Tudo pra manter o trampo

Minha esposa não trabalha, é dona de casa com nossos filhos, um menino.

Faz aproximadamente um mês, ela começou a procurar emprego.

—Você devia se candidatar onde eu trabalho — disse Sandy enquanto nos sentávamos ao redor da mesa da cozinha bebendo vinho e tentando descobrir o que fazer.

Sandy era a melhor amiga da Karen e trabalhava numa das agências de publicidade.
—O velho Matías tá procurando uma nova assistente executiva.

—Cê acha que ele me contrataria? —disse Karen, esperançosa.

Sandy deu de ombros.

Karen, parecendo meio derrotada, respondeu à falta de reação da amiga: —Tipo, eu esperava algo mais do que ser secretária, mas nesse ponto aceito qualquer coisa.

Sandy colocou a mão dela sobre a de Karen.

—Querido, você seria uma assistente executiva, não uma secretária. Com o Matías, a diferença é enorme. Você teria muita responsabilidade e ouvi dizer que o salário é muito bom.

Karen e eu olhamos pra Sandy com interesse.

Isso realmente poderia nos ajudar, tirar a gente do sufoco até eu conseguir um trampo. Mas cê acha que ele me contrataria?

—Acho que você tem uma boa chance. Quer dizer, você se formou em marketing, tirou notas boas na faculdade, é inteligente e esforçada… mas tem uma coisa.

— O quê? — tanto a Karen quanto eu perguntamos quase ao mesmo tempo.

— Bom, você teria que trabalhar muito à noite e nos fins de semana.

— Tá bom —ela disse.
Vi o olhar no rosto da Karen e peguei na mão dela.


Uma semana depois, esperei ansiosamente a Karen chegar em casa da entrevista dela.

— Como foi? — Perguntei pulando assim que ela chegou em casa.
O rosto dela era só sorrisos.
— Consegui! — ela gritou — Começo na segunda!

Comemoramos levando nosso filho no McDonald's, é claro.

O que eu realmente espero ansiosamente é ver minha esposa gostosa vestida para o trabalho todo santo dia.

—Mmm, e por que isso? — perguntou ela se fazendo de sonsa — Não vou usar nada especial. Só saias curtas, meias.

No dia seguinte, trabalhei arrumando umas paradas que tavam vazando enquanto a Karen e a Sandy revisavam as roupas delas.





No começo foi difícil pra Karen. Ela tinha que aprender muita coisa no novo trampo. Mas depois de uns meses, as coisas melhoraram.

Começou a se familiarizar com o trabalho, e na verdade era interessante e desafiador. E a grana era foda.

Eu não reclamava do novo guarda-roupa da Karen. Ela voltava pra casa todo dia toda gostosa com seus vestidos de grife e saltos altos! Adorava ver ela se vestir, ainda mais porque ela tinha seguido o conselho da Sandy sobre as calcinhas fio dental e as meias até a coxa.



Uma galera dos funcionários da CVP, na faixa dos 20 e 30 anos, sempre saía pra tomar umas na sexta à noite. Depois de dar desculpas por algumas semanas, a Karen finalmente começou a ir. Mesmo odiando ficar longe do nosso filho por mais tempo, ela não tinha escolha, porque precisava manter a aparência de que era uma mulher solteira e sem compromisso. Normalmente, ela vazava na primeira oportunidade, mas numa sexta à noite ela só chegou em casa depois da meia-noite. Tava bêbada e com um tesão do caralho. Praticamente me violentou assim que entrou em casa.

Na manhã seguinte, ela estava de ressaca e só se sentiu normal depois do almoço. Perguntei o que tinha rolado na noite anterior — não que eu estivesse reclamando, porque o sexo foi incrível. Ela hesitou e me disse que o grupo dela começou a dançar, e alguns caras dançaram bem colados nela, então teve uns esbarrões e umas roçadas sem querer. Ela parecia preocupada que eu fosse ficar puto, mas falei que entendia: eram só uns solteiros saindo depois de um dia duro de trabalho, desestressando, e no fim das contas eu é que lucrei, porque voltei pra casa com uma esposa extremamente tarada na cama. Ela pareceu aliviada, e o fim de semana seguiu normal.

Karen continuava saindo com os colegas de trabalho às sextas e geralmente chegava em casa depois da meia-noite. Ela sempre voltava com tesão e a gente tinha umas sessões de sexo do caralho. Percebi que agora ela tava ansiosa por essas noites de sexta com os colegas, o que me incomodou um pouco, mas não falei nada porque lembrei que eu também saía com os caras pra tomar umas quando tava trampando. Além disso, o sexo depois que ela chegava em casa nas sextas sempre foi foda, e agora tava rolando mais do que nunca.

Além disso, comecei a sentir tesão em ouvir como os colegas de trabalho homens dela se aproveitavam dela nessas sextas à noite. Karen sempre me contava tudo, ela sempre foi honesta, é o melhor tipo de pessoa política. Me surpreendeu que as histórias dela me excitassem, mas olhando pra trás, eu sempre curti ver outros homens dando uma olhada nela.

Geralmente, quando eu chegava em casa, a gente se apressava pra ir pra cama, ela toda excitada por toda a atenção masculina que tinha recebido e eu ansioso pra ouvir o que tinha rolado. A gente tirava a roupa, mas eu sempre pedia pra ela ficar de meia.

O outono virou inverno, e a festa da empresa ia me levar como seu par pra gente se divertir junto.

Acho que ela tava preocupada que eu visse ela com os amigos barulhentos dela. Uma coisa era me contarem as travessuras, outra era eu ver pessoalmente. Falei pra ela não se preocupar com isso. Não achei que ninguém fosse fazer algo muito doido numa festa da empresa. Mas por dentro, não me importaria se alguns caras ficassem brincando com ela, porque (por mais estranho que pareça) achei a ideia disso excitante.

Na noite da festa, vesti meu melhor terno. Karen tinha comprado um vestido novo e estava deslumbrante. Era um vestido preto de grife, com ombros de fora, que abraçava as curvas dela e mostrava um bocado das pernas enormes dela. Chegamos e ela me apresentou pros colegas de trabalho. Levei uma bebida pra ela, e depois outra. Tava fingindo ser um date certinho e atencioso, mas na real queria deixar ela relaxada pra se divertir de verdade.

Combinamos que o pessoal podia desconfiar se a gente ficasse junto parecendo um casal, então às vezes a gente se separava, conversando com grupos diferentes de pessoas.

Um grupo de umas 30 pessoas parecia ser o centro das atenções. Fiquei surpreso ao ver minha esposa nesse grupo.

Minha esposa se encaixava perfeitamente. Ela estava tão linda e gostosa com aquele vestido novo, tão segura de si no meio de toda aquela gente bonita. Eu sabia que não me encaixaria naquela multidão, e isso me irritava. Mas ao vê-la ali, claramente o centro das atenções de vários caras, senti uma agitação no meio das pernas. Mais tarde naquela noite, enquanto a gente transava, fantasiei com aqueles homens comendo a minha esposa.



Umas duas semanas depois, cheguei na cozinha onde a Karen e a Sandy estavam se agarrando. Tavam bebendo vinho e rindo, mas quando entrei, pararam de falar na hora.

—O que foi? —Perguntei.

As garotas se entreolharam e Sandy mandou pra Karen aquele olhar de "você precisa contar pra ele". Os olhos da minha esposa atiraram flechas na amiga, mas no fim ela falou —Bom, um dos caras do trabalho me chamou pra sair.

—Isso não é verdade — corrigiu rapidamente a amiga — os caras tão te chamando pra sair desde que você começou a trabalhar.

Olhei inquisitivamente pra minha esposa —Têm? Você não me contou.

—Desculpa, mas não achei que fosse grande coisa. Quer dizer, claro que não vou sair com nenhum deles, sou casado, pelo amor de Deus.

—E esse é o meu ponto — disse Sandy — Karen, o pessoal já tá começando a falar, se perguntando por que você nunca sai pra encontros. Daqui a pouco vão desconfiar que você é casada, e assim que isso acontecer, o velho Matías vai te mandar embora.
As duas amigas franziram a testa uma para a outra. Claramente, essa era uma conversa que já tinham tido há muito tempo. Antes mesmo de falar, ela sabia que não devia, algo sobre ouvir a cabeça grande, não a cabeça pequena.

—Talvez a Sophie tenha razão — falei, dando de ombros e fingindo indiferença — Quer dizer, você tá ganhando uma grana boa nesse trampo, e a gente não quer arriscar ninguém desconfiando..

Foi assim que minha esposa começou a sair com outros caras.

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