Dizem que é preciso afiar o machado de vez em quando pra ele continuar cortando. No fim das contas, um machado cego vai te deixar na mão, por mais horas que você bata. No jornal, era bem comum afiar o machado, mas isso era feito enquanto se cortava a árvore.
As pausas para tomar café ou fumar um cigarro eram constantes, mas rolavam no próprio posto de trabalho. Esses momentos ajudavam pra caralho os jornalistas, já que era comum pedir uma orientação sobre alguma matéria que estivessem escrevendo, ou trocar uma ideia sobre o que a concorrência tinha publicado. No fim, ficavam com tanta cafeína e nicotina no sangue que pareciam formigas sempre na correria. Claudia, porém, trabalhava só meio período e não gostava de perder nem um minuto pra exercer a profissão que tanto amava. Então, se tomava café, era na frente da máquina de escrever, redigindo seus artigos entre um gole e outro. Até aquele dia, em que ela se deu até o luxo de sair do jornal. É que a valenciana tinha se encontrado com a Sofia numa cafeteria famosa pra conseguir a discrição que precisava.
—...é uma puta —descreveu Claudia em voz baixa, chegando bem perto da amiga pra ninguém mais ouvir.
Sofía segurava seu café duplo com porra na mão, muda de tão impressionada com a acusação da Claudia. Elas tinham escolhido uma mesa afastada na famosa cafeteriaO Recanto, mas se soubesse, Sofia teria precisado no mínimo da intimidade de um descampado ou do topo de uma montanha.
DoO Cantinho... mais que uma cafeteria, muitos diriam que era uma livraria, porque dava pra comprar todo tipo de livros, revistas ou jornais. De petiscos, porém, mal tinha o típico sanduíche de frango desfiado, os boquerones e mais alguma tapinha. O estilo era bem ultrapassado, de pelo menos vinte ou trinta anos atrás, mas tinha uns assentos muito confortáveis e até poltronas em alguns cantos. Era bem tranquilo, principalmente nas áreas internas. A luz natural também era muito boa, e o café, delicioso. Sem dúvida, era a cafeteria preferida da Cláudia, mesmo sendo a única que ela tinha ido em muitos anos. Pena que agora não estivesse curtindo a estadia lá.
—Você ouviu o que eu disse? — perguntou finalmente a valenciana ao ver que Sofia ficou muda por tempo demais.
—Sim… com certeza. É que me surpreendeu pra caralho. A Lucía não parece capaz… sei lá. Não bate com ela. Tem certeza que não entendeu errado…?
Claudia interrompeu a amiga com uma gargalhada antes de começar a falar de novo.
—Tá falando sério? —questionou, depois se aproximou e sussurrou o mais baixo que pôde—. Ele tava metendo nela que nem um bicho. Agarrando os peitos dela e sacudindo igual quem bate um tapete na janela pra tirar o pó. Nem meu marido eu deixaria fazer uma parada dessas comigo.
A gostosa valenciana tava com muita pressa. O peito dela balançava e as palavras saíam atropeladas da boca dela. Como se o café tivesse batido forte antes da hora.
—Mas… e se o Rubén tava forçando ela? —questionou Sofia ao captar na mente aquela descrição da amiga.
Cláudia bufou balançando a cabeça.
—Ela colocava a bunda bem empinada pra ficar daquele jeito, e assim que ele gozou, a Lucía mostrou um sorriso de orelha a orelha —completou, antes de dar um gole no café, também duplo e com gozo—. Não. Ela é uma Promíscua, é isso que acontece. Sinto muito por quem tiver o azar de casar com ela. Aposto que vai falar que é virgem do mesmo jeito.
—Não exagera, Clau —interrompeu Sofia, meio ofendida —. A gente não vira uma puta por não chegar virgem no casamento. Será que você não teve vida antes do Pedro? Na faculdade?
—Claro que tive vida, e saí com alguns caras antes de conhecê-lo. Mas, claro, respeitei minha castidade e cheguei virgem ao casamento, como tem que ser.
—Nem todas pensamos igual, eu não sou virgem há alguns anos. E sou solteira.
Claudia engasgou enquanto bebia o café, sem conseguir evitar, embora tentasse disfarçar a reprovação e não fizesse nenhuma crítica à colega. Com um guardanapo, limpou os lábios para ver se não tinha resto de café, mesmo sem ter terminado de beber. A valenciana era muito cuidadosa com a aparência. Conservadora no jeito de se vestir, mas elegante e cheia de detalhes nos acessórios. Naquele dia, usava um colete preto bonito combinando com a saia longa, e uma blusa com um bordado requintado nos ombros, muito elegante, mas que não mostrava nada de decote. Já a colega dela usava um suéter roxo com calças escuras que marcavam bem o corpo. Fazia tempo que a valenciana não se importava mais com o estilo universitário das colegas.
— Será que é justo a Lucía ser promovida antes da gente só porque ela topa dar pra ele? —questionou a Cláudia num tom de voz mais alto do que qualquer uma das duas gostaria.
Sofia olhou pros lados meio corada, porque não tinha sussurrado baixo o bastante, mas logo em seguida concordou com a cabeça.
—Tem razão. Deviam nos reconhecer pelo nosso trabalho no jornal.
—Exato —confirmou ela, agradecida por ele finalmente apoiá-la.
—Mesmo que a Lucía escreva uns artigos bem gostosos.
—Isso dá no mesmo —contradisse a valenciana, completando num tom debochado e bem baixinho —. No momento em que você dá sua buceta pro seu chefe encher, perde toda a objetividade, não acha?
—Sim, acho que sim —ela admitiu.
—Conheci outras vadias como ela durante minha época na faculdade. Elas iam para as tutorias do professor depois da prova pra melhorar a nota. Prontas pra “engolir” o que fosse preciso —ela disse, enfatizando bem a palavra engolir—. E depois você via como elas passavam sua nota sem merecer.
Sofía engoliu em seco com aquele exemplo e ficou especialmente nervosa na hora. Os cílios postiços longos tremeram de leve enquanto ela tentava disfarçar o rubor.
—Também podia ter professores que, ou você passava pelo arco ou te reprovavam, não acha? —disse ela com uma certa gaguejada.
— E também putas mais do que dispostas — respondeu Claudia com reprovação —. Que nem a Lucía.
Sofia se perguntou por que, quando se referia ao diretor, evitava dizer o nome dele, enquanto que, quando falava da colega, não hesitava em chamá-la pelo nome.
—Rubén também não é nenhum santo. Ele é casado, enquanto ela é solteira e pode…
—Vamos —interrompeu de novo a valenciana —. Os homens são todos uns porcos. Isso todo mundo sabe.
—Bom, eu espero que não todos. E também não é desculpa — ela acrescentou, elevando o tom desta vez —. Se aqui tem um culpado, acima de tudo, é o Rubén.
—Abaixa a voz —lembrou Claudia —. Também não quero que isso se espalhe por aí.
—Então por que você contou isso pra mim? —ela perguntou, já bem desconfortável com a conversa.
Cláudia olhou pra colega, muitos anos mais nova que ela, com a testa franzida. Como se quisesse pedir pra ela relaxar um pouco. Uma mecha loira comprida tinha caído na testa dela, e a valenciana rapidamente a recolocava no coque baixo e elaborado, preso com um pegador preto.
—Não dava mais pra me segurar. Ontem foi um sacrifício danado ver ela desfilando e se gabando do artigo sobre o Ronald Reagan que tá preparando, e mesmo assim eu calei a boca.
Claudia mostrou os olhos carregados de inveja e ciúmes, e Sofia entendeu o problema. A jornalista valenciana era uma veterana e apaixonada pela profissão, dedicada e talentosa. Ver alguém, anos mais jovem, passando na frente dela corroía suas entranhas.
—Não tava tirando sarro. Só veio perguntar pras minas, pra dar uns conselhos e orientar ela. Todo mundo faz isso, até você às vezes.
—Vamos, Sofi. Sério que você vai defender ela? —questionou Claudia, irritada porque ela não a apoiava como queria. Terminou o café e se levantou do lugar —. Vou embora.
Eram cinco da tarde e tanto a Emma quanto o Eric estavam tirando uma soneca nos seus quartos. Hoje os dois tinham saído mais cedo da escola porque o pai não podia buscá-los, então só ficaram até a mãe passar por lá depois do trabalho. A Claudia tinha feito espaguete à bolonhesa, o prato favorito dos filhos, então eles encheram o bucho e depois caíram duros na cama.
Enquanto cozinhava, ficou remoendo tudo na cabeça e se arrependeu profundamente de ter tido aquela conversa com a Sofia. Na real, ela só queria desabafar, mas acabou se sentindo ainda mais sobrecarregada. Disse pra si mesma que, assim que visse a Sofia, ia falar com ela e pedir desculpas.
Claudia não tinha falado com Ignacio desde que se conheceram dois dias atrás. Ainda se sentia envergonhada pelo gemido alto que soltou quando se masturbou, mas aos poucos foi se convencendo de que estava exagerando tudo. Então decidiu fazer um bolo para dar ao novo morador como boas-vindas. Algo normal entre vizinhos. O marido dela chegaria em uma hora, talvez duas, e por algum motivo estranho ela não queria ir entregar o bolo quando ele estivesse em casa, então enquanto as crianças dormiam era o momento perfeito. Colocou a sobremesa numa bandeja descartável, pegou as chaves para não ficar trancada pra fora e saiu do apartamento. Mesmo tendo cozinhado, tomou cuidado para não estragar nem a roupa nem a maquiagem que tinha passado de manhã para o trabalho. Até soltou o cabelo e se arrumou um pouco pra corrigir qualquer detalhe. E enquanto fazia isso, disse a si mesma que não era pra agradar o Ignacio, mas sim porque já estava assim mesmo.
Sua saia plissada preta destacava a silhueta nos quadris e não escondia a bunda gostosa dela, além de que as meias pretas só apareciam nos tornozelos. Ela tinha desabotoado mais um botão da blusa branca, que agora se abria mostrando todo o pescoço fino e um pouco de decote. Também usava um colete curto preto com bordados brancos que combinava com a saia e a blusa ao mesmo tempo. Os brincos e o colar eram de prata, mas a aliança de casada era de ouro, então destoava bastante.
Bem antes de abrir a porta do apartamento dela pra sair no corredor, sentiu um leve aperto de vergonha, mas ignorou como quem espanta uma mosca chata. Abriu a porta com o bolo nas costas e deu uma olhada no corredor pra ver se tinha algum olho curioso. Não tinha ninguém. Aí saiu do apartamento apressada e percorreu os poucos metros que separavam o apê dela do próximo, batendo na porta com discrição. Parecia que tava fazendo alguma safadeza, pelo jeito que se comportava, mas não conseguia agir de outro jeito. Como se ela mesma fosse a maior inimiga dela. No fim das contas, o que iam pensar de uma mulher casada, bem vestida e arrumada, indo no apê de um solteiro enquanto os filhos dormiam e o marido tava fora de casa? Antes mesmo de pensar em responder, a porta se abriu. Ignacio tava do outro lado, surpreso e todo contente.
—Claudia? Que alegria te ver —cumprimentou enquanto se aproximava para dar dois beijos.
O cara tava vestindo uma camisa xadrez vermelha e branca de manga curta, mesmo com o frio de fevereiro. Umas calças jeans justas completavam o visual.
— Lembra do meu nome? — perguntou ela com fingida surpresa. — Que vergonha a minha. Já que só conversamos uma vez.
—Meu nome é Ignácio —ele disse com seu melhor sorriso.
—Ah, já lembrei — mentiu enquanto oferecia o biscoito —. Um pequeno presente oficial de boas-vindas.
Ignacio aceitou o presente de bom grado e fez cara de quem achava aquilo muito apetitoso. Ele estava penteado de um jeito que agradou a valenciana. O cabelo dele tinha uma textura que permitia pentear pra trás sem criar volume, mesmo seco.
—Entra, por favor —convidou ele a entrar.
Claudia ficou parada e mostrou um certo alarme com a proposta, mas rapidamente aceitou desconfiada. Como quem cede obrigada, mas ao mesmo tempo não quer que a oferta seja recusada. Ele deu passagem com cavalheirismo, com um gesto de mão enquanto sorria calorosamente para ela.
A valenciana logo percebeu a falta de um toque feminino no apê. Não tinha decoração nenhuma e mal dava pra ver móveis. Só tinha a TV ligada no meio da sala, bem perto de uma poltrona individual, e um relógio grandão na parede comprida do cômodo, que parecia bem vazia. Ela botou a culpa na bagunça por ele ter se mudado fazia pouco tempo.
—Vejo que ainda não se instalou de vez.
Ignacio colocou a mão na cabeça e coçou a nuca, parecendo meio envergonhado.
—Nunca dei importância pra decoração. Conforme vou precisando de algo, vou adicionando.
Claudia arregalou os olhos e apertou os lábios, como se não quisesse mostrar sua discordância com palavras.
—Dá pra ver que você é solteiro. É divorciado?
—Não. Quase me casei uma vez, mas no final não deu certo —revelou com um certo desânimo na voz.
A expressão melancólica dele fez Claudia se arrepender de ter sido indiscreta, mas então ela reparou que em cima da mesa da cozinha havia várias cestas de boas-vindas. Todas maiores e mais generosas que o seu pequeno bolinho.
— Vejo que não sou a primeira a te trazer um presente de boas-vindas — disse num tom levemente desdenhoso —. Vou colocar o meu junto com o resto.
—Vocês são todas muito generosas neste prédio. Com certeza me sinto mais que satisfeito.
Cláudia foi até o balcão da cozinha, que dividia espaço com a sala, e deixou lá a bandeja com o bolo. De perto, pôde observar bem as cestas. Uma delas estava cheia de bolinhos, outra tinha rabanadas com raspas de açúcar de confeiteiro, e ainda outra com docinhos variados. Na maior, havia muitas maçãs rodeando uma sobremesa que parecia ser de maçã também, com um bilhete. Teve a cara de pau de inclinar levemente o bilhete com o dedo para ler.Bem-vindo ao prédio. Fica à vontade pra bater na minha porta se precisar de qualquer coisa.dizia, para depois estar assinado por Valentina Flores. A valenciana imediatamente bufou diante da cara de pau da vizinha da frente. Claudia sabia que ela era uma mulher casada com três filhos, mas sempre a viu como uma mulher muitosoltaE dada à libertinagem. Tanto pelas coisas que dizia, quanto pelo jeito de se vestir, ou principalmente, pelas amigas com quem costumava ser vista.
— Que proposta mais indecente — sussurrou ela, de forma quase imperceptível.
—O quê? —perguntou ele sem ter conseguido ouvi-la.
—Nada, só tô falando que me surpreende muito a dona Flores ter escrito algo que pode ser tão mal interpretado —comentou com voz calma. —Ela é uma senhora respeitada, com três filhos e um marido excepcional. E se mantém muito gostosa apesar de já ter quarenta e cinco anos —completou no final, mesmo sem ter nada a ver com o que disse antes.
—Entendo —comentou Ignácio, sem entendê-la totalmente —. Bem… é só uma formalidade. Aliás, você também é casada, né?
Claudia concordou na hora, como se nunca tivesse a intenção de esconder, mas um rubor no rosto dela entregava o contrário.
—Sim. Meu marido se chama Pedro —disse ela com uma certa gaguejada.
—E duas crianças, né? — acrescentou ele com cordialidade.
—Emma e Eric. Eles são todo o meu mundo — comentou ela com um sorriso sincero, e depois perguntou num tom disfarçado —. Quem te contou? A Valentina?
—É… pois é. Foi a Valentina mesmo.
Claudia sorriu de orelha a orelha, mas os olhos dela mostravam um certo desprezo. Já o Ignacio, tava numa boa. Até encostou o lado do corpo na parede, num gesto bem relaxado.
—Uma das coisas que mais me arrependo é de ainda não ter tido nenhum filho — ele se abriu em seguida.
—Pois ainda dá tempo —foi a resposta seca dela. A verdade é que desde que o marido e os filhos dela foram mencionados, ela ficou mais desconfortável ali. Como se não quisesse prolongar mais a estadia.
—E você não quer ter mais?
Claudia fez uma careta sem perceber, como se já estivesse cansada de ouvir a mesma pergunta.
—Não posso me dar ao luxo de tirar uma licença no meu trabalho, se quiser manter ele. Todas as que engravidam no jornal não voltam. Geralmente é sinônimo de pedir demissão, e eu gosto do meu emprego.
Ignacio concordou com a explicação dela, balançando a cabeça.
—Você é secretária? — ele acabou perguntando.
— Jornalista —ela disse em tom ofendido.
—Me desculpa.
Claudia suavizou a expressão, enquanto ajustava por inércia seu lindo colete, para então sorrir antes de falar.
—Escrevo pro jornal desde pouco depois de terminar a faculdade, há oito anos.
— Não costumo ler muito o jornal, pra ser sincero. Não me interesso por política nem fofoca, mas acho que é um trabalho admirável — elogiou ele, num tom sincero.
—Me apaixona. Transmitir pros outros através de palavras que nascem das tuas entranhas e ganham forma. Saber que tem milhares de pessoas lendo essas palavras — confessou com voz veemente. — Por um breve instante, você é o centro das atenções delas — garantiu ela, apoiando-se no balcão da cozinha e se inclinando com um gesto distraído.
Ao se inclinar, ela mostrou um pouco dos peitos, e o Ignácio olhou por só um segundo. A Cláudia se ajeitou na hora, toda corada, e ficou muda. Um silêncio constrangedor se estendeu por uns instantes, que ele quebrou como se nada tivesse acontecido.
—A propósito… vocês estão com a parte da instalação elétrica em ordem? —perguntou, mudando de assunto—. Às vezes, enquanto durmo, sinto um zumbido leve vindo da parede ao lado do apartamento de vocês. E já me certifiquei de que não é daqui.
Claudia fez cara de quem não entendeu o que eu tava perguntando, e no fim colocou o dedo no queixo.
—As contas tão vindo um pouco mais caras desde uns meses atrás, agora que você falou nisso.
—Pois a luz não subiu. Talvez seja algum fio com defeito. Posso dar uma olhada um dia, se quiser — ofereceu-se com gentileza, mas ao perceber certa resistência na vizinha, amenizou —. Entendo dessas coisas, e como sou um dos principais beneficiados, não vou cobrar pelo conserto — comentou com um sorriso sem graça —. Meu sono é muito leve.
Ignacio sorriu com aquela dentadura grande e perfeita, e Claudia concordou sem conseguir se negar.
—Você é eletricista?
— Mais ou menos. Sou engenheiro elétrico — ele admitiu.
—E qual é a diferença? — perguntou curiosa enquanto pegava um dos bolinhos de um dos cestos.
—Bom… Um eletricista trabalha com as instalações que tem num prédio. Um engenheiro elétrico, com os sistemas e equipamentos que fazem essas instalações funcionarem — comentou enquanto via Claudia dar uma mordida no bolinho e fazer cara de nojo —. Mas eu trabalhei principalmente com inovação e desenvolvimento.
—Eca —ela fez uma careta de nojo —. Dá pra ver que não são caseiras.
—Ah, é? —comentou ele enquanto esticava a mão e pegava o bolinho que ela segurava. Segurou com delicadeza, acariciando os dedos de Claudia no processo. Depois de fazer isso, deu uma mordida no doce e imediatamente balançou a cabeça com um gesto de desaprovação —. Muito secos, mas acho que são caseiros.
A jornalista engoliu seco e não conseguiu levantar o olhar. Ainda sentia o toque doce dos dedos dele entre os seus, e isso a fez se sentir vulnerável.
—Pior ainda pra mim —disse ela finalmente, erguendo o olhar com um sorriso safado.
Em seguida, enfiou o dedo na sobremesa de maçã da Valentina, estragando o presente com o gesto insolente dele, e levou o dedo à boca. Rapidamente fez outra careta de nojo, ainda mais exagerada dessa vez.
—Também não é caseiro? — perguntou ele.
—Não, isso ela fez sim — garantiu ele, olhando para a sobremesa com horror —. Ela colocou tanto açúcar que enjoa mais do que comer porra condensada na boca.
O engenheiro riu brevemente de forma pausada e segura, olhando com interesse e desejo pra sua vizinha.
—Deixa eu provar, vou ver —pediu Ignácio com voz grave, que em vez de colocar o dedo no bolo foi provar direto nos lábios da Cláudia.
O homem juntou a boca na dela e a valenciana parou de respirar naquele instante. Os lábios se sobrepuseram um no outro e rapidamente as línguas se encontraram. Claudia sentiu o coração começar a bombear forte, enquanto percebia a língua quente dele entrando como um invasor estrangeiro. Sentiu a tensão dos nervos em cada grama da sua pele. Aquela loucura de excitação que percorre o corpo todo e te faz ir ao banheiro mais do que o normal. Ela ficou imóvel e indefesa, anestesiada da sua consciência e da sua moral.
A mão grande de Ignácio envolveu a cabeça de Cláudia pela nuca, entrelaçando os dedos no couro cabeludo dela. Com a outra mão, segurou-a pela cintura. Era calmante e acolhedor, e sem perceber, a valenciana estava nos braços do vizinho. Cláudia colocou as mãos nas costas largas dele, abraçando-o num estado ausente. Bebia da boca dele como se estivesse faminta. Não com voracidade, mas com uma fixação serena. Sem pressa, mas sem pausa nenhuma. Saboreando.
A valenciana lambeu cada milímetro daquela língua enorme até sentir a mandíbula cansada e soltou ela sem perceber. Foi tanto o vazio que veio logo em seguida que ela imediatamente enfiou a língua de novo na boca dele, se recusando a perder o gosto. Ela lambeu toda a dentuça do Ignacio, e ele desceu a mão que tava na cintura dela até a bunda, acariciando com cuidado. A Claudia ficou na ponta dos pés de tão excitada.
Ignacio não demorou muito para tirar a outra mão e também colocá-la na bunda gostosa dela. Claudia tirou a língua, mas não a boca, ao sentir os dedões dele remexendo a calcinha dela e roçando o cu dela, mesmo por cima da saia. Ela, de olhos fechados o tempo todo, chupou os lábios dele como se fossem alcaçuz que ela quisesse desgastar com lambidas, enquanto sentia a calcinha dela se deslocando de um lado pro outro sem controle. O engenheiro então levantou Claudia segurando ela pela cintura e colocou ela em cima da pia da cozinha. Claudia baixou as mãos das costas dele e se agarrou nos braços dele, como se fossem corrimões resistentes.
—Espera… —ela sussurrou, abrindo os olhos devagar. Mas não disse mais nada.
Ignacio colocou as mãos bem em cima dos tornozelos dela e, ao sentir as meias, deslizou as mãos até a coxa e as puxou para baixo para tirá-las de vez. Claudia suspirou alto quando sentiu as meias descendo pelas pernas, como se ficasse indefesa com aquilo. Sem rasgá-las, o engenheiro as removeu por completo depois de descalçar os pés dela. As pernas de Claudia tremiam, e ela evitava olhar no rosto dele. Então, Ignacio colocou as mãos de novo sobre os tornozelos, dessa vez tocando diretamente a pele nua. Conforme foi subindo, os tremores da valenciana se intensificaram, e ela recuou um pouco a cabeça enquanto fechava os olhos. Ele também foi se levantando até ficar completamente de pé quando as mãos acariciavam as coxas dela.
Claudia sentia o coração batendo tão forte que parecia que ia saltar do peito. Ela ergueu a cabeça e a aproximou do pescoço robusto dele, como se não tivesse forças para sustentá-la sozinha. Ofegava, quase sem ar nos pulmões, e então desceu a mão direita até a virilha dele, começando a esfregar por cima da calça jeans. Devagar no começo, e depois cada vez mais rápido, conforme sentia o volume crescer. Com a outra mão, começou a apalpar a bunda firme do vizinho, e se atreveu a apertá-la num impulso de tesão. A esfregação frenética foi aumentando até que ela sentiu ele segurar a calcinha dela e puxá-la para fora, fazendo com que descesse da cintura até os joelhos e depois até o fim, ficando presa no tornozelo esquerdo sem cair.
Claudia estava nervosamente excitada, e mesmo ainda de saia, sentia a buceta morbidamente exposta sem a calcinha. Ele tirou as mãos de entre as pernas dela, e ela sentiu um vazio gelado que apagava o fogo da sua vulva, desejando ser invadida de novo por aquelas mãos grandes e fortes. Então, Ignacio desabotoou a calça jeans e a baixou parcialmente junto com a cueca branca. Um pau, completamente ereto e grande, parecia cumprimentar. Era grosso e pulsava de cima a baixo, como se estivesse dançando de leve. A valenciana lambeu os lábios sem perceber, mas não se mexeu. Como se a passividade dela amenizasse a sua deslealdade.
Ignacio colocou as mãos de novo por baixo da saia dela e, segurando a cintura, puxou-a um pouco para perto, deixando os quadris deles no mesmo nível. Claudia desceu um pouco do balcão da cozinha, mas os cotovelos ainda conseguiam se apoiar nele. Sentiu a calcinha escorregar de vez pelo tornozelo, e uma sensação de obscenidade subiu do pé até a buceta. Então, com a saia escancarada pelos braços dele, foi se aproximando até a ponta do pau de Ignacio roçar a boceta faminta dela. Claudia ergueu o olhar enquanto o peito subia e descia num ritmo acelerado, e os olhos dela encontraram os de Ignacio. Nenhuma palavra saiu dos lábios dos dois, mas com o olhar disseram tudo que precisavam. O tesão era tanto que se imploraram para continuar. Devagar, o pauzão de Ignacio foi se encaixando entre as pernas dela, e a valenciana sentiu o pinto grosso, quente e duro, entrando na carne dela. Um gemido intenso e gutural escapou enquanto ela sentia ser preenchida por completo.
O engenhoso forte segurava ela pelas coxas como se fosse um carrinho de mão, e começou a penetrar cada vez mais fundo e com mais força. Ele movia a cintura pra cima com a pegada de um touro, mas ao mesmo tempo com a delicadeza de um golfinho dançante que quer dar prazer. A camisa xadrez vermelha do Ignácio estava esticada a ponto dos botões parecerem que iam estourar, e os abdômen sarado e os peitorais largos brilhavam à mostra.
Claudia começou a se sentir como uma cadela no cio. Só paixão e sexo. O pauzão dele preenchia ela de um jeito que ela jamais achou possível. Ela só conhecia a trepada com o marido, então nunca imaginou uma sensação tão avassaladora. Conforme a buceta dela foi se abrindo, deixou a gravidade fazer com que as penetradas ficassem mais brutas. Ignacio desabotoou rapidamente o colete preto dela, mas teve que voltar o braço pra posição anterior ou ia ferrar a postura. Ela deu uma fingida com a mão direita e desabotoou dois botões da blusa, deixando à mostra o sutiã e parte dos peitos, mas, igual ele, teve que apoiar de novo o cotovelo no frango da cozinha.
Não havia palavras entre eles, só olhares que convidavam ao desejo e leves gemidos incontroláveis. Claudia sentiu um formigamento dentro da buceta que não conseguia acalmar. Mexeu o quadril pra rolar o pau dele naquela área, mas a coceira não passava. O formigamento se espalhou um pouco e a valenciana começou a se empurrar com mais força pra que o pau de Ignacio atacasse mais forte. Em poucos segundos, as penetrações viraram investidas e uns gemidos delirantes escaparam sem que ela percebesse. O frenesi fez os gemidos virarem gritos indecentes, e Claudia sentiu os cotovelos fraquejarem.
Ignacio investia com tanta impetuosidade que jogou a cabeça pra trás tentando aguentar, tanto pelo esforço dos braços quanto pelo orgasmo que tentava controlar. A valenciana não se segurou e desceu o quadril até sentir os ovos grossos dele batendo no cu dela. A coceira, longe de diminuir, só aumentava a cada instante, fazendo com que ela descesse ainda mais forte. O brutamontes urrava enquanto se jogava pra cima pra meter o mais forte que podia. As panturrilhas dele estavam pegando fogo e os tornozelos ameaçando torcer, e então Claudia soltou um gritinho com espasmos obscenos. A coceira tinha explodido e uma torrente de prazer e líquidos vaginais escorreu feito uma cachoeira. Nunca tinha sentido um orgasmo tão selvagem quanto aquele, e vários fios de baba escorreram pela bochecha dela enquanto a outra boca também babava. A valenciana soltou mais uns dois gemidos e abaixou a cabeça como se tivesse perdido as forças ou a vergonha tivesse tomado conta.
O movimento de sobe e desce ficou mais fluido, como quando uma engrenagem é lubrificada e para de chiar. E Ignacio percebeu que logo não conseguiria mais segurar o orgasmo, mas então Claudia o afastou bruscamente com as pernas, entre gemidos silenciosos que beiravam o choro contido. Os dois chutes não machucaram o grandalhão, mas ele caiu sentado de bunda no chão, com o pau grosso coberto de buceta. A cabeçuda parecia olhar com reprovação o desfecho dos acontecimentos. Claudia, sem nem olhar pra ele, saiu correndo como pôde. Seus movimentos foram desajeitados e até meio cômicos, porque ela escorregava como se estivesse tonta, e tamanha foi a pressa que não pegou os sapatos, nem as meias, nem a calcinha. Chegou até a entrada e a atravessou com ímpeto.
Claudia tentou segurar o choro e diminuiu o passo no corredor, como se quisesse manter a compostura. Por sorte, ninguém passava por ali naquele momento, porque nada ia disfarçar a buceta aberta e a cara de culpa da mulher. Só quando entrou em casa é que desabou a chorar em silêncio. Se sentia suja e humilhada por si mesma, como se uma parte dela tivesse violentado a outra. E foi direto pro chuveiro.
Enquanto a valenciana se despia, percebeu que não estava usando sapatos e que tinha deixado todo o resto na casa do Ignacio, mas já deu tudo como perdido. Depois de tirar toda a roupa, entrou no chuveiro e se ensaboou com vontade. E só saiu quando o marido chegou em casa meia hora depois, decidida a fingir que nada tinha acontecido.
Espero que vocês tenham gostado. Esse é um capítulo de um dos meus livros, que você pode baixar completo e de graça no meu patreon: patreon.com/JTyCC
As pausas para tomar café ou fumar um cigarro eram constantes, mas rolavam no próprio posto de trabalho. Esses momentos ajudavam pra caralho os jornalistas, já que era comum pedir uma orientação sobre alguma matéria que estivessem escrevendo, ou trocar uma ideia sobre o que a concorrência tinha publicado. No fim, ficavam com tanta cafeína e nicotina no sangue que pareciam formigas sempre na correria. Claudia, porém, trabalhava só meio período e não gostava de perder nem um minuto pra exercer a profissão que tanto amava. Então, se tomava café, era na frente da máquina de escrever, redigindo seus artigos entre um gole e outro. Até aquele dia, em que ela se deu até o luxo de sair do jornal. É que a valenciana tinha se encontrado com a Sofia numa cafeteria famosa pra conseguir a discrição que precisava.
—...é uma puta —descreveu Claudia em voz baixa, chegando bem perto da amiga pra ninguém mais ouvir.
Sofía segurava seu café duplo com porra na mão, muda de tão impressionada com a acusação da Claudia. Elas tinham escolhido uma mesa afastada na famosa cafeteriaO Recanto, mas se soubesse, Sofia teria precisado no mínimo da intimidade de um descampado ou do topo de uma montanha.
DoO Cantinho... mais que uma cafeteria, muitos diriam que era uma livraria, porque dava pra comprar todo tipo de livros, revistas ou jornais. De petiscos, porém, mal tinha o típico sanduíche de frango desfiado, os boquerones e mais alguma tapinha. O estilo era bem ultrapassado, de pelo menos vinte ou trinta anos atrás, mas tinha uns assentos muito confortáveis e até poltronas em alguns cantos. Era bem tranquilo, principalmente nas áreas internas. A luz natural também era muito boa, e o café, delicioso. Sem dúvida, era a cafeteria preferida da Cláudia, mesmo sendo a única que ela tinha ido em muitos anos. Pena que agora não estivesse curtindo a estadia lá.
—Você ouviu o que eu disse? — perguntou finalmente a valenciana ao ver que Sofia ficou muda por tempo demais.
—Sim… com certeza. É que me surpreendeu pra caralho. A Lucía não parece capaz… sei lá. Não bate com ela. Tem certeza que não entendeu errado…?
Claudia interrompeu a amiga com uma gargalhada antes de começar a falar de novo.
—Tá falando sério? —questionou, depois se aproximou e sussurrou o mais baixo que pôde—. Ele tava metendo nela que nem um bicho. Agarrando os peitos dela e sacudindo igual quem bate um tapete na janela pra tirar o pó. Nem meu marido eu deixaria fazer uma parada dessas comigo.
A gostosa valenciana tava com muita pressa. O peito dela balançava e as palavras saíam atropeladas da boca dela. Como se o café tivesse batido forte antes da hora.
—Mas… e se o Rubén tava forçando ela? —questionou Sofia ao captar na mente aquela descrição da amiga.
Cláudia bufou balançando a cabeça.
—Ela colocava a bunda bem empinada pra ficar daquele jeito, e assim que ele gozou, a Lucía mostrou um sorriso de orelha a orelha —completou, antes de dar um gole no café, também duplo e com gozo—. Não. Ela é uma Promíscua, é isso que acontece. Sinto muito por quem tiver o azar de casar com ela. Aposto que vai falar que é virgem do mesmo jeito.
—Não exagera, Clau —interrompeu Sofia, meio ofendida —. A gente não vira uma puta por não chegar virgem no casamento. Será que você não teve vida antes do Pedro? Na faculdade?
—Claro que tive vida, e saí com alguns caras antes de conhecê-lo. Mas, claro, respeitei minha castidade e cheguei virgem ao casamento, como tem que ser.
—Nem todas pensamos igual, eu não sou virgem há alguns anos. E sou solteira.
Claudia engasgou enquanto bebia o café, sem conseguir evitar, embora tentasse disfarçar a reprovação e não fizesse nenhuma crítica à colega. Com um guardanapo, limpou os lábios para ver se não tinha resto de café, mesmo sem ter terminado de beber. A valenciana era muito cuidadosa com a aparência. Conservadora no jeito de se vestir, mas elegante e cheia de detalhes nos acessórios. Naquele dia, usava um colete preto bonito combinando com a saia longa, e uma blusa com um bordado requintado nos ombros, muito elegante, mas que não mostrava nada de decote. Já a colega dela usava um suéter roxo com calças escuras que marcavam bem o corpo. Fazia tempo que a valenciana não se importava mais com o estilo universitário das colegas.
— Será que é justo a Lucía ser promovida antes da gente só porque ela topa dar pra ele? —questionou a Cláudia num tom de voz mais alto do que qualquer uma das duas gostaria.
Sofia olhou pros lados meio corada, porque não tinha sussurrado baixo o bastante, mas logo em seguida concordou com a cabeça.
—Tem razão. Deviam nos reconhecer pelo nosso trabalho no jornal.
—Exato —confirmou ela, agradecida por ele finalmente apoiá-la.
—Mesmo que a Lucía escreva uns artigos bem gostosos.
—Isso dá no mesmo —contradisse a valenciana, completando num tom debochado e bem baixinho —. No momento em que você dá sua buceta pro seu chefe encher, perde toda a objetividade, não acha?
—Sim, acho que sim —ela admitiu.
—Conheci outras vadias como ela durante minha época na faculdade. Elas iam para as tutorias do professor depois da prova pra melhorar a nota. Prontas pra “engolir” o que fosse preciso —ela disse, enfatizando bem a palavra engolir—. E depois você via como elas passavam sua nota sem merecer.
Sofía engoliu em seco com aquele exemplo e ficou especialmente nervosa na hora. Os cílios postiços longos tremeram de leve enquanto ela tentava disfarçar o rubor.
—Também podia ter professores que, ou você passava pelo arco ou te reprovavam, não acha? —disse ela com uma certa gaguejada.
— E também putas mais do que dispostas — respondeu Claudia com reprovação —. Que nem a Lucía.
Sofia se perguntou por que, quando se referia ao diretor, evitava dizer o nome dele, enquanto que, quando falava da colega, não hesitava em chamá-la pelo nome.
—Rubén também não é nenhum santo. Ele é casado, enquanto ela é solteira e pode…
—Vamos —interrompeu de novo a valenciana —. Os homens são todos uns porcos. Isso todo mundo sabe.
—Bom, eu espero que não todos. E também não é desculpa — ela acrescentou, elevando o tom desta vez —. Se aqui tem um culpado, acima de tudo, é o Rubén.
—Abaixa a voz —lembrou Claudia —. Também não quero que isso se espalhe por aí.
—Então por que você contou isso pra mim? —ela perguntou, já bem desconfortável com a conversa.
Cláudia olhou pra colega, muitos anos mais nova que ela, com a testa franzida. Como se quisesse pedir pra ela relaxar um pouco. Uma mecha loira comprida tinha caído na testa dela, e a valenciana rapidamente a recolocava no coque baixo e elaborado, preso com um pegador preto.
—Não dava mais pra me segurar. Ontem foi um sacrifício danado ver ela desfilando e se gabando do artigo sobre o Ronald Reagan que tá preparando, e mesmo assim eu calei a boca.
Claudia mostrou os olhos carregados de inveja e ciúmes, e Sofia entendeu o problema. A jornalista valenciana era uma veterana e apaixonada pela profissão, dedicada e talentosa. Ver alguém, anos mais jovem, passando na frente dela corroía suas entranhas.
—Não tava tirando sarro. Só veio perguntar pras minas, pra dar uns conselhos e orientar ela. Todo mundo faz isso, até você às vezes.
—Vamos, Sofi. Sério que você vai defender ela? —questionou Claudia, irritada porque ela não a apoiava como queria. Terminou o café e se levantou do lugar —. Vou embora.
Eram cinco da tarde e tanto a Emma quanto o Eric estavam tirando uma soneca nos seus quartos. Hoje os dois tinham saído mais cedo da escola porque o pai não podia buscá-los, então só ficaram até a mãe passar por lá depois do trabalho. A Claudia tinha feito espaguete à bolonhesa, o prato favorito dos filhos, então eles encheram o bucho e depois caíram duros na cama.
Enquanto cozinhava, ficou remoendo tudo na cabeça e se arrependeu profundamente de ter tido aquela conversa com a Sofia. Na real, ela só queria desabafar, mas acabou se sentindo ainda mais sobrecarregada. Disse pra si mesma que, assim que visse a Sofia, ia falar com ela e pedir desculpas.
Claudia não tinha falado com Ignacio desde que se conheceram dois dias atrás. Ainda se sentia envergonhada pelo gemido alto que soltou quando se masturbou, mas aos poucos foi se convencendo de que estava exagerando tudo. Então decidiu fazer um bolo para dar ao novo morador como boas-vindas. Algo normal entre vizinhos. O marido dela chegaria em uma hora, talvez duas, e por algum motivo estranho ela não queria ir entregar o bolo quando ele estivesse em casa, então enquanto as crianças dormiam era o momento perfeito. Colocou a sobremesa numa bandeja descartável, pegou as chaves para não ficar trancada pra fora e saiu do apartamento. Mesmo tendo cozinhado, tomou cuidado para não estragar nem a roupa nem a maquiagem que tinha passado de manhã para o trabalho. Até soltou o cabelo e se arrumou um pouco pra corrigir qualquer detalhe. E enquanto fazia isso, disse a si mesma que não era pra agradar o Ignacio, mas sim porque já estava assim mesmo.
Sua saia plissada preta destacava a silhueta nos quadris e não escondia a bunda gostosa dela, além de que as meias pretas só apareciam nos tornozelos. Ela tinha desabotoado mais um botão da blusa branca, que agora se abria mostrando todo o pescoço fino e um pouco de decote. Também usava um colete curto preto com bordados brancos que combinava com a saia e a blusa ao mesmo tempo. Os brincos e o colar eram de prata, mas a aliança de casada era de ouro, então destoava bastante.
Bem antes de abrir a porta do apartamento dela pra sair no corredor, sentiu um leve aperto de vergonha, mas ignorou como quem espanta uma mosca chata. Abriu a porta com o bolo nas costas e deu uma olhada no corredor pra ver se tinha algum olho curioso. Não tinha ninguém. Aí saiu do apartamento apressada e percorreu os poucos metros que separavam o apê dela do próximo, batendo na porta com discrição. Parecia que tava fazendo alguma safadeza, pelo jeito que se comportava, mas não conseguia agir de outro jeito. Como se ela mesma fosse a maior inimiga dela. No fim das contas, o que iam pensar de uma mulher casada, bem vestida e arrumada, indo no apê de um solteiro enquanto os filhos dormiam e o marido tava fora de casa? Antes mesmo de pensar em responder, a porta se abriu. Ignacio tava do outro lado, surpreso e todo contente.
—Claudia? Que alegria te ver —cumprimentou enquanto se aproximava para dar dois beijos.
O cara tava vestindo uma camisa xadrez vermelha e branca de manga curta, mesmo com o frio de fevereiro. Umas calças jeans justas completavam o visual.
— Lembra do meu nome? — perguntou ela com fingida surpresa. — Que vergonha a minha. Já que só conversamos uma vez.
—Meu nome é Ignácio —ele disse com seu melhor sorriso.
—Ah, já lembrei — mentiu enquanto oferecia o biscoito —. Um pequeno presente oficial de boas-vindas.
Ignacio aceitou o presente de bom grado e fez cara de quem achava aquilo muito apetitoso. Ele estava penteado de um jeito que agradou a valenciana. O cabelo dele tinha uma textura que permitia pentear pra trás sem criar volume, mesmo seco.
—Entra, por favor —convidou ele a entrar.
Claudia ficou parada e mostrou um certo alarme com a proposta, mas rapidamente aceitou desconfiada. Como quem cede obrigada, mas ao mesmo tempo não quer que a oferta seja recusada. Ele deu passagem com cavalheirismo, com um gesto de mão enquanto sorria calorosamente para ela.
A valenciana logo percebeu a falta de um toque feminino no apê. Não tinha decoração nenhuma e mal dava pra ver móveis. Só tinha a TV ligada no meio da sala, bem perto de uma poltrona individual, e um relógio grandão na parede comprida do cômodo, que parecia bem vazia. Ela botou a culpa na bagunça por ele ter se mudado fazia pouco tempo.
—Vejo que ainda não se instalou de vez.
Ignacio colocou a mão na cabeça e coçou a nuca, parecendo meio envergonhado.
—Nunca dei importância pra decoração. Conforme vou precisando de algo, vou adicionando.
Claudia arregalou os olhos e apertou os lábios, como se não quisesse mostrar sua discordância com palavras.
—Dá pra ver que você é solteiro. É divorciado?
—Não. Quase me casei uma vez, mas no final não deu certo —revelou com um certo desânimo na voz.
A expressão melancólica dele fez Claudia se arrepender de ter sido indiscreta, mas então ela reparou que em cima da mesa da cozinha havia várias cestas de boas-vindas. Todas maiores e mais generosas que o seu pequeno bolinho.
— Vejo que não sou a primeira a te trazer um presente de boas-vindas — disse num tom levemente desdenhoso —. Vou colocar o meu junto com o resto.
—Vocês são todas muito generosas neste prédio. Com certeza me sinto mais que satisfeito.
Cláudia foi até o balcão da cozinha, que dividia espaço com a sala, e deixou lá a bandeja com o bolo. De perto, pôde observar bem as cestas. Uma delas estava cheia de bolinhos, outra tinha rabanadas com raspas de açúcar de confeiteiro, e ainda outra com docinhos variados. Na maior, havia muitas maçãs rodeando uma sobremesa que parecia ser de maçã também, com um bilhete. Teve a cara de pau de inclinar levemente o bilhete com o dedo para ler.Bem-vindo ao prédio. Fica à vontade pra bater na minha porta se precisar de qualquer coisa.dizia, para depois estar assinado por Valentina Flores. A valenciana imediatamente bufou diante da cara de pau da vizinha da frente. Claudia sabia que ela era uma mulher casada com três filhos, mas sempre a viu como uma mulher muitosoltaE dada à libertinagem. Tanto pelas coisas que dizia, quanto pelo jeito de se vestir, ou principalmente, pelas amigas com quem costumava ser vista.
— Que proposta mais indecente — sussurrou ela, de forma quase imperceptível.
—O quê? —perguntou ele sem ter conseguido ouvi-la.
—Nada, só tô falando que me surpreende muito a dona Flores ter escrito algo que pode ser tão mal interpretado —comentou com voz calma. —Ela é uma senhora respeitada, com três filhos e um marido excepcional. E se mantém muito gostosa apesar de já ter quarenta e cinco anos —completou no final, mesmo sem ter nada a ver com o que disse antes.
—Entendo —comentou Ignácio, sem entendê-la totalmente —. Bem… é só uma formalidade. Aliás, você também é casada, né?
Claudia concordou na hora, como se nunca tivesse a intenção de esconder, mas um rubor no rosto dela entregava o contrário.
—Sim. Meu marido se chama Pedro —disse ela com uma certa gaguejada.
—E duas crianças, né? — acrescentou ele com cordialidade.
—Emma e Eric. Eles são todo o meu mundo — comentou ela com um sorriso sincero, e depois perguntou num tom disfarçado —. Quem te contou? A Valentina?
—É… pois é. Foi a Valentina mesmo.
Claudia sorriu de orelha a orelha, mas os olhos dela mostravam um certo desprezo. Já o Ignacio, tava numa boa. Até encostou o lado do corpo na parede, num gesto bem relaxado.
—Uma das coisas que mais me arrependo é de ainda não ter tido nenhum filho — ele se abriu em seguida.
—Pois ainda dá tempo —foi a resposta seca dela. A verdade é que desde que o marido e os filhos dela foram mencionados, ela ficou mais desconfortável ali. Como se não quisesse prolongar mais a estadia.
—E você não quer ter mais?
Claudia fez uma careta sem perceber, como se já estivesse cansada de ouvir a mesma pergunta.
—Não posso me dar ao luxo de tirar uma licença no meu trabalho, se quiser manter ele. Todas as que engravidam no jornal não voltam. Geralmente é sinônimo de pedir demissão, e eu gosto do meu emprego.
Ignacio concordou com a explicação dela, balançando a cabeça.
—Você é secretária? — ele acabou perguntando.
— Jornalista —ela disse em tom ofendido.
—Me desculpa.
Claudia suavizou a expressão, enquanto ajustava por inércia seu lindo colete, para então sorrir antes de falar.
—Escrevo pro jornal desde pouco depois de terminar a faculdade, há oito anos.
— Não costumo ler muito o jornal, pra ser sincero. Não me interesso por política nem fofoca, mas acho que é um trabalho admirável — elogiou ele, num tom sincero.
—Me apaixona. Transmitir pros outros através de palavras que nascem das tuas entranhas e ganham forma. Saber que tem milhares de pessoas lendo essas palavras — confessou com voz veemente. — Por um breve instante, você é o centro das atenções delas — garantiu ela, apoiando-se no balcão da cozinha e se inclinando com um gesto distraído.
Ao se inclinar, ela mostrou um pouco dos peitos, e o Ignácio olhou por só um segundo. A Cláudia se ajeitou na hora, toda corada, e ficou muda. Um silêncio constrangedor se estendeu por uns instantes, que ele quebrou como se nada tivesse acontecido.
—A propósito… vocês estão com a parte da instalação elétrica em ordem? —perguntou, mudando de assunto—. Às vezes, enquanto durmo, sinto um zumbido leve vindo da parede ao lado do apartamento de vocês. E já me certifiquei de que não é daqui.
Claudia fez cara de quem não entendeu o que eu tava perguntando, e no fim colocou o dedo no queixo.
—As contas tão vindo um pouco mais caras desde uns meses atrás, agora que você falou nisso.
—Pois a luz não subiu. Talvez seja algum fio com defeito. Posso dar uma olhada um dia, se quiser — ofereceu-se com gentileza, mas ao perceber certa resistência na vizinha, amenizou —. Entendo dessas coisas, e como sou um dos principais beneficiados, não vou cobrar pelo conserto — comentou com um sorriso sem graça —. Meu sono é muito leve.
Ignacio sorriu com aquela dentadura grande e perfeita, e Claudia concordou sem conseguir se negar.
—Você é eletricista?
— Mais ou menos. Sou engenheiro elétrico — ele admitiu.
—E qual é a diferença? — perguntou curiosa enquanto pegava um dos bolinhos de um dos cestos.
—Bom… Um eletricista trabalha com as instalações que tem num prédio. Um engenheiro elétrico, com os sistemas e equipamentos que fazem essas instalações funcionarem — comentou enquanto via Claudia dar uma mordida no bolinho e fazer cara de nojo —. Mas eu trabalhei principalmente com inovação e desenvolvimento.
—Eca —ela fez uma careta de nojo —. Dá pra ver que não são caseiras.
—Ah, é? —comentou ele enquanto esticava a mão e pegava o bolinho que ela segurava. Segurou com delicadeza, acariciando os dedos de Claudia no processo. Depois de fazer isso, deu uma mordida no doce e imediatamente balançou a cabeça com um gesto de desaprovação —. Muito secos, mas acho que são caseiros.
A jornalista engoliu seco e não conseguiu levantar o olhar. Ainda sentia o toque doce dos dedos dele entre os seus, e isso a fez se sentir vulnerável.
—Pior ainda pra mim —disse ela finalmente, erguendo o olhar com um sorriso safado.
Em seguida, enfiou o dedo na sobremesa de maçã da Valentina, estragando o presente com o gesto insolente dele, e levou o dedo à boca. Rapidamente fez outra careta de nojo, ainda mais exagerada dessa vez.
—Também não é caseiro? — perguntou ele.
—Não, isso ela fez sim — garantiu ele, olhando para a sobremesa com horror —. Ela colocou tanto açúcar que enjoa mais do que comer porra condensada na boca.
O engenheiro riu brevemente de forma pausada e segura, olhando com interesse e desejo pra sua vizinha.
—Deixa eu provar, vou ver —pediu Ignácio com voz grave, que em vez de colocar o dedo no bolo foi provar direto nos lábios da Cláudia.
O homem juntou a boca na dela e a valenciana parou de respirar naquele instante. Os lábios se sobrepuseram um no outro e rapidamente as línguas se encontraram. Claudia sentiu o coração começar a bombear forte, enquanto percebia a língua quente dele entrando como um invasor estrangeiro. Sentiu a tensão dos nervos em cada grama da sua pele. Aquela loucura de excitação que percorre o corpo todo e te faz ir ao banheiro mais do que o normal. Ela ficou imóvel e indefesa, anestesiada da sua consciência e da sua moral.
A mão grande de Ignácio envolveu a cabeça de Cláudia pela nuca, entrelaçando os dedos no couro cabeludo dela. Com a outra mão, segurou-a pela cintura. Era calmante e acolhedor, e sem perceber, a valenciana estava nos braços do vizinho. Cláudia colocou as mãos nas costas largas dele, abraçando-o num estado ausente. Bebia da boca dele como se estivesse faminta. Não com voracidade, mas com uma fixação serena. Sem pressa, mas sem pausa nenhuma. Saboreando.
A valenciana lambeu cada milímetro daquela língua enorme até sentir a mandíbula cansada e soltou ela sem perceber. Foi tanto o vazio que veio logo em seguida que ela imediatamente enfiou a língua de novo na boca dele, se recusando a perder o gosto. Ela lambeu toda a dentuça do Ignacio, e ele desceu a mão que tava na cintura dela até a bunda, acariciando com cuidado. A Claudia ficou na ponta dos pés de tão excitada.
Ignacio não demorou muito para tirar a outra mão e também colocá-la na bunda gostosa dela. Claudia tirou a língua, mas não a boca, ao sentir os dedões dele remexendo a calcinha dela e roçando o cu dela, mesmo por cima da saia. Ela, de olhos fechados o tempo todo, chupou os lábios dele como se fossem alcaçuz que ela quisesse desgastar com lambidas, enquanto sentia a calcinha dela se deslocando de um lado pro outro sem controle. O engenheiro então levantou Claudia segurando ela pela cintura e colocou ela em cima da pia da cozinha. Claudia baixou as mãos das costas dele e se agarrou nos braços dele, como se fossem corrimões resistentes.
—Espera… —ela sussurrou, abrindo os olhos devagar. Mas não disse mais nada.
Ignacio colocou as mãos bem em cima dos tornozelos dela e, ao sentir as meias, deslizou as mãos até a coxa e as puxou para baixo para tirá-las de vez. Claudia suspirou alto quando sentiu as meias descendo pelas pernas, como se ficasse indefesa com aquilo. Sem rasgá-las, o engenheiro as removeu por completo depois de descalçar os pés dela. As pernas de Claudia tremiam, e ela evitava olhar no rosto dele. Então, Ignacio colocou as mãos de novo sobre os tornozelos, dessa vez tocando diretamente a pele nua. Conforme foi subindo, os tremores da valenciana se intensificaram, e ela recuou um pouco a cabeça enquanto fechava os olhos. Ele também foi se levantando até ficar completamente de pé quando as mãos acariciavam as coxas dela.
Claudia sentia o coração batendo tão forte que parecia que ia saltar do peito. Ela ergueu a cabeça e a aproximou do pescoço robusto dele, como se não tivesse forças para sustentá-la sozinha. Ofegava, quase sem ar nos pulmões, e então desceu a mão direita até a virilha dele, começando a esfregar por cima da calça jeans. Devagar no começo, e depois cada vez mais rápido, conforme sentia o volume crescer. Com a outra mão, começou a apalpar a bunda firme do vizinho, e se atreveu a apertá-la num impulso de tesão. A esfregação frenética foi aumentando até que ela sentiu ele segurar a calcinha dela e puxá-la para fora, fazendo com que descesse da cintura até os joelhos e depois até o fim, ficando presa no tornozelo esquerdo sem cair.
Claudia estava nervosamente excitada, e mesmo ainda de saia, sentia a buceta morbidamente exposta sem a calcinha. Ele tirou as mãos de entre as pernas dela, e ela sentiu um vazio gelado que apagava o fogo da sua vulva, desejando ser invadida de novo por aquelas mãos grandes e fortes. Então, Ignacio desabotoou a calça jeans e a baixou parcialmente junto com a cueca branca. Um pau, completamente ereto e grande, parecia cumprimentar. Era grosso e pulsava de cima a baixo, como se estivesse dançando de leve. A valenciana lambeu os lábios sem perceber, mas não se mexeu. Como se a passividade dela amenizasse a sua deslealdade.
Ignacio colocou as mãos de novo por baixo da saia dela e, segurando a cintura, puxou-a um pouco para perto, deixando os quadris deles no mesmo nível. Claudia desceu um pouco do balcão da cozinha, mas os cotovelos ainda conseguiam se apoiar nele. Sentiu a calcinha escorregar de vez pelo tornozelo, e uma sensação de obscenidade subiu do pé até a buceta. Então, com a saia escancarada pelos braços dele, foi se aproximando até a ponta do pau de Ignacio roçar a boceta faminta dela. Claudia ergueu o olhar enquanto o peito subia e descia num ritmo acelerado, e os olhos dela encontraram os de Ignacio. Nenhuma palavra saiu dos lábios dos dois, mas com o olhar disseram tudo que precisavam. O tesão era tanto que se imploraram para continuar. Devagar, o pauzão de Ignacio foi se encaixando entre as pernas dela, e a valenciana sentiu o pinto grosso, quente e duro, entrando na carne dela. Um gemido intenso e gutural escapou enquanto ela sentia ser preenchida por completo.
O engenhoso forte segurava ela pelas coxas como se fosse um carrinho de mão, e começou a penetrar cada vez mais fundo e com mais força. Ele movia a cintura pra cima com a pegada de um touro, mas ao mesmo tempo com a delicadeza de um golfinho dançante que quer dar prazer. A camisa xadrez vermelha do Ignácio estava esticada a ponto dos botões parecerem que iam estourar, e os abdômen sarado e os peitorais largos brilhavam à mostra.
Claudia começou a se sentir como uma cadela no cio. Só paixão e sexo. O pauzão dele preenchia ela de um jeito que ela jamais achou possível. Ela só conhecia a trepada com o marido, então nunca imaginou uma sensação tão avassaladora. Conforme a buceta dela foi se abrindo, deixou a gravidade fazer com que as penetradas ficassem mais brutas. Ignacio desabotoou rapidamente o colete preto dela, mas teve que voltar o braço pra posição anterior ou ia ferrar a postura. Ela deu uma fingida com a mão direita e desabotoou dois botões da blusa, deixando à mostra o sutiã e parte dos peitos, mas, igual ele, teve que apoiar de novo o cotovelo no frango da cozinha.
Não havia palavras entre eles, só olhares que convidavam ao desejo e leves gemidos incontroláveis. Claudia sentiu um formigamento dentro da buceta que não conseguia acalmar. Mexeu o quadril pra rolar o pau dele naquela área, mas a coceira não passava. O formigamento se espalhou um pouco e a valenciana começou a se empurrar com mais força pra que o pau de Ignacio atacasse mais forte. Em poucos segundos, as penetrações viraram investidas e uns gemidos delirantes escaparam sem que ela percebesse. O frenesi fez os gemidos virarem gritos indecentes, e Claudia sentiu os cotovelos fraquejarem.
Ignacio investia com tanta impetuosidade que jogou a cabeça pra trás tentando aguentar, tanto pelo esforço dos braços quanto pelo orgasmo que tentava controlar. A valenciana não se segurou e desceu o quadril até sentir os ovos grossos dele batendo no cu dela. A coceira, longe de diminuir, só aumentava a cada instante, fazendo com que ela descesse ainda mais forte. O brutamontes urrava enquanto se jogava pra cima pra meter o mais forte que podia. As panturrilhas dele estavam pegando fogo e os tornozelos ameaçando torcer, e então Claudia soltou um gritinho com espasmos obscenos. A coceira tinha explodido e uma torrente de prazer e líquidos vaginais escorreu feito uma cachoeira. Nunca tinha sentido um orgasmo tão selvagem quanto aquele, e vários fios de baba escorreram pela bochecha dela enquanto a outra boca também babava. A valenciana soltou mais uns dois gemidos e abaixou a cabeça como se tivesse perdido as forças ou a vergonha tivesse tomado conta.
O movimento de sobe e desce ficou mais fluido, como quando uma engrenagem é lubrificada e para de chiar. E Ignacio percebeu que logo não conseguiria mais segurar o orgasmo, mas então Claudia o afastou bruscamente com as pernas, entre gemidos silenciosos que beiravam o choro contido. Os dois chutes não machucaram o grandalhão, mas ele caiu sentado de bunda no chão, com o pau grosso coberto de buceta. A cabeçuda parecia olhar com reprovação o desfecho dos acontecimentos. Claudia, sem nem olhar pra ele, saiu correndo como pôde. Seus movimentos foram desajeitados e até meio cômicos, porque ela escorregava como se estivesse tonta, e tamanha foi a pressa que não pegou os sapatos, nem as meias, nem a calcinha. Chegou até a entrada e a atravessou com ímpeto.
Claudia tentou segurar o choro e diminuiu o passo no corredor, como se quisesse manter a compostura. Por sorte, ninguém passava por ali naquele momento, porque nada ia disfarçar a buceta aberta e a cara de culpa da mulher. Só quando entrou em casa é que desabou a chorar em silêncio. Se sentia suja e humilhada por si mesma, como se uma parte dela tivesse violentado a outra. E foi direto pro chuveiro.
Enquanto a valenciana se despia, percebeu que não estava usando sapatos e que tinha deixado todo o resto na casa do Ignacio, mas já deu tudo como perdido. Depois de tirar toda a roupa, entrou no chuveiro e se ensaboou com vontade. E só saiu quando o marido chegou em casa meia hora depois, decidida a fingir que nada tinha acontecido.
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