Naquela noite no bar de sempre, Roberto se inclinou sobre o quinto fernet como se o copo tivesse todas as respostas. —*Eu, Daniel…* —engoliu seco, girando o gelo—. *Preciso confessar uma coisa que me corrói há meses.* O barulho do balcão sumiu. Algo no tom dele — aquela mistura de vergonha e tesão mal contido — me tensionou os músculos do estômago. —*Tua mulher…* —os dedos tremiam em volta do copo—. *A puta mãe, que gostosa que ela é.* O gole me entalou. A imagem de Lucía apareceu de repente: o cabelo preto preso naquele coque bagunçado que ela faz quando cozinha, o avental apertado na cintura, os peitos que se marcam por baixo da camiseta quando ela se estica pra pegar a prateleira alta do armário. —*Viu o vestido que ela usou no jantar de Natal da empresa?* —continuou, baixando a voz—. *O vermelho… aquele que colava nela como tinta. Tive que me trancar no banheiro dez minutos depois. Duas punhetas seguidas pensando em como os peitos dela marcavam.*
—*Mais de uma vez eu bati uma pensando nessas tetas* —soltou, como se fosse um dado qualquer—. *Principalmente quando usa aqueles decotes que te deixam sem ar. Tipo aquela vez na piscina do terraço da sua casa, a sunga que você usava… afff*
Senti duas coisas ao mesmo tempo:
1. **Um soco invisível** na boca do estômago que me curvou levemente sobre o balcão
2. **Uma pulsada forte** na pica que fez eu ajustar as pernas
Roberto empalideceu ao ver minha expressão.
—*Não leva a mal, mano* —levantou as mãos—. *Só que… pô. Dá pra ver que você cuida dela.*
Senti o gole descer ácido. Lembrei daquela noite: Lucía se inclinando pra servir o champanhe, o decote caindo que nem pecado enquanto Roberto ajustava o cinto debaixo da mesa.
—*Otário…* —comecei, mas ele levantou a mão:
—*Sei que soa filho da puta. Mas juro que na fantasia você tá sempre ali. Olhando. Ou… participando.*
A palavra *participando* ressoou que nem um golpe baixo. O gelo do meu copo estalou quando apertei ele. Lembrei agora da última vez que Lucía se inclinou na frente dele no churrasco do escritório, o decote do vestido florido dela dançando a dois centímetros do nariz dele.
—*Cê acha que ela toparia…?* —a pergunta escapou antes de eu pensar.
Roberto olhou o próprio reflexo no espelho das bebidas.
—*Tomara… mas não fica puto, não é algo que você também já não imaginou com alguma gatinha* —suspirou—. *Mas se serve de consolo, sempre fantasiei que você tava ali… olhando.*
O barman passou um pano na nossa frente, quebrando o feitiço.
—*Mais um round?* —perguntou.
A gente se olhou. No silêncio, o som do meu celular vibrando contra a madeira: uma mensagem da Lucía.
*"Vai chegar tarde de novo, amor?"*
E embaixo, uma foto. Só a boca dela mordendo uma cereja, o batom vermelho deixando uma mancha na pele da fruta.
Roberto conseguiu ver ela. A respiração dele falhou. Deixei o copo em cima do balcão sem responder, sentindo o peso da confissão dele — e da minha ereção — me acompanhando até o banheiro. Mijei como pude, ainda bem que tava sozinho porque a pica que eu tava era um escândalo. Voltei mais calmo. O ar do banheiro não esfriou nada. Só espalhou a pergunta que agora respirava na minha nuca: *Por que me excita que meu parceiro queira comer minha mulher? Quanto falta pra uma fantasia deixar de ser só isso?* O celular vibrou contra a madeira. Outra mensagem da Lucía: > *Traz fernet? Fechei a sacada por causa do vento. Tô com aquele camisola nova… a que parece papel de arroz.* E embaixo, uma foto: os pés dela descalços nas lajotas pretas, o rastro molhado dos calcanhares desenhando corações. Roberto conseguiu ver a tela. Soltou um *"Deus…"* abafado. — *Ela… sabe o que faz? Percebe como esquenta os homens… teus amigos?* — perguntou, a voz rouca. Sem pensar, deslizei o celular na direção dele. Os dedos dele deixaram marcas gordurosas na tela ao dar zoom. Vendo ele engolir seco, como as pupilas dele dilatavam, senti outra facada de ciúme… e uma pontada de poder. — *Parece que não usa nada por baixo* — murmurou, me devolvendo o celular como se queimasse. O celular vibrou de novo. Uma nova mensagem da Lucía: > *Vem? Tô experimentando umas coisas.* A foto anexada me cortou a respiração: ela se olhando no espelho com o body transparente que deixava ver os bicos dos peitos e a buceta depilada.
Roberto viu minha expressão. —*Aconteceu alguma coisa?* Meu pulso acelerado martelava nas têmporas. *Mostrar pra ele seria cruzar uma linha.* Mas outra parte de mim, torta e quente, já deslizava o celular pelo balcão encharcado de cerveja. —*Ela… não sabe que você vê isso* — e entreguei o telefone a ele. Os dedos dele tremeram ao ampliar a imagem. Vi como a boca dele secava. —*Caralho…* — o sussurro saiu quebrado—. *É… é igualzinha às minhas fantasias.* Ele deu zoom na borda do body, naquele milímetro onde o tecido virava fumaça sobre a pele. Um som animal escapou da garganta dele. —*Tem mais?* — a voz dele era um fio de saliva—. *Uma onde dê pra ver mais… por favor, Dani.* Os olhos dele, vidrados e dilatados, não largavam a tela. A mão direita dele tinha sumido debaixo do balcão. A calça jeans esticava na virilha dele… e na minha também. A última gota da minha dignidade evaporou quando vi a cara dele: um cachorro faminto na frente de um churrasco sangrando. —*Roberto…* —*Só mais uma* — ele implorou, se aproximando até o bafo de cachaça bater na minha cara—. *Juro que não conto nada. Só… preciso ver.* No espelho manchado atrás do balcão, nossos reflexos se misturavam: ele, curvado sobre o celular como um viciado; eu, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar a borda de madeira, sentindo a raiva e a excitação derreterem minha espinha em metal quente. Lucía escolheu aquele momento pra mandar a segunda mensagem: > *Ou prefere que eu brinque sozinha primeiro?* A notificação acendeu a tela ainda nas mãos dele. Roberto gemeu. —*Me dá* — ele ofegou—. *Por tudo que é mais sagrado, me dá.* Meu polegar pairou sobre o cadeado do celular. A senha era o aniversário do nosso casamento. Lá fora, a neblina do Riachuelo envolveu os barcos fantasmas. Aqui dentro, na penumbra pegajosa do bar, só existiam os olhos suplicantes dele e a pergunta que queimava no meu ventre: *Quanto vale a amizade quando pesa menos que o gemido de um homem implorando pra ver tua mulher?* O último fernet tinha derramado a espuma no balcão quando o Roberto jurou, com a mão trêmula em cima do meu celular:
— *Juro pela minha mãe, Dani. Nem uma palavra no escritório.*
O dedo dele, sujo de gordura de batata frita, roçou a tela enquanto eu deslizava o álbum oculto: *"L"*. Senha: nosso aniversário.
Ele começou a abrir as fotos: a Lúcia numa praia deserta, de topless.
—Tinha gente na praia?
—Não — menti. Lúcia na banheira, bolhas até a cintura. Os peitos dela boiando como ilhas de mármore, os bicos rosados quase visíveis.
—*Caralho…* — Roberto levou a mão ao peito. *—Parecem aquelas estátuas gregas… mas vivas. Quando foi isso? Comeu ela lá mesmo?*
—*Sim, como todo dia* —respondi, sentindo um lampejo de posse. Ela ajoelhada na cama, a camisola de renda preta rasgada de propósito. O tecido pendia de um mamilo. —*Essa!* —ela quase gritou—. *Sonhei com ela assim… com essa pinta aqui* —apontou o próprio lado esquerdo—. *Ela geme alto quando goza?* — se soubesse o quanto… Minha favorita. Lúcia de costas diante do espelho do closet, a tanga azul celeste sumindo entre as nádegas. Só se via seu perfil.
Roberto soltou um grunhido: — *Quero ver a cara dela quando faz isso. Deve ficar com aquela expressão… de gata satisfeita.* O barman bateu no mármore com uma garrafa vazia: — *Última rodada, rapaziada!* Roberto empurrou o celular de volta, com os olhos injetados: — *Preciso de um minuto* — levantou-se cambaleando —. *O fernet me caiu mal.*
Enquanto caminhava pro banheiro, notei duas coisas:
1. O volume na calça jeans que não estava antes de ver as fotos
2. O jeito que ele ajustou o cinto, nervoso
O espelho atrás do balcão refletiu o retorno dele cinco minutos depois. Camisa desabotoada no colarinho, cabelo bagunçado, uma mancha de água na calça perto da braguilha.
— *Desculpa* — bufou ao sentar —. *Precisei… aliviar a tensão.*
O sorriso dele era uma mistura de vergonha e orgulho. O cheiro de cloro do banheiro pairava ao redor. — *Não conseguia parar de pensar naquela última foto* — confessou, limpando o canto do lábio com as costas da mão —. *No jeito que a calcinha fio-dental marca quando ela se inclina…*
O celular vibrou naquele instante. Uma nova mensagem de Lucía:
> *Você tá com o Roberto? Ele sempre me olha com cara de safado e mais de uma vez me deu umas indiretas… Mostrou minha coleção pra ele? Diz que na próxima sessão ele pode escolher a fantasia.*
Roberto conseguiu ver o brilho da tela. As pupilas dele se dilataram como poços negros.
— *Sessão?* — perguntou, a voz virando um fio de areia.
Lá fora, a sirene de um navio atravessou a neblina do porto.
Aqui dentro, o último gole de fernet tinha gosto de ponto sem volta. O ar no *Cormorán* ficou grosso como melado. Roberto ainda tremia. Peguei o copo de fernet dele e deslizei na minha direção. — *Você topa ser o fotógrafo?* — a pergunta saiu baixa, mas cortou o barulho do bar —. *Da próxima sessão. Só se a Lucía autorizar.*
O garfo dele caiu no prato de batatas fritas com um clang metálico. — *Dani, pelo amor…* — engoliu seco —. *Não me faz isso.*
Meu celular vibrou de novo. Nova foto: agora com outro conjunto. De costas na frente do espelho... a luz dourada banhando a curva onde terminava a coluna dela e começava a bunda.
Mostrei ela sem palavras. — *Ela já escolheu a fantasia, viu?* — falei enquanto ele devorava a imagem. Roberto soltou um som entre engasgo e risada. — *Você vai me matar, filho da puta* — sussurrou, esfregando os olhos como se estivesse acordando —. *Mas se ela pedir…* O dedo dele roçou a tela —. *Eu vou poder…?* — *Tocar, não.* — cortei, vendo a esperança dele murchar —. *Mas ajustar uma alça da fantasia, um babado do corset… isso entra na direção artística.* O barman deixou a conta entre nós: **R$87.000**. Roberto nem olhou. — *Quando…?* — *Te mando o local amanhã.* Levantei, deixando notas a mais —. *E Roberto…* Ele ergueu o olhar. Nos olhos dele, o medo e a excitação travavam uma guerra suja. — *Se chegar atrasado,* — sorri — *a Lúcia vai fazer você se arrepender pelo resto da vida.* Mandei as fotos pro celular dele antes de ir. Saí pra noite do porto. Antes de virar a esquina, olhei pro bar: Roberto ainda estava sentado, celular na mão, ampliando as fotos da Lúcia com dedos trêmulos. A outra mão dele tinha sumido debaixo da mesa de novo. A mensagem da Lúcia chegou quando liguei o carro: > *O fotógrafo gostou do trailer? Diz pra ele que a sessão tem uma regra: ele vem se aceitar fotografar com uma mão amarrada na cadeira.* Sorri. Ela sempre entendia o jogo melhor que ninguém. Reenviei a mensagem pro Roberto. No retrovisor, a silhueta dele saiu correndo do bar em direção ao carro, abotoando a calça jeans com uma mão enquanto a outra digitava freneticamente. Meu celular vibrou: *Roberto: Diz pra ela que aceito. Mas que a cadeira que ela escolher… que tenha vista pro espelho.* O nevoeiro engoliu o porto. E em algum lugar entre a traição e o desejo, o clique de um obturador imaginário soou na minha cabeça… Quer uma segunda parte? Te leio nos comentários, no chat ou no @eltroglodita
—*Mais de uma vez eu bati uma pensando nessas tetas* —soltou, como se fosse um dado qualquer—. *Principalmente quando usa aqueles decotes que te deixam sem ar. Tipo aquela vez na piscina do terraço da sua casa, a sunga que você usava… afff*
Senti duas coisas ao mesmo tempo: 1. **Um soco invisível** na boca do estômago que me curvou levemente sobre o balcão
2. **Uma pulsada forte** na pica que fez eu ajustar as pernas
Roberto empalideceu ao ver minha expressão.
—*Não leva a mal, mano* —levantou as mãos—. *Só que… pô. Dá pra ver que você cuida dela.*
Senti o gole descer ácido. Lembrei daquela noite: Lucía se inclinando pra servir o champanhe, o decote caindo que nem pecado enquanto Roberto ajustava o cinto debaixo da mesa.
—*Otário…* —comecei, mas ele levantou a mão:
—*Sei que soa filho da puta. Mas juro que na fantasia você tá sempre ali. Olhando. Ou… participando.*
A palavra *participando* ressoou que nem um golpe baixo. O gelo do meu copo estalou quando apertei ele. Lembrei agora da última vez que Lucía se inclinou na frente dele no churrasco do escritório, o decote do vestido florido dela dançando a dois centímetros do nariz dele.
—*Cê acha que ela toparia…?* —a pergunta escapou antes de eu pensar.
Roberto olhou o próprio reflexo no espelho das bebidas.
—*Tomara… mas não fica puto, não é algo que você também já não imaginou com alguma gatinha* —suspirou—. *Mas se serve de consolo, sempre fantasiei que você tava ali… olhando.*
O barman passou um pano na nossa frente, quebrando o feitiço.
—*Mais um round?* —perguntou.
A gente se olhou. No silêncio, o som do meu celular vibrando contra a madeira: uma mensagem da Lucía.
*"Vai chegar tarde de novo, amor?"*
E embaixo, uma foto. Só a boca dela mordendo uma cereja, o batom vermelho deixando uma mancha na pele da fruta.
Roberto conseguiu ver ela. A respiração dele falhou. Deixei o copo em cima do balcão sem responder, sentindo o peso da confissão dele — e da minha ereção — me acompanhando até o banheiro. Mijei como pude, ainda bem que tava sozinho porque a pica que eu tava era um escândalo. Voltei mais calmo. O ar do banheiro não esfriou nada. Só espalhou a pergunta que agora respirava na minha nuca: *Por que me excita que meu parceiro queira comer minha mulher? Quanto falta pra uma fantasia deixar de ser só isso?* O celular vibrou contra a madeira. Outra mensagem da Lucía: > *Traz fernet? Fechei a sacada por causa do vento. Tô com aquele camisola nova… a que parece papel de arroz.* E embaixo, uma foto: os pés dela descalços nas lajotas pretas, o rastro molhado dos calcanhares desenhando corações. Roberto conseguiu ver a tela. Soltou um *"Deus…"* abafado. — *Ela… sabe o que faz? Percebe como esquenta os homens… teus amigos?* — perguntou, a voz rouca. Sem pensar, deslizei o celular na direção dele. Os dedos dele deixaram marcas gordurosas na tela ao dar zoom. Vendo ele engolir seco, como as pupilas dele dilatavam, senti outra facada de ciúme… e uma pontada de poder. — *Parece que não usa nada por baixo* — murmurou, me devolvendo o celular como se queimasse. O celular vibrou de novo. Uma nova mensagem da Lucía: > *Vem? Tô experimentando umas coisas.* A foto anexada me cortou a respiração: ela se olhando no espelho com o body transparente que deixava ver os bicos dos peitos e a buceta depilada.
Roberto viu minha expressão. —*Aconteceu alguma coisa?* Meu pulso acelerado martelava nas têmporas. *Mostrar pra ele seria cruzar uma linha.* Mas outra parte de mim, torta e quente, já deslizava o celular pelo balcão encharcado de cerveja. —*Ela… não sabe que você vê isso* — e entreguei o telefone a ele. Os dedos dele tremeram ao ampliar a imagem. Vi como a boca dele secava. —*Caralho…* — o sussurro saiu quebrado—. *É… é igualzinha às minhas fantasias.* Ele deu zoom na borda do body, naquele milímetro onde o tecido virava fumaça sobre a pele. Um som animal escapou da garganta dele. —*Tem mais?* — a voz dele era um fio de saliva—. *Uma onde dê pra ver mais… por favor, Dani.* Os olhos dele, vidrados e dilatados, não largavam a tela. A mão direita dele tinha sumido debaixo do balcão. A calça jeans esticava na virilha dele… e na minha também. A última gota da minha dignidade evaporou quando vi a cara dele: um cachorro faminto na frente de um churrasco sangrando. —*Roberto…* —*Só mais uma* — ele implorou, se aproximando até o bafo de cachaça bater na minha cara—. *Juro que não conto nada. Só… preciso ver.* No espelho manchado atrás do balcão, nossos reflexos se misturavam: ele, curvado sobre o celular como um viciado; eu, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar a borda de madeira, sentindo a raiva e a excitação derreterem minha espinha em metal quente. Lucía escolheu aquele momento pra mandar a segunda mensagem: > *Ou prefere que eu brinque sozinha primeiro?* A notificação acendeu a tela ainda nas mãos dele. Roberto gemeu. —*Me dá* — ele ofegou—. *Por tudo que é mais sagrado, me dá.* Meu polegar pairou sobre o cadeado do celular. A senha era o aniversário do nosso casamento. Lá fora, a neblina do Riachuelo envolveu os barcos fantasmas. Aqui dentro, na penumbra pegajosa do bar, só existiam os olhos suplicantes dele e a pergunta que queimava no meu ventre: *Quanto vale a amizade quando pesa menos que o gemido de um homem implorando pra ver tua mulher?* O último fernet tinha derramado a espuma no balcão quando o Roberto jurou, com a mão trêmula em cima do meu celular: — *Juro pela minha mãe, Dani. Nem uma palavra no escritório.*
O dedo dele, sujo de gordura de batata frita, roçou a tela enquanto eu deslizava o álbum oculto: *"L"*. Senha: nosso aniversário.
Ele começou a abrir as fotos: a Lúcia numa praia deserta, de topless.
—Tinha gente na praia? —Não — menti. Lúcia na banheira, bolhas até a cintura. Os peitos dela boiando como ilhas de mármore, os bicos rosados quase visíveis.
—*Caralho…* — Roberto levou a mão ao peito. *—Parecem aquelas estátuas gregas… mas vivas. Quando foi isso? Comeu ela lá mesmo?*
—*Sim, como todo dia* —respondi, sentindo um lampejo de posse. Ela ajoelhada na cama, a camisola de renda preta rasgada de propósito. O tecido pendia de um mamilo. —*Essa!* —ela quase gritou—. *Sonhei com ela assim… com essa pinta aqui* —apontou o próprio lado esquerdo—. *Ela geme alto quando goza?* — se soubesse o quanto… Minha favorita. Lúcia de costas diante do espelho do closet, a tanga azul celeste sumindo entre as nádegas. Só se via seu perfil.
Roberto soltou um grunhido: — *Quero ver a cara dela quando faz isso. Deve ficar com aquela expressão… de gata satisfeita.* O barman bateu no mármore com uma garrafa vazia: — *Última rodada, rapaziada!* Roberto empurrou o celular de volta, com os olhos injetados: — *Preciso de um minuto* — levantou-se cambaleando —. *O fernet me caiu mal.*Enquanto caminhava pro banheiro, notei duas coisas:
1. O volume na calça jeans que não estava antes de ver as fotos
2. O jeito que ele ajustou o cinto, nervoso
O espelho atrás do balcão refletiu o retorno dele cinco minutos depois. Camisa desabotoada no colarinho, cabelo bagunçado, uma mancha de água na calça perto da braguilha.
— *Desculpa* — bufou ao sentar —. *Precisei… aliviar a tensão.*
O sorriso dele era uma mistura de vergonha e orgulho. O cheiro de cloro do banheiro pairava ao redor. — *Não conseguia parar de pensar naquela última foto* — confessou, limpando o canto do lábio com as costas da mão —. *No jeito que a calcinha fio-dental marca quando ela se inclina…*
O celular vibrou naquele instante. Uma nova mensagem de Lucía:
> *Você tá com o Roberto? Ele sempre me olha com cara de safado e mais de uma vez me deu umas indiretas… Mostrou minha coleção pra ele? Diz que na próxima sessão ele pode escolher a fantasia.*
Roberto conseguiu ver o brilho da tela. As pupilas dele se dilataram como poços negros.
— *Sessão?* — perguntou, a voz virando um fio de areia.
Lá fora, a sirene de um navio atravessou a neblina do porto.
Aqui dentro, o último gole de fernet tinha gosto de ponto sem volta. O ar no *Cormorán* ficou grosso como melado. Roberto ainda tremia. Peguei o copo de fernet dele e deslizei na minha direção. — *Você topa ser o fotógrafo?* — a pergunta saiu baixa, mas cortou o barulho do bar —. *Da próxima sessão. Só se a Lucía autorizar.*
O garfo dele caiu no prato de batatas fritas com um clang metálico. — *Dani, pelo amor…* — engoliu seco —. *Não me faz isso.*
Meu celular vibrou de novo. Nova foto: agora com outro conjunto. De costas na frente do espelho... a luz dourada banhando a curva onde terminava a coluna dela e começava a bunda.
Mostrei ela sem palavras. — *Ela já escolheu a fantasia, viu?* — falei enquanto ele devorava a imagem. Roberto soltou um som entre engasgo e risada. — *Você vai me matar, filho da puta* — sussurrou, esfregando os olhos como se estivesse acordando —. *Mas se ela pedir…* O dedo dele roçou a tela —. *Eu vou poder…?* — *Tocar, não.* — cortei, vendo a esperança dele murchar —. *Mas ajustar uma alça da fantasia, um babado do corset… isso entra na direção artística.* O barman deixou a conta entre nós: **R$87.000**. Roberto nem olhou. — *Quando…?* — *Te mando o local amanhã.* Levantei, deixando notas a mais —. *E Roberto…* Ele ergueu o olhar. Nos olhos dele, o medo e a excitação travavam uma guerra suja. — *Se chegar atrasado,* — sorri — *a Lúcia vai fazer você se arrepender pelo resto da vida.* Mandei as fotos pro celular dele antes de ir. Saí pra noite do porto. Antes de virar a esquina, olhei pro bar: Roberto ainda estava sentado, celular na mão, ampliando as fotos da Lúcia com dedos trêmulos. A outra mão dele tinha sumido debaixo da mesa de novo. A mensagem da Lúcia chegou quando liguei o carro: > *O fotógrafo gostou do trailer? Diz pra ele que a sessão tem uma regra: ele vem se aceitar fotografar com uma mão amarrada na cadeira.* Sorri. Ela sempre entendia o jogo melhor que ninguém. Reenviei a mensagem pro Roberto. No retrovisor, a silhueta dele saiu correndo do bar em direção ao carro, abotoando a calça jeans com uma mão enquanto a outra digitava freneticamente. Meu celular vibrou: *Roberto: Diz pra ela que aceito. Mas que a cadeira que ela escolher… que tenha vista pro espelho.* O nevoeiro engoliu o porto. E em algum lugar entre a traição e o desejo, o clique de um obturador imaginário soou na minha cabeça… Quer uma segunda parte? Te leio nos comentários, no chat ou no @eltroglodita
3 comentários - Meu colega de trabalho e eu