha o termo e o mate na mesinha de centro. Sentei do lado dele de novo, e ele me passou um mate.

— Como você tá se sentindo? — Ele me perguntou carinhosamente.

— Nas nuvens. Me belisca, pra ver se não é sonho.

— Você mereceu por ter seguido firme até o fim. Mesmo que você tenha me feito gozar mais rápido que o normal. Você é única. Não vejo ninguém que possa interpretar a Alicia como você vai fazer.

— Nossa, a putinha. Que horas são? — Perguntei apressada, pensando que a Lili, o Jorge e o Daniel iam chegar a qualquer momento.

— Sete e vinte. Fica tranquila. Temos vinte minutos pra ensaiar outra cena. O que acha?

— Bom, se você me propõe assim, aceito. — Respondi brincando.

— Beleza. Vamos fazer a cena da piscina.

— Essa eu não tenho que fazer com o Jorge? — Perguntei.

— Você acabou de dizer que eu sou o melhor professor, e agora quer me abandonar. Que feio o seu lance…

—Não, mestre — falei com voz fina, feito uma bebada. — Faço o que o senhor mandar.

—Beleza. Troca de roupa como manda o roteiro. Daqui a dez minutos vem pra mesa de sinuca que a gente começa.

Quando me levantei, ele segurou minha mão. Parei, e ele ficou de frente pra mim. Ficou sério.

—Vou abrir uma exceção e deixar passar a cagada do final. Vou fingir que não foi o que eu suspeito, porque dá pra encaixar na cena de boa, e não fica ruim.

—Mas, Ricar…

—Shhh. Deixa eu terminar. Vou considerar como um improviso, e sendo assim, te parabenizo. Você acrescentou algo à cena, espontaneamente, e achei foda. Leva isso em conta pra cena que a gente vai fazer agora, e fica claro que uma coisa é improvisar, outra é interromper.

—Te pedi pelo amor de Deus pra não gozar dentro porque nessa altura não posso correr risco. Me desculpa se não tomo pílula nem tô acostumada com outros métodos há mais de vinte anos. E se você me engravida…

—Ou seja, você quis cortar a cena, igual ontem.

—Não, Ricardo, me entende…

—Entendo seu problema. E considera que eu falei e repeti que vou abrir uma exceção. Por sua causa, porque você mereceu. E vou classificar como uma contribuição pro personagem, repito, que ficou excelente naquele contexto. Tá tudo certo. A única coisa que espero é que você leve isso em conta pras cenas seguintes, porque elas têm uma margem pra improviso. São mais longas e mais variadas, então não é ruim você acrescentar coisinhas externas, desde que não saiam da trama. Pela última vez: não confunde uma coisa com a outra.

—Tá bom. Se você diz…

—Dito isso, vamos trabalhar. Vai trocar o vestido, você já sabe qual pegar, e daqui a dez minutos te espero na mesa de sinuca.

Fui até o cabideiro e peguei o vestido certo. Mesmo ele tendo dito aquilo com uma indireta de reprovação, entendi o recado que ele queria passar. Me propusé ensaiar a cena da piscina e sair de uma vez, só pra calar a boca do Ricardo e ele parar de me encher o saco com essas interrupções do caralho. Na minha cabeça, isso já tava resolvido. Agora eu tinha que mostrar talento pra outra coisa, mas não era o que eu tava pensando.

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