Segredos de Casa 2

Capítulo 2: A Sombra do Risco

Camila ficou mais um tempinho, zoando sobre a "missão de espionagem" dela e garantindo que tudo ia sair perfeito. A confiança dela era contagiante, e por um momento, a ansiedade foi embora, dando lugar a um friozinho na barriga de expectativa. No fim, ela se despediu com um abraço e uma última piscada de cumplicidade antes de fechar a porta atrás de si.

O silêncio que ele deixou foi imediato e ensurdecedor. De repente, cada pequeno rangido da casa parecia carregado de significado. Eu sabia que o Gustavo estava lá em cima. Sabia o que ele tinha feito. E agora eu conhecia o segredo mais profundo dele.

A energia que percorria meu corpo era insuportável, uma mistura de nervosismo, tesão e uma ousadia que eu nem reconhecia. Precisava de um momento sozinha, precisava pensar. Resolvi tomar um banho, lavar a tensão do dia e talvez clarear minhas ideias.

Subi as escadas com um passo propositalmente lento, ciente de que cada um dos meus movimentos podia estar sendo observado. Ao chegar no corredor, a porta do quarto do Gustavo estava entreaberta. Não dava pra ver nada lá dentro, só escuridão. Meu coração acelerou. Será que ele tava ali, observando?

Entrei no meu quarto e peguei uma toalha no armário. A ideia surgiu na hora, não como um pensamento completo, mas como um impulso primário, alimentado pela confissão com a Camila e a certeza do olhar escondido dela. Em vez de fechar a porta do banheiro de vez, como sempre fazia, deixei ela só um pouquinho aberta, uns dois centímetros. O suficiente pra deixar uma fresta de visão do corredor.

Liguei o chuveiro e deixei o vapor começar a encher o ambiente. Tirei a roupa com movimentos propositalmente lentos, sensuais, como se estivesse num palco. Sabia que era loucura, uma provocação ousada, mas a mesma excitação que senti ao espiá-lo agora me empurrava a me transformar no espetáculo.

Comecei a tomar banho, me ensaboando com uma lentidão exagerada. Deixei minhas mãos percorrerem minhas curvas, acariciando meus peitos, minha cintura, meus quadris, enfatizando cada movimento para uma plateia que eu esperava que estivesse ali. Me arqueava debaixo da água quente, soltando suspiros que eu sabia que eram altos o bastante para atravessar a porta. Era uma performance, um show feito pra ele.

E aí, eu vi. A mudança sutil na luz pela fresta da porta. Uma sombra se interpondo, bloqueando a iluminação fraca do corredor. Alguém estava ali. Parado. Observando. Uma onda de pânico e poder me percorreu. Eu tinha conseguido. Ela estava ali.

Em vez de me cobrir ou gritar, uma calma estranha tomou conta de mim. A dúvida sumiu, substituída por uma certeza elétrica. Me virei devagar, de costas pra porta, e me curvei com uma languidez estudada pra pegar o sabonete, dando uma visão completa da minha bunda. Sabia exatamente o ângulo. Depois, me apoiei na parede de azulejos, com um braço esticado sobre a cabeça, olhando o jato de água escorrendo pela minha pele enquanto com a outra mão fazia círculos lentos e sugestivos na minha barriga, descendo aos poucos, roçando os pelos da buceta, deslizando entre minhas pernas...


Segredos de Casa 2

Prendi a respiração, fingindo um prazer intenso e particular. Mordi o lábio e fechei os olhos, deixando a cabeça cair para trás, tudo para o espectador escondido. Eu me tocava num ritmo que era pura provocação, sussurrando entre os dentes alto o bastante pra ser um eco sedutor.

Fiquei assim pelo que pareceu uma eternidade, perdida no papel da mulher desejável e ardente que eu sabia que ele queria ver. Finalmente, com um último e teatral suspiro de pós-êxtase, desliguei a água.

Me enrolei na toalha, ajustando ela bem abaixo dos peitos, deixando meus ombros e pernas de fora. Caminhei até a porta e, sem nenhum pudor, abri ela de uma vez, como se não esperasse encontrar ninguém. O corredor estava vazio.

Mas no chão, bem na frente da porta, tinha uma pequena e reveladora mancha na madeira clara. Líquido pré-ejaculatório. A prova física de que ele tinha estado ali, de que meu show tinha surtido o efeito desejado.

Um sorriso lento, triunfante e secretamente perverso se desenhou nos meus lábios. Eu tinha visto. Ele me desejou. E eu sabia disso.

Peguei a toalha que tinha usado pra secar o cabelo e, com a ponta do pé, apaguei cuidadosamente a evidência do chão, eliminando toda prova, mas guardando a vitória só pra mim.

A adrenalina ainda dançava nas minhas veias. Depois de apagar as provas do meu pequeno triunfo, me vesti com cuidado, escolhendo um macacão curto absurdamente justo e cujo decote deixava ver a curva inferior dos meus peitos. Não era roupa pra jantar em casa. Era um recado.



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Desci as escadas com uma lentidão calculada, sentindo o tecido grudar nas minhas cadeiras a cada passo. A mesa estava posta de forma simples. Gustavo já estava lá, servindo água. Quando me ouviu, virou a cabeça e o olhar dele se fixou em mim como um feixe de luz. Me percorreu de cima a baixo, sem pressa, e eu vi a mandíbula dele se contrair levemente. O ar ficou pesado na mesma hora.

—Tem cheiro bom —comentei, indo pra cozinha me servir, fingindo uma normalidade que não sentia.
 
—Bom, foi você quem cozinhou, haha —respondeu ele, a voz um pouco mais rouca que o normal. Chegou perto da mesa e segurou minha cadeira pra eu sentar. A mão dele roçou minhas costas ao se afastar, um contato rápido, mas elétrico.

Começamos a comer num silêncio pesado. Eu sentia o peso do olhar dele em cada garfada que levava à boca. Finalmente, ele quebrou o gelo.

—E o Adrián? Não vai jantar com a gente? — perguntou, com um tom que tentava parecer casual, mas eu percebi uma curiosidade genuína por trás.

Aproveitei a oportunidade. Levei um pedaço de pão aos lábios, molhando devagar antes de responder.

—Não. Mandou uma mensagem. Disse que tá cheio de serviço e que… vai chegar tarde —falei, mantendo a voz neutra, mas carregando as palavras com uma intenção que esperava que ele captasse. O efeito foi na hora. Uma faísca acendeu nos olhos do Gustavo. A notícia de que a gente ia ficar sozinho, sem a barreira do filho dele, agiu como um interruptor.

Que pena" —murmurou ele, mas o tom dizia exatamente o contrário. Largou o garfo e se recostou na cadeira. —Você tá perdendo um jantar dos bons… e uma vista melhor ainda.— O flerte já não era sutil. Era direto. Perigoso.

Gustavo, embriagado pela possibilidade, levantou-se com a desculpa de servir mais água. Ao passar atrás da minha cadeira, fez uma pausa. E então eu senti.

A pressão firme e quente da virilha dele contra meu ombro, através do tecido fino do meu top. Foi um contato breve, disfarçado de acidente, mas deliberado e inegável. Era enorme e tava duro. Um arrepio percorreu minhas costas.

—Desculpa —murmurou ele, a voz dele um sussurro cheio de promessas bem no meu ouvido antes de seguir pra mesa.

Quando voltou pro lugar dela, a dinâmica tinha mudado completamente. A máscara da cordialidade tinha sumido. Os elogios dele ficaram mais ousados, os olhares já nem tentavam esconder a fome crua que ele sentia.

—Sério, Valéria —disse ele, largando o copo—. Essa roupa deveria ser proibida. Distrai demais.

Debaixo da mesa, sem conseguir me segurar, abri ligeiramente as pernas. Um movimento pequeno, quase imperceptível, mas que eu sabia que ele, com o ângulo dele, ia pegar.

Ele fez isso. Minha respiração prendeu por um segundo. Os olhos dele escureceram, cravados em mim com uma intensidade que fez o ar ficar preso no meu peito. Não estávamos mais jantando. Isso era outra coisa completamente diferente. Gustavo largou o guardanapo na mesa com um gesto definitivo.

—Parece que seu marido… não sabe valorizar o que tem em casa —disse ele, e já não havia disfarce nenhum nos olhos dele.
— Eu só consegui sorrir, sentindo como o jogo tinha subido pra um território novo e de tirar o fôlego.


O jantar continuou mergulhado numa tensão densa e doce. Cada comentário do Gustavo tinha um duplo sentido, cada olhar era um carinho proibido. Eu respondia com sorrisos tímidos e olhares que se seguravam um segundo a mais do que deviam, alimentando o fogo que a gente sentia crescer. O ar tava pesado, carregado de um desejo que nem se dava mais ao trabalho de se disfarçar.

Quando finalmente terminamos, levantamos quase ao mesmo tempo. Comecei a recolher os pratos, minhas mãos trêmulas fazendo a porcelana fina tilintar.

—Deixa eu te ajudar —ele ofereceu, a voz grave e próxima. Não era uma pergunta, era uma declaração de intenções.

—Não precisa, de verdade, eu consigo —insisti, mas minhas palavras soaram fracas, sem convicção.

Ignorando meu protesto, ele pegou um prato e se aproximou de mim na frente da pia. Eu estava de costas pra ele, focada em abrir a torneira da água quente, sentindo a presença dele bem atrás de mim. Perto demais.

De repente, eu senti. A pressão firme e inconfundível do pau dele, completamente duro e ereto, se apertando contra minha bunda através do tecido da minha legging. Foi um contato deliberado, um aviso físico do desejo dele. Congelei por um instante, a água quente escorrendo pelas minhas mãos enquanto uma descarga elétrica de pura safadeza percorria minha espinha.

—Gustavo… —consegui sussurrar, mas minha voz era só um fio de ar.

—Só tô ajudando —murmurou ele, com a respiração quente na minha nuca. Não se mexeu. Ficou ali, se pressionando contra mim, deixando bem claro como o jantar e minha roupa tinham afetado ele.

A racionalidade lutou por um instante contra o instinto. Aquilo já tinha ido longe demais, rápido demais.

—Sério, eu dou conta sozinha. Valeu —falei, com um pouco mais de firmeza, me forçando a dar um passo à frente e quebrar o contato.

Ele ficou parado por um segundo, como se avaliasse se ia insistir. Finalmente, deu um passo pra trás. Um sorriso cheio de promessas e uma pitada de frustração se desenhou nos lábios dele.

—Como quiser, Valéria. Boa noite— Vi ele sair da cozinha e subir as escadas. Meu coração batia igual um tambor frenético. A marca da ereção dele ainda queimava na minha memória. A casa ficou em silêncio, mas o eco do que quase acontecia ressoava em cada canto.

Lavei a louça com movimentos mecânicos, mas minha mente não tava ali. Tava lá em cima, com ele. O que será que ele tava fazendo? Pensando em mim? A curiosidade virou uma coceira insuportável.

Deixei o último prato escorrendo e, quase sem perceber, meus pés me levaram até a escada. Subi com passos de pluma, evitando os degraus que rangiam. O corredor de cima estava escuro, só um feixe de luz saindo pela fresta da porta do quarto dela.

Me aproximei em silêncio, prendendo a respiração. A porta não estava totalmente fechada. Espiei pela fresta. E lá estava ele.

Sentado na beira da cama, de costas pra porta. A calça e a cueca dele estavam abaixadas até os tornozelos. A mão dele se movia num ritmo lento e firme sobre o pau, que parecia ainda mais imponente do que quando eu senti ele pressionado contra mim. Mas foram os murmúrios dele que me deixaram sem fôlego.

—Valéria… —ele sussurrou com a voz rouca, carregada de uma necessidade animal—. Porra, que gostosa você tá… Essas curvas… essa bunda…

Cada palavra era um tapa na cara da realidade e um combustível pro meu próprio tesão. Eu tava me masturbando pensando em mim. Murmurando meu nome como uma prece obscena.

—… como você me deixou louco no jantar… com aquela roupa de puta… — ele continuou, e o ritmo acelerou.

Me apoiei na parede do corredor, sentindo minhas próprias pernas tremerem. Não tinha mais dúvida, nem negação possível. O desejo era mútuo, explícito e ardente. E eu, espiando essa cena íntima, era tão cúmplice quanto ele. O espetáculo era demais. Vê-lo ali, tão vulnerável e dominado pelo tesão que eu tinha provocado, era a coisa mais excitante que eu tinha vivido em anos. As palavras sujas dele, dedicadas a mim, eram como labaredas que me queimavam por dentro.

—...quero te ver assim... pelada... gritando meu nome... —murmurou ele com um grunhido rouco.

Sem conseguir evitar, minha própria mão deslizou pela minha barriga, sobre o tecido apertado do meu macacão. A pressão era uma imitação pobre do que eu desejava, mas o suficiente pra fazer um gemido escapar dos meus lábios. Mordi o lábio na hora, mas o estrago já tava feito. O som, por mais baixo que fosse, cortou o ar como uma faca.

O movimento da mão de Gustavo parou de repente. Os ombros dele ficaram tensos. A respiração ofegante que enchia o quarto parou de uma hora pra outra.

—Valéria? —a voz dele perguntou, grave e alerta, já não mais um sussurro particular, mas uma interrogação direta ao vazio do corredor.

O pânico me congelou. Recuar? Correr? Fingir que não estava ali? Mas já era tarde demais. A prova da minha excitação pulsava na minha virilha e o rubor nas minhas bochechas era impossível de esconder. Antes que eu pudesse decidir o que fazer, a porta se escancarou.

Gustavo estava ali, na moldura da porta, iluminado pela luz fraca do quarto dele. Ele não tinha subido as calças. O pau dele, ainda duro e molhado, era a prova viva do que eu tinha interrompido. O olhar dele, no entanto, não era de raiva. Era de choque, sim, mas também de uma curiosidade intensa e ardente. Os olhos dele percorreram meu corpo num instante, capturando minha postura congelada, minha mão ainda na minha buceta, a expressão de pânico e tesão misturadas sem jeito no meu rosto.

Não disse nada. Só ficou me encarando, me desafiando a falar, a explicar minha presença ali, a explicar por que eu também estava excitada.

O silêncio se estendeu, pesado e elétrico. O jogo de olhares tinha acabado. Agora estávamos no território cru da verdade.

—Desculpa... eu... só tava passando... —gaguejei, sentindo o rubor queimar minhas bochechas. A vergonha me inundou, repentina e avassaladora. Girei nos calcanhares pra fugir, pra me trancar no quarto e fingir que nada disso tinha acontecido.

—Espera. —A voz dela o parou antes que a mão dele pudesse fazer o mesmo. Não foi um grito, nem uma ordem alta. Foi uma palavra baixa, rouca, carregada de uma intensidade que cravou meus pés no chão—. Não vai embora.

Virei-me devagar, sem ousar levantar o olhar além do peito dele. O ar parecia ter virado pedra.

—Isso... isso tá errado. Não devia... —tentei protestar, mas minhas palavras soaram vazias, sem convicção.

—Sério? —ele perguntou, com um tom tão suave quanto perigoso—. Porque o que eu vi na sua cara não foi nojo, Valéria. —Ele fez uma pausa, deixando as palavras dele, e o eco dos meus próprios gemidos, flutuarem entre nós—. Entra. Só vamos conversar. A sugestão era uma loucura. Um perigo absoluto. Mas era o tipo de perigo que meu corpo, excitado e trêmulo, desejava. Depois de um segundo eterno de dúvida, dei um passo hesitante para frente. Depois outro.

Cruzei a porta do quarto dela. A porta ficou aberta atrás de mim, o último e frágil elo com a sanidade. Parei a alguns passos dele, incapaz de desviar o olhar do chão de madeira. Dava pra ver ele na minha visão periférica: de pé, com a calça e a cueca ainda abaixadas, o pau dele duro e imponente era uma afirmação silenciosa e inegável do porquê estávamos ali. Não era pra conversar.
O silêncio no quarto era tão denso que eu conseguia ouvir o pulsar do meu próprio coração batendo contra meus ouvidos. Fiquei ali, paralisada, a poucos passos dele, da verdade nua e intimidadora dele.

—Olha pra mim, Valéria —pediu Gustavo, a voz dele era surpreendentemente suave, quase um sussurro consolador—. Não tem nada do que se envergonhar.

Devagar, forcei meus olhos a se erguerem, a encontrarem os dela. Não encontrei deboche nem arrogância, mas uma compreensão profunda e um desejo compartilhado que me fez sentir menos vulnerável.

—Isso é tão errado... —consegui dizer, mas soou como um eco fraco de uma convicção que se desfazia rapidamente.

—Por quê? —ele perguntou, mantendo a calma, como se estivesse desmontando meus medos um por um—. Por que a sociedade diz que deveria ser? Isso é só desejo, Valéria. Puro, simples e humano. Você me deseja. Eu te desejo. Não estamos machucando ninguém. — As palavras dele eram um veneno doce que se infiltrava na minha mente, dissolvendo anos de condicionamento.

—Mas, Adrián... teu filho...

—Adrián —disse ele com um suspiro que não era de desgosto, mas de pena— é um homem que não enxerga a joia que tem na frente dele. Eu sim. E você anseia por ser vista, por ser desejada. Tem algo mais natural que isso? — Dei um passo involuntário para frente. A resistência em mim estava rachando, substituída por uma curiosidade avassaladora e uma necessidade pulsante.

—Não vamos fazer nada de errado —murmurou, como se lesse minha mente—. Só... explora. Satisfaz sua curiosidade. Eu não vou fazer nada que você não queira.

Essa foi a frase que quebrou a última barreira. A promessa de que eu tinha o controle. Com um tremor incontrolável na mão, estendi o braço devagar. Meus olhos estavam fixos nos dela, buscando permissão, buscando um sinal de recuo. Não encontrei. Só encontrei um estímulo silencioso e ardente.

A distância entre meus dedos e a pele dele se reduziu a centímetros. Dava pra sentir o calor que emanava dele. Minha respiração prendeu, o mundo se resumiu àquele ponto de contato iminente. E então, o som mais cru e aterrorizante explodiu no quarto.

CLIC. SCRRRCH.

O som da chave girando na fechadura da porta da frente, seguido do rangido da porta se abrindo.

ZZZZ! ZZZZ!

O timbre do sistema de alarme, desativado às pressas, apitou rapidinho.

—Oi? Val? Pai? Já tão dormindo? —A voz do Adrián, cansada mas audível, ecoou da entrada.

PUM!

A porta da frente bateu com força. O feitiço se quebrou em mil pedaços. O sangue congelou nas minhas veias. O pânico, puro e absoluto, me acertou como um balde de água gelada.

Os olhos de Gustavo se arregalaram, refletindo o mesmo terror instantâneo que eu sentia. Num movimento frenético, ele puxou a calça pra cima, escondendo a prova da nossa quase-traição. O olhar dele ficou urgente.

—Desce —sussurrou com voz rouca—. Já! Distrai ele. Eu desço daqui a pouco.

Não precisei ouvir duas vezes. Meu instinto de sobrevivência tomou conta. Saí do quarto dele num pulo, fechei a porta com cuidado pra não fazer barulho e desci as escadas o mais rápido e silencioso que consegui, tentando alisar minha roupa e meu cabelo, compondo uma expressão que não entregasse o caos que reinava dentro de mim.

Ao chegar na entrada, o Adrián estava pendurando a jaqueta dele. Ele parecia exausto.

—Amor —falei, forçando um sorriso que sentia tenso e falso—. O que você tá fazendo aqui? Você disse que ia chegar tarde.

—A reunião foi cancelada em cima da hora —respondeu, esfregando os olhos—. Preferi vir pra cá dormir. Tudo bem? Você tá com uma cara... alterada.

—Eu? Não, não — neguei com veemência exagerada, e dei um passo em direção a ele para dar um beijo rápido na bochecha, desviando a atenção dele —. Só tava... dando uma limpada na cozinha. Com fome? Esquento alguma coisa pra você.

—Não, não, fica tranquila. Só quero dormir —disse ela, passando por mim em direção às escadas—. E o pai? Já foi deitar?

—Sim —respondi quase rápido demais—. Acho que sim. Faz um tempão que foi pro quarto dela.

Adrián concordou, cansado demais pra perceber o tom nervoso da minha voz ou o jeito que minhas mãos tremiam levemente.

—Beleza. Boa noite, Val.

—Boa noite —sussurrei, vendo ela subir as escadas, cada passo dela se aproximando do lugar onde, segundos antes, eu estava prestes a cruzar um ponto sem volta.

Os batimentos do meu coração ecoavam nos meus ouvidos como tambores de guerra. Cada passo do Adrián lá em cima, o rangido do assoalho, a porta do nosso quarto se fechando, eram lembretes estridentes do perigo que a gente tinha acabado de evitar por segundos. Fiquei paralisada no meio da sala, tentando acalmar minha respiração, apagar o fogo nas minhas bochechas.

Não tinha passado nem um minuto quando outro som gelou meu sangue. Um rangido suave. A porta do quarto do Gustavo se abrindo.

Meus olhos se cravaram no topo da escada. Ele apareceu, descendo com uma calma que contrastava brutalmente com o pânico que me percorria. Vinha vestido, mas o olhar dele... o olhar dele ardia com a mesma intensidade de antes, como se a interrupção só tivesse avivado o fogo.

Desceu até a sala e parou na minha frente. Dava pra sentir o cheiro da colônia dele, misturado com o aroma da pele. Um cheiro que agora me era perigosamente familiar.

—Foi dormir —declarou, a voz num sussurro grave que parecia vibrar no silêncio da casa—. Tá exausto. Não vai nos ouvir.

—Gustavo, não... —comecei a dizer, recuando um passo, balançando a cabeça—. Isso não pode rolar. Foi uma loucura. Ele tá lá em cima.

—E a gente aqui embaixo —retrucou ele, dando mais um passo, fechando minha saída—. Vivendo. Até quando você vai se negar, Valéria? Até quando vai viver na sombra do que deveria ser?

O argumento dele era uma faca afiada que encontrava a fresta na minha armadura de moralidade. Mas eu ainda resistia.

—Por favor, é teu filho...

—E você é a mulher que eu desejo —cortou ele, a voz firme. E então, com um movimento deliberado e desafiador, desabotoou a calça. O tecido cedeu, revelando que por baixo não usava nada. E lá estava de novo. A ereção dele, imponente, dura, e agora liberada, surgia como uma prova física irrefutável do desejo dele. Um desejo que, eu soube naquele instante, era inteiramente por mim.

—Olha ele, Valéria —ordenou suavemente—. Olha pra ele e me diz que não sente o mesmo. Olha pra ele e me diz que não quer tocar.

Meus olhos se recusavam a obedecer, mas foi inútil. A atração era um ímã. Meu olhar caiu e ficou ali, fascinado e apavorado. Era a materialização de todos os seus elogios, de todos os seus olhares, de toda a tensão da noite. Era real.

A resistência em mim se quebrou. Um gemido trêmulo escapou dos meus lábios. Não era mais questão de pensar. Era puro instinto.

Com a mão tremendo sem controle, me aproximei. Meus dedos se estenderam, hesitantes, até que a ponta deles roçou a pele ardente e aveludada da pica dele, dura.

A eletricidade do contato foi imediata e brutal. Pros dois. Ele fechou os olhos e prendeu a respiração, um gemido profundo escapando da garganta dele. Senti meu corpo todo responder, um calor molhado e familiar acendendo entre as pernas.

E então, sem hesitar, fechei a mão em volta daquela vara. Era firme, quente, pulsando. Comecei a mover minha mão, devagar e meio sem jeito no começo, explorando a textura, o calor, o jeito que ele respondia a cada movimento meu.

Ele se apoiou na parede, com a cabeça jogada pra trás e os olhos fechados, se entregando de vez à sensação.

—Assim... —murmurou—. Assim, Valéria... Ninguém precisa saber... só nós...

Eu só conseguia olhar, hipnotizada, como minha mão, a mão da esposa fiel, acariciava com uma confiança crescente o pau do sogro. A traição e o êxtase se misturavam num coquetel inebriante. Cada carícia era um segredo compartilhado, um pecado gostoso, uma revolução silenciosa contra a vida que eu tinha levado até agora. O risco do Adrián descer a qualquer momento só adicionava uma camada de tesão mais proibida, mais intensa.

—Agora... —ofegou ele, com a voz rouca e carregada de desejo—. Chupa minha rola, Valéria. Quero sentir sua boca.

As palavras dela me tiraram do transe. Meus olhos, que estavam fixos no movimento da minha mão, se ergueram pra ver o tamanho completo que eu tinha na minha frente. Naquele momento, a realidade me bateu com toda a crueza. Era enorme, muito maior e mais grosso que o do Adrián. Uma onda de pânico me percorreu. A ideia de levar aquilo à minha boca, de tentar acomodar um negócio tão grande, me aterrorizou.

—Não... não consigo —consegui dizer, balançando a cabeça com veemência enquanto tirava a mão como se tivesse me queimado—. É grande demais... não vou dar conta. — Um sorriso de compreensão e luxúria se desenhou nos lábios dele. Não pareceu se ofender; pelo contrário, meu medo parecia excitá-lo ainda mais.

—Fica tranquila, não precisa ser agora —murmurou, acariciando minha bochecha com as costas dos dedos—. Tem muitas outras formas de aproveitar. O importante é que você já não nega o que existe entre nós.

A confissão do meu medo só pareceu avivar o fogo dele. A respiração dele ficou mais ofegante, mais urgente. A mão dele cobriu a minha, guiando com firmeza mas sem grosseria, me ensinando o ritmo que ele precisava. Um ritmo rápido e constante que fazia cada músculo do corpo dele se contrair.

—Sim, assim… bem assim, Valéria —ele grunhiu, a voz era um gemido rouco e animalesco—. Você é tão… malditamente gostosa.

Eu podia sentir a pressão se acumulando nele, como o pau dele pulsava mais forte e mais rápido na minha mão, cada vez mais quente, mais duro. O rosto dele se contraía de prazer, uma máscara de puro êxtase que eu mesma provoquei. Era um poder inebriante.

—Vou gozar… —anunciou com um gemido entrecortado, e a mão dele apertou a minha com mais força.

Não deu tempo de pensar, só de reagir. Em vez de recuar, me aproximei. Num ato de submissão instintiva e pura luxúria, abri minha boca e aproximei meus lábios bem na hora em que o primeiro jorro, grosso e quente, saiu dele.


infiel



Um som gutural, profundo e de rendição total escapou da garganta dela. O gosto, salgado e terroso, inundou meu sentido. Não foi desagradável; foi primal, íntimo, o gosto do desejo dela por mim tornado tangível. Meus olhos se fecharam, não por nojo, mas para saborear melhor o momento, para me concentrar em cada espasmo do corpo dela, em cada gota que eu recebia na língua. Engoli, aceitando a essência dela, sentindo uma onda de prazer próprio tão intensa que me deixou tremendo.

Quando terminou, ofegante, eu fiquei ali de joelhos, com um último fio branco ligando meus lábios ao pau dele, que ainda pulsava de leve. A gente se olhou. Nos olhos dele já não tinha só desejo, mas espanto, gratidão e uma possessividade feroz e nova.

—Nunca… nunca tinha sentido isso antes —confessou com a voz trêmula de emoção.

Eu, sem conseguir falar, limpei meus lábios com as costas da mão, sabendo que aquela imagem, aquele ato, ficaria gravado a fogo em nós dois pra sempre. A linha tinha sido cruzada. Não tinha mais volta.

A tensão foi se dissipando devagar, deixando uma aura de intimidade culpada e tesão satisfeito. Com movimentos silenciosos e cúmplices, ajeitamos a roupa. Gustavo se certificou de que não tivesse nenhum vestígio visível do que rolou, enquanto eu arrumei o top e passei os dedos no cabelo, tentando parecer o mais normal possível no meio daquela anormalidade total.

Subimos as escadas juntos, num silêncio eloquente que dizia mais que mil palavras. Cada passo era um lembrete da linha que a gente tinha acabado de cruzar. Quando chegamos no patamar, na frente da porta do quarto dela, ela parou. A gente se olhou, e nos olhos dela já não tinha mais aquela dúvida ou pânico de antes, só uma satisfação profunda e um desejo que, por enquanto, tava saciado.

—Boa noite, Valéria —disse suavemente, mas em vez de virar para entrar, se inclinou.

A busca dela encontrou a minha. Não foi um beijo de boa noite. Foi um beijo lento, profundo e apaixonado, com gosto de uísque, desejo e segredo. A língua dela se entrelaçou na minha com uma possessividade que me fez derreter por dentro. Uma das mãos dela se enroscou no meu cabelo enquanto a outra desceu sem pressa, acariciando minha cintura, meu quadril, e pousando finalmente com firmeza numa das minhas nádegas, apertando com uma intensidade que deixou claro que o de baixo tinha sido só o começo.

Eu não resisti. Me entreguei ao beijo, ao toque das mãos dele, ao sabor da boca dele. Foi o auge de toda a tensão da noite, um selo de fogo no nosso pacto secreto.

Finalmente, nos separamos, ofegantes. Sem dizer mais uma palavra, com um último olhar carregado de promessas futuras, ele(a) virou e entrou no quarto, fechando a porta suavemente.

Eu me enfiei dentro da minha. Adrián dormia profundamente, alheio ao mundo. Tirei a roupa, me meti debaixo dos lençóis e me enrolei de lado, olhando pra parede mas sem ver nada.

Um sorriso bobo, involuntário, se desenhou nos meus lábios, que ainda ardiam do beijo do Gustavo. O remorso não veio. No lugar dele, uma sensação de poder, de vitalidade e de uma felicidade culpada, mas intensa, me inundou. Eu me sentia viva, desejada e, pela primeira vez em anos, completamente dona do meu próprio prazer. Com o eco das mãos dele no meu corpo e o gosto dele na minha boca, me deixei levar por um sono profundo e satisfeito, completamente contente com o caminho proibido que acabava de começar a trilhar.

A luz da manhã entrando pelas persianas me pegou já acordada, com os nervos à flor da pele e a pele toda sensível. Os eventos da noite anterior se repetiam na minha mente num loop ardente. Cada detalhe, cada sensação, cada sussurro proibido. Me vesti com uma intenção calculada: um shortinho de lycra e um top justo que deixava minha barriga de fora. Não era uma roupa pra ficar em casa; era uma declaração de intenções, uma continuação silenciosa do jogo que tinha começado.





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Desci com uma expectativa que me fazia respirar fundo. O cheiro de café pairava no ar. O Adrián já estava na cozinha, lendo as notícias no celular dele.

—Bom dia —disse sem levantar muito o olhar—. Dormiu bem? Ontem à noite você parecia meio nervosa.

—Sim, sim, bem —menti, servindo uma xícara de café com a mão levemente trêmula. Meus olhos vasculharam a sala e as escadas, procurando outra presença. A casa parecia estranhamente silenciosa.

—E o seu pai? — perguntei, tentando soar casual.

— Deve ter ido cedo —respondeu Adrián, distraído—. Às vezes ele sai pra caminhar.

Tomamos café da manhã num silêncio quase total, quebrado só pelo clique do celular dele. Eu mal conseguia comer um pedaço. Cada minuto que passava e o Gustavo não aparecia, uma pontada de decepção e ansiedade crescia no meu peito. Será que ele se arrependeu? Será que fui longe demais?

Finalmente, não consegui me segurar. Subi as escadas com a desculpa de ir ao banheiro e parei na frente da porta do quarto dela. Estava entreaberta. Empurrei devagar e espiei a cabeça. A cama estava arrumada. Vazia. Não tinha sinal dele, ele não tinha fugido porque as coisas dele estavam lá. Um frio de decepção me percorreu.

Naquele exato momento, meu celular vibrou no bolso do short. Tirei ele ansiosa, esperando... o quê? Uma mensagem dele? Era dele.

Gustavo:Bom dia, Valéria. Vou ficar ocupado o dia todo com uns rolês. A gente se vê hoje à noite.

Li a mensagem uma, duas, três vezes. A decepção virou uma frustração surda. "Uns assuntos". Soava tão vago, tão frio depois da intimidade escaldante da noite anterior. "A gente se vê hoje à noite". Era uma promessa, mas também uma tortura. O que eu ia fazer o dia inteiro com esses nervos e essa vontade reprimida?

Desci as escadas me sentindo ridícula com meu look provocante. O Adrián já tinha ido trabalhar. A casa tava vazia e silenciosa, e de repente, enorme. Tentei ligar pra Camila. Precisava contar tudo pra ela, precisava do conselho ousado dela, da risada cúmplice dela. O telefone tocou e tocou até cair na caixa postal.

—Porra —murmurei pra mim mesma, me jogando no sofá.

As horas passaram com uma lentidão exasperante. Limpei coisas que já estavam limpas, assisti programas de TV que nem via, fiquei atualizando o celoho sem parar, esperando alguma coisa. Qualquer coisa. A abstinência da emoção proibida de ontem à noite era física, uma coceira debaixo da pele que eu não conseguia coçar.

Bem quando o tédio e a ansiedade estavam prestes a me devorar viva, meu celular vibrou de novo. Dessa vez não era o Gustavo. Era a Camila.

Era uma foto. Abri com os dedos trêmulos. A imagem e o texto que vinha junto me deixaram sem fôlego.
Seu sogro tem uma rola incrível.

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