Como fui um baita otário

Olá, tudo bem? Então, essa é uma história de como eu fui um baita otário aos 16 anos e não perdi a virgindade por ser um lerdo. Então, se você veio procurando uma história pra bater uma, continua procurando, porque aqui você vai é rir de mim.

Bom, primeiro um pouco de contexto. Estávamos no começo de 2021, ainda com a pandemia pegando forte, mas mais de boa na minha cidade, pelo menos. Eu já tinha uns 16 anos, perto dos 17, tocava guitarra, mas queria aprender um pouco de teoria, então me meti numa igreja que dava aula. Já tava lá uns 6 ou 7 meses, e é aí que essa história começa.

Tava na aula como de costume. O professor deixou uma melodia no quadro e foi pra sala do lado, porque os alunos eram mais novos e ele tinha que ficar em cima pra eles aprenderem. Comigo tava um amigo que era bem intermitente nas aulas, basicamente faltava mais do que ia, e o cara que tocava teclado, que hoje veio mais cedo, mas tinha que ir embora bem antes.

A aula era normal, sem nada de novo, até que o professor voltou, dessa vez com uma garota cujo nome não lembro, mas vamos chamar de Juana, porque gosto desse nome. Juana não sabia nada de guitarra. O professor ficou um tempo, ensinou umas coisas básicas e deixou ela praticando. Eu, da minha posição de "avançado", ia ajudando ela aos poucos. E com o passar das aulas, fomos conversando mais sobre qualquer coisa do que sobre guitarra. Menos ajuda e mais conversa, digamos.

Com duas aulas por semana, de aproximadamente 1h30 cada, somado ao fato de que meu amigo quase não ia e o cara do teclado geralmente chegava na última meia hora e ficava uma hora a mais depois que a gente ia embora, Juana e eu passamos bastante tempo juntos e sozinhos por uns 2 meses. Nos demos super bem. Ela se vestia meio hippie, e lembro que comentei isso. Conversamos sobre várias coisas: soube da família dela, da casa dela, da vida dela. Eu sou meio fechado, então ela não soube tanto de mim, mas me conheceu bem mesmo assim. Lembro que não achava ela bonita, nunca falei isso pra ela, mas também não vi necessidade já que o assunto nunca surgiu na conversa. Sabia que ela era solteira igual eu, mas não ia tentar nada porque tava na minha, resolvendo meus próprios bagulhos. Além disso, ela era um ano mais nova, mas na conversa me disse que gostava de caras mais velhos, tipo uns 3 ou 4 anos mais velhos. Então eu não tava afim de nada, não achava ela particularmente gostosa, e ela mesma me descartou porque eu era só um ano mais velho.

Vocês devem estar se perguntando: "onde é que eu vou rir de você?" Bom, essa parte mais descritiva dos meus sentimentos é pra vocês entenderem um pouco o que vem agora, que é onde vocês vão rir de mim, ou talvez não riam, mas no mínimo me chamem de otário.

Chegou um dia que o professor falou que a gente ia se apresentar numa missa, que não tínhamos feito antes porque éramos poucos, mas agora já éramos um grupo maior e já tocávamos com um pouco de decência, então era a hora certa. Bom, passaram umas aulas, a gente ensaiou o que ia tocar, e chegou o tal dia da missa. Era dia de aula, então a gente podia ficar umas 1 ou 2 horas depois da aula pra missa. E foi justamente com essa ideia que Juana me chamou pra ficar, ir pra praça e voltar na hora da missa. Meu amigo, que foi nessa aula, tinha que ir não sei aonde, mas voltava na hora da apresentação. E a verdade é que a ideia não era ruim, então aceitei. Dito e feito: a aula terminou, deixamos os violões e fomos pra praça, que ficava a umas 3 quadras da igreja. Sentamos num banco e ficamos falando besteira um bom tempo, até que vi que a bateria do meu celular tava quase no fim, e ainda por cima tava um calor do caralho. Então falei pra Juana ir pra casa dela, e eu pra minha, já que a gente ia se ver mais tarde. Eu queria tomar um banho e carregar o celular. A resposta de Juana foi: "Mas não quero ir pra minha casa, vou ficar SOZINHA e vou me entediar. Me acompanha e a gente fica lá." E eu, completamente lúcido, recusei. Ela insistiu várias vezes, reforçando que a gente ia Ficar sozinhos, ela preparava um Tererê e a gente via o que ia rolar lá, e eu continuava recusando, e talvez o pior de tudo não é que eu não captava a indireta, mas sim que eu me recusava a ir porque queria colocar meu celular pra carregar. Tenho 100% de certeza que se ela tivesse dito que eu podia carregar na casa dela, eu teria topado ir, mas como ela não falou e não me ocorreu, continuei recusando e virei pra minha casa. Parte do caminho era compartilhado com ela, então ela continuava insistindo no trajeto, mas eu completamente alheio a qualquer pensamento lascivo movido pelos hormônios da idade, continuei recusando. No fim, ela foi sozinha, eu cheguei em casa, meu celular carregou por uns 40 minutos e, bom, tive que voltar pra igreja pra apresentação. Juana já estava lá, tocamos e deu tudo certo. As aulas de violão terminaram um pouco depois, Juana faltou a última aula. Continuamos conversando na aula, ela não sugeriu de novo que eu fosse na casa dela e, quando as aulas acabaram, nunca mais a vi.

Por que eu precisava tanto colocar meu celular pra carregar? Nem ideia, esperava uma mensagem da minha mãe ou algo assim, também por isso queria ir pra minha casa. Seja lá o que minha mãe tinha pra me dizer, ia me dizer lá.

Não lembro da Juana ter me dado mais indiretas depois disso, e talvez vocês me digam: "bom, mas pelo menos você percebeu". Sim, percebi quase 4 anos depois.

Bom, foi isso. Espero que tenham dado pelo menos uma risada. Deixem pontos e algum comentário. A gente se vê em breve com outro post da minha pica dessa vez pra não perder o ritmo. Esse é mais como um recheio, mas acho que não tem desperdício contar essa anedota com a qual alguns amigos ainda me zuam.

1 comentários - Como fui um baita otário

murx66 +1
Ahhhh. Todos debemos de tener al menos una de esas.
Abrazo. Me scataste una risa!