Saída de gostosas

Quando conheci o Tomy no primeiro ano da faculdade, achei ele atraente, não vou negar, mas tinha algo no jeito dele, na atitude, que me dava desconfiança. Talvez o nome. Na minha opinião, o nome Tomás tem uma conotação super masculina, bruto, forte… mas Tomy já tem uma conotação totalmente gay.

Ele era muito tímido, bom, ainda é. Quando a gente vai pra uma festa, ele nunca é o centro das atenções, é uma pessoa muito submisso e tímido. Pode passar a noite inteira num canto sem falar com ninguém. Uma vez ele me contou que grupos dão uma espécie de fobia nele. Um medo de palco.

Rapidinho a gente começou a namorar, éramos dois adolescentes de 18 anos, não tínhamos amadurecido, mas estávamos vivendo nossa experiência de ser adultos. O Tomy alugava um apartamento perto da faculdade, na Avenida Córdoba, a poucas quadras da universidade. Eu, por outro lado, morava com meus pais.

O relacionamento foi muito bom, mas nos dois anos seguintes, devo dizer que eu amadureci mais rápido que ele. Sempre falam isso das mulheres, e te garanto que é verdade. O Tomy se contentava em ir no McDonald's aos sábados e depois ir pra casa dele transar. Algumas noites a gente saía pro cinema, quando tinha grana, e sempre nossos encontros terminavam cedo no apartamento dele. Depois de alguns meses, eu me sentia entediada, presa, me apavorava o que viria. A gente já ia fazer 21 anos e eu tinha medo que continuasse assim… imaginar essa rotina por mais 10 anos me aterrorizava… ter filhos, casar, não gostava da ideia.

Eu queria viver minha vida, era uma mulher jovem, gostosa, e sabia que podia ter qualquer homem que quisesse. Por outro lado, ele gostava da estabilidade, nada de desejos ou fantasias. Tudo era muito baunilha com ele.

Quando eu saía com minhas amigas, a gente ia pra bares em Palermo. Os homens chegavam em nós, conversavam, e mais de uma vez alguma amiga foi com um deles passar a noite. Eu não podia fazer isso. Me sentia culpada. Mas a sensação me agradava. Talvez porque o Tomy parecia muito feminino e submisso. Era novo, pele de porcelana, nem uma ruguinha, nenhum fio de cabelo branco, claramente com seus 20 anos parecia mais um guri do que um homem. Nunca me comia com força, nunca se impunha.

A gente tava naquele ponto onde eu queria experimentar, mas não sentia que era recíproco. A coisa mais ousada que fizemos foi ver uns filmes pornô na internet. Ele nunca tentou comer meu cu.

Eu duvidava cada vez mais se ele era gay. Uma noite perguntei pra ele. Ele ficou uns segundos em silêncio e disse que não. Que nunca tinha ficado com um homem.

Numa sexta, depois de sair com minhas amigas, cheguei na casa dele muito tarde, umas quatro da manhã, fui dormir com ele e de manhã a gente teve uma briguinha de casal. Aparentemente ele tava com ciúme porque cheguei tarde e me diverti demais. Ele fazia perguntas inquisidoras: O que eu fiz ontem à noite? Se algum homem tinha dado em cima de mim? Se eu tinha ido com outro? Pra encerrar a discussão, falei que se ele queria saber como era uma saída de garotas, eu cuidava disso.

Na quinta-feira seguinte a gente não tinha aula à noite, então falei pro Tomy que ao cair do sol a gente ia ter uma saída de garotas só nós dois. Ele não entendeu a ideia, mas meu olhar confirmou. Você e eu vamos ter essa saída.         O que você tem planejado pra hoje?" – ela me perguntou quando terminamos de jantar.         Vai tomar banho agora que a gente vai sair daqui a pouco.
Saiu do banho de cueca, pronto pra se vestir, quando vi ele, eu parei.         Pra ser um rolê de mina, tu tem que ser mina.
Eu me olhei surpreso. Repeti o que acabava de falar e completei:
         Quero que você depile as pernas e vista a roupa que está em cima da cama.
Eu tinha preparado uma minissaia jeans e uma camiseta decotada que eu usava. Tomas era tão magro que minha saia e camiseta serviriam sem problemas. O mais interessante é que, junto com essas roupas, tinha um par de meia-calça cor da pele e uma calcinha fio dental vermelha.
Com esse visual, dava pra usar um tênis, não precisava de sapato feminino.         É sério isso? Não vou usar isso – gaguejo.         Claro que sim. Hoje à noite você não é meu namorado. É minha amiga. Além disso, me excita um pouco te ver de mulher.

Ele obedeceu. Como sempre. Falei no começo que a personalidade dele era bem submissa. Então em 30 minutos já estava vestido e maquiado com um batom vermelho bem suave. O cabelo dele, médio, liso e escuro, bem penteado.

Por volta das 22h saímos do apartamento e pegamos um táxi. Essa foi a prova de fogo. O taxista ficou inexpressivo, acho que pensou que era uma garota. Ele só ficou calado e, ao descer, eu paguei o táxi. Acho que ele estava meio envergonhado, mas seguiu em frente.

Sentamos numa mesa de canto no bar. A música tocava num volume aceitável e a pouca luz ajudava. Tomy estava calado, não falava muito, mas isso não era um mau sinal.         Olha que gostoso aquele cara, o de camisa no balcão - comentei         Você é minha namorada, não precisa ficar olhando pra outros caras e me falando que ele é gostoso.         Hoje somos duas garotas, eu sou só sua amiga. Não queria uma noite de garotas? Aguenta aí. Se não se comportar como uma garota, nossa relação acaba – falei em tom imperativo.         E aí, como é que eu me chamo hoje? Digo, qual é o meu nome feminino?         Anabella — falei sem pensar muito. Isso não importava.
Depois de um tempo, dois caras chegaram perto da gente.         Podemos sentar?         Sim, pode deixar — respondi enquanto aproximávamos as cadeiras         Com o Nico, a gente tava olhando pra elas e não sabia se chegava junto.         Não mordemos – falei, sorrindo.         Bem, se morderem, não me importaria — comentou o loiro.         Meu nome é Nico e meu amigo Alejandro – eles se apresentaram         Eu sou a Tânia e ela — enfatizando o pronome feminino — é a Anabella.
Nico era o cara que estava no balcão, vestindo uma calça jeans e uma camisa branca. O cabelo dele não era muito curto, cacheado e loiro, tinha olhos verdes e algumas sardas no rosto que caíam muito bem. A camisa dele estava bem aberta, deixando à mostra os pelos do peito e dos braços, o que dava um aspecto bem másculo, totalmente o oposto do meu parceiro.
Alejandro era moreno, de pele escura, olhos pretos, magro, alto e dava pra ver que era um pouco mais bruto. Ele sentou do lado do Tommy (desculpa, Anabella) e o Nico sentou do meu lado.

Tommy não falava muito, mas o alter ego dele, Anabella, era diferente. Era livre. Ela começou a conversar abertamente com o Alejandro.         Nunca estive com um travesti — comenta Alejandro, sem nenhum rodeio.         Femboy         O quê?         Os caras que se vestem de mulher pra experimentar não são travestis, são chamados de femboy. É só uma fantasia por um tempo. Depois eu volto a ser homem — comentou Anabella.
Fiquei surpresa. O Tomy tava mandando muito bem no papel de Anabella. Isso me deixou com um tesão danado.
O Nico falava cada vez mais perto da minha boca, talvez porque não dava pra ouvir direito, mas o hálito dele me agradava. Por enquanto, Anabella me olhava, surpresa. Naquela noite eu me soltei. O Nico colocou a mão na minha perna e eu virei o rosto pra ver meu namorado, depois virei o olhar devagar (pra ele ver o que ia rolar) e beijei o Alejandro.
Um segundo depois, o Tomy me puxa pelo ombro e fala:         Precisamos conversar.         Não. Hoje vamos nos divertir pra caralho — falei, lembrando ela do lugar dela na relação.         Tá passando a mão na minha perna e quer me beijar na boca — o Tomy me falou no ouvido.         Experimenta coisas novas. Hoje você vai transar com o Alejandro — respondi no ouvido dela.

Nico me beijou apaixonadamente enquanto a mão dele acariciava minha perna. Num momento em que pegou o copo pra beber, vejo de lado o Tomy se beijando apaixonadamente com o Alejandro. Não podia acreditar. Aquilo me excitava. Não conseguia tirar os olhos do meu namorado travesti com outro homem.         Você gosta de olhar?" – perguntou Ale enquanto segurava meu rosto nas mãos.         Sim. Pra ser sincero, sim. Isso é novo.         Que tal se a gente for os quatro pra outro canto?" - disse Ale         Sim – respondi Anabella, para minha surpresa.
Saímos do bar os quatro e entramos num táxi.

— Continua...

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