Os Segredos de Teresa, Minha Avó | Cap. II

Os Segredos de Teresa, Minha Avó | Cap. II

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Alguns leitores me perguntaram se eu tinha Patreon. É esteAnnie Zarel


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Domingo passou sem sobressaltos.

Fui à casa dos meus pais no meio da manhã. Peguei um carro; ainda não tinha resolvido a questão do carro e não queria depender de ninguém. O trajeto foi curto, apenas quinze minutos do meu apartamento até o condomínio onde cresci. O suficiente para lembrar da rotina de antes.

Sofía abriu a porta.

—Agora você é visitante formal? —brincou.

A abracei. Continua sendo mais expressiva que eu. Minha mãe apareceu da cozinha com o mesmo gesto protetor de sempre, embora eu não tenha mais vinte anos recém-completos. Meu pai me deu um aperto de mão antes de me abraçar também, breve, firme.

Almoçamos juntos. Conversas normais: como estava o apartamento, se já tinha tudo pronto para segunda, se precisava de algo. Meu pai perguntou sobre os planos na empresa com tom técnico, não emocional. Sempre foi assim. Interessado, mas prático.

Sofía falou da universidade. Provas, trabalhos, um professor insuportável. A escutei com atenção real. Gosto de vê-la crescer com essa mistura de segurança e caos que caracteriza os primeiros anos da vida adulta.

Fui embora antes das cinco.

Não queria chegar tarde para organizar minhas coisas. Na segunda começava formalmente minha integração à empresa do vovô e preferia começar sem improvisações.

Naquela noite, já no apartamento, revisei documentos, organizei roupas, deixei a escrivaninha livre. Liguei para meu avô, Ernesto.

Atendeu no segundo toque.

—Pronto para amanhã?

—Sim.

—Bom. Não chegue antes das oito. Não preciso de mártires no meu prédio.

Sorri.

—Entendido.

—Vou te apresentar à equipe. Não vou interferir na sua liderança. Vou te apoiar, mas não vou te carregar.

Era a maneira dele de dizer que confiava em mim.

—É o que espero.

—Daniel.

O tom dele mudou levemente.

—Aqui você não é meu neto. É mais um profissional. Que ninguém tenha dúvidas disso.

—De acordo.

Desligamos.

Dormi pouco.

Não por nervosismo.

Por antecipação.

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Na segunda cheguei às 7:50 a.m. O prédio corporativo se erguia em uma das áreas empresariais mais dinâmicas da cidade. Vidro escuro, linhas retas, segurança privada na entrada principal. Nada ostensivo, mas claramente consolidado. Mostrei minha identificação temporária na recepção. Me entregaram o cartão magnético definitivo. —Bem-vindo, senhor Mendoza —disse a recepcionista com profissionalismo impecável. Subi ao andar correspondente à minha área. A empresa opera em várias divisões. Eu assumiria a coordenação de uma equipe dentro da área de desenvolvimento estratégico. Não era um cargo simbólico. Implicava análise de mercado, projeções, avaliação de expansão e reestruturação de processos internos. Um terreno onde me sinto confortável. Meu avô me esperava em seu escritório. Espaço amplo, janelas que davam para a cidade, mesa limpa. Nada desnecessário. —Entra. Me apresentou primeiro ao diretor da área e depois à minha equipe. Cinco pessoas. • Laura Medina, analista sênior. • Andrés Ríos, especialista financeiro. • Paola Herrera, coordenadora operacional. • Sergio Álvarez, responsável por métricas e relatórios. • Natalia Gómez, assistente executiva da equipe. Todos mais velhos que eu, exceto Natalia. Percebi a avaliação imediata nos olhares deles. Não hostil. Mas crítica. O neto do gerente. Era inevitável. Tomei a palavra sem me estender. —Sei o que estão pensando. Não estou aqui por cortesia familiar. Meu trabalho vai ser medido em resultados. O de vocês também. Prefiro que nos avaliemos por desempenho, não por sobrenome. Silêncio breve. Depois acenos. Começamos com a revisão de projetos ativos. Dois processos de expansão em andamento. Uma aliança estratégica em negociação. Ajustes orçamentários pendentes. Mergulhei nos dados com naturalidade. Aí é onde funciono melhor. Entre números, projeções, estruturas. O resto da segunda-feira passou entre reuniões internas, revisão de relatórios e uma chamada com um cliente externo. No final do dia, tinha claro o mapa geral das operações. A terça-feira foi mais intensa. Assumi formalmente a direção da equipe numa reunião fechada. Redistribuí tarefas, ajustei cronogramas, estabeleci indicadores de cumprimento mais rigorosos. Laura levantou uma sobrancelha quando modifiquei um prazo. —Isso implica reestruturar o fluxo de trabalho. —Eu sei —respondi—. Mas a margem atual é ineficiente. Prefiro desconforto agora do que prejuízo depois. Não discutiu mais. Respeito profissional. É disso que eu preciso. Meu avô apareceu só por alguns minutos na área naquele dia. Vinha de uma reunião externa. Cumprimentou com cortesia e seguiu para a sala dele. Não interferiu. Agradeci. Fiquei sabendo por comentários internos que Mauricio, um dos sócios principais, estava viajando por negociações. Também existe um terceiro sócio com participação minoritária, mais estratégico que operacional. Não me deram detalhes. Não pedi. A estrutura é clara: meu avô e Mauricio gerenciam a direção executiva. O terceiro supervisiona investimentos externos. Todos ocupados. Todos com agendas lotadas. A família também. Minha mãe com o trabalho dela. Meu pai com o dele. Minha tia Adriana equilibrando empresa e casa. Ricardo na própria companhia. Minha prima mais velha Valentina dividida entre faculdade e emprego. Camila e Sofía concentradas nas carreiras. Mateo ainda no colégio. Cada um na sua órbita. A casa dos meus avós, pelo que entendi, fica quase vazia a maior parte do dia. Pessoal de serviço em horários definidos. Meu avô na empresa ou viajando. E Teresa. Não perguntei por ela. Não era necessário. Na quarta-feira cheguei com a sensação de que já não era visitante. Me movia pelo prédio com fluidez. Cumprimentava pelo nome. Revisava relatórios sem supervisão. Estava funcionando. No meio da manhã liderei minha primeira reunião estratégica formal. Projetei na tela a análise de riscos de uma possível expansão para o norte do país. Expus dados, apontei fraquezas estruturais, propus ajustes. A equipe respondeu com perguntas técnicas. Não houve condescendência. Isso bastava. Saí pra comer algo na cafeteria corporativa com Sergio e Andrés. Conversas neutras. Economia, política empresarial, mercados internacionais. Nada pessoal. Assim eu prefiro. O dia foi avançando entre ligações e ajustes finais. O fluxo de trabalho diminuiu, fiquei sozinho no meu escritório. Fechei a porta. Me recostei na cadeira um momento. Tinham passado apenas quatro dias desde sábado. Respirei fundo. Abri de novo o relatório na tela e forcei minha atenção para os números. O sobrenome pesa. O cargo exige. Distrações não são admissíveis. Mesmo assim, enquanto a tarde se apagava atrás do vidro escuro do prédio, entendi algo que não esperava admitir tão cedo: Não tinha terminado de processar o que vi no sábado. Nem o que senti. Estava apenas começando a entender que a volta a essa cidade não seria só profissional. **>>>>>>>** A quarta avançou com a eficiência que eu gosto. Depois do almoço voltei pro andar com um café puro e a agenda clara. Tinha programada uma revisão interna de indicadores com Sergio e uma ligação rápida com o jurídico pra ajustar cláusulas num contrato de expansão. Nada improvisado. Nada emocional. Trabalho técnico. Terreno seguro. Às 13h15 comecei a reunião com a equipe na sala de reuniões pequena. Projetei os relatórios atualizados na tela. —Preciso que as margens de projeção estejam diferenciadas por cenário, não consolidadas —falei pro Andrés—. Não podemos apresentar números gerais pra presidência. Ele assentiu sem discutir. —Laura, revisa o impacto tributário se a gente abrir a filial antes do fechamento fiscal. Não quero surpresas em dezembro. Tomava decisões com naturalidade. Não levantava a voz. Não era necessário. A autoridade não se impõe; se sustenta.

Observei como me escutavam agora. Já não com reserva inicial, mas com atenção prática. Isso era avanço.

À 1h55 da tarde a reunião terminou. Cada um voltou à sua estação com tarefas claras. Fechei a pasta digital e voltei ao meu escritório.

O silêncio do espaço privado tem outra densidade. O barulho do corredor fica amortecido. Só o leve zumbido do ar-condicionado e o eco distante de telefones.

Tirei o paletó e pendurei atrás da porta. Afrouxei um botão do colarinho da camisa.

Acendi a lâmpada da escrivaninha embora ainda houvesse luz natural suficiente. Me ajuda a me concentrar.

Revisei e-mails pendentes. Respondi três. Apaguei sete. Arquivei outros tantos.

Eram 2h10 da tarde.

Tentei continuar com a análise comparativa de duas propostas de investimento. Tinha os números na minha frente. Colunas claras. Diferenças mínimas.

Mas a mente não se manteve nos números.

A imagem voltou sem aviso.

Teresa, de pé na sala no sábado.

O jeito como o tecido do vestido delineava a cintura dela.

Não era uma lembrança embaçada.

Era precisa.

Fechei o arquivo na tela e apoiei os antebraços sobre a escrivaninha.

Não a tinha visto desde aquele dia.

No domingo estive com meus pais e Sofía. Segunda e terça, imerso na empresa. Quarta inteira entre reuniões.

Não tinha esbarrado com ela de novo.

E no entanto, estava presente.

Me obriguei a analisar com frieza.

O que me impactou não foi só a mudança física.

Foi a coerência da mudança.

Teresa Valcárcel de Mendoza sempre foi uma mulher elegante. Correta. Cuidada. Mas agora havia algo mais trabalhado. Mais consciente.

A postura dela não era casual.

Os ombros alinhados, as costas retas, o queixo levemente elevado ao falar. Não havia rigidez; havia controle. Como se cada ângulo estivesse medido.

Lembrei como ela cruzou as pernas na sala. A segurança do gesto. O jeito como deixou que a O decote discreto do vestido mostrava apenas a coxa firme antes de cobri-la de novo.

Não era descuido.

Era domínio.

Seu corpo não tinha nada de improvisado. A pele lisa nos braços e no pescoço. As pernas definidas. O abdômen chapado sob o tecido justo. Não exagerado. Proporcional.

Disciplina.

Alguém que se cuida.

Alguém que se exige, e que investe nisso.

E depois tinha o olhar.

Essa foi a parte que mais me desestabilizou.

Não foi um olhar de avó orgulhosa.

Foi um olhar que avaliava.

Que registrava.

Quando ela cruzou os olhos com os meus na sala, não vi ternura ingênua. Vi consciência.

Consciência da presença dela.

Consciência da minha.

Passei a mão pelo maxilar.

Não devia pensar nisso em horário de trabalho.

Mas a mente funciona por associação.

A risada leve dela quando Ricardo fez aquele comentário. O jeito que ela ajustou o vestido sem pressa. O sussurro final antes de nos despedirmos.

"Agora sim vamos nos ver mais."

Ouvi a frase de novo na cabeça.

Não tinha nada explícito.

E mesmo assim, havia intenção.

Tentei racionalizar de novo.

Talvez eu esteja projetando.

Já se passaram anos. Ela também mudou. Eu também.

É normal que a percepção se reconfigure.

Mas a reação corporal que tive naquele sábado não foi intelectual.

Foi imediata.

Física.

A imagem das costas dela na cozinha voltou com clareza. A curva limpa dos ombros até o quadril. O jeito que o vestido marcava a transição entre cintura e bunda quando ela se inclinou sobre a pia.

Engoli em seco.

Me endireitei na cadeira.

Não estava fantasiando. Estava lembrando.

Tem uma diferença.

O que me inquieta não é o desejo em si.

É a contradição.

Durante anos, Teresa foi um papel definido: avó, centro da família, figura estável.

Agora, a memória do sábado insistia em apresentá-la como outra coisa.

Como mulher.

E não qualquer mulher.

Uma mulher que se sabe observada.

E que responde. Olhei o relógio no canto da tela. 14h27. Tempo demais fora da análise financeira. Abri de novo o arquivo de projeções e forcei minha atenção nas cifras. Comparei porcentagens. Ajustei variáveis. Tomei notas para a reunião de sexta com a presidência. O trabalho voltou a ocupar o primeiro plano. Mas algo ficou claro enquanto sublinhava cifras no documento: Eu não tinha terminado de processar o que vi nela. E essa falta de resolução começava a vazar em momentos onde não deveria. Às 14h30, meu celular vibrou sobre a mesa. Tela acesa. Chamada interna. Presidência. Meu avô. —Você pode subir um momento? —disse meu avô quando atendi a ligação. —Claro. —Deixei uns documentos em casa. Preciso deles hoje. Com toda a correria desses dias… —exalou com irritação contida—. Estão no escritório, sobre a escrivaninha auxiliar. Pasta azul. —Vou. —fuck you uma cópia da chave. Tenho aqui por qualquer emergência. Desligou sem acrescentar mais nada. Peguei o elevador até o último andar. O escritório da presidência ocupa a esquina inteira do prédio. Vidros mais amplos. Silêncio mais marcado. Ernesto Mendoza estava de pé ao lado da mesa quando entrei. Revisava algo no tablet. —Isso não pode esperar até amanhã —disse sem preâmbulos—. Maurício e eu temos uma reunião virtual às cinco. Não reagi ao nome. Ele me estendeu uma pequena chave metálica. —Porta principal. Você entra, vai direto pro escritório no segundo andar. Não demora mais de quinze minutos. Assenti. —A Teresa… Minha avó está em casa? —Deveria. Mas nessa hora ela costuma estar ocupada com as coisas dela. Não especificou. Não perguntei. Guardei a chave no bolso da calça e desci pro estacionamento. Peguei um veículo corporativo disponível pra deslocamentos internos. Achava incrível como agora me custava chamá-la de "avó". É como se fosse outra mulher pra mim, agora.

O trajeto até a casa foi curto. Trânsito moderado. Minha mente estava em modo prático: pegar a pasta, voltar, continuar o expediente.

Nada mais.

Estacionei em frente à residência. Fachada sóbria. Jardim frontal impecável.

Abri a porta com a cópia que meu avô me deu.

O interior estava em silêncio.

Silêncio real.

Não se ouvia televisão. Nem passos. Nem vozes.

Fechei a porta com cuidado.

—Vó? —chamei sem elevar muito a voz.

Ninguém respondeu.

Avancei pelo hall em direção à sala principal. A luz da tarde entrava de lado, projetando sombras longas sobre o piso de mármore.

Foi então que eu ouvi.

Um som breve.

Abafado.

Parei.

Silêncio de novo.

Depois, um gemido.

—Ah

Não alto.

Contido.

Mas inequívoco.

O corpo reconhece antes da mente.

Senti um golpe seco no estômago.

Não era um acidente doméstico.

Não era dor.

Era prazer.

Minha primeira reação foi negar a interpretação.

Talvez eu esteja entendendo errado.

Dei mais dois passos.

O som voltou.

—Ahh

Mais claro.

Um ritmo irregular.

Respiração acelerada.

E depois outro ruído.

Seco.

Repetido.

Como palmas abafadas.

Meu pulso disparou.

A lógica começou a montar as peças.

A origem não vinha do segundo andar. Nem do quarto principal dos meus avós.

Vinha do corredor lateral do térreo.

Onde ficam os quartos de empregada e de hóspedes.

Avancei sem saber exatamente por que fazia aquilo. Talvez pra confirmar que eu estava errado.

Cada passo era medido. O som ficava mais nítido.

—Ahhh Ahhh Ahhh

Gemidos.

Ritmo.

O baque úmido repetido contra a pele.

A porta do quarto de hóspedes estava entreaberta.

Um espaço mínimo.

Suficiente.

Me aproximei até ficar a um metro.

Não respirava.

Olhei.

A imagem se gravou numa fração de segundo.

Teresa.

De costas pra mim.

Nua.

Inclinada para frente sobre a cama. A pele tensa na curva das suas costas. Os quadris firmes marcando o compasso do movimento. O cabelo levemente bagunçado sobre os ombros. Seus peitos balançando. Um homem atrás dela. Não o reconheci. Vi seu porte físico, o perfil lateral que conseguia ver quando ele se inclinava sobre o corpo dela. Era um senhor, mais velho. Da idade dos meus avós. Um pouco mais jovem, talvez. Suas mãos seguravam os quadris dela. O som dos corpos se chocando era o aplauso que eu tinha escutado. O quarto cheirava a sexo. Não tem outra palavra. O ar estava denso. Quente. Ela gemia sem contenção. —Ahhh Ahhh Ahhh assim, assim, assim… Não era uma mulher surpreendida. Era uma mulher entregue. Ativa. Participando. Via seus movimentos. Ela mesma mexia os quadris, em círculos, de frente pra trás. Seguia o ritmo rápido daquele cara. Seus peitos pareciam imensos, quase roçavam na cama, no vai e vem. Olhava seus mamilos, também grandes. Me impressionava o tamanho. Sua pele totalmente molhada. Brilhava. Seus glúteos… Sua bunda. Grande. Naquela posição parecia imensa. Redonda. Era inevitável não olhar como ela mexia em círculos, esfregando contra aquele cara. —Ahhh… Ahhh… mais forte… mais forte… Meu cérebro tentou frear a cena. Não conseguiu. Durante anos sustentei uma imagem clara da minha avó: elegante, firme, familiar. Mesmo no sábado, com o impacto da sua transformação física, ainda tentei unir essa nova versão com a anterior. Mas isso… Isso não tinha ponte possível. A mulher que eu via agora não cabia no molde anterior. —Assim, assim, assim… Era uma mulher infiel. —Ahhh Ahhh Sim, sim Na casa. —Ahhh forte! assim… forte Na cama de hóspedes. Com aquele cara. A traição não era abstrata. Era física. Rítmica. Audível. Senti raiva. Uma onda violenta, imediata. Como ela pode fazer isso com ele? Como pode trair assim meu avô? A família. A estrutura que ela mesma sustenta. O sobrenome Mendoza pesa. E ela estava fraturando ele naquele quarto. Mas junto com a raiva surgiu algo que eu não pedi. —Ahh Ahhh Ahhh Meu corpo reagiu. Não foi escolha. Não consegui controlar. Foi biologia pura. Animal. A imagem das bundas dela… Das nádegas tensionando a cada movimento. Grandes e redondas. A firmeza das coxas. A pele marcada pelas mãos daquele cara. O som da respiração quebrada dela. Era excitante. Mesmo sendo errado. Mesmo sendo imoral. Meu maxilar travou. Minha calça também. Não consegui evitar. A contradição foi brutal. Desejo e desprezo ao mesmo tempo. Queria entrar e parar aquilo. E ao mesmo tempo não conseguia parar de olhar. Senti meu pau ficando duro. Cada vez mais. Me senti sujo por essa dualidade. Traído. E cúmplice. Minha mente corria numa velocidade descontrolada. Se meu avô soubesse. Se mais alguém soubesse. Se eu falasse algo agora mesmo. A cena continuava. —Ahhh Ahhh Que gostosa… Ela não parecia vulnerável. Parecia decidida. Participava com intensidade. —Isso, sua puta… Não era vítima. Era escolha. —Mmm… aaah… Que gostosa… Mauricio… Isso foi o que terminou de quebrar a última defesa mental que eu tinha. Mauricio… Meus olhos se arregalaram de espanto. Será que…? O celular vibrou no meu bolso. Foi como um choque elétrico que me acordou do transe em que eu estava. Recuei um passo por instinto. Tirei ele com as mãos tensas. Mensagem do meu avô: Já encontrou os documentos? Olhei de novo para o quarto. O ritmo não tinha parado. —Ahhh Ahhh Ahhh Ahhh Eles não tinham ideia de que eu estava ali. Poderia abrir a porta. Poderia dizer o nome dele. Poderia destruir tudo naquele instante. Respirei fundo. Não. Não agora. Não sem pensar. Guardei o celular sem responder. Me obriguei a girar o corpo. Cada passo em direção à escada foi um exercício de controle. Subi para o segundo andar com o coração ainda acelerado. O contraste foi absurdo. O quarto principal fechado. O corredor impecável. O escritório no fundo. Entrei. Sobre a escrivaninha auxiliar estava a pasta azul. Peguei ela. Minhas mãos ainda tremiam levemente. Desci as escadas de novo. Os sons continuavam. Apesar da tentação, não olhei dessa vez. Caminhei direto para a porta principal. Saí. Tranquei com a chave. O ar lá fora bateu no meu rosto com força. Só então respondi a mensagem. Sim. Já peguei. Tô indo pra lá. O trajeto de volta foi automático. Não lembro de semáforos nem cruzamentos. Entrei no prédio corporativo com a pasta debaixo do braço. Subi até a presidência. Bati na porta. —Entra —disse Ernesto, meu avô. Entrei. Ele me olhou por um segundo a mais do que o normal. —Tudo bem? —Sim. Entreguei a pasta pra ele. Os olhos dele pararam no meu rosto com uma análise silenciosa. —Você tá com cara ruim. —Muito trabalho —respondi. Aceitou a explicação sem insistir. —Valeu. Saí. Ao descer pro meu andar, notei que meus movimentos estavam mais rígidos. Laura me observou da mesa dela. —Você tá bem? —perguntou. —Sim. Só cansado. Não soou muito convincente. Entrei na minha sala e fechei a porta. Me apoiei contra ela um segundo. A cena voltou completa. Teresa. Nua. Entregue. Mauricio. O ritmo. Os gemidos. O sobrenome. A traição. E minha reação… Não consigo apagar o que vi. Não consigo voltar pra imagem anterior. A avó que se despedia da família com elegância já não existe na minha mente. Agora tem outra. Teresa. Uma mulher. Uma mulher que começou a despertar meu desejo. E que ao mesmo tempo. Agora. Também. Desprezo. Sentei na frente da escrivaninha. Olhei minhas mãos. Preciso decidir o que fazer. Mas antes de agir, tenho que entender o que isso significa pra mim.>>>>>>>


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