Parte 1http://m.poringa.net/posts/relatos/6047736/Mis-vecinos-cogiendo.htmlO ventiluz
Naquela hora, o apartamento estava no silêncio de sempre. O corpo da Coti — macio, quentinho, familiar — descansava no sofá como toda noite, com uma coberta leve sobre as pernas e os olhos semiabertos encarando a tela. Mauro fingia que também tava vendo, com o celular na mão. Mas já não pensava na série. Fazia tempo que não pensava em nada do que rolava ali dentro.
Há semanas, a rotina tinha se contaminado com uma expectativa nova, muda, clandestina. Toda noite, quando Coti começava a cochilar, ele disfarçava um bocejo, uma ida até a cozinha, a desculpa de baixar uma persiana. Mas o que ele procurava era outra coisa: a luz acesa do outro lado do prédio, o sinal mínimo de que os vizinhos — aquele casal novo, vibrante, sem filhos, sem horário, sem desgaste — estavam acordados.
Ele ficava excitado com algo que não conseguia dizer em voz alta: aquele apartamento da frente parecia um eco do que já não era mais. A juventude deles era como uma pele que ele tinha perdido, uma pele pra qual não voltaria. E mesmo assim, ali estava ele, desejando, espiando.
Na maioria das noites, era um fracasso. As luzes apagadas, a janela fechada, o blackout corrido. Ou pior: ele via eles se mexendo, andando, talvez discutindo, vestindo roupa confortável e sentando pra jantar. Mauro ficava parado que nem um idiota, mal respirando atrás da persiana. Uma parte dele queria que não acontecesse nada. Outra se frustrava.
Durante o dia, não era muito diferente. Uma manhã de home office, o movimento do outro lado da janela foi o bastante pra ele perder o fio da meada numa reunião. Ela apareceu com um copo na mão, um top esportivo e o cabelo solto. Não fazia nada de especial. Só andar. Mas ele não conseguia parar de olhar. Nem de esperar alguma coisa.
De madrugada, ele se levantava com a desculpa de pegar um copo d'água. Ia pra cozinha descalço, atravessando a escuridão com uma esperança absurda: ver eles acordados. Às vezes acontecia. Mas a cena já tava fechada por uma cortina preta.
Até aquela Noite.
Estavam vendo uma série, daquelas que ninguém tava muito afim. Coti, como sempre, tava com a cabeça no travesseiro, no piloto automático, com o controle entre os dedos. Mauro tava sentado mais reto. Do ângulo dele, bem de onde tava, dava pra ver a janela do prédio da frente. E algo acendeu. Uma luz.
Não falou nada. Só virou a cabeça uma fração de segundo. A cena começou como outras vezes: a porta abriu, entraram rápido. Ele jogou as chaves na mesa. Ela riu. Se empurraram. Se beijaram. Mas dessa vez não teve pausa, não teve espera. Era como se estivessem queimando. Arrancavam a roupa um do outro, se beijavam com força. Em segundos já estavam no sofá, ele deitado, ela por cima.
Mauro engoliu seco. Não dava pra olhar muito sem Coti perceber alguma coisa estranha na postura dele, na respiração. O coração tava batendo forte. Tentou se concentrar na série, mas a imagem da frente puxava ele. Tinha que olhar.
— Ufa, acho que a janta me caiu mal — falou de repente, levando a mão na barriga. Coti mal reagiu.
— Quer alguma coisa?
— Não, vou no banheiro um segundo.
Entrou e fechou a porta sem pressa, mas com as mãos geladas. Parou na frente do vaso e levantou a vista. Tava ali: o basculante do banheiro, uma abertura retangular na parte alta da parede, na altura perfeita. Subiu em cima da tampa fechada do vaso, devagar. Olhou.
E viu. Tudo.
Melhor enquadrado, melhor iluminado, mais nítido. O sofá, as pernas dela enrolando a cintura dele, os movimentos, os gestos. O prazer sem censura. Mauro ficou imóvel. Um pensamento só passou pela cabeça dele: aquele era o lugar dele. Não o sofá. O basculante.
Do basculante, a imagem era mais nítida do que ele jamais imaginou. A cena se desenrolava como uma coreografia selvagem emoldurada pela janela do apartamento da frente.
Ela montada nele, com o torso nu e o cabelo colado no pescoço, se movia com uma confiança... que o deslocava. Ele tinha as mãos na cintura dela, guiando ou se entregando, não dava pra saber. A luz lateral recortava os dois como uma silhueta, mas já bastava. Bastava pra ver demais. Mauro não se mexia. Mal respirava. As pernas tremendo em cima da tampa do vaso, o corpo curvado pra manter o olho naquela fresta minúscula. Cada vez que piscava, sentia que tava perdendo algo. Puxou o iPhone com um movimento torto e silencioso. Ligou a câmera. Zoom no máximo. No começo foi um desastre: imagem borrada, tremedeira, enquadramento impossível. Mas depois conseguiu apoiar no batente, segurando com a mão esquerda enquanto a direita estabilizava. E aí sim. A câmera amplificava tudo: os detalhes, os gestos, o suor nas costas dela, a tensão nos músculos do cara ao resistir, ao empurrar, ao se desmanchar. As mãos deslizavam por corpos vivos. Se moviam com um frenesi que parecia distante e necessário. Tavam vivos. Mauro sentiu algo parecido com fome. A excitação era tão forte que doía. Mas a culpa também doía. O nojo. O que ele tava fazendo? Em que merda ele tinha se transformado? Em que lugar escuro ele tinha se enfiado pra que aquilo — ver dois estranhos transando com fúria — parecesse mais real do que qualquer outra coisa na vida dele? E mesmo assim, não conseguia desviar o olhar. Quando terminaram, ele soube antes de acontecer. O ritmo mudou. Os gestos também. Teve uma pausa, uma espécie de rendição mútua. Ela se deitou no peito dele. Falou alguma coisa, riu. Ele respondeu com um carinho lento, suave. E aí a imagem se dissolveu. Mauro desceu do vaso com cuidado. Guardou o celular no bolso. Andou até a pia como se voltasse de uma guerra. Se olhou no espelho. O rosto vermelho, o cabelo bagunçado, os olhos desvairados. Molhou a cara. E soube o que tinha que fazer. Voltou pra sala. Coti ainda tava no sofá, meio dormindo, com a série rolando no fundo. — Tudo bem? — ela perguntou sem abrir los ojos. —Sim —respondeu ele—. Melhor. Sentou-se ao lado dela. Olhou pra ela por um instante. Não pensava. Agia. Puxou o cobertor. Apoiou uma mão na perna dela, a outra na cintura. Ela olhou pra ele, surpresa. —O que cê tá fazendo? —Nada. Ela olhou pra ele com ceticismo, quase uma careta. —E agora? Ele não respondeu. Inclinou-se e beijou o pescoço dela, devagar, como tinha visto. Buscou o ritmo, a respiração. Ela não respondeu de imediato, mas também não o impediu. Ele desceu a mão pela coxa, sem pressa, como se já soubesse como aquele corpo funcionava. Ajoelhou-se na frente do sofá. Tirou a calça de pijama dela. Ela olhava pra ele de cima, entre a confusão e algo que parecia desejo. —Mauro… —disse ela, baixinho. Mas ele já estava lá. Beijando ela. Tocando com firmeza, com fome, com uma urgência que não lembrava de ter em anos. Foi ela quem, de repente, agarrou a cabeça dele e puxou pra cima. Se beijaram. Com boca, com língua, com dentes. O corpo dela começou a despertar. —O que deu em você? —perguntou, ofegante. —Não sei. Preciso de você. Ela se deixou levar. Apenas um gesto de entrega, de abandono, como se baixasse os braços depois de anos segurando uma tensão invisível. Mauro sentiu: foi um clique sutil, mas decisivo. Levantou a camiseta dela pela cintura e beijou a barriga, devagar. Ela suspirou, ainda morna, ainda desconfiando um pouco. —O que deu em você? —repetiu, semi-cerrando os olhos. —Não pergunta. —Ele respondeu sem parar de beijar—. Vamos pra cama? Tô com medo dela acordar… —Mauro não deixou ela terminar a frase—Não, aqui. Quanto tempo que a gente não faz no sofá? Coti não disse nada. Deixou ele continuar. O tecido do pijama desceu fácil e Mauro deslizou as mãos pela pele exposta com uma suavidade que ela não lembrava. Como se estivesse tocando algo novo. Como se a redescobrisse. Ele ajoelhou-se na frente do sofá, com o corpo tenso mas decidido. A língua desceu pela barriga, encontrou a buceta morna, molhada, reativa. Coti se arqueou só um pouco, surpresa com o jeito que ele a pegava, como se tivesse um mapa na cabeça. —Aí… sim… —sussurrou, entre os dentes. Mauro segurava firme os quadris dela, igual tinha visto minutos antes na cena alheia. Imitava com descaramento e precisão. Mas já não era imitação: era desejo próprio, canalizado, feroz. —Assim? —perguntou, olhando pra ela de baixo. —Mais… —disse ela, de olhos fechados—. Não para. E ele não parou. A boca guiava ele. A língua se mexia como se tivesse sonhado com aquele momento por meses. Ela começou a se mexer em cima dele, as coxas tremendo, a respiração ofegante. Quando sentiu que ela tava perto do limite, ele se levantou e tirou a camiseta dela. Beijou ela na boca, molhado, com a mistura dos dois na língua. —Você quer ele dentro, né? —falou, com uma voz que não era a dele. Mostrando o pau duro, apontando pro teto igual um míssil. Coti não respondeu. Só se abriu. Ele tinha abaixado a calça de moletão, rápido, atrapalhado. Pegou ela pela cintura e guiou pra cima dele. Foi meio sem jeito pra entrar, mas depois que entrou, foi só corpo. —Assim… —ofegou ela— Que pau gostoso, filha da puta! Mauro se mexia com uma mistura de raiva e ternura. Observava ela de baixo, enquanto ela cavalgava ele com uma intensidade nova, como se algo tivesse finalmente quebrado. —Não vai embora —disse ele, quase sem perceber. —Tô aqui —respondeu ela—. Você tá me deixando louca. Se beijavam com fúria, com necessidade. Ele chupava os peitos dela, falava coisas no ouvido que nem sabia que tinha guardado. Ela respondia com movimentos precisos, como se também tivesse esperado aquele momento, mesmo sem saber. —Você vai me fazer gozar —disse ela, tremendo. —Vai… goza em cima de mim —murmurou ele—. Quero te ver. E ele viu. Sentiu ela gozar com um espasmo longo, quente, que empurrou ele a continuar, a meter de baixo enquanto ela se deixava cair em cima dele, vencida. Ele não demorou pra chegar. Fechou os olhos e apertou os dentes. Quando gozou, se Ele se sentiu leve e quebrado. Como se algo tivesse pegado fogo e finalmente apagado. Ficaram assim por um tempo, suados, abraçados, sem falar nada. —O que foi isso? —ela perguntou, ainda sem fôlego. Mauro não respondeu. Não conseguia. A única coisa que passava pela cabeça dele era a imagem ampliada do iPhone, o reflexo no ventilador de teto, e como tudo aquilo, de algum jeito obscuro, tinha trazido eles de volta. Mas não disse nada. Só apertou o abraço. Como se tivesse medo de perder ela de novo. Parte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/6052939/Mis-vecinos-cogiendo-3.html
Naquela hora, o apartamento estava no silêncio de sempre. O corpo da Coti — macio, quentinho, familiar — descansava no sofá como toda noite, com uma coberta leve sobre as pernas e os olhos semiabertos encarando a tela. Mauro fingia que também tava vendo, com o celular na mão. Mas já não pensava na série. Fazia tempo que não pensava em nada do que rolava ali dentro.
Há semanas, a rotina tinha se contaminado com uma expectativa nova, muda, clandestina. Toda noite, quando Coti começava a cochilar, ele disfarçava um bocejo, uma ida até a cozinha, a desculpa de baixar uma persiana. Mas o que ele procurava era outra coisa: a luz acesa do outro lado do prédio, o sinal mínimo de que os vizinhos — aquele casal novo, vibrante, sem filhos, sem horário, sem desgaste — estavam acordados.
Ele ficava excitado com algo que não conseguia dizer em voz alta: aquele apartamento da frente parecia um eco do que já não era mais. A juventude deles era como uma pele que ele tinha perdido, uma pele pra qual não voltaria. E mesmo assim, ali estava ele, desejando, espiando.
Na maioria das noites, era um fracasso. As luzes apagadas, a janela fechada, o blackout corrido. Ou pior: ele via eles se mexendo, andando, talvez discutindo, vestindo roupa confortável e sentando pra jantar. Mauro ficava parado que nem um idiota, mal respirando atrás da persiana. Uma parte dele queria que não acontecesse nada. Outra se frustrava.
Durante o dia, não era muito diferente. Uma manhã de home office, o movimento do outro lado da janela foi o bastante pra ele perder o fio da meada numa reunião. Ela apareceu com um copo na mão, um top esportivo e o cabelo solto. Não fazia nada de especial. Só andar. Mas ele não conseguia parar de olhar. Nem de esperar alguma coisa.
De madrugada, ele se levantava com a desculpa de pegar um copo d'água. Ia pra cozinha descalço, atravessando a escuridão com uma esperança absurda: ver eles acordados. Às vezes acontecia. Mas a cena já tava fechada por uma cortina preta.
Até aquela Noite.
Estavam vendo uma série, daquelas que ninguém tava muito afim. Coti, como sempre, tava com a cabeça no travesseiro, no piloto automático, com o controle entre os dedos. Mauro tava sentado mais reto. Do ângulo dele, bem de onde tava, dava pra ver a janela do prédio da frente. E algo acendeu. Uma luz.Não falou nada. Só virou a cabeça uma fração de segundo. A cena começou como outras vezes: a porta abriu, entraram rápido. Ele jogou as chaves na mesa. Ela riu. Se empurraram. Se beijaram. Mas dessa vez não teve pausa, não teve espera. Era como se estivessem queimando. Arrancavam a roupa um do outro, se beijavam com força. Em segundos já estavam no sofá, ele deitado, ela por cima.
Mauro engoliu seco. Não dava pra olhar muito sem Coti perceber alguma coisa estranha na postura dele, na respiração. O coração tava batendo forte. Tentou se concentrar na série, mas a imagem da frente puxava ele. Tinha que olhar.
— Ufa, acho que a janta me caiu mal — falou de repente, levando a mão na barriga. Coti mal reagiu.
— Quer alguma coisa?
— Não, vou no banheiro um segundo.
Entrou e fechou a porta sem pressa, mas com as mãos geladas. Parou na frente do vaso e levantou a vista. Tava ali: o basculante do banheiro, uma abertura retangular na parte alta da parede, na altura perfeita. Subiu em cima da tampa fechada do vaso, devagar. Olhou.
E viu. Tudo.
Melhor enquadrado, melhor iluminado, mais nítido. O sofá, as pernas dela enrolando a cintura dele, os movimentos, os gestos. O prazer sem censura. Mauro ficou imóvel. Um pensamento só passou pela cabeça dele: aquele era o lugar dele. Não o sofá. O basculante.
Do basculante, a imagem era mais nítida do que ele jamais imaginou. A cena se desenrolava como uma coreografia selvagem emoldurada pela janela do apartamento da frente.
Ela montada nele, com o torso nu e o cabelo colado no pescoço, se movia com uma confiança... que o deslocava. Ele tinha as mãos na cintura dela, guiando ou se entregando, não dava pra saber. A luz lateral recortava os dois como uma silhueta, mas já bastava. Bastava pra ver demais. Mauro não se mexia. Mal respirava. As pernas tremendo em cima da tampa do vaso, o corpo curvado pra manter o olho naquela fresta minúscula. Cada vez que piscava, sentia que tava perdendo algo. Puxou o iPhone com um movimento torto e silencioso. Ligou a câmera. Zoom no máximo. No começo foi um desastre: imagem borrada, tremedeira, enquadramento impossível. Mas depois conseguiu apoiar no batente, segurando com a mão esquerda enquanto a direita estabilizava. E aí sim. A câmera amplificava tudo: os detalhes, os gestos, o suor nas costas dela, a tensão nos músculos do cara ao resistir, ao empurrar, ao se desmanchar. As mãos deslizavam por corpos vivos. Se moviam com um frenesi que parecia distante e necessário. Tavam vivos. Mauro sentiu algo parecido com fome. A excitação era tão forte que doía. Mas a culpa também doía. O nojo. O que ele tava fazendo? Em que merda ele tinha se transformado? Em que lugar escuro ele tinha se enfiado pra que aquilo — ver dois estranhos transando com fúria — parecesse mais real do que qualquer outra coisa na vida dele? E mesmo assim, não conseguia desviar o olhar. Quando terminaram, ele soube antes de acontecer. O ritmo mudou. Os gestos também. Teve uma pausa, uma espécie de rendição mútua. Ela se deitou no peito dele. Falou alguma coisa, riu. Ele respondeu com um carinho lento, suave. E aí a imagem se dissolveu. Mauro desceu do vaso com cuidado. Guardou o celular no bolso. Andou até a pia como se voltasse de uma guerra. Se olhou no espelho. O rosto vermelho, o cabelo bagunçado, os olhos desvairados. Molhou a cara. E soube o que tinha que fazer. Voltou pra sala. Coti ainda tava no sofá, meio dormindo, com a série rolando no fundo. — Tudo bem? — ela perguntou sem abrir los ojos. —Sim —respondeu ele—. Melhor. Sentou-se ao lado dela. Olhou pra ela por um instante. Não pensava. Agia. Puxou o cobertor. Apoiou uma mão na perna dela, a outra na cintura. Ela olhou pra ele, surpresa. —O que cê tá fazendo? —Nada. Ela olhou pra ele com ceticismo, quase uma careta. —E agora? Ele não respondeu. Inclinou-se e beijou o pescoço dela, devagar, como tinha visto. Buscou o ritmo, a respiração. Ela não respondeu de imediato, mas também não o impediu. Ele desceu a mão pela coxa, sem pressa, como se já soubesse como aquele corpo funcionava. Ajoelhou-se na frente do sofá. Tirou a calça de pijama dela. Ela olhava pra ele de cima, entre a confusão e algo que parecia desejo. —Mauro… —disse ela, baixinho. Mas ele já estava lá. Beijando ela. Tocando com firmeza, com fome, com uma urgência que não lembrava de ter em anos. Foi ela quem, de repente, agarrou a cabeça dele e puxou pra cima. Se beijaram. Com boca, com língua, com dentes. O corpo dela começou a despertar. —O que deu em você? —perguntou, ofegante. —Não sei. Preciso de você. Ela se deixou levar. Apenas um gesto de entrega, de abandono, como se baixasse os braços depois de anos segurando uma tensão invisível. Mauro sentiu: foi um clique sutil, mas decisivo. Levantou a camiseta dela pela cintura e beijou a barriga, devagar. Ela suspirou, ainda morna, ainda desconfiando um pouco. —O que deu em você? —repetiu, semi-cerrando os olhos. —Não pergunta. —Ele respondeu sem parar de beijar—. Vamos pra cama? Tô com medo dela acordar… —Mauro não deixou ela terminar a frase—Não, aqui. Quanto tempo que a gente não faz no sofá? Coti não disse nada. Deixou ele continuar. O tecido do pijama desceu fácil e Mauro deslizou as mãos pela pele exposta com uma suavidade que ela não lembrava. Como se estivesse tocando algo novo. Como se a redescobrisse. Ele ajoelhou-se na frente do sofá, com o corpo tenso mas decidido. A língua desceu pela barriga, encontrou a buceta morna, molhada, reativa. Coti se arqueou só um pouco, surpresa com o jeito que ele a pegava, como se tivesse um mapa na cabeça. —Aí… sim… —sussurrou, entre os dentes. Mauro segurava firme os quadris dela, igual tinha visto minutos antes na cena alheia. Imitava com descaramento e precisão. Mas já não era imitação: era desejo próprio, canalizado, feroz. —Assim? —perguntou, olhando pra ela de baixo. —Mais… —disse ela, de olhos fechados—. Não para. E ele não parou. A boca guiava ele. A língua se mexia como se tivesse sonhado com aquele momento por meses. Ela começou a se mexer em cima dele, as coxas tremendo, a respiração ofegante. Quando sentiu que ela tava perto do limite, ele se levantou e tirou a camiseta dela. Beijou ela na boca, molhado, com a mistura dos dois na língua. —Você quer ele dentro, né? —falou, com uma voz que não era a dele. Mostrando o pau duro, apontando pro teto igual um míssil. Coti não respondeu. Só se abriu. Ele tinha abaixado a calça de moletão, rápido, atrapalhado. Pegou ela pela cintura e guiou pra cima dele. Foi meio sem jeito pra entrar, mas depois que entrou, foi só corpo. —Assim… —ofegou ela— Que pau gostoso, filha da puta! Mauro se mexia com uma mistura de raiva e ternura. Observava ela de baixo, enquanto ela cavalgava ele com uma intensidade nova, como se algo tivesse finalmente quebrado. —Não vai embora —disse ele, quase sem perceber. —Tô aqui —respondeu ela—. Você tá me deixando louca. Se beijavam com fúria, com necessidade. Ele chupava os peitos dela, falava coisas no ouvido que nem sabia que tinha guardado. Ela respondia com movimentos precisos, como se também tivesse esperado aquele momento, mesmo sem saber. —Você vai me fazer gozar —disse ela, tremendo. —Vai… goza em cima de mim —murmurou ele—. Quero te ver. E ele viu. Sentiu ela gozar com um espasmo longo, quente, que empurrou ele a continuar, a meter de baixo enquanto ela se deixava cair em cima dele, vencida. Ele não demorou pra chegar. Fechou os olhos e apertou os dentes. Quando gozou, se Ele se sentiu leve e quebrado. Como se algo tivesse pegado fogo e finalmente apagado. Ficaram assim por um tempo, suados, abraçados, sem falar nada. —O que foi isso? —ela perguntou, ainda sem fôlego. Mauro não respondeu. Não conseguia. A única coisa que passava pela cabeça dele era a imagem ampliada do iPhone, o reflexo no ventilador de teto, e como tudo aquilo, de algum jeito obscuro, tinha trazido eles de volta. Mas não disse nada. Só apertou o abraço. Como se tivesse medo de perder ela de novo. Parte 3http://m.poringa.net/posts/relatos/6052939/Mis-vecinos-cogiendo-3.html
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