Atrapada sin salida

Atrapada sin salidaCapítulo 49 O ar fresco da tarde de 18 de dezembro de 2010 envolvia La Ceiba, Honduras, com uma brisa incomum para a costa atlântica, onde o clima tropical costumava ser quente mesmo no inverno. Elisa Heredia, recém-declarada esposa de Gerson Moncada em uma cerimônia civil no fórum, seguia agora em um carro enfeitado com flores brancas em direção à igreja Nossa Senhora de Guadalupe, uma paróquia modesta mas querida no coração de La Ceiba. Seu vestido de sirene, justo e revelador, marcava sua barriga de oito meses, e a maquiagem extravagante — sombras escuras e batom vermelho carmim — a fazia se sentir mais como uma figura de espetáculo do que como uma noiva. O coque alto que sustentava seu véu ondulava levemente com o ar que entrava pela janela entreaberta, e o xale branco que cobria seus ombros mal aliviava o frio, tanto externo quanto interno. Aos olhos do povo, ela era a noiva do ano. Aos seus próprios olhos, era uma impostora. Uma mulher grávida, excomungada da graça social, caminhando de salto alto para um altar que não havia pedido. Zulema, sua cunhada, dirigia o carro, soltando piadas com seu sotaque hondurenho cantado. “Olha, Elisa, você ainda está com essa cara de boba pelo Gerson! Esse smoking faz ele parecer um galã de novela!” Elisa, em um tom suave, apenas murmurou: “Ai, Zulema, me deixa em paz,” mas sua mente estava em outro lugar. Elisa olhava pela janela o desfile de cores tropicais e casas caribenhas que pareciam mais festivas do que ela mesma. Sua mente flutuava longe, no tempo, em Calvillo. Aos 18 anos ela também vestiu branco. Tomás Almada a esperou com um sorriso que era toda promessa. Hoje, ele já não estava... Não por decisão própria. Porque ele sim a procurou, a perdoou, a aceitou grávida de outro homem. E, no entanto, foi ela quem não voltou. Porque escolheu o que acreditava ser justo. Porque pensou em Minor. Porque não podia arrastar Tomás para o ridículo de ser o corno resignado de Calvillo. Mas o preço era este: Subir a um altar com o corpo inflamado de culpa e de vida, com as mãos frias e o coração dividido. A igreja apareceu no horizonte como um monstro branco de paredes simples e olhar público. Mais de quinhentas pessoas se aglomeravam nos arredores. Elisa estremeceu. Quis gritar que não queria entrar. Que aquilo não era amor, era a penitência que tinha que pagar. Dona Caridad, sentada atrás, murmurou um lacônico “Amém” como bênção disfarçada, enquanto ajustava o véu com uma rigidez quase militar. Enquanto o carro avançava pelas ruas de La Ceiba, passando por casas coloridas e palmeiras que balançavam com a brisa. O futuro a assustava. Como seria sua vida com Gerson, um homem que ela mal conhecia, além daquela noite embaçada orquestrada pela traição de Marisa Céspedes? Lembrou-se da culpa daquela infidelidade acidental, quando Marisa deslizou algo na sua bebida, levando-a aos braços de Gerson e a esta gravidez inesperada. Agora, casada no civil e prestes a receber uma bênção religiosa, perguntava-se se poderia construir uma relação real com ele. Gerson, com seu carisma e seu corpão que a tinha deixado atordoada no fórum, parecia comprometido, mas será que seria um bom marido? Um bom pai para o bebê que vinha? Elisa imaginou os próximos meses: o nascimento do seu filho, as noites sem dormir, os olhares dos vizinhos em La Ceiba sussurrando sobre a “mexicana recém-divorciada que se casou grávida”. Mas, acima de tudo, pensou em suas filhas, Paola, Beatriz e Nina, que não estavam ali, em solidariedade ao pai, Tomás Almada. A dor da ausência delas era uma ferida aberta. Paola, com 21 anos, Beatriz com 19, quase a mesma idade que Elisa tinha quando se casou com Tomás, e Nina de 16… será que a perdoariam algum dia? As garotas, com seus diferentes matizes, entenderiam que sua mãe não quis trair o pai? Será que seria possível, ou cresceriam ressentidas por este novo capítulo? Elisa se imaginou tentando falar com elas, explicando-lhes a verdade sobre aquela noite, sobre como Marisa a manipulou. Mas será que acreditariam nela? O futuro com suas filhas parecia frágil, como se um único passo em falso pudesse romper o laço que ainda as unia. No entanto, ela também sonhou com um dia em que as três a abraçassem novamente, aceitando o bebê e, talvez, com o tempo, o Gerson. O futuro também trazia perguntas práticas. O casamento civil lhe garantia benefícios legais para o bebê: um pai reconhecido, direitos de herança, estabilidade financeira. Mas a cerimônia religiosa que estava para começar era uma tentativa de apaziguar as fofocas, de mostrar à comunidade de La Ceiba que, apesar de tudo, ela buscava a bênção de Deus. Elisa sabia que os murmúrios não parariam. Numa cidade pequena como La Ceiba, onde todos se conheciam, sua história — a mexicana divorciada, a gravidez, o casamento apressado — seria o assunto nas esquinas e nas igrejas. Mas no seu coração, ela ainda acreditava que podia se redimir, não perante os outros, mas perante suas filhas e perante si mesma. Quando o carro se aproximou da igreja, Elisa perdeu o fôlego. A paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, um prédio branco com uma torre simples e buganvílias no jardim, estava cercada por uma multidão. Mais de 500 pessoas enchiam os bancos da igreja, e lá fora, dezenas se amontoavam, incapazes de entrar. O murmúrio das vozes com sotaque hondurenho era ensurdecedor, uma mistura de curiosidade, celebração e fofoca. Elisa sentiu um nó no estômago. Ela esperava uma cerimônia íntima, mas aquilo era um espetáculo. Seu vestido justo, sua maquiagem escandalosa e sua barriga visível a faziam se sentir vulnerável, como se estivesse nua diante de todos os olhares. Ela desceu do carro com as pernas trêmulas, agarrando o xale como se ele pudesse protegê-la dos olhares. Dona Caridade, com seu tom severo, interveio: “Ignora eles, Elisa, você se concentra na bênção.” Mas Elisa mal conseguiu responder. Mas era impossível ignorar os olhares, os sussurros, a sensação de ser o centro de um escândalo. Ela pensou nas filhas, ausentes por lealdade a Tomás. Se elas estivessem aqui, o que pensariam ao ver a mãe assim, exposta diante de uma multidão que parecia mais interessada no corpo dela do que no seu compromisso? Os murmúrios da multidão a envolviam, e enquanto avançava em direção à entrada da igreja, ouviu fragmentos que a fizeram corar e estremecer. Homens na multidão, com vozes baixas mas audíveis, cochichavam sem pudor: Os comentários a atingiam como punhais disfarçados de elogios: —“Que gostosa tá a noiva, véi!” —“Até grávida tá uma delícia!” —“Que raba, mano!” Elisa engoliu em seco, sentindo-se suja, disfarçada de pureza. Seu vestido justo, os seios quase saltando, o bumbum bem desenhado sob o tecido branco, eram o centro da morbidez. “Olha que gostosa tá a noiva!” “Essa raba é de campeonato, véi!” “Que corpão, mesmo grávida!” As palavras, cruas e típicas do ambiente descontraído de La Ceiba, a atingiram como agulhas. Queria desaparecer, afundar no chão. Seu vestido, que marcava cada curva e sua barriga, não ajudava. Sentia-se exposta, julgada, reduzida a um objeto de desejo em vez de uma noiva. Zulema, percebendo sua rigidez, tentou aliviar o momento. “Hahaha, Elisa, não vem com essa, você tá causando sensação!” disse, dando-lhe uma cotovelada. Mas Elisa, com a voz embargada, murmurou: “Não tem graça, Zulema.” —Ai, não seja amargurada! O Gerson é louco por você! Ela não era uma noiva. Era um espetáculo. Zulema, ajudando-a a ajustar o véu, não perdeu a oportunidade. “Olha, Elisa, de novo com essa cara de apaixonada! Hahaha, não vem com essa!” Elisa, corando, respondeu: “Zulema, por favor!” mas uma pequena parte dela se perguntava se, com o tempo, essa atração poderia se tornar algo mais profundo. Gerson a esperava na entrada, para calar os comentários. Alto, imponente, com o smoking negro abraçando seu torso atlético e o sorriso brilhando sob o sol caribenho. —Minha rainha, você está linda! —ele disse. E sim, ele era gostoso. Era irresistível. O olhar faminto dele a queimava por dentro, e a gravidez não impedia que seu corpo reagisse. Mas Elisa não era só carne. Era história, mãe, mulher. E uma parte dela não parava de chorar por Tomás. Gerson a pegou pelo braço, e juntos entraram na igreja, o murmúrio dos convidados se apagando atrás deles. Dentro da igreja, o ambiente era mais quente, com o cheiro de incenso e as velas acesas no altar. Os bancos, lotados, estavam decorados com flores brancas, e a luz suave dos vitrais criava um contraste com o frio lá fora. Gerson a guiou até o altar, onde o padre os esperava. Os murmúrios continuaram, mas se atenuaram sob o peso da solenidade. Elisa, ainda tremendo, sentiu o aperto da mão de Gerson. Por um momento, a presença dele a ancorou. Lembrou-se do beijo no fórum, o smoking impecável dele, e se perguntou se, no meio desse caos, poderia encontrar algo real com ele. O padre abriu os braços com solenidade. Seus olhos percorreram o casal diante do altar, e depois o público expectante que lotava a igreja. O padre começou a cerimônia, sua voz ecoando na igreja cheia. “Queridos irmãos, estamos reunidos para abençoar a união de Elisa e Gerson, que hoje formalizaram seu matrimônio perante a lei e agora buscam a bênção de Deus.” O padre começou a proferir algumas palavras, lendo as sagradas escrituras. Elisa fechou os olhos, tentando bloquear os olhares das 500 pessoas presentes. Pensou no futuro: no seu bebê, nas suas filhas, nas fofocas que a seguiriam em La Ceiba. Mas também imaginou um dia em que tudo isso seria apenas uma lembrança, um capítulo doloroso que a levou a algo melhor. Com um suspiro, prometeu a si mesma seguir em frente, pelo seu filho, pelas suas filhas, e pela mulher que ainda queria ser. A igreja do bairro em La Ceiba estava banhada pela luz que se filtrava através dos vitrais, projetando lampejos de cores sobre o altar dourado. Elisa, em pé diante do padre Luis, sentia o peso do vestido branco corte sereia que Gerson tinha insistido que ela usasse. O rendado justo abraçava seu ventre de oito meses, onde Minor se mexia inquieto, e o véu longo caía sobre seus ombros, preso por uma tiara brilhante que cintilava sob as luzes. Suas mãos, segurando um buquê de flores rosas e brancas, mostravam um anel dourado que brilhava em seu dedo, um símbolo de seu novo compromisso. Gerson, ao seu lado, media 1,98 m, sua figura imponente em um terno preto com gravata borboleta, uma flor branca na lapela, e um anel dourado idêntico em sua mão. Elisa, com seus 1,50 m, se sentia pequena ao seu lado, não só em estatura, mas em seu coração, onde a culpa e a nostalgia pesavam como uma lápide. Cada palavra do padre Luis ressoava como um lembrete de sua fé católica, das regras que ela havia quebrado. Casar-se de branco, estando grávida, era um escândalo, e ela sabia. Podia sentir os olhares dos presentes — vizinhos, alguns curiosos — carregados de morbidez, sussurros que imaginava sobre seu ventre arredondado, seu vestido branco, sua ousadia. Mas o que mais a machucava eram os olhares luxuriosos dos homens, que não conseguiam evitar percorrer seu corpo. O vestido, justo como Gerson queria, destacava sua bunda, que parecia grande e definida, e seus peitos, agora tamanho duplo F por causa da gravidez, pareciam prestes a transbordar o rendado. “Meu Deus, me perdoe,” pensou, seu rosto ardendo de vergonha. Aos 40 anos, grávida, se sentia exposta, longe da mulher que havia sido aos 18, quando pesava 45 kg e se casou com Tomás, radiante de inocência e sonhos. A memória de seu primeiro casamento a atingiu com força. Aos 18, ela havia caminhado até o altar em Calvillo, magrinha, com um vestido branco simples que refletia sua pureza. Tomás, seu primeiro amor, a havia olhado com devoção, e suas filhas — Paola, Beatriz e Nina — ainda não existiam para complicar seu mundo. Agora, aos 40, grávida de Minor, o vestido branco que Gerson escolheu parecia uma mentira. “Eu não sou essa garota,” pensou, sua mão apertando o buquê com mais força. Ela ansiava pelo corpo de antes, quando se sentia leve, livre dos olhares que agora a despiam, livre da culpa que apertava seu peito. Seus seios e sua bunda, tudo nela parecia gritar sua condição, seu pecado, e a morbidez que despertava a fazia querer desaparecer. Gerson, alheio à sua tormenta interna, pegou sua mão, seu anel dourado roçando o dela. “Você está linda,” sussurrou, seu tom neutro mas sincero, sua altura projetando uma sombra protetora sobre ela. Elisa forçou um sorriso, sentindo-se ainda menor sob seu olhar. Queria acreditar nele, queria sentir que este casamento era um novo começo, mas a culpa e o passado não a deixavam. Ela tinha aceitado tudo isso por Minor, para dar a ele um lar legalmente unido, mas cada decisão — o casamento apressado, o vestido branco, a cerimônia na igreja — a fazia sentir que traía sua fé, sua história, a si mesma. Agora; Elisa estava esplêndida; seu corpo, transformado pela gravidez, destacava-se com curvas mais pronunciadas. Sua bunda e seus seios, mais volumosos do que nunca, atraíam o olhar libidinoso de Gerson, que mal conseguia conter sua admiração. Em seu vestido de noiva branco, corte sereia que abraçava sua gravidez, Elisa parecia um anjo. Gerson, vestido com um smoking elegante, não conseguia tirar os olhos de seu rosto redondo, finamente maquiado, nem de sua figura, que o fazia sonhar acordado com a lua de mel, ansioso para explorar cada centímetro de sua amada. Seu amor por ela, profundo e apaixonado, se intensificava a cada olhar. Elisa e Gerson haviam decidido se casar antes do nascimento de seu filho, impulsionados pela ilusão de que seu pequeno chegasse ao mundo no seio de uma família unida, abençoada por Deus. No dia do casamento, Elisa estava profundamente emocionada, embora carregasse um peso no coração. Ela tinha rompido toda relação com sua família, e O ódio do seu ex-marido Tomás doía imensamente. No entanto, quando ouviu o padre pronunciar seus nomes, ela sentiu um impulso de coragem para dar um passo à frente e construir um novo capítulo ao lado de Gerson. Dentro do templo, o murmúrio se acalmou. As flores brancas, o incenso, a voz profunda do padre Luis envolveram o ambiente em solenidade. Elisa avançou em direção ao altar, cada passo uma condenação. O peso do vestido. O suor nas costas. A alma rachada. O padre, com voz solene, começou a cerimônia: O padre abriu os braços com solenidade. Seus olhos percorreram o casal diante do altar, e depois o público expectante que lotava a igreja. O padre ergueu a voz, marcando o momento mais solene do ritual. Padre: — Maria Elisa e Gerson, vocês vêm contrair matrimônio sem serem coagidos, livre e voluntariamente? — Sim, viemos livremente — responderam ambos em uníssono, suas vozes tremendo levemente. Mas a voz de Elisa tremeu como uma corda esticada prestes a se romper. Elisa baixou o olhar e, por dentro, uma pontada a dilacerou. Um soluço abafado fechou sua garganta. A imagem de Paola, sua filha mais velha, apareceu nítida: braços cruzados, testa franzida, os lábios apertados em um gesto de desilusão. "Não me olhe assim, meu amor… não consegui suportar o peso de voltar derrotada. Preferi carregar outra cruz." Gerson entrelaçou seus dedos com os dela, e os apertou com força. Aquele contato a ancorou. A sustentou. Padre: — Vocês estão decididos a se amar e respeitar mutuamente, seguindo o modo de vida próprio do matrimônio, por toda a vida? — Sim… sim… estamos… decididos — respondeu Elisa, afogada em lágrimas, a voz quebrada como sua vontade. Elisa baixou o olhar, e suas pernas fraquejaram. Por um instante, pensou que desabaria. Gerson soltou sua mão apenas para colocá-la sobre sua barriga. O toque foi quente, amoroso, firme. Minor chutou com força. E por um instante, toda a dor pareceu se calar. Elisa respirou fundo. O altar parou de girar. Elisa olhou para Gerson. Seus olhos a seguravam com firmeza, com aquele deseho teimoso e confiante que a tinha arrastado até ali. Mas sua mente foi para Beatriz, a de personalidade forte. "Minha love, você sim gritou o que pensava. Disse que eu estava ficando louca, que estava destruindo o que restava da família. E talvez você tivesse razão… Mas eu não soube como voltar sem virar uma sombra de mim mesma." Padre: —Vocês estão dispostos a receber de Deus, de forma responsável e amorosa, os filhos, e a educá-los segundo a lei de Cristo e de sua Igreja? Elisa levou uma mão ao peito, como se as palavras fossem facas. Nina, sua filha mais nova, veio à sua mente com um sorriso triste. "E agora o que vou te dizer, filha? Que me casei longe? Que fiz isso para não te julgarem? Para que seu pai não vivesse como um mártir por minha causa?" E olha só pra mim agora, me casando longe de você As lágrimas começaram a correr com mais força. Elisa tentou enxugá-las, mas foi inútil. Ela tremia. Arfava. Gerson, sério, a abraçou sem se importar com a solenidade do momento. Sussurrou para ela: —Estou aqui. Com você. Estamos indo bem. Antes de continuar com os votos, o padre parou. Seu rosto ficou severo, e ele falou com franqueza: Padre: —Maria Elisa e Gerson, devo lembrá-los que a Igreja ensina que os filhos devem ser concebidos dentro do santo matrimônio, como fruto do amor abençoado por Deus. Vocês conceberam antes deste sacramento. É um pecado. Elisa engoliu em seco. Sentiu todo o templo girar. Elisa rompeu num choro mais intenso. Algumas damas de honra pensaram em se aproximar. Dona Caridad, do seu banco, balançou levemente a cabeça em negação. Zulema, engolindo em seco, murmurou: —Deixem ela. Ela está nascendo de novo. Padre (continuando): —Mas nosso Senhor Jesus Cristo, que perdoou na cruz, também perdoa os pecados nascidos da dor humana. Se há amor verdadeiro, se há arrependimento, também há redenção. Deus abençoe esta criança, fruto de um amor que hoje se consagra ante seu altar. Me alegra profundamente que seu filho nascerá como fruto de uma união selada diante de Deus, no sacramento do matrimônio. Que esta criança seja uma bênção para vocês e um testemunho da graça redentora de nosso Senhor. As lágrimas jorraram, imparáveis. E foi então que o rosto de Tomás apareceu em sua memória. O olhar sofrido do homem que um dia a amou sem condições. "Tomás… você foi meu lar, meu companheiro, o pai das minhas filhas. Me perdoou, me esperou… e ainda assim, eu o deixei. Não porque não o amasse. Mas porque não pude exigir que carregasse esta cruz. Você merecia algo melhor do que minha vergonha. E eu… não soube como voltar." Gerson apertou sua mão, notando como Elisa tremia. O padre prosseguiu com a cerimônia: Padre: —Assim, pois, já que desejam contrair santo matrimônio, unam vossas mãos e manifestem seu consentimento diante de Deus e de sua Igreja. Gerson ergueu o queixo de Elisa, com ternura. Ela o olhou, os olhos inchados, mas presentes. Gerson tomou suas mãos com firmeza. Elisa fechou os olhos. Um lampejo: don Jacobo Heredia, seu pai, com seu terno de linho em Calvillo, orgulhoso no dia de seu casamento com Tomás. Dona Eloísa, penteando-a com esmero, dizendo-lhe “A pureza não está no vestido, filha. Está na alma.” "Perdão, mamãe. Perdão, papai. Não sou a filha que esperavam." Gerson: —Eu, Gerson, te quero a ti, Maria Elisa, como esposa, e me entrego a ti, e prometo ser-te fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na doença, e assim amar-te e respeitar-te todos os dias da minha vida. Elisa: —Eu, Maria Elisa, te quero a ti, Gerson, como esposo, e me entrego a ti, e prometo ser-te fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na doença, e assim amar-te e respeitar-te todos os dias da minha vida. (te amo, Tomás. Me perdoa…) Gerson acariciou novamente sua barriga. Minor chutou de novo. E Elisa, entre lágrimas, voltou à realidade. Gerson: —Maria Elisa, você quer ser minha mulher? —Sim, quero —respondeu ela, com a voz entre cortada. Elisa: —Gerson, você quer ser meu marido? —Sim, eu quero —afirmou ele, com o olhar ardente. Gerson: —Maria Elisa, eu te recebo como esposa e prometo te amar fielmente por toda a minha vida. Elisa: —Gerson, eu te recebo como esposo e prometo te amar fielmente por toda a minha vida. O padre estendeu as mãos sobre uma pequena bandeja de veludo branco. —Abençoa, Senhor, estas arras e estas alianças, a recebo… e te entrego também estas arras, Elisa. Prometo cuidar de você, do nosso filho… e se Deus quiser, de muitos mais. Você me deu mais do que jamais sonhei em ter: uma família, uma mulher corajosa… uma razão para ser melhor. Zulema se aproximou com passos firmes, carregando a caixinha dourada com as treze moedas. Ao seu lado, dona Caridade trazia as alianças envoltas em uma fita branca. Ambas as colocaram com delicadeza sobre o altar. Elisa pegou as arras primeiro. Suas mãos tremiam. Gerson recebe estas arras… são símbolo dos bens que compartilharemos. Não tenho muito para te dar, exceto meu coração, meu corpo transformado, e um filho a caminho. Mas prometo que nunca te faltará amor, mesmo que às vezes me falte coragem. Gerson a olhou, comovido. Gerson: Elisa, recebe estas arras como penhor da bênção de Deus e sinal dos bens que vamos compartilhar, em sinal do cuidado que terei para que nada te falte em nosso lar. Elisa: Eu recebo de você, Gerson, estas arras em sinal do cuidado que terei para que tudo seja aproveitado em nosso lar. Beijaram as mãos. Um gesto simples, íntimo. Real. Depois, o padre abençoou as alianças. Gerson pegou o aro dourado e com voz grave, quase rouca, disse: —Maria Elisa… recebe esta aliança como símbolo do meu amor e fidelidade. Na saúde e na doença… na abundância e na escassez… na vontade e no cansaço. Você é minha mulher. Minha esposa. A mãe do meu filho. A única. Colocou-a em seu dedo com firmeza. Elisa pegou a outra aliança, mas ao vê-la… hesitou. Um leve calafrio percorreu suas costas. Durante mais Aos vinte anos, ela havia usado outro anel na mesma mão. Um anel fino, de ouro branco, com uma inscrição que só ela e Tomás conheciam. Ela o deixara em silêncio, semanas antes de viajar para Honduras. Colocou-o sobre a cômoda numa madrugada qualquer, sem cerimônia nem despedida. E, no entanto, agora que tinha um novo diante dela… a ausência do anterior pesava mais do que nunca. Não era apenas um aro. Era uma história. Eram seus anos de juventude, suas filhas pequenas, as risadas em Calvillo, os sonhos de família. Eram as vezes que chorou sozinha na cozinha, acariciando aquele anel como se fosse um consolo mudo. Era Tomás. Era sua antiga vida. O novo anel, dourado e brilhante, devolvia-lhe o reflexo de uma mulher diferente. Mais voluptuosa. Mais julgada. Mais culpada. Mas também… mais consciente. Suas mãos tremeram ao segurá-lo. (…uma mulher que chorou ao tirar o outro, sozinha num quarto, sabendo que aquela despedida era irreversível…) —…meu passado está cheio de erros… mas este anel é minha promessa de um presente sincero… e de um futuro que quero construir ao seu lado. Ela o deslizou pelo dedo e sentiu uma leve ardência. Como se sua pele ainda se lembrasse do contorno do outro. Como se sua alma tivesse que abrir espaço para este novo símbolo. Elisa pegou o outro anel, mas sua voz demorou a sair. Vacilou entre a emoção e a memória. —Gerson… receba este anel como sinal da minha entrega. Não chego até você como uma mulher intacta, mas sim como uma mulher decidida. Meu passado está cheio de erros… mas este anel é minha promessa de um presente sincero… e de um futuro que quero construir ao seu lado. Ela o deslizou pelo dedo e, por um instante, ambos se olharam sem falar. Ali estavam eles. Dois pecadores. Dois corações partidos. Dois corpos feridos pelo escândalo, pelo julgamento e pela culpa. E, no entanto, casados. Gerson segurou seu rosto com ambas as mãos e sussurrou muito baixo: —Você é meu tudo, gata. E embora Elisa ainda tivesse dentro de si o eco do nome de Tomás… e embora sua alma ela estava em frangalhos... ...naquele dia, ela se deixou ser amada. Gerson segurou seu rosto com ternura, e seus lábios se fundiram em um beijo apaixonado que selou seu amor. Suas mãos desceram, tocando a barriga de Elisa. "Te prometo que farei de você a mulher mais feliz de La Ceiba... Você e meu filho serão tudo para mim." Elisa soube, naquele instante, que seu homem falava sério. Em sua mente, Gerson já imaginava a lua de mel, onde poderia se entregar completamente ao seu desejo por ela. O altar, finalmente, pareceu em paz. Os vitrais refletiram uma luz suave. E as rugas no rosto de dona Caridad se suavizaram quando ela murmurou com os olhos úmidos: — Agora sim, estão completos.

O padre olhou para os dois com solenidade:
Padre: — Gerson, queres receber Maria Elisa como tua esposa, e prometes ser-lhe fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na doença, e, assim, amá-la e respeitá-la todos os dias da tua vida?
— Sim, quero — respondeu Gerson, sem hesitar.
Padre: — Maria Elisa, queres receber Gerson como teu esposo, e prometes ser-lhe fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na doença, e, assim, amá-lo e respeitá-lo todos os dias da tua vida?

Elisa olhou nos olhos dele. Quis dizer que sim. Mas antes, em sua mente, murmurou um último pedido de desculpas. "Perdão, Tomás. Perdão, minhas filhas."
— Sim, quero — disse finalmente, com a voz embargada pelo choro.
Padre: — Que o Senhor confirme com sua bondade este consentimento que manifestastes perante a Igreja e conceda sua copiosa bênção. O que Deus uniu, não o separe o homem. Gerson... podes beijar a noiva.

Gerson segurou seu rosto com ambas as mãos e a beijou com paixão. O beijo final foi intenso. Público. Uma fusão de lábios, de uma história incerta. Gerson a segurou com uma mão firme na cintura, e a outra, sem pudor, repousou sobre sua barriga, onde Minor se agitou como que celebrando. O aplauso foi morno. Alguns rezaram. Outros sussurraram. Elisa, com o véu caindo sobre seus ombros e as faces molhadas, sabia que não era... a noiva que ela sonhou em ser. Mas era mãe. E era forte. As lágrimas continuavam a escorrer pelas faces de Elisa, sem controle. Elisa não sabia se era consolo ou humilhação. Gerson a olhou com ternura, mas seus olhos também traíam a urgência carnal, a promessa da noite nupcial. A igreja inteira explodiu em aplausos e murmúrios. E assim, Maria Elisa Heredia Jouvet tornou-se a senhora de Moncada. A mãe de um filho por nascer. A esposa de um homem desejoso. Para Gerson: O corpo de Elisa, agora voluptuoso, o tinha hipnotizado. E embora ela o sentisse, sua mente estava longe. Estava em Calvillo. Em suas filhas. Em tudo o que havia perdido. A mulher que, ainda amando outro, escolheu o caminho do sacrifício. Lá fora, as crianças corriam entre os convidados. Giara, a filha de Gerson, chegou correndo: —Você tá parecendo uma rainha, Eli! Wilson e Jerry se aproximaram, tímidos. A abraçaram. Elisa sorriu. Por um momento, sua alma se ancorou naquela ternura. Mas então sentiu os olhares outra vez. Lascivos. Crus. Impiedosos. Ajustou o véu. Baixou os olhos. “Não sou um espetáculo,” pensou, com o coração apertado. Posaram diante do altar. Minor chutou. Elisa colocou a mão sobre a barriga. —Por você, meu amor —murmurou. A aliança dourada brilhava sob a luz do templo. Gerson, ao seu lado, alto e protetor, era agora seu marido. O caminho era incerto, mas ela o percorreria. Mesmo que seu corpo ardessem de vergonha. Mesmo que sua alma ainda amasse Tomás. Mesmo que seu coração soubesse que isso não era o final feliz. Era apenas… o próximo capítulo. Quando saíram da igreja, as portas se abriram de par em par. O sol caribenho os envolveu. Um mar de arroz, pétalos e aplausos os recebeu. Os convidados vibravam. Alguns por convicção. Outros por fofoca. Mas a alegria era real. Zulema, com os olhos vermelhos de emoção, gritou: —A senhora de Moncada, caralho! E naquele momento, enquanto Gerson a tomava pelo braço e o arroz caía sobre seu véu, Elisa soube com certeza: Já não era mais Elisa Heredia. de Almada. Já não era a esposa caída. Já não era o escândalo de Calvillo. Era a senhora de Moncada. Uma mulher nova. Com um filho por nascer. Com um marido que a desejava. Com um passado que doía… …e um futuro ainda por escrever.

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