Marcas na Pele – Parte 2

Samuel não devia ter voltado a segui-la. Já tinha visto o suficiente. JásabiaMas o desejo doentio de confirmar com os próprios olhos o empurrou para além do ponto sem volta.
O motel era o mesmo. O quarto, idêntico à vez anterior. Mas desta vez,Samuel não ficou de foraCom o coração batendo como um tambor no peito, encontrou a janela apenas entreaberta. Deslizou para dentro sem fazer barulho, o peso da sacanagem e da raiva carregado em cada músculo tenso do corpo.Ela se escondeu debaixo da cama.E então,Ele viu ela.Valeria estava de pé, diante do seu amante. Seu vestido vermelho deslizando pela pele como uma carícia. Suas mãos ansiosas percorrendo-o, sua boca buscando a dele com desespero.
—Me diz... —sussurrou ele, a voz grave e dominante.
—Eu quero tudo... —respondeu ela, com um tom que Samuel jamais tinha ouvido antes.
Samuel fechou os olhos, o suor frio cobrindo suas costas enquanto os sons da sua traição enchiam o quarto. A cama rangia sobre ele, marcando o ritmo de um desejo quenão pertencia a elaCada gemido da Valéria era uma adaga, cada arfar, uma ferida aberta. Masela não se mexeuNão fez nada. Se obrigou a ouvir, a sentir… a reter cada segundo na memória. A noite se esticou numa sinfonia proibida. Samuel, preso na escuridão do seu esconderijo, perdeu a noção do tempo até que…O amanhecer tingiu o quarto de um tom dourado e cruel.Quando finalmente saiu do seu esconderijo, o ar cheirava a suor, desejo... e traição. Valeria dormia profundamente, seu corpo nu enroscado entre lençóis bagunçados. Seus lábios inchados, sua pele marcada de beijos e mordidas.Marcas de tudo o que não pertencia a Samuel.Mas o pior ainda estava por vir.
Ao lado da cama, um punhado de camisinhas usadas brilhava sob a luz do amanhecer. Todas amarradas, cheias de evidências do pecado dela… exceto uma.
O látex rompido descansava entre as pernas da esposa, como uma cicatriz indelével da traição.
Samuel sentiu uma onda de fúria… e algo mais sombrio, mais denso.
Ele se aproximou dela, acariciou o rosto dela com a ponta dos dedos.Tão gostosa… tão perdida.Ela se inclinou até o ouvido dele e sussurrou:
—Espero que tenha valido a pena.
Valéria se mexeu nos sonhos, um sorriso satisfeito nos lábios.
Samuel se virou.Não restava mais nada para ver.

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