As Quatro Velhas. Parte 7

  Isabel acordou com dor de cabeça. Sentiu uma leve náusea, mas passou rápido e, sem pensar, olhou pro relógio na mesinha de cabeceira.
Já eram seis da tarde e o marido dela estava quase terminando o expediente. Ela pensou que devia acordar o sogro, que dormia ao lado dela, pra poder arrumar a casa, trocar os lençóis da cama e depois tomar um banho. Isabel sabia que, se o José tivesse saído do trabalho uma hora mais cedo, teria pegado os dois pelados tirando uma soneca na própria cama de casal. Mas, antes de fazer qualquer outra coisa, ela jogou a cabeça pra trás porque, de novo, veio aquela leve sensação de enjoo. Ela pensou que, sem dúvida, a carne que o Manuel tinha preparado no almoço tinha caído mal.
Isabel ficou puta da cara com o sogro depois que Pedro viu ela se masturbando. Ela se trancou no quarto a manhã inteira, chorando sem parar. Manuel, sem saber o que fazer, preparou a comida de novo e chamou Isabel pra um almoço mais leve. Depois de horas desabafando, ela se sentiu melhor e topou. Almoçaram tarde e ela fez as pazes com o sogro. Manuel garantiu que Pedro já tava com um pé na cova e que ela não ia ver ele de novo. Uma coisa levou à outra e os dois acabaram no quarto, metendo gostoso, até cair no sono.
Manuel acordou naquele momento e viu Isabel ao seu lado, tentando se levantar. Ele a segurou e a puxou para perto, enquanto acariciava a pele dela com delicadeza.
—Manu, não. O José termina de trabalhar agora. Preciso tomar um banho e arrumar tudo isso.
Manuel reparou na beleza da nora e não conseguiu aceitar essa ideia. O rosto sonolento dela e o cabelo solto davam um ar bem sensual, e os bicos dos peitos durinhos mostravam que ela também tinha acordado toda tesuda.
—Dá tempo da gente fazer um rapidinho.
—Mas você já não me comeu o suficiente hoje? — perguntou ela com um sorrisinho no rosto.
—Nunca te como o suficiente, Isa.
Isabel fez menção de ir embora, mas Manuel insistiu e beijou o pescoço dela enquanto acariciava suas costas com a ponta dos dedos.
—Amanhã você pode me foder de novo —ela sussurrou, fechando os olhos e curtindo os carinhos.
—Isso é muito tempo de espera.
Manuel desceu a mão esquerda das costas dela até a bunda e acariciou com suavidade, e em seguida levantou a perna direita dela e acariciou a virilha. Isabel soltou um gemido de satisfação, e por um momento esqueceu da pressa. Só por um momento.
—Manu, imagina se teu filho nos visse agora. O que você diria pra ele?
—Daqui eu conseguiria ouvir a porta da frente abrir, e daria tempo de ir pro meu quarto. Ela nem ia perceber.
—Sim, claro. Belo plano —disse ela em tom sarcástico.
Apesar das palavras, Isabel começou a acariciar o pau do sogro com seus dedos delicados. Passou a ponta dos dedos indicador, médio e anular pelo falo, e depois usou o polegar e parte da palma da mão nas bolas, percorrendo-as palmo a palmo. O Manuel adorava aquela sensação, então ficou quieto e continuou beijando o pescoço dela, enquanto acariciava a virilha e a buceta dela. Isabel soltou um gemido de prazer em resposta.
Mal passou um minuto e Manuel percebeu que Isabel ia insistir de novo em terminar com ele, então virou a cabeça e beijou ela na boca. Em seguida, enfiou a língua na boca dela, e Isabel a recebeu com a melhor das boas-vindas. As línguas se entrelaçaram devagar, aumentando a paixão a cada segundo. No final, pareciam se devorar igual um cachorro faminto que bebe um pote d'água depois de uma longa jornada.
Isabel passou de acariciar o pau do sogrão pra esfregar ele, e agarrou com a mão toda as bolas dele, apalpando tudo com tesão. Manuel, por sua vez, esfregou a buceta e os arredores do clitóris. Esfregou em velocidades diferentes e mudando a direção uma hora pra cá, outra pra lá, tipo ondas de vento num dia de tempestade.
A buceta da Isabel começou a salivar gostosa e ela sentiu que tava ficando muito molhada. Acariciou a cabeçona da rola dura do sogrão e sentiu como se fosse explodir de prazer. Enquanto chupava a boca do Manuel, sentiu vontade de desviar o olhar pra dar uma rápida espiada naquela cabeçona deliciosa. Quando olhou, pareceu que ela tava devolvendo o olhar e acenando que sim, pedindo pra ela descer. Isabel tirou a língua da boca do sogrão e desceu até o pau. Abriu a boca e devorou como se fosse um docinho. Ela chupou tanto que Manuel contraiu os glúteos de dor, mas não falou nada e deixou ela se divertir.
Então o telefone que estava no criado-mudo tocou como uma sirene num quartel de bombeiros. Isabel deu um pulo, alertada e quase em pânico, e voltou à realidade. Por um segundo, a mente dela pregou uma peça e ela pensou que fosse o marido tocando a campainha. A cabeça não teve tempo de avisar que não era assim que a campainha de casa soava, nem que o marido usaria a chave em vez de tocar, mas a ansiedade veio do mesmo jeito.
—Que inoportuno o telefonezinho —sussurrou Manuel.
— Manuel, arruma isso de uma vez e vai pro teu quarto. José pode chegar a qualquer hora — ela disparou, mudando de humor na mesma hora.
Isabel virou noventa graus pra pegar o telefone, mostrando a bunda nua inteira pro sogro, que não resistiu e desceu pra lamber tudo. Isabel sentiu a língua viscosa dele bem na hora que atendeu, então o “alô” que ela deu saiu com a vogal bem esticada.
Sou eu, gostosa.—disse a voz de José, acelerada e ansiosa, do outro lado do telefone.
—José, amor. Aconteceu alguma coisa? —perguntou preocupada, sabendo que algo tinha rolado se ele ligava em vez de voltar pra casa. Ouviu o barulho característico de moedas caindo de um orelhão, então ele tava ligando de fora da empresa.
Sim! Acabei de ser promovido a gerente!— exclamou José, eufórico.
Isabel gritou de alegria bem na hora em que Manuel enfiava a língua na buceta dela com paixão, então o grito saiu meio como um gemido, mas o marido não percebeu nada, tamanha era a emoção dele. Isabel, em resposta, olhou de forma acusadora pro sogro, pra mandar ele aliviar, mas ele nem sequer devolveu o olhar.
— Você merece, meu bem — elogiou ela —. Você não faz ideia de como eu tô feliz.
Tenho meu próprio escritório! É por tudo que venho trabalhando há meses. Se você visse a cara que o Juan fez.— comentou pletótasty José, e depois caiu na risada sem parar —.O grande iludido achou que iam dar o cargo pra ele. E adivinha só?
Isabel abria e fechava a boca, assim como os olhos, de tanto prazer que o Manuel tava dando ao chupar toda a buceta e o cu dela. Ela levantou um pouco a perna esquerda pra facilitar o trabalho do sogrão. Mas depois da pergunta do marido, ela se segurou pra voz sair normal.
—O quê, meu bem?
—Além do despacho e assistente,A promoção vem com um aumento de salário base de trinta por cento, vaga de garagem própria e adicional salarial por produtividade.—recitou José de forma acelerada.
—Uau —exclamaram as duas bocas da Isabel, cada uma animada do seu jeito —. Agora a gente vai poder bancar umas férias da boa.
Exato. E vou poder sair de casa pelo menos quinze minutos mais tarde, já que agora não vou perder tempo procurando vaga pra estacionar.
É fantástico.
Manuel tirou a cabeça e abriu as nádegas da nora pra deixar a buceta bem visível. Ela parecia chamar, extasiada de prazer, o pau dele. Manuel apontou o membro ereto pra buceta e encaixou ali. As duas peças se encaixaram como uma luva e Isabel fechou os olhos com a boca aberta enquanto jogava a cabeça pra trás de prazer contido. Isso fez com que demorasse pra responder ao marido quando ele continuou recitando mais benefícios que a promoção dele trazia.
Querido, você ainda está aí?—perguntou finalmente.
—Sim, é só que ainda não acredito que o pão-duro do Patrício foi tão generoso assim —disse ela, sem usar um tom que realmente refletisse essas dúvidas.
Pois é assim mesmo.—ele concordou—. A verdade é que ele foi muito elogioso comigo hoje. Agora gosto muito mais dele, não é um cara ruim.
—Pois é —confirmou ela, com a voz trêmula por causa das repetidas penetrações que o sogro estava fazendo, que, embora lentas pra não fazer barulho, metiam fundo. Sabendo disso, Isabel colocou a mão na barriga dele pra pedir que fosse ainda mais devagar, mas Manuel não percebeu ou não quis perceber, porque até pareceu acelerar. Isabel mordeu o lábio pra segurar a vontade imensa de gemer de prazer e aproveitar ao máximo a pica do sogro, então o subconsciente pregou uma peça nela e ela tentou encerrar logo a conversa —. E me ligou porque não aguentava esperar até chegar em casa?
Na verdade, não.— ele falou, baixando o tom de alegria pra um mais neutro —.Os colegas de trabalho querem comemorar minha promoção, ou melhor, querem que eu pague umas bebidas pra eles.— ele ponderou —.E eles se convidaram pra uma tarde de petiscos no bar do Ramoncín.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
—E aí, ligou pra me avisar? —ela ajudou ele a ir direto ao ponto.
Sim, isso e também queria que você soubesse a boa notícia o mais rápido possível.Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
—Valeu, gostosa. Você alegrou minha tarde me ligando.
Não, obrigado a você, meu amor—ele a corrigiu—.Você também teve que aguentar minhas ausências com as horas extras, e minha falta de tesão por causa do cansaço quando tô em casa. Sei que te negligenciei, e a gente mal tem um mês de casados. De agora em diante, vou te compensar.
Isabel mordeu o lábio de novo enquanto o rosto ficava vermelho, tentando fazer uma espécie de gemido silencioso e interno. As veias do pescoço saltaram pela impotência de não poder se soltar diante de todo o prazer que estava sentindo. O pau do sogro preenchia cada centímetro da buceta dela e esfregava cada palmo das paredes. Isabel sentia o calor e o êxtase, e sabia que logo viria um orgasmo daqueles. E não queria desperdiçar aquele orgasmo sem poder gritar de prazer por estar no telefone.
—Não se preocupa, querido —disse finalmente —. Vai com teus colegas e comemora. Que eles não pensem que agora tu vai mudar por ter um cargo maior.
Isso também pensei. Bom, mesmo assim vou tentar não demorar muito, tô com vontade de te ver.
—Eu também, querido, tô te esperando —ela disse rapidamente —. Não gasta mais no telefone.
Tá bom. Te amo.ele se despediu.
—Eu te amo —respondeu ela rapidamente, bem antes de desligar de forma abrupta.
Isabel desligou o telefone e imediatamente se virou, levantando a perna esquerda o suficiente pra passar na frente do Manuel sem encostar nele, ficando de barriga pra cima com o pau do sogro ainda dentro dela.
—Porra, Manu, sabe o quanto me custou falar sem dar pinta que você tava metendo em mim? —ela perguntou, sem parar de gemer entre uma palavra e outra.
—Então te promoveram —disse Manuel, ofegante.
—Sim. Já é gerente.
—E o que mais ele disse? — perguntou de forma inteligível por entre os gemidos.
—Você tem a tarde toda pra continuar me fodendo —disse ela com um sorriso safado.
—O quê?
—Vai passar… o resto da tarde com os colegas de trabalho num bar pra comemorar a promoção dele.
—Fico muito feliz por ele —disse Manuel sem parar de meter na nora, cada vez com mais força —. Ele merece.
Isabel suspirou, soltando um jato de ar com uma penetração que foi até o fundo dela por completo.
—Porra! —exclamou ela fora de si —. Seu filho da puta! Me fode! Me fode mais! Mais forte!
Manuel começou a meter nela, usando o próprio impulso do corpo ao cair depois de se erguer o quanto o comprimento do pau permitia, e Isabel gritou de prazer ao receber as estocadas. Ela já não ligava se os vizinhos ouviam, e até mexeu a bunda com força pra cima e pra baixo pra intensificar ainda mais as investidas. Isabel só queria aproveitar o orgasmo que já vinha, e gozar gostoso.
— Cê gosta — sussurrou de forma quase inaudível o Manuel, que já tava há um tempão tentando segurar o próprio orgasmo, mas tava impossível, porque os gemidos altos da nora dele tavam deixando ele doido.
—Já vem. Já vem! —exclamou ela num tom que parecia que ia desmaiar. Isso fez com que Manuel não aguentasse mais e também gozasse. Em seguida, tanto ela quanto ele se moveram com espasmos enquanto gozavam ao mesmo tempo, sem que Isabel parasse de emitir sons grotescos de acasalamento —. Enche minha buceta com teu leite, seu safado!
O sêmen do Manuel se espalhou rapidinho por todo o interior da Isabel. Ela fechou os olhos, imaginando aquela cena, e sentiu um prazer imenso. Os gemidos que vieram na sequência duraram vários minutos.
Finalmente, os corpos dos dois relaxaram de novo, e mesmo tendo ficado imóveis por um bom tempo, um em cima do outro, nenhum deles dormiu. Só ficaram em silêncio, cada um nos seus próprios pensamentos. Manuel, no entanto, acabou com suas divagações rapidinho.
—No que você tá pensando? — perguntou ele.
Isabel abriu os olhos e desenroscou as pernas que estavam sobre o sogro, fazendo com que Manuel se afastasse e parasse de esmagá-la. O pau saiu da buceta dela e um jato de porra escorreu como se fosse uma fonte. Finalmente, ela respondeu.
— Tava pensando no Pedro e no que rolou antes. Que vergonha — lamentou sem tirar os olhos do teto, bem pensativa.
—Já te falei pra não se preocupar mais com isso. Você não vai ver ele de novo.
— Cê acha que os vizinhos ouviram a gente? — continuou viajando.
—Beleza. E mesmo que fosse assim. Podiam achar que você tá com seu marido, já que é o horário que ele costuma voltar.
Finalmente, Isabel parou de olhar pra cima e virou à esquerda pra encarar o sogrão.
—Qual é a história dessa relíquia que você guarda? O que o Pedro veio te contar exatamente?
— O que te falei, Isa — ele lembrou —. Ela veio me dizer que um dos quatro que tinham um pedaço da relíquia morreu.
—Porque são quatro partes da mesma peça, e vocês querem saber quem tem cada parte em cada momento, né?
—Algo assim —respondeu ele, sem acrescentar mais nada.
—Porque vale muita grana, né? —insistiu ela, querendo que ele explicasse mais.
—Algo assim.
—Algo assim, algo assim… Se não quiser me contar, não conta — disparou ela, virando-se pro lado oposto, se fazendo de ofendida.
Manuel suspirou e massageou o braço dela antes de começar a explicar.
—Depois da guerra civil e da Segunda Guerra Mundial, tinha muita fome na Espanha, e na Europa em geral. Muita gente emigrou pra América — ele começou a falar num tom baixo, mas perfeitamente audível pra Isabel, que se virou pra prestar mais atenção. Ele tinha o olhar perdido num passado distante —. Eu tinha vinte e oito anos quando, junto com outros quatro amigos do bairro onde cresci, decidi emigrar pra América Central em busca de fortuna.
—Eram cinco? Não eram quatro os que guardam a relíquia?
Manuel não respondeu à pergunta e continuou contando a história.
—Pedro era o mais velho da gente. Ele é sete anos mais velho que eu, então tinha trinta e cinco naquela época, mas não foi ele quem tomou a iniciativa. A ideia foi do Hugo, ele sempre teve alma de aventureiro. Era só um ano mais velho que eu, mas era o mais empreendedor dos cinco. O Pablo topou na hora. Achava que a gente ia ficar milionário em Améyummy e puxou os outros pra gente zarpar.
—Pablo… é aquele que o Pedro disse que tinha morrido, né?
—Sim. Ele era um pouco caretão e pão-duro, mas também muito divertido. Lamento muito não ter ido ao enterro dele — disse Manuel antes de continuar a história —. Naquela época, eu andava sempre com um cara da minha idade chamado Roberto. Éramos unha e carne, e como eu decidi ir, ele também se mandou junto. O caso é que viajamos de navio por semanas rumo a Honduras. Mas não ficamos lá nem um mês, porque demos de cara, por acaso, com um arqueólogo que trabalhava para o próprio Stanley Boggs.
—Quem?
—Um arqueólogo famoso que passou anos trabalhando numa escavação em El Salvador. O Tazumal — ele disse.
—Uma escavação de quê?
—Duas pirâmides bem antigas. Uma maia e a outra tolteca. Lá a gente conseguiu trampo tirando entulho e amassando cimento.
—Tá misturando cimento numa escavação arqueológica? —ela se perguntou, estranhando.
— Fazia-se qualquer coisa que pedissem. As estruturas estavam desabando, e o Stanley decidiu reforçá-las com cimento — explicou ele. — O negócio é que às vezes tinha desabamentos quando a gente tava trabalhando, e numa dessas vezes abriu uma câmara. Uma quase do tamanho desta sala.
— E aí, vocês encontraram a relíquia lá?
—Mais que isso. Tinha uns gravuras estranhas e outros tesouros arqueológicos. Mas é, sim. A relíquia se destacava mais que o resto das paradas.
—Vocês roubaram ela…
Manuel ficou calado por uns segundos antes de continuar.
—Não estávamos sozinhos quando a câmera foi descoberta. Éramos muitos, mas o Stanley tinha ido pra cidade e só voltaria no dia seguinte — acrescentou, com o olhar perdido. — O Hugo foi o primeiro a ver a relíquia. Ele escondeu debaixo de umas pedras. Como já era tarde, os capatazes encerraram o expediente apesar do achado. Queria que o Stanley fosse o primeiro a investigar. Mas a gente viu nossa chance. De madrugada, quando todo mundo tava dormindo, a gente voltou. Pra roubar os tesouros que desse e vazar. Mas não fomos os únicos a ter essa ideia.
—Nossa…
—Quando chegamos ao quarto, já tinha mais seis lá, incluindo um dos capatazes. Todo mundo ficou nervoso e deu briga. No meio do caos, o Hugo pegou a relíquia que tinha escondido e enfiou dentro do paletó. O negócio é que nos encheram de porrada e falaram entre eles que iam botar a culpa na gente pelas coisas que iam roubar lá. Só precisavam impedir que nossos corpos pudessem contar o contrário, foram mais ou menos essas as palavras deles na época — descreveu Manuel, sem muita vontade de continuar. — Levamos aquilo como uma ameaça muito séria. Nessa altura, já sabíamos um pouco sobre desabamentos e provocamos um na sala. Tivemos mais sucesso do que esperávamos e a sala inteira desabou, soterrando todo mundo lá dentro. A gente conseguiu sair.
—Morreram?
Manuel assentiu sem conseguir olhar a nora na cara.
—A gente vazou antes que os outros nos descobrissem. Depois, até participamos da retirada dos escombros como se nada tivesse acontecido. Todo mundo morreu esmagado — concluiu. — Como morreram tentando saquear os tesouros, acharam que foi um castigo divino e, no começo, nem se esforçaram pra buscar explicação. Mas no fim descobriram que alguém tinha provocado o desabamento, aí pensaram que tinha mais ladrões e, por consequência, mais tesouros roubados.
—Mas não foram descobertos, óbvio.
— Não — ele lembrou —. Virou uma puta confusão, nos interrogaram várias vezes, mas no fim arquivaram o caso por falta de provas. Mandaram todo mundo embora por desconfiança umas duas semanas depois. Escondemos a relíquia nesse tempo e no final vazamos.
—É por isso que vocês não podem vender ela? Por que vocês seriam incriminados?
—Exato. Até hoje, provavelmente nos rastreariam se descobrissem que quatro ex-funcionários daquela escavação têm uma relíquia maia de valor incalculável — garantiu ele. — Duvido muito que, mais cedo ou mais tarde, não nos enfiassem na cadeia por causa daquelas mortes.
— Deve ser frustrante ter uma coisa dessas e só poder guardar — disse ela com um olhar triste.
—Mesmo assim, a gente se arriscou e começou a procurar alguém que entendesse do assunto pra poder dar um valor econômico pra relíquia — Manuel balançou a cabeça em seguida —. Uma ideia de merda. A gente encontrou um pesquisador chamado Carlos, que conseguia ler as inscrições da relíquia. Ele disse que era muito valiosa, claro, mas estudou ela a fundo e também falou que as inscrições eram indicações de um lugar, como se fosse um mapa.
— Um mapa do tesouro — comentou Isabel num tom irônico.
—É assim que a gente pensava, sim. Achava que isso ia levar a um tesouro muito maior do que a própria relíquia, e aí resolvemos nos arriscar pra encontrar. Andamos por meses, pra lá e pra cá. Até que chegamos num lugar no norte de Yucatán. A gente ficou preso lá e logo ficou sem a grana que tinha juntado na escavação de Tazumal, e o Carlos também gastou todas as economias dele. Foi aí que ele nos traiu. Tentou roubar a relíquia da gente e no fim a gente…
—Você matou ele?
— Em legítima defesa. Mas sem ele não conseguimos seguir em frente, então decidimos voltar quando tivéssemos juntado mais grana — ela parou como se tivesse dificuldade em continuar a história —. Sabíamos que a relíquia podia ser fragmentada, mas só em quatro pedaços… e a gente era cinco…
Isabel sentiu uma náusea forte de repente, daquelas que dão vontade de vomitar na hora. Levantou da cama que nem uma flecha e saiu correndo pelada pro banheiro, como um raio.
Manuel, porém, pareceu não notar a ausência da nora. O olhar dele estava perdido, e ele continuou falando num tom quase inaudível.
«… tudo aconteceu muito rápido. A gente discutiu… Hugo… tentou acalmar eles. Mas Roberto e Pablo ficaram histéricos… se pegaram. Brigamos como nunca antes. Hugo… se meteu… se meteu…»
Manuel não conseguiu continuar e desabou a chorar, todo encolhido na cama. A vergonha o prendia. Uma vergonha que humilhava ele toda vez que aquela lembrança vinha à tona. O velho tinha passado a vida inteira fugindo dessa desgraça. E não só ele. Por isso nenhum dos quatro companheiros sabia o endereço dos outros. A amizade dos quatro morreu junto com o Hugo naquele dia, e com ela uma parte deles mesmos.

Isabel correu pro banheiro e abriu a porta com um tapa. Assim que chegou na pia, vomitou quase todo o almoço. Enquanto fazia isso, xingava baixinho a porcaria que o sogro tinha preparado e que, provavelmente, tinha lhe dado uma intoxicação. Mas a sensação era diferente. A mente dela foi clareando e o instinto disse outra coisa. Rapidamente, ela colocou a mão na barriga e se olhou no espelho. Com os olhos arregalados e um susto no rosto que logo virou pânico, balançou a cabeça sem parar. Falou e repetiu pra si mesma que não tinha falhado nenhum dia com a pílula. Que não podia ser, mas algo dentro dela bateu de frente com a negação. Como um aríete derrubando o mundo dela, a imaturidade dela, a realidade dela.
—Não, por favor…


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