Capítulo 7 O eco daquela noite, com Maria cantarolando “Yo te voy a enamorar” enquanto seu corpo se fundia com o meu, se desvanece. Já se passaram vários anos, e agora estou de volta ao presente, sentado na beirada da nossa cama. O laptop, fechado, repousa ao meu lado. Mas as imagens do vídeo de cuckolding —um homem grande, com seu membro imponente, enquanto outro, pequeno como eu, observa— e os relatos de Maria sobre Marcos, com seu “volume enorme” contra ela, queimam na minha mente. “Sempre fui apenas um pixel na tela dela?”, penso. As dúvidas daquela noite, como sombras, ainda estão aqui. Apesar de termos vivido tantas coisas, até uma lua de mel no Japão, o comentário de Maria, “bonitinho e divertido”, ainda ressoa nos meus ouvidos. Enquanto ela se vira agora do espelho, sua camiseta mal roçando suas coxas, o brilho de sua pele morena captura a luz, meu peito se aperta.
— Ou será que você também imaginou algo com o Marcos? —me paralisa. Meu coração bate forte, um calor subindo pela minha nuca. Sabe que os relatos dela sobre Marcos, alto e bem dotado, me queimam, me fazem sentir ainda menor? Gaguejo, com lábios trêmulos:
— Vou… pegar água.
Me levanto rápido, nu da cintura para baixo, o frio mordendo minha pele. Um calafrio sobe dos meus pés descalços, minha uvinha enrugada tentando se esconder. Caminho até a cozinha, o chão gelado sob meus passos, perdido nos meus pensamentos, relembrando aquela primeira noite: a dos brownies. Seu corpo arqueado. Sua risada me chamando de “pixel perfeito”. Uma lembrança me atinge: Maria, semanas depois, ajoelhada na minha frente, seu hálito quente na minha pele, insistindo em tirar uma foto da minha “uvinha dorminhoca”.
— É tão fofa assim —ela dizia, com um beicinho brincalhão. Seus dedos me roçavam, me fazendo tremer. Nervoso, perguntei:
— Pra que você quer isso?
— Porque é meu —ela respondeu, sua risada baixa vibrando em mim—. Quero capturar sua forma mais fofa.
Mas meu corpo me traía, segurando firme sob seu toque. Ela, com outro beicinho, reclamou: — Ai, gordo, você sempre estraga tudo! A lembrança me arranca um sorriso envergonhado. Meu rosto queima enquanto sirvo água, o copo gelado tremendo nas minhas mãos suadas. A risada cristalina de Maria me tira do transe. — Gordo, olha que janela aberta! — diz, apoiada no batente da porta, a camiseta mal roçando suas coxas, o perfume floral me envolvendo. Sigo seu olhar até a janela e meu coração para. Duas senhoras fofoqueiras, com roupões floridos e cachos apertados, me observam do prédio em frente. Uma faz um gesto com o indicador e o polegar, apontando algo minúsculo; a outra, rindo, levanta o mindinho. Suas risadas cruzam a rua como um eco zombeteiro. “O bairro inteiro vai saber meu segredo”, penso, o rosto ardendo, o copo tremendo na minha mão. Maria se aproxima com passos leves, sua risada suavizando ao ver minha expressão. — Gordo, bota uma roupa! — brinca, sua voz travessa mas com um toque de ternura —. Não quero que pensem que estou com você só pelo dinheiro. De repente, ela me atirou um short que voou direto na minha cara. O golpe foi suave mas inesperado. O short cheirava a limpo, àquele sabão em pó que ela sempre usa, e ainda estava quentinho pelo sol da manhã. É como se o calor do sol tivesse ficado preso no tecido, e com ele, um pouco dela. Peguei o short desajeitadamente e o vesti rápido, tentando não cair na tentação. Senti seu olhar zombeteiro fixo em mim e não pude evitar sorrir nervoso. Corri para fechar a cortina, a respiração ofegante, e me deixei cair no sofá, rindo pela metade. Sua risada era um lembrete de que, sem sua ousadia, sem seus empurrões brincalhões, eu nunca teria cruzado a linha de ser só seu amigo. Maria senta na minha perna, sua coxa quente roçando na minha, seu perfume me envolvendo como uma carícia. Ela inclina levemente a cabeça; seus olhos semicerrados brilham com malícia. Ela morde o lábio e põe a língua pra fora por um segundo, como se tentasse segurar a risada. — O que foi, Luis? Você tá todo vermelhinho — diz, inclinando-se um pouco mais, com uma sobrancelha arqueada. Suas unhas começam a traçar círculos lentos no meu joelho, despertando uma cócega que sobe pela minha coxa, lenta e traiçoeira. Ela está me queimando com sua proximidade. Minhas mãos suam contra o sofá, os dedos crispados, como se tentassem se agarrar a algo mais que o tecido. — Maria… você está satisfeita comigo? —pergunto, a voz trêmula, o olhar cravado no chão—. Digo… sexualmente.
Ela pisca. Uma sombra de dúvida cruza seu rosto. Seus lábios se entreabrem, hesitantes. Um leve franzir na testa denuncia seu nervosismo. — Claro que sim, gordo —diz, mas a voz dela não tem firmeza. Está trêmula, quase imperceptível, mas o suficiente para que eu levante o olhar. “Ela não está me contando tudo”, penso, enquanto o suor escorre pela minha nuca, lento, como se eu estivesse notando pela primeira vez.
— Seja sincera, Maria —insisto, com a voz prestes a quebrar—. Por favor.
Ela respira fundo, o peito subindo e descendo sob a camiseta. Seus ombros se curvam levemente, como se carregasse um peso invisível. — Tá bom, gordo —diz, a voz baixa, quase um sussurro—. Vou ser sincera.
Ela faz uma pausa. Seus olhos buscam os meus, e neles brilha um lampejo de vulnerabilidade. Seus dedos apertam a borda da camiseta, firmes, nervosos. Minha respiração fica entrecortada.
— Você já teve orgasmos comigo alguma vez? —pergunto, as palavras saindo como um tiro, o pulso acelerando. Na minha mente ecoam os chats que vi por acaso: risadas sobre meu “pixel”, comentários de que eu nunca dei um orgasmo de verdade pra Maria, mas que sou “fofo”. Chifre. A palavra ressoa na minha cabeça como um tiro silencioso. Lembro do vídeo… aquela cena intensa, o homem confiante, dominante, e ela entregue, gemendo. E o marido dela assistindo. Eu fiquei excitado, mas algo dentro de mim quebrou. Meu peito aperta, a mão que toca o sofá treme, mas não se afasta.
Maria se levanta de cima de mim, seus dedos soltando meu joelho com suavidade, como se custasse a me deixar ir. Há um um leve tremor no queixo, uma fragilidade que nunca tinha visto nela, como se tivesse medo de me machucar com o que está prestes a dizer. — Nossa, Luis… isso sim é direto — sussurra, soltando uma risada nervosa. Mordisca o lábio inferior, cruza os braços sobre o peito, como se protegendo de algo invisível. Fica em silêncio. Suspira. Os ombros afundam. Depois, dá um passo para o lado e senta ao meu lado no sofá, a coxa dela quase roçando na minha. Não me olha. Sinto minha mão sobre minha perna, exposta, desajeitada. Meu instinto é tirá-la, me fazer pequeno. Mas é a Maria. Não me mexo. Então, seus dedos quentes tomam a iniciativa, acariciando os meus com suavidade. Ela os entrelaça, apertando sem força, como quem busca ancorar uma verdade difícil. A voz dela treme. — Não… — diz, engolindo em seco —. Gordo, eu não tive orgasmos com você. Meus pulmões esvaziam. A vergonha me atinge como uma onda quente, o estômago embrulhando. Meu rosto queima, os olhos desviando dos dela. A dor aperta, como se eu estivesse desabando em silêncio. Mas não solto sua mão. Maria aperta meus dedos, o olhar se suavizando. — Não é que eu não goste de você, gordo — acrescenta, a voz ainda trêmula —. É que com você é… diferente. Você me faz feliz de outro jeito, com seus nervos, seu jeito de me olhar. E, sei lá, às vezes eu imagino umas coisas… mais intensas, mas não trocaria o que a gente tem. — Sexo não é só orgasmo, gordo — diz, com aquela voz dela, suave, como se falasse de uma lembrança bonita —. É te ver todo vermelhinho, a gente rindo junto, ser cúmplice nas minhas loucuras… O que a gente tem é maior que isso. — Por que não? — insisto, minha voz falhando, presa entre a frustração e o medo. Minha mente voa sem piedade para a noite dos brownies, pro meu pau escapando desajeitado do calor dela, pro meu clímax fugaz em segundos. A risada dela ainda ecoa: “Flash”, ela me chamou, entre risadinhas suaves. E hoje… de novo. Na cama, a mesma coisa. Minha falta de jeito me roubando o fôlego. A mesma cena se repetindo. — Será que eu não te fodo o suficiente? — sussurro, me sentindo mais menino do que homem. Sempre acabo rápido. Não como… Não termino a frase. As imagens, cruéis e imaginárias, me invadem: Maria, nua, linda, gritando selvagem entre braços alheios. E eu, minúsculo, invisível, sozinho… imaginando. Minha mão treme. Quer se soltar da dela, quer desistir, mas seus dedos me seguram. E não posso. É a Maria. — E no seu passado, com os caras que você ficou antes… você teve orgasmos? — A pergunta corta como uma faca, os rumores da Sofia ecoando: “Você sempre conseguia os de tamanho bom, safadinha”. Minha mente me trai: Maria na faculdade, com duas maria-chiquinhas caindo pelos ombros, andando pelos corredores. Ela flerta com vários caras, dando sorrisos fáceis, como se fosse um jogo para ela. E os encontros sussurrados no campus. Com quantos ela terá ficado? Todos melhores do que eu? A imagino com qualquer um deles, Maria gemendo sob outro, seus gemidos ressoando como os que a Sofia descreveu no bar, ela rindo com cerveja na mão. Um prazer que eu nunca pude dar a ela, um fogo que nunca consegui acender. E pensar que essa imagem me causa um formigamento no meu ser minúsculo, uma mistura de desejo e confusão. O eco das risadas dela revive o chat da Sofia e da Daniela, que me queima: elas a encorajam a se dar ao prazer, que o Marcos vai fazê-la explodir. Meu corpo fica tenso, os ombros querendo recuar. Mas seus dedos quentes apertam minha mão com um tremor nervoso. Maria suspira, seus óculos escorregando pelo nariz, ela fica tensa. Seus olhos se abrem apenas. Um tique quase imperceptível sacode o canto da boca dela. O silêncio se estica como um arame, até que, enfim, ela rompe: — SIM, gordo, é verdade — admite sua voz baixa, sincera, um rubor subindo pelas bochechas —. Antes eu tive orgasmos, não vou mentir para você. — Ela tenta um sorriso, roçando minha bochecha com suavidade, como se soubesse que essa frase vai ficar morando em mim. Aperta minha mão com mais força, mas não consegue segurar o que se desfaz dentro de mim. — Não é que você não seja suficiente… — ela balbucia —. É só diferente. Mais intenso, nesse sentido. Mas com você é diferente; é nosso jogo, nossa faísca. O olhar dela cai no chão. Ela morde o lábio. Os ombros se encolhem como se quisesse ficar pequenininha, desaparecer da própria confissão. As pontas dos dedos tamborilam, inquietas, na minha perna. Os mamilos marcam o tecido da blusa. Sinto-a tremer. Não de frio. De tensão. De desejo reprimido. Ou culpa quente. Mas eu não desapareço. Eu estou aqui. Inteiro. E partido por dentro… embora ainda me sustente. Minha respiração corta, um calor traiçoeiro subindo pelo peito. A imagem da Maria com outro homem, gemendo como nunca faz comigo, me queima… e me excita. Por quê? — Eu te amo assim, gordinho — ela acrescenta, o sorriso se afiando —, porque você é meu, meu pixelzinho. Os dedos dela sentem minha reação, e os olhos se arregalam, um lampejo de surpresa e malícia cruzando o rosto. — Nossa, gordinho — sussurra, inclinando-se mais perto —, parece que você gosta disso mais do que admite. Os quadris balançam contra mim, deliberados, e as unhas arranham minha coxa, enviando um calafrio elétrico. — Sempre soube, meu pequeno — acrescenta, olhando para baixo como se meu corpo fosse seu cúmplice secreto —. Meu homenzinho, tão meigo e durinho. Cada palavra é um raio, humilhante mas ardente, atiçando um fogo que não entendo. Quero odiar isso, quero fazê-la tremer como ela me faz tremer, mas meu corpo me trai. Não aguento mais. Um espasmo me percorre, rápido e quente, sujando a camiseta dela. Ela solta uma risadinha suave, os olhos brilhando de malícia. — Uau, seu safadinho, sujou minha roupa — diz, balançando a cabeça —. Adoro te ver assim, todo vermelho e entregue. Mas se você gozar tão rápido de novo… — o sorriso se afia — eu te castigo, hein? Meu peito sobe e desce, agitado, enquanto o calor do clímax se dissipa. Os dedos dela ainda seguram os meus, quentes, mas minha mente se perde num turbilhão. Ela me faz arder, me desfaz com as palavras, sua… riso, seu toque. Mas eu… eu não consigo fazê-la tremer como ela me faz tremer. Lembro quando você me disse que sua posição favorita é de quatro, mas eu só conseguia enfiar a pontinha, desajeitado, enquanto suas bundinhas tornavam isso impossível. Os relatos dela sobre Marcos ressurgem, cruéis, vívidos: o “volume enorme” dele contra ela, sua risada ao contar, como se lembrasse de um fogo que eu nunca conseguirei acender. E se essa for a solução? E se eu a deixar… com alguém como ele? A imagem me queima: Maria, gemendo, selvagem, enquanto eu, pequeno, apenas observo. Meu coração se aperta, mas um formigamento traiçoeiro me percorre. O que estou pensando? Eu a amo. Mas quero que ela sinta o que eu sinto agora. Mesmo que me destrua. Não aguento mais. Levanto-me de repente, soltando sua mão. — Preciso ficar sozinho — murmuro, a voz embargada, enquanto pego minha jaqueta e caminho em direção à porta. Maria se levanta, sua risada se desvanece. — Gordo, espera! — diz, com um tom brincalhão mas preocupado, seus dedos roçando meu braço. Não o espelho. Saio no frio da noite, sua voz me perseguindo, o peito apertado pelo amor, pela dor… e um formigamento que não entendo.
— Ou será que você também imaginou algo com o Marcos? —me paralisa. Meu coração bate forte, um calor subindo pela minha nuca. Sabe que os relatos dela sobre Marcos, alto e bem dotado, me queimam, me fazem sentir ainda menor? Gaguejo, com lábios trêmulos:
— Vou… pegar água.
Me levanto rápido, nu da cintura para baixo, o frio mordendo minha pele. Um calafrio sobe dos meus pés descalços, minha uvinha enrugada tentando se esconder. Caminho até a cozinha, o chão gelado sob meus passos, perdido nos meus pensamentos, relembrando aquela primeira noite: a dos brownies. Seu corpo arqueado. Sua risada me chamando de “pixel perfeito”. Uma lembrança me atinge: Maria, semanas depois, ajoelhada na minha frente, seu hálito quente na minha pele, insistindo em tirar uma foto da minha “uvinha dorminhoca”.
— É tão fofa assim —ela dizia, com um beicinho brincalhão. Seus dedos me roçavam, me fazendo tremer. Nervoso, perguntei:
— Pra que você quer isso?
— Porque é meu —ela respondeu, sua risada baixa vibrando em mim—. Quero capturar sua forma mais fofa.
Mas meu corpo me traía, segurando firme sob seu toque. Ela, com outro beicinho, reclamou: — Ai, gordo, você sempre estraga tudo! A lembrança me arranca um sorriso envergonhado. Meu rosto queima enquanto sirvo água, o copo gelado tremendo nas minhas mãos suadas. A risada cristalina de Maria me tira do transe. — Gordo, olha que janela aberta! — diz, apoiada no batente da porta, a camiseta mal roçando suas coxas, o perfume floral me envolvendo. Sigo seu olhar até a janela e meu coração para. Duas senhoras fofoqueiras, com roupões floridos e cachos apertados, me observam do prédio em frente. Uma faz um gesto com o indicador e o polegar, apontando algo minúsculo; a outra, rindo, levanta o mindinho. Suas risadas cruzam a rua como um eco zombeteiro. “O bairro inteiro vai saber meu segredo”, penso, o rosto ardendo, o copo tremendo na minha mão. Maria se aproxima com passos leves, sua risada suavizando ao ver minha expressão. — Gordo, bota uma roupa! — brinca, sua voz travessa mas com um toque de ternura —. Não quero que pensem que estou com você só pelo dinheiro. De repente, ela me atirou um short que voou direto na minha cara. O golpe foi suave mas inesperado. O short cheirava a limpo, àquele sabão em pó que ela sempre usa, e ainda estava quentinho pelo sol da manhã. É como se o calor do sol tivesse ficado preso no tecido, e com ele, um pouco dela. Peguei o short desajeitadamente e o vesti rápido, tentando não cair na tentação. Senti seu olhar zombeteiro fixo em mim e não pude evitar sorrir nervoso. Corri para fechar a cortina, a respiração ofegante, e me deixei cair no sofá, rindo pela metade. Sua risada era um lembrete de que, sem sua ousadia, sem seus empurrões brincalhões, eu nunca teria cruzado a linha de ser só seu amigo. Maria senta na minha perna, sua coxa quente roçando na minha, seu perfume me envolvendo como uma carícia. Ela inclina levemente a cabeça; seus olhos semicerrados brilham com malícia. Ela morde o lábio e põe a língua pra fora por um segundo, como se tentasse segurar a risada. — O que foi, Luis? Você tá todo vermelhinho — diz, inclinando-se um pouco mais, com uma sobrancelha arqueada. Suas unhas começam a traçar círculos lentos no meu joelho, despertando uma cócega que sobe pela minha coxa, lenta e traiçoeira. Ela está me queimando com sua proximidade. Minhas mãos suam contra o sofá, os dedos crispados, como se tentassem se agarrar a algo mais que o tecido. — Maria… você está satisfeita comigo? —pergunto, a voz trêmula, o olhar cravado no chão—. Digo… sexualmente.
Ela pisca. Uma sombra de dúvida cruza seu rosto. Seus lábios se entreabrem, hesitantes. Um leve franzir na testa denuncia seu nervosismo. — Claro que sim, gordo —diz, mas a voz dela não tem firmeza. Está trêmula, quase imperceptível, mas o suficiente para que eu levante o olhar. “Ela não está me contando tudo”, penso, enquanto o suor escorre pela minha nuca, lento, como se eu estivesse notando pela primeira vez.
— Seja sincera, Maria —insisto, com a voz prestes a quebrar—. Por favor.
Ela respira fundo, o peito subindo e descendo sob a camiseta. Seus ombros se curvam levemente, como se carregasse um peso invisível. — Tá bom, gordo —diz, a voz baixa, quase um sussurro—. Vou ser sincera.
Ela faz uma pausa. Seus olhos buscam os meus, e neles brilha um lampejo de vulnerabilidade. Seus dedos apertam a borda da camiseta, firmes, nervosos. Minha respiração fica entrecortada.
— Você já teve orgasmos comigo alguma vez? —pergunto, as palavras saindo como um tiro, o pulso acelerando. Na minha mente ecoam os chats que vi por acaso: risadas sobre meu “pixel”, comentários de que eu nunca dei um orgasmo de verdade pra Maria, mas que sou “fofo”. Chifre. A palavra ressoa na minha cabeça como um tiro silencioso. Lembro do vídeo… aquela cena intensa, o homem confiante, dominante, e ela entregue, gemendo. E o marido dela assistindo. Eu fiquei excitado, mas algo dentro de mim quebrou. Meu peito aperta, a mão que toca o sofá treme, mas não se afasta.
Maria se levanta de cima de mim, seus dedos soltando meu joelho com suavidade, como se custasse a me deixar ir. Há um um leve tremor no queixo, uma fragilidade que nunca tinha visto nela, como se tivesse medo de me machucar com o que está prestes a dizer. — Nossa, Luis… isso sim é direto — sussurra, soltando uma risada nervosa. Mordisca o lábio inferior, cruza os braços sobre o peito, como se protegendo de algo invisível. Fica em silêncio. Suspira. Os ombros afundam. Depois, dá um passo para o lado e senta ao meu lado no sofá, a coxa dela quase roçando na minha. Não me olha. Sinto minha mão sobre minha perna, exposta, desajeitada. Meu instinto é tirá-la, me fazer pequeno. Mas é a Maria. Não me mexo. Então, seus dedos quentes tomam a iniciativa, acariciando os meus com suavidade. Ela os entrelaça, apertando sem força, como quem busca ancorar uma verdade difícil. A voz dela treme. — Não… — diz, engolindo em seco —. Gordo, eu não tive orgasmos com você. Meus pulmões esvaziam. A vergonha me atinge como uma onda quente, o estômago embrulhando. Meu rosto queima, os olhos desviando dos dela. A dor aperta, como se eu estivesse desabando em silêncio. Mas não solto sua mão. Maria aperta meus dedos, o olhar se suavizando. — Não é que eu não goste de você, gordo — acrescenta, a voz ainda trêmula —. É que com você é… diferente. Você me faz feliz de outro jeito, com seus nervos, seu jeito de me olhar. E, sei lá, às vezes eu imagino umas coisas… mais intensas, mas não trocaria o que a gente tem. — Sexo não é só orgasmo, gordo — diz, com aquela voz dela, suave, como se falasse de uma lembrança bonita —. É te ver todo vermelhinho, a gente rindo junto, ser cúmplice nas minhas loucuras… O que a gente tem é maior que isso. — Por que não? — insisto, minha voz falhando, presa entre a frustração e o medo. Minha mente voa sem piedade para a noite dos brownies, pro meu pau escapando desajeitado do calor dela, pro meu clímax fugaz em segundos. A risada dela ainda ecoa: “Flash”, ela me chamou, entre risadinhas suaves. E hoje… de novo. Na cama, a mesma coisa. Minha falta de jeito me roubando o fôlego. A mesma cena se repetindo. — Será que eu não te fodo o suficiente? — sussurro, me sentindo mais menino do que homem. Sempre acabo rápido. Não como… Não termino a frase. As imagens, cruéis e imaginárias, me invadem: Maria, nua, linda, gritando selvagem entre braços alheios. E eu, minúsculo, invisível, sozinho… imaginando. Minha mão treme. Quer se soltar da dela, quer desistir, mas seus dedos me seguram. E não posso. É a Maria. — E no seu passado, com os caras que você ficou antes… você teve orgasmos? — A pergunta corta como uma faca, os rumores da Sofia ecoando: “Você sempre conseguia os de tamanho bom, safadinha”. Minha mente me trai: Maria na faculdade, com duas maria-chiquinhas caindo pelos ombros, andando pelos corredores. Ela flerta com vários caras, dando sorrisos fáceis, como se fosse um jogo para ela. E os encontros sussurrados no campus. Com quantos ela terá ficado? Todos melhores do que eu? A imagino com qualquer um deles, Maria gemendo sob outro, seus gemidos ressoando como os que a Sofia descreveu no bar, ela rindo com cerveja na mão. Um prazer que eu nunca pude dar a ela, um fogo que nunca consegui acender. E pensar que essa imagem me causa um formigamento no meu ser minúsculo, uma mistura de desejo e confusão. O eco das risadas dela revive o chat da Sofia e da Daniela, que me queima: elas a encorajam a se dar ao prazer, que o Marcos vai fazê-la explodir. Meu corpo fica tenso, os ombros querendo recuar. Mas seus dedos quentes apertam minha mão com um tremor nervoso. Maria suspira, seus óculos escorregando pelo nariz, ela fica tensa. Seus olhos se abrem apenas. Um tique quase imperceptível sacode o canto da boca dela. O silêncio se estica como um arame, até que, enfim, ela rompe: — SIM, gordo, é verdade — admite sua voz baixa, sincera, um rubor subindo pelas bochechas —. Antes eu tive orgasmos, não vou mentir para você. — Ela tenta um sorriso, roçando minha bochecha com suavidade, como se soubesse que essa frase vai ficar morando em mim. Aperta minha mão com mais força, mas não consegue segurar o que se desfaz dentro de mim. — Não é que você não seja suficiente… — ela balbucia —. É só diferente. Mais intenso, nesse sentido. Mas com você é diferente; é nosso jogo, nossa faísca. O olhar dela cai no chão. Ela morde o lábio. Os ombros se encolhem como se quisesse ficar pequenininha, desaparecer da própria confissão. As pontas dos dedos tamborilam, inquietas, na minha perna. Os mamilos marcam o tecido da blusa. Sinto-a tremer. Não de frio. De tensão. De desejo reprimido. Ou culpa quente. Mas eu não desapareço. Eu estou aqui. Inteiro. E partido por dentro… embora ainda me sustente. Minha respiração corta, um calor traiçoeiro subindo pelo peito. A imagem da Maria com outro homem, gemendo como nunca faz comigo, me queima… e me excita. Por quê? — Eu te amo assim, gordinho — ela acrescenta, o sorriso se afiando —, porque você é meu, meu pixelzinho. Os dedos dela sentem minha reação, e os olhos se arregalam, um lampejo de surpresa e malícia cruzando o rosto. — Nossa, gordinho — sussurra, inclinando-se mais perto —, parece que você gosta disso mais do que admite. Os quadris balançam contra mim, deliberados, e as unhas arranham minha coxa, enviando um calafrio elétrico. — Sempre soube, meu pequeno — acrescenta, olhando para baixo como se meu corpo fosse seu cúmplice secreto —. Meu homenzinho, tão meigo e durinho. Cada palavra é um raio, humilhante mas ardente, atiçando um fogo que não entendo. Quero odiar isso, quero fazê-la tremer como ela me faz tremer, mas meu corpo me trai. Não aguento mais. Um espasmo me percorre, rápido e quente, sujando a camiseta dela. Ela solta uma risadinha suave, os olhos brilhando de malícia. — Uau, seu safadinho, sujou minha roupa — diz, balançando a cabeça —. Adoro te ver assim, todo vermelho e entregue. Mas se você gozar tão rápido de novo… — o sorriso se afia — eu te castigo, hein? Meu peito sobe e desce, agitado, enquanto o calor do clímax se dissipa. Os dedos dela ainda seguram os meus, quentes, mas minha mente se perde num turbilhão. Ela me faz arder, me desfaz com as palavras, sua… riso, seu toque. Mas eu… eu não consigo fazê-la tremer como ela me faz tremer. Lembro quando você me disse que sua posição favorita é de quatro, mas eu só conseguia enfiar a pontinha, desajeitado, enquanto suas bundinhas tornavam isso impossível. Os relatos dela sobre Marcos ressurgem, cruéis, vívidos: o “volume enorme” dele contra ela, sua risada ao contar, como se lembrasse de um fogo que eu nunca conseguirei acender. E se essa for a solução? E se eu a deixar… com alguém como ele? A imagem me queima: Maria, gemendo, selvagem, enquanto eu, pequeno, apenas observo. Meu coração se aperta, mas um formigamento traiçoeiro me percorre. O que estou pensando? Eu a amo. Mas quero que ela sinta o que eu sinto agora. Mesmo que me destrua. Não aguento mais. Levanto-me de repente, soltando sua mão. — Preciso ficar sozinho — murmuro, a voz embargada, enquanto pego minha jaqueta e caminho em direção à porta. Maria se levanta, sua risada se desvanece. — Gordo, espera! — diz, com um tom brincalhão mas preocupado, seus dedos roçando meu braço. Não o espelho. Saio no frio da noite, sua voz me perseguindo, o peito apertado pelo amor, pela dor… e um formigamento que não entendo.
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